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quinta-feira, 11 de junho de 2009

O facto do dia

Há um ano, precisamente um ano, o Cristiano Ronaldo marcou um golo e o Tiago nasceu. Para mim e para os meus amigos foi importante o nascimento do Tiago. Para o mundo, pelo menos para o mundo que ia no barco comigo, foi mais importante o golo do CR. Foi como se uma onda gigante se tivesse apoderado daquele bocado de rio, entre Lisboa e o Montijo.
O rapazito lá se vai consagrando o melhor, o mais isto e mais aquilo. Hoje é o mais caro! O Real Madrid comprou três jogadores e o mais caro é o rapazito Ronaldo, o tal dos anúncios do colchão que não rende, da adivinhação relativa ao futuro do melhor do mundo.
Apetece-me dizer, pedir que o deixem viver a juventude que transpira por todos os poros, deixem-no ser o menino da mamã e das manas, deixem-no. Mas ninguém o vai deixar pois ninguém está interessado no menino Cristiano Ronaldo. Estão interessados nos muitos milhões que ele vai valer aos clubes por onde passa!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Homenagem dupla: Galileu e Gedeão

Poema para Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,

aquele teu retrato que toda a gente conhece,

em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce

sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.

(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.

Disse Galeria dos Ofícios.)

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.



Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…

Eu sei… eu sei…

As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.

Ai que saudade, Galileo Galilei!



Olha. Sabes? Lá em Florença

está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.

Palavra de honra que está!

As voltas que o mundo dá!

Se calhar até há gente que pensa

que entraste no calendário.



Eu queria agradecer-te, Galileo,

a inteligência das coisas que me deste.

Eu,

e quantos milhões de homens como eu

a quem tu esclareceste,

ia jurar- que disparate, Galileo!

- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça

sem a menor hesitação-

que os corpos caem tanto mais depressa

quanto mais pesados são.



Pois não é evidente, Galileo?

Quem acredita que um penedo caia

com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.



Estava agora a lembrar-me, Galileo,

daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo

e tinhas à tua frente

um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo

a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,

que parecia impossível que um homem da tua idade

e da tua condição,

se tivesse tornado num perigo

para a Humanidade

e para a Civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,

e percorrias, cheio de piedade,

os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.



Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,

desceram lá das suas alturas

e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,

nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual

conforme suas eminências desejavam,

e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal

e que os astros bailavam e entoavam

à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias

nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,

aquelas abomináveis heresias

que ensinavas e descrevias

para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.



Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.

Galileu nasceu em Pisa a 15 de Fevereiro de 1564.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

É para já!

Tenho de ir pôr a minha cabeça a lavar. Ou pelo menos a limpar a seco. Está cheia de lixo! Burocrático!
Acho que estas nódoas não são facilmente elimináveis!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Novos problemas pessoais

Olá, o meu nome é Madalena e acabo de descobrir que sou uma "autoólica" (do inglês autoholic)!
Atento contra a saúde do planeta e ponho em causa o ar que os meus netos hão-de respirar! Sou horrível!
Mas eu prometo deixar este horrendo vício, se os senhores que mandam se preocuparem mais com mais transportes públicos. Ao sábado, o último barco de Lisboa para o Montijo é às 22.35; aos domingos e feriados, ainda mais cedo, uma hora. Viver em Lisboa torna mais fácil combater esta tendência criminosa. Morando fora de Lisboa, é muito mais difícl e, em alguns casos, impossível!
Se a opção for ir de barco para Lisboa, tenho ainda que me confrontar com o dilema: levar o carro até ao barco, ou ir num autocarro velho, desconfortável e caro que passa longe da minha casa.
Vai ser difícil curar-me!