Ao longo da viagem, apreciou a planura e o silêncio calmo do lugar parecia entrar-lhe pelos olhos adentro. Não fora a membrana que lhe impede de algum modo a visão, esta seria a mensagem perfeita de paz e tranquilidade a enviar ao um cérebro habituado à turbulência de um dos mais animados bairros de Lisboa. Se lhe tivessem perguntado se lhe agradava a ideia de passar uns dias ali, só por esta primeira impressão, diria certamente que sim.
Ao longe, a paisagem parecia mover-se em novelos de lã. Não era possível a nitidez desejada. Mas a ideia de tocar nos novelos de lã que ondulavam no campo também lhe agradava.
Mas a melhor surpresa estava ainda reservada, porque a melhor é normalmente a derradeira! Uma “igual” esperava: como se o destino tivesse escrito o guião e a “diva” ali estivesse guardada naquele silêncio e recato, aguardando o momento mágico que os contos de fadas preconizam como verdadeiro desencadeador da felicidade perfeita.
Assim que se viram não caíram nos braços um do outro, mas foi como se tal tivesse acontecido.
Assim que se viram, travaram conhecimento como a espécie faz: cheiraram-se e depois largaram a brincar pelo campo fora, quais corças ou outros elegantes animais próximos na cor e na graciosidade.
E foi de tal modo o encantamento que o Bali não queria vir embora, regressar à cidade, à casa “paterna”, a Campo de Ourique, que de campo só tem mesmo o nome. Para regressar ao Qashqai foi preciso enganá-lo e fingir que a Princesa Encantada faria também a viagem. Só assim ele tomou o seu lugar!!!!!
Aguarda-se um desenvolvimento: o amor à segunda vista, ou como o Bali e a Vicky caíram apaixonados nas patas um do outro!
