sexta-feira, 29 de julho de 2005

Requerimento

Aguarda deferimento o pedido de alguns dias para "termas de multidão"...
O Sporting marcará o regresso dos leões à jaula.

Imagem daqui

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Verdades

I tell you, the more I think, the more I feel that there is nothing more truly artistic than to love people. Vincent Van Gogh

terça-feira, 26 de julho de 2005

A Diva dos Pobres

"Lembro-me que fiquei muito triste quando descobri que, no mundo, havia gente pobre e gente rica..."
Talvez a sua compreensão do mundo tenha ficado para sempre moldada por esta conclusão da infância.
Viveu à velocidade da luz, deixando de brilhar no seu firmamento dos pobres, dos "descamisados", demasiado cedo, com apenas trinta e três anos.
Eva Peron, Evita, morreu a 26 de Julho de 1952.

Não é a luz da História a que confere mais brilho à figura de Evita. É a luz dos mitos. Ela própria preparou o mito que havia de perpetuar a sua memória e dourá-la cada vez mais.

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Lance Hero Armstrong

Está aqui o que eu gostaria de ter escrito sobre o herói!

24 de Julho

LM1895
Foi a 24 de Julho de 1875 que o Marechal Patrice Mac Mahon proferiu a sentença que afastou os ingleses dos direitos da cidade cobiçada e apetecida: Lourenço Marques.
Aqui, pode ler-se toda a história da cidade onde eu e tantos de nós crescemos, a cidade das acácias, a cidade das ruas largas, parecendo traçadas a régua e esquadro.
A cidade das muitas saudades, onde, segundo dizem não dói voltar, pois está tudo bonito e bem cuidado!
Esta imagem é uma gravura que retrata a cidade em 1895. Comprei-a numa feira de velharias e antiguidades, há pouco tempo!
Não sei se o Marechal tinha ou não sentido de humor, mas é recordada uma frase sobre a febre tifóide, que me leva a crer que sim: "La fièvre typhoïde est une maladie terrible. Ou on en meurt, ou on en reste idiot. Et je sais de quoi je parle, je l'ai eue."
Eu também tive. Pensei que ia morrer e todos à minha volta pensaram o mesmo. O Fabião, sempre fiel ao meu lado, disse um dia à minha mãe que temia pela minha vida.
Quando comecei a melhorar, a minha convalescença foi feita à base de bifes da Princesa. Não sei se era a dieta mais indicada em termos médicos, mas era o que me apetecia. E dizem que o organismo, nestas coisas de doenças, é quem mais ordena!

*(Que será feito do Fabião? Que terá ele feito de toda a bondade de que era fabricado o seu coração? Os cães só reconheciam o Fabião, ladrando a qualquer um de nós que se aproximasse dos seus domínios. Era ele que, todos os dias, à hora do almoço, ia à Princesa, buscar o bife. Obrigada, Fabião, pelo teu cuidado, pelo teu carinho e pela tua imensa fidelidade! Não era muito normal uma menina ficar entregue aos cuidados de um criado. Mas eu fiquei e sei o valor do teu zelo.)

sábado, 23 de julho de 2005

Tralhas da memória

RC calhambeque
Gosto da palavra tralha. Tem uma conotação que a torna menor aos olhos de quem a lê, mas depois, "vai-se a ver" e refere-se a coisas boas e a palavra tralha só ali está par disfarçar emoções. É a palavra ideal para disfarçar emoções.
Grande tralha é o reportório do Roberto Carlos, sobretudo aquelas cantigas primeiras como o calhambeque. Bipbip, quero buzinar o calhambeque! pipirupiripirubi... vrummmm.
Hoje à tarde, a RTP Memória transmitiu um programa de luxo, sobretudo para quem não viu a televisão nos seus primórdios, em Portugal.
É o meu caso!
E gostei de ver, pela primeira vez, o Roberto Carlos a cantar Coimbra.

Efemérides com coração agarrado! (2)

Há trinta e três anos embarquei para Moçambique. Eu não sabia que era a última vez. E hoje também não sei se foi ou não a última vez. Posso ainda contrariar essa determinação. Ou então pensar que está escrito nas estrelas que hei-de voltar à galáxia-mãe!
nampula 72
Nampula, Agosto 1972

Tralhas

Quando andamos por aí,ou por aqui, a gastar o tempo, sem recorrer a grandes energias, nem no domínio do corpo, nem no domínio da mente, encontramos imagens, frases, ideias que, de algum modo, nos sintonizam com as nossas preocupações mais guardadas e escondidas.
Sunset colours in the Algarve
Até quando continuará o homem a desafiar a paisagem? Até quando conseguirá o homem encostar gruas e arames ao pôr do sol?

sexta-feira, 22 de julho de 2005

A canção francesa do nosso contentamento

mm
Mireille Mathieu apareceu empurrada pela esperança de ser uma reedição viva da mítica e poderosa voz de Piaf. Impôs-se nas nossas adolescências, com o seu estilo próprio, com o seu repertório (ou reportório) romântico, perfeitamente adaptado aos verdes sonhos não menos românticos.
Fui à procura do meu caderninho de cantigas e lá estavam as cantigas francesas. As que eu ouvia e ouvia e decorava as letras, embora nunca tenha sabido cantar nem uma linha... Mas as letras, sabia-as todas! E que ajuda me deram no meu Francês!
(Será que os professores sabiam que tinham nos cantores os melhores aliados na tarefa de ensinar uma Língua Estrangeira? Eu hoje sei, porque a minha experiência foi esta...)
quand tu t'en iras
Mireille ficará com dezanove anos,nos nossos sonhos, para sempre, embora hoje vá apagar cinquenta e nove velas.
(Será que ainda tem a franja com bico, que ditou a moda das raparigas da época?)
À la santé, Mireille!
L'Hymne a l'amour

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Gostar de gostar?

Gostava

Gostava de gostar de gostar.
Um momento... Dá-me de ali um cigarro,
Do maço em cima da mesa de cabeceira.
Continua... Dizias
Que no desenvolvimento da metafisica
De Kant a Hegel
Alguma coisa se perdeu.
Concordo em absoluto.
Estive realmente a ouvir.
Nondum amabam et amare amabam (Santo Agostinho).
Que coisa curiosa estas associações de idéias!
Estou fatigado de estar pensando em sentir outra coisa.
Obrigado. Deixa-me acender. Continua. Hegel...
Álvaro de Campos

Às vezes os poetas também saem da sua poesia para nos dizerem qualquer coisa que vai ou não ao encontro do que já dissemos e pensámos.
E nós a crermos na originalidade do nosso pensamento!

O Captain my Captain

Hoje faz anos um dos actores-revelação-idade-adulta.
Este não pertence às minhas memórias antigas e não é um símbolo da geração dos gigantes de Hollywood, quando só havia gigantes em Hollywood: Paul Newman, Clark Gable, Rock Hudson, James Dean, o gigante que desistiu cedo, Cary Grant, Tony Curtis, Kirk Douglas, Marlon Brando e por aí fora.
Robin Williams é mais novo do que eu, uns mesinhos, mas é! Isso explica tê-lo conhecido tarde...
Descobri-o no Clube dos Poetas Mortos e desde aí não deixei de estar atenta.
"No matter what anybody tells you, words and ideas can change the world."
R williams

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Gostar de gostar

Escrevi ontem, num comentário, que gosto de gostar.
Assim que acabei de escrever esta frase, pensei no "não gostar". Será que não gostar também provoca sensações e emoções tão especificamente más, quanto o gostar provoca boas?
Claro que sim, apresso-me a responder a mim própria.
Mas eu ando mais à procura do gostar...
Mas eu encontro tanto do que não gosto!
Gosto tanto de gostar!
Gosto sobretudo de gostar de pessoas.
Mas nestes processos de gostar há tempos: tempo para ver só o lado bom e belo; tempo para descobrir a imperfeição inevitável; tempo para a entender, aceitar e diluir essa imperfeição no afecto.
Nisto de relações humanas, não há receitas, mas "gostar de pessoas" acompanha sempre bem qualquer momento da vida!
Deu-me para isto hoje, o meu último dia de trabalho!
La Palice diria que amanhã é o primeiro dia de férias!
Vou procurar nos dias de férias o que procuro nos dias de trabalho: estar perto das pessoas de quem gosto de gostar!
Então o que é que muda? Espero que mude o trabalho mesmo!

Espaços


Reflectindo sobre o valor da coragem que levou o homem ao Espaço, Torga louvou os marinheiros de quinhentos.
Não vi, em directo, o homem pisar a lua pela primeira vez.
Mas muitos viram.
Foi mais feliz Armstrong, pois pôde mandar do espaço uma mensagem aos seus iguais na terra. Vasco da Gama teve de fazer toda a viagem de regresso, para poder contar aos seus tudo o que vira.
A comunicação, com a tecnologia que apoia uma viagem à lua, faz toda a diferença, em relação aos solitários heróis do mar!

terça-feira, 19 de julho de 2005

O pintor das bailarinas


Imagem daqui.
Reafirmo que nada sei de pintura, mas já concluí que os motivos mais frequente nas telas de Degas são as bailarinas...
Procurando um pouco mais sobre o homem, confirmo o ditado: a dificuldade aguça o engenho. Neste caso, foi precisamente o sentido que deslumbrou nos outros, aquele que lhe infligiu a provação: a visão!

Le soleil va se coucher!

Alcochete, há poucas horas atrás!
alcochete sunset
Já não me lembrava como é que se diz pôr do sol em francês. Deslumbrada com este fim de dia, perguntei a quem sabe: le coucher de soleil (ils m'ont dit!).
Uma coisa traz a outra... a língua francesa traz o principezinho, o principezinho traz o pôr do sol... Mas não se dá a volta completa com a facilidade do principezinho, lá no asteróide pátrio!

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Patrimónios

"Os exóticos, no meio da uniformidade amarela, somos nós. E, contudo, estamos aqui há quatrocentos anos. A fazer o quê? A construir o farol de Nossa Senhora da Guia, o mais antigo das costas da China, que desde 1865 "ilumina com o seu brilho os mares circunvizinhos", a esculpir a fachada da igreja de S. Paulo, o mais extraordinário monumento sincrético do génio luso, e a teimar numa vocação ecuménica que nunca soube ser imperial. Temos febre de espaço, mas basta-nos a miragem da realidade. Corremos o mundo fantasmagoricamente, a deixar nele pegadas sonâmbulas."
in Diário XV, Miguel Torga
UNESCO aprova monumentos de Macau para Património da Humanidade.
Ler a notícia do Público aqui.
Procuro no poeta esta visão semi-apaixonada do nosso lusitanismo militante que, ora chora por desgosto de si mesmo, em crise de visível quebra de amor-próprio, para lá do fundo; ora exulta timidamente, relutante, antevendo uma investida qualquer, que o acorde para a realidade, um pouco sem sabor, em que sabemos bem viver!

Imagem daqui

domingo, 17 de julho de 2005

Para além dos quadradinhos...

File0063
"Disneyland will never be completed. It will continue to grow as long as there is imagination left in the world."
Disse Walt Disney, recordado sempre por todos os que foram meninos e que construiram a sua própria fantasia , ensinados pela magia dos bonecos dos quadradinhos, devorados, muitas vezes, às escondidas.
O primeiro parque temático da Disney celebra hoje cinquenta anos.
À entrada, pode ler-se uma sugestão tão convidativa para os dias da época, como para os dias de hoje.
"Here you leave today and enter the world of yesterday, tomorrow and fantasy"
eurodisney
(Eu tive o meu mestre, o meu pai...)
bambipapá

sábado, 16 de julho de 2005

A quem os mortais chamam a Lua ...

That orbed' maiden
With white fire laden
Whom mortals call the Moon.
- Shelley


Imagem daqui
Eu daria a lua...
A lua é o limite! Eu recorro à lua, quando me faltam outras referências mais próximas, contudo, menos visíveis.
Pequenas histórias ilustram esta incoerência, esta ilusão.
( Da minha casa vejo a lua, mas não vejo o Porto, nem o Algarve, nem Paris, nem Nova Iorque. Logo, a lua é mais perto.)
Vencer esta distância, tão perto e tão longe, foi, ao longo dos tempos, um sonho da Humanidade.
Esse sonho, quase realidade, descolou da Terra, a dezasseis de Julho de 1969, feito foguetão, numa missão com nome divino: "Apollo".

Imagem daqui
Era a décima primeira missão com esse nome, mas esta estava já revestida de uma esperança-quase-certeza de, finalmente, o Homem pisar a terra da Lua e deixar lá a sua pegada.
(A pegada é bem mais importante do que a bandeira. Uma bandeira representa uma nação. A pegada representa toda a Humanidade.)
Este representante da Humanidade tem um nome, Neil Armstrong (braço forte), uma idade, trinta e oito anos e um tamanho de pé, 41.
Até já, Neil! Voltamos daqui a quatro dias, o tempo que demoraste a chegar à lua, que brilha nas nossas noites, nos inspira e ilumina. Alguns, dados a estas coisas de influências dos astros, dizem que esta bola brilhante nos confunde.
Pelo menos, na distância, isso é verdade!

Imagem daqui

sexta-feira, 15 de julho de 2005

The sands of time

Lives of great men all remind us, we can make our lives sublime, and, departing, leave behind us, footprints on the sands of time.
Henry Wadsworth Longfellow
pés

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Catorze de Julho


São muito poucos os meus conhecimentos de pintura. Contudo, um dos quadros que não é difícil conhecer e não reconhecer, sempre que surja, em qualquer lado, é o Beijo de Klimt.
Hoje, dia em que a França celebra o fim do absolutismo, o fim do "L'État c'est moi", é inevitável falar de revolução.
Não se falando da Revolução francesa, há ainda outras áreas da vida em que se sentiu, sente e continuará a sentir –se o conceito de "revolução",tal como a definição dos dicionários sugere.
Klimt revolucionou a pintura austríaca com a "sensualidade e erotismo" da sua obra. O que me encanta, a mim que sou leiga, é a escolha das cores, as formas alongadas e estilizadas das figuras humanas, de modo a realçar em cada quadro um tema, digo eu, que não sei nada disto.
Sendo o Beijo o quadro mais conhecido, optei por olhar com mais atenção para outro dos seus quadros, “As três idades da mulher”, porque é muito belo, tem cem anos e diz-me muito sobre a minha condição de mulher.
A idade da maternidade é sem dúvida a mais brilhante, neste quadro. A mulher criança parece indefesa. A mulher velha não tem rosto. Os cabelos longos e desalinhados cobrem os ombros. O peito cai e toda a postura sugere a decadência e sobretudo a desistência. Excepto o ventre redondo, primeira morada de toda a humanidade. Antes do Brave New World, claro!
Mais: li que Klimt nasceu a 14 de Julho de 1862, numa família pobre, nos arredores de Viena.
Imagem daqui.