Brindemos pois a um ano bom!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Hoje é o dia em que a expectativa toma conta de nós. Eu (e quem sabe? todos nós!) queria que a vida fosse simples e que a mudança do calendário correspondesse a uma correcção mágica de algumas imperfeições dos nossos dias. Vale a pena desejar, quanto mais não seja pelas forças do bem que os bons desejos libertam, desagrilhoando-as da mesquinhez, das vaidades vãs e outras.
Brindemos pois a um ano bom!
Brindemos pois a um ano bom!
sábado, 29 de dezembro de 2007
Nomes e coisas assim
"Disse-lhe que certos povos, em África, acreditam que o nome guarda a essência do indivíduo, o seu futuro, o seu passado. Por isso têm um nome público e outro secreto, o verdadeiro, utilizando apenas em cerimónias secretas." José Eduardo Agualusa, in Fronteiras Perdidas
O problema dos nomes veio-me à ideia, a propósito do jantar de bloggers. Quase todos têm um nome blogosférico que, de algum modo, preserva de algum dissabor, ameaça, ataque quer da vida real quer da outra, da virtual, da second.
(E eu sei que há casos desses, embora a mim nunca nada do género me tenha acontecido, a não ser na vida real, ela própria.)
A opção do nick não significa distâncias de personalidade, neste caso. O que é visível nos bloggers, à "primeira vista", é mesmo o pensamento, o miolo, o que vai cá dentro. Bom, mau, pior ou melhor. É esse que sobressai. Haverá talvez na construção do blogger uma dose de desejo que o mundo cá fora não dá atenção e que neste mundo aparece como o nosso fato principal, o uniforme de gala.
(Quando os mais próximos (da vida real) me apontam certos defeitos, acusando-me de os esconder, ou não exibir na comunidade virtual, eu argumento com o desejo de ser melhor, que, ultimamente tomou conta de quase todos os meus outros desejos. A idade, isto é, a velhice, adoçou o meu pai, adoçou a minha mãe e eu espero que me adoce a mim também.)
Parafraseando o vendedor da banha da cobra: não estou aqui para enganar ninguém, nem para me enganar a mim mesma, por isso, optei pelo meu nome real, que herdei da minha avó, para além de um resto de verde nos olhos.
Continuando a paráfrase, não estou aqui para criticar ninguém e gosto tanto dos nicks que não consigo deixar de os usar, para lá da blog.
Aconteceu isso com a Chuinguita, com a Tangerina (Olá Renata!), com a Bette Davis, com o Molin e vai acontecer com a Azulinha e com os outros meninos e meninas que foram ao jantar. Não é por mal, sim?
Como eu expliquei à Aenima, eu também já tive um nick, no tempo do Pastilhas, do MEC. Era Supertia, por sugestão do meu sobrinho Pedro, sobrinho verdadeiro. Hoje quase me envergonho do nick que na altura me pareceu sugestivo e com enorme carga de gozo. Pensava que me ia divertir imenso e assumir uma supertia com dupla personalidade, resguardando a minha própria. Enganei-me de algum modo e fui ultrapassada pelo boneco. De repente, senti-me tia de verdade de uma série de sobrinhos de verdade. Afeiçoei-me à ideia e a aos sobrinhos que ainda hoje contam nos meus afectos. Entretanto, já na blogosfera, ganhei sobrinhos: a Pitucha, a Ti.
É que eu gosto mesmo de ser tia. Talvez por ter tido as melhores tias do mundo!
Elas gostaram de mim incondicionalmente e, mesmo nos piores momentos, quando eu dei uma dentada na minha prima, não senti que o castigo dado tivesse a ver com falta de afecto. Apesar de eu ser feiosa, elas enfeitavam-me, como se enfeita uma princesa, com bordados e laçarotes. Elas fadaram-me para ser feliz e, na medida em que consegui, a elas o devo. Obrigada, tias!
O problema dos nomes veio-me à ideia, a propósito do jantar de bloggers. Quase todos têm um nome blogosférico que, de algum modo, preserva de algum dissabor, ameaça, ataque quer da vida real quer da outra, da virtual, da second.
(E eu sei que há casos desses, embora a mim nunca nada do género me tenha acontecido, a não ser na vida real, ela própria.)
A opção do nick não significa distâncias de personalidade, neste caso. O que é visível nos bloggers, à "primeira vista", é mesmo o pensamento, o miolo, o que vai cá dentro. Bom, mau, pior ou melhor. É esse que sobressai. Haverá talvez na construção do blogger uma dose de desejo que o mundo cá fora não dá atenção e que neste mundo aparece como o nosso fato principal, o uniforme de gala.
(Quando os mais próximos (da vida real) me apontam certos defeitos, acusando-me de os esconder, ou não exibir na comunidade virtual, eu argumento com o desejo de ser melhor, que, ultimamente tomou conta de quase todos os meus outros desejos. A idade, isto é, a velhice, adoçou o meu pai, adoçou a minha mãe e eu espero que me adoce a mim também.)
Parafraseando o vendedor da banha da cobra: não estou aqui para enganar ninguém, nem para me enganar a mim mesma, por isso, optei pelo meu nome real, que herdei da minha avó, para além de um resto de verde nos olhos.
Continuando a paráfrase, não estou aqui para criticar ninguém e gosto tanto dos nicks que não consigo deixar de os usar, para lá da blog.
Aconteceu isso com a Chuinguita, com a Tangerina (Olá Renata!), com a Bette Davis, com o Molin e vai acontecer com a Azulinha e com os outros meninos e meninas que foram ao jantar. Não é por mal, sim?
Como eu expliquei à Aenima, eu também já tive um nick, no tempo do Pastilhas, do MEC. Era Supertia, por sugestão do meu sobrinho Pedro, sobrinho verdadeiro. Hoje quase me envergonho do nick que na altura me pareceu sugestivo e com enorme carga de gozo. Pensava que me ia divertir imenso e assumir uma supertia com dupla personalidade, resguardando a minha própria. Enganei-me de algum modo e fui ultrapassada pelo boneco. De repente, senti-me tia de verdade de uma série de sobrinhos de verdade. Afeiçoei-me à ideia e a aos sobrinhos que ainda hoje contam nos meus afectos. Entretanto, já na blogosfera, ganhei sobrinhos: a Pitucha, a Ti.
É que eu gosto mesmo de ser tia. Talvez por ter tido as melhores tias do mundo!
Elas gostaram de mim incondicionalmente e, mesmo nos piores momentos, quando eu dei uma dentada na minha prima, não senti que o castigo dado tivesse a ver com falta de afecto. Apesar de eu ser feiosa, elas enfeitavam-me, como se enfeita uma princesa, com bordados e laçarotes. Elas fadaram-me para ser feliz e, na medida em que consegui, a elas o devo. Obrigada, tias!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Completamente azul!
Ontem, o dia começou e acabou em tons de azul.
De manhã, o mar...
Estava assim:
O azul devia estar a cem...(por cento, presumo!)
À noite, estava a cento e vinte e cinco, vezes duas, que dá (deixa cá ver se eu ainda sei fazer contas!) duzentos e cinquenta azul.
Foi giro! Foi divertido! Foi animado! Foi bom!
(O nosso PM teria dito: porreiro, pá!)
Foi discutido!
(Aquela cena dos professores e os amores da ministra dá sempre confusão. Devia abolir-se o tema de qualquer convívio!)
Foi verde!
(Até o marido da Chiqui que é americano de gema está perdido de amores pelo Sporting!)
Foi doce!
(Muito chocolate, muito chocolate, muito chocolate!)
Foi bilingue!
(A Azulinha média falou Inglês o tempo todo, revelando-se uma anfitriã 400 estrelas!)
Foi simpático!
(Tirando a parte da discussão dos professores, mas isso já nem conta!)
Foi picante!
(Mes eu não apanhei o picante, pois preferi conhecer melhor a Aenima e acho que a minha escolha foi muito boa. A Calamiti juntou-se a nós e trocámos ali meia dúzia de ideias. É preciso aprender com os mais novos. Obrigada, meninas!)
Foi bom conhecer uns e rever outros, ou melhor, outro!
Espero que a parte da dança tenha sabido bem à Calamiti que estava danadinha para dar ao pé!!!!
De manhã, o mar...
Estava assim:
O azul devia estar a cem...(por cento, presumo!)À noite, estava a cento e vinte e cinco, vezes duas, que dá (deixa cá ver se eu ainda sei fazer contas!) duzentos e cinquenta azul.
Foi giro! Foi divertido! Foi animado! Foi bom!
(O nosso PM teria dito: porreiro, pá!)
Foi discutido!
(Aquela cena dos professores e os amores da ministra dá sempre confusão. Devia abolir-se o tema de qualquer convívio!)
Foi verde!
(Até o marido da Chiqui que é americano de gema está perdido de amores pelo Sporting!)
Foi doce!
(Muito chocolate, muito chocolate, muito chocolate!)
Foi bilingue!
(A Azulinha média falou Inglês o tempo todo, revelando-se uma anfitriã 400 estrelas!)
Foi simpático!
(Tirando a parte da discussão dos professores, mas isso já nem conta!)
Foi picante!
(Mes eu não apanhei o picante, pois preferi conhecer melhor a Aenima e acho que a minha escolha foi muito boa. A Calamiti juntou-se a nós e trocámos ali meia dúzia de ideias. É preciso aprender com os mais novos. Obrigada, meninas!)
Foi bom conhecer uns e rever outros, ou melhor, outro!
Espero que a parte da dança tenha sabido bem à Calamiti que estava danadinha para dar ao pé!!!!
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Alice
Alice!
Chamar-te-ei Alice, por analogia com a outra Alice que, tal como tu, ultrapasou as fronteiras de um mundo que não contribui para a felicidade dos homens. Nem tão pouco dos bichos, quanto mais dos homens ou da mulheres! Felizes os que sabem sonhar sonhos libertadores, sonhos verdadeiros, sem precisar de recorrer a qualquer artifício provocador de sensações.
Ali estás tu, Alice, em conversa serena e feliz com a mulher que te devolve o sorriso, que te acaricia o cabelo, passando-te os dedos, com vagar, sobre as madeixas brancas que te aconchegam as têmporas. Nada acorda sequer o teu tacto, também envolvido na ilusão.
Que segredos lhe contas, Alice, horas a fio, sem que as tuas pernas se cansem de ficar ali, em pé, no meio do imenso e nervoso corredor? Nem o ruidoso elevador para cima e para baixo, constantemente, estupidamente, com visitas, comidas, pessoal e acessórios de limpeza, te interrompe essas conversas longas.
O espelho e tu fazem-se companhia. Tenho a certeza que o espelho só reflecte mesmo a tua imagem. Nada mais! Serve apenas a tua fantasia e a tua vontade de ser feliz, passe por perto a adversidade que passar.
O teu cabelo brilha e compõe-se naturalmente, nunca se desgrelhando em poses inestéticas ou infelizes. Só os cabelos dos loucos se eriçam, lutando também eles contra a ameaça da normalidade. Os teus, não. Os teus convivem com a tua normalidade que é o que interessa! Cada um tem a sua normalidade, não é, Alice? E a tua é esta que vislumbras para lá do espelho e para a qual sorris o teu melhor sorriso, belo e verdadeiro. A tua pele também brilha, o que não acontece com a pele da maioria das mulheres da tua idade. E mesmo de outras, mais novas! Falta-lhes ilusão.
Estou certa que tu e ela falam de tempos distantes em que tu, Ou ela, quem sabe?, eras levada nos braços de príncipes, ao som de melodias inesquecíveis que ainda hoje podes ouvir naquela telefonia antiga que está do outro lado do corredor. Ou mesmo num posto de rádio nostálgico que passa essas cantigas, precisamente por serem inesquecíveis. E tu recordas o brilho desses salões e quase danças, quando percorres o imenso corredor e cumprimentas estes e aqueles, como se estivessem, como tu, numa grande festa da vida.
(Como tu estás enganada, Alice! Mas Deus te guarde e te conserve essa ilusão!)
Quando passo por ti e pelo teu espelho, não ouso olhar. Finjo-me distraída para não interromper o teu convívio com a outra Alice, do lado de lá do espelho.
Mas, um dia, havemos de falar e hás-de contar-me tudo sobre o teus sonhos. Quando os nosssos próprios sonhos nos não alimentam mais, há que recorrer aos dos outros.
De vez em quando, vejo-te lançar um sorriso para o lado de cá, para um dos jovens do teu tempo dos muitos que vagueiam e habitam o teu corredor. Eles não te retribuem a doçura do teu gesto, não entendem que és uma Rainha a dizer adeus aos Valetes de todos os naipes, porque a tua delicadeza está muito para além dos separatismos que a existência de vários naipes pressupõe.
O teu espelho é um trunfo que jogas para ganhar esta partida e talvez o jogo!
Chamar-te-ei Alice, por analogia com a outra Alice que, tal como tu, ultrapasou as fronteiras de um mundo que não contribui para a felicidade dos homens. Nem tão pouco dos bichos, quanto mais dos homens ou da mulheres! Felizes os que sabem sonhar sonhos libertadores, sonhos verdadeiros, sem precisar de recorrer a qualquer artifício provocador de sensações.
Ali estás tu, Alice, em conversa serena e feliz com a mulher que te devolve o sorriso, que te acaricia o cabelo, passando-te os dedos, com vagar, sobre as madeixas brancas que te aconchegam as têmporas. Nada acorda sequer o teu tacto, também envolvido na ilusão.
Que segredos lhe contas, Alice, horas a fio, sem que as tuas pernas se cansem de ficar ali, em pé, no meio do imenso e nervoso corredor? Nem o ruidoso elevador para cima e para baixo, constantemente, estupidamente, com visitas, comidas, pessoal e acessórios de limpeza, te interrompe essas conversas longas.
O espelho e tu fazem-se companhia. Tenho a certeza que o espelho só reflecte mesmo a tua imagem. Nada mais! Serve apenas a tua fantasia e a tua vontade de ser feliz, passe por perto a adversidade que passar.
O teu cabelo brilha e compõe-se naturalmente, nunca se desgrelhando em poses inestéticas ou infelizes. Só os cabelos dos loucos se eriçam, lutando também eles contra a ameaça da normalidade. Os teus, não. Os teus convivem com a tua normalidade que é o que interessa! Cada um tem a sua normalidade, não é, Alice? E a tua é esta que vislumbras para lá do espelho e para a qual sorris o teu melhor sorriso, belo e verdadeiro. A tua pele também brilha, o que não acontece com a pele da maioria das mulheres da tua idade. E mesmo de outras, mais novas! Falta-lhes ilusão.
Estou certa que tu e ela falam de tempos distantes em que tu, Ou ela, quem sabe?, eras levada nos braços de príncipes, ao som de melodias inesquecíveis que ainda hoje podes ouvir naquela telefonia antiga que está do outro lado do corredor. Ou mesmo num posto de rádio nostálgico que passa essas cantigas, precisamente por serem inesquecíveis. E tu recordas o brilho desses salões e quase danças, quando percorres o imenso corredor e cumprimentas estes e aqueles, como se estivessem, como tu, numa grande festa da vida.
(Como tu estás enganada, Alice! Mas Deus te guarde e te conserve essa ilusão!)
Quando passo por ti e pelo teu espelho, não ouso olhar. Finjo-me distraída para não interromper o teu convívio com a outra Alice, do lado de lá do espelho.
Mas, um dia, havemos de falar e hás-de contar-me tudo sobre o teus sonhos. Quando os nosssos próprios sonhos nos não alimentam mais, há que recorrer aos dos outros.
De vez em quando, vejo-te lançar um sorriso para o lado de cá, para um dos jovens do teu tempo dos muitos que vagueiam e habitam o teu corredor. Eles não te retribuem a doçura do teu gesto, não entendem que és uma Rainha a dizer adeus aos Valetes de todos os naipes, porque a tua delicadeza está muito para além dos separatismos que a existência de vários naipes pressupõe.
O teu espelho é um trunfo que jogas para ganhar esta partida e talvez o jogo!
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
sábado, 22 de dezembro de 2007
Para todos os miúdos com menos de cem anos
Assim sempre têm a sensação de estar numa grande superfície!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Males que vêm por mal...
...ou coisa que o valha!
Gripe aviária: oito mil perdizes vão ser abatidas até amanhã
Ao ler este título de notícia, o meu coração bateu acelerado: é desta que a gripe das aves chega a Portugal, para dar cumprimento a profecias de cenários catastróficos que nem o tremor de terra de 1755 teria causado, se já tivesse sido inaugurado no Terreiro do Paço a mais famosa estação de Metro que há no mundo. Mais famosa, sim, porque a mais cara e a que demorou mais tempo a fazer. Deve ter entrado para o Guiness que é uma coisa muito importante para os portugueses!
Com a perspectiva da gripe, já nem me importa que a minha escola seja presidida por um director ou gestor, que suba ou desça a taxa de juro indexada à prestação da minha casa, que o aumento de ordenado seja outra vez igual a zero, que o aeroporto seja em Alcochete ou na Ota, que fechem as maternidades, etc
Notícias destas fazem muito "estrago" no descontentamento do povo o que dá muito jeito a quem manda.
A gente já não se descontenta tanto e o governo agradece!

Imagem e notíca do Público
Gripe aviária: oito mil perdizes vão ser abatidas até amanhã
Ao ler este título de notícia, o meu coração bateu acelerado: é desta que a gripe das aves chega a Portugal, para dar cumprimento a profecias de cenários catastróficos que nem o tremor de terra de 1755 teria causado, se já tivesse sido inaugurado no Terreiro do Paço a mais famosa estação de Metro que há no mundo. Mais famosa, sim, porque a mais cara e a que demorou mais tempo a fazer. Deve ter entrado para o Guiness que é uma coisa muito importante para os portugueses!
Com a perspectiva da gripe, já nem me importa que a minha escola seja presidida por um director ou gestor, que suba ou desça a taxa de juro indexada à prestação da minha casa, que o aumento de ordenado seja outra vez igual a zero, que o aeroporto seja em Alcochete ou na Ota, que fechem as maternidades, etc
Notícias destas fazem muito "estrago" no descontentamento do povo o que dá muito jeito a quem manda.
A gente já não se descontenta tanto e o governo agradece!
Imagem e notíca do Público
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Inglês Técnico
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
O que custa mesmo é não saber viver
Saber viver é vender a alma ao diabo
Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
((Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?»)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.
Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.
Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»
(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)
Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...
Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?
Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!
Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.
Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!
E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...
Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer?
Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!
Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...
Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!
*
Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...
Alexandre O' Neill, o poeta que rimou sempre os versos do inconformismo, temperando as palavras de uma irreverência que jamais lhe destruiu a poesia!
Que falta faz o homem neste país, dolorosamente convertido à ideologia da imagem, do parecer bem, do ter sempre cada vez mais, daquilo que se vê e dá nas vistas, mesmo que para tal se tire ao que dá no estomâgo!
Mas isto é fácil de dizer, para uns quantos como eu a quem a fome não bate à porta.
E quem diz fome de pão, pode dizer também fome de sonho!
Este poema traz-me uma lembrança antiga, muito antiga e que, por alguma razão, sobreviveu ao naufrágio de outras recordações: era uma senhora de muito boas famílias que tinha perdido o tino e sabem quem preenchia os seus sonhos (seriam devaneios?) amorosos? O Pai Natal! E trazia sempre consigo uma grande mala de viagem. Seria de cartão, certamente! A ela isso não lhe interessava nada. Aquela era a sua bagagem. Ali estava o que precisava para "juntar os trapinhos" com o o Pai Natal.
Precisamos de alguns elogios da loucura como a deste poema, para levar a cabo a desintoxicação provocada pela vã elegância dos senhores que mandam no mundo.
Obrigada, Poeta!
Alexandre O'Neill nasceu a 19 de Dezembro de 1924.
Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
((Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?»)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.
Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.
Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»
(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)
Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...
Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?
Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!
Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.
Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!
E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...
Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer?
Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!
Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...
Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!
*
Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...
Alexandre O' Neill, o poeta que rimou sempre os versos do inconformismo, temperando as palavras de uma irreverência que jamais lhe destruiu a poesia!
Que falta faz o homem neste país, dolorosamente convertido à ideologia da imagem, do parecer bem, do ter sempre cada vez mais, daquilo que se vê e dá nas vistas, mesmo que para tal se tire ao que dá no estomâgo!
Mas isto é fácil de dizer, para uns quantos como eu a quem a fome não bate à porta.
E quem diz fome de pão, pode dizer também fome de sonho!
Este poema traz-me uma lembrança antiga, muito antiga e que, por alguma razão, sobreviveu ao naufrágio de outras recordações: era uma senhora de muito boas famílias que tinha perdido o tino e sabem quem preenchia os seus sonhos (seriam devaneios?) amorosos? O Pai Natal! E trazia sempre consigo uma grande mala de viagem. Seria de cartão, certamente! A ela isso não lhe interessava nada. Aquela era a sua bagagem. Ali estava o que precisava para "juntar os trapinhos" com o o Pai Natal.
Precisamos de alguns elogios da loucura como a deste poema, para levar a cabo a desintoxicação provocada pela vã elegância dos senhores que mandam no mundo.
Obrigada, Poeta!
Alexandre O'Neill nasceu a 19 de Dezembro de 1924.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Happy Birthday, Spielberg!
"Everything wanna be loved. Us sing and dance, and holla just wanting to be loved. Look at them trees. Notice how the trees do everything people do to get attention... except walk?"
Spielberg é um homem de esperança na humanidade. A rejeição tê-lo-á ensinado a lutar pela compreensão entre os diferentes. O seu ET é um Principezinho da era do cinema de efeitos especiais. A fantasia é sempre um trunfo nestas questões de humanidade!
Parabéns, Spielberg!
Spielberg é um homem de esperança na humanidade. A rejeição tê-lo-á ensinado a lutar pela compreensão entre os diferentes. O seu ET é um Principezinho da era do cinema de efeitos especiais. A fantasia é sempre um trunfo nestas questões de humanidade!Parabéns, Spielberg!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Dos dias
Falta alguém? perguntei, como sempre, apesar de ter já notado a ausência daquele volume de caracóis desalinhados e pretos, libertados, daqueles olhos também encaracolados de mimo e doçura, tanto, tanto, que até dá para semicerrar as pestanas e avançar em direcção a mais um abraço que o espere, tropeçando em quem empatar esse caminho.
Acabada a pergunta, bateram à porta. É o João, gritaram os outros. Abri a porta, à espera do sorriso doce. Não! Enganara-me. Não sorriu, não se moveu, não falou. Os olhos quase rebentavam num brilho estranho. Até os caracóis negros embaciaram.
- O que foi?
Nada. Nem resposta. Nem razão. Nem choro. Nada.
Insisti. Outra vez: nada!
De repente um choro convulsivo e muito molhado rasgou-me o entendimento: doem-me os pés.
Uns minutos depois veio a explicação:
- Há um ano fui operado aos pés. Eu não tinha aquela curva que vocês têm. E agora, às vezes, tenho muitas dores e nem consigo andar.
(Meu Deus, não foi para isto que eu "fui para professora"! Andei o resto do dia, vou ficar muitos dias com o desenho daquelas dores injustas nuns pés de dez anos. Eu que pensava que só aos mais velhos é que as dores acontecem!)
Acabada a pergunta, bateram à porta. É o João, gritaram os outros. Abri a porta, à espera do sorriso doce. Não! Enganara-me. Não sorriu, não se moveu, não falou. Os olhos quase rebentavam num brilho estranho. Até os caracóis negros embaciaram.
- O que foi?
Nada. Nem resposta. Nem razão. Nem choro. Nada.
Insisti. Outra vez: nada!
De repente um choro convulsivo e muito molhado rasgou-me o entendimento: doem-me os pés.
Uns minutos depois veio a explicação:
- Há um ano fui operado aos pés. Eu não tinha aquela curva que vocês têm. E agora, às vezes, tenho muitas dores e nem consigo andar.
(Meu Deus, não foi para isto que eu "fui para professora"! Andei o resto do dia, vou ficar muitos dias com o desenho daquelas dores injustas nuns pés de dez anos. Eu que pensava que só aos mais velhos é que as dores acontecem!)
domingo, 9 de dezembro de 2007
Desencontros
Há crianças que sofrem a máxima violação ao seu direito de crescer: a fome. E há gente grande que usufrui do fausto máximo, em palcos de abundância indecorosa. Chocantemente indecorosa, sobretudo quando passam, no pano de fundo da nossa consciência de cidadania, os olhos tristes dessas crianças.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Convite
A obra será apresentada por Maria de Lourdes Osório, na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, Lisboa, no dia 6 de Dezembro, pelas 18 horas.
Prometo deixar aqui a reportagem das emoções que vão desfilar ao longo da noite.
Que orgulho, Nini!
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Ele há sorrisos, também!
Que nascem nos olhos dos meninos a quem a vida ofereceu um coração a sério, em vez de brinquedos e outros bens que não se comem, mas alimentam os sentidos e ajudam a crescer. Como os livros, também.
Esse sorriso activa-se directamente no coração, oferecendo ao dono do coração um brinquedo, um livro ou uma peça de roupa.
É muito simples: dá-se aqui, numa escola, e o sorriso vai nascer em Timor, na carinha de um menino ou de uma menina. Isso é que é mais difícil saber! Ainda não há ecografias para ver a cor deste sorriso em Timor, no dia 24 ou 25, ou seja, no dia de Natal. Seja azul ou cor de rosa, tem laivos verdes de esperança e laivos brancos de paz.
Acende já neste sorriso!

(O sorriso acende-se através de uma escola.)
Esse sorriso activa-se directamente no coração, oferecendo ao dono do coração um brinquedo, um livro ou uma peça de roupa.
É muito simples: dá-se aqui, numa escola, e o sorriso vai nascer em Timor, na carinha de um menino ou de uma menina. Isso é que é mais difícil saber! Ainda não há ecografias para ver a cor deste sorriso em Timor, no dia 24 ou 25, ou seja, no dia de Natal. Seja azul ou cor de rosa, tem laivos verdes de esperança e laivos brancos de paz.
Acende já neste sorriso!

(O sorriso acende-se através de uma escola.)
Ele há sorrisos!
Estudo conclui que maioria das pessoas desconfia dos sorrisos dos políticos
Nem era preciso altos estudos para chegar a esta conclusão.
De qualquer modo, é bom que a hipocrisia da maioria dos políticos seja cientificamente confirmada e a sondagem pode ser um instrumento de medição desta hipocrisia!
Como não podia deixar de ser, quando abro um ficheiro na minha memória, ela dispara outros, tipo mediaplayer...
Smile an everlasting smile, a smile can bring you near to me...
Bee Gees, claro!
Nem era preciso altos estudos para chegar a esta conclusão.
De qualquer modo, é bom que a hipocrisia da maioria dos políticos seja cientificamente confirmada e a sondagem pode ser um instrumento de medição desta hipocrisia!
Como não podia deixar de ser, quando abro um ficheiro na minha memória, ela dispara outros, tipo mediaplayer...
Smile an everlasting smile, a smile can bring you near to me...
Bee Gees, claro!
domingo, 2 de dezembro de 2007
Vozes
Também se pode mandar calar as gaivotas?Sei que o seu grasnar dista do habitual modelo de melodia que a maioria dos ouvidos dos homens diz configurar o seu gosto, sobretudo porque configura a convenção.
Mas esse grasnar desordenado e desordeiro remete-me para um conceito de liberdade ideal que nunca atingirei num mundo dominado por modelos e convenções.
Recordo-me do dia, da manhã cedo, em que quase atropelei uma gaivota: depois do susto da surpresa, veio à tona do meu pensamento que aquela gaivota podia ser Fernão Capelo com asas cansadas do tempo, da idade...
Hoje, programei os meus sentidos para acordar com as gaivotas, mas elas continuam em silêncio.
Não me digam que também se pode mandar calar as gaivotas?!
Subscrever:
Mensagens (Atom)