sábado, 19 de outubro de 2013

Também dói!

Vale a pena ouvir Os Sinais, de Fernando Alves, sobre a proposta de rescisão por mútuo acordo, para os professores! 
A juntar à ditadura da papelada inútil que, desculpem a redundância, em nada acrescenta o valor do processo de ensinar e aprender, vem agora a pressão para o professor sair por vontade falsamente própria. 
De pouco me vale o contentamento de ter já saído, com alguns ferimentos, mas livre dos maiores desabamentos, escapando aos escombros  por uma unha negra!
De pouco me vale, já que trinta e sete anos de vida não se desincrustam facilmente da vontade, nem da memória. Dói com dor de carne viva e não há anestesia que valha!

O tempo das janelas viradas para as rosas já passou!

Dói!

"Dentro do que somos passa a existir um espaço feito de boas memórias e estilhaços, lágrimas e sorrisos tornam-se irmãos perfeitos. Fora de nós não é mais fácil – muitos lugares continuam habitados por quem perdemos, a cidade é um campo minado. Sítios onde fomos felizes com os que amámos, onde caminhámos com os nossos pais, avós, amigos. Uma cidade de fantasmas. Trágica e bela." Luís Osório
Vale a pena ler tudo o que Luís Osório diz, ou melhor, escreve, sobre esta inevitabilidade de continuar a viver para lá dos que nos deixam. 
Dói, mas é tão verdade! 
É difícil reflectir sobre estes estados de alma. É necessário que o façamos, para nos entendermos a nós mesmos, quando nos sentimos obrigados a coexistir com a tristeza e com a alegria, tratar as duas com a dignidade que merecem. Porque dão razão aos nossos dias ..... 

Para além de agradecermos o futuro que tantos nos oferecem com generosidade, há também passados que nos são devolvidos, reocupando os espaços dentro de nós que estavam vagos, vazios, e lhes pertenciam. E há um presente que urge Viver, milímetro a milímetro.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Efeitos de outono

Percebo que o nosso conhecimento, aquele que nos enfeitou, muitas vezes e muito bem, ao longo da vida, pode cair como as folhas caem das árvores, no outono. As folhas douradas emprestam ao chão que pisamos uma tonalidade única e bela e, também durante algum tempo, parece que há um sentido para esta ordem de coisas.
Mas vem o tempo das chuvas e o chão é lavado, quer queira quer não, afogando as belas folhas secas, atirando-as para uma sarjeta.
Chegou a hora das folhas belas e secas se transformarem em nada!