terça-feira, 31 de julho de 2007

The End (Part One and Part Two)

"No art passes our conscience in the way film does, and goes directly to our feelings, deep down into the dark rooms of our souls." Ingmar Bergman
"I am neither a sociologist nor a politician. All I can do is imagine for myself what the future will be like." Michelangelo Antonioni

Efeito Verão

"Tudo começa meses antes com a chamada preparação. Não há revista, noticiário radiofónico ou televisivo, jornal ou pasquim que não ordene às mulheres que se ponham capazes para o Verão. As proteínas, calorias e medidas de cintura ocupam agora o espaço que antigamente se dedicava ao pecado. E, como acontecia com o pecado, não falta sequer quem nos alerte para o perigo das más companhias - "A obesidade também pode ser contagiosa... através dos amigos e da família", informava, solícito, o PÚBLICO na passada semana. Não deve faltar muito para que se comece a ouvir nas casas portuguesas: "Não saias com essa, que é muito gorda. E isso pega-se!"
O problema é que o pecado, antigamente, trazia brinde: a ideia de uma mistura gulosa de culpa e prazer. Aqui, Meu Deus!, só há culpa e inferno.
gordito

(...)

É no que dá a ideia de se ter tempo, muito tempo...
Resultado: faz-se pouco, muito pouco.
Ou mesmo nada!
Foi o meu terceiro dia de férias!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

42

Seis da tarde. 42 graus. Só há uma solução: o mar.
O mar gelado de Sesimbra, por exemplo! Sesimbra é lindíssima. Mas, lá diz o ditado: para grandes calores, grandes gelos!!!
sesimbra2

sábado, 28 de julho de 2007

Mar Lindo - Salão de Chá

Fui hoje ver o mar, no seu esplendor atlântico, intenso e forte e imensamente belo. Azul. Muito azul a desfazer-se em branco contra as rochas.Fui visitar a memória que eu tinha da Praia de Santa Cruz, com menos cimento do que as praias do sul e com velhos traços de "belle époque" que aparentava Biarritz. Foi difícil descobrir esses vestígios. Mas permanecem. Requintadamente retocados, eles estão lá.Não foi o meu terceiro dia de férias, porque o sábado não conta!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Segundo dia de férias...

Não fiz nada, nada que valha a pena ser mencionado.
Gastei o dia e, pior do que isso, gastei a vida.
Nos outros dias também gasto a vida, mas não se nota tanto. Hoje, gastei-a, desperdicei-a.
Quis sentir o mar, mas os meus sentidos hoje não funcionaram.
Penso que em parte este desfuncionamento se deveu a uma insónia e a insónia se deveu a uma série que dá, a altas horas, no primeiro canal: a Anatomia de Grey. Prefiro o Doctor House. Tanto uma série como a outra são, penso eu, teses do tratamento das emoções das pessoas que lidam com os limites da vida. Entre a brutalidade de House e a fina sensibilidade de Izzy quantos comportamentos possíveis há, no palco da tragédia, quando a vida e a morte se digladiam impiedosamente, inesteticamente?Vou passar a ver o Jay Leno. Não tem piada nenhuma, mas, pelo menos, não me tira o sono.
Agora sentei-me aqui a gastar o resto das horas deste dia.
Ao lado do computador, está há vários dias, uma revista antiga resgatada do lixo das arrumações de Verão. Pelo preço, deve ser uma antiguidade. Cinco escudos. Façam a conversão para Euros e espantem-se.
Folheio.
Letras. Letras de cantigas. Letras de cantigas são poemas.
Algumas fazem mais sentido agora. Agora que já não há escudos. Já não nada a este preço. Há Euros e a vida está pela hora da morte. Caríssima, dizem! Caríssima, digo. Já não há revistas a menos de dois Euros e meio, quanto mais a dois cêntimos e qualquer coisa.
"We'll grow oold, we'll take care of each other."
Espero bem que sim.
Mas o pior ainda está para vir: anúncios.
Cinquenta pessoas, homens, mulheres, rapazes, raparigas, pedem correspondentes.
Querem trocar ideias sobre uns assuntos. Alguns exigem fotografia na primeira carta. Malandrice!!!! Aqui há marosca com certeza. O que ele quer é uma namorada e não tem jeito ou maneira de arranjar.
(Estou-me a sentir António Barreto a fazer o retrato social.)
Uns querem trocar amizades. Trocar? O que é que dão em troca?
Marosca também!!!!
O Vitoriano, que morava na Moita, nem diz ao que vem. Só diz quem é, onde mora, a idade e ponto final. Adivinha-se: quer namorar... Há marosca. Ah, pois há!
E finalmente um anúncio de uma coisa que se vende: um gira-discos, em bom estado, por três mil e quinhentos escudos.
Ainda tenho alguns minutos deste segundo dia de férias.Estou quase a mergulhar no terceiro dia!

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Primeiro dia de férias

"Ao longe, insinuando-se entre duas montanhas, à esquerda da bola de fogo que puxava o dia para o fundo da terra, havia uma mancha tremeluzente. Era o Lago Niassa."
Leitura de Niassa, de Francisco Camacho.
Recomendo. Recomendo. Recomendo.

Imagem (gentilmente) retirada daqui

Mais um "Tem Dias"

Da série Tem Dias de tudo!
Hoje, no Brasil, comemora-se o Dia dos Avós!
Gostei tanto dos meus avós que estou ansiosa por ser uma avozinha também, mesmo que isso implique uma mantinha aos quadrados, em cima dos joelhos, um carrapito, uns óculos na ponta do nariz (Já tenho!), um ar bondoso e feliz e uma paciência do tamanho de um arranha-céus.
(Esta é uma versão de avozinha do Capuchinho Vermelho!Mas sem lobos!)
Ou será que serei (será que serei? Ena, tanto futuro!) uma avozinha de jeans, cintura descaidíssima, muitas lantejoulas e pulseiras a dar-a-dar?
Não sei. Não me vejo aí. Mas já fiz o anúncio solene que vou ser avó.
Daqui a cinco anos, talvez.
Até lá, vou sonhando e é bem bom porque o sonho é perfeito. No meu sonho, os meus netos são perfeitos. São como os bonecos que eu tinha quando era pequena: não choram, não gritam, não ficam doentes, não precisam de aprender a ler, nem a escrever.
Para além disso são lindos, lindos, lindos. Mais lindos do que os Princípes das Astúrias.
Os netos reais crescem, pensam, aprendem a escrever e a ler e até dizem coisas fantásticas como diz esta Angela, neta, de catorze anos, provavelmente americana.
My grandmother can say more in a sentence than a college professor can say in an hour and a half.
Para todas as avós que eu conheço, a minha admiração!

Junte-se este documento que regulamenta a condição de avó:
Definição de Avó - Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo.
"Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem "Despacha-te!". Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam histórias, nunca faltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de correrem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver televisão".
(Recebido por e-mail!)

terça-feira, 24 de julho de 2007

A minha cidade

No mais fundo de mim, eu sei que te traí, minha cidade!
É no verso de Eugénio de Andrade que vou encontrar a explicação deste remorso que me dói.
O meu pensamento apaixonou-se pela ideia de uma metrópole cheia de chique e de classe, onde, pensava eu, nascia a cultura, a filosofia, o conhecimento...
Enfim tudo aquilo que eu achava que preencheria a minha ignorância e me tornaria, finalmente, uma pessoa feliz.
Durante um ano esmaguei a saudade.
Ao fim de dois anos, voltei, num 24 de Julho também, e a minha cidade estranhou-me e eu estranhei-a a ela.
Já não éramos as mesmas: nem ela, nem eu!
Passaram trinta e cinco anos. As magias do mundo moderno trouxeram-me de volta a minha cidade.
E o desejo de um dia tornar a encontrar-me com a minha cidade.
E esse dia há-de chegar, para um reencontro feliz com o passado. Será um tempo de sarar feridas, de me reconciliar com as origens, de reconhecer a minha cidade. De lhe tocar com os sentidos todos. Levo comigo os trinta e cinco anos de mim.

A avenida que celebra a data.
Fotografia daqui.E, para acabar como comecei, parasitando a inspiração do poeta:
"Eu vou com as acácias!"

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O medo maior

Fui educada, como quase todas as pessoas do mundo, do mundo que eu conheço, para procurar legitimamente o bem-estar e a felicidade. Os meus pais, como quase todos os pais, mais pelo exemplo do que pelas palavras, transmitiram-me valores que me aproximam da maioria das pessoas que considero amigas, outras com quem simplesmente convivo, valores que tentei transmitir aos meus filhos, o que também me parece normal, comum.
Não sou e não me considero melhor ou pior do que ninguém. Não sou nem pretendo ser ou parecer mais sensível do que todos os outros e mais uma vez constatei isso, agora, quando a notícia do jornal passou do papel para as palavras das pessoas com quem convivo, ou melhor, vivo, diariamente, na escola, e que conheciam a Joana. Não é possível alguém permanecer indiferente ao conhecimento e à proximidade de uma tragédia tão sem-nome. Senti o choque da incompreensão. Esses tais valores foram violentamente derrotados, quando tomei conhecimento "directo" com a notícia, uma notícia igual a muitas que aparecem no jornal, mas não passam daí, do papel, do ecrã, não beliscam a nossa vida de pessoas comuns com casa, emprego, colegas e amigos, família.
Esta, sim!
A Joana não é uma personagem. A Joana é uma menina da nossa escola, com retrato no livro de ponto, como os outros alunos da escola e todos os papéis inerentes à nova matrícula no próximo ano lectivo. As pautas com os resultados escolares ainda estão expostas nas janelas do "Polivalente". A Joana é uma aluna brilhante.
Pela escola, fala-se muito da Joana, mas cala-se muito toda esta tragédia que até nos envergonha como seres humanos, pois, pelo que dizem os vizinhos e pessoas que conheciam a família nada podia fazer prever um acto tão cruel da parte de um pai que procurava dar às filhas o que é normal os pais quererem dar às filhas: conforto, segurança, educação.
Estas linhas têm já dois dias de amadurecimento. Gostava de ser capaz de lembrar esta menina sem produzir nova onda de choque, mas acho que isso é impossível. Nem sei se estas são as palavras certas para uma homenagem à Joana. Será sempre da minha parte uma homenagem mínima, pois a Joana não era minha aluna. Os seus professores, esses acompanharam-na e traziam bem marcados nos olhos os traços da violência dos funerais.
Para os que não conheceream a Joana a dor desta incompreensão vai-se dissolvendo. Mas neste momento pergunto-me: o que é que nos separa, a nós que nos julgamos normais, dos outros?
O que é que nos pode tornar, de um momento para o outro, capazes de perpetrar a violência máxima?
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Olá, Amigo!

Eu sei que tu és o pai, isto é, sei quem és, o pai do blogger e sei quem é o blogger. Não sou nenhum Poirot, nem nenhuma Miss Marple, mas ainda vou tirando umas coisas pelas outras...
As pistas foram: os temas, o Sporting, o 23, o nome e o also known as Zé. Finalmente o poema. Acho que já o li, aí, em vossa casa. Acho que na altura o poema que li me soube a Zeca Afonso e este, ou o que está publicado no Terminal, soaram-me a Sérgio Godinho.
Além disso, há o Ferrari e a própria imagem do terminal não me é de todo desconhecida. Seixalinho, claro! Ou não?
A imagem do arqueólogo, que vem da Faculdade de Letras e se mete pelos terrenos das Ciências, é que eu não consegui decifrar, ou melhor, ver bem, ver nitidamente, ver "claramente visto" como diz o poeta maior!
Agora a sério: fiquei feliz, com esta nova companhia.
E claro que há muita qualidade no que já lá está: qualidade literária e divulgação rigorosa. É uma boa pedagogia!
E como eu gosto muito, muito do poema, vou deixá-lo aqui.
É uma bela porta de entrada para o Terminal 23!
NADA A DIZER
A não ser...
Dos gordos de boca aberta,
Da vizinha chica esperta
E o cão que só ladra ao serão,
(já agora dos outros que cagam o chão),
Da insónia de chuva
No dia de Verão,
Do azar da bicha
(E essa outra de televisão),
Do vinho a garrafão
que não se sabe vir da uva,
Do adepto da frente, refilão,
Da obrigatória ficha
Para doente do coração,
Do polícia que contesta
O carro em segunda-mão;
Da inspecção,
Dos fartos capachinhos,
Dos que usam terceira pessoa,
Para falar com os filhinhos,
Dos doutores antes do nome,
Da cigana que apregoa,
Dos tios das marcas de feira,
Da casa ao pé da lixeira,
Da funcionária do lar
Que bate no velho a comer,
Do sotaque do padre beirão
(mas principalmente do sermão),
Dos “tunning’s” a acelerar,
Dos que roubam sem se saber,
Dos que dizem prometer,
Do Ferrari do porqueiro
Da Famel do carteiro,
Dos que cantam mal no chuveiro...
...E do que falta acontecer...

...Não tenho nada a dizer.


Felicidades para ti, João!
Podias brindar-nos ainda com mais um dos teus talentos: uma cantiga cantada por ti.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Sinais dos tempos

A 16 de Julho de 1966, «numa iniciativa que constituiu um êxito» e que se ficou a dever ao Clube das Donas de Casa, foi eleita, no decorrer de um jantar realizado no Restaurante Folclore, a Mulher Ideal Portuguesa. A feliz contemplada foi Magda Carol Rodrigues de Paralta Bastos Guimarães Abreu, de 25 anos, casada e mãe de uma filha. Concorrerá, em Agosto, na Itália, ao título de Mulher Ideal Europeia.
Será que aos vinte e cinco anos já a Magda tinha conseguido provar ao país e ao mundo que os seus dotes eram os certos para a função nobilíssima de ser dona de casa?
Cá para mim, ser dona de casa é acordar já com ementas na cabeça e uma lista de compras muito urgente: peixe, carne, alfaces, couves, repolhos... É fazer logo a cama, quase antes de acordarmos e, se acaso nos vamos ausentar, nem que seja por breves momentos, deixar a casa com uma aparência de arrumação e limpeza. A casa da dona de casa não tem um milímetro de pó! A casa da dona de casa tem de estar sempre apresentável: os sanitários devem reluzir, os "inoxes" idem, e o que não brilha tem de se fazer brilhar.
Em toda a minha vida só conheci duas donas de casa exemplares e complementares: a minha avó e a minha tia. Viviam na mesma casa e, sem ajuda de quaisquer criados, faziam as tarefas todas, de modo a que os mais pequenos vivessem felizes os seus dias azuis da infância e os homens encontrassem em casa a recompensa de um árduo dia de trabalho. Como se o trabalho de casa não fosse árduo também!
Felizmente, as coisas mudaram e agora as donas de casa são mais do género desesperado. Eu incluo-me no género, claro!imagens daqui

domingo, 15 de julho de 2007

Outras eras!

Ainda se lembra de como era a vida antes dos telemóveis?, pergunta o Jornal Sol.
Claro que me lembro e só não digo que era mais feliz pois, na minha modestíssima opinião, os parâmetros da dita felicidade estão muito mais relacionados com factores que não têm nada a ver com os telemóveis ou com a tecnologia em geral.
Devo ao meu computador a facilidade e a simplicidade de organizar os meus rabiscos, sejam eles de conteúdo mais profissional ou simplesmente pessoal. Tenho uma, duas, três caixas de correio electrónico e guardo o que quero. O que não quero deito fora, sem ninguém dar por isso. As minhas fotos e imagens também estão muito mais facilmente guardadas. E até as fotografias da minha idade, a preto e branco, amarelecidas do tempo, "voam" por artes que dizem ser da tecnologia (que eu não entendo mas utilizo), voam dizia, para dentro deste quadrado.
É tudo assim, como dizem por aí, à distância de um clique! E estes cliques têm-me trazido coisas boas: restabeleceram-me comunicações, facilitaram-me e facilitam-me a vida.
Mas eu tinha uma vida antes da tecnologia. Era melhor, claro que era, porque eu tinha ainda muitos cabelos pretos, não tinha de olhar para cima para falar com os meus filhos e parecia que a vida era mesmo eterna.
Mas eu ainda vou mais longe do que a pergunta do Sol: eu ainda me lembro da vida sem telefones e sem televisão.
Não havia telefones em casa (eu não tinha!), mas havia nos CTT e havia selos e cartas e palavras.
E até havia "rádio-telefonia" para sabermos que como ia o mundo.
E para ouvir o romance Tide. O Tide resistiu ao tempo, mas o romance radiofónico não. Sucumbiu à tecnologia.
Talvez houvesse mais tempo e pouca necessidade de superar tudo a toda a hora, a todo o minuto, a todo o segundo. Havia talvez mais noção de definitivo, porque a linha do horizonte estava muito mais ao alcance da nossa imaginação. Agora está sempre além, nem que seja em fracções de segundo que só são mensuráveis graças a esta mesma tecnologia.
Toca o telefone a toda a hora, toca, toca...
Dizia a cantiga da moda há quarenta anos.
Agora é a mesma coisa, mas em pequeno e sem fios
Toca o telemóvel. A sério. É a minha mãe.
Sem telemóvel, estaríamos muito mais longe.
Assim, a voz da minha mãe dá-me os bons dias e as boas noites, todos os dias, todas as noites. E isso melhora os dias dela e os meus. As noites dela e as minhas.O Sol, hoje, é que não apareceu por aqui.
Se eu soubesse o número dele, ligava-lhe a perguntar-lhe onde anda o vadio, em pleno mês de Julho?
Enganou-se no hemisfério, ou quê? Ou foi a votos?
Eu, por mim, voto no Sol!
Quando eu era criança, não havia SMS, mas havia uma lengalenga: Nossa Senhora da Conceição, faça sol e chuva não!!!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Afinal...

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... nem todas as árvores morrem de pé.
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... a ferida escancarada, sedutoramente oferecida aos olhares gulosos de dor alheia, é sempre indecorosa, mesmo quando se trata de uma "simples" árvore...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Altos e baixos

Para além de termos o nosso bocado de médico e a nossa dose de loucura,(Que faríamos sem ela?), somos também um bocadinho de filósofos de feira popular.
Não tivemos já todos, ou quase todos, a tentação de comparar a vida a uma montanha russa, que nos leva até uma altura de onde se cai vertiginosamente, para, graças ao engenheiro que engenhou aquele engenho, tornarmos a subir e a descer, e a subir e a descer, e a subir e a descer, até ao fim da viagem?!
Descendo ainda mais no nível filosófico, baixando mesmo até ao cordel, diria que a vida é como as limpezas de verão: descobrimos o que queremos e o que não queremos, encontramos tudo o que anda perdido nas nossas casas que guardam tantos anos de tantas vidas traduzidos em recordações, souvenirs de viagens que jamais (mas aqui é jamais mesmo!) viajaremos. Tudo misturado com pó que nos suja a nossa reputação de limpeza absoluta. Depois, ainda há aquela teoria de que as casas impecavelmente limpas e arrumadas são museus sem vida e nós, seguinores dessas balelas, acabamos por também contribuir com a nossa santa preguiça domingueira, ou de outro dia qualquer, para que as casas tenham este ar de feira da ladra.
Mas o dia da limpeza chega sempre e as tais descobertas também.
Hoje foi o dia de descobrir os meus desenhos do quinto ano do Liceu com uma assinatura que me faz arrepiar de ternura e de admiração: a do Professor João Paulo, ilustre pintor moçambicano. Não é como ilustre pintor que eu o recordo. quando o recordo, quando penso nele vem-me sempre à lembrança um homem muito intranquilo.
Com ou sem razão todos os homens de talento são inquietos.
Mas a sua agitação não era de modo algum incompatível com a condição de professor, com a disponibilidade de professor de pôr ao serviço dos alunos o seu saber.
Recordo-o com ternura e admiração, mesmo com o oito que trouxe até este "espaço".
Fui a exame com 10, 10, 9. Lá, no exame, no Liceu Dona Ana da Costa Portugal, a desenhar uma cadeira ou uma peça de barro em cima de uma cadeira, ou lá o que foi, ganhei um doze. Esse doze era a prova de que o Professor João Paulo foi o meu Pigmalião da cor e do traço: treinou-me no essencial, para que não me saísse mal na prova final.
Obrigada, Professor!
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O desenho á vista. Este não tem nota, mas tem assinatura.
A eis o oito!
o meu 8
E o "oito" mesmo!
o oito
Nem me lembrava do oito, nem dos desenhos. Lembrava-me sim das aulas e do tal homem tão humanamente desassossegado!
São estes os tais souvenirs que nos guardam as nossas memórias de viagem. Guardamo-los em sítio tão seguro que só são encontrados quarenta anos mais tarde!
Finalmente a assinatura do professor: um autógrafo muito real!
desenho meu-1

sábado, 7 de julho de 2007

As novas maravilhas

A primeira nova maravilha, anunciada por um homem que maravilhou a minha geração: Neil Armstrong.
A Grande Muralha da China!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Em verde e sombra

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O tempo aqueceu e, como sempre, o nosso corpo reclama!
Se quer sentir-se melhor, procure um Hyde Park perto de si.
Há sempre um Hyde Park desconhecido à sua espera.
Este é aqui, no meio do deserto. Não tem é Speakers' Corner.
Aliás, é até proibida a circulação de qualquer "arado com rodas", pois pode estragar-se o ramalhete, como estas hortenses tão belas e tão protegidas dos raios perigosos emitidos a partir do astro-rei.
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A cor violeta das flores não deve ser compatível com os raios do mesmo nome!
Os verdes por aqui estão muito apetecíveis mas eu acho que vou procurar os tons de azul para outras paragens mais afastadas de uns desertos e mais próximas de outros.
Até já!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

(...)

"I can look pretty damn good for my age. But my God, that's not the whole story. I'm a much better actress, I'm a mature woman and I have so much more to offer."
Raquel Welch
Pois é, Raquel, eu também detesto quando me dizem que eu estou muito bem para a minha idade... Quer dizer que a idade se nota mesmo bem e os efeitos, não me venham com "tretas", não são nada fáceis de aceitar.
Imagem daqui.
Frase tirada do sítio da Oprah!

Ser ou não ser

Ser ou não ser fã da Oprah é o meu novo dilema.
É novo pois eu nem sabia quem era a Oprah e muito menos imaginava que fosse autora de um programa de TV, um talkshow. Quando soube fiquei de pé atrás. Tenho deste mundo da TV uma ideia que não é assim tão boa, sobretudo quando os programas elevam determinadas pessoas às alturas de um estrelato, para o qual não estão sequer preparadas, e assistir ao sobe e desce destes mitos não me desperta nenhum interesse especial.
Como nem sabia que já tinha Sic Mulher, passei muito tempo sem poder participar nas animadíssimas conversas sobre a Oprah.
Mas eis que a pobreza televisiva dos nossos canais principais me levou a tentar perceber o mundo da Oprah.
E estou a gostar!
Ontem, dois convidados e duas causas deixaram o meu coração mais macio, com vontade de acreditar num futuro melhor: a causa dos pijamas e a causa dos livros.
O projecto de Oprah passa também pela escola, pela educação, sobretudo das raparigas.
Está aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

É a vida!

Curioso, o "Chora", numa tentativa provavelmente pouco conseguida de chegar aos calcanhares da Revista Caras, espiolhou e encontrou uma história de vida e de morte que ilustra o dia, o já tão célebre dia, 4 de Julho!
Não interessa nada a não ser como ilustração da não menos célebre questão quase existencial: há ou não há coincidências.
(A MRP diz que não!!!! Mas eu não li o que ela diz sobre o assunto, para além do título!)
(Com ou sem coincidências, são imensas as situações da vida que fogem à nossa capacidade de determinar. E todos um dia recebemos uma transfusão de humildade que nos repõe os níveis de humanidade. Pelo menos, durante algum tempo.)
O sítio da História conta então que dois ex-presidentes do Estados Unidos, rivais e diferentes, morreram no mesmo dia, com cinco horas de diferença.
São eles Thomas Jefferson e John Adams!Conta o mesmo sítio da História que, passadas as rivalidades inerentes à vida política activa, mantiveram durante os últimos catorze anos de vida uma correspondência amigável.
Adams, diz o sítio, no seu leito de morte, na sua lucidez de resistente, terá pensado em Jefferson, dizendo que este lhe sobrevivia. Enganava-se. A morte tinha passado cinco horas antes por Monticello, para levar Jefferson.
Monticello vale a visita e, como todas as casas, pode dar-nos a conhecer melhor o seu proprietário.
E como a História é às vezes mais surpreendente do que uma novela mexicana e admite todas as coincidências, outra pesquisa mostrou-me que foi um bisneto de um português de Idanha-a-Nova, quem reconheceu o valor, a riqueza de Monticello e lançou mão à obra de um projecto de recuperação.
Se continuasse a pesquisar muito mais iria encontrar, certamente!
Resta saber se chegaria a alguma conclusão acerca de haver ou não coincidências!!!

Imagem daqui

terça-feira, 3 de julho de 2007

Não sei porquê mas...

Mas este dia de Verão faz-me lembrar a cantiga que o Carlos Mendes levou ao festival da Eurovisão: o Verão já terminou. Foi um sonho que findou...
Foi em 1968.
Sejamos positivos: vamos acreditar que a vida ainda nos presenteia com uma Festa um dia destes!
Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam pendas de alegria
E a festa dure até ser dia...
É sem dúvida um belo poema do José Niza e o Carlos Mendes cantou-o bem.
Recordo que foi o nosso melhor êxito no Festival, isto é, o nosso melhor lugar.
Dá gosto recordar!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O S. Pedro também já se acabou!

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Agora é o desfazer da festa.
Primeiro são os feirantes que arrumam aquela mercadoria toda e aí vão eles para outras festas. Depois são as atracções que dão à zona das festas um ar de Luna Park, que me atiram para esse tal tempo em que o Luna Park tinha o seu quê de magia, no carrocel, que passava logo a prova de coragem na montanha russa e no chicote.
Há algodão doce, que sabe ainda a infância e pipocas que, pelo menos para mim, perderam conotações mais felizes.
Essas maquinetas e seus barulhentos motores desandam com facilidade, graças às pequenas dimensões.
As farturas são definitivamente a atracção máxima das feiras. Chega-se lá pelo faro. Sem farturas, as feiras seriam definitivamente uma "maçada".
Finalmente o último "despreparativo": desmontar os enfeites, levá-los e guardá-los.
E os lugares voltam à monotonia de todos os dias, com mais ou menos sol, mas todos os dias iguais.

domingo, 1 de julho de 2007

O Nome do Cravo

O Cravo chama-se Salgueiro Maia. Chamar-se-á pelos tempos, implodindo o esquecimento dos dias da liberdade, dos dias dos cravos vermelhos que floresceram, naquele Abril, no Largo do Carmo, nas armas e nos cantos, nas palavras e nas mãos dos soldados, dos homens e das mulheres.
Em nome desses dias, obrigada Capitão!Imagem daqui.
(1 de Julho de 1944, Castelo de Vide - 4 de Abril de 1992, Santarém)