Há coisas assim: olha-se e ouve-se; olha-se e vê-se.Esta imagem, recolhida pela minha "cusquice" há já algum tempo, trouxe-me hoje à ideia a cantiga do Jorge Palma. Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos. Não sei se as bicicletas se namoram, se são casadas ou vivem juntas. Não sei. Mas sei que passam os dias encostados à mesma balaustrada da vida da terra, quase mesmo a mergulhar na vida do rio. Por sinal, tranquilo. Nada das ondas furiosas que tenho visto nos últimos dias. Nada de águas alterosas, como ouço na previsão do tempo.
E ali ficam, todo o dia, todos os dias. Se calha passar por ali a cantiga do Jorge Palma, são bem capazes de trocar outros entendimentos.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Não sei porquê, mas sempre que as vejo, imagino-as a namorar...
Talvez seja do lugar, que a isso convida. Perguntem à árvore que ali está e que deve saber tudo de tudo.
(Sonhei que sabia voar! É isso e duas bicicletas apaixonadas!)