domingo, 28 de fevereiro de 2016

Glamour em tempo próprio

Se me fosse permitido, por artes mais ou menos mágicas, voltar atrás no tempo e nomear, ou mesmo atribuir os "Óscares" da minha vida, o filme, por quase tudo escolhido, seria "My Fair Lady".
Começaria logo pela grande ausente do Prémio da Academia, do ano de 1965, a bela Audrey Hepburn.
A magra figura foi a minha inspiração maior na adolescência! Havia uma força diferente que vinha de dentro, como o próprio filho explicou, como um prolongamento, fruto da discilplina e do respeito pelos outros.
Mas o que afastou a belíssima Audrey dos monstros da Academia foi sem dúvida a polémica em que esteve envolvida por lhe ter sido atribuído o papel principal, florista de Covent Garden desempenhado no teatro durante muito tempo por Julie Andrews.
Ganhador da estatueta para melhor actor, Rex Harrison, dedicou o prémio a duas "lindas senhoras", "two fair ladies", Juie Andrews e Audrey Hepburn.
Vi o filme na sala do Cinema Scala, em Lourenço Marques Tinha pouco mais de dez anos e estava acompanhada pelo meu pai, um devorador de "fitas".
And the Oscar goes to....
My Fair Lady!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Querido papá!

Cumpre-se hoje mais um ano de ausência, de falta. Mas os teus quadros falam por ti, dão respostas a inquietações milenares, como "Onde estás?".
 Eles respondem: estou aqui!
E estás mesmo. Está ali a tua ideia de um recanto que te "apeteceu" e esse recanto é parte de um todo, É  o símbolo do teu contributo para a vida. 
O belo!
O belo foi a tua linha de horizonte sempre! Mas, se, por acaso, o vislumbravas numa vereda, num atalho, esse seria o teu caminho. 
Ensinaste-me a amar a expressão estética e se não sei pintar, nem dançar, nem cantar como tu, sei ler os versos de Reinaldo Ferreira, com o mesmo deslumbramento. 
Devo-te a minha construção cultural, devo-te a ousadia de pensar e dizer o que penso. Não vou acrescentar o clássico complemento "doa a quem doer" porque isso não tem sido assim. Tenho um reduto de seres que não quero magoar e só o faço, por falha, culpa e pecado. 
Em termos afetivos, o "tu cá, tu lá" ajudou muito a perceber que eu não tinha que ser igual a ti mas podia receber com mãos abertas a tua experiência de afetos e refletindo sobre eles partir para a minha vida. Falámos sempre como dois amigos. Houve situações em que te levei a melhor, mas tu não sucumbias com facilidade, mesmo quando a "derrota" te punha a sorrir porque a minha vitória representava o teu sucesso na minha educação. 
Estás a ver que estamos a conversar?! Por isso é que eu digo que não foste embora e que andas por aqui...
Hoje vou ler um poema de Reinaldo Ferreira, escutar um "Villaret", recordar-te. 



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Micro - conto ou a meteorologia explicada como se a gente tivesse cinco anos

- Vá lá, menino sol. Toca a levantar!
Era a lua a pôr ordem no espaço celeste. 
Já tinha mandado dormir as estrelinhas. Tinha reparado nas remelas que lhes embaraçavam o brilho. 
E sol não dava sinais de acordar.
- Vá espreguiça-te à vontade que o sunrise está marcado para as sete e quarenta e dois. Mas depois toca a brilhar e a aquecer estes lugares.
E o sol nada de responder. 
Mas lá balbuciou um “porquê”.
- Vês estas pessoas todas a apanharem o autocarro, o comboio, o barco, crianças a caminho da escola. Precisam de um bocadinho de calor.
Deu resultado. Em dez segundos, o sol rompeu as nuvens que o convidavam à preguiça e raiou.
Bom dia!