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sábado, 15 de agosto de 2009

L.A.

Por contágio dos mais novos (agora a palavra contágio é contagiante!) tenho visto todos os dias, ou seja, todas as noites a RTP2, Cinco para a Meia-Noite. Pelo menos diverte e há crítica de costumes que é saudável desde o tempo do "saudoso" Gil Vicente. É evidente que o programa vale muitas vezes pelo convidado, que se deve dar ares de moderno, para não destoar do anfitrião que é sempre "assim a atirar" para a "loucura total".
Por exemplo: o Vasco Graça Moura deu um péssimo programa, pois "aquela cena" não condizia lá muito bem com o classicíssimo senhor das nossas letras. Aquele tratamento tu cá tu lá soava estranho. Ana Gomes aguentou-se e nem ficou muito "à rasca". Calão para cá, calão para lá, a mensagem eleitoral não se embaraçou, ou melhor não ficou nada à rasca. Fiquei a saber que Ana Gomes é candidata à Câmara de Sintra e que Sintra isto e que Sintra aquilo.
Para mim, Sintra é culto e o culto não se compadece com propaganda eleitoral.
Mas isto vinha a propósito de quê? Já sei! O tema da semana que acabou era coscuvilhar.
Não é coisa que me espante! Quando vou visitar a minha mãe, levo-lhe sempre uma revistinha de coscuvilhice. O que me espantou mesmo foi a coscuvilhice que explodiu nas capas dos jornais de hoje. Ou ontem? Já nem sei bem.
Lobo Antunes apaixonado por uma mulher trinta e tal anos mais nova.
Anunciar um casamento não é coscuvilhice. Entrar em pormenores que podem comprometer a verdade dos sentimentos de cada um (dela ou dele) é coscuvilhice. Atirar a diferença de idades, chamar a atenção para a diferença de idades é coscuvilhice que tenta reduzir a dimensão intelectual de um dos maiores escritores contemporâneos.
Ninguém tem nada com isso.
A minha esperança é que o escritor mantenha aos nossos olhos a aura de ser "superiormente inteligente, superiormente civilizado". Fico à espera das crónicas onde se revelará "superiormente feliz", tal como preconizava o Jacinto de Tormes.