sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Hoje, trick or treat! Amanhã, pão por Deus!

Dantes, dizem os mais velhos, havia uma ordem no tempo, com temperaturas a horas, chuvas ou sóis a funcionar pontualmente. Havia também o Natal, o carnaval, as férias grandes e o dia da mãe. Os santos em Lisboa e no Porto lá se faziam ouvir e sentir por alturas do calor e as celebrações eram assim devidamente distribuídas pelos doze meses, sempre apoiadas no clima que não pregava grandes partidas.
Hoje, as celebrações multiplicaram-se e os estados do tempo também, a desoras, quando calha: chove e troveja no verão, faz calor quase em novembro, vamos à praia pelos santos...
Assim, vejamos; esta é uma das épocas mais atribuladas para quem quer sentir-se bem e acompanhar tanto a moda como o espríto da época. Tivemos um verão que se prolongou para lá do chamado tardio; amanhã já é novembro e mesmo assim está calor e nem as mangas, nem as golas apetecem. Hoje é dia das bruxas. Nunca pensei que esses seres tivessem direito a dia de. Já não lhes bastava o protagonismo das histórias de encantar? Hoje é dia da poupança. Qual poupança? Não chega já a forçada, a obrigatória. Ontem foi dia do cancro da mama. Até nas cores isto fica baralhado: ontem dominava o rosa do cancro da mama, hoje os tons são de laranja e violeta para o hallowe'en. Quanto à poupança...não tem cor, parece-me a mim. Amanhã celebramos todos os santos e depois de amanhã os finados. No meio de tudo isto há a preparação do natal nas ruas e nas lojas, com agasalhos que vão ter de guardar no tão apregoado verão de S. Martinho.
Ah! E há o vinho que é o único que contribui para a lógica desta desordem que encobre e tapa toda a tristeza e toda a pobreza....


sábado, 18 de outubro de 2014

A lição do Outono

"Deixa a Natureza ser a tua mestra." (Woodsworth)
Há uma lição que apanho do chão, a lição do outono!
De um chão que agora está húmido de chuvas limpas ou de um orvalho também limpo, cristalino.
É ali que repousam as folhas outrora verdes da primavera, rendidas ao cansaço das sombras que construiram, durante alguns meses, numa volúpia de cores quentes, que vão de um matiz alaranjado, acobreado, ao castanho dourado, que sugere o valor deste descanso que parece eterno.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A fotomania

Aqui estou eu, em "ponto pequeno", mas de corpo inteiro. 
Estas eram as fotografias obrigatórias, tiradas por um fotógrafo profissional, para registar os atributos para a posteridade. 
Estava carregadinha de "luxo": ele era pulseiras nos dois pulsos, ele era fio ao pescoço, com cruz e tudo, ele era tule por todos os lados, ele era laços na cabeça e ao peito, ele era peúgas muito bem dobradinhas...
Eu era a "obra" da minha mãe que, ainda hoje, quase a inaugurar a década dos noventa, se preocupa com "aparecer" bonita!
Durante a adolescência escondi estas fotos com vergonha dos grandes laçarotes e da pose a que me obrigavam. Hoje, tanto a foto como a vergonha da foto fazem-me sorrir.
Hoje, gosto muito desta foto e a vergonha transformou-se em orgulho! 

A fotomania continua!