sábado, 30 de setembro de 2006

Último passo de dança

Tenho uma imensa pena de não saber dançar. Penso que a dança, na conjugação de corpo e pensamento, deve produzir sensações muito próximas daquilo a que se chama felicidade. Deve conduzir tanto o corpo como a mente para um bem estar absoluto, liberto de tempo e de espaço.
Por esta pena que eu tenho, deixo aqui registada a pena de saber que desaparece de cena a primeira mulher defensora do ensino da dança em Portugal: Margarida Abreu.Imagem do DN
Para sábios ou para os génios, como Einstein ou Isadora Duncan, a dança é uma expressão dos deuses.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Blog Parabéns Especial

"Para se fazer um amigo, leva-se quase uma vida inteira. É preciso terem sido pobres juntos e, às vezes, felizes.", disse um tal Crescenzo que deve ser bem entendido nestas coisas de afectos.
Se acrescentarmos a esta sabedoria, termos sido jovens, ao mesmo tempo e nos mesmos lugares, partilhado sonhos e até criado filhos juntos, mais do que fazer um amigo, concluir-se-á que estamos a "fazer um irmão". Neste caso, uma irmã.
Hoje o dia é teu e todos estamos em festa.
Parabéns, querida Nini!!!!
Como disse o Diogo, há um ano, aqui, também: "Para nós és uma pessoa especial e temos os quatro uma admiração enorme por ti."
ninianiv

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Passando os olhos...

(...)
"Mas", disse ele, "quando senti aquela raiva bem dentro de mim apercebi-me que se continuasse a odiá-los depois de sair daquele portão, eles continuariam a exercer poder sobre mim". (...) "Queria ser livre, pelo que deitei toda aquela raiva para trás das costas"
Este "ele" é Nelson Mandela e estas palavras tão cheias de sentido têm o contexto histórico único: a sua libertação.
Passando os olhos pela Pública de domingo, encontrei outra vez estas palavras que me fazem acreditar que somos prisioneiros dos nossos próprios ódios, que o ódio não liberta ninguém. No próximo dia 2, conforme noticia o mesmo artigo, sairá uma biografia de Mandela, enriquecida pelo testemunho de sessenta figuras públicas.
Não constituindo novidade, sobretudo para quem pode percorrer, pelas palavras do próprio Mandela, "O Longo Caminho Para a Liberdade", é mais uma oportunidade de reflectir sobre os dias que correm, os ódios que correm.
O ódio é mesmo uma doença maligna! Eu quero aprender isto todos os dias. Até para a minha vidinha, este combate é importante!
mandela
Mandela visita Robben Island. Só o homem mais livre do mundo e de todos os tempos pode confrontar-se assim, com confiança, com o arame farpado.
Imagem da contracapa da autobiografia.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Fundamento da escolaridade obrigatória


If there were no schools to take the children away from home part of the time, the insane asylums would be filled with mothers. Edgar W. Howe Verdade extraída daqui
Imagem daqui

domingo, 24 de setembro de 2006

Ao encontro do Post!

No dia 21, eu precisava de uma inspiração especial.
Invoquei as Alvalágides, mas elas não atenderam ao meu pedido. Conformei-me e escrevi umas linhas que deixei guardadas, como se pode provar aqui.
Mas eis que hoje, sem mais nem quê, me surge o post que andava perdido de mim.

Este aniversário é marcado pelo ritmo das naturezas: da natureza das árvores, que se recolhem para um sono reparador, e da tua própria natureza que, de acordo com os astros, se define pela generosidade e pelo rigor.
Mais uma vez, parabéns, Jorge!!!!

sábado, 23 de setembro de 2006

Neruda

O poeta não é um «pequeno deus». Não, não é um «pequeno deus». Não está marcado por um destino cabalístico superior ao de quem exerce outros misteres e ofícios. Exprimi amiúde que o melhor poeta é o homem que nos entrega o pão de cada dia: o padeiro mais próximo, que não se julga deus. Cumpre a sua majestosa e humilde tarefa de amassar, levar ao forno, dourar e entregar o pão de cada dia, com uma obrigação comunitária. E se o poeta chega a atingir essa simples consciência, a simples consciência também se pode converter em parte de uma artesania colossal, de uma construção simples ou complicada, que é a construção da sociedade, a transformação das condições que rodeiam o homem, a entrega da mercadoria: pão, verdade, vinho, sonhos.
Pablo Neruda, in 'Nasci para Nascer' (Discurso na entrega do Prémio Nobel)

Imagem daqui
Pablo Neruda morreu a 23 de Setembro de 1973.
Skarmeta prestou-lhe a homenagem das homenagens com a sua obra "O Carteiro de Pablo Neruda".
Apetece dizer como o carteiro: Poça, como eu gostava de ser poeta!
Mário Jiménez é o herói da novela, jovem pescador preguiçoso, filho de pescador, que troca a pesca pelo lugar de carteiro na Ilha Negra, carteiro de um só endereço: o do poeta Pablo Neruda.
O contexto ideológico dos anos sessenta está ali, não só para construir a personagem, como também para nos adoçar as recordações: os Beatles, as divas do cinema, cada vez mais ousadas no “despir”, a alimentar a fantasia dos meninos e a inveja das meninas, West Side Story... e as Odes Elementares, obra que ficava bem a qualquer adolescente aspirante a intelectual, facilitadora da conquista.
De tanto andar para lá e para cá, diz-se, metida “na dobra das peúgas”, o jovem carteiro acabou por ler as Odes e ganhar coragem para pedir um autógrafo àquela lenda viva, que tinha um humor variável e que tão depressa parecia que ia dar-lhe conversa, como não. Mas a “ardente paciência” já tinha entrado em funcionamento e aproveitando o especial interesse que o poeta manifestava pelas cartas que vinham da Suécia, o rapazito lá meteu conversa e, atrevidamente, até lhe perguntou o valor das outras cartas, arriscando o conteúdo. “Serão de amor?”.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Parabéns!

Mais um "Blog Parabéns"!
Este é especial, muito cá de casa, muito verde, muito leão, sempre a rugir.
Parabéns, Jorge!

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

As várias cores da poesia

Às costas - ah onde te ficou a trouxa de sonhos, magaíça?
trazes as malas cheias do falso brilho
do resto da falsa civilização do compound do Rand.
E na mão,
magaíça atordoado acendeu o candeeiro,
à cata das ilusões perdidas,
da mocidade e da saúde que ficaram soterradas
lá nas minas do Jone...

Noémia de Sousa nasceu há oitenta anos, na Catembe.
Deixou a sua ideia da riqueza multiracial escrita em verso que agora, só agora, descubro.
Envergonho-me por isso.
Continuo a procurar informação e versos... E vou encontrando...
"Tres años de producción literaria le han sido suficientes a esta mujer para incendiar el alma adormecida de generaciones, para forjar todo un concepto de identidad nacional anticolonialista con una obra tran breve como intensa."... em muitas línguas!
De muitas raças!

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Responsabilidade

escola fechada
A vida passa lá fora
Ou na pressa de uma roda,
Ou na altura de uma asa,
Ou na paz de uma cantiga;
E vem guardar-se num verso
Que eu talvez amanhã diga.

Este pequeno poema chama-se Eternidade e é de Miguel Torga.
Esta janela fechada é a da escola do Sr. Botelho, em S. Martinho de Anta. É a escola onde o poeta Torga aprendeu as letras que havia de juntar mais tarde e transformar em poesia.
Nunca sabemos, nos primeiros dias de escola, que futuro está ali, perante nós, sentado numa mesa, na mais vulgar das salas de aula.
Os poetas tiveram um professor, que lhes ensinou as letras.
Até Einstein teve um professor que lhe ensinou as contas!
Que grande responsabilidade!

domingo, 17 de setembro de 2006

Boas ondas, filho!

Tu sabes bem evitar as tempestades!
Tu sabes aproveitar a onda boa!
Se eu pudesse, inventava um mar inteirinho para ti e oferecia-to, hoje. É natural que eu sinta este desejo, por muito irrealizável que ele pareça. Um dia perceberás que isto faz parte da condição de pais.
Como não é possível, espero poder oferecer-te sempre a segurança da praia.
Tu sabes que nos orgulhamos de ti!
O dia é teu: parabéns, filho!

sábado, 16 de setembro de 2006

(...)

"Pôr-do-sol vestido de negro em Albufeira" é título de um artigo do jornal Público, que mais uma vez nos dá conta da existência de seres que não merecem algum perdão.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Oriana Fallaci


Nasceu em Florença e morreu em Florença, esta manhã.
A TSF interrompeu o rol das notícias do dia, para noticiar a sua morte, o que prova que Oriana Fallaci não era "qualquer". Sobretudo, não era uma qualquer, no sentido de alinhar nas ideias dos outros. Alinhava nas suas próprias ideias, custasse o que custasse.
"Esta reviravolta é bem possível, meu menino: a nossa lógica é cheia de contradições. Mal afirmamos uma coisa, logo vemos nela o contrário. E talvez te apercebas que o contrário é tão válido como o que afirmavas."
Estas linhas tiradas da "Carta a um menino que não nasceu" ilustram bem o pensamento de Oriana Falacci, preparado para ver claro em todos os sentidos, mesmo do avesso.
A sua morte é uma perda para o património do pensamento e da cultura da Humanidade.
Daí a interrupção tão súbita de todas as notícias da manhã, de um dia como tantos outros, apenas diferente para os que sentem, mais uma vez que a morte é mesmo inevitável, é mesmo certa, mesmo para quem devia ter o direito a ser imortal.
Mas, afinal, tudo o que acabo de dizer e de pensar cai por terra, nas últimas linhas da "Carta...":
"Talvez também eu morra. Mas não importa. Porque a vida não morre."
*Pelo valor de todas as palavras que hoje se "derramam" sobre Oriana Fallaci, leia-se também a IO.

Fita em português

-Para onde vamos?
-Longe.
-E onde é que isso fica?
-Perto.
Esta é a última fala do último filme português: 98 Octanas, de Fernando Lopes.
NOvinha em folha, a fita tem um dia de vida, como se pode confirmar aqui.
Gostei da crítica que realçou a fotografia. Fez-me recuar até um género de cinema francês dos anos sessenta/setenta.
Quando "for" DVD, vou ver! Se é verdade que trata de um mítico regresso à casa da avó...

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Ilibaram o Sol!

Retiraram a queixa. O Sol não irá a tribunal. Não será constituído arguido de crime algum.
O Sol, afinal, é amigo! Ou, pelo menos, julga-se que é.
As suspeitas vêm já do século dezassete, mas afinal a inocência parece favorecer o brilho, em liberdade, para os próximos milénios.
Falta de provas, disseram os investigadores que perseguiam o sol e o seu rasto de criminalidade suposta.
Enganaram-se! Enganaram-se e eram americanos, suiços e alemães. Ainda se fossem portugueses... Entendíamos. É isso! Já estamos habituados!
A culpa tem de ser de alguém, como sugere o José Mário Branco, no FMI.
"Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade?" Mas, desta vez, a culpa não é do sol! A culpa é mesmo nossa: do Homem!
!!!Texto escrevinhado a propósito de uma notícia do Público.Dedico estas linhas à Teresa porque ela dedica muito mais do que um texto: ela dedica-se à causa do ambiente, que não é dela, nem minha. É da Humanidade!

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Retrato, talvez saudoso, da poesia!

Retrato Talvez Saudoso da Menina Insular

Tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia.
E ele próprio era o início
do mar que o continuava.
Destino de água salgada
principiado na veia.

E quando as mãos se estenderam
a todo o seu comprimento
e quando os olhos desceram
a toda a sua fundura
teve o sinal que anuncia
o sonho da criatura.

Largou o sonho nos barcos
que dos seus dedos partiam
que dos seus dedos paisagens
países antecediam.

E quando o seu corpo se ergueu
Voltado para o desengano
só ficou tranqüilidade
na linha daquele além.

Guardada na claridade
do olhar que a retém.

Natália Correia

natália
Este é outro Retrato da Diva da Poesia, traçado pelo talento da memória da Ana, também este exposto em Freixo de Espada à Cinta, acompanhando as outras mulheres que lhe ensinaram a vida!
(Bem-hajas, querida Nini, pelo teu talento!)
Natália Correia nasceu na ilha de São Miguel, em Ponta Delgada, a 13 de Setembro de 1923.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

in memory

"I always loved running - it was something you could do by yourself and under your own power. You could go in any direction, fast or slow as you wanted, fighting the wind if you felt like it, seeking out new sights just on the strength of your feet and the courage of your lungs." Jesse Owens
Estas palavras revelam bem que há uma força que, associada à coragem dos pés e dos pulmões, pode derrotar o ditador mais infame dos tempos que a nossa memória alcança! Essa força, que vem de dentro, talvez se chame vontade e cresce especialmente em terreno aparentemente infértil e destinado à tristeza e à humilhação histórica.
Não foram as pernas de Jesse Owens que venceram essa predisposição. Foi o seu querer "vencer o vento"!
Obrigada pela lição, Jesse Owens! A Humanidade não te esquecerá e a Língua Portuguesa lembrar-te-á em verso, numa Balada que demora a ler muito mais do que os breves segundos da tua supremacia no estádio e na presença do monstro. Foram dez segundos que abalaram aquele mundo!
Jesse Owens nasceu a 12 de Setembro de 1913, numa pequena cidade do Alabama.

Proposta decente

A Chuinga, "para acabar de vez com a cultura", lançou-me o desafio, que lhe fora lançado pela bisa , que, por sua vez tinha sido desafiada por...
Já perceberam então que se trata de uma corrente e o que está em jogo é a capacidade de nos descrevermos, num retrato traçado "à la minute".
Pensei, pensei, pensei... Ia morrendo de tanto pensar e, ainda por cima, para nada!
Estacionei junto aos melões e às melancias, no supermercado, e eis que me surge a ideia. "click"!
Não dizem que os nossos objectos reflectem algo de nós.
Eu talvez seja o meu carro! Serei?
Estão a ver um Peugeot 206 (ou 307), azul escuro, coberto de pó, com uma daquelas frases inscritas no pó: "Lava-me!"; que anda e anda e só vai à oficina para as revisões; que funde um farol e só dá por isso quando alguém chama a atenção; que aspira a ser reconhecido pela segurança e pela utilidade, mais do que pelo "design" de alguns chevrolets... Ao fim e ao cabo um Peugeot é um Peugeot e um BM é um BM. Isto é: utilitário é utilitário, marca é marca e topo de gama é topo de gama!
Eu acho que sou assim, Peugeot 206 (ou 307) mas em pessoa!
Dou-me bem com a minha lata e tenho uns donos que nunca se esquecem de mim, na garagem! Mas isso faz parte da sorte em que eu acredito!
(Esta parte da sorte é mesmo para levar a sério!)
Beijinhos que eu vou arrancar..... brummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!Vou dar umas buzinadelas à minha Amiga do Peito, ao Janeca, ao Coimbra's, à Cliché e a quem quiser "abrir o motor", em plena estrada!

sábado, 9 de setembro de 2006

Assim tão fácil?

Se eu quiser, mudo a minha escola Daniel Sampaio

Agora é mesmo, as aulas começam para a semana, o Conselho Executivo diz que na próxima sexta tudo tem de estar a funcionar. E eu? Como vou aguentar mais um ano lectivo? Ainda não sei. Às vezes penso que é melhor deixar correr, fazer o mínimo, não ter grandes expectativas nem gastar muitas energias: controlar a disciplina, cumprir o programa, dar-me bem (mas sem grandes intimidades) com os colegas, colaborar (nunca em excesso) com a direcção da escola, dizer umas piadas contra a Ministra (sem elogiar os sindicatos). Uma questão de equilíbrio e bom senso, sou perita nisso. Como já sou um pouco velha, sei defender-me das armadilhas, não me deixo humilhar pelos alunos nem os pais fazem farinha comigo. Respeito as famílias, mas a experiência já me ensinou que muitos dos problemas dos miúdos têm origem em casa, por isso não vale a pena pensar que os vamos resolver de um momento para o outro. Vou apostar mais uma vez num ano tranquilo, farei as greves mas não entrarei em loucuras, nunca vou desistir de ter as aulas a funcionar. Serei Directora de Turma, nunca concordei que sejam professores muito novos a ter esse papel, mas não pensem que farei grandes esforços, uma reunião por período e duas horas por semana, lá para o fim da manhã, chegam para aturar a meia dúzia de pais que lá costuma aparecer, às vezes a mandar vir.
Sei que poderia ser diferente: às vezes, à noite, quando estou sozinha em casa, penso que, se quisesse, era capaz de mudar a escola. E ponho-me a pensar como faria. Era assim: na sala de aula, começava por pedir a cada um dos alunos o que esperava para o ano que agora começa, para que conseguisse chegar às diferentes vias que tenho de utilizar para conseguir uma boa aprendizagem para cada um; depois, punha o grupo a funcionar, a dois a dois ou mesmo todos ao mesmo tempo, para desde o início tirar partido das diferenças e estimular a participação. Não me punha a ler o manual, como cheguei a fazer o ano passado, por preguiça ou medo de perder o controlo da turma: aproveitava novos materiais, sites na Net, recortes, figuras, para tornar a aula diferente em cada dia. Com regras estabelecidas em conjunto, iria ter menos problemas, mas seria firme de início, sem ceder a provocações.
Trazia a Internet para a aula, o que é preciso é ensinar de modo diferente! E na escola em geral? Bem, teria de ser mais activa. Sei que a Educação para a Saúde é agora obrigatória, muitos colegas dizem que não têm condições, mas no fundo sei que há muito a fazer: vou oferecer-me para coordenadora, falar com os pais, arranjar uma caixa de perguntas para os miúdos colocarem as dúvidas, ajudá-los a fazer pesquisa para a Área de Projecto. Não posso fazer de conta que não vejo tantos gordos, ou fingir que desconheço os que fumam "ganzas"!
E não vou fingir que nada tenho a ver com a colega que não impõe a disciplina (no ano passado saía a chorar das aulas). Sempre que puder, vou para junto dela, nada me proíbe de o fazer, em conjunto vamos ser capazes de pôr a sua aula a funcionar. E vou propor mais reuniões do Conselho de Turma, chamar os pais para dizer bem dos filhos, aproveitar a força que eles têm para pressionarmos o ministério a fazer obras.
Vou ficar cansada, é claro, mas tenho a certeza que ficarei menos azeda: é que, francamente, já não suporto aqueles ajuntamentos na Sala dos Professores a dizer mal de tudo, com os alunos cheios de negas e tantos professores à deriva!

Revista XIS, 9 de Setembro de 2006
Revejo-me no retrato traçado na primeira parte desta opinião. Os professores com muitos anos de serviço e, como eu, há muitos, parece já terem adquirido armas de "equilíbrio e bom senso" para enfrentar o ano lectivo sem sofrimentos desnecessários.
Parece até fácil!
Mas, é sozinha em casa que eu vou construir o sonho de mudar a escola? Talvez seja exactamente por isso, por a tentativa, ou as tentativas não passarem de sonhos solitários que isto não muda mesmo. Além disso, o Professor Daniel Sampaio sugere que se adapte o sonho de cada um, e o colectivo de muitos de nós, ao sonho da ministra e da sua política de combate ao insucesso, cedendo cada vez mais armas à ignorância e pela desistência sistemática de ensinar e aprender, efectivamente!Quanto aos novos materiais, recortes e figuras, trabalho de pares, até a Net, são práticas que não vamos inventar porque já as implementámos, apesar dos poucos recursos de que dispomos.
O que não conseguimos mesmo inventar é alunos felizes e professores felizes. Atiçaram uns contra os outros. Atiraram para o meio da confusão os pais, que não são chamados à escola para se lhes dizer apenas mal dos filhos. É provável que queiram ouvir a verdade, seja ela mais ou menos agradável.
Quanto ao azedume, parece-me bem que ele destila directamente dos gabinetes climatizados e embelezados para os operários da educação que trabalham pele a pele com a matéria prima: o aluno!
Fico triste quando leio o Professor Daniel Sampaio. Ele que deve conhecer muito bem a difuculdade que todo o ser humano tem em aguentar desconsiderações! É ele que nos vem chamar azedos?
Não sei por que razão a Ministra, dizem, vai inaugurar simbolicamente o ano lectivo no Montijo, no Agrupamento de Escolas a que pertenço.
Mas como dizem as personagens nos filmes, para que a acção continue a prender a atenção do espectador: Não sei, mas vou descobrir!

Sitting in the morning sun

morningsun
Sitting in the morning sun
I'll be sitting when the evening comes
Watching the ships roll in
And I watch 'em roll away again
morningsuns
Sitting on the dock of the bay
Watching the tide roll away
I'm just sitting on the dock of the bay
Wasting time
morning sun
I left my home in Georgia
Headed for the 'Frisco bay
'Cause I had nothin to live for
And look like nothing's gonna come my way
So I'm just...
Look like nothing's gonna change
Everything still remains the same
I can't do what ten people tell me to do
So I guess I'll remain the same
Sittin here resting my bones
And this loneliness won't leave me alone
It's two thousand miles I roamed
Just to make this dock my home
Now, I'm just...
Otis Redding nasceu na Georgia, como embala a cantiga, a 9 de Setembro de 1941.
Quem não recorda esta canção de alma que ilustra as nossas próprias inquietações e solidões, desde que o dia nasce até que a noite chegue?!
Em LM ouvia, pela noite dentro, a estação "Ronga" que me ensinou a letra toda do tema que eternizou o mito Otis, desaparecido precocemente num desastre de aviação, com 26 anos!

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Reacções

S. Martinho de Anta, 6 de Setembro de 1976- O Prémio Internacional da Poesia. Deus me proteja!
Miguel Torga
anta
S. Martinho de Anta, Março 2006

Parabéns!


Como é que se batem as palmas virtualmente?
Parabéns, Teresa!

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Chamou? Chegou!

Só uma imaginação muito alojada nas subcaves do pensamento pode induzir um desejo de escrever sobre Bolas de Berlim!!!!
Chamou? Chegou! É um dos pregões da Praia da Galé, gritado em tons de Brasil...
Chamou

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Inquietações

Entre todos os 25 países da União Europeia, Portugal está em quarto lugar na percentagem de idosos que vivem na pobreza relativamente ao resto da sua população.
Jornal de Notícias
velhos
Os extremos da vida são iguais em fragilidade, insegurança e medo.
Opõem-se na alegria e na tristeza.
No caso das crianças, há esperança de futuros que talvez venham a incluir a outra idade a que se chama terceira. Ou talvez quarta, quem sabe?
No caso dos velhos (a palavra é bonita e não quero substituí-la eufemisticamente por idoso, como diz a reportagem) há um comprovativo de vida, o que, salvo raras excepções, significa trabalho e luta.
Podemos ficar indiferentes à pobreza que é hoje divulgada?
Tenho ainda bem fresca a aflição de ver a minha mãe a precisar de cuidados, porque a idade e as doenças lhe retiraram a capacidade de viver só por si, como fez ao longo de quase toda a sua vida.
Sei como as reformas se derretem nas farmácias.
Sei como a tristeza ataca a alma de quem vê o caminho cada dia mais curto e as forças cada dia mais fracas.
Há que reacender a preocupação com a dignidade da vida de quem já deu ao mundo outras vidas!

domingo, 3 de setembro de 2006

Ganda Nóia!

mmendes
Ouvi, há pouco, na televisão, uma coisa que eu não entendi:
O Menezes do PSD da Maia foi à festa do Avante e isso é mau porque pode aparecer ao lado do Secretário Geral do PCP, ou ao lado de um tal Casanova (que eu não sei quem é!) e isso é muito perigoso para o mediatismo do Secretário Geral do PSD, o tal da "nóia", nesta Rentrée...
E eu que pensei que os políticos eram políticos, não para dar nas vistas, mas para tratar da coisa comum, isto é, para arranjarem maneira de toda a gente viver cada vez melhor...
O que é que é realmente importante? Encontrar soluções? Ou inventar problemas que são apenas questões de ego, vaidade, oportunidade?
E o desemprego?
Não há "rentrée" de valores?
Isto é mesmo só espectáculo?

sábado, 2 de setembro de 2006

Imitações

Eles têm um caso. Eu sei. Ninguém me engana. Bem: ninguém, ninguém, não será bem assim...
Quase ninguém me engana!
E quem está atrás daquele balcão, todas as noites, não é uma cópia da Sofia Loren, envelhecida precocemente por trabalhar tanto. Esta não faz fitas, como a outra. Esta assiste a muitas fitas e, com uma distinção de diva, apenas assiste.
Aparecem aos molhos. Molhos de gente que ela não quer saber quem são, porque a vida desta gente que anda aos molhos não lhe interessa muito.
Interessa-lhe mais o grande problema da amiga que não foi de férias, a banhos para a Praia da Rocha (ou para a Quarteira?), porque lhe adoeceu o pai, à última da hora, quando ela estava mesmo pronta para partir para a grande aventura das férias.
Coitada da Alice! Logo naquele dia! Há coisas incríveis. Se já tivesse partido, já lá estava e pronto. Alguém tinha dado uma mãozinha ao Senhor Soeiro. Assim... Pobre Alice! Aos quarenta anos ainda amarrada ao juramento que fizera à mãe de nunca abandonar o pai!
(Sempre pensei que o pai da Alice voltasse a casar. É o que acontece a todos os viúvos com uma experiência conjugal feliz. Ou quase feliz! Ou mais ou menos feliz! Ou pelo menos feliz, na prática!)
Chega mais um destes palhaços que julga que é com colas brilhantes nos cabelos e argolas no nariz que os homens levam as mulheres ao altar. Ou ao Registo Civil, que nem todos querem casar pela Igreja!
No tempo dela... Dela e da Sofia Loren, não havia nada disto. Os homens eram mesmo homens, de fato e gravata, sem mais enfeites.
Mesmo os bonitos, como o Glenn Ford que morreu ontem.
Abre a carteira e tira o espelho. Traz sempre um espelho. Às vezes, até conversa com o espelho.
Quando não aparece mais ninguém, fala com o espelho, que é como quem diz, fala sozinha.
Ela sabe que é parecida com a Sofia Loren. Ou era.
Mas as divas também envelhecem e também têm de enfrentar, de alguma forma, os sinais da idade.... Se calhar, também a Sofia original tem um espelho, onde se olha depois de retirada a maquilhagem. Longe dos olhos do mundo. Isto são coisas que o espelho lhe diz, claro.
Mas nem sempre tem de recorrer ao espelho. Há alguém que se aproxima, com vagares de preencher horas para ganhar a vida e que troca com ela as palavras que lhes preenchem talvez o caso. Que têm ou hão-de ter.
Eu sei. A vida é assim!António Lobo Antunes fez ontem 64 anos. Imitei-lhe uma ficção, daquelas que eu gosto, em jeito de homenagem. Ele talvez preferisse um "Viva o Benfica!", mas cá em casa, esses gritos podem ter efeitos indesejáveis!Imagens daqui e daqui
Aproveitei para lembrar mais uma estrela que se apagou: Glenn Ford

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Partir e voltar

garealbuf2
Com a metáfora devidamente ilustrada, eis-me na plataforma desta estação, sem saber destinos, nem regressos, nem horários, nem viagens...
O comboio com destino a... vai dar entrada, dentro de momentos, na linha...