segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Oh My Papa!


Oh my papa, for me he was so wonderful! Oh my papa, so funny, so adorable! :(
I miss him so today!
(O Eddie Fisher, "um rapaz da tua geração", cantou isto a pensar em ti e em mim, papá! Tenho a certeza!)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Medo, esse Adamastor

Nota prévia: este é o texto que a Bárbara, Coordenadora da Equipa da Educação para a Saúde, me pediu que escrevesse, à laia de testemunho, no dia 4 de Fevereiro, um dia para assinalar a luta contra o Cancro.
Foi a primeira vez que o fiz, sem rodeios. Senti que talvez eu possa dar voz a um caso em que não há sofrimento e que o Medo foi o único inimigo a fazer perigar a cntinuação da vida tal qual eu a quero viver: com o Jorge e os "miúdos"; com os meus amigos, muito especialmente com as amigas que, ao longo do tempo, se vão revelando cada vez mais fundamentais no meu "respirar" de todos os dias; com a família que sabendo o quanto prezo a amizade, sentirá que não é menor incluí-los na categoria "amigos".
Aqui, na minha história, só é relevante o Medo. Não fosse aparecer alguém (Obrigada, Milú!) que, em jeito de "sentença" me obrigou a ir fazer a mamografia... Aproxima-se o dia de fazer mais uma, de rotina, e o Medo já começou a fazer estragos, a tirar-me sonos e a dificultar-me os sonhos.
Tudo o resto está bem.
Aí vai o texto que foi publicado no blog da escola, da Educação para a Saúde,Educar Para o Bem Estar!
A vida é assim mesmo.
Dia a dia, construímos os nossos dias!
Dia a dia, aprendemos a passar “além da dor”.
(Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor! disse o poeta Pessoa!)
Como é que se retoma o leme, como se enfrentam adamastores, como se prossegue o caminho, atracando a um porto seguro aqui, outro porto seguro acolá.
(Quando falamos de Adamastores, estamos a falar de medos enormes, imensos. Mas à semelhança do verdadeiro Mostrengo que guardava os mares do sul, este pode ser um mito, uma ilusão, uma dificuldade a ultrapassar…)
“Sabemos bem do que estamos a falar, quando falamos de cancro.”
Sabemos, sim. É de dor. É de medo.
Contudo, na vida, a experiência é que dá a verdadeira medida. A maturidade dá-nos esse saber. A humildade dá-nos a dica: podes e deves aprender com a experiência dos outros.
Para isso, é preciso vencer outra espécie de medo: o de falar com quem já viveu o caminho que vai da incerteza e da dúvida, à esperança e à certeza de estar à nossa espera, ao alcance das nossas forças, um tratamento que nos garante a vida.
É fundamental encarar essa fase: cirurgia, nem sempre necessária ou importante para o controle da doença; quimioterapia, tratamento que tem consequências difíceis de encarar, mas que são transitórias; radioterapia, tratamento sem dor que tem de ser encarado como muito sério porque é necessário proteger as partes do corpo que sofrem as radiações, para que seja levado até ao fim, sem problemas. Há também a hormonoterapia, específica de alguns casos de cancro e que consiste na toma diária de um poderoso comprimido que ajuda, combatendo e eliminando as condições hormonais em que o cancro apareceu e se desenvolveu.
Depois destas fases, e sempre com amigos e familiares por perto, com muito optimismo, queremos voltar à Vida.
Queremos voltar ao convívio alegre com os amigos, às conversas sobre as coisas com menos importância, aos passeios, aos teatros e cinemas, aos almoços e jantares, aos passeios à beira-mar, à contemplação do pôr-do-sol.
Ao trabalho! Aos projectos!À Vida, em pleno!
Madalena Santos, professora, 59 anos. Cancro da Mama aos 56 anos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Convite

...para a festa dos sentidos! Será como um casamento de sentidos, sem sentidos obrigatórios e, muito menos, proibidos.
Cheguem e vão-se chegando aos livros, aconchegando o pensamento para o prazer das sensações que os Mestres das Letras prepararam. Deixemo-nos levar para uma esfera de bem-estar que dá essoutro sentido à vida. Vale a pena? Perguntamo-nos, inquietos dos desígnios desta existência efémera que se eterniza, por sinal, através desta arte ou de outras artes. E Pessoas responder-nos-ão em coro, qual tragédia grega, que sim, desde que a alma não seja pequena.
Se a alma não é pequena, habita um homem que tudo faz para ser Feliz!
Para isso, pode comer, beber, correr, dançar, ler... Porque não?
Sirvam-lhe livros à vontade, à descrição.
Como na refeição dita real, a que serve para alimentar o corpo, sirva-se primeiro uma entrada. Siga-se a substância. Saboreie-se, finalmente, o doce.
Uma boa refeição não deve deixar amargos de boca. A vida ainda menos. Os livros, é que nem pensar!
Se podemos dar de beber à dor, podemos também dar-lhe de comer.
Mas, como diz o Manual do Salvador, somos livres até de rasgar a folha!

Foi há dois anos!
O Banquete cumpriu a sua função: reuniu muitos amigos!
E assim, sem mais nem quê, ali estavam os textos que o Jorge tanto tinha insistido em publicar e que já me tinham proporcionado muitos momentos bons!
Estavam ali transformados em iguarias para celebrar afectos!
Não há palavras que possam descrever as emoções de sentir que os que estão ali estão envolvidos por dentro, pelo lado do coração e da amizade verdadeira. É um privilégio conseguir reunir tantos, de tantos lados da vida!
Ao meu lado, a Nini, aquela irmã que não falha nunca. Na plateia, as outras "irmãs" que me cobrem de mimo e que sabem da minha vida, mais do que eu, talvez... gente com quem divido o hoje e outros com quem vivi intensamente os dias mais verdes!
Falta sempre alguém, não por dizer não, mas porque a Vida não deixa.
Mas a Memória cumpre o seu papel e todos se tornam verdadeiramente presentes!