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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Onde pára o professor?

Preparação das aulas trocada pelas avaliações
Este título diz muito sobre a aflição dos professores que vêem o seu tempo sugado pelas sucessivas reuniões, Conselhos Pedagógicos e outros, por causa da Avaliação de Desempenho, processo que os professores procuram tornar viável e justo, embatendo sempre na essência desta avaliação toda ela feita de papel, sucesso escolar fácil, burocraticamente perfeito, administrativamente inatacável, de aplicação difícil, com consequências ainda não calculadas, provavelmente desastrosas, nas práticas dos professores esgotados de tempo e de esperança.
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segunda-feira, 16 de junho de 2008

No, Minister...

Quando leio notícias destas, sinto uma enorme vontade de chorar. E isto é mesmo verdade: sinto imensa vontade de chorar, eu que nem sequer sou "muito dada" a choros, apesar do nome, ao abrigo de qual decreto-lei número tal barra qualquer coisa ano um nove cinco dois!!!
(Já me está a passar a vontade de chorar! Concentra-te, Madalena, no que estás a falar sobre!)
Primeiro é a história de "ver no terreno", como se o terreno se revelasse em meia dúzia de minutos. Para além disso, as condições do dito terreno são alteradas pela presença física do Sr Primeiro Ministro. (Está-me a dar a ideia de levar sempre um boneco do tamanho do nosso Primeiro, parecido com alguém que eu cá sei, para moderar alguns comportamentos.)
Vai uma aposta que nenhum menino vai atirar a mochila pelo ar, não vai tocar nenhum telemóvel, não vão andar à chapada dentro da aula, não vão dizer palavras "feias"?!
Outra coisa: vamos ser todos mais felizes com o cartão electrónico, não é verdade?
Os meus alunos do quinto ano já sabem trocar as cadernetas para iludir a vigilância do portão e sair quem não tem autorização. Agora imaginem o cartão. Vai ser "superhipermegafácil".
Qualquer dia chega a moda da impressão digital: põe o dedo e entra! Ou põe o dedo e sai. E dá mais trabalho roubar um dedo a alguém ou pedir emprestado um dedo para sair da escola no intervalo do almoço.
Lá vai o correio electrónico de cada um ser inundado com mails, com assuntos do género "Atenção: fraude...."
Mas vai ser tudo muito bonito, não vai Portuguesas e Portugueses?
Os kits tecnológicos vão erradicar a violência, a indisciplina, o insucesso?
No, Minister!montagem com fotografias do site da série "Yes, Minister".

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Recado

"-Ó rapaz, acaba-me lá com essa ladainha do possível! Fala-me do impossível. Do impossível triunfo do teu clube. Da impossível moderação alcoólica do teu pai, da impossível atenção oficial às legítimas aspirações desta tua cidade natal. Vê se olhas de uma vez para sempre sem muros à volta da imaginação." Miguel Torga, Diário XVI.
Desta vez o Torga amargo deixou-se ultrapassar pelo Torga doce. Se não for para ajudar a construir uma outra realidade mais compatível com a nosso legítimo desejo e não menos legítimo sonho, então, perguntamo-nos, para que serve a imaginação?
Mas o impossível de cada um é sempre tão íntimo que não é possível escancará-lo em praça pública. Fiquemo-nos pelo possível triunfo do clube que é a manifestação possível dos impossíveis de muitos milhares.
O meu impossível revelável é uma escola onde não se aprenda nem se ensine por decreto! É um grande muro que vai abaixo!A minha inépcia nas artes fotográficas não me deixou cumprir o meu objectivo. Ficámos pelo objectivo da objectiva. O "muro" dizia assim: Abaixo os muros. Viva o céu!
Nem o bolor do tempo nem o do "mau tempo" apagarão este incitamento!