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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Regresso do MEC

O MEC é uma referência da minha geração. Digo minha, porque os respeitáveis dois ou três anos que os meus cinquenta levam de avanço em relação aos dele me dão essa autoridade de me auto-infligir a "matura idade". Até porque eu envelheci. O MEC, não!
Ele mantém a linha da irreverência que funciona, quando bem usada, como elixir da juventude. Claro que falo de uma juventude de pensamento. O MEC está gordinho, tão gordito, que já nem se notam tanto as orelhitas de abano!
Foi por causa do MEC, que eu me perdi para sempre nos caminhos da net. (Ironia!) Fui ao consultório do Doutor Pastilhas e fiquei dependente deste acesso fácil, muito imediato, ao bem-estar.(Sem ironia!)
O MEC voltou com uma publicação em memória das noites da Má-Língua. As conversas com os outros maldizentes militantes foram gravadas pela TSF, presumo que nos seus estúdios e ouvi-los, neste caso, é bem melhor do que lê-los. A versão áudio conserva os tiques, a pronúncia do norte do Manuel Serrão que se perdem na versão escrita.
Quanto às crónicas do MEC, ontem, já tropecei numa, no Público, sobre a Bimby, "autêntico antepassado da cozinha de autor"! Hoje, outra crónica com alguma verdades em que o MEC denuncia, com o estilo habitual, as personalidades inconsistentes que se escondem atrás de algumas modas sociais.
Eu continuo fã do MEC. Irremediavelmente!
Vou guardar no meu baú estas crónicas!

sábado, 15 de março de 2008

Até tu, MEC...

...envelheceste!O MEC é uma referência muito importante para a minha geração. Ele pensava as coisas que se passavam à nossa volta, que aconteciam e dizia-as com naturalidade, sem pudores nem despudores, construindo assim uma espécie de consciência dos trintinhos e trintões de então.
Não havia Internet, mas havia o Expresso ao sábado de manhã, para ler sofregamente a crónica dos tempos que corriam, num estilo que era novo, desabrido, a rondar os limites, sem os ultrapssar, deixando-nos o apetite "aberto" para a semana seguinte.
(Abrir o apetite é uma expresão um pouco mais velha do que o MEC e faz-nos nascer na boca o sabor do óleo de fígado de bacalhau de má mémória!!!)
Era o tempo das amplas liberdades democráticas e das primeiras preocupações com as doenças que vinham de longe, como a Sida, tão poderosamente perigosas que derrubavam mitos, como o galã mais irresistível da tela: Rock Hudson. Era o tempo das primeiras proibições do fumo. Era o princípio do fundamentalismo: "Fume Menos, Leia Mais" é um slogan de que não me lembro, mas está nas crónicas do MEC. Daqui ao "Não se embebede tanto- Compre pilhas Tudor" e outras ridículas hipóteses de frases publicitárias foi um segundo. A critividade do MEC esteve sempre ao serviço da crítica social "à maneira de Gil Vicente", como dizem os que fazem hoje esse papel.
O MEC era novo, irreverente, tinha orelhas de abano e um tique horrível para quem o via em vez de ler. Mas era incontornável na sua capacidade de criticar, criticando-se a si mesmo, coerentemente, já que parte de si sofreu sempre de um portuguesismo agudo. A parte mais britânica é que o punha a funcionar, penso eu!
Anteontem o MEC voltou às colunas dos jornais. Do Público. Curiosamente, o jornal sobre o qual escreveu algumas amargas linhas na Causa das Coisas. Considerando que "A democracia, na política é um bom conceito" e que "Nas artes, em contrapartida, é uma boa chatice", o MEC golpeia a vaidade do jornal acabado de nascer.
Isso deve ter sido muito bom para o Público e possivelmente manteve os jornalistas preocupados com os críticos e assim obrigados a uma qualidade jornalistica minimamente aceitável para os leitores pensantes.
O MEC tem escrito por aí noutros jornais não tão diários nem tão lidos como o Público. Estou convencida de que agora vai ficar mais visto e mais lido. E isso é bom. A escrita do MEC mantém as marcas dos "loucos anos oitenta" e faz-nos reviver essa consciência perdida.
Mesmo mais gordinho e mais velhote, o MEC é um verdadeiro óleo fígado de bacalhau para o nosso pensamento. Depois de o lermos, apetece pensar.
Gusrdei aqui as duas primeirs crónicas desta era século vinte e um.