quinta-feira, 31 de março de 2005

31 de Março de 1889

A Torre Eiffel é, em cerimónia oficial, presidida pelo seu criador,Gustave Eiffel, oferecida à cidade de Paris.
Ousada, a Torre, contra escritores, poetas e ambientalistas, assinalava o centenário da Revolução Francesa e ficaria para sempre, mal sabiam eles!, o monumento símbolo da cidade mais envolvida em artes, literatura e outras, referência europeia da cidade cultural, por excelência.
" Nous venons, écrivains, peintres, sculpteurs, architectes, … pour protester de toutes nos forces et avec toute notre indignation, au nom du goût français … contre la construction… de cette Tour Eiffel monstrueuse et sans utilité."
Dizia assim a petição, assinada por Zola e Dumas, entre outros.
A 20 de Agosto de 1993, subi ao cimo da Torre Eiffel. Já lá tinha estado e já a tinha contemplado de baixo, ao longe, mais de perto, mas subir foi só nesse dia!
Concluí que, como quase tudo, a Torre é mais bela vista de longe.
Cá por baixo, é a confusão da mistura de turistas.
A subida não tem grande emoção: é ferros e ferros e ferros.
Lá em cima, a beleza é a cidade de Paris.

Perdidos e achados

Pede-se a quem encontrar o post "E vão três", que o leia...
Não vale a pena entregá-lo, porque já passou o prazo de validade.
Descrição: referência a três aniversariantes do dia 30 de Março.
Van Gogh, que nasceu em 1853 e já não faz anos; Eric Clapton, que fez sessenta anos nesse dia e Warren Beatty que fez sessenta e oito.
Havia ainda um quadro do pintor:

(com céus perturbadores)
e um poema de Wordsworth, "Splendour in the grass":
What though the radiance
which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass,
of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.

versos que inspiraram Elia Kazan e trouxeram Natalie Wood para os ecrãs, com todo o esplendor da sua juventude e beleza, a contracenar com Warren, também ainda muito jovem.
Havia mais qualquer coisita, mas perdeu-se!
Pronto, fica aqui o apelo!

terça-feira, 29 de março de 2005

A Ponte Vasco Da Gama

A minha vida mudou há sete anos, quando foi inaugurada a Ponte Vasco da Gama.
a  ponte
O meu exílio passou a ser um exílio voluntário e comecei a sentir algum agrado em morar do lado de cá da confusão da grande cidade, numa pequena cidade de província que lutava para se manter cidade de província e jurava a pés juntos (ou a braços de rio juntos) que não seria uma Almada ou um Barreiro, que ia crescer ordenadamente, contra todos os maus augúrios dos maldizentes do costume.
E a cidade é ainda uma cidade onde se pode chegar de barco, em explosões de azul, porque há dias assim:chegada ao Montijo
Onde os prédios teimam em não crescer, para lá dos quatro andares, envergonhando-se os poucos que, num passado não muito distante, o fizeram.
Onde o sol nasce do rio e morre em mergulho deslumbrante, poisando antes nas muitas palmeiras, que por cá foram plantadas.saldanha sunset
Montijo, 29 de Março de 2005 - Hoje
Há sete anos, a 29 de Março de 1998, a Ponte Vasco da Gama foi oficialmente inaugurada.
Nesse dia, todos queriam passar a ponte.
Eu também, mas não consegui. Os acessos, inacabados, quase atalhos, estavam completamente bloqueados.
As ruas estavam repletas de carros e, mesmo quem foi para Lisboa nessa noite, não levou menos tempo do que levaria pela estrada antiga. É que todos rolavam devagar, para saborear a paisagem. Muitos paravam. E os acessos em Lisboa também estavam por acabar.
Mesmo com o caos, as pessoas estavam felizes. O orgulho português nestas coisas não se aflige com ninharias...
A Ponte Vasco da Gama era um feito que honrava o nome do navegador.
Olhando pela janela do meu escritório vejo as luzes todas alinhadinhas do tabuleiro da ponte. Neste momento passa um autocarro. Não é o da Selecção, mas até esse foi visível desta janela.
Tenho razões de sobra para dizer que esta é a ponte do meu contentamento.

segunda-feira, 28 de março de 2005

A inquietude das coisas cá dentro

quiet
"Mas as coisas inverosímeis onde acontecem é na vida. A literatura tem uma lógica, a vida tem outra."Fernando Namora, Resposta a Matilde
Por mais que o conhecimento adquirido nos livros, ou mesmo na experiência dos outros, pareça ensinar-nos tudo sobre a vida, acabamos sempre por nos curvar, com humildade, perante a capacidade que essa mesma vida tem de nos surpreender.
Normalmente, este tipo de reflexão aplica-se sobretudo a acontecimentos de natureza triste.
Vivemos cada um com a intensidade da primeira vez!
Somos produtos naturais e comportamo-nos de acordo com regras da própria natureza que transcendem o nosso intelecto, a nossa parte cognitiva.
As emoções dominam-nos sempre, raramente com equilíbrio, pois
todos os equilíbrios são falsos.
São fachadas construídas com esse outro lado de nós.
Cá dentro, nunca, naturalmente, conseguiremos alcançar a tranquilidade deste rio, nem a perfeição da luz da manhã.

domingo, 27 de março de 2005

Dia do Teatro


Normalmente, comemora-se neste dia o Dia Internacional do Teatro.
Mas como hoje é Domingo de Páscoa, é natural que estas celebrações sejam passadas para outros planos, já que todos andamos entretidos com as guloseimas da época.
É impossível falar de Teatro sem falar de Mestre Gil, Gil Vicente, o pai do Teatro Português, que nasceu e viveu em Portugal, há mais de cinco séculos e muito contou dos costumes da época, no jeito satírico que tanto agrada a todo o tipo de público.
Se fosse vivo, hoje, que diria ele?
Bem precisávamos de um Mestre assim, que moralizasse os costumes...

Parabéns, Eduardo!

flores parabéns
Parabéns, Eduardo!

sábado, 26 de março de 2005

Venho da festa!!!!!

regresso do brasil
Todos conhecem a expressão desanimada dos regressos a casa: venho da festa, dito com entoação de infelicidade aguda.
Não foi bem assim, mas os finalistas que há quinze dias embarcaram esfuziantes para o Brasil, voltaram ontem com ar cansado.
Mas havia o bronzeado da pele, a indumentária reduzida e as pranchas de surf, que aumentava as bagagens, para identificar a origem destes viajantes.
E há também as fotos "para mais tarde recordar" como dizia o slogan da Kodak, como esta:
Iguana1
Eu fui tentar saber mais sobre a iguana, e, mesmo depois de saber que é um lagarto inofensivo, não me atrai a ideia de fazer um dia o mesmo!

Contar o tempo

máquina do relógio
Esta estranha combinação de ferros (estranha para quem, como eu. é leigo em ferros e engenhos) é precisamente a máquina do relógio, que pode ser vista numa das salas do Convento de Cristo, em Tomar.
Hoje perdemos uma hora de sono e vamos andar a semana toda a tentar acertar o ritmo biológico, que não se compadece com acertos horários oficiais, com uma nova hora de acordar, levantar, sair de casa... com a luz diferente da manhã e com a luz imensa do fim do dia.
Esta última é o melhor argumento dos que defendem os diferentes horários no Verão e no Inverno.
Preparemo-nos pois para a noite mais pequena do ano!

sexta-feira, 25 de março de 2005

Pequeno Poema de um Poeta Grande

(Sebastião da Gama)

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...


Ainda a pensar em Miguel Ângelo...

Semana Santa

A Semana Santa remete-nos para um motivo que os artistas não se cansam de tratar, Paixão e Morte de Cristo.
Especialmente os Renascentistas, com todas as razões e condições para o fazer,logo ali, no "berço do Renascimento", Itália, onde também as questões de fé estavam centralizadas, em termos de poder temporal!
Há duas obras do Renascimento Italiano, a "Última Ceia" de Leonardo Da Vinci e a "Pieta", de Miguel Ângelo, que ilustram de modo magnífico estes dias a que chamamos Santos: Quinta e Sexta, sobretudo, pois Sábado já é dia de aliviar tristezas, dissipar traições, apurar o gosto para os repastos tradicionais e contentar a criançada, com o doce colorido das amêndoas e dos ovos de chocolate.
Foi precisamente em Milão que vi a famosíssima "Última ceia", no Refeitório do Convento ligado à Igreja de Santa Maria Delle Grazie, uma das obras máximas do Mestre Leonardo, que confere a Milão a veleidade de competir com Florença, em termos de mostras importantes desse período que aprendi a definir de cor como "ressurgimento cultural e artístico".
Foi precisamente em Milão, no Castelo Sforzesco, que vi, pela primeira vez, uma Pieta de Miguel Ângelo, a última que ele esculpiu, que abandonou doze dias antes de morrer, deixando incompleta e imperfeita a mais bela obra de arte que já vi até hoje: Pieta de Rondanini.

foto daqui
Porque a vida é também sempre incompleta, sobretudo em dias "assim", imperfeitos, que todos têm...
Para além dos pombos, que me provaram que o meu filho não só já andava, como até corria, Milão foi para mim, há quase trinta anos, a sensação única de entrar, "ao vivo e a cores", numa sebenta da Faculdade ou num Manual de História Universal do 4º ano do Liceu.

imagem

quinta-feira, 24 de março de 2005

Obras...

Será que vou conseguir pôr os comentários a funcionar outra vez?
Se conseguir apago esta posta de desilusão comigo mesma...

quarta-feira, 23 de março de 2005

Peditório

Há umas duas semanas, num daqueles acessos de "mudar o mundo", resolvi mudar o sistema de comentários, já que mudar o mundo não estava naquele dia ao meu alcance e o sistema do blogspot estava insuportavelmente lento...
Com o saber de experiências feito, sem outro saber à mão, instalei uma caixa de comentários que me deixou feliz por ter conseguido e por verificar que funciona muito mais eficaz e rapidamente.
Mas... há sempre um mas! Parece-me que perdi os comentários deixados até aí!
Como tinha assinalado um back-up qualquer, ainda pensei que os conseguisse recuperar.
Esperanças vãs, receio!
Assim, e no âmbito do espírito da época, venho pedir a recuperação desses comentários, pelo menos simbolicamente, neste post. Pode ser?
Já agora, se alguém souber uma maneira de recuperar os originais, eu agradeço que me ensine. Estou a pensar no Eduardo, que tem uma oficina e é muito prestável. Mas hoje por lá é "lua-de-mel" e não se interrompem luas-de mel, nunca!
Obrigada!
Já estou de latinha em riste, a cravar, à porta do supermercado e no Parque de estacionamento.
E podem já exibir o comprovativo:
peditório

terça-feira, 22 de março de 2005

oitenta e duas velas


Foto
Marcel Marceau faz hoje oitenta e dois anos.
Os meus sonhos de longevidade já terminaram há muito tempo, ainda na casa dos vinte, quando percebi que viver muito significava também sofrer muito. E não me refiro a sofrimentos físicos, nem a doenças apenas, mas sobretudo à própria e inevitável dor da sobrevivência aos outros.
O que Marcel Marceau já viveu equivale a dizer o que ele já sofreu.
Inspirado nos filmes mudos que o pai o levava a ver em criança, apaixonou-se por uma arte de representar através da expressão facial e corporal, do gesto, a mímica.
(O que não terá sofrido o jovem Marcel quando o pai foi levado para o campo de Auschwitz, onde morreu!
O terror nazi que o levou a mudar de nome, de apelido, para esconder as origens judaicas... Com apenas quinze anos, tinha já consciência de que o nome poderia trair os sonho de viver.)
A primeira personagem de Marcel Marceau foi o Bip, tem quase sessenta anos e nasceu de um boneco do mestre inspirador Charlie Chaplin. Bip é uma homenagem aos heróis da literatura que representam o sonho invencível, a resistência para lá dos limites.
Com casaco a menos e calças a mais,exactamente porque o sonho nunca tem medida certa, o mimo correu mundos e atravessou gerações e hoje celebra o octogésimo- segundo aniversário.
Fundou uma escola de actores de mímica e sobretudo provou que se pode comunicar em silêncio, já que, segundo o próprio Marcel Marceau, ele mesmo é "uma testemunha silenciosa do seu tempo".
Merci Marcel Marceau!

Fontes? Vários sítios da net... e alguns arquivos da minha memória!

Vou ver se já chegou a Primavera!

Há azul lá fora
Abro a janela e vejo a luz da Primavera.
Deixo-a entrar. Sem pressas que quero saboreá-la agora...
Mais tardes vêm os fenos e as alergias. Os Zyrtecs e os Diprophos. As toneladas de lenços. Os pingos dos olhos. As bombas para o nariz. O espelho a dizer-me que estou muito mais feia que a bruxa da Branca de Neve. O cansaço inexplicável. O desencanto com a Natureza a que estupidamente sou alérgica quando ela se expande em belezas múltiplas.
Mas isso é só mais tarde.
Por enquanto, é só uma Primavera doce e calma.
Pode entrar!

Sem água

água no Convento de Cristo
Também tenho as minhas imagens para este dia.
Fontanário, Convento de Cristo, Tomar

Dia da Água


Imagem tirada do Portal da Unesco

segunda-feira, 21 de março de 2005

E, finalmente, a poesia...

Tudo num só dia!
E aqui deixo os versinhos que fiz para os alunos e que foram publicados no Boletim Eco-Escola e no EcoCoisas.
(Eu é que te agradeço, Teresa! O bem, como já uma vez te disse, é de todos!)

A Princesa Raiz

Plantar uma árvore
é contar uma história de fadas
de verdade.

Não há idade,
nem qualquer outra condição,
que determine com precisão
o momento certo,
para esta solenidade:
meter as mãos na terra,
no chão,
moldar o berço da raiz-menina
e aconchegá-la com cuidado,
que é pequenina!

Virá um sono e um príncipe encantado,
o sol dourado,
que lhe dará o beijo esperado.

E termina com final feliz
a história de uma princesa raiz.



imagem tirada daqui

Dia de tristeza para as árvores

Árvores plantadas depois dos fogos de 2003 estão a morrer.
A floresta vive uma das suas piores fases. Ainda não se recompôs das chamas e já mais de 90% da reflorestação está ameaçada. (notícia da Capital)
floresta

Dia da Árvore

dia da árvore
Trabalho dos alunos da Escola Básica D. Pedro Varela
E para assinalar a chegada da primavera, já que o dia, a amanhecer tão cinzento, não se mostra pelos ajustes, nada melhor do que recorrer a um dos padroeiros deste "diário electrónico" e transcrever um texto que li, pela primeira vez, há mais de trinta anos e nunca esqueci.
"Depois, nunca mais me levaram a ver a minha árvore. Não sei o que fizeram dela.
Tenho-a procurado tantas vezes em vão! Não a encontro. Não a reconheço.
Árvore da liberdade: onde estás? Responde-me: onde estás? A rasgar ventos? A cobrir de flores a tempestades? Já alguém se enforcou nos teus ramos? Já atiraste pássaros para o céu? Árvore: onde estás?
Já secaste?
(Hei-de ensinar o meu filho a plantá-la de outra maneira.)"

O Mundo dos Outros, José Gomes Ferreira

domingo, 20 de março de 2005