quinta-feira, 30 de junho de 2005

Lá vai efeméride!

Neste dia, em 1793, foi inaugurado o Teatro Nacional de São Carlos, um imponente edifício, encafuado na Baixa, no Chiado, construído no lugar onde antes existira uma "Ópera", que ruiu em 1755.
(Toda a baixa está encafuada!)
A versão mais soberba do exterior é, sem dúvida, a nocturna que está muito bem iluminada.
sãocarlos
"a memória de um tempo em que a burguesia alfacinha ia às soirées ao Chiado"
Há dias em que estou mais saloia do que afro! Deve ser do calor, ou da falta dele.
O que é certo é que eu também gosto de Lisboa, desta Lisboa que se encaixa como se encaixam as peças dos puzzles, desta Lisboa que se pode envaidecer com as belas memórias que cada centímetro quadrado arrecada!

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Emídio Guerreiro

Partiu uma referência da Liberdade dos nossos tempos!
A vida, contada em mais de uma centena de anos, e a lucidez, também prolongada para além do que e habitual, não nos tinham preparado para mais este desaparecimento.
Mas o que importa é a vida e o que dela se fez. Este homem construiu muitas consciências livres.
Obrigada!

Querem efemérides?

Diz o Roteiro Cultural que, nesta data, se realizou a primeira operação ao apêndice, em 1888. O feito foi de um cirurgião inglês,Frederick Treves.
Uma das barrigas cujo dono foi salvo pela perícia e conhecimento deste cirurgião míope, era uma barriga real: Eduardo VII, dois dias antes do dia da coroação. A gratidão, também real, traduziu-se num título de nobreza.
Mas o seu doente mais (infelizmente) célebre, foi o Homem Elefante, caso cinematograficamente tratado por David Lynch.
O destino, diz-se, tem muitas ironias: Frederick Treves morreu de peritonite.
Contudo, o que interessa não é a forma como, nem quando, nem onde morreu, mas sim o facto da sua vida ter sido um importante contributo para a Ciência, numa área em que todos somos vulneráveis, mesmo dentro de um palácio e com uma coroa na cabeça!
Este post é para a Ana Pereira, que sabe como ninguém desta imensa fragilidade a que chamamos vida!

Imagem aqui.
Cartoon distinguido com Menção Honrosa.

terça-feira, 28 de junho de 2005

Senhora dos Aflitos

capelinha aflitos
Ei-la, prontinha para as festas que começam hoje!
O São Pedro está-se a acabar! Ou a começar!
Há foguetes e bailes e palcos!!! Há festa já!
Ler mais aqui e aqui!

Saldos

Não é desses saldos que estão aí a chegar, para nos esvaziar as carteiras...
É o saldo do ano lectivo, que está mesmo a terminar.
Daqui a quinze dias, mais coisa menos coisa está aí a época oficial de férias dos professores e as escolas começam a despovoar-se de Alunos e Encarregados de Educação, parecendo-se esses espaços mais com cenários de filmagens, esvaziados para limpezas e preparadas para o repovoamento, assim que os calores arrefecerem outra vez.
Sou normalmente uma pessoa com sorte. Não a sorte dos milhões, que essa também só me traria problemas, que eu de dinheiros muitos percebo pouco.
(Ainda ontem estive a ouvir os cérebros deste país e nem eles sabem bem como é que o país se há-de salvar da crise sem os ricos ficarem um bocadinho mais pobres...)
Tenho aquela estrelinha da sorte que me leva a encontrar pessoas boas no caminho da vida e, seguindo o coração, vou sempre dar ao sítio certo.
Tive turmas boas, com alunos bons e os resultados são logicamente bons. Mas isto não é milagre!
Mas não devo deixar de reflectir, porque assim é!
E quando reflicto, não me guio apenas pelos aspectos cognitivos. Os meus alunos são tão pequeninos que há que ter em conta os aspectos afectivos.
Será que os ajudei a crescer enquanto pessoas, para além dos verbos e dos adjectivos?
É sobre isso que eu vou pensar!
Entretanto deixo uma frase de Anne Sullivan, a quem coube o papel exemplar de ensinar Helen Keller, que não ficou na História da Humanidade como coitadinha ou a vítima. Muito antes pelo contrário, como já referi.
"Já pensei muito sobre isto e quanto mais penso mais certeza tenho de que a obediência é a porta por onde entra o conhecimento, sim, e o amor, também, na mente de uma criança!"
O conhecimento e o amor andam de mãos dadas, mas não podemos abrir mão da disciplina!
Concluo eu, que só sei que nada sei, não por humildade, mas por vaidoso desejo de comparação com os grandes que disseram o mesmo!
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segunda-feira, 27 de junho de 2005

O sentido da vontade

Helen Adams Keller é o milagre da vontade feito gente.
Aos dezanove meses de idade, uma febre atirou-a para um mundo de silêncio e escuridão.
Não é fácil deitar fora a esperança, mas foi o que os pais da pequenina Helen foram aconselhados a fazer, pelos médicos que confirmaram o que a mãe percebera, pouco tempo depois das febres terem ido embora e a morte ter desistido de levar consigo aquele bebé.
Mesmo sem esperança, procuraram ajuda para o que parecia uma tarefa impossível: criar um ser privado de sentidos, impedido de comunicar de forma natural e espontânea, com o mundo à volta, com os outros seres capazes de ver e de ouvir.
O destino desta criança parecia traçado para ser exemplo para todos e para sempre.
Por indicação de Alexandre Bell, estes pais desesperados chegam até Anne Sullivan, que vai ensinar à pequenina Helen a linguagem gestual, tendo sempre de se confrontar com as dificuldades imensas, as que o sofrimento e a dor acrescentam normalmente à solidão. Ainda por cima, tratando-se de uma criança!
A primeira palavra que Helen aprendeu foi "boneca" (doll) e a segunda foi "bolo" (cake).
Helen nasceu a 27 de Junho de 1880.
Viveu oitenta e oito anos e provou que há obstáculos que parecem invencíveis, mas não são.
As suas vivências estão registadas em livros, onze ao todo.
Quando procuramos dados sobre a vida de Helen Keller ela aparece referida como escritora e activista.
Depois de Helen Keller a própria palavra esperança ganhou mais sentido!

domingo, 26 de junho de 2005

Ainda sobre a infância e Moçambique

Já hoje disse que os blogs estão para as almas, como os abre-latas estão para as latas. Eis-me a mostrar aqui, pensando que a alguém pode interessar, pelo menos para ajudar a reconstruir um tempo, dizia, eis-me a mostrar o meu "passaporte", o "salvo-conduto", para um reino de brincadeiras e alegrias.
O que mais me entristecia era não aprender a nadar bem e, muito menos, a saltar da prancha.
Logo, nunca passei das aulas do Sr Matos e da Belinha. As aulas do Sr Sampaio já eram uma natação avançada, com saltos da prancha e cá a "Madalena não sabe saltar, yo!"
VC treze anos

sábado, 25 de junho de 2005

A Laura, o Mia e Moçambique

A Laura escreveu assim "tão lindo!", nos comentários:
Moçambique nunca se esquece. Faz parte de nós. E não queremos, nem conseguimos, que deixe de ser assim. Mas para quê tentar uns maus alinhavos, quando posso hoje chamar Mia Couto, no seu livro "Vinte e Zinco", e deixar aqui umas palavras do seu "Pensatempos": “A cidade não é um lugar. É a moldura de uma vida. A moldura à procura de retrato, é isso que eu vejo quando revisito o meu lugar de nascimento. Não são ruas, não são casas. O que revejo é um tempo, o que escuto é a fala desse tempo. Um dialecto chamado memória, numa nação chamada infância.”
Não tenho das infâncias, de um modo geral, uma ideia idílica. A infância é a fragilidade e a insegurança absolutas. A infância só se salva pela ideia do futuro. E o futuro na sua essência é abstracto.
Não será por isso que todos temos pelas crianças um respeito máximo?
No fundo, todos sabemos como é difícil ser criança!
Tenho de estar muito bem preparada para revisitar essa "nação" de que o Mia fala!
Um beijinho para ti, Laura!

A Senhora dos Aflitos

Fala quem sabe: a Teresa!
Obrigada pelo teu comentário. É um contributo demasiadamente importante para se esconder. Fica aqui!
Acho interessante esse teu interesse pela zona do Saldanha. A capelinha da Senhora dos Aflitos tem um extensa e antiga tradição junto dos pescadores. Durante as festas de S. Pedro era junto a essa capela que se realiza ou realizava a tradicional "lavagem dos pés". Era à Sra. dos Aflitos que os pescadores recorriam em caso de "aflição". Nela existia, não sei se ainda lá está, um cruxifixo de grande valor patrimonial. Houve grande polémica com esse assunto entre a família e a autarquia. Se estiveres interessada posso averiguar como foi concluído o processo.
A quinta do Saldanha era propriedade da família Caria. Parabéns pelo teu interesse pela quinta e concordo contigo, vê-se um pôr do sol lindo.

Vi o cruxifixo, numa ocasião das festas, em que o cruxifixo esteve exposto durante algumas horas, com grande aparato policial, à porta da Capelinha.
saldanha

Moçambique

Tenho, na memória, cheiros, cores, sabores e luzes...
Tenho, na memória, gente e sentimentos...
Um dia, hei-de voltar!

sexta-feira, 24 de junho de 2005

Dia de S. João

S. João! S. João! S. João, dá cá um balão, para eu cantar ou dançar ou fazer qualquer coisa do género.
Gosto das comemorações dos santos populares, nas terras ditas de província.
Fazem regressar os seus filhos distantes e fazem a ponte entre os vários passados, o presente e vários futuros que todos teremos individualmente. Se eu estiver no Japão, daqui a uns anos (Não é nada provável!), lembrar-me-ei do Santo António de 1973, do São Pedro de 1991, embora eu nem tenha muito o costume de celebrar a rigor as festas.
Aqui no Montijo, começam hoje os festejos, que não são do S. João, mas de S. Pedro que há-de vir. Mistura-se, como noutras festas, o pagão e o religioso, cumprindo-se a tradição.
O que menos me atrai é a largada de touros. Nunca assisti a nenhuma, mas oiço contar e sobretudo, quando alguma coisa corre mal, oiço lamentar.
A Queima do Batel é um dos momentos mais significativos no desenrolar das festas. Lá fica tudo, a olhar para o rio, a ver o barco a arder. É que esta terra é também de pescadores e essa ligação do povo ao rio, aqui, é preciso ser lembrada e venerada!
sra dos aflitos
A Capelinha da Senhora dos Aflitos, na Quinta do Saldanha, sobressai da diversidade que a rodeia: em frente, o rio; atrás, os prédios incaracterísticos e iguais; ao lado, um depósito enorme e feio... Ela permanece, talvez a lembrar esse tempo em que o rio e os homens conviviam na labuta dos dias e do peixe.
Digo eu, que não sei muito desta História, mas conheço bem o lugar, de onde se pode contemplar um dos mais belos espectáculos da natureza: o pôr-do-sol!

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Celebrate the date


Às vezes, tenho a sensação que tudo se pode encontrar na net. Mas não é assim.
Penso que muitos terão a mesma sensação. E muitos experimentarão a mesma frustração.
(E é bom que seja assim, já que há vida para além do défice e da net!)
De qualquer modo, os computadores revolucionaram a nossa vida, sobretudo no que toca à comunicação, à leitura e à escrita. E, de acordo com a efeméride assinalada pelo site "American Greetings", temos de agradecer ao Sr Sholes ter inventado a máquina de escrever, que me parece o antepassado natural deste teclado onde, como diz alguém num outro blog, "me escrevo".
Thank you, Mr sholes!

Eu ainda sou do tempo da máquina de escrever, daquelas em que se queimavam algumas calorias a carregar na tecla, com força, para se levantar um ferrito tímido que, por sua vez, batia numa fita, deixando ficar, no papel branco, a letra desejada. Ou não!
chora com máquina

"É um sorriso que me leva para a frente"

António Gedeão fez-me acreditar que o sonho comanda a vida.
Foi há muitos anos.
Hoje, tropecei no sonho novamente, num sonho assim como o de Gedeão, trinta e tal anos mais novo, mas igualmente sonho.
Obrigada pequenotes, pela definição de Sonho.


É um homem mascarado de palhaço.
É um paraíso ambulante.
É um sorriso que me leva para a frente.
É um cheiro a flores.
É aquilo que me leva ao céu para poder voar.
É um mar de flores.
É uma porta para entrar no reino da imaginação.


Já reservei o sorriso!
Obrigada, pequenotes! Obrigada, Emília!
Imagem daqui

quarta-feira, 22 de junho de 2005

A Lindbergh


Lindbergh é nome de aviador e de aviadora.
Anne Morrow Lindbergh, nascida a 22 de Junho de 1906, foi a primeira mulher, nos Estados Unidos, oficialmente habilitada a pilotar um avião.
O apelido soa a História de Aviação: Charles Lindbergh. Anne e Charles Lindbergh, casaram dois anos depois da aventureira (e venturosa) travessia do Atlântico, no mítico Spirit de St Louis. Os aviões era pelos vistos uma paixão comum e os primeiros anos de casamento foram passados sobretudo a voar! Anne era a companhia completa, total e absoluta, na terra e no ar.
A ensombrar uma vida, contada talvez muito ao jeito e agrado dos públicos cor-de-rosa, há a tragédia da criança raptada, que nada nem ninguém conseguiu resgatar com vida.Nem o amor! Nem o dinheiro! Nem a fama!
Anne morreu em 2001 deixando um outro legado, para além da coragem de voar: os seus livros, os seus relatos das viagens, a sua ficção e a sua poesia.
Terá pedido que não lhe desejassem felicidade, mas sim força, coragem e sentido de humor!
Terá dito que a dor não se partilha, pois cada um carrega o seu fardo à sua maneira!

segunda-feira, 20 de junho de 2005

O Escritor ao lado!

DSC_1858
Guilherme de Melo é um nome da nossas letras, das de cá e das de lá.
De lá porque, como muitos de nós, foi lá que ele nasceu, a 20 de Janeiro de 1931, foi lá que ele escreveu e viveu, "em primeira mão", apetece-me dizer, mas já com muito talento reconhecido pelos seus pares e pelos então seus leitores do jornal.
No dia em que todos estavam reunidos em volta de uma obra que falava de uma outra vida em primeira mão, acabadinha de ser escrita, passada a novinha em folha, ele emprestou o indizível brilho das suas palavras e tornou ainda mais brilhante o que já era.
Para mim, este escritor é também sinónimo de saudade que, como ele tão bem distinguiu, não se confunde com saudosismo. Conheci-o há quarenta anos, na esquina do John Orr. Eu era uma miúda de treze anos. Ele já era um respeitado jornalista. O meu pai apresentou-nos. Não podia então suspeitar que um dia estaríamos à volta do mesmo feitiço.
Um dos últimos livros que li, dominada ao mesmo tempo pela magia da escrita e presa pelo fio da narrativa, foi sem dúvida "A Porta ao Lado". E até sobre este livro escrevi uma croniqueta daquelas que publicava no jornal daqui da terra!
Fui buscá-lo e guardei-o no baú.
Foto roubada aos grupos.
O autor da foto é o Victor Passos!!!

domingo, 19 de junho de 2005

Tem feitiço!

Gil e GM
Do que gostámos mais foi da verdadeira emoção do Carlos!
Foi essa emoção imensa que envolveu todos os que ali estavam, vindos dos cantos mais variados da vida do Carlos. Muitos, como eu, de um cantinho que não tem muito boa fama junto das pessoas ditas sensatas: a net. Não ia a fingir, por vir daqui. Fui de coração inteiro, para viver um momento feliz!
Parabéns, Carlos!

sábado, 18 de junho de 2005

Blog Parabéns

Faz anos o Sir Paul, aquele rapazinho que nos enfeitiçou a todas, quando tínhamos idade para esses enfeitiçamentos, mesmo com o jeito trocado de pegar na guitarra.
Apesar dos seus sessenta e três anos, a voz ainda exerce esse efeito mágico e a presença em palco ainda é uma realidade bonita.
No ano passado, passou por cá, para nos visitar, mas foi na Praça de S. Petersburgo que Paul Mc Cartney assinalou a trimilésima actuação da sua carreira.
Happy Birthday Paul!

Convidámos também, para este dia especial, em que o Carlos lança o seu livro, a lindíssima Isabella Rosselini, que faz hoje 53 anos!
É esta mesmo! A do perfume e de outras marcas e capas de revista a que filha da bela Ingrid Bergman e do monstro (de talento) Rosselini emprestou a beleza.

A surpresa do dia seria a Celly Campelo. Também faria anos, 63 como o Paul! Vamos tocar uma musiquinha em homenagem à percursora do Rock brasileiro. E do meu!
A lua vai estar nos céus quando sairmos do Palácio Galveias.
Um dia feliz para ti, Carlos!

Dezoito de Junho

Data a recordar no futuro que vai começar hoje!
O Carlos Gil passa a ser um autor português, com registo em cerimónia pública, no Palácio Galveias!
Vai ser cá uma festa!
xicuembo

sexta-feira, 17 de junho de 2005

Coincidências!

Hoje é Dia do Funcionário Público Aposentado!
Não estou a ironizar nem a gozar, nem a brincar. Não sei quem é que inventou este dia, mas eu descobri-o aqui.

Este cartoon é daqui e traz agarrada a inspiração da cantiga dos Beatles "When I'm sixty-four".
Não sei se não comece mesmo a acreditar em coincidências!!!