quarta-feira, 31 de maio de 2006

Se não houver flores, há pétalas...

Esta questão dos professores e de toda a polémica que se gera à roda do assunto é perversa e muito prejudicial, tanto a nível da sociedade, em geral, como a nível dos que fazem parte desse grupo de pessoas cujo trabalho é ensinar, educar, viver com as crianças, na presunção de que exercem sobre elas uma influência sobre os modos de gerir a vida, o que, em muitos casos, pode ser definitivo. Não quero dizer grupo sócio-profissional porque, nesta profissão, a humanidade faz a diferença toda em relação a outra qualquer.
Quem acredita nos professores, hoje? Até os erros do próprios ministérios que nunca beneficiaram os professores conseguiram surtir o efeito "ao contrário" e casos como horários zero de quadros inexistentes (reparem na aberração) não descredibilizaram o Ministério mas redundaram em desfavor dos professores, para variar.
Façam a pergunta a quem vos rodeia. Os que têm filhos em idade escolar culpam os professores de tudo o que de mau acontece aos filhos. Os que não têm filhos na escola crêem que a verdade está na informação veiculada pelos jornais e também não acreditam nos professores.
Para muitos, ser professor é como ser artista. O talento e a sorte conjungam-se e o sucesso pessoal (do professor, claro!) acontece. Já me disseram isto!!!
Só que o talento e a sorte tiveram a sua era. Agora a era é do sucesso burocrático. Quem inventar mais papéis, mesmo que seja o tal "mais do mesmo", leva a taça.
Contudo, é necessário advertir a opinião pública que o ensino não está só nas mãos de professores instalados, titulares, como agora se vai passar a dizer. Esses são cada vez menos: quem pode mete o papel para a reforma porque não está para suportar humilhações por decreto e não hipoteca por nada uma dignidade consolidada ao longo da História, desde os antigos clássicos. Desde o outro Sócrates!
A missão vai passando para os mais novos que chegam a uma escola, onde não reconhecem os valores que lhes foram passados para a pele pelos que estão agora de saída e não sentem, fora dos muros da instituição, reconhecimento social nenhum. Já correm anedotas em que se satiriza o fraco poder económico dos professores.
Eles vêm da tal geração rasca que cresceu com os sonhos dos pais, enrascados eles próprios em ideais de liberdade, igualdade e, já agora, esperança para todos.
florz
À laia de bálsamo, recordo o princípio da Maria dos Olhos Grandes e do Zé Pimpão: se não houver jardins para todos, há canteiros; se não houver canteiros, há flores; se não houver flores, há pétalas; se não houver pétalas há cheiros, mas todos terão igual.

terça-feira, 30 de maio de 2006

That's why

A ler aqui a reflexão da Teresa.
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Terminou agora, na RTP 1, um pequeno debate sobre um "grande" tema: a violência nas escolas. Claro que a violência nas escolas não é um acontecimento espontâneo, inconsequente, limitado no espaço e no tempo. É a parte mais sensível do enorme problema da indisciplina nas escolas de quase todos os graus de ensino.
Num momento em que os professores são acusados pela própria ministra e pelos media de se preocuparem pouco com o sucesso dos alunos, é louvável a coragem da TV em levar a "casa" das pessoas a situação limite que vivem muitos professores, deixando bem evidente a questão de uma indisciplina generalizada, essa sim meio escondida e disfarçada à custa de professores dedicados mas desencantados, que se aguentam "à bronca" porque está em causa uma parte da sua vida, o seu trabalho e o seu salário.

Why not? Part II

how_to_torture_student
Imagem e sugestões aqui

Why not?


How to Torture Your Teacher


Only raise your hand when
you want to sharpen your pencil
or go to the bathroom.
Repeat every ten minutes.

Never raise your hand
when you want to answer a question;
instead, yell, "Oooh! Oooh! Oooh!"
and then, when the teacher calls on you,
say, "I forgot what I was going to say."

Lean your chair back,
take off your shoes, and
put your feet up on your desk.
Act surprised when the teacher
puts all four legs of your chair back on the floor.

Drop the eraser end of your pencil
on your desk.
See how high it will bounce.

Drop your books on the floor.
See how loud a noise you can make.

Hum.
Get all your friends to join in.

Hold your nose,
make a face, and say, "P.U.!"
Fan the air away from your face,
and point to the kid in front of you.

On the last day of school,
lead your classmates in chanting:
"No more pencils!
No more books!
No more teachers'
dirty looks!"

Then, on your way out
the door, tell the teacher,
"Bet you're looking forward
to summer vacation this year.
But I'll sure miss you.
You're the best teacher
I've ever had."

by Bruce Lansky

We will resist!!!

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Passar além do Bojador

As relações das pessoas na internet vão-se tornando cada vez mais simpáticas e compensadoras do dia-a-dia-lufa-lufa que se vive no mundo real.
Já disse uma vez que um dia as pessoas vão referenciar a net com naturalidade, referindo-se ao sítio, lugar, onde se encontraram e conheceram.
Vai daí (gosto deste vai daí!) comecei a "aliciar" família e amigos para isto. Os mais novos até me parecia tarefa fácil...
Mas os "kotas" da minha idade levantavam-me alguns receios.
Ei-los porém que começam a render-se.
Desta vez foi o meu amigo Tó Luís que é "famoso" entre nós pelos seus gostos radicais e participação real em aventuras irreais. Claro que só se pode manter este estilo de vida quando há alguém tão maravilhoso ao lado que entende e até perdoa aos organizadores do Paris Dacar e outros, que lhe levam o marido para o deserto a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer dia do ano...
Podem conhecê-los aqui e vão gostar com certeza.
Eu conheci-os numa sala de espera do Hospital Curry Cabral, enquanto aguardávamos a vacinação dos nossos bebés, em 1976.
Agora é prego a fundo até ao Saharatt!!!!
Convém antes actualizar os conecimentos do código da estrada, ou das dunas, ou lá o que isto é!!!!

Pois vale a pena chegar até aqui...
VI%20EXP%20MAURITANIA%20CAIS%20MOTOR%201541

Boa semana!

alg
Não esquecer que esta semana tem um dia muito importante: o Dia da Criança.

domingo, 28 de maio de 2006

Falta a "azul"!

algrocha
Um dia o meu pai, estando ele próprio internado, discordou do procedimento da aplicação da terapêutica, recusando-a. A colega enfermeira puxou dos seus galões de pessoa com saúde na presença de um enfermo, no caso, por sinal, oficial do mesmo ofício.
A Senhora Enfermeira declarou então que iria participar do doente. "A vermelho!" acrescentou para acentuar a intimidação.
O meu pai sacou da sua arma invencível: o sentido de humor. Ripostou, vendo a enfermeira nesta atitude uma fragilidade, pensando talvez que estava a ganhar. Ao fim e ao cabo, um doente não pode impedir que o enfermeiro dê conhecimento ao médico da não colaboração do paciente. Julgava ela!
"A Senhora Enfermeira não vai participar a vermelho. Vai participar a azul que eu sou do Porto!"
O meu pai ganhou, pelo menos, mais uma história para contar!!!!
É pois tudo uma questão de azul!

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Logo agora que eu já ia andando....

tiago
Ukama Wangu significa "família minha" e o livro do Tiago contém muitos retratos desta família que passou a ser sua, porque isso acontece, quando os laços do coração se atam para além do sangue. Neste caso para além de tudo, só pela força do coração, ele mesmo.
Os Tivane, a família que acolheu o Tiago, nos arredores da Cidade da Beira, "deglutiram o estranho e converteram-no na sua própria família". Esta é a maneira de ver de Mia Couto, também ele tocado pela beleza das imagens da sua gente, da nossa gente.Da sua famíla. Da nossa família.Ukama Wangu.
menino
O sensibilidade do Tiago captou para lá do que todo vemos. Captou o sonho desta criança sentada no olhar de perseguir distâncias.
E, como se isto não chegasse, o Tiago, que é amigo do meu filho Rafael, escreveu-me uma dedicatória que eu não mereço, mas talvez um dia venha a merecer.
É um diploma adiantado!
dedica
Tiago, eu espero vir a merecer esta dedicatória.
Obrigada Tiago. Obrigada, Rafael. Foi um presente muito lindo e tu sabes que eu gostei muito muito!

quarta-feira, 24 de maio de 2006

(...)

a minha rua
"As crianças bloqueadas para a fantasia, para a imaginação e para o sonho, não são capazes de se contarem a si próprias histórias, e então em vez de sonhar, fazem chi-chi na cama." João dos Santos, o tal que disse também que "o segredo do homem é a própria infância".
Obrigada, André, por me mandares a minha rua, a Rua dos Velhos Colonos, onde vivi a tal infância dos grandes sonhos e dos grandes medos, em que tudo é muito grande porque nós somos muito pequenos.
Do lado direito está o edifício dos Velhos Colonos onde havia um parque infantil, a Dona Isaura, que tomava conta de nós, juntamente com a Dona Camila, a avó da Paula, do Zé Diogo e do João. Era para lá que iam as manas Muge e as manas Feteira Ferreira com o talento nos olhos. Eu levava a minha boneca para a Dona Camila me ensinar a vestir e a fazer roupas novas para ela. E quando me cansava das bonecas, ia para os escorregas: dois elefantes enormes com as trombas aconchegadas para escorregarmos à velocidade do prazer.
E há uma tragédia que eu não consigo recordar. Atravessei a rua e fui para o hospital pedir ao meu pai que me protegesse para sempre dos perigos.
E um dia fui-me embora daquela rua e daquele tempo. E nunca mais voltei.
Ou seja, voltei agora, pelos caminhos que ninguém vê, mas que eu cá sei!
Obrigada, André!
...há coisas que devem ficar para nós, ou que se devem deixar ficar só com os outros, e há outras que são susceptíveis de ser comunicadas aos outros." João dos Santos

terça-feira, 23 de maio de 2006

Perfil

expo o6
A Expo fez anos ontem, mas, como acontece às vezes na vida real, não cheguei a tempo.
Ai como eu sinto que os poetas me entendem, quando juntam às suas funções do espírito, ou do intelecto, ou seja lá do que for, dizia, quando lhes juntam as funções do dia a dia comezinho e vulgar. Nem me refiro ao labor da profissão que esse, de tão nobre, não me fornece desculpas.
Estou a ser sincera, apesar de magoada. Todos sabem que os professores foram remetidos pela opinião pública, quase em geral, e por outras autoridades responsáveis, em particular, para uma espécie de purgatório.
E andam todos sofridos e doridos. Mas não metem dó! Felizmente! Por um lado, por causa dos próprios professores que enjeitam o dó e a pena. Por outro lado, há certamente do lado de quem vai infligindo as penas do purgatório, um cuidado e um receio que não lhes permite o arrojo de romperem o véu do respeito que as carteiras da escola lhes ensinaram, talvez para sempre!
A Expo trouxe-nos orgulho à pele. Trouxe-nos um orgulho que tardava.
Talvez tarde, mas não falte, como diz o ditado, a justa avaliação destes dias.
Como já disse hoje a alguém, citando outro poeta, por sinal professor, eu não quero apenas que os meus alunos sejam felizes. Eu quero sobretudo que eles aprendam a responsabilizar-se pela sua parte na construção de um bem-estar comum, fazendo os outros felizes.
Mas sinto, ou melhor, pressinto, que isto é obra mais ambiciosa do que a Expo!expo98
(Não se admirem com alguns silêncios. O trabalho aperta.)

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Poesia

"Há dias aconteceu-me isto: comecei a escrever um poema à tarde, mas fui tão interrompida que desisti. À noite tentei acabá-lo mas estava cansada demais e dispersa em mil bocados. No dia seguinte de manhã fui com a cozinheira à praça. E de repente no meio dos peixes, das couves e das galinhas pensei que precisava de parar um minuto, um minuto de férias sem cálculos nem contas.
Então mandei à cozinheira que fosse ela comprando os legumes e "fugi" para o café da praça e pedi um café ao balcão. Enquanto estava a tomar o café lembrei-me do poema da véspera e pedi ao empregado que me emprestasse um papel e um lápis. Foi assim que consegui acabar o poema num misto de pausa e euforia.
Depois fui a correr comprar a fruta! Isto é a minha vida! Mas às vezes fica tudo mal escrito e mal vivido."
Carta de Sophia, 10 de Junho de 1963

domingo, 21 de maio de 2006

Voar

"I need no other flight to convince me that the reason flyers fly, whether they know it or not, is the esthetic appeal of flying."Amelia Earhart
Existem inúmeras razões para o desejo de voar. A primeira, para mim, está no domínio das sensações físicas, puramente físicas. Voar pode ser uma capacidade do corpo se ultrapassar a si próprio, nas suas leis mais simples, como a lei da gravidade.
(Eu sou de Letras, logo tenho direito a exageros ou mesmo erros de Ciência.)
As pernas puxam-nos para a terra. Os braços não são asas, não adejam e o mais que conseguimos é um simples salto que nos devolve ao chão, às vezes com consequências pouco agradáveis.
Por isso, o simples desejo de vencer esta incapacidade de primatas, que somos, terá levado à construção de inúmeros aparelhos que nos podem ajudar no voo, que nos podem proporcionar a sensação do voo, aprisionando em todos os sentidos sensações extremas de leveza, bem-estar, beleza, com os barulhos da natureza, em música de fundo. Como o assobio do vento e o marulhar das ondas.
Em 1927, a 21 de Maio, Lindbergh aterrou em Paris, a bordo do mítico Spirit of Saint Louis, cumprindo assim a primeira travessia aérea entre os dois continentes que o Atlântico separa. (Ou une, conforme o ponto de vista!)
Cinco anos mais tarde, Amelia Earhart repetia o feito, mostrando que o desejo de voar, a coragem e o espírito de aventura e o apelo ao desafio fazem parte também da natureza feminina. (Juro que não estou a incendiar polémicas!) O mau tempo obrigou-a a aterrar na Irlanda o que até nem me parece falta de sorte nenhuma.

Imagem daqui
"Havia um limite para aquilo que o novo corpo conseguia fazer, e, embora fosse muito mais rápido do que antigamente, era ainda um limite que exigiria esforço a ultrapassar."Richard Bach, Fernão Capelo Gaivota
voar

sábado, 20 de maio de 2006

Liberdade menina


Ai Timor
Calam-se as vozes
Dos teus avós

Timor, em liberdade, tem ainda a idade da inocência!
Ai Timor
Se outros calam
Cantemos nós

quinta-feira, 18 de maio de 2006

EPC again

(Intelectual, escritor, professor... Terá dito ontem, numa entrevista ao Luís Osório que gostaria de ficar conhecido como escritor!)
Há dois dias, a crónica do EPC versava a arte de perder, enumerando tudo o que tinha perdido, nos vários planos da vida. E é evidente que em alguns planos, no da cidade de Lisboa, por exemplo, sinto que perdi exactamente o mesmo.
Não vou cometer a arrogância de comentar. O EPC é reconhecidamente um intelectual com grandes responsabilidades na influência do pensamento de quem o lê. Por essa razão devia excrever sempre assim, coisas lindas apesar de tristes.
(E quem sou eu? Fiz a escritura desta aldeia e já me sinto feliz por isso. Ao contrário do EPC eu obrigo-me a uma contabilidade mais completa: o que eu perdi, por um lado; o que eu ganhei, por outro.)
No entanto, esta crónica levou-me à procura do poema que lhe serviu de mote: A arte de perder, de Elizabeth Bishop.

One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

Elizabeth Bishop
polana
Eu já perdi a memória destas caras. Quem serão? A praia, eu sei!

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Leões em segunda mão

Sometimes the things that may or may not be true are the things a man needs to believe in the most. That people are basically good; that honor, courage, and virtue mean everything; that power and money, money and power mean nothing; that good always triumphs over evil; and I want you to remember this, that love... true love never dies. You remember that, boy. You remember that. Doesn't matter if it's true or not. You see, a man should believe in those things, because those are the things worth believing in.
Pode dizer-se em português, mas prefiro repetir em Inglês as verdades que ouvi ontem (ou hoje, de madrugada!) da boca de Robert Duvall, no papel de um homem velho que espera apenas a morte, lamentando tudo o que de bom a vida tinha e já lá vai. Ele não sabia, mas a vida preparou-lhe uma última aventura, que deu sentido aos seus dias e aos do irmão (Michael Caine) igualmente velho, mas não tão abatido pelas boas memórias da juventude. Essa aventura foi precisamente a de educar um sobrinho e de lhe fazer passar os valores referidos na fala: há coisas em que vale a pena acreditar!
Quanto ao leão, convém dizer que era uma leoa que se comporta como fiel cão de guarda, mas com um coração fraco que não resiste a um combate vulgar para qualuqer elão que se preze... Pelo menos morreu com dignidade, dizem os dois velhos. Nem sempre estão de acordo mas o que os une é bem mais importante do que uma opinião sobre isto ou sobre aquilo. Morrem no mesmo acidente, depois da tarefa cumprida de educarem o garoto. Como a leoa, morrem com a dignidade das suas memórias: despenhando-se contra o celeiro, numa máquina voadora de uma guerra muito antiga (talvez a primeira!), numa tentativa de atravessar o tal celeiro...

Imagem daqui
E, em tempo de coisas felizes que os aparelhos cá de casa vão fornecendo, vale a pena dar uma segunda oportunidade à macã, não em segunda mão enm de segunda escolha. A original. A primeira. A do Paraíso. Mas para isso é preciso ouvir o Fernando Alves e os seus Sinais do "País do Acho"!

terça-feira, 16 de maio de 2006

so flattering!

You enjoy living a slow, fulfilling life. You enjoy living every moment, no matter how ordinary. (I do! I do!))
manhã
What time of the day are you?

Utopias, claro!

«Ensina ao jovem o caminho que deve seguir; mesmo quando envelhecer, não se desviará dele.»
O deixou-me este provérbio como presente do aniversário do Chora. Eu relacionei-o com a minha condição de professora. Um dia depois encontro matéria para novo post: Thomas More, a Utopia, o Professor.
Se alguem me ensinou o caminho, se alguém moldou o meu pensamento, esse alguém foi o Professor Fernando Moser. As suas aulas não expunham apenas factos. As ideias sobre as coisas passavam e obrigaram o meu pensamento a seguir caminhos eventualmente mais certos. Eu penso isso.
(Eu agradeço-çhe isso!)
Aprendi, então, que algumas grandes medidas políticas não passam de certeiros ajustes ao enquadramento dos interesses de quem tem o poder, de quem governa. Foi assim com Henrique VIII que mudou de fé, porque aquela a que estava ligado pela educação e pela cultura do seu povo não lhe servia mais.
Por sua vez, a fé tem os seus representantes temporais e estes não se compadecem só com as coisas do espírito. A Casa Real Espanhola era bem mais forte do que a Inglesa e não podia haver cedências ao interesse do rei, só porque ele estava apaixonado por uma qualquer aia que viria a provar o mel e o fel desta paixão.
(Este é um esboço apressado do contexto histórico em que decorreu a mudança de fé do rei.)
Ei-lo, a ele, Henrique VIII, Chefe da Igreja, a decretar a anulação de um casamento que não lhe convinha mais!
Ei-los a aproveitarem-se, os homens espertos da sua corte, e a reformarem ideologicamente as estruturas do poder, para que a sua influência no futuro que previam inevitavelmente reformado e separado de Roma, para que a sua influência, dizia, fosse um facto!
Ei-lo só, mesmo só, com as suas convicções, a perder sucessivamente todos os seus bens, todos os seus direitos! Ei-lo sereno a caminho de uma morte que podia ser evitada com um pequeno sim ao rei todo poderoso!
Ei-lo a morrer, fiel servidor do rei, mas Deus acima de tudo, como é contado na História.
Ei-lo a inventar uma sociedade justa e a pô-la em livro que atravessa todas as eternidades: Utopia.
Eis Thomas More, "O Homem para a Eternidade", que nesta data num longe ano de 1532 se demitiu do seu cargo oficial, porque o seu pensamento não era negociável, a sua palavra não tinha preço.
Foi isso que me ensinou o Professor Fernando Moser nas aulas de Instituições e Cultura. Ensinou-me pois a fidelidade absoluta aos princípios. Eu também gostava de transmitir este princípio a alguém. Pelo menos aos meus filhos!

segunda-feira, 15 de maio de 2006

(...)

Há uma história do João Espertalhão em que o pastor, o tal espertalhão, convence o gigante que as ovelhas foram dar uma volta e que regressam no domingo. Eu acho que o meu computador também teve uma vontade súbita de se afastar de casa por uns tempos. E eu deixei, qual mãe GPS (esta é do professor Martelo!) que quer é saber dele, mesmo que ande fora do alcance da asa.
Cumpriu-se assim a sua vontade e eu tenho de me sujeitar a um portátil emprestado e muito partilhado...
Voltarei a ser prolixa, quando o meu PC voltar. Espero que volte recuperado da maleita que o afecta, pelos vistos, desde sempre.
Isto quem nasce torto... tarde se endireita, eu espero!

Obrigada, Pitucha. Deixo-te um sol de fim de dia, quentinho e apetecido.

Chora Especial

Parabéns a Você!
Linha a linha, verso a verso, a cantiga diz os desejos de todos nós.
São desejos simples, mas são estes que permitem que tu continues a ser a pessoa que nós sabemos que és. Não me refiro unicamente às tuas letras que reflectem um pensamento que se impõe pela verdade.
Tenho de ti uma ideia que construí ao longo dos teus textos e dos teus comentários e o imediatismo destes meios propicia um conhecimento dos outros com direito a "Bingo":
Tu és uma pessoa fantástica!
(O teu valor intelectual é um IVA que nem o Teixeira dos Santos ousou ainda pensar. Mas isso já é outro assunto. O mundo precisa muito de pessoas fantásticas como tu!)
À tua vida! À tua mãe, à tua mana e às sobrinhitas! Aos teus sonhos e projectos!
Aos teus amigos!
Egue-se a taça e estoira a rolha da garrafa de Champanhe!
É dia quinze de Maio! Parabéns Isabella, isto é, Chuinguita!

No teu Chuinga Number One, havia uma "estrada", metáfora e não só.
Eu gostei tanto que resolvi procurar uma nos meus arquivos da Cybershot para te presentear. Fiz-lhe a tal maquilhagem adequada ao dia de festa e ei-la: uma estrada ladeada de árvores só para ti!
Não percebo isto: o meu copo 'tá vazio!!!!!
... até já!

domingo, 14 de maio de 2006

Um bom conselho!

Here's a little song I wrote,
you might want to sing it note for note,
don't worry, be happy.

Bob Marley morrey há vinte cinco anos e o jornal Público faz hoje uma homenagem a esta lenda que veio da Jamaica e que morreu estupidamente, prematuramente, como aliás se diz de todos cuja morte se torna especialmente esmagadora dos nossos bons sentimentos em relação à expectativa da felicidade.
in every life we have some trouble,
when you worry you make it double
don't worry, be happy

Para a maioria da gente que se diz e se pensa normal a felicidade é uma utopia.
dont worry be happy now
dont worry be happy
dont worry be happy
dont worry be happy
dont worry be happy

No entanto é disso que se trata quando se fala de viver...
aint got no place to lay your head,
somebody came and took your bed,
don't worry, be happy

Os números de pobreza extrema mexem agora com as consciências de alguns...
the landlord say your rent is late,
he may have to litagate,
dont worry (small laugh) be happy,


look at me im happy,
don't worry, be happy
A letra continua, a vida continua e a memória dos homens tem obrigação de manter vivo o pensamento de outros homens que, de alguma maneira, honraram a condição humana!
A versão é cantada por Bobby Mc Ferrin e a imagem é daqui.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

O Poeta Errante do País Azul!

Já vi a cor do Acaso e o Amor Louco
e sendo assim bendito fui maldito.
Entre o país do muito e muito pouco
habitei o poema nunca escrito.

Eu sou o que assaltou o paraíso
e disse não. Eu sou o subversivo.
Meu reino é entre a lágrima e o riso.
E só de me querer livre sou cativo.

Já vi a cor do Acaso e do Destino
neguei o céu cuspi no infinito.
Então disse o que foi e o que há-de vir.

Já fui o Desejado. E sou Proscrito.
Eu sou o subversivo o peregrino.
Olhai: venho de Álcacer-Quibir.


O quarto soneto do Português Errante, Manuel Alegre
O poeta que quase se tornou no nosso representante máximo faz hoje setenta anos.
Apoiei, com a minha modesta condição de anónima, mas apoiei com convicção a sua candidatura, porque a poesia faz falta a uma país com cada vez menos azul.
país azul
Também acreditei que podia contar com a poesia do lado de cá, do lado dos que procuram fazer da vida uma verdadeira jornada de felicidade. Eu sei que todos querem. mas alguns querem mais do que outros e, sobretudo, alguns querem-na num contexto de justiça social e é isso que está a faltar.
Chamem-me lírica que eu não me importo. Insana! Também não me importo. Já tenho idade para não ter juízo. O juízo já me faz pouca falta e aos outros, o meu juízo não faz falta nenhuma. O que me resta chega para gerir a minha vida. Um dia destes só capaz até de ir a uma "manif" e reclamar a poesia dos dias azuis que nos andam a tirar...
luas
Azul assim, onde até a lua vem mais cedo, para não perder o brilho do céu que escolhe em cada noite...
Parabéns, Poeta do País Azul!

quinta-feira, 11 de maio de 2006

(...) (...)

Setecentos e trinta dias, novecentos e vinte e seis fatias de palavras saídas sabe-se lá de onde.
Nem eu própria pensei continuar por aqui tanto tempo. Completar os dois anos passou a ser um objectivo.
Agora terei de arranjar outro, porque até gosto de andar por aqui.
Os porquinhos foram fazendo tão boa companhia. Ao fim e ao cabo a ideia do meu pai, quando pintou os porquinhos nas paredes da enfermaria das crianças, era exactamente ajudar a curar a dor do momento.
Adoptei-os.
Trouxe-os para porteiros deste espaço que não pretendo tão inutilmente piegas nem lamuriento, como a aldeia que lhe deu o nome. Quero este Chora Que Logo Bebes um pouco mais alegre, mas sobretudo sincero. Andar espantado de existir é uma condição obrigatória para continuar a tentar sobreviver, não agarrado ao berço chorão e rabugento, mas devastando território, conquistando território na vasta Floresta Branca que faz fronteira.
porquitos do choraquelogobebes
Há dois anos comecei assim. Há um ano, celebrei assim.
Hoje, celebro com um agradecimento a todos os que pacientemente me acompanham nesta aventura. Mas há uma coisa: este espaço não é só meu. A Ana também tem culpa e tem quota. Metade, metade.
E tu, sobrinho Molin, desaparecido destas esferas também tens culpa porque me ensinaste tudo o que eu precisava saber, para fazer o que eu não sabia mesmo fazer.
Por agora, é tudo. Volto mais tarde, para pôr uma cantiguinha, quem sabe?

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Operação Caixa Dourada

Foi uma mega-operação levada a cabo por mim, preparada ao longo de vários meses, já que os objectos da rusga policiada por afectos se encontravam a salvo, dentro de uma caixa dourada, daquelas que constituem ainda um belo recurso para um belo presente de Natal.
Outrora albergou bolachas doces, mais ou menos farinhentas, cobertas ou não de chocolate, com feitios saídos de imaginações inocentes e cheias de uma fantasia muito pura e, também ela, doce.
Hoje está a abarrotar de vida e de tempo, tudo confeccionado em quadrados ou rectângulos ainda brilhantes, apesar do tempo. A preto e branco, como os imperativos da arte ainda ditam, apesar do fascínio das cores e da modernidade.
Já não fecha, não por ter sido acometida de qualquer reumatismo vulgar, mas por carregar um volume que ultrapassa a sua real capacidade.
De onde terá sido levada, antes de ter chegado a essa África distante de onde depois também veio, dentro de contentores, demorando a chegar quase o mesmo tempo que levou Vasco da Gama?
Para levar a bom termo esta operação, foram precisos anos de persuasão persistente e a garantia de um regresso em tempo breve.
Até lá, vou fazer os possíveis por construir um arquivo copiado e vou deixando por aqui alguns exemplares dessa mercadoria que atravessou um século quase inteiro.
Um tesouro pois!
papávolkswagen
Dávamos "grandes passeios aos domingos", a bordo deste volkswagen preto, de matrícula MOP-01-44. É o primeiro carro de que me lembro, com memória mesmo minha, sem a cábula das fotos ou das histórias contadas!

terça-feira, 9 de maio de 2006

Não sou eu que digo, mas subscrevo!

Do jornal "O Público"
Eduardo Prado Coelho

Há qualquer coisa que não está a funcionar bem no Ministério da Educação. Existe uma determinação em abstracto do que se deve fazer, mas uma compreensão muito escassa da realidade concreta. O que se passa com o ensino do Português e a aprendizagem dos textos literário é escandaloso. Onde deveria haver sensibilidade, finura e inteligência na compreensão da literatura, há apenas testes de resposta múltipla completamente absurdos. Assim não há literatura que resista. Há tempos, dei o exemplo da regulamentação por minutos e distâncias de determinadas provas. O ministério respondeu-me que se baseavam na mais actualizada bibliografia e que tinham tido reacções entusiásticas perante tão inovadoras medidas. Não me convenceram minimamente. Trata-se de dispositivos ridículos e hilariantes, que provocam o mais elementar bom senso.
O problema reside em considerar os professores como meros funcionários públicos e colocá-los na escola em sumária situação de bombeiros prontos para ocorrer à sineta de alarme. Mas a multiplicação de reuniões sobre tudo e mais alguma coisa não permite que o professor prossiga na sua formação científica. Quando poderá ler, quando poderá trabalhar, quando poderá actualizar-se? Não é certamente nas escolas que existem condições para isso. Embora na faculdade eu tivesse um gabinete, sempre partilhado com mais quatro ou cinco pessoas, nunca consegui ler mais do que uma página seguida. Não existem condições de concentração.
Pelo caminho que as coisas estão a tomar, assistiremos a uma barbarização dos professores cada vez mais desmotivados, cuja única obsessão passa a ser defenderem-se dos insultos e dos inqualificáveis palavrões que ouvem à sua volta. A escola transforma-se num espaço de batalha campal, com o apoio da demagogia dos paizinhos, que acham sempre que os seus filhos são angelicais cabeças louras. E com a cumplicidade dos pedagogos do ministério. Quando precisaríamos como de pão para a boca de um ensino sólido, estamos a criar uma escola tonta e insensata.
Neste benemérita tarefa tem-se destacado o secretário de Estado Valter Lemos. É certo que a personagem se diz e desdiz, avança e volta atrás, com a maior das facilidades. Mas o caminho para onde parece querer avançar é o de uma hostilização e incompreensão sistemática da classe dos professores. Com isto prejudica o país, e prejudica o Governo, com um primeiro-ministro determinado e competente, mas que não pode estar atento a todos os pormenores. E prejudica o PS, mas não sei se isto o preocupa.
Vem agora dizer que o professor deve avisar previamente que vai faltar, o que no limite significa que eu prevejo com alguns dias de antecedência a dor de dentes ou a crise de fígado que vou ter. E que deve dar o plano da aula que poria em prática caso estivesse em condições. Donde, as matérias são totalmente independentes de quem as ensina, basta pegar no manual, e ala que se faz tarde. Começa a tornar-se urgente uma remodelação do Governo, mas isso é tema delicado a que voltarei mais tarde.
Professor universitário

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Resposta à Isabella

Como eu disse há dois posts, a carta de Abrahm Licoln anda a circular na net, como se de um documento verdadeiro se tratasse. É mais um. O outro, de que agora me lembro, cuja autoria é atribuída a Gabriel Garcia Marquez, é também um belo texto recheado de verdades que podem ser pensadas por qualquer homem bom.
Voltando à carta de Abrahm Lincoln: se algum dia ele a escreveu foi muitos anos mais tarde, pois o seu primeiro filho, Robert Todd Lincoln, só nasceu a 1 de Agosto de 1843. Nada impede que não o tenha feito, fruto de um exercício de pensamento puro e baseando-se na sua própria juventude, infância e desejos para o futuro. Mas não me parece. Alguém pegou na figura histórica e, a coberto dessa identidade, veiculou o desejo dirigido à acção dos professores.
Sobre o verdadeiro filho de Abrahm Lincoln, o único dos quatro que não sucumbiu às doenças da infância, pode ler-se aqui.
imagem daqui
Sobre a Educação, Lincoln terá expressado a sua opinião aquando do anúncio da sua primeira candidatura à carreira de homem da "política".
Foi a 9 de Março de 1932 e tinha apenas 23 anos. (Pode ler-se aqui o documento na íntegra!)
Importa salientar que no seu ideal a educação e a liberdade se fundiam num só para o projecto do futuro.
Tenho dito!!!! Um beijinho para ti, e obrigada por me teres fornecido matéria para mais um post e por me teres obrigado a partir, à procura de um conhecimento que eu não tinha. Com mais um ano de blog, fico certamente apta a concorrer aos concursos da TV!!!!!

domingo, 7 de maio de 2006

São rosas para os filhos e para as mães.

Sem filhos, não há mães. São eles que maternalizam a mulher que, no coração ou na barriga, os abrigou!
ROSAS
"Colhi-as" esta manhã, no Algarve, sob um sol morno e um céu azulíssimo. Não admira que elas se "enfeitem tão lindas" para um céu assim!
Acho melhor deixar também umas rosas para as filhas e para os pais. Ao fim e ao cabo, sem uns, sem outros, não há nada para ninguém!
Para quem não sabe, eu sou uma mãe muito chata. Os meus filhos é que dizem...

quinta-feira, 4 de maio de 2006

O direito de resposta

Caro Senhor, li com muita atenção a sua carta e vou guardá-la junto a outros documentos igualmente valiosos, para ter sempre presente as preciosas indicações para a educação de um filho que é seu, tendo por isso direitos, bem como obrigações, inalienáveis.
Creia que eu quero contribuir para que o seu filho seja ele mesmo um homem justo e verdadeiro, bem como todos os seus companheiros. Tudo o que me diz na sua carta cabe nesse propósito.
Peço-lhe, pelo meu lado, que nunca o deixe sozinho com o peso do saber da escola.
Mesmo que nunca tenha ouvido falar em conjunções ou em equações, ouça-o e fique atento às emoções que ele quiser partilhar consigo.
Por exemplo, quando ele lhe for contar o quanto gostou do tal céu azul que entrou pela fresta da janela da sala de aula, mesmo no meio da Batalha de S. Mamede. E talvez precise da sua bonomia e compreensão, para completar o conhecimento da batalha que se perdeu, por causa do tal azul do céu que teimou em interromper o seu pensamento de menino. Partam os dois à procura do conhecimento extraviado, pois será para ele uma lição suplementar muito importante. Tão importante, que jamais esquecerá a batalha nem a sua compreensão. Ele irá imitar esta compreensão pela vida fora.
Peço-lhe também que brinque com ele, que lhe ofereça o tempo que lhe sobrar das suas imensas responsabilidades. Se não souber brincar, aprenda com ele. Sabe que às vezes eu também não sei as regras de alguns jogos? Ou porque já me esqueci, ou porque não conheço o jogo. E tenho de pedir aos meus alunos que me ensinem.
Peço-lhe que o acompanhe em todos os momentos da vida e saiba procurar e encontrar, dentro do seu coração de pai, a palavra certa, seja a situação mais ou menos feliz.
Consigo desse lado, vai ser, com certeza, tudo muito mais simples.
Só juntos podemos fazer da educação do seu filho aquilo que me pede.
Depois, acreditar nos outros homens será tão natural como respirar!
Creia apenas na minha dedicação à causa da educação do seu filho e dos outros meninos.
Sou, com lealdade e amizade,
O Professor Do Seu Filho

Anda por aí a circular...

Há muitos anos houve um pai que resolveu escrever a seguinte carta ao professor do seu jovem filho, que acabara de entrar para a escola primária:

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."

Abraham Lincoln, 1830


imagem daqui

Google it!

Searching the brain for happiness.
Claro que a felicidade não está no Google. Eu até pensava que a felicidade não existia. Pensei que isto era uma questão de fatias e não de "miolos". Afinal está tudo cá, na massa cinzenta e talvez possa ser vista nas Ressonâncias Magnéticas. Pelo menos na Fox pode!
Será a tal luz ao fundo do túnel?

(...)

À procura de "coisas" para os alunos, fui ter aqui!
(...)

quarta-feira, 3 de maio de 2006

A minha política é o trabalho...

Dizia um humorista, acrescentando "...e não me tenho dado nada mal com isso."
Esta frase vem da Ditadura e chega aos nossos dias com a actualidade que se pode constatar, sem grande esforço de inteligência.
Mas o que estou eu para aqui a dizer?
Eu nem sei escrever sobre política, nem sei pensar sobre política, nem sei já o que é a política.
Sei de um ideal, mas esse está tão "demodé" como os manequins da Rua dos Fanqueiros.
Foi o que me veio à ideia ao ver há pouco esta imagem no Público!
Tão feliz que está o nosso PM, olhando enlevado para o PR!!!!

"néber luze"

Verso a verso, a cantiga preenche os items do nosso percurso de vida, nós os que já fomos crianças, adolescentes inconscientes, pensámos que íamos salvar o mundo; nós que nos adaptámos ao mundo fosse ele qual fosse, pois "não há outro remédio"; nós que envelhecemos (eu, pelo menos, envelheci!) eternamente embalados em melodias cheias de futuro, que ainda nos espantamos genuinamente e como a avó do Saramago, perante uma ordem que já não é a nossa, dizemos, se calhar: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer!". Tudo assim, tipo trouxa feita à pressa, é o que me vem à "pena". À pena também de ter de me reformar do prazer, já que do trabalho ainda falta...
Once upon a time there was a tavern,
Where we used to raise a glass or two.
Remember how we laughed away the hours,
And dreamed of all the great things we would do.

A geração do café: estudar no Café, namorar no Café, viver no Café.
O meu era o Barão, no Lumiar, em frente à cantina da Quinta das Mouras. Foi quase um voo directo: LM/ Barão. Além do Barão, havia a Outubro com a revolução para acontecer e o Saltitão, o Rei das Tostas Mistas, onde namorar dava jeito porque a "anatomia" da cave era convidativa. (Se algumas pessoas lêem isto, matam-me!)
Then the busy years went rushing by us.
Foi? Talvez não tanto como nós nos queixamos!
Oh, my friend, we're older but no wiser,
For in our hearts the dreams are still the same.

Esta "faixa" rodou tanto tanto cá em casa, que o meu filho mais novo, quando começou a gostar de cantigas pedia: Ó mãe, põe o "néber luze"!
Never lose!!!
A menina do "néberluze", Mary Hopkin, faz hoje 56 anos!
Pelo menos o tempo é verdadeiramente democrático: tínhamos todos "vinte" ou "vinte e e" e temos todos "cinquenta e e..."!!
Those were the days my friend,
We'd thought they'd never end,
We'd sing and dance for-ever and a day,
We'd live the life we choose,
We'd fight and never lose,
For we were young and sure to have our way.


A miúda escocesa naquele tempo!

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terça-feira, 2 de maio de 2006

O segundo de Maio


A inspiração vai fazendo notar a sua ausência e, não fora este espaço o tal reduto especial, nada me movia na busca de assunto, matéria para o dia a dia desta aldeia choramingona e piegas.
Desta feita, nem sequer é difícil. Nasceu e morreu muita gente célebre e até o monstro escolheu este dia para se mostrar. O tal, o do Lago.
Há dois dias recebi notícias da minha sobrinha que anda por essas paragens e, como qualquer turista que se preze, lá se aventurou numa navegação corajosa no lago do mistério.
Não viu monstro nenhum. Nenhum turista viu nunca monstro algum em Loch Ness. Mas a lenda está lá e faz as vezes do monstro, atraindo turista que, não desfrutando de qualquer visão horrenda, desfrutam sim de uma paradisíaca paisagem, como se pode ver nos folhetos turísticos, nas agências de viagens.
lugares de sonho para ficar, onde o luxo está mesmo na paixão pelo lugar partilhado com o, ou a, simpático ou simpática Nessie, que dá ares aos bichos que preenchem o nosso imaginário colectivo quando toca a passados muito distantes!
Happy birthday Nessie! You're 73 today!

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Primeiro de Maio

1demaio
O dia apetecia o sol, a luz, a proximidade do mar, a proximidade dos outros.
Neste dia especialmente dedicado aos menos favorecidos, recordo-me de um texto de um Livro de Português em que Soeiro Pereira Gomes falava do mar e das crianças da sua rua que tinham ido ver o mar. E tinham voltado tristes, o que parecia não ter sentido. Mas ele sabia porquê.
Pode haver alguma suspeita de demagogia quando se repete o discurso contra as desigualdades e injustiças sociais.
Correndo esse risco, eu lamento que ainda hoje haja crianças que moram, como as do texto, na Rua Detrás, porque a vida delas se situa mesmo detrás de outras vidas, sugeridas, impingidas na ilusão, só aparentemente inocente, da publicidade e das novelas.
Correndo esse risco, até o próprio Presidente da República (em quem não votei, pelo que me sinto, pelo menos neste parágrafo, mais livre da suspeição) se refere a todos os que moram na Rua Detrás.
(...)
O dia apeteceu o sol, a luz, a proximidade do mar e proximidade dos outros!