domingo, 25 de abril de 2010

Um dia feliz!

Estes são os outros bons momentos que marcam, dentro de mim, a data de hoje, vinte e cinco de Abril!
Há um ano, o Rafael e a Sofia casaram, no Cabo Espichel, com o mar por perto e com uma importante embaixada de amigos, para além da família, que levaram muita alegria e os presentearam com a sua presença feliz, divertida!
Houve sol, houve vento, houve chuva, houve dança e houve sobretudo essa felicidade estampada na cara dos noivos que "cem anos que eu viva não posso esquecer", como diz a cantiga!

sábado, 24 de abril de 2010

O que é doce...

Doce, era o sabor das tangerinas que nasciam ali à frente dos nossos olhos, no quintal da minha avó, desafiando-nos o desejo, mesmo quando a altura da árvore parecia impor muito respeito.
Doce, era o som das conversas, quando à tarde as mulheres da casa se juntavam no quarto da costura. Dali saíram os mais belos bordados, muitas rendas e muitos vestidos e bibes que enfeitaram a nossa infância.
Doce, era aquele o momento em que a minha tia esperava pelo meu tio, ao portão, para lhe dar o beijo da chegada. Só ele e só ela. Como viviam todos juntos,tios e avós, a intimidade que conseguiam ter neste breve instante era um luxo. Um dia, fui ter com a minha tia e ela disse-me: Sabes, o casamento é muito bonito! Doce, foi este testemunho!
Doce era o respeito pelas tradições da casa: as refeições, o lugar à mesa e a hora do folhetim.
O que é doce... diz o povo...nunca amargou.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

(...)

Vamos lá estender a Primavera à janela, para ver se ela seca. É que não se vê jeito!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Às portas da vida

Parecia um quadro. Um daqueles quadros que resulta do olhar que busca a diferença e a exalta, mesmo quando essa diferença toca o improvável, o impossível ou o absurdo. Tudo se torna possível para o artista…
Sentada à mesa, quieta, a figura mínima nem chegava com os pés ao chão. As pernas caíam-lhe do corpo com a mesma naturalidade dos cabelos. Estes estavam separados, cuidadosamente, matematicamente divididos em dois tufos que desciam até aos ombros, apanhados por dois laços de cor forte. Seriam vermelhos? A cor da fita era viva, mas talvez não chegasse ao vermelho. Talvez ocre. O cabelo era cinzento, tal era a mistura perfeita dos brancos e dos pretos.
Sentada à mesa, quieta, era uma menina que tomava a refeição. Para não sujar a roupa, domingueira, certamente, a julgar pelo cuidado posto no penteado, um enorme guardanapo branco caía também, com a mesma inacção dos cabelos e das pernas. Seria inacção ou o respeito absoluto pela lei da gravidade? Até os cantos dos olhos caíam em perfeita sintonia com os “totós”. Em sintonia. Sem harmonia. A harmonia pressuporia sinais de vida, de prazer, que há muito se deviam ter alheado deste rosto e deste olhar. E deste corpo que se deixava cair ao som dos talheres que lhe chegavam às mãos, que mecanicamente conduziam o alimento à boca. Apesar de parecer um movimento autónomo, o simples gesto era acompanhado por um olhar atento, por um gesto que ajudava a mostrar ao mundo que aquela boneca não estava sozinha no mundo, nem no restaurante. Tinha dono. Ou melhor, tinha dona: uma mulher mais nova, ostentando a plena posse das faculdades mentais que dirigia aquela sinfonia para os habituais clientes do restaurante e para os outros, que talvez estivessem ali pela primeira vez. ( Esta malvada sofreguidão da dor alheia, de que fala José Gomes Ferreira...)
Terminada a refeição, a mulher, em plena posse das suas faculdades mentais, limpou a boca da boneca velha, ajudou o corpo quase inerte a poisar no chão e a manter a postura vertical. Pegou num casaco que estava pendurado nos bengaleiros, daqueles que ainda há nos restaurantes com mais de trinta anos, ajeitou-o, alisou-o, tirou-lhe o pó que não havia e encaminhou os braços caídos da sua boneca para dentro das mangas. Sem resistência alguma, os braços seguiram o seu caminho e as mãos mostraram-se, olhando os dedos para o chão, talvez em sinal de vergonha.
Depois das parcas saudações, saíram, porta fora, em direcção a outros "palcos"…

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia Das Verdades

Hoje é dia das Verdades: Parabéns Diogo! Ora aí vai toda a verdade. A esta hora já tinhas berrado a plenos pulmões, já estavas vestido de verde, camisola e botas, o teu pai já tinha desabelhado para me comprar um ramo de rosas (que eu tinha exigido), os telegramas já voavam para Moçambique, os telefones já tinham trrintintado em todas as casas...
O bebé nasceu. É um rapaz. Pesa 3.550. Chama-se Diogo.
Umas horas mais tarde, o Diogo já era sócio do Sporting, porque o caminho mais curto entre a Lisnave e a Cruz Vermelha passava pelo Estádio de Alvalade. Justificação do Avô!(Saudade!)
Parabéns, Diogo!