Por mais voltas que dê, vou sempre ter ao maravilhoso grupo de pessoas que acudiu (nas várias acepções de acudir) ao Flamingo Zé, à Nini e a mim. E isso é que é um verdadeiro sucesso. Nada mais conta.
Só mesmo a amizade. Conta tanto que até constrange. Falo por mim, claro! Mas eu não mereço tanto, penso eu. Não sei se mereço ou não. Mais uma vez, não estou a pôr em questão o valor da escrita, mas o meu próprio valor enquanto ser humano. Uma amiga da Nini disse-me ao ouvido que eu sou boa pessoa. Fiquei derretida, pois é tão raro dizerem-me isso.
Merecendo mais ou menos, a demonstração da amizade é a maior das honrarias e hoje sinto que valeu a pena chamar os amigos. Foi bem vê-los chegar com a alegria dos reencontros estampada na cara. E o reencontro não era só comigo ou com a Nini. Era um reencontro dentro dos próprios grupos. Vi que a Ruchinha gostou de rever a Cristina e a Inês. Meu Deus, há cinquenta anos vestíamos o bibe do vivo azul, levávamos reguadas da Irmã Saint Yves e repreensões da Irmã Maria Luísa. Na memória, já não doem e até fazem sorrir.
Em representação de um tempo único e inesquecível dos arrebatamentos amorosos e outras experiências aparentemente radicais, a minha irmã de coração, a Milú e a própria Nini. Há fraternidades que certamente são fruto de uma conjugação celestial ou outra mais inexplicável. Mas que existem, existem!
Mary Bi, ficas aqui encaixadinha, agarradinha às minhas memórias douradas e tão doces como a marmelada de Odivelas.
As minhas amigas avós (são tantas!!!!) levaram os rebentos netos, aos pares quando tem de ser, ou, se tal não foi possível, vinha a foto comprovativa. (A Margarida é igualzinha à Matilde. Pode ser que também goste do meu colo. Tenho de experimentar!)
Nós que vivemos o PREC, com bebés ao colo!! E são esses bebés de colo que agora chegam aqui e dão lições de Biologia, como se fosse fácil falar de flamingos...sob o olhar "abensonhado" da avó, a nossa querida Dona Antonieta.
E essa geração inteira que vem depois de nós não disse que não e foi, ou veio,"dar um beijinho" e mostrar que afinal valeu a pena termos partilhado alcofas, biberons e até vestidos de grávida, porque sempre se poupava para uma saída extra.
(Será que estou a ficar nova? É que vieram outros representantes desta geração aflita, tão aflita como o Flamingo Zé, que eu já conheci com diploma ou quase... Obigada, Sofia, Joana, Francisco, Bruno e Rui!)
"Cresci" muitos anos e mesmo quando eu pensava que já não ia arranjar novos amigos, a vida provou-me que estava redondamente enganada. Madalena e Fernando, São Tavares, Ilda e a "minha escola", onde, apesar das inúmeras dificuldades conhecidas, se cultivam relações, floresce o afecto e se faz prevalecer o verdadeiro sentido da existência: ser amigo vale a pena. Alguns são repetentes do Flamingo Zé.
E, outra vez a frase:"quando eu pensava que já não ia arranjar novos amigos, a vida provou-me que estava redondamente enganada". Eis que parto na internet à procura de quem me possa fazer companhia numa nova condição. Eis que encontro, dia após dia, à velocidade da luz, pessoas que se despem de todos os preconceitos, de todas as capas e se revelam com uma sinceridade, honestidade e transparência que o mundo material não aceita. Tornamo-nos amigas do “peito”, por verdadeiras razões de peito e a amizade progride, acelera, de peito feito (ou refeito, nalguns casos) na segunda etapa do conhecimento materializado por encontros vários. Que assim continue, eu desejo muito.
Eu tenho uma África e o Jorge tem outra. Da África do Jorge vieram também amigos conhecer o Flamingo Zé. Levaram-no no coração e isso é bom.
Podia ter acontecido emoção sem o Jorge, os meus filhos e a Sofia? Claro que não. Estão agarrados à minha pele. Faço finalmente jus ao epíteto. Sou uma “chata”. A Filipa não se importa de ficar aqui connosco, nesta categoria “famílias”? É que agora somos mesmo família e isso é bom.
Sei dos verdadeiros impedimentos inultrapassáveis dos que não puderam estar e também contam.
Obrigada a todos. Foi mesmo inesquecível!
Para os amigos da Nini, para a Carmo e Jorge Nuno, para o André, Ana e pais, uma abraço cor-de-flamingo!!!
foto da Mélita
