sábado, 19 de março de 2011

Dia de Todos Os Pais

Se a palavra Pai fosse um verbo não podia ser conjugada num tempo de cada vez. Todos os Tempos cabem na Palavra Pai, mas o que domina e prevalece é o Presente.
O Pai é, porque a condição de pai e de filho não se remete para nenhum passado, nem se fica espera para futuro algum. O Pai está!
No nosso imaginário, mesmo quando já vivenciámos a experiência da paternidade/ maternidade, o Pai é grande e forte, é o herói que nos salva dos medos maiores.
Mesmo quando a Vida já nos ensinou que todo o ser humano tem "direito" à tentação e os nossos pais não tinham de ser diferentes, porque se o fossem, alguma coisa no princípio do Verbo estaria errada. Na mitologia do paraíso, Adão e Eva foram os protagonistas do pecado e da tragédia universal humana. Mesmo assim, a figura do Pai não sai lesada. Pelo contrário, o Pai integra melhor, à medida que a Vida avança, a dimensão humana. Mas como para ele a Vida já vai mais avançada, permitimo-nos receber o conselho, ouvir o aviso.
Acerca dos conselhos, o meu pai dizia-me que não mos dava porque eu sabia errar sozinha. E foi esta responsabilidade que me transmitiu e, através de uma recordação forte, de uma memória muito clara, permanece.
Ensinar a aceitar o erro é também Tarefa de Pai.
Obrigada, papá! Como diria o Lobo Antunes: Este é o meu pai. O meu pai é este homem bonito, alto e jovem. Há nele muitos traços de sedução que importou dos ídolos da tela. As fitas são parte da sua vida. Como na Rosa Púrpura do Cairo, a vida real e a da tela misturavam-se...A maneira de ver a vida era, como no Cinema Paraíso, o resultado do cruzamento de vários momentos e de vários Gigantes dos ecrãs.Diria como Marcello Mastroianni: a mulher é o sol, uma extraordinária criatura que faz galopar a imaginação.

terça-feira, 8 de março de 2011

Tudo vem a propósito...

Os dias vão passando e a vontade de escrever sobre qualquer momento mais relevante fica adiada pelos motivos mais comezinhos: cansaço de origem variada, preocupações, trabalhos da escola e algumas viagens que as circunstâncias da minha "unicidade" ( filha única, por exemplo!)impõem.
Então, o que é que está em atraso? O encontro com Dulce Braga, em Lisboa, na Bulhosa de Campo de Ourique, na apresentação do seu fruto, o fruto do encontro entre os dias que ficaram e os dias que são. O fruto é o maboque. Não provei o outro maboque, só provei este e o seu sabor é de uma beleza muito rara, sobretudo quando se mistura um outro sabor, o da distância,o da ausência e o da saudade. Dizem os livros de botânica que o maboque tem um sabor agridoce. Está explicado!
No entanto, o doce foi o elemento que sobressaiu, sem dúvida alguma!
Senti esse “doce” no reencontro da Dulce Braga Mulher Escritora Agora com a Dulce Menina de Angola. Além de doce, foi uma emoção linda que se espelhou nos olhos e no sorriso da Dulce. Foi uma emoção linda que passou por todos os que ali estavam a saborear um gosto antigo ou a provar um sabor, pela primeira vez, como foi o meu caso.
O convite chegou-me aos olhos pela boa vontade do Nelson Reprezas, amigo comum. Foi também uma surpresa linda que me encheu de orgulho.
O dia já estava perfeito, mas a dedicatória da Dulce deixou-me o coração embargado.
Obrigada, Dulce, pelo convite e pela escrita que me vai trazer muita emoção boa, aquela que cura feridas.
Obrigada, Nelson, por teres sido o mensageiro da mensagem boa!
E, para terminar, vou também citar, transcrevendo (página 187) umas linhas que retratam bem os dias que correm, em que o doce se dissolve mais do que a conta, nas amarguras da vida.
“Peguei no primeiro disco da pilha que estava do lado do gira-discos e o coloquei para tocar. Era um compacto de Janis Joplin, de 1970, que havia comprado numa loja de discos em Nova Lisboa, um ano atrás. Tocava a música Get It While You Can e a letra não podia ser mais apropriada: In this World, if you read the papers, You know everybody’s fighting on with each other… Don’t turn your back on your love, no, no!
Foi o que aconteceu neste fim de tarde: ninguém virou as costas ao amor, sobretudo àquele amor que nos liga a nós mesmos, por muito que seja geograficamente distante …