terça-feira, 31 de outubro de 2006

Primeiros...

Chewing Hallowe'en
Primeiros: a Chuinguita faz dois anos! Iupi! Dois anos de ideias apalavradas, que nisto de blog é o compromisso possível! A sabedoria é sempre "incomprometível"! A miha admiração e o meu aplauso! Por favor, continua!
Segundos: a data de aniversário de Carlos Drummond de Andrade, o autor dos poemas tão conhecidos, tão conhecidos, que a gente sabe os versos e esquece até o nome do autor. São versos da família. Chegam sem cerimónia. Sem cartão de visita. É o caso deste poema que me habituei a ouvir no "pick up", nas 33 rotações do vinil, na voz de Villaret.
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, a 31 de outubro de 1902.
Terceiros: Trick or treat! Happy Hallowe'en!

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

O laço cor de rosa

Todas sabemos o significado deste laço. Este é o laço que todas as forças têm de dar para vencer o cancro da mama.
E o primeiro nó do laço é para atar o medo.
O primeiro caso que eu conheci na vida foi um caso de muita coragem e, como todos sabemos, a coragem é um tratamento altamente eficaz: foi um caso de cura.
Foi o caso de uma senhora, enfermeira de profissão e muito respeitada, em termos profissionais, bem como em termos pessoais e humanos. Eu tinha sete anos e ouvi as conversas entre o meu pai e a minha mãe, depois entre outras pessoas e o clima era de terror.
O tempo passou e a Dona Maria Gomes dos Santos continuou viva e a gozar da simpatia de todos, simpatia acrescida de uma imensa admiração, pelo exemplo e pela coragem.
"Menina de Odivelas", a hoje-cidade, então-vila dedicou-lhe uma rua: Rua Maria Gomes da Silva Santos.
O tempo de África acabou e foi em Odivelas que esta senhora viveu, não longe da Rua com o seu nome, o resto da sua vida que foi muito, muito longa.
Eu nunca esqueci aqueles dias em que a notícia corria, ameaçadora e terrível, entre os crescidos e nunca esqueci esta senhora que me ensinou, mesmo sem ela saber, o valor da coragem.
Hoje, é uma irmã de coração que me ensina essa coragem, desdobrando-se em acções de contágio, como se pode ler aqui.
E ainda há o tal "click" que pode ajudar!
E não nos esqueçamos destes dois exemplos, porque a força também se pega!

domingo, 29 de outubro de 2006

Ele há coisas!

John Glenn é um velho marinheiro do espaço. Fez-se aos céus, pela primeira vez, em Fevereiro de 1962. O feito valeu-lhe a honraria inevitável. Foi o primeiro americano a deixar o planeta para ir dar umas voltinhas pelo espaço. Até o Presidente Kennedy lhe rendeu a maior homenagem: a amizade. O que lhe valeu o desgosto de perder um amigo, algum tempo depois, e a difícil tarefa de comunicar aos filhos do Presidente que alguém tinha assassinado o pai. (É este o lado de lá da amizade e de todos os afectos!)
Trinta e cinco anos depois, à revelia de muitos pareceres e opiniões de sentido contrário, Glenn voltou ao espaço, numa missão de nove dias, que começou a 29 de Outubro de 1998. Foi o mais velho terráqueo a "pisar" o que está para lá de lá!

Imagem daqui
Glenn poderá contar aos netos muitas histórias sobre a lua e o céu, com a verdade de quem passou 218 horas da sua vida longe do planeta azul (Será ainda azul?), a olhar para ele como se fosse uma bola de brincar.
Eu apenas poderei dizer aos meus netos que a lua é um enfeite do céu! Que é bonita de ver, redondinha e luminosa. Que é linda, mesmo quando não é redondinha. E que o céu fica muito mais bonito com a lua do que sem ela. E que, seja lá o que ela for, vive no meio das estrelas que brilham com mais intensidade quando se ausenta para outras paragens, quando decide ir brilhar para outros lados.
É tudo o que eu sei sobre a Lua!

sábado, 28 de outubro de 2006

Pouca terra...

comboio modernobw
"A primeira viagem de comboio em Portugal, entre Lisboa e o Carregado, realizou-se a 28 de Outubro de 1856. Nesse tempo não havia estradas, nem sequer bons caminhos. Uma viagem de liteira, entre Lisboa e o Porto, demorava pelo menos cinco dias. Na mala-posta, seriam, no mínimo, trinta e quatro horas.
De então para cá, a evolução do caminho de ferro em Portugal, uma grande aventura humana, mudou e assinalou o desenvolvimento do País."

Vidas e Letras

Excerto de uma carta de Carlos Queiroz a Fernando Pessoa, ao poeta desaparecido que era seu irmão nas letras e quase irmão na vida: Ofélia, amada de Pessoa, era irmã de Carlos Queiroz.
"Boa noite, Fernando. Não preciso dizer-lhe que sinto, nem por que sinto saudades suas. Mas não lhe peço que volte. Que temos aqui, que possa interessá-lo ou, o que é mais triste, merecê-lo? Não temos nada, bem sabe, de que você não conheça já melhor do que nós, o vazio sem fundo, a mentira sem remédio, a trágica inutilidade..."
Carlos Queiroz morreu em Paris a 28 de Outubro de 1949. Impressiona-me a actualidade das palavras nesta carta marcada por uma saudade sem remédio.
Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, cobardemente oculta
Nas ideias mais simples,
Nos mais ingénuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
Não sejas como o Amor!

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Ontem não te vi...

Cada um tem a idade com que nasce!, disse Lobo Antunes, o António, e eu acreditei.
Lembrei-me então de ti, Belinha, como se de repente percebesse o enlevo com que embalas a tua boneca, apesar dos branco que polvilha os teus cabelos.
Um dos teus olhos não se afasta da boneca de trapos. O outro percorre as ausências de ti, os espaços em que deambulas, às vezes, ou em que te deténs, outras vezes.
Quando te sentas no sofá da entrada e te balanças no sonho de embalar alguém, ninguém te vê e tu não vês ninguém. Os teus olhos abertos e fixos em diferentes direcções não perscrutam os corpos dos vivos, muito menos as pessoas reais.
Outras vezes, aconchegas a marafona ao teu seio abundante, a rebentar de amor encaroçado, enquistado e acenas aos teus conhecidos que te desconhecem porque tu és a personificação de todos os receios da humanidade.
Eles querem saber quem são, vê tu! Grande presunção! Querem ter certezas da sua normalidade. Como se a normalidade fosse um condomínio fechado, trancado a setenta chaves, onde podem permanecer imunes aos males que os afligem, enquanto humanidade.
A verdadeira identidade da humanidade resume-se à posse de um corpo que cumpre as suas funções, de acordo com a sua condição (ou será catalogação?) de ser vivo. Como um peixe. Como um macaco. Como as ervas. E uma cabeça que se evade para longínquos paraísos desconhecidos. Aí a vida dança e percorre o tempo com o ritmo com que tu embalas a marafona.
E toda a bagagem que é precisa é um saquinho, o tal saquinho que tu pedes insistentemente.
E quando é dia de tu veres gente real, acenas e chamas e dizes: Estou aqui!
Belinha, tu nasceste e vais morrer com a sabedoria da infância. Nasceste menina e vais morrer menina, apesar dos cabelos brancos e de algumas rugas que riscam a tua pele gorda e rosada.
Ninguém te pode dar mais de três anos. Quatro, no máximo!
Aposto que a tua marafona nasceu mais envelhecida!
Aposto também que o teu príncipe encantado é o Pai Natal, ele próprio sobrevivente da infância!

(Obrigada, escritor, por me ter feito perceber o que se passa com a Belinha!!!)
Imagem daqui Ewan McClure

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Repetições... ou talvez não...

Começo a repetir-me neste espaço. As coisas celebráveis há um ano ou há dois, que tinham acontecido neste dia há vários anos, continuam as mesmas.
Há um ano atrás
recordei dois vultos que não submergem nas águas do esquecimento, no Rio Letes de que fala o nosso poeta maior, precisamente por se terem libertado da lei da morte, por obras "valerosas": José Malhoa, o pintor; Cardoso Pires, o escritor.
E para que também sejam lembrados, há quem se lembre de chamar as ruas ou outros lugares, pelos seus nomes.
Para mim, a Rua José Malhoa, será sempre a morada dos principais acontecimentos da minha vida. Vivi numa Rua José Malhoa durante dezanove anos: entre os vinte e os quarenta.
A primeira casa dos meus filhos foram as três assoalhadas da Rua José Malhoa. A minha primeira "escola": Externato Odivelas, Rua José Malhoa! Costumo referir-me a essa época da minha vida, sobretudo em termos profissionais, como os anos de ouro!
(Agora é mais ferrugem!)
Quanto ao outro José, há uma escola que o eterniza. Também numa zona saloia, eprto de Odivelas: Santo António dos Cavaleiros, que de saloio só tem lembrança distante, certamente.
Morreram estes Josés num 26 de Outubro: 1933, o pintor; 1998, o escritor!
"Sinto-me tomado de gratidão.", escreveu este último. "Isto de alguém se recomeçar depois de nulo é algo que deslumbra e ultrapassa."
Eu também me sinto tomada de gratidão por ter "vivido o que vivi" na tal Rua José Malhoa.
Estes versos, por exemplo...
versos
Onde andarás tu agora Ana Margarida?
Para a Laura:
Será que vale a pena ver
a dor acontecer?
Será que vale a pena nascer
para ver lágrimas a correr?
Será que vale a pena ver
Irão, Iraque, Etiópia acontecer?
Será que vale a pena dar
a volta ao mundo e voltar
com lembranças de crianças a chorar?
Será que vale a pena dar
Para nada se aproveitar?

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Esta Lisboa que eu amo!


Cerco de Lisboa por D. Afonso Henriques. Museu Nacional de Soares dos Reis, do Porto.
Segundo rezam as histórias da História, foi a 25 de Outubro de 1147 que D. Afonso Henriques entrou em Lisboa, expulsando os mouros que ainda estão nos nossos traços fisionómicos, tantos séculos depois.
s vicente de fora
Ligada a esta conquista está a construção deste mosteiro, "a mais importante peça da arquitectura portuguesa de fins do século XVI", de acordo com o IPPAR.
É só entrar em Lisboa, para descobrir um património valiosíssimo para visitar, ou revisitar, conhecer e aprender. Os turistas andam por "lá" e eles lá sabem porquê!
Penitencio-me por não prestar a devida atenção à cidade que me acolheu, há quase quarenta anos!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

A Magia vai começar!

Os carrosséis são sempre fascinantes. Os cavalinhos continuam a subir e a descer na nossa recordação. A música também sobe e desce sem parar. O destino é um futuro tão brilhante e colorido, cheio de luzes!
Também quero voltar a cavalgar estes cavalos de encantar!
cavalinho
Encontrei-me com o carrossel ao fim da tarde, debaixo de chuva intensa. Nem o mau tempo lhe perturba a magia!Depois, cheguei até este poema: Colored Child at Carnival!
Where is the Jim Crow section
On this merry-go-round,
Mister, cause I want to ride?
Down South where I come from
White and colored
Can't sit side by side.
Down South on the train
There's a Jim Crow car.
On the bus we're put in the back—
But there ain't no back
To a merry-go-round!
Where's the horse
For a kid that's black?
Langston Hughes
E há também um tal Freddy Cole a cantar esta magia!

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

E a Paz?

"On October 23, 1921, in the French town of Chalons-sur-Marne, an American officer selects the body of the first "Unknown Soldier" to be honored among the approximately 77,000 United States servicemen killed on the Western Front during World War I." This Day in HistoryA Paz continua também desconhecida!

O amarelo da Carris

amarelinho
O amarelo da Carris
vai da Alfama à Mouraria,
quem diria.
Vai da Baixa ao Bairro Alto,
trepa à Graça em sobressalto,
sem saber geografia.

O amarelo da Carris
já teve um avô outrora,
que era o "Chora"
Teve um pai americano,
foi inglês por muito ano,
só é português agora.

Entram magalas, costureiras;
descem senhoras petulantes.
Entre a verdade, os peliscos e as peneiras,
fica tudo como dantes.

Quero um de quinze p'ra a Pampuia.
Já é mais caro este transporte.
E qualquer dia,
mudo a agulha porque a vida
está pela hora da morte.

O amarelo da Carris
tem misérias à socapa
que ele tapa.
Tinha bancos de palhinha,
hoje tem cabelos brancos,
e os bancos são de napa.
No amarelo da Carris
já não há "pode seguir"
para se ouvir.
Hoje o pó que o faz andar
é o pó (???)
com que ele se foi cobrir.

Quando um rapaz empurra um velho,
ou se machuca uma criança,
então a gente vê ao espelho o atropelo
e a ganância que nos cansa.
E quando a malta fica à espera,
é que percebe como é:
passa à pendura
um pendura que não paga
e não quer andar a pé.

Entram magalas, costureiras;
descem senhoras petulantes.
Entre a verdade,
os peliscos e as peneiras,
fica tudo como dantes.
Quero um de quinze p'ra a Pampuia.
Já é mais caro este transporte.
E qualquer dia,
mudo a agulha porque a vida
está pela hora da morte.
O Amarelo da Carris é sem dúvida um transporte que merece estes versos de Ary.
O Amarelo da Carris passeia-se, nos seus humildes carris, pela Lisboa de outros fados e destinos, por outros projectos de uma cidade, porventura bem mais "ela", sempre a aconchegar-se ao rio...
Esta Lisboa, porventura bem mais bela!

Fotografia: Largo da Graça, princípio da tarde. Efeitos especiais importados.

sábado, 21 de outubro de 2006

Os dias cinzentos...

brilhos assim
... também têm brilhos assim!

É segredo!

A palavra segredo tem magia! Os miúdos adoram segredos! Todos adoramos segredos, porque o segredo nos faz sentir especial, digno da confiança de alguém. Além disso, o segredo é para ser sussurado e o sussuro promove um ambiente de calma e de tranquilidade, de intimidade feliz.
Todos os dias guardo na minha "caixinha" um segredo novo. Faço colecção de segredos: os meus segredos.
Hoje tenho um, novinho em folha. Em folhas. São mais ou menos sessenta folhas. É um "Segredo Maior", por isso não cabe na minha caixinha e tenho de o deixar aqui. Nem seria bonito deixar um segredo assim tão lindo, trancado!
É muito bonito de ler, de ver e até de ouvir.
Mas o maior segredo é mesmo "sentir":

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amigo é quem vem
para o bom e o pior
e que nos faz sentir melhor
e que nos faz sentir melhor.

Obrigada, querida Sofia!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Poesia moçambicana

Dos Meninos da Malanga

Rôsinha
eu estar chatiado
não ir trabalhar.
Rôsinha
agente aôje vai amar.
- Ouvi quirido
você sabe qui Chiquito
comeu manga verde
tem dor no barriga
agente aôje não vai amar.
Rôsinha
eli não vai chorar!
Eu vai comprar rimédio pra Chiquito
tu vai ver
eli ficar bom
eli ádi bricar.
Tira capulana Rôsinha
agente aôje vai amar!Raúl Alves Calane da Silva, nasceu em Maputo, a 20 de Outubro de 1945.

???

?

Os Porquês?

Hoje penso que a idade dos porquês pode prolongar-se para além da infância.
Quando somos pequenos, procuramos junto dos mais crescidos respostas para as nossas dúvidas. As respostas são, na sua maioria, respostas inventadas à pressa, para aliviar angústias. Aspirinas existenciais.
Depois crescemos e percebemos que os porquês permanecem.
Hoje resgatei um desses livros de enfeitar que alguém ofereceu aos meus filhos que promete mil respostas para quinhentas perguntas.
Desfolhei, com a ternura da recordação de uma segunda infância para mim, que foi a deles. Enterneci-me com a inocência daqueles porquês:
Porque se diz "perder a língua"? (página 85)
Porque existe leite em pó? (página 138)
Porque se mete gasolina no depósito do automóvel? (página 157)
Por outro lado, outros porquês, ou melhor, outras perguntas ficaram-me assim como que a meio caminho do entendimento.
Porque choramos quando estamos tristes?(página 84)Pelo menos esta pergunta "vai" com nome desta "aldeia"!

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Hope can set you free

Vi, revi e revi os Condenados de Shawshank e eu própria me espanto com as minhas emoções, sempre as mesmas e sempre intensas, como se ali estivessem pela primeira vez, sempre que vejo o filme.
Espanto-me pois! O filme não tem mulheres, para além da assassinada e da Rita Hayworth no poster, na cela de Andy; o filme revela-nos a canalhice humana, no seu pior; tudo gira à roda da condenação de um inocente...
Mas também é verdade que amizade entre dois homens tão diferentes como Red e Andy valem o filme. A amizade pode bem crescer e desenvolver-se num ambiente tão hostil como esta prisão, onde a maioria dos que lá estão, guardas e prisioneiros, perderam para sempre o rasto da liberdade ou a noçao do valor da dignidade. Não da liberdade física, mas da liberdade "cá dentro", a única que pode alimentar e sustentar a sanidade do homem mais preso e mais injustiçado do mundo.
E para terminar, para acabar de vez com as imagens sórdidas que nos assaltam e assustam o pensamento, há um lugar no planeta onde as emoções pacificam e as sensações se aconchegam nas imensidões de luz, cor, brilhos... Muito mar!Muito céu!
ilusão
Zihuatanejo é longe, mas nós temos também lugares que, por instantes, removem as nuvens.
Os condenados de Shawshank foi o filme oferta do Expresso, no sábado passado.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

1976

capa
a ti pr
ati prof
2006
professores nao querem trabalhar iventao esta greve sabendo que nao leva a nada forca ministra a maioria esta concigo comentários da notícia do Público
Há dias em que parece que chegou ao fim a nossa capacidade de nos dedicarmos a alguém, assim mesmo, só por isso, só por gostar de gostar...
Imagens: capa do livro da autoria de Nelson Mendes.Páginas cinco e seis.

Princesa Rita

“All I wanted was just what everybody else wants, you know, to be loved.” Rita HayworthNinguém conhece o destino!
Estará escrito nas estrelas?
Será um conto de fadas, com casamento real, príncipes de verdade?
Será uma fita de cinema feita pelos melhores especialistas na matéria?
Será um sonho?
Ou apenas sentir a verdade do desejo de ser amado ou amada, como a mais vulgar das criaturas?
Rita Hayworth, aliás, Margarita Carmen Cansino nasceu a 17 de Outubro de 1918, em Brooklyn, Nova Iorque.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

domingo, 15 de outubro de 2006

Pois...

não
Dentro de pouco mais de um ano, com novas eleições à vista, veremos se até o efémero e a superficialidade são ou não sacrificados à demagogia. Como já aconteceu antes. Tantas vezes! António Barreto, no Público de hoje.
A crise também só existe na solidão dos velhos que vivem em prédios degradados de onde não conseguem sair anos a fio. Ou na vida das largas centenas de milhares de pessoas que vivem em Portugal abaixo do limiar da pobreza e, em particular, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Eduardo Dâmaso, no DN de hoje.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

novas grafias

marart
oia pexoal!!!k xato n ter azul + perto!kuaxe k xoro k pena.fikem fixes, tá?tnhu de baxar pró pé do mar!!!!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Obrigada!

Cá estou eu, outra vez, a agradecer os parabéns à minha mãe. Eu já lhe disse que a tinha posto na internet, para ter muitos parabéns. Parabéns que vai acrescentar, com reconhecimento feliz, aos ramos de flores que lhe transbordaram o quarto, aos telefonemas que chegaram, aos que não chegaram, que também têm de contar, ora essa!, e às visitas que a acarinharam mais ao vivo e a cores.
(De ambos os meus pais recebo a grande lição do valor da vida.Tenho mesmo de a aprender.)
Obrigada a todos!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Parabéns!

mamã UCM
Hoje é outra vez dia de festa na aldeia!
É a minha mãe que faz anos e escolhi esta fotografia para a homenagear porque testemunha a beleza e o porte que manteve ao longo dos muitos anos de vida movimentada, sempre preocupada com o baton, o rouge, o verniz, os sapatos a condizer com a carteira, não desprezando o mínimo detalhe.
Mantém, felizmente, essa preocupação e é, certamente. a "Miss" mais bonita do Algarve, apesar das dores e das dificuldades dos oitentas (82) que enfrenta com serenidade e coragem.
Parabéns, mamã!

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Efeito Xis Ao Quadrado

Quando os meus filhos eram pequenos, a vida, o mundo, tudo era muito colorido. Tudo parecia simples e contentá-los era muito fácil. Bastava brincar com eles, dar-lhes uns lápis de cor e um papel, contar-lhes uma história ou cantar-lhes uma cantiga.
Os meus filhos cresceram e as cores desta ilusória capacidade de lhes resolver os problemas diluiu-se numa mancha de dificuldades que não sou capaz de ignorar, nem sou capaz de dissolver.
As cantigas que eu preferia (Não sei se eram as que eles preferiam...) eram as do Zé Barata Moura.
Era a Joana Come a Papa, para a refeição. Era o João Pestana, para os adormecer.
Eram as notas, para cantar por cantar: Com sete notas só, inventamos as cantigas, para a mãe e para a avó, para os amigos e amigas... Era a Prenda do Padrinho, para cantar as cores: Com a prenda do padrinho, seis lápis agora, eu tenho, verde, amarelo, azul-marinho, encarnado, preto e castanho...Crescer não é fácil: nem para os que crescem, nem para os que são responsáveis pela sua existência que foi planeada para ser muito feliz. Muito feliz, mesmo!
A infância dos nossos filhos é a segunda oportunidade de sermos felizes.
Como a cantiga do Manel que tinha uma bola mas fugiu e nunca mais ninguém a viu.
A bola aparece de vinte em vinte anos, mais década menos dia.
É como os cometas!

domingo, 8 de outubro de 2006

Efeito Xis

"Acontece algo de semelhante com os objectos que guardo em minha casa. Há pouco utilizei a palavra janela; poderia dizer portal. São objectos de que me sirvo para chamar não espíritos, mas lugares, e também momentos; certos instantes em que fui absolutamente feliz.
A grande arte da vida é saber convocar esses instantes, esses lugares, nos lugares e nos instantes em que nos falha a fé ou a esperança, e o desânimo, que é a ferrugem da alma, nos aproxima violentamente da velhice."
Faíza Hayat, na Xis.
Eu convoco, para todo o sempre, o quintal da minha avó.
O quintal da minha avó tinha abacates, goiabas, papaias, bananas, laranjas, tangerinas, romãs, limões de casca grossa e amarela a pedir sal, mangas, couves, alfaces, galinhas, patos, coelhos, dois tanques, cordas para estender a roupa e "coradouros", muito espaço e um baloiço. Havia fé e havia esperança. Se houvesse maçãs, eu acreditaria ter sido esta a primeira morada de Adão e Eva.
casa da avó
Os paraísos são muito efémeros. Nunca chegam a durar uma vida. Mas os efeitos resistem, como se pode ler hoje na Xis!

sábado, 7 de outubro de 2006

Os homens bons

"Eu só espero que as pessoas compreendam, um dia, que a paz é o único caminho a seguir.", disse Desmond Tutu, o Bispo sul-africano que cresceu guiado por valores de tolerância num país onde a intolerância vitimou os homens pela cor da pele.
Em 1984, o Prémio Nobel distinguiu perante o mundo a sua "luta" feita de Paz, pela Paz e em direcção à Paz.
Nesta cerimónia foi citado um menino libanês a quem tinha sido perguntado se acreditava na vingança, o que para si significava tansformar um homem mau num homem bom. Era esta a "vingança" em que o menino acreditava. E vale a pena acreditar!
Desmond Tutu nasceu na África do Sul em 1931, a 7 de Outubro.
(Imagem do livro de Mandela, companheiro de ideal!)

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Professores

Fico espantada com o que leio na blogosfera sobre os professores!
Como se consegue "perceber" apenas aquilo que a TV quis e quer transmitir?
Este governo leva na cabeça e bem a toda a hora. Contudo, de repente, parece que se faz uma excepçãozita de benefício da dúvida à Ministra porque ataca os privilégios dos professores. Diz o ME que são privilégios!
Eu nunca disse que não tinha privilégios. Se achasse que isto era uma maçada e uma infelicidade teria escolhido outra profissão. Mas eu sempre gostei de ser professora! E quando amigos me atiravam à cara os benefícios da minha profissão eu só lhes perguntava por que é que não tinham escolhido esta profissão, em vez de serem médicos, engenheiros ou outra coisa qualquer.
Claro que me sinto mal quando me tiram os privilégios. Não sou masoquista nem tonta. Mas não morro. Ou pelo menos não morri no ano que passou.
Mas a blogosfera também me espanta no bom sentido: Pacheco Pereira escreve um artigo de opinião exactamente sobre a maneira como a televisão tratou a informação e fez a cobertura dos acontecimentos. Isto é: como eu também entendi, tentando que a atenção recaísse sobre o que não interessava, fazendo parecer que não se passava nada de importante para as pessoas, que isto é apenas um sintoma de corporativismo e nada mais.
Onde há multidões há comportamentos que não têm necessariamente a ver com o comportamento da pessoa "por sua conta e risco"!
Quanto aos verdadeiros problemas dos professores, só não se informa quem não quer. Há muita coisa escrita por aí e há sempre professores com quem se pode falar e tirar dúvidas.
A Ministra é efectivamente a responsável pela educação. Por quem é que queriam que os professores na manifestação gritassem: pelo Lietson? As palavras de ordem são um fenómeno normal de manifestação. A não ser que se tratasse de uma manifestação silenciosa!
O meu problema não é nenhum, a nível pessoal. Não tenho qualquer tipo de problemas na escola e sinto-me profundamente respeitada. Tenho amigos na escola. Conhecemo-nos. Lido bem com a criançada e até me divirto com eles, o que faz lembrar o Sebastião da Gama que dizia que "ainda nos pagam para sermos felizes!" Sou feliz na escola, sim senhores. Mas não suporto a ideia de saber que os efeitos perversos da desconfiança do nosso profissionalismo se fazem sentir. E essa desconfiança é lançada por quem sabe fazê-lo e por quem tem meios, como a TV ou as TVs.
Ninguém fala nos contratados que são profissionalizados, ao contrário do que muitas vezes é dito e que têm, alguns, vários anos de ensino. Esperam pelas cíclicas e não sabem se amanhã são colocados ou apenas sobem mais uns lugares na lista dos não colocados.
Nesse barco está o meu filho e os amigos dos meus filhos, com idades entre os vinte e oito e trinta e poucos. Eu conheço os que trabalham comigo, no meu grupo: são responsáveis e ainda põem muito amor no que fazem. E os miúdos gostam deles!
Chego à conclusão que todos temos aquela costela de maldadezinha que nos levava a dizer: “Bem-feita! Bem-feita!”, quando a desgraça não dá para surtir o efeito aristotélico da tragédia porque, como não somos professores, isso nunca nos vai acontecer a nós. E há sempre na nossa memória um professor que nos estragou a infância, como recorda o poeta padroeiro deste blog no seu "mundo dos outros".
E vai daí e aproveitamos este odiozito à classe e sentimo-nos vingados do que nos fizeram. E nem dá culpa, nem nada!

Urgências

Ontem, resolvi eu própria, numa reinvenção modesta do sketch de Olívia Patroa versus Olívia Costureira, apresentar a mim própria um caderno de reivindicações.
Assim, a "Madalena Patroa" sugeriu-me, a mim "Madalena Cozinheira", uma folga, a gozar imediatamente, na refeição do almoço. A "Madalena Patroa" pediu então à "Madalena Governanta" que indicasse um sítio para o almoço da família. Considerando o adiantado da hora e a necessidade de reunir o elemento da família que emigrou para o quarteirão "Janelas do Parque", a "Madalena Governanta" propôs que se deslocassem ao "Refeitório" mais próximo, na zona do Pau Queimado, mais conhecido por Fórum.
Assim que se aproximaram das imediações do "Refeitório", aperceberam-se que o que se passara nas instalações da "Casa Santos" se deve ter passado em muitas outras casas, pois a multidão e os automóveis a tal levavam a crer.
Mas o mais surpreendente era o tráfego de carrinhos de bebé, em trânsito na zona das "Cantinas", nas vias de acesso e estacionados junto às mesas, com os ocupantes já entregues à delícia do sono, indiferentes ao bulício do "contexto". Cheirava a Johnson, Ausónia , sopa e batatas fritas.

Perante isto, a "Madalena Patroa" comentou com o representante da entidade patronal da "Casa Santos" que, em vez de fechar a Urgência do Hospital do Montijo, o Senhor Ministro devia abrir uma Urgência Pediátrica.

imagem daqui
E, já agora, também convinha apressar a construção da Escola do Segundo Ciclo, prometida há mais de dez anos. Mais barracões? Só em cima dos que já existem!

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

"Sei que não vou por aí!" José Régio

Dia do Professor! Celebra-se hoje? Devia celebrar-se todos os dias, a par do dia do aluno, da criança ou da mulher. E do homem! Porque não?
Porque todos os dias se é homem, criança, mulher, aluno ou professor. Estas são condições (Há outras, eu sei!) que não cabem num dia do calendário. Claro que se trata de um lembrete para o mundo, mas acontece transformar-se numa concentração de atenção nos aspectos mais tristes da condição de professor, como o desemprego e outras ameaças à felicidade pessoal e social de cada um de nós.
É mais um dia para se vilipendiar o professor pela falta ocasional que neste dia o metamorfoseia em "trabalhador ocioso". Curiosamente, as outras classes sociais não têm trabalhadores ociosos. Sobretudo, nestes dias!
Claro que falo do alto de um tempo de quase trinta e um anos, limpos de muitas falsidades, de mentiras impigidas com etiquetas de verdade. Refiro-me a faltas, claro! E é justo que diga que "tropeço" em professores com sentido de dever, portanto esta atitude não pode ser entendida como rara. De modo nenhum!
Quanto a mim, tenho o meu brio profissional, acima de tudo. No entanto, deve ser verdade que não sou sempre exemplar (??), porque sou gente e carreguei comigo para a escola muitas vezes tristezas várias que não consegui deixar em casa. Não me consigo limpar assim, tão automaticamente, ao toque da campainha, das minhas frustrações e outras limitações inerentes ao simples facto de ser um ser pensante, como os outros que dividem comigo estes tempos. Mas, ao invés de tudo o que se possa pensar, as crianças entendem, porque o nosso entendimento com eles também passa pela emoção. A relação não se traduz apenas em contas e em balanços de aprendizagens. Também passa pelo conhecimento que vamos aprendendo das pessoas na sua complexidade de "gente".
Por isso, não reduzam o professor a uma máquina de ensinagem e não lhe impinjam teorias novas todos os dias, não lhes digam que eles só são bons se forem iguais aos finlandeses.
O modelo de professor vem de muito longe. Vem dos antigos. Foi com eles que eu "me" construí. É tarde agora para me destruir e reconstruir sobre ruínas de mim, com arquitecturas apressadamente ajeitadas aos interesses de uma modernidade cada vez mais doentiamente marcada pelos números da economia. Sei que não vou por aí!, como diz o longo poema magoado de José Régio, ele próprio professor de liceu.
Os gregos davam aulas na rua, sem salas e sem ferramentas para além da sua própria vontade e voz. Os alunos devem trazer de casa a vontade de aprender. E todos devem trazer consigo a vontade de vencer a ignorância que de acordo com Sócrates, o original, é, de facto, o único mal da humanidade.
Pois a mim parece-me que a ignorância está a ser habilmente utilizada na construção dos robôs do futuro mundo admirável!!!!
Hoje e sempre são dias de toda a gente. Celebra-se a vida e o sol, lá fora, que o diga!
azulíssimo

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

(...)

hospital do molucué
Antes de inventarem leis e códigos e urgências tipo A, tipo B e tipo C, já havia sofrimento, alívio, dor, curativo, doença, tratamento... Havia até pessoas! A vida e o sofrimento não são apenas uma questão de números!
Na imagem: o hospital do Alto Molocué. (1951)

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Porta-bagagens

mop
Afinal, a bagagem também contém incertezas. Onde está o meu laçarote?
Desta vez, sei, pelo menos, a marca do carro: Volkswagen.
Como o meu pai se sentia rico por ter um carro, em segunda, terceira ou décima mão!
Levava-nos à Costa do Sol, aos domingos. Nunca nos deixou ficar mal nas voltas dos tristes.
Eu ia normalmente atrás, de nariz colado ao vidro oval e ínfimo. E o cuidado com que o meu pai conduzia o carro tinha muito a ver com o orgulho de ter um carro reluzente e sem riscos, à imagem do dono.
Eram outros tempos!
Vou pôr a bagagem na bagageira, que é, como o nome indica, o lugar adequado. No caso do MOP 01-44 tem de se levantar a chapa da frente: o capô.
Como vêem, é vastíssimo o meu conhecimento do automóvel!

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

(...)

sôdade
Todos os dias começo uma nova viagem.
Certezas? Só tenho as que trago do passado.
Mas são uma boa bagagem!

domingo, 1 de outubro de 2006

My favourite things

Não tendo sido o filme da minha vida, foi, sem dúvida alguma, um filme que marcou a minha adolescência, ou melhor, a minha entrada na adolescência: Música no Coração.
A certa altura, toda a gente falava de Julie Andrews, não só por causa deste filme, nem só por causa de outro filme, Mary Poppins, mas a propósito de um terceiro filme My Fair Lady, cuja interpretação na tela foi negada a Julie, por razões de beleza. Para mim, de facto, My Fair Lady é Audrey e Maria é Julie.
Há tempos vi uma fotografia de Maria Von Trapp e, na memória da minha imaginação, essa é falsa. Verdadeira é mesmo Julie Andrews, com vestidos feitos de cortinas, a pedalar montanha abaixo e montanha acima; de camisa de dormir, enfiada na cama com as sete criancinhas a ensinar-lhes um truque para combater o medo: pensar nas coisas de que se gosta.
Eu também aprendi a lição. Para a vida!
Julia Elizabeth Wells, aliás Julie Andrews, nasceu em Inglaterra, a 1 de Outubro de 1935.