A mais simpática talvez tenha sido a Rua dos Velhos Colonos, do lado de lá da Mansão (era assim que se chamava a instituição que acolhia os velhinhos!), mesmo em frente ao posto médico. Na vivenda ao lado morava a família da Natália Luiza, mas ainda não havia Natália Luiza. Lembro-me do seu nascimento e da alegria que trouxe àquela casa e à mana Teresinha, minha companheira de brincadeiras. A casa deles tinha um caramanchão que dava uma sombra fresquinha muito agradável para se pôr a alcofinha da menina.
Mas a Rua que me deixou mais recordações foi, sem dúvida, a Simões da Silva. Morei no número treze e isso não me trouxe azar nenhum. Era uma rua pequena, perpendicular à Pinheiro Chagas, que começava mesmo em frente ao Patriarcado e terminava logo ali, no primeiro quarteirão. Não foi exactamente pela minha casa, mas por ser também nesta rua a casa da minha avó, uma casa antiga, de estilo colonial, com todas as insuficiências que hoje nos trariam desgostos, mas que tinha em compensação um quintal que era um mundo, com capoeiras, muitas árvores de fruto e muito espaço para as nossas brincadeiras.
Há uma Rua Álvaro de Castro com memórias desorganizadas e uma Rua (ou seria avenida?) 31 de Janeiro, que é uma morada do tempo em que o Pai Natal ainda me visitava na noite de 24, onde quase morri de tifo, onde, enfim!, vivi!
Procurei a razão, na minha dita "cultura geral". Rebusquei, fui ao fundo, tirei tudo para fora, como faço quando procuro a chave do carro na minha mala "de mulher" e, como acontece com as chaves do carro, não estava lá.
Há que procurar noutros lugares: bolsos dos casacos que vestimos ontem, proximidades dos fogões ou frigoríficos, lugares muito (mal... grrrr) frequentados por senhoras (Há pouco eram mulheres, agora já são senhoras!) e o pior que pode acontecer é ter de pedir a cópia a quem a tiver!
Como também acontece na vida real, os sítios alternativos às malas de mulher, encontrei mais do que uma chave e não sei qual é a que serve para abrir o mistério do nome da Rua.
31 de Janeiro é data de nascimento (1512) e morte (1580) do cardeal D.Henrique, o que nos ficou a governar por não ter conseguido refrear os instintos expansionistas do sobrinho adolescente e Rei D. Sebastião.
"A revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi a primeira tentativa de implantação do regime republicano em Portugal.." diz o Portal da História.

Esta eu acho que serve!!!! É uma data importante. Foi a primeira vez que a bandeira se vestiu de verde e vermelho e se mostrou assim, se deixou içar, na Câmara Municipal do Porto, com as cores que haviam de ficar.
No dia 31 de Janeiro de 1908, é decretada a "expulsão do território nacional europeu de todos os adversários do governo."
Como sempre as histórias repetem-se na História com letra grande. Depois vieram os republicanos e houve perseguição aos monárquicos.
Foi então que o meu avô Abraão Gouvêa foi deportado.
O que tivemos de passar para aprender a democracia!
É por isso bem mais simples baptizar as ruas com nomes de flores, como aqui no Montijo: Rua das Papoilas, Rua dos Cravos Vermelhos...

Sinal de menos bom-gosto acho que que é dar às ruas nomes das disciplinas da escola: Rua da Física, Rua da Biologia, Rua da Matemática.

E chamar à rua da minha escola Rua dos Mártires do Tarrafal?!
(É certamente uma medida para combater o "sucesso" escolar!)




































