quinta-feira, 29 de junho de 2006

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Carta à Guidinha

carta à guidinha
PS- Carta endereçada à Margarida do Rosário Peixoto aka Guidinha Sttau Monteiro!

Leitura obrigatória

Esta!
Talvez fosse bom a Senhora Ministra pensar nisto. A saúde é sempre um estado transitório. Neste momento os professores temem adoecer mais pela insegurança da protecção desejada e merecida do que pela doença em si. As Amigas do Peito dão-nos bem o testemunho de que a doença pode ser mais vencível do que a crueldade das leis que parecem ser feitas para objectos, coisas.

Nunca mais chegamos à praia?

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terça-feira, 27 de junho de 2006

A pedido: Redacção da Guidinha

Antigamente usavam-se umas chaves de porta grandes que precisavam de umas fechaduras grandes com uns buracões grandes por onde se espreitava bem o olho sentia-se à vontade e uma pessoa gozava sem cansar a vista depois inventaram umas chaves chamadas Yale que entram nuns buraquinhos fininhos que parecem frestas de portas e que cansam a vista é por isso que tanta gente usa óculos é uma indecência dá cabo da vista à gente e as pessoas começam a desistir de andar informadas daqui a pouco ninguém sabe o que é que fazem os vizinhos e a vida é uma chatice tão grande que muita gente vai suicidar-se sem se a gente só sabe o que faz e não sabe o que os outros fazem para que é que se vive lá na minha escola a professora diz que a ciência é filha da curiosidade houve um homem que estava a dormir debaixo duma macieira vai caiu-lhe uma maçã em cima da penca e ele teve tanta curiosidade que descobriu uma lei chamada lei da gravidade que é a lei que diz quando é que as maçãs caem das árvores na terra dele sim porque na minha não caem por causa da gravidade caem por estar maduras mas as maçãs se calhar variam de terra para terra ora a verdade é que se o tal homem tivesse tido uma fechadura Yale entre o olho e a maçã não tinha descoberto nada tinha ficado com a vista cansada e as maçãs por não saberem a tal história da gravidade tinham continuado a cair da bicheza e da madureza o que fazia muita diferença lá porquê não sei mas toda a gente diz que sim eu é que não desisto e continuo a espreitar mesmo que todas as fechaduras sejam Yale (...)
Obrigada, escritor! A Guidinha ensinou-me muito e ajudou-me a rir com os meus alunos do antigo Unificado.
E se a Guidinha andasse hoje na escola...
O meu pai chegou a casa muito contente e disse à minha mãe que agora é que a Senhora Professora ia saber com quem se tinha metido sim que ele tinha lido no jornal que agora os pais é que iam dar as notas aos professores ele tinha ouvido avaliar e perguntou ao Silva lá do Escritório e o Silva explicou tudo direitinho e disse que agora os professores vão andar na linha com esta lei nova de serem os pais a dar as notas porque senão não subiam para um sítio terminado em ão que o meu pai também não sabe o que é eu sei mas não lhe posso explicar porque quando ele chega a casa só quer saber a que horas é que afinal se come nesta casa se é que se come porque às oito dá a bola e ele quer ver os golos todos eu pensava que o meu pai era do Sporting afinal ele é da selecção o meu pai anda muto chateado com isto das férias grandes e diz que vai telefonar para o Ministério a sugerir que os pais levem os filhos para a escola e depois os professores ou os contínuos ou seja lá quem for que leve os miúdos à praia porque agora também é perigoso apanhar sol o dia todo e já não podemos ir fazer o pic-nic para a Fonte da Telha porque o creme para o sol é muito caro se é para levar os miúdos só uma hora e ainda por cima ter de os encher de creme tanto que até dava para comer camarão mais vale serem as pessoas da escola a levarem-nos nas carrinhas da Junta de Freguesia que foi para isso que o meu pai votou no Senhor José e não só o Presidente até prometeu que metia lá a minha mãe o meu pai perguntou a fazer o quê e disse que a minha mãe a bem dizer só sabe é fazer rissóis e para isso fica em casa a fazer rissóis para fora mas o Presidente disse que lhe havia de arranjar um lugar qualquer falou até em tacho que deve ser para fazer o arroz par acompanhar os rissóis o meu pai disse que assim até a minha mãe e a minha avó votavam nele mas se calhar ele sabe que o meu pai não votou porque desde que ele ganhou as eleições nunca mais apareceu lá em casa e já nem me cumprimenta quando me encontra na rua dantes até me dava um beijinho e perguntava pela família toda se calhar está com uma doença que têm muitas pessoas que dá esquecimentos de memória até eu já tenho um bocadinho dessa doença que eu bem sei que quando chego a casa já nem sei qual é o TPC mas também não faz mal que ouvi a senhora professora dizer que vou passar a ficar na escola a fazer o TPC com ela mas não percebo bem se é para me castigar (...)

Um homem não chora? Tretas!

"Não foram os cães que inventaram os açaimes. Não foram os leões que inventaram os jardins zoológicos. Teriam sido os homens os inventores das leis que os prendem e amarram? As leis foram feitas pelos homens para seu uso próprio. Se lhes não servem, arranjam-se outras que lhes sirvam."Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu em Lisboa, a 3 de Abril de 1926 e faleceu, também em Lisboa, a 27 de Junho de 1993, dizem uns, ou a 23 de Julho do mesmo ano, dizem outros.
Licenciado em Direito, a advocacia não lhe preencheu muito tempo da sua vida. Foi também piloto de Fórmula 2, mas foi nos jornais, nos livros e nas revistas que o seu pensamento rebelde e provocador ficou para sempre gravado.
Gosto muito de recordar a Guidinha, a das redacções publicadas no Suplemento "A Mosca", do Diário de Lisboa, que escapava ao lápis azul, sabe-se lá porquê?! Talvez pela ausência absoluta de pontuação, o que requeria uma atenção redobrada para a compreensão da delirante reflexão sobre a sociedade daquele tempo.
A irreverência de Sttau Monteiro era muito amarga, mas é normal que se fique assim doído profundamente, quando se vive uma situação de perigo limite, como a dos bombardeamentos em Londres, na Segunda Guerra Mundial.
A Guidinha não escapava a essa amargura, mas misturava-se-lhe o humor muito inteligente, muito português, sem a subtileza e o nonsense britânico que também lhe corriam no talento.
Uma das coisas que a Guidinha não suportava era a eterna mentira em que a obrigavam a viver. Tretas, chamava-lhe. Uma delas era o Pai Natal. Um Pai Natal não oferece compêndios (era este o nome dos actuais manuais escolares) de Ciências Naturais! Um Pai Natal não traz do Céu uma camisola dos saldos da Rua dos Fanqueiros. Aí põe-se o problema do Céu ser a Rua dos Fanqueiros!

Imagem daqui

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Os olhos de Miss Elizabeth

Foi uma menina bonita e enterneceu o público nos filmes da Lassie.
Foi uma mulher lindíssima, atraente, sensual e preencheu os sonhos dos rapazes dos anos cinquenta e sessenta.
Envelheceu e engordou. Emagreceu e parecia ter rejuvenescido. Tornou a engordar e continuou a envelhecer. Mas os olhos continuam donos de uma cor indecifrável que os fãs julgam única. Dizem que tem olhos cor de lilás. Não sei se há, mas sei que nos olhos de Elizabeth Taylor permanece a principal impressão que a diva deixa a quem olha para ela, nas imagens que percorrem o mundo e o tempo, nas telas ou nos plasmas.
A objectiva vai directa ao assunto e os olhos são o assunto.
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Isto a propósito da referência a um divórcio. Mais um divórcio? Não! Um divórcio antigo que viria a repetir-se dois anos mais tarde: Liz e Richard Burton.
As páginas das efemérides estão cheias de coisas assim, que não interessam senão aos próprios. Pior ainda é que isto significa que as pessoas nunca se contentaram em viver apenas a sua própria vida e se alimentam também das vidas da gente pública.
Será que a gente pública tem a noção do seu verdadeiro valor enquanto referência para muitos que os contemplam, pensando que "perto" deles é que mora a perfeição?
That is the question!

sábado, 24 de junho de 2006

Senhora Ministra, Senhores, Senhoras

Esta é um pedaço da minha escola.
No Inverno, nos dias muito frios, mesmo ao meio-dia, o termómetro não vai além dos oito graus.
Querem que eu me orgulhe?
Querem que eu esqueça?
Querem que eu endoideça a pensar que sou culpada do insucesso de miúdos que têm fome, frio e outras dores que eles nem entendem?
Eu, culpada? Eu até lá estou, com eles. Por acaso, a aula até "acontece", como dizia Sebastião da Gama!
Esta "peça" não é ficção!
Claro que as baixas temperaturas não podem provar-se com uma fotografia, mas pode a acumulação da chuva em poças tão lindas que parecem lagos, onde as árvores se vêem ao espelho...

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Nota musical

Eu não sabia, mas fiquei sabendo logo, logo...
Bastou fazer um clique nas páginas onde habitualmente procuro o sentido do dia que em que vivo, para descobrir que, no Brasil, se comemora hoje o Dia do Choro!
Mas não é choro de chorar, não! É choro de tocar e de dançar! Só por isso já é bom e merece um espacinho, neste quase homónimo lugar!
"O choro pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira."
Os músicos são os chorões e os instrumentos são muito parecidos com os que os "tunos" tocam: bandolim, cavaquinho, pandeireta.
E Choro até tem filme: Tico-Tico no Fubá, de 1952.
(Mais uma memória do meu pai, que cantarolava o tema, que data de 1917 e que pode ser ouvido aqui.)

E, não tivesse eu hora marcada para voltar à escola, para aplaudir os meninos que vão representar a sua peça e para vibrar com o ritmo de outros meninos que vão dançar, eu ficava aqui a saltitar de página em página, a construir a homenagem ao "Choro" e aos "Chorões" consagrados, como este tal Villa-Lobos, que fundou uma orquestra, uma academia e escreveu uma opereta chamada "Magdalena".
Mas tenho de ir!
Não posso ficar, nem mais um minuto...
Adeus!

terça-feira, 20 de junho de 2006

Banquete do Olimpo

Enquanto a Teresa dá mar e luz...
papaias
... eu dou papaias....
uvas
... ou uvas.
Preciso de banquetes de mar com papaias e mangas e goiabas e toda a fruta.
A Teresa serve o mar ao natural, temperado com a luz e com um pedacinho de arco-íris, para acentuar o paladar do céu.
Eu "passo" a fruta pelos efeitos da pintura a óleo!
Soberbo, este banquete dos deuses!
Para este cenário de aldeia da roupa encarnada e verde, podem enfeitar-se a gosto!

'Bora lá!

A Teresa inaugurou hoje uma lindíssima exposição de fotografias.
O tema é o mar! O tema é a luz! o tema é também a nossa selecção!
'Bora lá visitar a exposição que ela hoje não cobra bilhete.
Obrigada, Teresa!

segunda-feira, 19 de junho de 2006

"Do you believe in fairies?"

"Forget them, Wendy. Forget them all. Come with me where you'll never, never have to worry about grown up things again."
Há muitas e boas razões para aceitar o convite de Peter Pan e voar com ele até à Terra do Nunca.
Os direitos de Peter Pan foram doados pelo seu autor, James Matthew Barrie, em vida, ao Hospital Infantil de Great Ormond Street, em Londres. Assim se cumpre o desejo do pequeno Peter Pan. Assim se perpetua o convite do menino que veste de verde e voa às cavalitas do vento...
"I'll teach you to jump on the wind's back, and away we go!"
O "pai" de Peter Pan morreu neste dia, há 69 anos!
Imagem daqui

domingo, 18 de junho de 2006

"Mas que feia tão bonita!"

Tenho para mim que a beleza das pessoas não é definitivamente um conjunto de traços, um "monte de pedaços" classificados como belos, de acordo com os parâmetros do mundo plástico da moda, não menos plástica.
A minha professora de Filosofia, a Professora Lívia Rocha, é que mo ensinou, nas suas aulas, a propósito dos conceitos de objectividade e subjectividade. Ilustrava a "matéria" com a história de um colega seu de Faculdade que considerava feias todas as raparigas com quem conviviam.
Um dia, apareceu, anunciando um noivado e casamento próximo. Todos entretiveram a espera de contemplar a beleza certa da noiva com conjecturas várias: alta ou baixa? Magra ou nem por isso? Bela? Uma certeza absoluta!
Chegou o dia. Era uma ocasião especial relacionada com as cerimónias de fim de curso.
Espanto dos espantos: a rapariga era vulgar. Talvez até fosse feia. E houve até quem ousasse dizê-lo ao noivo apaixonado, que explicou o seu critério. "Já repararam nas orelhas lindíssimas que ela tem?"
E foi assim que eu fiquei a saber, com fundamento científico, que todas as pessoas são belas.
É o caso de Bethânia, cuja presença enche a atmosfera de uma beleza única: a dela.
Acrescente-se-lhe a voz e temos uma deusa!
E esta deusa nasceu há sessenta anos!

imagem daqui
E depois há as palavras que ela canta como quem diz...
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei

(Almir Sater/ Renato Teixeira)

sexta-feira, 16 de junho de 2006

"Uma acção má e tola"

Neste dia, em 1871, as "Conferências Democráticas" terminaram por proibição do Ministro do Rei (D. Luís I, o Popular), "sonâmbulo", como diz Antero de Quental, o poeta, que juntamente com outros pensadores da época pensava um Portugal melhor, descontaminado do ideário romântico que tolhia as cabecinhas pensadoras de então.
"A Portaria com que V.Ex.a. mandou fechar a sala das Conferências Democráticas, é um acto não só contrário à lei e ao espírito da época, mas sobretudo atentório da liberdade do pensamento, da liberdade da palavra, e da palavra de reunião, isto é, daqueles sagrados direitos sem os quais não há sociedade humana, verdadeira sociedade humana, no sentido ideal, justo, eterno da palavra. Pode haver sem eles aglomeração de corpos inertes: não há associação de consciências livres."- escreveu o poeta, para que ficasse registado, para a posteridade, o seu repúdio.

Imagem daqui

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Ella

"Se queres aprender a cantar, ouve Ella Fitzgerald." Disse Vincente Minnelli, nada mais nada menos do que um homem muito habituado a conviver com mulheres dotadas deste talento tão extraordinário que é saber cantar.
As infâncias difíceis são um lugar comum nas histórias das vidas de mulheres ou homens célebres. Parece que é verdade o que o povo diz: "A dificuldade aguça o engenho." Também Ella teve uma infância marcada pelo sofrimento e foi "maltrapilha e nervosa" que se apresentou a um concurso no Apollo Theatre, com dezassete anos. Ganhou o primeiro lugar e a humilhação de não ser contratada porque além de maltrapilha, nervosa e acriançada, era feia...
Mas a carreira de Ella Fitzgerald, "A Primeira Dama da Canção" estava a começar...
Morreu num dia quinze de Junho, há precisamente uma década, com setenta e oito anos, deixando uma eternidade de cantigas aos admiradores do jazz.
Este foi o seu primeiro êxito e data de 1938.

Com dedicatória: para a IO que percebe da Ella bem mais do que eu. Leiam!!!

(...)

muito azul
"As coisas da terra são esquisitas. São diferentes das coisas do mar. No mar, há monstros e perigos, mas as coisas bonitas são alegres. Na terra há tristeza dentro das coisas bonitas."
Sophia de Mello Breyner
Fotografia da Teresa.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Che!

"Nasci na Argentina; não é um segredo para ninguém. Sou cubano e também sou argentino e, se não se ofendem as ilustríssimas senhorias da América Latina, me sinto tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, que no momento em que fosse necessário, estaria disposto a entregar a minha vida pela libertação de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada para ninguém, sem exigir nada, sem explorar ninguém."

Che Guevara nasceu em 1928, a 14 de Junho, embora algumas fontes refiram a data do seu nascimento a 14 de Maio e justifiquem a imprecisão com o facto da mãe ter casado grávida e ter anunciado o nascimento apenas um mês depois do verdadeiro parto.
O seu ideal de Uma América Latina e a luta por esse ideal, juntamente com a sua morte precoce, violenta e obscura elevou Che à categoria de fonte de inspiração para as lutas dos jovens do mundo inteiro quando eu era adolescente. Os posters de Che Guevara invadiam os nossos quartos e o homem bonito q.b. e de olhar profundo tornou-se um padrão de beleza e moda muito imitado nos anos sessenta.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Álvaro Cunhal


O homem que conduziu a vida de acordo com convicções a que se manteve fiel até à morte, a 13 de Junho de 2005.

Uma hora depois de ter tentado esboçar um tributo a um homem que é muito do meu tempo, fico a saber que a mulher de Álvaro Cunhal morreu hoje, em Lisboa, um ano certo depois, 13 de Junho de 2006. Tinha 61 anos e a notícia diz que morreu de doença prolongada.
A minha homenagem a quem soube compreender o homem que quis viver a vida tão completamente quanto ela de facto vale!!!!

Hermínia Silva

A fadista da Tendinha.
herminia_silva
Reza-te a sina...
Retirou-se deste fado, a 13 de Junho de 1993.

Vasco Santana

... ou o Doutor Vasco Leitão, que enganou as tias, que namorou mais do que uma rapariga ao mesmo tempo, que se meteu em sarilhos, que cantou, dançou, riu e chorou...
Por fim, estudou e, perante os lentes da Faculdade, perante a vizinhança que oscilava entre a incredulidade e o imenso orgulho, brilhou e ficou Doutor.
O próprio vizinho, que era surdo há tantos anos, nunca tinha ouvido nada assim...
Graças ao funil.
"Ele até sabe o que é o (...) mastoideu!"
Num final feliz, ao agrado de todos os corações pirosamente piegas como o meu, o Vasco e a Rainha da Franja casaram. E foram felizes para sempre, porque inventaram a "alegroterapia"!
É de ver a homenagem de Filipe La Féria, no Politeama, ao primeiro filme sonoro português "A Canção de Lisboa", enriquecido então com o talento de António Silva, Beatriz Costa e Vasco Santana.
vasco
(imagem tirada da brochura do musical de La Féria)
Vasco Santana morreu a 13 de Junho de 1958, em Lisboa.

Eugénio de Andrade

O Lugar da Casa

"Uma casa que nem fosse um areal

deserto; que nem casa fosse;

só um lugar

onde o lume foi acesso, e à sua roda

se sentou a alegria; e aqueceu

as mãos; e partiu porque tinha

um destino; coisa simples

e pouca, mas destino:

crescer como árvore, resistir

ao vento, ao rigor da invernia,

e certa manhã sentir os passos

de abril

ou, quem sabe?, a floração

dos ramos, que pareciam

secos, e de novo estremecem

com o repentino canto da cotovia."

Fundão,19 de Janeiro de 1923- Porto, 13 de Junho de 2005

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Memória da Humanidade


Mantenho os meus ideais, porque apesar de tudo ainda acredito que as pessoas têm realmente bom coração, disse Ann Frank.
Ann Frank nasceu a 12 de Junho de 1929. Aos treze anos, a doze de Junho também foi-lhe oferecido um diário. Na verdade era um livrinho de autógrafos que Ann decidiu transformar em diário. Aí registou a Memória de um Tempo que a Humanidade não pode esquecer.
Que lição! Apesar de tudo, a pequenina Ann ainda acreditava em bons corações!

sexta-feira, 9 de junho de 2006

O Poeta Padroeiro

José Gomes Ferreira nasceu no Porto, no dia nove de Junho de mil e novecentos.
(Não sei a razão mas gosto mais dos números em palavra!)
Aprendi a apreciá-lo pelos versos. Depois a prosa, sempre num tom de ironia, umas vezes mais amarga, outras vezes menos amarga, que nos dá a certeza que também na prosa o poeta é poeta: não lhe passam ao lado as dores da vida, mesmo as dos outros.
O Mundo dos Outros é pois uma obra que eu conheço bem, graças aos programas de Português dos idos tempos do ideal, setenta e cinco, setenta e seis e por aí.
É aí, num dos pedaços desse Mundo dos Outros a que ele chamou Boca Enorme, é aí, dizia que está a expressão mais dilacerada da sua consciência cívica.
O percurso da Boca Enorme começa na Colónia Balnear do Século e acaba na Prisão. Entretanto há a rua, a fome, a prostituição, o roubo.
O poeta, trespassado pela dor da culpa que toda uma sociedade deve sentir perante casos como este, escreve:
"Soltem-na!
E se precisarem de alguém para a substituir na enxovia, prendam-me a mim, prendam este, aquele, tu, o outro, ele, nós, vós, todos... Porque todos lhe roubámos qualquer coisa antes de ela roubar qualquer coisa a não sei quem... Porque apenas lhe demos meia dúzia de manhãs de sol na Praia da Cruz Quebrada, onde a pobre da "Boca Enorme" se esforçou por viver a vida toda, duma só vez."
balnearsépia

terça-feira, 6 de junho de 2006

Gratidão

documento
"... I am back 44 years later to pay my respects to all of those who were buried here..."
Na Normandia, a emoção não se esgota num museu. Na Normandia, o ar que se respira evoca permanentemente a memória dos que morreram, na sua maioria muito jovens, por uma causa que se chama Liberdade.
A estes soldados devemos o Passado, o Presente e o Futuro.
O dia 6 de Junho nunca mais foi apenas mais um dia do calendário, depois de ter ido pela primeira vez à Normandia, em 1984, após as comemorações dos quarenta anos de desembarque.
Pensei então na responsabilidade de transmitir aos outros o testemunho da generosidade destes soldados. Dez anos depois, voltei à Normandia com os meus filhos. A mesma emoção de pisar a terra libertada, de molhar os pés naquele mar que serviu de porta de entrada dos libertadores, de sentir uma acumulação de História da Humanidade, de poder ouvir ainda alguns veteranos que por ali ainda revivem a mais verdadeira das doações: a da vida, por uma razão de elevado valor moral!
liberdade
Pointe du Hoc, fotografias cá de casa.
O arame farpado será sempre o símbolo da intransponibilidade.

domingo, 4 de junho de 2006

A quem este blog é naturalmente dedicado...

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O meu pai faria hoje oitenta anos.
Hoje alguém me falava do entusiasmo com que teria vivido este Mundial.
Espero que, esteja onde estiver, goste de saber que o sinal desse entusiasmo estará presente e que, não podendo desfraldar a bandeira na janela da sua casa, fá-lo-á aqui, porque o entusiasmo é mesmo o que de nós não morre nunca!!!!
Nem a memória de ti, papá!

Amanhã... vou acender uma vela na Muxima


Partiu, num "machimbombo qualquer"...

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"nunca foram professores na vida"?

"Dessas 60 mil pessoas que se candidataram e não foram contratadas, só cerca de um terço eram professores, outros eram pessoas que se candidataram ao lugar de professor" e "nunca foram professores na vida", afirmou (o Primeiro Ministro) aos jornalistas em Resende, Viseu.
É urgente explicar ao Senhor Primeiro Ministro que o concurso em questão se destina ao preenchimento de vagas de Quadros de Escola ou de Quadros de Zona Pedagógica, o que implica ser profissionalizado, ser mesmo professor portanto.
Eles não estão a candidatar-se ao lugar de professores. Eles são professores.
Como é possível ficar tudo calado e não repor a verdade?
Estes não colocados irão passar para um concurso de professores contratados e a maioria dos contratados também tem habilitação profissional.
Sabia, não sabia, Senhor Primeiro Ministro?
Todos os dias são dias de dizer a verdade e só a verdade, sobretudo quando se trata de pessoas que prometeram exercer as suas funções "com lealdade".

(...)

jarro
Hoje aprendi que há "jarros" de várias cores!

sexta-feira, 2 de junho de 2006

O diário da minha ausência

Eu nunca percebi por que razão se há-de mudar de roupa, quando se chega a casa? Para quê praticar os deliciosos trabalhos caseiros em roupas velhas e feias?
Bem, mas hábitos são hábitos e razões são razões.
Aqui está uma "toilette" perfeita para inefável entrega do nosso precioso tempo ao aspirador, esse verdadeiro amigo da mulher!
aspirar Máxima
Por acaso, eu tenho um vestido muito parecido com este, que me faz lembrar os idos anos sessenta e o glamour do rock. O meu é um pouco mais aconchegado nas costas, por causa das correntes de ar. Se apanho um golpe de ar fica tudo por fazer cá em casa: ele é almoços; ele é jantares; ele é camisas para passar; ele é lençóis, fronhas, cuecas, isto é boxers, e peúgas que são mais as que não têm par do que as que têm.
É uma verdade incontestável: os pares das peúgas desaparecem. Sabe-se lá para onde?!
Esta mocinha, por acaso, tem as duas meias nos pés e até tapam o tornozelo, porque todos nós sabemos que os tornozelos são zonas de grande sensibilidade às mudanças de temperatura e a certos olhares cobiçosos ou invejosos. São bonitas, as meias. E os sapatos então são perfeitos para as limpezas: onde não chegar a vassoura ou o aspirador, chega a biqueira do sapato.
Depois deste momento alto de escrita confessional e intimista, nada mais me ocorre à mente brilhante, temporariamente "fora de serviço" ou "em manutenção".
Terei de esperar por nova lufada de inspiração. Sei lá!!!
Foto da Máxima

quinta-feira, 1 de junho de 2006

(...)

O que a Senhora Ministra acabou de explicar à Sic Notícias é que quer acabar com os números negros da ignorância e da iliteracia.
Quem não se rende a este propósito tão nobre?
Eu rendo-me, claro!
Mas recuso-me a acreditar que a maneira de o fazer seja à custa da vida dos professores. A troco de quê? De aulas de substituição que não servem para nada e desgastam inutilmente os professores? A troco da ameaça velada e a partir de agora continuada de uma avaliação injusta por parte de qualquer encarregado de educação muito, pouco ou nada instruído, pois não é isso que está em causa?
Eu sou velha nisto e sempre ouvi os professores dizerem que eram permanentemente avaliados por todos: pais, alunos, colegas, funcionários... Só faltava mesmo a formalização dessa avaliação e a validação por parte do Ministério.
E a indisciplina Senhora Ministra? E os programas? E a carga horária das disciplinas? E as áreas projecto e os estudos acompanhados? Sabem os senhores em geral que, no quinto ano, as disciplinas de Inglês, História e Ciências têm a mesma carga horária do Estudo Acompanhado? E os noventa minutos, em que sobeja tempo útil de aula, ao contrário dos quarenta e cinco, em que falta? E as carências dos meninos mais pobres? E as pobrezas morais que por aí há que "animam" muito os telejornais? Na escola nós temos de lidar com elas antes da "Alice no País das Maravilhas" Senhora Ministra!!!!
Já percebi, Senhora Ministra, são só os professores que estão mal, para si. Ou melhor, são só os sindicatos. Pensando melhor, é só a Fenprof, que a "chateia" todos os dias.
Estou cansada e estou vencida! Não voltarei a falar destes problemas, aqui.

Ser criança é...

Aqui, num Reino de Palavras, governadas por meninos e meninas, eles dizem a lei.

Ser criança é abrir a porta ao futuro, dar conhecimento ao coração, não medir consequências, sonhar um voo em cima duma borboleta.
É brincar sempre com muita alegria, brincar mesmo sem brinquedo, jogar, sonhar, rir, correr, saltar, olhar, beijar, abraçar, acarinhar, imaginar, lembrar...
É fazer maldades e ser perdoado, aprender e poder ir à escola.
É acreditar que se pode realizar tudo o que se imagina e gosta, sonhar mesmo sem dormir, dançar mesmo sem música.
É ser livre, ser a melhor coisa do mundo, ser feliz, ser divertido, ser sincero, ter esperança.
É uma estrela que brilha, uma vida pura, um jardim florido, é crescer e preparar para a vida.
É ser pequeno, ser novo, ser miúdo, ser bom, ser alguém, ter grandes pais e gostar deles, ter com quem brincar e gostar de ser feliz.
É gostar muito de viver e ter desejos.
É ter respeito pela vida, ter coragem, ter muita imaginação.
É ter orgulho de ser gente e desejar um futuro melhor.

Os porquinhos do Chora Que Logo Bebes desejam a todas as crianças do Mundo um Futuro Feliz!
Já visitaram os pequenotes, hoje?
Não?! Então entrem no Reino das Palavras e dêem-lhes essa alegria!

O Dia Mundial da Criança

Todos começamos por ser uma criança: um ser igual aos outros, mas com uns tamanhos abaixo. Os braços não são tão grandes. As pernas já não cabem no nosso corpo, mas ainda lhes falta altura para chegarmos ao ombro dos grandes.
Ser criança é uma suposição de felicidade, condição indispensável ao crescimento do corpo e do coração e até do pensamento.
Mas todos sabemos que isto não é verdade e em muitos casos, neste mundo que é nosso e onde acontecem coisas da nossa responsabilidade, há crianças para quem o sol já nasce para anunciar o trabalho, para quem o sol nasce para interromper um sonho merecido.
Ontem, véspera deste dia, o Público publicou esta foto que fala por si.

E estas palavras:
Obrigados a trabalhar
Um rapaz recolhe embalagens de plástico e outros materiais para revenda na lixeira de Stung Mean Chey, em Phnom Penh, no Cambdoja, onde a maioria das pessoas ganha cerca de um euro por dia. As crianças de famílias pobres são obrigadas a trabalhar e não vão à escola.
Foto: Mak Remissa/AP