quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Violenta interrupção

"Sentei-me para escrever um texto saudoso e álacre sobre a Ava Gardner."
Desde a Pedra Filosofal que não ouvia ou lia a palavra "álacre"! E faz-me falta ouvir estas palavras que cristalinamente resistem à moda e ao tempo e não se transformam em "porreiro" ou palavras do género.
Dizia eu que comecei a ler o BB com o entusiasmo do costume, pois a certeza é sempre a de me deliciar com as palavras e com o pensamento. Sobre a Ava Gardner, ainda por cima, uma das divas que escapou às minhas mini-biografias no jornal da terra.

O escritor diz que se preparava pois para se comover, escrevendo; e eu preparava-me para me comover, lendo.
Mas fomos interrompidos: ele, em directo e eu em diferido, mas mesmo assim não menos violentamente "pelo eco do oco".
Haja quem mantenha a coragem de dizer o que deve ser dito, quem ouse chamar as coisas pelos nomes! Obrigada, B.B.!

Surpreendências!

São obras, Senhor, são escombros, ruínas, andaimes, demolições...Mas todos os lugares são lugares para uma declaração de amor.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A cultura, para temperar...

Mais de cem trabalhos da pintora portuguesa Paula Rego vão estar em exposição a partir de sexta-feira no Museu Nacional das Mulheres nas Artes em Washington.

"A native of Portugal who lives in London, Rego uses her art to explore the precariousness of human emotions and the complexity of life’s experiences."

A curto prazo

Todos estaremos assim, como os versos deste poema de António Ramos Rosa, que li aqui.
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço

Caminhamos a passos de gigante para este cansaço da jornada vã, dos dias cheios de nada que valha a pena, quando a felicidade de ser pessoa é um objectivo da vida, ainda por cima quando se sabe que a prática diária pura e simples do exercício da nossa profissão nos traz à rede momentos quase perfeitos. Que mais poderíamos desejar?
Eu não quero mesmo ir sentar-me nas aulas dos meus colegas mais novos, se não for para reaprender com eles sonhos que eu já gastei. Não renego cegamente a avaliação, mas rejeito este modelo que se baseia uma vez mais numa burocracia gigantesca que vai parir uma máquina demolidora de entusiasmo verdadeiro, que vai triturar as relações pessoais.
Muitos são os que estão tão cansados de funcionar que não aguentam mais nada e vão embora. Desistem, em nome de mínimos de dignidade e sentido de vida que querem preservar. Não desistiriam se pudessem ser ouvidos com atenção que lhes merecem os mais de trinta anos de sala de aula, de quadro de ardósia e giz, de livros e cadernos...
Basta ler (ou reler) o Diário de Sebastião da Gama, para realmente perceber o que é ser professor e o quanto se afastam estes senhores que nos governam dos momentos perfeitos de humanidade contados nos Diário.
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?
Porque este não é o cansaço bom do trabalho que nasce na nossa mente e passa para as nossas mãos! (Professora daqui)

domingo, 27 de janeiro de 2008

E a gente acorde finalmente em Portugal

Foi este verso de Manuel Alegre que me acordou dos reles pesadelos que adamastores de trazer por casa nos infligem, estragando-nos não só as noites ou os dias, mas sim a capacidade de sonhar sempre sempre um Mundo Melhor. Eu não quero deixar de sonhar um mundo mais justo, mais fraterno, mais solidário, mais azul ou mais verde... Enfim, com mais cor! Seja ela qual for a cor do nosso contentamento. Eu quero sonhar!
E o poeta, que nos empresta o sonho nas suas palavras, para nos dar força de seguir em frente, ganhou um prémio.
(E eu, tão distraída que ando, nem percebi. Só ouvi o que não devo ouvir: desgraças!)
De agora em diante vou virar os meus sentidos para a poesia. Redentora e salvadora. Sim. É isso que eu sinto e ainda posso dizê-lo! E ainda posso dizê-lo com ganas de liberdade.
E leio...

Trago em mim uma nau S. Gabriel.
De verso em verso vai e não sossega
sobre os dias navega à flor da pele
trago em mim uma nau que nunca chega.

E um súbito acordar é um rumor
um ficar distraído e partir para
os teus olhos que ficam além da cor.
Trago em mim uma nau que nunca pára.

Trago em mim uma nau que me carrega
como se eu próprio fosse o Oriente
trago em mim uma nau que não sossega.

Ela só deixa um rastro no papel
e o que ela busca é sempre o que é ausente.
Trago em mim uma nau S. Gabriel.


Imagem daqui

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Poderes

É estranho. Continuo a gostar de ser professora! Está tudo contra, mas eu sinto que aquela é a minha pele. Gosto de estar na escola, mesmo quando me esgoto e me canso com Pedagógicos que se estendem até às nove da noite, ou outras reuniões cujo proveito é sempre de pôr em causa.
Gosto, pronto!
Mas há uma coisa que me irrita, enerva e desmotiva: o poder do papel. Vivo no reino do papel e o seu poder é absolutíssimo.
Por exemplo: o plano de recuperação é um papel. Assinado pelos pais e pelo director de turma, mas não deixa de ser um papel. O papel defende os professores todos, caso o aluno venha a reprovar, ou a ficar retido, como preferirem. O papel tem o poder de evitar a maior "chatice" do mundo. O papel tem poder e isso sim é que me desgosta. A minha intenção, o meu desejo, a minha vontade e até a minha acção não valem nada ao pé do papel. O papel vale sempre mais do que eu!
Este é talvez um passo em direcção à desumanização de uma instituição que devia ser, quase que por definição apenas, o oposto.
Como será o futuro destes meninos e meninas educados sob o signo do papel?
O papel sobreviver-me-á e isso é incontornável. Será por isso que o papel vale mais do que a minha palavra?Imagem daqui

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Faltas justificadas

Acertou: ainda estou a comer Bolo-Rei... Aliás, o bolo que eu compro na Pastelaria Anjo Doce (Com se os anjos pudessem ser outra coisa senão doces?), chama-se Bolo-Rainha e é irresistível.
Está difícil arrumar o Natal cá em casa: ele é árvore, ele é prendas, ele é bolos...
"Ele foi" uma pequena avaria no coração verde do Leão Grande que já passou!
Uff, não ganhei para o susto! Mas agora temos o Coração de Leão outra vez cheio de energia para discutir futebol, política e outras emoções de terceiro grau.
Obrigada a todos pelo cuidado que foram manifestando ao longo da ausência!

domingo, 6 de janeiro de 2008

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cheios de sorte

Um dia é Natal, no outro é Fim de Ano, Reveillon mais ou menos, e, logo a seguir, Dia de Ano Novo. No dia seguinte, já há outra coisa para entreter o nosso pensamento: o famoso "Paris-Dakar", que já vai em "Lisboa-Dakar" e já foi "Portimão-Dakar".
(A malta tem sorte, pá!)
E com o patrocínio do Euromilhões, jogo da Casa da Misericórdia.
(Já não se chama Santa Casa, pois não?)
"Entretém-te", diz o Zé Mário Branco, no FMI. O que é preciso é estarmos todos muito entretidos, enquanto se fecham hospitais, enquanto se decide acerca de um problema maior para as nossas vidas, o problema do nome dos santos nas instituições e, daqui a pouco, nas freguesias e outros lugares, enquanto a esperança, que devíamos respirar a plenos pulmões, vai murchando, em cada fim de dia....
Siga o Rally, para gozo de muitos! Sem acidentes, claro!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Efeito BB

A crónica é de hoje, do DN de hoje, e chama-se "Talvez ternura!" e está assinada por Baptista Bastos.
Ao contrário do quase habitual registo de amargura, perpassa nas palavras do escritor o desejo do bem, o anseio das coisas boas, daquelas que criam boas emoções às pessoas, as fazem felizes, as torna melhores, lhes dá (ou devolve!) a capacidade de sonhar e a possibilidade de se enternecer, que é o que acontece quando os nossos sentidos desmaiam de felicidade súbita e inexplicável.
Sinto-me às vezes ré na culpa do desaparecimento dos desejos e dos sonhos. É pena máxima viver sem sonhos. Mas, nos dias de hoje, só os loucos reclamam os seus sonhos perdidos. Os sensatos passam ao lado, equipados de realidade, imunes e ilesos. Sobrevivem e mandam no planeta. Que chatice!
Obrigada, BB, pelo assomo de ternura!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Faço minhas....

... as palavras dele!
Malaposta,1 de Janeiro de 1988 - "Começo bem o ano. Na firme disposição de o merecer custe o que custar."
Miguel Torga, Diário XV
Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades. O contrário só acontece aos poetas!Continuaremos a caminhar, deixando as marcas e as sombras junto ao mar, que levará e lavará os cansaços destes passos!