sexta-feira, 31 de março de 2006

Escola!

Pudesse eu escrever isto amanhã e ser esta a mentira do dia.
Mas não é!
A verdade da escola dos tempos que correm é que a autoridade do professor, dentro e fora da sala de aula, morreu e há que enterrá-la, não vá ela ressuscitar por um milagre qualquer.
Os casos não são pontuais nem tão pouco localizados em tipos de escola, regiões do país, população escolar, zonas degradadas. O que se passa é na Escola!
Repetem-se as histórias de agressão, desde a agressão verbal à agressão física, passando pela agressão perpetrada pelo sistema adoecido de leis, decretos, informações, esvaziado de vontades, desejos, emoções, coisas de dentro de professores e alunos, onde efectivamente se devia realizar o processo ensino-aprendizagem.
Mas não!
Isto tudo a propósito do que tenho eu própria vivido nos últimos tempos e de uma notícia do Público que dava conta de mais uma agressão a uma professora, no Porto.
E tudo aconteceu dentro da sala de aula, num quinto ano de escolaridade e a professora teve de ser transportada ao hospital...
"Isto" não é Escola!!!

quinta-feira, 30 de março de 2006

You must remember....

Surprise!!!! Listen to this! Thank you, Mitsou!

(...)

árvoretorga
Fiquei também a conhecer o negrilho.
Não lhe invejo a sorte de sobreviver a todos, na impassibilidade da sua condição que também redunda em impossibilidade de intervir no devir de tudo e de todos. Resta a este negrilho secar mais ainda e mesmo assim duvido que o simbolismo poético que o envolve alguma vez o deixe descansar, repousar...
Para que conste, tudo isto me levou a uma releitura mais magoada ainda da "Criação do Mundo"!

quarta-feira, 29 de março de 2006

terça-feira, 28 de março de 2006

Nem às paredes confesso?

Já não me confesso, no sentido religioso do termo, há muitos, muitos, muitos anos.
Mesmo sem confissão, tenho penitência a cumprir. Seja!
Quatro empregos?
Quatro escolas,talvez!
O Externato Odivelas, onde comecei e onde vivi o melhor tempo da minha vida em termos profissionais. O que determina esta classificação é a minha juventude, 23 anos, a par dos tempos agitados de ideal: 1975!
Escola C+S de Manique do Intendente, a mudança, o longe, os caminhos, as madrugadas na A1 ainda com duas faixas até Vila Franca de Xira. Uma escola que também me deixou saudades.
Escola da Apelação-Catujal, numa zona de risco. Mesmo assim, uma escola feliz. Na altura, claro!
Benavente, duas escolas. Uma velha, a funcionar numa velha estrebaria. Uma nova, a estrear, longe do povoado. Dois anos de bom convívio.
Finalmente, Montijo. São quinze anos passados a baloiçar entre a sensação de estar a chegar e a de estar para sair. Não sei porquê. Quando cá cheguei a escola era uma. Hoje é outra. Acrescentada de pavilhões. É uma escola enjeitada. Os quadros pretos não se deixam já escrever. O mobiliário é o que sobra de outras escolas. Todos nos queixamos do mesmo desconforto, da mesma falta de condições. Mas todos vamos ficando, unidos, sem dúvida, pela amizade que, talvez por isso, se fortalece.
(É suposto isto ser confissão, logo segredo, não é?)
Quanto aos meus lugares, aos meus quatro lugares:
Lourenço Marques, Lisboa, Odivelas e Montijo.
(Também é para dizer os Parques de Campismo?)
Quatro filmes: Cinema Paraíso, porque o Alfredo é igualzinho ao meu pai;
My Fair Lady, porque gosto da história, das cantigas, das roupas, das falas, da pronúncia e da Audrey; O Inesquecível Simon Birsh, porque é uma lição!Um qualquer do Vasco Santana!
Quatro pratos favoritos: as comidas da minha avó e das minhas tias como caril de galinha, arroz de grelos e caldo verde.
Televisão: só o que dá tarde,muito tarde. A minha TV é isto...
(Eu pecador me confesso...)
Sites: jornais e blogs.
Quanto aos lugares onde estou bem... Todos somos um pouco como a cantiga do variações "Só estou bem onde não estou", o que, em última análise, é bem capaz de querer dizer que estamos sempre bem onde estamos. O melhor lugar do mundo é a minha casa, porque é a minha casca!
Vítimas?
Teté!, vá lá!!!!
A culpa é dele, Teté!

(...)

"S. Martinho é um marco de orientação e segurança que vejo em todas as horas de perplexidade e angústia e de todos os quadrantes do mundo."
Torga, 8 de setembro de 1992
anta
É este o caminho que vai para S. Martinho, logo a seguir à escola!

segunda-feira, 27 de março de 2006

Torga

Há ver por ver e há ver por sentir e para sentir.
É o caso!
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A Escola do Senhor Botelho! As primeiras letras do escritor que leio e releio, sempre à procura de uma verdade que nenhum de nós encontra, ou que todos encontramos e não reconhecemos.
escolatrás
Fui a S. Martinho de Anta ver esta escola, tomar o pulso a esta verdade que é ensinar, isto é, mostrar caminhos, abrir futuros a miúdos pobres, doa a quem doer, como fez o Senhor Botelho.
E doeram àquele pai e àquela mãe os anos da ausência!
Fui ver as mimosas, sentir-lhes o cheiro intenso e confirmar que elas estão ali para "florir o futuro" e não para reflorir passados.
escolajanela
Por estar a sentir e não a ver, tudo fazia sentido. Até este abandono! Quem terá esquecido a lata das salsichas transformada em porta-canetas, ali mesmo à janela?
Marcas de um tempo bem mais recente do que o tempo do poeta!
camélias
Fui ver camélias abertas em tons e formas de rosas, a enfeitar a eternidade, onde se reencontram pais, filhos e a terra!
"Chaque jour nous laissons une partie de nous-mêmes en chemin."
É esta a inspiração dos Diários. Provavelmente, é esta a verdade ao alcance de todos, "dos grandes e dos simples", como o próprio artista dividiu a arte!

O desejo

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Pedi ao Aladino o dom da ubiquidade.
Ele, olhou para mim, espantado.
-O que é isso?- perguntou.
Eu expliquei-lhe que no sábado precisava de estar em mais do que um lugar ao mesmo tempo.
Precisava de estar aqui,aqui, aqui, aqui,aqui...
- Mas tu és doida, ou quê?
- Ou quê. - respondi-lhe.
- Logo vi! Vais para um sítio onde nem os telemóveis têm rede.
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Espero que percebam que a culpa é do Aladino!!!
Dia após dia, tomo consciência da minha ilimitação enquanto ser humano bafejado com a sorte do laço de que fala o Principezinho.
Porém, há outros laços.
Estes foram inventados em 1790, neste dia em que se celebra o Teatro!

quinta-feira, 23 de março de 2006

A água, mais uma vez...

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"Cerca de metade dos rios do mundo estão seriamente poluídos ou com suas reservas naturais esgotadas."
mais aqui

quarta-feira, 22 de março de 2006

Ainda a água

Na poesia de Gedeão

Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, ácidos, base e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

António Gedeão, Poesias completas
nen

Água

"o direito humano à água é indispensável para vida com dignidade humana. É um pré-requisito da realização de outros direitos humanos."
águapordosol
"Mais de 20 por cento das crianças do mundo precisam de caminhar pelo menos 15 minutos para encontrar água..." São os Sinais do Fernando Alves.

terça-feira, 21 de março de 2006

Era uma vez...

A Tia Árvore estava muito contente, a receber os cumprimentos da criançada que por ali tinha passado, todos de boné amarelo, com ar solene.

Era um dia feliz para as árvores. Era o seu dia. Os Pais, as Mães, as Crianças, todos tinham o seu dia. Era bom terem escolhido um, para celebrar a Árvore e a família das árvores, a Floresta

De repente, reparou num versinho caído, a choramingar, quase juntinho ao tronco, molhado da chuva que também não quis faltar à festa.

- Que fazes aqui, versinho?

- Então tu não vês que eu tenho o pé quebrado?- respondeu, a soluçar.

A árvore, recorrendo naturalmente ao seu instinto maternal, olhou, investiu toda a sua atenção e paciência e olhou, com muito cuidado. Tornou a olhar e não viu nada.

-Ó versinho. Está tudo bem. Olha lá: as palavrinhas estão todas no seu lugar. As sílabas métricas estão todas certinhas. Tu és um decassílabo. Não és um versinho qualquer.

Mas o versinho cada vez gemia mais. A Tia Árvore pensou e bem. "Isto foi coisa de alguma linha transviada... Cheira-me a Decreto- Lei."

A Tia Árvore não encontrava razão para aquela lamúria, para aquela tristeza. Só podia ser sensibilidade do versinho.

- Foi uma folha que passou por aqui e disse que eu tinha isto...

- Isto? O quê, versinho?

- Chamou-me verso de pé quebrado...

A Tia Árvore sentiu a seiva a correr-lhe mais forte nos ramos e agitou-se, como se uma ventania ali estivesse a soprar. Percebeu tudo e perguntou ao versinho.

- Diz-me já que folha foi, versinho, que isso foi uma maldade muito grande.

O versinho parara de chorar e com muita admiração reparou que já não lhe doía nada.

-Sofreste uma humilhação e eu não permito que nenhuma das minhas folhas te trate assim.

-Não foi uma folha tua, tia Árvore. Foi uma folha de papel que passou por aqui, cheia de palavras e números e datas.

A Tia Árvore agitou os ramos novamente, mas desta vez com mais suavidade, porque se sentiu aliviada. Não tinha sido nenhuma das suas folhas.

Tão novinhas ainda, a nascer e a ganhar cor e forma, com o primeiro calor primaveril... Como é que podia ter pensado nas suas folhas? Como é que não pensou imediatamente nas folhas escritas sem amor, sem imaginação, sem talento, sem nada.... Essas sim, seriam capazes de pôr um versinho a chorar.

E logo um decassílabo, com uma ascendência tão nobre!

Dizem que foi um poeta muito famoso que o trouxe pela primeira vez de Itália para Portugal. Um tal Sá de Miranda. E não é essa a única glória no passado do versinho triste. Então e os Lusíadas?

Isto já era conversa da Tia Árvore, para convencer o versinho que não era nada um verso de pé quebrado.

-Pois é, Tia Árvore, ainda bem que me falas nos Lusíadas. Saí de lá de manhãzinha e os outros versos devem estar preocupados.

O versinho enxugou as lágrimas, arrumou as letras que entretanto se tinham desalinhado com a tristeza...

-Ai, Tia Árvore, que aflição!

-Que foi agora, versinho?

- Tenho aqui duas vírgulas e não sei onde é que estavam, quando me vim embora... Estive quase quinhentos anos quietinho e agora, logo hoje, que eu resolvi sair para celebrar o teu dia, acontece-me isto.

Já estava outra vez a chorar.

A Tia Árvore, cheia de paciência, pegou nas vírgulas e pousou-as no lugar que o poeta lhes tinha destinado, à direita e à esquerda da linda Inês.

- É assim, não é versinho?

"Estavas, linda Inês, posta em sossego"

-És o verso mais bonito de Camões, confidenciou, emocionada, a Tia Árvore.

-Achas mesmo?

- Claro. Eu nunca minto. Vai, não te atrases, para a mãe Poesia não ficar preocupada. Deve estar a voltar das celebrações que há por aí.

- Gostei muito de falar contigo, Tia Árvore.

- Eu também gostei muito de falar contigo, versinho. E já sabes: não deixes que nada nem ninguém duvide do teu valor.

A Árvore agitou-se com a suavidade de uma brisa, para dizer adeus ao versinho que correu para a sua estrofe, que não estava longe....
Pelo caminho do rio, era um instante, embalado por uma Tágide sonhadora e feliz!
a minha árvore
Esta historiazinha tem uma dedicatória.
Para a Stela!

segunda-feira, 20 de março de 2006

Recado

O recado fica aqui, tal e qual me foi dado.
Já agora vai dando uma palavrinha às tuas amigas, para que não esqueçam os seus exames: mamografia, ecografia pélvica, ida ao ginecologista pelo menos uma vez por ano.
Tu sabes bem que a mim é preciso quase obrigar-me. O medo é a minha segunda natureza e por isso sinto uma vergonha imensa, sobretudo porque caminho ao lado de pessoas corajosas como tu.
E sempre que sinto medo, sei que posso contar contigo!
amigasgif
Obrigada!

They shoot horses, don't they?

ternura
Esta fotografia é da Teresa.
(espero que ela não se zangue com esta publicação!)
Fiquei rendida à ternura do cavalo e à tentativa de aproximação sem o mais leve sinal de agressividade ou violência. Já vai sendo raro entre os humanos, não vai?

domingo, 19 de março de 2006

O tempo corre

Já é outra vez Dia do Pai!
It is not flesh and blood but the heart which makes us fathers and sons.
Johann Schiller
Por isso os pais são eternos!

Medley de aniversários

Glenn Close faz cinquenta e nove anos. Nunca a conheci muito mais nova. Parece-me que alcançou o estrelato já com a madura idade evidente mais no rosto do que na figura. Tinha quarenta anos quando filmou "Atracção fatal"!

Ursula Andress, uma das mais sensuais bond girls, faz setenta. As bond girls também envelhecem, claro!

Bruce Willis faz cinquenta e um. "É bonito e apresenta-se bem..." É um cinquentinho, como dizia o MEC, e a idade ainda não lhe fez muito estrago.

Herman José faz cinquenta e dois. Alto e pára o baile que aqui há muito para dizer. Este Herman de hoje não é o mesmo Herman que nós víamos há uns anos. Vi-o, pela primeira vez, no Teatro Villaret, na "Gaiola das Loucas". Depois, ainda no tempo da TV a preto e branco quem perdia uma exibição do Sr Feliz e do Sr Contente?!
"Diga à gente, diga à gente, como vai este país?"
As crónicas do Herman na TSF acompanharam-me muitos amanheceres na auto-estrada do Norte, a caminho de Manique do Intendente. O Bernardo Teixeira da Cunha foi, para mim, uma das suas mais hilariantes criações.
A Ministra da Educação faz hoje cinquenta anos. A popularidade da ministra é grande sobretudo para os que não estão na escola e não vivem os problemas que sobem de tom todos os dias e que já vão sendo notícia nos jornais.
Que a idade lhe traga a sensibilidade que é necessária para reerguer a Escola, tal qual nós, professores, a quisemos, há muitos anos atrás. Nós que passámos por reformas, continuando a formar pessoas (Nunca desistimos, já reparou?) e vemos o nosso "ganha-pão" vilipendiado por todos os que não sabem que ensinar é para nós tão natural como respirar. Se fosse de outro modo, já teríamos mudado de vida.

sábado, 18 de março de 2006

73 velas

1933 - Radio Clube de Mocambique's, 1st radio transmission

E agora é só carregar na tecla "memória" e ver o que é que dá.
Dá a Tia Zita. Um programa para crianças, à descoberta de talentos e não só. A Tia Zita promovia a comunicação, o convívio e os pequeninos ficavam a saber como é que as coisas funcionavam para lá daqueles aparelhos, com botões e teclas, que traziam até nossa casa as vozes de todo o mundo.

Em inglês????


Ontem foi a vez de ouvir uma entrevista a Waldemar Bastos.
Waldemar Bastos sempre foi para mim um homem, em artista em português. Claro que é um português de outras paragens, como eu própria, mas em português, mesmo assim.
Qual não foi o meu espanto ao verificar que, por razões comerciais, a Língua Portuguesa não se tem importado muito com este divulgador desta cultura que tanto se enriquece na variedade, na diferença!
(Eu já devia saber... Claro! Não tenho cinco anos, nem quatro! Tenho cinquenta e quatro!)
Mas o artista explicou que nunca vendeu a sua dignidade, que nunca pôs à venda o seu talento por preços baixos.
Quis saber mais: tudo em inglês!!!!
A vida em inglês!
Um concerto na sua língua, a língua dos sons africanos, misturados de palavras em português!

Imagem daqui
No olhar deste teu olhar,
a uma certeza, uma certeza
Como a luz do luar,
como a imensidão do mar

Esperança, segundo Waldemar Bastos, em português!

sexta-feira, 17 de março de 2006

ET, go home!

Enquanto não me decido a fazer o caminho de regresso a casa...
Tal como o patrocinador literário deste blog, eu sei que nunca se volta de lado nenhum. Nunca se regressa a casa! Nem sei se o ET terá regressado a casa. O João Sem Medo teve de se sujeitar a uma magia para poder voltar a Choraquelogobebes. Uma espécie de clonagem. O Mágico do espelho tentou que nenhum dos dois Joões resultantes desta operação soubesse quem era quem.
Eu acho que isto não é ficção. Isto é verdade!
Como ia dizendo, enquanto volto e não volto, vou percorrendo os meus lugares, sem corpo. Só com alma e pela mão de uma saudade bonita e simpática que me faz o favor de me lembrar o que eu acho que já esqueci.
E lá me deixo guiar.
Olho para trás e vejo-me com seis anos, a caminho da casa de uma professora de piano, que morava, se a memória não me trái, nas imediações do Observatório campos Rodrigues.
Obrigada, mamã! Obrigada, papá! Vocês tentaram ensinar-me música. Quiseram fazer de mim uma pessoa mais completa. Mas, nestas coisas, os pais não podem muito contra a natural incapacidade. Felizmente não demoraram muito a perceber que era uma perda de tudo.
(Ou será que a Dona Odete Garcia, a professora de piano, cuja cara a Dona Saudade me apaga teimosamente, lhes disse?)
Mas quem era afinal este Campos Rodrigues e qual a história deste edifício tão bonito?

Imagem daqui

Algumas respostas estão aqui.
Mas não se fica por esta vizinhança das lições de piano, a minha memória do Observatório.
A minha recordação acarinha ainda a imagem da Dona Robertina e do Sr Antunes, que moravam nos "territórios" do Observatório. Ele era funcionário do Observatório e uma pessoa dotada de extrema inteligência e de uma filosofia muito sua.
Eram pessoas muito especiais e que tiveram também um papel muito importante na minha aprendizagem da vida.
casal antunes

quarta-feira, 15 de março de 2006

Natália Correia

Recordo-a. Era imponente na figura, no gesto, no cabelo. Era imensa!
O cabelo arrumado para um lado, com algum volume só aparentemente discreto. Olhos bem contornados a negro. Baton a acentuar a boca de onde saíam as palavras destemidas.
Na mão esquerda, um anel, outro anel, unhas pintadas e a eterna cigarrilha.
O feminino no seu esplendor de make-up, numa exuberância que não terminava na alma de poesia.
Falava com desassombro, exorcizando os medos todos, os fantasmas todos.
"A mais velha nobreza do mundo de que me lembro é o desejo do impossível com que me dotaste, Mãe!"
Não conheço a obra de Natália Correia para dela poder falar. Ainda lá não cheguei, senão a alguns poemas e umas quantas páginas de um diário dos dias quentes da Revolução dos Cravos, onde a poetisa ia escrevendo os acontecimentos e a sua alegria. À minúcia dos minutos, às vezes, como no primeiro dia.
Mas tive o privilégio de viver o mesmo tempo, as mesmas horas, o mesmo dia, à minúcia dos minutos também. E tive o supremo privilégio de sentir que há gente sem medo, ou melhor, há mulheres sem medo, porque são reais, existem assim de carne e osso, como todos nós. Sem medo das palavras. Sem medo de as dizerem contra as ideias convenientemente estabelecidas.
Natália Correia partiu a 16 de Março de 1993. Deixou-nos o exemplo e a força das palavras belas e muitas vezes difíceis, naturalmente criadas com o calor da sua brilhante capacidade de decifrar a vida, o mundo, as coisas, o amor, a mãe, a sua ilha, o seu país, a sua mátria.
“Portugal, Portugal, não percas a rosa!”
NC
As palavras na canção!

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Perdidos... e (talvez) achados!

A televisão é para mim um fascínio. Ainda hoje, apesar de tudo.
Já compreenderão este tudo! É o cinema em casa.
Aquele cinema que preenchia uma parte muito importante da minha vida, que me ajudou a crescer e me ensinou a viver, como diria (talvez!) o Alfredo, projeccionista do Cinema Paraíso. O tal cinema em formato de bolso. Pocketcinema.
Cresci sem televisão e devo ser quase uma espécie em vias de extinção. Até aos dezoito anos, vi apenas um único aparelho de televisão, arrumado nas bagagens da minha tia, que tinha passado quatro anos em Lisboa e tinha levado para LM um aparelho, talvez na esperança que lá chegasse a caixa das maravilhas e aquela pudesse servir. Ou então, apenas por uma questão menos sonhadora. Talvez por razões práticas: que fazer ao móvel?

Esta imagem foi tirada daqui. (E esta senhora não é a minha tia. A minha tia é muito bonita!!!)
Aos dezoito anos aterrei na Portela com uma bagagem de expectativas, lãs para o Inverno que eu também não sabia o que era, mini-saias e maxi-saias (Não havia meio-termo!) e alguns sonhos.
À hora que eu cheguei não havia emissões. Havia horários. E havia tele-escola, que víamos, quando não havia mais nada para ver. Mas também não foi nessa altura que me tornei mais dependente, teledependente. Aos dezoito, aos dezanove e aos vinte anos, há muito mais coisas para fazer. Havia uma Lisboa inteirinha para descobrir e uma vida novinha em folha para viver.
A dependência chegou mais tarde. Não é para rir, mas as dependências e as responsabilidades maiores são quase simultâneas. Isto quer dizer filhos pequenos e tem a ver com a impossibilidade dos jovens pais de sair a toda a hora. Entretanto também é verdade que os génios do humor, da boa disposição e do talento estavam ao serviço da única televisão, a RTP, o que ajudava a tornar mais agradável a opção de ficar em casa.

Imagem daqui. Obrigada, Emília!
Mas a televisão de qualidade foi rareando e o bom vício foi-se perdendo.
De tempos a tempos, surge em mim o desejo de o ressuscitar.
É o que ando a fazer agora com a série "Perdidos", onde a sobrevivência não é uma questão solitária e não passa por magias urbanas, tecnológicas, e a ideia nos confronta com os nossos próprios instintos mais profundos.

Procuro ainda ver os episódios "perdidos" do Dr House, recomendação do João, e algum blá-blá que me caia mais no goto, seja pelas pessoas, seja pelo tema.

terça-feira, 14 de março de 2006

Malandros!

Afinal Einstein era mas é um "ganda malandreco".
Enganou a mulher, a bela (???)Mileva, trocando-a por outra!
Afinal havia outra. Se a minha mãe soubesse diria que nem se pode confiar num génio!
Ou melhor, no Génio!
einsteins

O que se (tê)vê

Ontem a conversa da dois foi com Rodrigo Guedes de Carvalho.
A "conversadora" de serviço, Ana Sousa Dias, é, neste momento, a minha preferida, porque deixa falar os seus convidados. Não está sempre a interromper-lhes a palavra ou o pensamento.
O jornalista escritor falou do seu processo de escrita, com muita sinceridade e essa verdade cativou-me, como nunca me tinham cativado os "seus" telejornais.
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segunda-feira, 13 de março de 2006

(...)

“- Não há nada a explicar. ( diz o professor de Ciências à professora de Italiano) Querem uma escola mais activa? Com mais horas, mais aulas, mais turmas, mais alunos, mais disciplinas, mais anos, mais tudo? Muito bem, então há que aumentar o número de professores, claro.( ...) Mas o que é que acontece? É simples: como a excelência, em todos os domínios, só pode ser atingida por uma minoria exígua da população, se aumentas o número, dás por ti a pescar na maioria e a apanhar peixes cada vez menos excelentes, mais médios, mais medíocres. E assim baixas o nível médio da classe docente.”
Tão simples, não é verdade? Tão incontestável! Mas atenção, este professor é incómodo, diz verdades e, pior que tudo, pensa-as. A maior parte de nós já perdeu o treino de pensar e o tempo para o fazer também. O sentido do dever impõe-se e, quando damos conta, passaram anos e o nosso nível de exigência já está pela metade e os conteúdos leccionados pela terça parte. Quem perde? Todos! Especialmente as nossas crianças que nunca conhecerão uma escola “a sério”. Conhecem aquela escola simpática, pouco exigente, que os vai conduzir a um mero diploma do Ensino Básico. Ou talvez o ponha à porta da Faculdade, quem sabe? Mas não lhe venha pedir contas, se não conseguir sair de lá a tempo e horas de começar carreira profissional, antes dos cabelos brancos.
Mas os alunos, tenhamos essa esperança, talvez venham salvar este sistema. Na página setenta e oito ("Eu até sei voar") uma aluna pede que a professora os ensine a escrever, e outro colega, “com o capacete em cima da carteira”, explica que nunca ninguém os ensinou a escrever. E "a professora" faz as contas aos anos de Ensino Básico e Secundário e, alarmada, conclui que eles já tiveram mil e novecentos dias de escola, dez mil horas de aulas e não sabem redigir “três linhas numa composição...”. “Uma caneta, meus senhores! Uma caneta e um caderno. Só isto. Para determos os pensamentos, basta uma caneta e um caderno: escrever é isso.”
Reflexão antiga a propósito de "Eu até sei voar", de Paola Mastrocola

Imagem daqui

sexta-feira, 10 de março de 2006

O desencanto desta política

E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
José Mário Branco, FMI Cortesia de Cão de Guarda.
Ouvir tudo aqui e depois inventar "o mar de volta" e seguir em frente.
Lavremos o pedaço de terra que nos cabe lavrar.

quinta-feira, 9 de março de 2006

O Rei

Não, hoje não há presidentes para ninguém. Hoje há o Rei!
O Rei da Jovem Guarda que eu ouvia na Rádio Ronga, todos os dias.
AS cantigas "inteligentes" (ironia do próprio Roberto Carlos!) do Rei Enquanto Jovem, que eu decorava mesmo sem querer.
Parei, olhei e vi ternura em seu olhar... Botei até seu nome no jornal...
As cantigas entravam no nosso ouvido e foram assim fazendo parte desse tal património de adolescência/juventude que às vesez (só às vezes!) sabe bem recordar!
Cantou durante duas horas seguidas, igual na tristeza que só ontem me impressionou.
Recebeu todos os presentes, todos os ramos de flor, todos os bilhetes e até um urso de peluche, como se fosse gente e não um ídolo. De repente, o vinil da nossa adolescência ficou real, ali, tão próximo e tão cheio de humildade que a mim me serviu de lição, mais do que Coimbra de que eu gostei mais do que alguma vez tinha gostado.
rcviola

quarta-feira, 8 de março de 2006

São rosas...

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Recordo, assim em jeito de homenagem, três mulheres das nossas letras.
Natália Correia, a mais desassombrada na palavra poética, ou noutra qualquer. “Dão-nos um nome e um jornal/ um avião e um violino/ mas não nos dão o animal/ que espeta os cornos no destino.”
Natália já morreu.
Mas ninguém esqueceu a sua voz, naquele dia, no Parlamento. Em verso ousado, defendeu o acto de amor pelo amor, contra as moralidades pequeninas, de quem parecia não experimentar o amor, senão para cumprir o destino de não interromper a espécie.
Sophia de Mello Breyner, a poetisa.
Uma mulher de alma inteira e de sentidos completos! “Vemos, ouvimos e lemos/ Não podemos ignorar.”
Esta alma inteira esteve presente em todos os seus actos, mesmo quando contava histórias aos filhos, onde lhes ensinava um mundo mais justo, mais perfeito, mais feito do espírito e do mar. Sophia e o mar são uma relação universal.
E Florbela Espanca, a "mais triste de todas as mulheres", que se consumiu no amor.
“Eu não sou boa nem quero sê-lo, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar um.»
“Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar” explicou também.
Rosas na memória destas mulheres!

terça-feira, 7 de março de 2006

7 de Março, a Praça

apraça
A 7 de Março de 1877, chegaram os engenheiros à vila de Lourenço Marques!
Vila, desde 1876. A missão destes engenheiros era "planificar e edificar a futura cidade".
Se a memória não me atraiçoa, foi nesta Praça que eu "aprendi" a calçada portuguesa.
Era aqui que a Baixa acabava, porque começava o mar. Daqui, já se avistavam os guindastes do Cais Gorjão.
A carrinha, que me trazia do Infantário- O Jardim dos pequeninos da D. Irene- deixava-me mesmo ali, ao pé do Prédio Rubi, nas traseiras do John Orr.
Um dia, uma amiga da minha mãe veio buscar-me à carrinha, porque a minha mãe não podia. Eu sentia uma angústia muito grande quando não me vinham buscar. Ficava, de repente, sozinha no mundo. Olhava para o sítio onde devia estar alguém à minha espera e ficava aflita quando não via ninguém. No meio dessa aflição, segui à risca os conselhos, não fosse alguém querer "roubar-me" e, para sair dali, foi preciso repetir o meu nome completo.
(Querida Rosa, que saudades que eu tenho do teu carinho!)

segunda-feira, 6 de março de 2006

Prenda

Laura, encontrei esta prenda para ti!
Sem segredos, está tudo aqui!
E para os outros: Ana Pereira, Chuinga, Teté, Gil, Theo, Gilda, há também uma prenda!
Abram-na!

Mas quem faz anos a sério é esta amiga. Ainda não é centenária, mas está quase!

domingo, 5 de março de 2006

Esta é a Utopia

A Utopia é uma rosa.
Esta é uma Utopia.
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A beleza superou a ideia do criador.
Então ele chamou-lhe Utopia, de nome próprio!
Esteve exposta todo o fim de semana, na Feira da Flor.
Ela e as outras iguais, formando um ramo.
Iguais, não! Não há na natureza duas coisas iguais, diz o poeta Gedeão!
Um ramo de Utopias!
bunch
Tão cedo não voltarei a deslumbrar-me com Utopias, eu sei!

Utopia

Volto já, com uma flor chamada Utopia!

sábado, 4 de março de 2006

(...)

Finalmente, em livro, a crónica que eu mais gostei de ler até hoje.
lobo antunes
Li-a pela primeira vez, há mais de um ano. Tornei a lê-la, nos dias que se seguiam pois eu sabia que iria sentir na pele (ou para lá da pele, não sei bem!) o mesmo "ajuste de contas", que é assim que se chama a crónica.
É normal o nosso pai morrer antes de nós. Acho que ninguém, no seu perfeito juízo, pensa de outra maneira. Mas essa normalidade e até a previsibilidade e até o desejo de que o sofrimento e a decadência acabem de uma vez por todas não impedem de fazer doer.
(Mas a dor é individual, solitária e egoísta. Instala-se e temos de arranjar-lhe um cantinho onde confortavelmente ela conviva com o resto da nossa vida, feita também de bons momentos. Mas a dor é uma "chata" que está sempre a espreitar.)
"Isto Não É O Meu Pai
porque o meu pai não era aquele. O meu pai é um homem de trinta anos a jogar ténis na Urgeiriça e a fazer fosquinhas às inglesas. O meu pai é um homem de trinta e tal ou quarenta anos..."
Esta passagem tem-me acompanhado, porque na altura eu sentia isso mesmo em relação ao meu pai. O meu pai não fazia fosquinhas às inglesas. (Mas fazia o meu tio, que não resistiu à dor de perder aquele irmão e se foi juntar a ele, quatro semanas depois!) O meu pai fazia fosquinhas às portuguesas e cultivava o estilo de conquistador, não desprezando nenhum pormenor: ele era o bigode, ele era o franzir de sobrancelhas, ele era isso tudo. Depois, para piorar as coisas, apaixonava-se que nem um adolescente. Esse era o meu pai!
Em relação às três perguntas que o Lobo Antunes, enquanto filho ainda na ressaca da perda, formula, também vale a pena reflectir.
"Em que medida foi importante para mim? Amava-o? Faz-me falta?"
"Quanto ao amor não sei (...)"
Eu também não. Eu gostava muito do meu pai porque o meu pai gostava de mim, sem qualquer tipo de interesses porque ele não dependia de mim em nada, a não ser no afecto. Eu também só dependia dele nos afectos. Não havia dependências materializáveis. Ele gostava de me ver, de conversar comigo e dizia a todos "Esta é que é a minha filha!", com um orgulho paterno, como ele deve ser, com as superioridades todas por muito imerecidas que sejam. É próprio da maternidade e da paternidade. Quando assim não acontece, alguma coisa não está bem. Digo eu do alto da minha cátedra de filha e de mãe babada! Se não formos os melhores do mundo para os nossos pais (pai e mãe, claro!) vamos ser os melhores para quem?
Se foi importante para mim? Sim, sim, sim. Nunca me lamentou e isso foi muito decisivo no meu percurso até chegar à idade adulta e mesmo depois. Desenvolvi confiança e força, que com estatutos de coitadinhos não se consegue.
Faz-me falta? Claro que faz, embora esteja a usar as ferramentas de vida que me deixou.
(Obrigada, papá!)
Obrigada, Lobo Antunes, pela crónica que vale mais do que uma consulta de psi!
(Algumas horas mais tarde, apeteceu-me pôr uma musiquinha a tocar neste espaço! Fazia sentido ser pelo menos alguma de que o meu pai gostasse especialmente, já que ele gostava muito de música. Romântico, que era, só podia ser uma cantiga de amor.Esta "Paixão" do Rui Veloso, era uma das muitas.Eu também gosto!Aí vai ela!)

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sexta-feira, 3 de março de 2006

Duras, a provocadora

Marguerite Duras não morreu a 3 de Março de 1996.
De acordo com a fonte, Margurite Duras disse "a escrita, sou eu".
Assim sendo, a escrita de Marguerite Duras permanece viva e Duras também.
A história da sua vida está escrita nos livros, nos filmes que realizou, bem como os lugares que por ela foram reinventados a partir dos que estão geograficamente certificados.
Há muito para ler no Público de hoje sobre esta mulher que provocadoramente, ou não, dizia, escrevia, mostrava a realidade tal qual a vivia ou vivera, tal qual a sentira ou sabia.
"Eu acredito que sempre, ou quase sempre, em todas as infâncias e nas vidas que se seguem a mãe representa a loucura. As nossas mães permanecem as pessoas mais estranhas e mais loucas que alguma vez encontrámos."
Não sei se Duras chama loucura à coragem, mas a mãe é uma figura marcante na sua obra. O pai morreu quando Marguerite tinha apenas quatro anos e foi a mãe que a criou lutando permanentemente contra a a má-sorte, vítima de ilusões que a deixaram na penúria.
Consumia álcool, porque nada nem ninguém como o álcool a conseguia transportar para regiões, onde ela era dona do seu próprio destino.
Adorava o mar!
Eu devia ter consultado esta fonte. Devia ter reparado na cadeira vazia, antes de ter escrito isto. Mas já está, já está!

quinta-feira, 2 de março de 2006

O sarampo da Mary Quant

Tudo começou com o sarampo, explica a própria Mary Quant, recordando a sua infância, o gosto de fazer roupas, desenhar roupas, e o tal dia em que o sarampo a impedia de sair da cama e começou a experimentar com o que tinha à mão: uma tesoura e a coberta da cama.

Mary Quant revolucionou a imagem da mulher, indo ao encontro de um desejo natural de mudança e libertação. Subiu as saias e inventou a mini-saia. Contudo o que estava em causa não era apenas os centímetros a menos. Era um todo: o look Quant implicava uma maquilhagem colorida e apetrechos com a inspiração Quant.
Os Beatles, os hippies e Mary Quant são marcas indeléveis desses "loucos" anos sessenta.
(Isto anda tudo ligado!)
Como escreveu alguém no Sunday Times, Mary Quant nasceu, tal como Dior e Chanel, no tempo certo, no lugar certo com o talento certo!

Os meus vestidos da modista

Telefonei à minha mãe e perguntei quem era a modista que me fazia os vestidos em LM.
-Aqueles vestidos lindos!
Exclamou a minha mãe, do lado de lá do fio, coreografando a memória dela e a minha que nem sequer coincidem, o que é normal!
Fiquei a saber que o apelido era Dinis, que morava na Rua Simões da Silva - a melhor rua de LM! - e que os irmãos da modista tocavam num conjunto da época. Não eram os Night Stars! Ou eram?
Não me consigo lembrar e com estas pistas, este era um bom enigma para o concurso do Malato.
(Talvez continue a continuar, pois estou no intervalo do dia da CNL e o tema Moda está a gostar de mim!!!!)

quarta-feira, 1 de março de 2006

Modas e Bordados, Burdas e etc


Um dia, um amigo meu, por sinal profissional da moda, disse-me qualquer coisa acerca da moda, que eu não consigo já reproduzir ipsis verbis, mas que se resume à ideia da moda ser tudo e, por isso mesmo, não se usar.
De facto, quem é que veste "Fátima Lopes" ou "Ana Salazar" tal e qual elas desenham e vestem os belos manequins que quase esvoaçam de tanta magreza?

Actualmente, há por aí de facto muitos arremedos de Ana Salazar, não como ela é hoje, mas como ela era nos anos setenta! Hoje, a estilista que enfrentou os preconceitos com o seu arrojo, é, direi com algum receios de não-entendida-no-assunto, uma clássica.
Eis um exemplo!
anasalazar
E eis-nos a nós, à maioria de nós, escravos da moda, ou melhor, das modas!
No que diz respeito ao belo trapo, as minhas recordações distantes chegam à Malhangalene, onde a Dona Vitória tinha o seu atelier. A Dona Vitória era modista, logo executava a moda,
Comprava-se o tecido a metro, na Casa Coimbra, por exemplo!
(Ainda hoje vi um bisnetinho!)
Comprava-se a Burda, na Spanos e a Dona Vitória tirava as medidas e cortava.
Depois vinham as provas.
(Provas também à minha resistência e paciência, já que estou a falar dos vestidos da minha mãe e não dos meus!)
Das mãos da Dona Vitória saía sempre a perfeição. E a perfeição assentava, na perfeição, no corpo da minha mãe ou da minha tia, já de si mulheres bonitas.
(Desculpem a vaidade, mas quem as conhece sabe que é verdade!)
Quando eu vim para Lisboa, a minha mãe, pressurosa, mandou fazer-me um fato. Já não me lembro a que modista, mas lembro-me bem que desembarquei em Lisboa, vestida de Inverno rigoroso, num Outubro ainda muito quente e luminoso.
(Saloia que sou, tenho que procurar no meu CV alguns factos. Este é um deles!)
Mas nesse mesmo Outono, com o conselho e a companhia de ultramarinas veteranas, passei a abastecer-me de Moda nos Porfírios de boa memória!
Fiquei fã! Era a Moda na sua versão vestível destinada a gente quase normal!
Hoje a idade obriga-me a alguma contenção, mas ainda trago para casa roupa de vinte ou trinta anos.
(Continua, talvez!)

(...)

verde verde
Fui em busca do azul e deslumbrei-me com o verde.
Mesmo quando as árvores rareiam a planície, o Alentejo está verde, logo a partir do chão. Está lindo!
Entretanto é Março, outra vez...
António Lobo Antunes diz numa entrevista à Visão - cuja leitura aconselho muito, muito:
"Já reparou como a partir dos 25 anos, tudo é mais rápido? Já foi Natal, já é Natal outra vez. Já foi Verão, já é Verão outra vez."
Já foi Março, já é Março outra vez!
Nunca gostei muito da Primavera, pela simples razão de sofrer de uma ridícula alergia aos pólens das flores. Pareço um bicho, sinto-me mal, fico insuportável!
Mas a simples ideia do aconchego do sol faz-me desejar a Primavera, apesar de tudo!
Quanto mais não seja, é a promessa de vida em qualquer coração...
São as Águas de Março do Jobim!