Mostrar mensagens com a etiqueta educação.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta educação.. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Senhora Ministra!

Não consigo entender aquela aparição, a meio do telejornal, para explicar que tudo está na mesma, ou quase.
Não entendo porque até há uma novidade: os professores foram convocados por email, para preencher uma "grelha" de objectivos individuais online, directamente pelos serviços do ME. Os nossos órgãos de gestão nas escolas não foram informados. Se tal tivesse acontecido, eu teria sido avisada, eu teria sabido. Por que é que não o disse na Conferência de Imprensa?
Senhora Ministra, a ninguém agrada a imagem de extremo cansaço e exaustão, a sua imagem de extremo cansaço e exaustão. Não conforta ninguém. Não repara nenhum dos danos causados aos professores, às escolas, à Educação em geral.
E pior ainda é que ninguém sabe como é que funciona a dita aplicação online. Eu não passei do primeiro quadro, porque não sei os códigos da minha escola e não sei ainda se vou ou não formular objectivos faz-de-conta.
(Nem todos estão em condições de o fazer: há famílias para alimentar, casas para pagar e não pode correr-se o risco de não ter trabalho, nem emprego, nem salário!)
Não me canso de citar Sebastião da Gama: eu prefiro que a aula aconteça. Claro que me refiro à relação humana com os alunos. O resto, Senhora Ministra, eu sei. Sei que tenho de lhes abrir a porta, que tenho de os mandar calar, que tenho de os mandar sentar ou esperar que eles se sentem à sua vontade, cujo interesse convém perceber, etc.(Difícil é sentá-los, não é Senhor Professor Marçal Grilo?)
Sei que não os posso deixar ir à casa de banho, nas aulas assistidas, para não ficar registado... (É que nas aulas de noventa minutos, quando eles estão mesmo aflitinhos, eu até deixo!)
Não posso é inventar agora sucessos que serão ou não e não posso carregar o fardo da responsabilidade e da culpa da ausência, da falta, do abandono.
O que eu não entendo mesmo é uma conferência de imprensa para dizer que não há novidades, quando até há!!!

sábado, 5 de julho de 2008

Dizer o que tem de ser dito

Só há duas explicações para o programa de Português: ou esta gente é doida ou pretende humilhar os professores. Maria Filomena Mónica, crónica do Público, a propósito do nível de facilidade dos Exames de Português.Claro que eu queria ter a mesma capacidade de dizer estas coisas e a mesma possibilidade de ser levada a sério. Mas não, isso não acontece, porém eu regozijo-me de haver quem o faça.
Eu acho que esta gente não é doida, mas sinto na pele a humilhação de que fala a MFM. Está mesmo em curso um processo de humilhação permanente, do qual são sinais evidentes as sovas dos pais a alguns professores, as histórias dos telemóveis e outras.
Às vezes, nem é preciso sovar literalmente para humilhar, ou para tentar humilhar. Numa das últimas reuniões de Encarregados de Educação, um dos pais acusava o Conselho de Turma de ser ineficiente por ser essencialmente constituído por mulheres. Na sua opinião, faltava ali elemento masculino, mão de homem, para encenar a autoridade que não existia, na sua opinião, repito, como o Pai repetiu, por prevalecer o sexo feminino. O gosto de ensinar, o facto de a profissão configurar um ideal, não interessa nada. "Se tem uma pedra no sapato, anda com ela o tempo todo até fazer uma ferida ou livra-se da pedra?", metaforizava o senhor referindo-se a alunos muito difíceis. Tentei explicar-lhe que um aluno e uma pedra não são comparáveis. Pareceu-me, porém, que a sua capacidade de me entender e compreender estava sabotada por razões que eu não podia avaliar em duas horas de reunião. Era a primeira vez que tinha contacto com este Encarregado de Educação que deitava assim a perder todos os esforços feitos até aí, em conjunto com os outros professores/as e Pais/Mães, de recuperar o respeito perdido.
Valeu-me o meu padrão de consciência pessoal e profissional que não se deixa implodir com facilidade. Mas como nada na vida tem garantia eterna, não tenho tanta certeza quanto aos danos pessoais que, no futuro, certas humilhações possam causar.
É que esta que eu acabei de contar, não vinha de cima, directamente, mas o clima propicia e promete.Mas, até lá, ainda há-de correr muita água debaixo da ponte...

terça-feira, 24 de junho de 2008

A velha questão de Shakespeare

Hoje a Matemática sai no jornal, por maus motivos, por descontentamento daqueles a quem o assunto diz directamente respeito, daqueles que fazem contas à vida, não para hoje mas para muitos amanhãs: os alunos.
Há um sentimento generalizado de frustração, que talvez comece agora a notar-se mais do que até aqui, que se vai generalizando, tal como vai acontecendo com outros sectores.
Esperemos que seja dada atenção a este sinal, que não se subestime esta sociedade que há-de vir, marcada pelos erros de hoje, cometidos por nós, que os estamos a preparar para a vida.
Quando digo nós, também me incluo, claro! Posso não contribuir com uma certa negligência, mas de algum modo vou baixando o nível da minha exigência para acompanhar os tempos. E esta é a prova dos nove. Este é o caso sério, a versão verdadeira da anedota que circula nas nossas caixas do correio e que põe em evidência o facilitismo crescente, imposto por "cima", com taxas de sucesso obrigatórias, com fantasmas de avaliações negativas para os professores que não promoverem o sucesso das pautas.
(E o sucesso pessoal e educativo, quem é que promove Senhores Ministros?)
Mas, atenção, já não são os professores que vêm pôr em causa o ensino em Portugal. São os próprios alunos que se sentem enganados.
Será que não conseguimos arranjar um meio termo entre a competitividade doentia e o sucesso da preguiça e da esperteza saloia?
Há momentos de avaliação, há momentos do percurso e há alunos em que é absolutamente necessário atenuar os graus de dificuldade. Mas um exame nacional, crê-se que tem por objectivo aferir a média dos conhecimentos dos alunos alvo e, em conjunto com a nota de frequência, no caso do exame final do Ensino Secundário, estabelecer uma ordem para o acesso ao Ensino Superior.
E por que é que não se abrem as portas das Universidades a todos os alunos, independentemente deste exame? Era mais justo, parece-me!