quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Pessoas

pessoascartas
Eram assim as cartas que o Nininho escrevia à sua Ophelinha, ao seu Bebézinho, para quem mandava "jinhos" e "x", como se tratasse de um adolescente do século vinte e um, a mandar mensagens de um telemóvel.
pessoas
Este Pessoa é mesmo um Desassossego!
Tão moderno este Pessoa! Tão piegas e tão meigo! Tão verdadeiro no ridículo da linguagem amorosa!
"Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu."
Tão profundo!
Fernando Pessoa, a pessoa que nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1888, morreu em Lisboa, a 30 de Novembro de 1935.
O que aconteceu entre estas duas datas apenas às Pessoas que o habitaram diz respeito. Era esta a sua vontade. Explicitou-a. Interessava-lhe a vida, a poesia e a sua Ophélia.
Da vida breve sobrou-lhe, provavelmente, a eternidade.

O céu pode esperar?

A gripe já lá vai!
Aspirinas, panasorbes, comentários, mimos e vida normal. Receita infalível. Obrigada!
(Quem nunca está doente, pensa que morre com uma simples gripe!)

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Para variar

sun set
Foi você que pediu um pôr-do-sol a arder de sugestões de calor, mas em frio?
Sem água?
Sim, para variar!
Isto é no que dá uma gripe sem febre mas com delírios!

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Post alugado

HAVERÁ CHUVA OU SOL?
O Clima e as suas alterações têm estado na ordem do dia. Aqui d’El-Rei que o Homem, esse ser ignóbil existente à face da Terra, é o principal responsável por tudo o que de mau nos acontece nesta área tão delicada, imprevisível e...incontrolável.
Ele é o aquecimento global do planeta, o fenómeno intitulado El Niño, as chuvas diluvianas que por aí grassam, os incêndios generalizados, o buraco do Ozono, o desaparecimento das calotes polares, os furacões. Se a tudo isto juntarmos a poluição, o consumo dos combustíveis fósseis, as guerras e as experiências nucleares, enfim, quase não temos tempo para respirar!
Mas, então porquê este meu escrito?
Porque me parece que as coisas não são bem assim. O Homem é de facto um dos responsáveis por alguma da degradação do planeta Terra mas, talvez até nem seja o principal. Todas estas alterações climáticas se têm processado ao longo de milhões de anos. Os diversos degelos que a Terra sofreu aconteceram muito antes da existência do Homem, alguns até relacionados com sobreaquecimentos bruscos como os devidos a quedas de corpos celestes, cometas e meteoritos gigantes, que a isso têm conduzido. Esta primeira imagem de uma cratera de impacto de um desses meteoritos é ainda hoje visível nos Estados Unidos e não é a maior!
cratera
FOTO 1 - CRATERA
Este assunto das alterações climáticas não é novo e tem sido tratado na literatura ao longo dos anos e, como exemplo, aqui deixo duas obras literárias das áreas da Banda Desenhada que há longo tempo se preocupa com o fenómeno.
São as duas de há longos anos, uma de 1948 e outra de 1958, altura em que poucos automóveis havia, viajar de avião era quase um luxo e pouco se falava de Ambiente mas, em 1954 a Europa foi assolada por uma vaga de frio e de chuvas diluvianas e assim poderão ter nascido estas duas histórias bem intrigantes.
Alarme no Planeta
FOTO 2 – ALARME NO PLANETA
A primeira, intitulada ALARME NO PLANETA, da autoria de Christian Mathelot e que foi publicada em Portugal no saudoso Cavaleiro Andante, começando no seu Nº8.
SOS meteores
FOTO 3 – S.O.S. MÉTÉORES
A segunda, intitulada S.O.S. MÉTÉORES, da autoria do célebre Edgar-Pierre Jacobs e com os nossos bem conhecidos protagonistas Blake e Mortimer.
Mas ao mesmo tempo que são intrigantes, deixam-nos uma sensação de esperança que me parece um pouco arredia dos escritos actuais. Afinal talvez existam outras forças bem mais poderosas e o que teremos de fazer é conseguir adaptarmo-nos em cada momento para que assim não vivamos sempre angustiados com medo do amanhã.
Espaço cedido ao Jorge: autor da ideia, do texto e da selecção de imagens.

Efeito "I'll be there"

MFM fala da amizade, na sua crónica semanal que a Pública publica ao domingo.
Começa por falar das netas e percebe-se que se trata de um afecto de primeira linha.
Fala de amigos em geral e de maridos em particular, embora não escreva uma só vez a palavra marido. Fala de "um ser humano cuja única função era fazer-me sofrer" e refere-se a candidatos. A partir daí, desenrola uma série de linhas sobre amizades, idades, gostos... Em suma, cumplicidades!
A cumplicidade é, para mim, a chave de sucesso de qualquer relação, seja ela de amizade, seja ela de mais do que isso, ou seja, com o ser humano que nos faz sofrer, para usar a terminologia da MFM!!!
Parece-me que é de cumplicidade que falamos quando falamos das "raparigas e dos rapazes da nossa idade", pois o problema da idade é algo que vem ao de cima, como a verdade e o azeite. É difícil assumirmos a realidade de um tempo que não é, ou não foi o nosso, seja ele passado ou futuro. Por isso, os amigos com quem fazemos planos de viajar, passar fins-de-semana ou fins de ano são quase sempre da nossa idade. Com eles dividimos de facto a angústia e o prazer dos nossos tempos. Reivindicamos, com muita sinceridade os erros, do nosso tempo. Com sinceridade e com facilidade, se os tempos coincidirem, de facto.
A Amizade define-se ainda por um sentimento imenso e intenso de solidariedade que MFM ilustra com uma fala de um filme: I'll be there.
Admito que a solidariedade já não conhece estas fronteiras da idade e do tempo.
Para completar os pilares da amizade eu juntaria o reconhecimento, a que não quero chamar gratidão, mas que é isso mesmo!
(o filme em questão é Vertigo de Hitchcock e as personagens pertenceram ao mítico Jimmy Stewart e a uma das beldades de então, Kim Novak!)

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O post(e) virado pró mar....

Para além de um Plano Nacional de Leitura, precisa-se urgentemente de um Plano Nacional de Cultura, penso eu "de que" ...
post sobre o mar
Mais um post(e) para a colecção. Mais um remendo na minha ausência de chorar um poeta que eu sei que é, mas de quem desconheço a quase totalidade dos versos. E dos quadros, que o poeta e o pintor coexistem no mesmo corpo que envelheceu e morreu, ontem, de madrugada!
Mas chegam até mim agora muitos versos de Cesariny. Vou preparar-me para aprender o homem do meu tempo.

PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os
olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)

(Parece-me andar por aqui um dos heterónimos de Pessoa! Ou talvez dois, bem misturados e amassados num mesmo querer entender a realidade, mesmo a mais comezinha!)
aprender o mar
Preciso é de entremear o mar com Cesariny ou outro poeta qualquer.Também quero ler o mar! Quero aprender com o mar como é que se reencontra esta calma solene e azul, depois de ter sido ferozmente fustigado por ventos irracionais?!
Fotos: Algarve, domingo de manhã.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Eles não sabem que o sonho...

Mas Gedeão sabia! Ou seria Rómulo de Carvalho quem sabia!
Como é que se mistura a poesia com a Física ou com a Química? Será explosiva esta mistura?
Há lá elemento mais sensível do que a palavra poética? Será a palavra brilhante como o ouro? Ou dúctil, como também o ouro, o cobre e o alumínio?
(Não, o alumínio não pode ser! Digo eu, mas logo de seguida ocorre-me à memória o sagrado alumínio dos tachos em que a minha avó cozinhava o delicioso arroz de grelos.)
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

sal
A palavra poética tem com certeza cloreto de sódio, como a lágrima de preta!
Cem anos de Gedeão é pouco tempo para aprender o mundo, o universo, a humanidade!

Sabor

rio sabor
Esta é a foz do Rio Sabor.
Eu não sei nada de Geografia. Mas estava lá escrito e eu tenho de acreditar!
Costumava justificar, aos meus professores de Liceu, a minha pouca apetência para o estudo da Geografia, com o facto de nunca ter visto montes mais altos do que os Libombos, nem outro rio para além do Marracuene, cheio de hipopótamos, que pareciam conviver pacificamente com os olhares humanos que ali se deslocavam para isso mesmo: para os contemplarem, na tranquilidade e no conforto da sua "casa" natural!
As outras lições de Geografia chegaram até mim tarde demais. Estas também foram lições vivas de outras Ciências, claro!
Mas fica aqui a lição, porque afinal sou eu que ando sempre a apregoar que nunca é tarde para aprender!
Em 1995, a 24 de Novembro, o governo português anunciou a criação de um plano arqueológico no rio Côa e uma barragem alternativa no rio Sabor.(Fonte)

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Recado à Maria das Dores

Maria, andámos então pelos mesmos caminhos, pisámos o mesmo chão, (não o mesmo palco porque eu não sei cantar!)respirámos o mesmo ar e não sabemos uma da outra senão por aqui, pela net. Ainda dizem mal deste "lugar"!
Fiquei a pensar no que escreveste e fui ao meu baú buscar uma "prova real", entre outras, da minha infância: o meu livrinho de autógrafos. E resolvi publicar esta fatiazinha de Velhos Colonos que mora ainda no meu coração, porque tenho uma secreta esperança que a possas fazer chegar às manas Muge!
(Ou alguém que saiba onde elas estão e como fazer chegar até elas estes registos da vida que foi nossa, no mesmo tempo e no mesmo lugar!)
Porém, algo me faz recear que elas não gostem da ideia e hesito...
Espero que me deixes a tua opinião.
E deixa também o teu email, sim?
Ficam apenas os desenhos, com que me presentearam e a data:1961!Se achares que devo, apago este post!!!

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Bagagens!

Aos livros de Português devo quase tudo o que sei. Nenhum manual escolar ensina tanto de tanta coisa como o Livro de Português!
Não só por estarem normalmente representados muitos autores, mas também por serem tratados muitos assuntos, muitos temas e muitos tempos, também.
Foi nos manuais que eu encontrei um dos mais belos textos de Fernando Namora. Chamava-se "A Vacina" e contava um episódio que envolvia meninos ciganos. Meninos ciganos e pais desses meninos que estavam habituados a que os seus filhos fossem tratados com indiferença, ou pior ainda, com discriminação. A simples palavra menino usada pela "visitadora" (que presumo ser a senhora que dava a "pica" e controlava todo o processo de vacinação na aldeia) levou a que os pais do António, assim se chamava o menino, aceitassem que o filho fosse vacinado e, por arrastamento, todos os outros meninos da comunidade cigana.

Nunca esqueci este texto, pela lição que encerra. Uma palavra pode, de facto, fazer a diferença!
Neste mesmo dia, 22 de Novembro, em 1983,Fernando Namora recebeu o prémio D. Dinis, instituído pela Casa Mateus.

Os Dias da Rádio

Os Dias da Rádio foram todos os que vivi em Moçambique. Apetece começar assim: no princípio era a Rádio...
A Rádio é que nos informava. A Rádio é que nos distraía. A Rádio é que nos divertia.
Na imensa sala de jantar da casa da minha avó, onde havia uma mesa que dava para mais de dez pessoas, dois louceiros e um aparador, havia também um móvel para o aparelho de telefonia. E ali nos reuníamos para ouvir as cantigas ou o folhetim.
O meu fraco entendimento das coisas, que se agravou com o desenvolvimento dessas mesmas coisas, levava-me a imaginar pessoas do lado de lá. Se o Elvis cantava, para mim, era o Elvis, ele mesmo, que ia para dentro da caixinha mágica. Começou a não caber tanta gente no pouco espaço, mas isso não me causou qualquer angústia existencial. Deixei de pensar no assunto e comecei a escrever cartas à Tia Zita.
Ficava depois de ouvido colado, à espera que a Tia Zita acusasse a recepção da minha carta, do meu poema, fosse lá o que fosse. Até que um dia, a Tia Zita organizou um encontro para todos os sobrinhos e lá fomos todos ao Rádio Clube de Moçambique conhecer a pessoa que falava do lado de lá. E falava para nós!
rádio
Mais tarde, a Rádio que me fazia companhia, durante a noite, era a Rádio Ronga que dava muito Percy Sledge e Ottis Redding.
Estas eram as Noites da Rádio e o aparelho era já um invejável modelo tecnologicamente muito avançado, da marca "Telefunken". Ainda existe mas a sua função é mesmo de lembrete de boas memórias...
O Rádio Clube Português faz hoje 75 anos. Parabéns!
Estes são os primeiros sete segundos da vida desta estação!

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Era uma vez...

livro infantil
Era uma vez uma fada, uma princesa, um anão, um gigante, um rei, um sapo...
Venham todos que todos podem fazer parte da história. Mesmo aqueles que são "diferentes", como o Dumbo e as suas enormes orelhas. Os que não têm mãe, como o Bambi ou mesmo os que já têm cabelos brancos e reumatismo como o Gepetto. Pode vir também o Rodrigo do conto de Torga que acreditou que o Monte da Forca podia esconder tesouros e disse, com convicção, as palavras mágicas. Tudo pode acontecer na floresta branca por onde vagueou o herói deste espaço, João Sem Medo!
Podíamos "inventar" também a "Semana do Livro Infantil".
Vou fazer de conta que sim e vou deixar um conto do século dezanove, com sapos, porque eu gosto de sapos, pronto!
O PRÍNCIPE SAPO
Era uma vez um rei que não tinha filhos e tinha muita paixão por isso, e a mulher disse que Deus lhe desse um filho mesmo que fosse um sapo. Houve de ter um filhinho como um sapo; depois botaram as folhas a ver se havia quem o queria criar, mas ninguém se animava a vir. O rei, vendo que o sapito do filho não havia quem o queria criar, anunciou que, se houvesse alguma mulher que o quisesse criar, lho dava em casamento e lhe dava o reino. Nisto aí apareceu uma rapariga e disse: Se Vossa Real Majestade me dá o filho, eu animo-me a vi-lo criar. O rei disse que sim e a rapariga veio criar o sapito. Depois passou algum tempo e ele foi crescendo e ela lavava-o e esmerava-o como se ele fosse uma criança. Foi indo e ele tinha uns olhos muito bonitos e falava, e a rapariga dizia: Os olhos dele e a fala não são de sapo.Já estava grande, passaram-se anos e ela, uma noite, teve um sonho em que lhe diziam ao ouvido que o sapo era gente, mas pela grande heresia que a mãe disse que estava formado em sapo, que se o rei lho desse para ela casar com ele que casasse e quando fosse na primeira noite que se fosse deitar, que ele tinha sete peles e ela levasse sete saias e quando ele dissesse: Tira uma saia, lhe dissesse ela: Tira uma pele. Assim foi e casou o sapo com a rapariga e na noite do casamento ele pediu-lhe que tirasse ela as saias e ela foi-lhe pedindo que tirasse as peles e depois de ele as tirar ficou um homem. Ao outro dia ele tornou a vestir as peles e ficou outra vez sapo. E ela disse-lhe: Tu para que vestes as peles? Assim és tão bonito e vais ficar sapo. Assim me é preciso, cala-te. Ela, assim que se pôs a pé, foi contar tudo à rainha, e o rei mais a rainha disseram-lhe: Quando hoje te deitares, diz-lhe o mesmo e depois de ele tirar as peles e estar a dormir, deixa a porta do quarto aberta que nós queremos ir vê-lo. Foram-no ver e viram que ele era homem. Ao outro dia o príncipe tornou a vestir as peles e vai o pai disse-lhe: Tu, porque vestes as peles e queres ser feio? Eu quero ser sapo, porque o meu pai tem mão interior e, se eu fico bonito, impõem a minha mulher. O rei disse-lhe: Eu não a impunha, mas queria que tu ficasses bonito. Depois, como viram que ele não queria deixar de ser sapo, pediram a ela que, assim que ele adormecesse, lhes trouxesse as peles para eles as queimarem. Ela assim fez e eles botaram as peles ao fogo aceso. De manhã vai ele para vestir as peles e não as acha. Que é das peles? Vieram aqui o teu pai e a tua mãe e levaram-nas. Mal hajas tu se lhas destes, mais quem te deu o conselho. Adeus. Se alguma vez me tornares a ver, dá-me um beijo na boca.
A mulherzinha ficou mas o rei e a mulher, assim que viram que o filho faltou, puseram-na fora da porta. Ela, coitada, não tinha com que se tratar; o que era do rei lá ficou e ela estava muito pobrezinha. A todas as pessoas que via perguntava se tinham visto um homem assim e assim e lá lhe dava as notícias do príncipe. Vieram por onde ela estava uns cegos e ela fez-lhes a pergunta. Os moços dos cegos disseram-lhe: Nós vimos no rio Jordão um homem e certamente era ele; estava botando fatias de pão para trás das costas e dizendo: Pela alma de meu pai, pela alma de minha mãe, pela alma de minha mulher. Ela disse-lhes: Vocês quando tornam para essa banda? Nós para o fim do outro mês voltamos para lá; havemos de passar por esse rio. A mulherzinha aprontou-se e foi com eles. Chegou lá e era o príncipe. Ela chegou ao pé dele e deu-lhe o beijo na boca como ele tinha dito e disse-lhe: Ora vamos embora, que se acabou o nosso fado. E foram para casa e foram muito felizes e tiveram muitos filhos. De Adolfo Coelho
sapitos
Imagem gentilmente "cedida" por artistas mesmo.
Esta imagem "artisticamente" aperfeiçoada por mim, à máquina, é dedicada à Chuiguita.
Ela trata os batráquios todos por tu, logo deve conhecer este Príncipe!

sábado, 18 de novembro de 2006

Este é um post verdadeiro!

É que se algum dia eu vier a morrer, que seja assim, sem sofrimento e num dia cheio de sol!
Aparecia normalmente ao fim do dia, quando os miúdos estavam mais irrequietos. Irrequietos é um eufemismo! Impossíveis de aturar, como são os miúdos quando se contam agradavelmente à meia dúzia e têm já, em cima das moleirinhas, o sol de um dia inteirinho de praia, brincadeiras e mimo dos avós.
Eram eles que corriam ainda mais do que o costume, pela porta da cozinha, para avisar a visita. Logo atrás dos miúdos, chegava então o ilustre representante da geração dos bisavôs, carregando, mais ou menos discretamente, uns quantos álbuns de fotografias e uma vontade infinita de contar as viagens que as fotografias documentavam.
Os olhos azuis brilhavam tanto quanto brilhava o céu de Agosto na Costa da Caparica! Um ar de criança brilhava-lhe também nas narrativas monologadas e exaustivas, na voz algo insegura de se fazer ouvir.
A rotina do fim do dia e os preparativos do dia seguinte roubavam aos adultos a atenção que a boa educação exige que seja dada às visitas. Mas isso não retirava nem uma vírgula ao entusiasmo que trazia. E levava, “na volta”, porque lhe estava na pele. À hora da despedida, os adultos exibiam um sorriso franco e sincero, por terem, verdade, verdadinha!, gostado da visita. E por ter chegado ao fim aquela missão específica de ouvir, ouvir, ouvir. Havia afectos e passados em comum o que tornava a paciência mais verdadeira.
Às vezes, a mulher vinha com ele e trazia o crochet para compor a audiência e gozar, por ela também, o gosto da visita e do convívio. Havia uma cumplicidade com aquele entusiasmo quase louco, contudo era uma cumplicidade entremeada de lucidez serena. O crochet ajudava a entreter as horas em que ia ouvir uma vez mais as aventuras da viagem. Ela o que queria era falar da vida, das filhas, da esperança que todas as mães têm de ver os filhos felizes, com uma vida muito organizada, que possa confirmar e atestar a boa educação dada pelos pais... Nem sempre isso é assim. Quase nunca isso é assim. Pelo menos de modo tão linear, tão simples. Mas as mães agarram a esperança e transportam-na com os cuidados todos, para que não se quebre. Não transferem nunca esse capital de esperança para outras contas e nem saldam as dívidas! Eles, os pais homens, por vezes, conseguem e selam as dúvidas. É mais lógico e mais normal, em termos de sobrevivência mental.
Quanto a sonhos, ele era o rei dos sonhos, mas o sonho rei, depois de ter sabido que as suas ascendências ilustres davam direito ao uso de um brasão, foi ter um filho varão que lhe perpetuasse aquela honra. Não era honra que se desperdiçasse! E, embora a idade fosse já avançada nos relógios biológicos dele próprio e da mulher, lá tentaram a sorte e engravidaram. Viveram nove meses de expectativa e de ilusão. Afinal, era outra menina. Mas nestas coisas, felizmente o instinto é mais forte do que as ilusões. E pai é pai. E mãe é mãe. A menina que era para ser rapaz nasceu e cresceu saudável. Trouxe os brasões nos genes: os olhos tremendamente azuis.
No que toca a sonhos e entusiasmos, a vida foi de facto generosa, até ao último dia.
Isto é, quando chegou a hora marcada, foram encontrá-lo entretido com os comboios eléctricos. Tinha mesmo contratado, à socapa, um electricista para consertar uma das locomotivas!
Ia bonita a vida, lá isso ia, mas já era tarde e tinha de ser. Tinha de ir!
Era domingo e o sol, em jeito de tréguas, brilhou para o acompanhar.
Foi assim, num domingo cheio de sol, que se despediu do mundo o último representante daquela geração. Todos terão pensado o mesmo que eu? É que se algum dia eu vier a morrer, que seja assim, sem sofrimento e num dia cheio de sol!

O post(e) possível!

poste2

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Dezassete de Novembro

De 1717. Começou a ser construído o Convento de Mafra.
Será Mafra ainda o destino saloio dos Lisboetas, ao domingo à tarde?
Até lá chegarmos há moinhos na paisagem e as trouxas na Malveira. Bem perto, a Olaria do Zé Franco! E o velho oleiro? Ainda ali está, moldando as suas figuras?
Na última vez que lá fui, num desses passeios saloios, tive a sorte de assistir a uma pequena celebração do seu aniversário, que foi feita assim, ali mesmo, com os convidados que apareciam, mesmo sem saberem da feliz data, como eu! Eram 82 anos e era dia de S.José. Bem honrou o padroeiro do seu nome com as suas imagens! Trabalhava ali, à frente de todos. E nesse dia também o fez. Interrompeu, porém, a sua arte, para oferecer um copo de vinho e perguntar, com simpatia, a opinião dos visitantes sobre o aquele lugar.
Em Mafra, terra propriamente dita, todos os caminhos vão dar aos sinos do famoso carrilhão do Convento. Ouvem-se num raio de quinze quilómetros. Os duzentos e vinte metros de comprimento tornam este monumento uma verdadeira omnipresença naqueles lugares, que recendem uma respeitável tranquilidade histórica.
Dentro do Convento apagam-se todas as sensações que se traziam do caminho saloio.
Uma solenidade imensa convida à reflexão.Imagem do IPPAR

A Turma da Luísa!


Percebem agora como se guardam memórias muito, muito bem guardadas?

Luísa!!!!!

Tu és esta Luísa, tenho a certeza!
A memória não se apaga nunca e eu não me esqueço desse 7ºano Unificado que "encontrei" num dia de Novembro, há vinte e oito anos, numa sala que parecia uma carruagem de um comboio, num prédio da José Malhoa, onde funcionava o Externato Odivelas. Eu tinha vinte e seis anos e toda a vontade de ser a melhor professora de mundo! Ontem, o teu comentário fez-me sentir que vale a pena tentar!
Obrigada, querida Luísa!
(Vais ter de me dar notícias dos outros: Zá, Carla, Pombos, Caetano, o autor desta caricatura...)

(...)

amanhecer2
Há dias que nascem assim e acordam com indecisões muito humanas.
Será que o astro rei vai vencer as nuvens e impedi-las de transformar este dia em mais um dia de outono triste e cinzento?
Tudo pode acontecer!
Como em todas as manhãs!
Nada está perdido, depois da contemplação do dia a rasgar as sombras da noite!

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Alteração de programação

Hoje aqui não "dá" nada de jeito!
Mas deixo uma sugestão.A Teresa é a minha consciência. A acção dela, quer queiramos quer não, dá resultados. No dia 16, lá estaremos, às dez horas para hastear a bandeira!
(Olha que eu apago sempre as luzes e faço tudo direitinho, para poupar energia. Os teus mini-cartazes são bonitos e eficazes. Obrigada, em nome dos netos que havemos de ter!!!)

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Efeito MFM

"Durante anos, fui uma consumidora ávida de televisão." Maria Filomena Mónica começa assim a crónica na Pública de ontem.
Ter-lhe-ia dito: Eu também!, se se tratasse de uma conversa "mais bilateral". Presumo que a MFM tenha imaginado esta concordância multiplicada por milhões.
A televisão foi, sem dúvida, para quase todos nós, um fascínio irresistível e hoje, sobretudo os maiores de cinquenta, lamentamos a televisão que temos. O espectador televisivo é praticamente de um só tipo: amante de telenovelas e voyeur de tragédias.
Claro que há um ou dois programas que se salvam da baixeza a que desce a maioria. Mas são muito poucos.
Porém, em tempos que já lá vão, por razões diferentes, a televisão tinha um papel bem mais importante nas nossas vidas: fazia companhia, preenchia vazios, sugeria uma ordem na rotina. Até entretinha os meninos!
Não estava em Portugal no tempo do Zip-Zip. De tudo o que tenho ouvido sobre a nossa televisão, parece-me terem sido essas as melhores emissões de sempre. Até o poeta Almada Negreiros esteve no Zip-Zip!
(Tenho pena que a RTP nunca tenha feito uma reposição integral desses programas, nem haja gravações à venda.)
Entendo também que o genial é absolutamente ocasional e dificilmente se repetirá uma conjugação semelhante de ideias e ideais, sonhos, vontades, capazes de gerar criatividade quase em estado puro.
(O grande progresso tecnológico matou muita imaginação. Não há limites para os efeitos especiais. Ou pelo menos parece não haver!)
A mim, "o que me prendeu ao sofá", foi a Visita da Cornélia.
Misturando e baralhando concorrentes e membros do júri, saem destas memórias a preto e branco, intocáveis e elegantes, personagens inesquecíveis: Sttau Monteiro, José Fanha, Beatriz Costa, Assis Pacheco, Paulo Renato... Para além da própria Cornélia, com as pestanas alongadamente retesadas de rimmel, como ditava a moda "Mary Quant" da época.Também eu,MFM, vi televisão avidamente!
Imagem do site da RTP.

domingo, 12 de novembro de 2006

Dia de Diwali

O Diwali (também transcrito do Deepavali ou Deepawali) é uma festa religiosa hindú conhecida também como o festival das luzes. Durante o Diwali, celebrado uma vez ao ano, as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e estouram rojões e fogos de artifício. Esse festival celebra o assassinato do malvado Narakasura, o que converte o Diwali num evento religioso que simboliza a destruição das forças do mal.
india
Algumas fontes referem que as forças do mal já foram destruídas, há três dias. Outros, há mais! Mas o que interessa é que haja quem queira celebrar o bem!
Fotografia: Índia, praia de Forte de Aguada, Goa.
Autoria cá de casa, que não eu que não me atrevo a tão distantes paragens.
Obrigada Jorge, tu sabias, há nove anos, que eu ia ter um blog e que ia gostar de ilustrar as palavras, as ideias, as histórias... Tu sabias?

Não!

não
Pode ler-se aqui uma opinião fundamentada!
Ninguém me perguntou o que é que eu achava, mas já que tenho alguns e-leitores, aproveito para veicular o conhecimento, ou a razão, que está ao meu/nosso alcance.

sábado, 11 de novembro de 2006

Sobre hoje

At 11 o’clock in the morning of the 11th day of the 11th month of 1918, the First World War - known at the time as the Great War - comes to an end.
É o destaque da História deste dia, em "This Day In History".
Foi há quase um século. Foi certamente um momento em que a humanidade reflectiu sobre o valor da paz e, com mais ou menos vontade política, optou pelo fim da guerra.
Mas os homens que fazem a guerra ou a paz morrem e com eles morre também, parece-me a mim, que não sei nada destes assuntos, que morre também, dizia, o conhecimento do bem. Parece que a humanidade se desafia ciclicamente, quase permanentemente, experimentando o mal, para depois desejar o bem e fazer qualquer coisa por isso. Muitas vezes pouco. Muito pouco mesmo.
É aí que entra o papel da literatura: ela reflecte para além do tempo e imprime ao sujeito que lê, uma experiência do mal e do bem, da guerra e da paz, do amor e do ódio, de modo a que o conhecimento ainda que virtual possa produzir o efeito do bem. É uma espécie de vacina.
Este efeito que acabo de descrever sentiu-o com um conto de Torga: O Regresso.
É a história de um rapaz que parte para a guerra, "contra a vontade pacífica e humana de todos" e regressa à sua aldeia, apenas por breves instantes. Foram mesmo muito breves esses instantes, mas o Ivo, assim se chamava o rapaz, compreendeu que "morrera há muito para toda a aldeia" e, para bem de todos, o melhor era mesmo não se dar a conhecer. Ele era apenas um farrapo humano, coberto de "cicatrizes" e "remorsos", que a guerra tentava devolver à aldeia!
Penso que a guerra em que o Ivo combateu foi esta, conhecida então pela "Grande Guerra", mais tarde pela "Primeira Guerra"."Casta, orvalhada da mesma frescura que humedecia a fruta nos seus pomares, Leiró acordava de uma noite de sono e de sonho. O primeiro fio de fumo subia já da lareira do João Rã, o madrugador da povoação. Erguia-se branco, preguiçoso, tímido da aragem fria da manhã."
Começa assim o conto.
Fotografia: Trás-os-Montes, Março de 2006.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

(...)

professora
Sempre que procuro uma coisa, encontro outra que estava ou perdida, ou esquecida.
É o caso de um dos meus livrinhos de autógrafos.
A capa plástica esconde-lhe o tempo e só abrindo pode calcular-se a riqueza que guarda: os meus pais, os meus amigos de infância, ídolos (quem os não tem?) e até a minha professora da primeira e da segunda classe. A Dona Fernanda!
Nunca me esquecerei a sua imensa bondade. Era paciente, calma e dedicada.
Nunca lhe devo ter agradecido a confiança que me ensinou, para além das letras e das contas. Não tinha essa consciência na altura e depois... o tempo passou.
Tardiamente, mas com o coração a transbordar de ternura, deixo aqui a minha gratidão!

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

O verdadeiro!

Este é que é o verdadeiro "post", de acordo com a definição de um aluno que integra uma turma do projecto CRIE.
Claro que todos nos rimos e ele percebeu que tinha ali piada para mangas.
Para "link" também arranjou uma piada, mas desta vez eu não entendi: um actor dos morangos.
Fiquem pois atentos que vai nascer, em breve, um blog novo, feito na escola, na sala de aula!
Pois... faltam mesmo é os computadores. É que o fim de Outubro já lá vai!

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Louvre

louvre
Segundo consta o Louvre abriu as suas portas pela primeira vez, a 8 de Novembro de 1793. Enquanto Museu, claro!
É o Museu que todos conhecem e que todos querem visitar.
São sempre tantos que, todas as vezes que fui a Paris, fiquei pelo desejo e pela intenção. A última vez (não é que vi Paris, que esse é outro filme!) que fui a Paris, fiquei aqui, a olhar para a pirâmide!!!
Hoje, posso chegar até lá de outra maneira.
Eis-me no Louvre!

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Camus, o Estrangeiro

Foi Camus o grande "vencedor" das preferências literárias dos franceses, num inquérito realizado pela Fnac e pelo Le Monde, há sete anos. "O Estrangeiro" é a obra mais lida entre cinquenta outras obras. Vence até o Petit Prince, o que a mim me parece absurdo!
Camus, o mais novo Nobel da Literatura depois de Kypling, é considerado por alguém que percebe muito de letras, ele próprio a personificação do absurdo.
Sósia de Humphrey Bogart até a sua morte foi absurda.
Apesar de sofrer de tuberculose, mal da época, “Camus foi assassinado aos 47 anos por um plátano na berma da Nacional 6, entre Villeblevin e Villeneuve-la-Guymard, com a cumplicidade de Michel Galiimard e de um descapotável Facel Vega.” Os amantes dos automóveis talvez reconheçam o modelo, eu não.
(Mas haveria maneira mais elegante de descrever um acidente e as suas causas?)Este pequeno romance de cento e vinte e três páginas conta a história de Mersault, um homem estranho, indiferente a tudo.
As frases são curtas, como foi curta a vida do escritor que nasceu a 7 de Novembro de 1913.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Sophia, a Poesia

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919.
De Sophia, conhece-se a fé em Deus! De Sophia, conhece-se a coragem e a verdade.
De Sophia, conhece-se o seu amor ao mar, a ponto de dizer que depois de morrer voltaria para buscar os instantes não vividos junto ao mar...
Foi Sophia que falou pela "voz" de Hans, quando ele diz que "o mar é o caminho para a minha casa".
Hans fez-se ao mar contra a vontade do pai. O pai nunca lhe perdoou. Nem a ele, nem ao mar. O pai de Hans pensava, como Sophia, quem sabe?, que "a integridade humana, nem mesmo a mais perfeita, nada podia contra o destino. Do dever cumprido, da liberdade assumida, não esperava sucesso nem prosperidade, nem mesmo paz."
É este o retrato de Sophia, enquanto poesia!
mar de sophia

domingo, 5 de novembro de 2006

Depois da tempestade...

... vem o mar!
marpesca
Para "lavrar" como diz o título do último livro de Daniel Sampaio!
mar enrola
Ou para se enrolar na areia, e desmaiar, "porque se sente feliz"!
(Fotografias da Praia da Galé, esta manhã!)
Ao ver o pescador lembrei-me do nome de um jogador de bola: Domingos Paciência!

sábado, 4 de novembro de 2006

O Jogo (das ondas)

Que jogo é este
o de saber nos pés
só a espuma
de imensas madrugadas.

Que jogo é este
o de chorar os destroços
de um navio
que chegou a navegar
ou as asas de uma gaivota
apodrecida
que voou

Sem me chorar

Que jogo é este
o de esperar
um rebentar da onda
sem me estender
sem me estender pelos teus túneis.
A onda, poema de 1973
Manuel Rui, poeta angolano, faz hoje 65 anos. Não conhecia. Chegou até mim esta onda e eu gostei.
Vou continuar a procurar outras ondas ou outros jogos!~
Parabéns ao poeta.
Logo hoje que eu vou ver as ondas, mais perto e mais azuis!
onda

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

O Chico está aí...

Está aí cantando e, sobretudo, embalando muita saudade de coração romântico que nem o meu!!!!!
A Azulinha está lá e eu estou amarela de pena de não estar também. Mas verdade é que só me lembro de ficar amarela de pena, em cima da hora de não ter ido. E além disso, passa depressa, porque daqui a pouco já estou com a cabeça à roda dos alimentos... Não é a roda dos alimentos que vem nos livros das ciências. É pior! É a alimentação dos leões cá da jaula.
(E o pior é que nunca nada está tão bom como da última vez.)
Já me esqueci do Chico Buarque. Lá fica a minha saudade mal alimentada!
E verdade, verdade é que, como disse à Azulinha, o Chico embalou-me muitas ilusões e embrulhou muitas desilusões.
"Você que inventou a tristeza, ora faça o favor de a desinventar..."
Acho que o Chico Buarque sabe mesmo desinventar a tristeza!!!

(...)

Somewhere over the rainbow... é inesquecível e encerra uma lição de fantasia que nunca devemos esquecer! Para mim, todo o apelo ao sonho é irresistível!
(Descendo - Ou talvez subindo, quem sabe?- às nossas letras, temos os nossos poetas a reclamar "que o sonho comanda a vida" ou "pelo sonho é que vamos"!)
A voz que primeiro deu voz a este arco-irís foi a de Judy Garland. Mais tarde, em 1956, a 3 de Novembro, O Feiticeiro de Oz e toda a sua magia foi, pela primeira vez para o ar, em televisão. Então, a porta voz do sonho trouxe a filha de dez anos, Liza Minelli, para apresentar o programa, o seu programa na TV: "Ford Star Jubilee"
E passaram já cinquenta anos!!!!!

Imagem daqui

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Jorge de Sena (Lisboa, 2 de Novembro de 1919)

Que Portugal se espera em Portugal
Que gente há-de erguer-se desta gente?
Pagam-se impérios com o bem e com o mal
mas com que há-de pagar-se a quem só rouba a mente?

Estes são versos, quatro apenas, de um poema longo que Jorge de Sena enviou a Sophia de Mello Breyner, numa das cartas que transborda do sentimento de injustiçado de amor pátrio, que foi Sena. A poetisa respondeu-lhe, na volta do correio.
"Gostei muito do teu poema cheio de fúria dantesca."
Nesta carta, Sophia pede ao exilado poeta a sua colaboração para o Natal dos presos políticos, o que se concretizaria no envio de poemas autografados e escritos à mão.
A poesia não conhece o longe e reconhece-se pelas razões. E para estes dois poetas a razão era a liberdade!
sena
A Liberdade havia de reconhecê-lo e condecorá-lo. Muito tarde! Dois dias antes da sua morte.
Esperemos que a Língua Portuguesa o faça eternamente!
Imagem: Sena, na capa do livro das cartas.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Outro Um de Novembro

Este é o primeiro "Um de Novembro" do Diário de Torga.
Vila Nova, 1 de Novembro de 1935- Depois de dias como o de hoje tenho a sensação de vazio absoluto. Os amigos tem que fazer, os doentes têm que morrer, os livros parecem múmias e a noite nem sequer traz sono. Louvados sejam o barulho e as facadas da Central.
Nada de novo, neste dia de Torga. Dificilmente se podia esperar outras coisas que não fossem sensações como esta de vazio absoluto. Ainda por cima num dia como este em que até uma vulgar mortal como eu se sente assim!
VN amendoas
Se fosse Março e viesse à janela, concluiria que as amendoeiras têm que florir, indiferentes ao tal vazio que preenche o poeta.

Um Um de Novembro

Vasculho nos diários Torga um "um de Novembro" que me sirva este dia tão assim-assim de tudo. Isto é que deve ser mesmo a meia-idade. Mas é meia só na terminologia, porque a lonjura da esperança é a medida certa desta idade.
Mas "isso agora não interessa nada", como dizem todos, porque as modas linguísticas são bem mais pegajosas do que todas as outras.
Vasculho e encontro, efectivamente um "um de Novembro" que me serve:
Foz Coa, 1 de Novembro de 1960- O homem tem a largueza dos horizontes que lhe cabem nos olhos. Nos verdadeiros e nos da imaginação.
É este apelo à imaginação que me toca!
foz coa
Imagem: Foz Coa