sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fernão Capelo

Parece ter sido há muito, muito tempo, mas talvez nem tenha sido há tanto tempo assim.
Como acontece sempre, uns lembrar-se-ão do fenómeno Fernão Capelo Gaivota, “como se fosse ontem”, outros, como se tudo se tivesse passado há muitos anos já. Uns recordam-no com emoção ainda intensa, outros arrancam-no com mais dificuldade das rugas da memória.
Assim que o vi,hoje, ao fim da tarde, a experimentar o seu voo mesmo em frente ao astro-rei, precisamente quando ele se despedia do dia, disse logo: aquele é o Fernão Capelo Gaivota!
A mim não me engana ele!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Tentações

É fácil ceder à tentação da lamentação gratuita e estéril!
Não fiz isto! Não fiz aquilo! Devia ter feito! Não devia ter feito!
É fácil e eu vou fazê-lo: devia ter viajado mais vezes no carrossel! Devia ter "apanhado", ou tentado apanhar, sempre o cavalo mais bonito, mais elegante, o que subisse mais alto e me permitisse dar uma "vista" do mundo mais panorâmica! Não devia ter tido tanto medo que os outros me julgassem e confundissem o meu desejo com oportunismo. Fá-lo-ão sempre que os seus interesses estejam ameaçados e não em função da sinceridade ou verdade dos simples desejos dos outros.
Como diz o poeta, Reinaldo Ferreira: "Quero um cavalo de várias cores!"fotografia:Carrossel do Zoo de Lisboa

sábado, 25 de julho de 2009

Chamem-lhe "felicidade", por exemplo!

A Estrelinha, que ensinara as primeiras letras e as contas a muitos jovens lá da aldeia, já ultrapassara os trinta há um bom par de anos, já estava casada há mais de dez e bebés, nada...
E toda a gente via e sabia como ela gostava de crianças!
Além disso a Estrelinha não escondia a pena de não ser contemplada pela Natureza.
Um dia, a Estrelinha pensou que talvez a Natureza precisasse de uma pequena ajuda. E assim foi! Ela e o marido foram aos médicos, falaram-lhes do seu desejo e a Ciência lá deu o jeito que faltava e semeou os bebés na barriga da Estrelinha.
Por isso, naquele dia uma verdadeira multidão esperava à porta do Hospital, em tempos Maternidade, a sua vez de espreitar a menina e os meninos.
Comentava quem saía que a menina era linda e rosadinha , tão rosadinha que se devia chamar Rosa. Quantos aos rapazes, diziam que berravam a bom berrar! Não havia forma mais adequada à sua condição de recém-nascidos de retribuir, para o outro lado do vidro, todos os sorrisos, acenos e alguma lágrima, que se ficava pelo “canto do olho”.
Esta hístória exemplar repete-se com tanta frequência que deixou de ser notícia.
Mas foi há trinta e um anos uma notícia feliz que fez nascer em muitas Estrelinhas a esperança de perseguir um sonho, com a ajuda da Ciência.
Há 31 anos, nascia em Londres o primeiro "bebé-proveta", designação que caiu em desuso porque contribuia, na mais perfeita inocência, para uma resistência chamada "preconceito". Passou a chamar-se "reprodução medicamente assistida".
Chamem-lhe Felicidade, por exemplo!

Imagem daqui

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sensação estranha...

...esta de ter o coração a dar horas!
Hoje passa mais um dia 24 de Julho, dia da minha cidade.
Este é o Jardim Vasco da Gama, passagem obrigatória no caminho da baixa, a caminho das emoções da matiné, no Gil Vicente ou no Scala, da coca-cola, no Continental ou do "chocoleite", na Cooperativa.Logo a seguir ao Scala, há a emoção dos correios. Pode sempre haver uma carta para "deitar" ou um telegrama.Ou mesmo uma chamada telefónica para a Metrópole! Há a emoção maior do John Orr, com as suas belas secções disto e daquilo recheadas de coisas que apetecem. Quem sabe não está lá mais para o fundo, em direcção ao Zambi, a emoção do Luna Parque com os seus cavalinhos a subir e a descer.
Fotografias do meu sobrinho, Gonçalo.(Abril de 2009)
Obrigada, Gonçalo, pelas fotos. O coração continua a dar horas, vazio e cheio de fome. Mesmo assim, obrigada!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pérola de jornalismo

«Ontem de tarde, estava na praça da Ribeira José Rodrigues e a sua cara-metade Luísa Pinto conversando, mas, por tal forma o faziam, que a moral pública era altamente ofendida. A polícia, que tem os ouvidos muito castos, aproximou-se do mal falante par e repreendeu-o, mas foi mal sucedido, porque depois do dize tu e direi eu, meia dúzia de sopapos caíram no cachaço do guarda civil, que tomou a seu cargo desafrontar a moral pública.» Entretanto, «apareceram mais guardas e o par sempre a multiplicar o par de murros.» Por fim, «o ditoso e valente par foi capturado e conduzido ao Aljube.» Fonte:1.º de Janeiro de 22-07-1869, p. 3
Observações: Se o casal, ou seja, as duas metades da cara, estavam a conversar, como é que ofendiam a moral pública? "Altamente", note-se! Seria o volume da voz? Seria o conteúdo da conversa? Ou, simplesmente, não era conversa mas sim uma valente discussão à antiga portuguesa?
Quanto aso ouvidos castos da polícia: estaria o jornalista a ser irónico? Já lá vão cento e quarenta anos, mas mesmo assim, não acredito nesta castidade.
"Dize tu direi eu" já me parece uma forma mais acalorada de conversa...
É que os bem intencionados dizem que é a conversar que a gente se entende. Ou será a falar?
"Malharam" na Guarda-Civil e forma parar ao Aljube, mas mesmo assim o bem-disposto do jornalista chama-lhes ditoso par. Ditoso não quer dizer feliz? Valente não quer dizer corajoso? Falar de coragem e valentia não pressupõe orgulho, aprovação? Então isto quer dizer que o jornalista aprova e orgulha-se do par ter batido na autoridade.
No mínimo, esta é uma peça de jornalismo um tanto estranha!

Fontes: texto do Leme, Efemérides: imagem do Getty Image.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Querida Lua!

Ontem foi o teu dia, mas eu andava tão ocupada com aquelas coisas nada românticas, que não tive coragem de falar contigo e dizer-te como tu és importante na minha vida.
Costumo olhar para ti, sabes?, sobretudo nas noites em que está muito redonda, muito gorda e muito branca a tomar conta das estrelas. Gosto da maneira como namoras o mar, um caso que já vi mesmo, com estes olhos, lá para os lados do Algarve.
És mesmo namoradeira! Aqui, nas minhas bandas, também já vi que te "atiras" ao rio... Ai, ai... Vamos ficar por aqui. Deves estar muito cansada, com as honrarias de ontem.
Deixo-te um poema que foi feito por uma menina da minha escola, já há alguns anos.
Lê! É muito, muito lindo!
A Lua
A Lua sobe, sobe sem parar,
quando dou por mim,
vejo o seu brilho no mar.
O Sol já desceu,
estrelas estão a cintilar
gaivotas começam a voar.
E eu,
vou para casa...
Vou sonhar.
Ângela,5ºL (2003/2004)

Às vezes, de tão redondinha, até pareces estar a desafiar-nos, a nós, que andamos cá tão em baixo, para subirmos, até ao teu chão que, se calhar, sabe a queijo, para brincarmos contigo.Gosto muito de ti, Lua!

sábado, 18 de julho de 2009

Noventa e uma velas para Mandela

"Uma vez em liberdade-disse-olharei por mim mesmo."
Mandela é a liberdade. É a liberdade que não se subjuga nunca ao desejo de ser apenas livre no corpo, porque não é no corpo que a liberdade começa ou acaba.
A prova é este Homem que completa hoje noventa e um anos de idade, vinte sete dos quais passados em cativeiro do corpo. O seu espírito, o seu coração, a sua mente foram sempre absolutamente livres.
Sinto um orgulho imenso por pertencer a um tempo da História em que Nelson Mandela deu rosto à liberdade.
E o que sempre vimos foi um rosto com sorriso de menino, porque já em menino ele derrotava os seus "adversários sem os desonrar".
É mesmo uma honra partilhar o tempo e o mundo com Nelson Mandela!imagem daqui

domingo, 12 de julho de 2009

(...)

A imensidão é sempre imensidão. Ponto final. Seja ela terra! Seja ela mar! Seja ela ar! Seja ela pedra, como parece ser este Castelo dos Mouros de onde se avista a imensidão da imensidão. A vista apouca-nos. Mas nem precisamos da vista para nos sentirmos "pouco". As pedras do passado esmagam a nossa noção de presente e dissolvemos as nossas presunções nas pedras que, uma a uma, chegam a uma altura vertiginosa, passam para lá das nuvens e para cá do tempo!

sábado, 11 de julho de 2009

Degustação

Esta zona ribeirinha dá os mais belos pores-de-sol que eu já provei. Como é que o rio engole a bola vermelha, assim, como se nada fosse, criando-se, como que por magia, um ambiente de saudade ou outra qualquer ausência, ou outra qualquer falta?!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Colocação?

Ainda não entendi por que é que se chama "colocação" a esta fase dos concursos dos professores! Fica na ideia de quem ouve ou lê que estavam sem trabalho, por colocar 30 mil professores, o que não é verdade. Destes trinta mil, vinte e nove mil e quinhentos já tinham o seu vínculo: eram quadros de escola de nomeação definitiva(QND) ou provisória (QZP).Que não se passe a ideia de que houve uma fartura de lugares deixados vazios pelos colegas que se reformaram (e são muitos!)a serem ocupados pelos professores contratados, esses sim sem qualquer espécie de vínculo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Parabéns, Nelson!

People like you and I, though mortal of course like everyone else, do not grow old no matter how long we live...We never cease to stand like curious children before the great mystery into which we were born. Albert Einstein, letter to Otto Juliusburger
Esta ideia vai direitinha para o meu amigo Nelson que apagou ontem mais umas velinhas. Celebrou a vida que lhe tem dado, tanto quanto sei, "presentes" maravilhosos!
Parabéns, Nelson!

O que é isso "Férias"?

A pergunta é uma paráfrase de uma conversa que me faz saudade.
Mas também tenho alguma saudade de sentir as férias. Mais do que ter férias, é importante sentir as férias. As férias tornaram-se, como quase tudo o que faz parte do nosso admirável mundo novo, um item da burocracia: um direito do trabalhador, um dever do empregador, um ordenado suplementar, uma viagem, uma casa suplementar, com todo o trabalho doméstico que implica, uma obrigação de se sair da casa-mãe rumo a trabalhos rotineiros que não reduzem os níveis de impaciência que caracterizam os dias normais.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"A ardente perfeição da tua ausência", Sophia!

Eis que de um certo lugar se adivinha o mar, pois que se ouve, ao longe…
Sigamos, deste lugar, o rio que vai dar ao mar, a esse mar que abraça a alma de Sophia…
De hoje em diante, o Miradouro da Graça chamar-se-á Sophia, em nome da poesia, que é eterna, tão eterna que ultrapassa esta barreira a que chamamos tempo, vida ou outra qualquer designação que se espraie em azul, ou verde, a na mistura das duas tonalidades.
Desse mar de que Sophia não se saciou.
Tão eterna é a poesia que a poetisa prometeu voltar "para buscar os momentos" que não viveu "junto ao mar".O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O nosso tempo

À medida que vão morrendo as pessoas do nosso tempo, o nosso tempo vai morrendo com elas. Ficamos sós, com a memória e o futuro. Difícil gestão, quando as forças falham e elas falham mesmo!
Só as árvores morrem de pé!
Algumas até continuam de pé!