Hoje, a mãe da pequenina Joana, desaparecida há doze dias, é ouvida no Tribunal de Portimão.
Suspeita de homícidio.
É inacreditável.
Corrijo: parece inacreditável!
É mais uma daquelas situações que nos levam a pensar que, por vezes, a realidade ultrapassa a imaginação e a ficção.
Há muita especulação jornalística a alimentar a raiva natural de todos e, provavelmente, alguns já teriam feito justiça por suas mãos, se não houvesse um aparato policial tão grande a proteger os presumíveis culpados: a própria mãe e o tio.
Não é o primeiro caso, como disse Moita Flores, numa pequena entrevista à RTP. Não será infelizmente o último, também disse e também o sabemos nós.
O que não conseguimos compreender é esta mãe, por muitas patologias do foro psiquiátrico que possam ser sugeridas.
A mãe, o amor de mãe é celebrado por poetas, pintores, todos os artistas, como sendo o maior de todos.
Existe mesmo um dia para comemorar esse amor: O Dia da Mãe.
Como se uma mãe e um filho coubessem num Domingo de Maio!
Esta intimidade universal e infinita, permanente e eterna não se pode confinar, nem no tempo e nem no espaço, a um Domingo de Maio em Portugal, outro no Brasil...
Sempre me pareceu que na celebração de calendário, existe a ideia subjacente de ser esta relação de alegria, de ambos os lados, e ainda de reconhecimento, de um desses lados.
Mas sempre soubre que há outras mães e outros filhos...
E sempre suspeitei que ficariam convenientemente esquecidos, outros sentimentos e outros estados de espírito, como a dor, o sofrimento, a aflição, a raiva, o desespero...
Contudo, continua a parecer-me inacreditável e sobretudo inexplicável o silêncio cúmplice da mãe, que a Comunicação Social noticia e que, aparentemente, protege o irmão, tio da Joana.
Continua a parecer-me inacreditável a fabricação consciente da trama, do enredo, os passos que foram dados para que tudo parecesse um rapto, um desaparecimento.
Não quero acreditar que este é o meu planeta e que eu própria posso transformar-me no mais ignóbil dos seres, por artes de qualquer dificuldade de vida ou por qualquer doença, que me retire a dignidade de manter o meu pensamento e o meu comportamento dentro dos valores da vida.
A Maternidade, de Picasso