sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Sonho (Im)Possível

Sonhar mais um sonho impossível...
(Mais um ou mais alguns! Há prioridades! Há opções! Há gradações de possibilidade! O importante é mesmo não deixar de sonhar. Acordar todas as manhãs com o sonho bem desperto. Senti-lo a correr nos nossos braços que diariamente se fazem à luta. Só o sonho suporta. Só o sonho alimenta.)
Toda a cantiga nos remete para o mundo de projectos que são comuns à humanidade.
Toda a cantiga nos adverte do esforço que nos leva adiante: lutar quando é fácil ceder. Reescreverei: lutar porque não é fácil ceder.
Vencer o inimigo invencível? Com armas de papelão!
(Sim, outro Cavaleiro do Sonho: Dom Quixote!
Não é fácil dissertar sobre os inimigos. A minha vitória será impedi-los de conquistar a minha tranquilidade, a minha paz interior.)
Quantas guerras terei de vencer? As que tiver de vencer!
Não me interessa saber se é terrível demais, pois o importante é tornar provável o voo improvável, expandir os limites e manter acessível o tal impossível chão da realidade.
"Por um pouco de paz"? Não. Eu quero a Paz inteira!
Essa sim, é o sonho (im)possível!
"E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Ano Do Flamingo!

Dois mil e dez foi, sem dúvida, o ano do Flamingo!
O Flamingo trouxe um encanto especial às nossas vidas, ao longo da segunda metade do ano!
Quando apareceu, no Cais dos Vapores e o vi, pela primeira vez, não podia sequer imaginar que nos viria a proporcionar tantos momentos felizes.
Começou por ser uma pequenina história no Chora. Depois cresceu e envolveu-se ainda mais na beleza da Zona Ribeirinha e, com o contributo da verdade das coisas, tornou-se no livrinho que viu a luz do pôr-do-sol no dia 17 de Junho.
Foi a primeira onda de emoção do Flamingo Zé! Acho que não lhe disse, ao Flamingo, na altura, mas uma coisa que temos de aprender na vida é a viver os momentos bons e felizes, já que é uma felicidade sermos aprovados por pessoas que admiramos e de quem gostamos com o coração inteiro.
Senti a falta da Nini ao meu lado. Li a carta que escreveu de Nova Iorque para os meninos que estavam presentes, na primeira apresentação, no último dia de aulas, mas mesmo assim senti a falta dela. Ainda por cima, os nervos de estar perante um público notam-se mais em mim do que nela. A Marta e a Regina tornaram a sessão muito especial, também elas carregadinhas de emoção e de nervos que acabaram por prestar um serviço inestimável àquele fim de dia.
Um mês depois, veio a segunda onda, com a Nini já regressada das Américas. Nesse dia 23, juntámos os amigos e celebrámos, a preceito, a chegada do Flamingo às nossas vidas. Beijinhos, abraços e flores!
Obrigada, Flamingo! Obrigada, Nini! Formar equipa contigo parece-me a coisa mais natural do mundo. A minha admiração por ti é enorme e sinto muito orgulho em contar contigo para estas aventuras mais ou menos literárias que servem o objectivo de fortalecermos ainda mais esses laços, de os passarmos aos nossos filhos o que, no caso do Flamingo, foi bem evidente. Obrigada, Anita, por fazeres também parte desta equipa “maravilha” com o teu saber de “Editora” acrescido de carinho.
Obrigada, Jorge, por me “obrigares” a levar a sério o projecto do Flamingo e por me acompanhares com tanto entusiasmo nas voltas e reviravoltas das escritas, das publicações. És o “verdadeiro” manager!
Obrigada a todos. Tenho o P de Presente gravado no coração.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

S de...

Era uma Senhora com S grande, como se diz quando a palavra faz jus à ideia que representa.
A beleza talvez não fosse o seu traço mais marcante, mas tornava-se especialmente bela pela harmonia, pela sintonia com o bem que a sua presença emanava.
Sorria naturalmente e por isso os mais simples, as crianças, por exemplo, aproximavam-se e olhavam-na com a admiração inteira de quem tem palmo e meio de tamanho por fora e um arranha-céus de esperança por dentro.
Cresci com os olhos postos nela. Passei de criança a adolescente e quando tocou a pôr em prática os sonhos ela estava lá, como que a aprovar os caminhos percorridos. Percebi assim que todos os que tinham crescido comigo a veneravam de maneira especial. Percebi assim que estávamos perante um património de valores que uma geração tinha tecido em prol do sentido da vida, em prol do valor maior da humanidade!
(Ao longo dos meus dias “úteis”, falei desta senhora aos meus filhos e aos meus alunos, enfim aqueles por quem sinto uma responsabilidade directa na manutenção do tal sentido da vida!)
E a vida passou como os dias do circo: umas vezes em festa, com o calor humano das bancadas; outros dias, a dar de comer aos leões; outros, a treinar os bichos e todos a contar os recursos para o sustento de cada um.
(E todos, mesmo os leões mais ferozes e bem alimentados enfraquecem e entristecem!)
O certo é que a presença da Senhora com S grande começou a faltar-me. Por vezes, dei por mim, no meio de verdadeiras multidões, à procura dela. Por vezes a minha imaginação delirou tanto que julguei tê-la encontrado.
A última vez que isso aconteceu foi na escola. Pareceu-me vê-la passar. Preparava-me para dizer aos alunos quem era a senhora que ia ali a passar, mesmo junto à janela. Aproximei-me e fiquei de nariz colado ao frio do vidro, tolhida pela desilusão. Não estava lá ninguém. Foi o silêncio das crianças, habitualmente prontas para aproveitar toda e qualquer pausa, que me devolveu à realidade.
Pus-me a fazer contas às muitas vezes que senti a sua presença doce. Foram muitas! E a recordação dessas muitas vezes continua a dar-me alento. Porém a sombra da sua ausência nos últimos tempos paira nas minhas alegrias tanto quanto nas minhas tristezas.
Se alguém a vir por aí diga-lhe o quanto eu tenho sentido a sua falta. Espero que não tenha morrido.
Espero ainda que venha conhecer os meus netos!