sábado, 22 de setembro de 2012

E assim se fazem as coisas...

Gente nova nas nossas vidas fez a diferença neste aniversário!
Para ter uma Joaninha como a nossa vale a pena "crescer" para lá dos sessenta! 
Para tomarmos o pulso aos valores que tentámos transmitir aos nossos filhos também vale bem a pena!
Pelos mais velhos!
Pelos Amigos que "crescem" connosco, ao nosso lado. Umas vezes, acertamos nós o passo pelo deles. Outras vezes, acertam eles o passo pelo nosso. A Alegria com eles faz mais sentido. 
Não esquecemos nunca os que nos faltam e reservamos um agradecimento que vai até ao céu, por terem feito parte das nossas vidas. 
Tchim! Tchim! 
À tua saúde! 
Parabéns, Jorge! 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Quando eu vim para esse mundo...

"Quando eu vim para esse mundo"...
Era com este verso que as casas mergulhavam nos pequenos ecrãs a preto e branco, há quase quarenta anos.
"Eu não atinava em nada..."
A loiça do jantar ficava por lavar, as linhas telefónicas ficavam livres e até os mais pequenos mandavam os brinquedos dormir, porque estava na hora da Gabriela.
O meu filho Diogo, então com menos de dois anos, punha os bracitos no ar, olhava atento para a televisão, escutava ainda mais atento os primeiros versos, à espera do acorde que o faria rodopiar com muita alegria, tal como a música inspirava.
"Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim"...
E as personagens criadas pelo talento do enorme Jorge Amado vinham ter connosco depois do jantar. Estava inventado o horário nobre da televisão. Julgo eu!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Terapias de sala de espera

À medida que a vida avança, também avança a experiência das salas de espera de consultórios médicos ou hospitais, a que fui poupada durante o período de juventude saudável. 
Os antigos diziam que a idade traz tudo. Tenho de admitir que esta é mais uma das verdades proverbiais incontornáveis. Mas antes assim. Que o tudo não venha antes da idade é o que eu peço .... Pedia. Acho que agora o meu poder negocial com os deuses já vai perdendo força. Já não posso exigir uma saúde perfeita. E só me apercebo que a minha saúde até é quase perfeita quando alguma coisa em mim resolve avariar, quando alguma peça deixa de funcionar. 
É o caso que me tolhe: o pé, ou melhor, o tornozelo. Inchado, doloroso a impedir-me de andar ligeira e rápida, de subir e descer escadas sem ser com um pé de cada vez. E ainda há o pormenor estético que não subestimo: o pé está horrível. 
A falta de explicação e de diagnóstico atirou-me para a fisioterapia em busca de alguma normalidade e algum alívio. O tratamento não tem grande história nem faz correr tinta: é o que é, com os vários momentos e as várias "máquinas". 
Mas a sala de espera já tem que se lhe diga: uns coxeiam, como eu; outros trazem canadianas; outros trazem ligaduras elásticas nas mãos, nos pés. Todos, quase todos têm mazelas visíveis, como visível é o desejo de alívio. 
Mas nada disto impressiona por aí além
O que mais me impressionou foi encontrar alguém que não via há algum tempo e que conheço há mais de trinta anos. O que mais me impressionou foi constatar o estrago que o tempo fez! O que mais me impressionou foi a lúcida resignação que é uma espécie de homenagem à Essência da Vida e como irrompe de um corpo doente uma palavra amiga e bondosa... 
Estivemos de mão dada durante uma hora e meia e nunca senti naquela mão, outra tensão, outra força que não a da alegria do reencontro... 
Há uma amiga minha que diz que o efeito da ida ao médico começa na sala de  espera. Acho que desta vez me submeti, ali mesmo, a uma terapia sem nome técnico. Deve ser o equivalente à fisioterapia dirigida diretamente à alma.