quinta-feira, 20 de junho de 2013

Opinionismo!

Alberto Gonçalves, "opinionista" do Diário de Notícias, escreveu há dias, a propósito da greve dos professores, um artigo com o título "Ninguém ensina os professores?". Não é pelo título que me sinto ofendida. É pelo conteúdo que considero ofensivo, cheio de insinuações que constituem um grave insulto a quem fez desta profissão uma vida como muitos dos que vão ler o artigo de opinião. 
E tudo isto por causa dos públicos testemunhos de alguns notáveis da nossa sociedade dita civil, não-professores e sem qualquer ligação directa à profissão, vilipendiando os  cidadãos livres  que exercem, com a mesma liberdade do jornalista, o seu direito de dizer, escrever, falar sobre a causa dos professores. 
( O meu agradecimento a estes!) 
Tenta rebaixá-los, tratando-os por "filhotes de....", e, pior ainda, apelidando este apoio de "sabujismo".
(Repugnante!)
Este senhor ultrapassa o sentido da dignidade humana e da dignidade profissional dos professores. Diz que levou reguadas, por causa das contas, e que quem o ensinou a ler e a escrever foram os pais e os avós. 
Isto só prova que a condição de professor é transversal à relação entre quem ensina e quem aprende e que isso dignifica quem põe o gosto e o saber, dia após dia, ano após ano, ao serviço de um outro, o aluno? 
Pena que ninguém o tenha ensinado a "ser". É algo que a que os professores também dão muita atenção porque não queremos alunos que se possam confundir com sacos de conhecimentos. Queremos pessoas inteiras que trabalham, elas mesmo, à luz da sua individualidade, os conhecimentos que adquirem.
Mas a maior revolta que eu senti foi ao ler o que diz sobre a tarefa de vigiar exames que poderia ficar a cargo de uma máquina ou de um qualquer funcionário da escola, remunerado com salário mínimo. Que desrespeito! Que insensibilidade!
É este pensamento que domina os poderosos! 
Se fosse um filho meu ou um dos meus alunos a escrever este artigo eu estaria muito mais infeliz. 
Felizmente, não é! 
Podem lê-lo aqui





terça-feira, 4 de junho de 2013

Memória do Dia dos Anos do Meu Pai

Quadro do meu pai, datado de 1988.
Este é o único quadro com uma figura humana. O meu pai gostava da paisagem, da natureza. Punha a arte e o talento ao serviço da figura humana, especialmente os amigos, na caricatura, com o toque do sentido de humor sempre bem aplicado.
Era um artista! Mas era sobretudo uma pessoa que cultivava os prazeres da vida, pondo em prática uma filosofia cujas fontes eram isso mesmo: as coisas boas da vida!
Gostava de cantar, de dançar, de pintar, de escrever, de conversar, de namorar... Para seduzir, recorria brilhantemente aos modelos da época: Rudolfo Valentino, Gary Cooper, Humphrey Bogart....
Punha muita convicção em tudo o que dizia e em certas alturas.
A relação com Deus era de confiança recíproca. Já bastante doente, afirmou com as certezas todas do mundo: "Eu acredito em Deus e Deus acredita em mim."
Obrigada, Papá, por tudo o que me ensinaste!