terça-feira, 28 de junho de 2005

Saldos

Não é desses saldos que estão aí a chegar, para nos esvaziar as carteiras...
É o saldo do ano lectivo, que está mesmo a terminar.
Daqui a quinze dias, mais coisa menos coisa está aí a época oficial de férias dos professores e as escolas começam a despovoar-se de Alunos e Encarregados de Educação, parecendo-se esses espaços mais com cenários de filmagens, esvaziados para limpezas e preparadas para o repovoamento, assim que os calores arrefecerem outra vez.
Sou normalmente uma pessoa com sorte. Não a sorte dos milhões, que essa também só me traria problemas, que eu de dinheiros muitos percebo pouco.
(Ainda ontem estive a ouvir os cérebros deste país e nem eles sabem bem como é que o país se há-de salvar da crise sem os ricos ficarem um bocadinho mais pobres...)
Tenho aquela estrelinha da sorte que me leva a encontrar pessoas boas no caminho da vida e, seguindo o coração, vou sempre dar ao sítio certo.
Tive turmas boas, com alunos bons e os resultados são logicamente bons. Mas isto não é milagre!
Mas não devo deixar de reflectir, porque assim é!
E quando reflicto, não me guio apenas pelos aspectos cognitivos. Os meus alunos são tão pequeninos que há que ter em conta os aspectos afectivos.
Será que os ajudei a crescer enquanto pessoas, para além dos verbos e dos adjectivos?
É sobre isso que eu vou pensar!
Entretanto deixo uma frase de Anne Sullivan, a quem coube o papel exemplar de ensinar Helen Keller, que não ficou na História da Humanidade como coitadinha ou a vítima. Muito antes pelo contrário, como já referi.
"Já pensei muito sobre isto e quanto mais penso mais certeza tenho de que a obediência é a porta por onde entra o conhecimento, sim, e o amor, também, na mente de uma criança!"
O conhecimento e o amor andam de mãos dadas, mas não podemos abrir mão da disciplina!
Concluo eu, que só sei que nada sei, não por humildade, mas por vaidoso desejo de comparação com os grandes que disseram o mesmo!
DSC02203

segunda-feira, 27 de junho de 2005

O sentido da vontade

Helen Adams Keller é o milagre da vontade feito gente.
Aos dezanove meses de idade, uma febre atirou-a para um mundo de silêncio e escuridão.
Não é fácil deitar fora a esperança, mas foi o que os pais da pequenina Helen foram aconselhados a fazer, pelos médicos que confirmaram o que a mãe percebera, pouco tempo depois das febres terem ido embora e a morte ter desistido de levar consigo aquele bebé.
Mesmo sem esperança, procuraram ajuda para o que parecia uma tarefa impossível: criar um ser privado de sentidos, impedido de comunicar de forma natural e espontânea, com o mundo à volta, com os outros seres capazes de ver e de ouvir.
O destino desta criança parecia traçado para ser exemplo para todos e para sempre.
Por indicação de Alexandre Bell, estes pais desesperados chegam até Anne Sullivan, que vai ensinar à pequenina Helen a linguagem gestual, tendo sempre de se confrontar com as dificuldades imensas, as que o sofrimento e a dor acrescentam normalmente à solidão. Ainda por cima, tratando-se de uma criança!
A primeira palavra que Helen aprendeu foi "boneca" (doll) e a segunda foi "bolo" (cake).
Helen nasceu a 27 de Junho de 1880.
Viveu oitenta e oito anos e provou que há obstáculos que parecem invencíveis, mas não são.
As suas vivências estão registadas em livros, onze ao todo.
Quando procuramos dados sobre a vida de Helen Keller ela aparece referida como escritora e activista.
Depois de Helen Keller a própria palavra esperança ganhou mais sentido!

domingo, 26 de junho de 2005

Ainda sobre a infância e Moçambique

Já hoje disse que os blogs estão para as almas, como os abre-latas estão para as latas. Eis-me a mostrar aqui, pensando que a alguém pode interessar, pelo menos para ajudar a reconstruir um tempo, dizia, eis-me a mostrar o meu "passaporte", o "salvo-conduto", para um reino de brincadeiras e alegrias.
O que mais me entristecia era não aprender a nadar bem e, muito menos, a saltar da prancha.
Logo, nunca passei das aulas do Sr Matos e da Belinha. As aulas do Sr Sampaio já eram uma natação avançada, com saltos da prancha e cá a "Madalena não sabe saltar, yo!"
VC treze anos

sábado, 25 de junho de 2005

A Laura, o Mia e Moçambique

A Laura escreveu assim "tão lindo!", nos comentários:
Moçambique nunca se esquece. Faz parte de nós. E não queremos, nem conseguimos, que deixe de ser assim. Mas para quê tentar uns maus alinhavos, quando posso hoje chamar Mia Couto, no seu livro "Vinte e Zinco", e deixar aqui umas palavras do seu "Pensatempos": “A cidade não é um lugar. É a moldura de uma vida. A moldura à procura de retrato, é isso que eu vejo quando revisito o meu lugar de nascimento. Não são ruas, não são casas. O que revejo é um tempo, o que escuto é a fala desse tempo. Um dialecto chamado memória, numa nação chamada infância.”
Não tenho das infâncias, de um modo geral, uma ideia idílica. A infância é a fragilidade e a insegurança absolutas. A infância só se salva pela ideia do futuro. E o futuro na sua essência é abstracto.
Não será por isso que todos temos pelas crianças um respeito máximo?
No fundo, todos sabemos como é difícil ser criança!
Tenho de estar muito bem preparada para revisitar essa "nação" de que o Mia fala!
Um beijinho para ti, Laura!

A Senhora dos Aflitos

Fala quem sabe: a Teresa!
Obrigada pelo teu comentário. É um contributo demasiadamente importante para se esconder. Fica aqui!
Acho interessante esse teu interesse pela zona do Saldanha. A capelinha da Senhora dos Aflitos tem um extensa e antiga tradição junto dos pescadores. Durante as festas de S. Pedro era junto a essa capela que se realiza ou realizava a tradicional "lavagem dos pés". Era à Sra. dos Aflitos que os pescadores recorriam em caso de "aflição". Nela existia, não sei se ainda lá está, um cruxifixo de grande valor patrimonial. Houve grande polémica com esse assunto entre a família e a autarquia. Se estiveres interessada posso averiguar como foi concluído o processo.
A quinta do Saldanha era propriedade da família Caria. Parabéns pelo teu interesse pela quinta e concordo contigo, vê-se um pôr do sol lindo.

Vi o cruxifixo, numa ocasião das festas, em que o cruxifixo esteve exposto durante algumas horas, com grande aparato policial, à porta da Capelinha.
saldanha

Moçambique

Tenho, na memória, cheiros, cores, sabores e luzes...
Tenho, na memória, gente e sentimentos...
Um dia, hei-de voltar!

sexta-feira, 24 de junho de 2005

Dia de S. João

S. João! S. João! S. João, dá cá um balão, para eu cantar ou dançar ou fazer qualquer coisa do género.
Gosto das comemorações dos santos populares, nas terras ditas de província.
Fazem regressar os seus filhos distantes e fazem a ponte entre os vários passados, o presente e vários futuros que todos teremos individualmente. Se eu estiver no Japão, daqui a uns anos (Não é nada provável!), lembrar-me-ei do Santo António de 1973, do São Pedro de 1991, embora eu nem tenha muito o costume de celebrar a rigor as festas.
Aqui no Montijo, começam hoje os festejos, que não são do S. João, mas de S. Pedro que há-de vir. Mistura-se, como noutras festas, o pagão e o religioso, cumprindo-se a tradição.
O que menos me atrai é a largada de touros. Nunca assisti a nenhuma, mas oiço contar e sobretudo, quando alguma coisa corre mal, oiço lamentar.
A Queima do Batel é um dos momentos mais significativos no desenrolar das festas. Lá fica tudo, a olhar para o rio, a ver o barco a arder. É que esta terra é também de pescadores e essa ligação do povo ao rio, aqui, é preciso ser lembrada e venerada!
sra dos aflitos
A Capelinha da Senhora dos Aflitos, na Quinta do Saldanha, sobressai da diversidade que a rodeia: em frente, o rio; atrás, os prédios incaracterísticos e iguais; ao lado, um depósito enorme e feio... Ela permanece, talvez a lembrar esse tempo em que o rio e os homens conviviam na labuta dos dias e do peixe.
Digo eu, que não sei muito desta História, mas conheço bem o lugar, de onde se pode contemplar um dos mais belos espectáculos da natureza: o pôr-do-sol!

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Celebrate the date


Às vezes, tenho a sensação que tudo se pode encontrar na net. Mas não é assim.
Penso que muitos terão a mesma sensação. E muitos experimentarão a mesma frustração.
(E é bom que seja assim, já que há vida para além do défice e da net!)
De qualquer modo, os computadores revolucionaram a nossa vida, sobretudo no que toca à comunicação, à leitura e à escrita. E, de acordo com a efeméride assinalada pelo site "American Greetings", temos de agradecer ao Sr Sholes ter inventado a máquina de escrever, que me parece o antepassado natural deste teclado onde, como diz alguém num outro blog, "me escrevo".
Thank you, Mr sholes!

Eu ainda sou do tempo da máquina de escrever, daquelas em que se queimavam algumas calorias a carregar na tecla, com força, para se levantar um ferrito tímido que, por sua vez, batia numa fita, deixando ficar, no papel branco, a letra desejada. Ou não!
chora com máquina

"É um sorriso que me leva para a frente"

António Gedeão fez-me acreditar que o sonho comanda a vida.
Foi há muitos anos.
Hoje, tropecei no sonho novamente, num sonho assim como o de Gedeão, trinta e tal anos mais novo, mas igualmente sonho.
Obrigada pequenotes, pela definição de Sonho.


É um homem mascarado de palhaço.
É um paraíso ambulante.
É um sorriso que me leva para a frente.
É um cheiro a flores.
É aquilo que me leva ao céu para poder voar.
É um mar de flores.
É uma porta para entrar no reino da imaginação.


Já reservei o sorriso!
Obrigada, pequenotes! Obrigada, Emília!
Imagem daqui

quarta-feira, 22 de junho de 2005

A Lindbergh


Lindbergh é nome de aviador e de aviadora.
Anne Morrow Lindbergh, nascida a 22 de Junho de 1906, foi a primeira mulher, nos Estados Unidos, oficialmente habilitada a pilotar um avião.
O apelido soa a História de Aviação: Charles Lindbergh. Anne e Charles Lindbergh, casaram dois anos depois da aventureira (e venturosa) travessia do Atlântico, no mítico Spirit de St Louis. Os aviões era pelos vistos uma paixão comum e os primeiros anos de casamento foram passados sobretudo a voar! Anne era a companhia completa, total e absoluta, na terra e no ar.
A ensombrar uma vida, contada talvez muito ao jeito e agrado dos públicos cor-de-rosa, há a tragédia da criança raptada, que nada nem ninguém conseguiu resgatar com vida.Nem o amor! Nem o dinheiro! Nem a fama!
Anne morreu em 2001 deixando um outro legado, para além da coragem de voar: os seus livros, os seus relatos das viagens, a sua ficção e a sua poesia.
Terá pedido que não lhe desejassem felicidade, mas sim força, coragem e sentido de humor!
Terá dito que a dor não se partilha, pois cada um carrega o seu fardo à sua maneira!

segunda-feira, 20 de junho de 2005

O Escritor ao lado!

DSC_1858
Guilherme de Melo é um nome da nossas letras, das de cá e das de lá.
De lá porque, como muitos de nós, foi lá que ele nasceu, a 20 de Janeiro de 1931, foi lá que ele escreveu e viveu, "em primeira mão", apetece-me dizer, mas já com muito talento reconhecido pelos seus pares e pelos então seus leitores do jornal.
No dia em que todos estavam reunidos em volta de uma obra que falava de uma outra vida em primeira mão, acabadinha de ser escrita, passada a novinha em folha, ele emprestou o indizível brilho das suas palavras e tornou ainda mais brilhante o que já era.
Para mim, este escritor é também sinónimo de saudade que, como ele tão bem distinguiu, não se confunde com saudosismo. Conheci-o há quarenta anos, na esquina do John Orr. Eu era uma miúda de treze anos. Ele já era um respeitado jornalista. O meu pai apresentou-nos. Não podia então suspeitar que um dia estaríamos à volta do mesmo feitiço.
Um dos últimos livros que li, dominada ao mesmo tempo pela magia da escrita e presa pelo fio da narrativa, foi sem dúvida "A Porta ao Lado". E até sobre este livro escrevi uma croniqueta daquelas que publicava no jornal daqui da terra!
Fui buscá-lo e guardei-o no baú.
Foto roubada aos grupos.
O autor da foto é o Victor Passos!!!

domingo, 19 de junho de 2005

Tem feitiço!

Gil e GM
Do que gostámos mais foi da verdadeira emoção do Carlos!
Foi essa emoção imensa que envolveu todos os que ali estavam, vindos dos cantos mais variados da vida do Carlos. Muitos, como eu, de um cantinho que não tem muito boa fama junto das pessoas ditas sensatas: a net. Não ia a fingir, por vir daqui. Fui de coração inteiro, para viver um momento feliz!
Parabéns, Carlos!

sábado, 18 de junho de 2005

Blog Parabéns

Faz anos o Sir Paul, aquele rapazinho que nos enfeitiçou a todas, quando tínhamos idade para esses enfeitiçamentos, mesmo com o jeito trocado de pegar na guitarra.
Apesar dos seus sessenta e três anos, a voz ainda exerce esse efeito mágico e a presença em palco ainda é uma realidade bonita.
No ano passado, passou por cá, para nos visitar, mas foi na Praça de S. Petersburgo que Paul Mc Cartney assinalou a trimilésima actuação da sua carreira.
Happy Birthday Paul!

Convidámos também, para este dia especial, em que o Carlos lança o seu livro, a lindíssima Isabella Rosselini, que faz hoje 53 anos!
É esta mesmo! A do perfume e de outras marcas e capas de revista a que filha da bela Ingrid Bergman e do monstro (de talento) Rosselini emprestou a beleza.

A surpresa do dia seria a Celly Campelo. Também faria anos, 63 como o Paul! Vamos tocar uma musiquinha em homenagem à percursora do Rock brasileiro. E do meu!
A lua vai estar nos céus quando sairmos do Palácio Galveias.
Um dia feliz para ti, Carlos!

Dezoito de Junho

Data a recordar no futuro que vai começar hoje!
O Carlos Gil passa a ser um autor português, com registo em cerimónia pública, no Palácio Galveias!
Vai ser cá uma festa!
xicuembo

sexta-feira, 17 de junho de 2005

Coincidências!

Hoje é Dia do Funcionário Público Aposentado!
Não estou a ironizar nem a gozar, nem a brincar. Não sei quem é que inventou este dia, mas eu descobri-o aqui.

Este cartoon é daqui e traz agarrada a inspiração da cantiga dos Beatles "When I'm sixty-four".
Não sei se não comece mesmo a acreditar em coincidências!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Valentina, a valente!

A noção de espaço tem mudado ao longo dos tempos, sobretudo no que diz respeito à inerente noção de distância.
As distâncias encurtam-se, de modo mais real ou menos real, conforme os meios que escolhemos para as anular.
Os meios de comunicação são a admiração dos tempos modernos. Estou aqui e, de repente, estou ali.
Lembro-me de alguém dizer, a propósito das viagens de avião, que o corpo chegava a qualquer destino, antes mesmo da alma.
Valentina Tereshkova foi a primeira mulher no espaço. Aquele da Lua e dos planetas que estudámos na escola. Aquele que existe, no qual acreditamos, mas, como diz Saramago a propósito da avó Josefa, “pelo qual nunca viajaremos”.
Mas ela viajou.
Com uma alta patente militar, a bordo de uma nave com um nome tão esquisito que até parece nome de remédio genérico, Vostok 6, equipada com conhecimento científico, um curso de paraquedismo, muita prática e com uma coragem do tamanho desse espaço, Valentina deu quarenta e oito voltas à terra, em 71 horas. Foi para o Espaço a 16 de Junho e voltou a 19. Foi uma escapadela, como agora as agências de viagens dizem.
A maior parte das coragens nascem de dificuldades. O pai de Valentina tinha morrido na Segunda Guerra, deixando-a com apenas três anos. Só aos oito é que foi à escola a primeira vez. Aos dezoito, teve de abandonar os estudos e os sonhos de jovem qause menina, para trabalhar numa fábrica têxtil, a mesma onde a mãe trabalhava. Um desses sonhos era precisamente continuar a estudar, o que aconteceu.
Um ano depois destas voltinhas pelo Espaço, Valentina casou com um homem, que também tinha ido e vindo do espaço, Andrian Nikolayev. Mas o casamento foi na terra e foi também na terra que nasceu a primeira e única filha do casal, que rapidamente se tornou alvo de imensa curiosidade por parte dos cientistas, pois esta menina, teria certamente estrelas e sóis inscritos na memória dos genes. Chamaram-lhe Elena Andrianovna. Tem hoje quarenta e um anos e é médica.
Valentina não voltou a "voar" e o casamento “espacial” acabou. Tem agora sessenta e oito anos, uma importante carreira política e vive em Moscovo, na terra daqueles que tiraram a Taça UEFA ao Sporting.
No início do século vinte e um, foi considerada a Mulher do Século Vinte!

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Indignação precisa-se!

Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! PIM!

Assinado: Poeta D' Orpheu, Futurista e Tudo
Precisa-se de indignação assim. Pelo menos de um pedaço que servi de amostra da indignação verdadeira, a de origem!
Se não há, invente-se! Imagine-se! Cultive-se! Recupere-se!
Digo eu, levada pelo entusiasmo do Manifesto Anti-Dantas!
O mesmo homem, capaz de se indignar desta maneira, escreveu, num conto, uma frase que me parece complementar este manifesto e fazer-nos entender o ser humano, como inteiro, tão capaz de uma indignação profunda e verdadeira, como de uma conformação igualmente digna.
Só assim, dotado de um equilíbrio verdadeiro, pode o homem ser capaz de gerar estabilidade individual e colectiva.
Enfim, naquele sítio nem a revolta servia para nada.

José Sobral de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe em 1893. Órfão de mãe aos três anos de idade, acompanha o pai no seu regresso à Europa, vivendo sempre de forma atribulada e inquieta. Aos 39 anos casa com Sarah Afonso. Morre em 1970,no dia quinze de Junho, no mesmo quarto onde morrera Fernando Pessoa, companheiro de amizade e pensamento.

terça-feira, 14 de junho de 2005

Quarenta anos foi ontem


"E 'yesterday' faz hoje, 14.6, 50 anos - composto pelo Paul, entre Lisboa e o Algarve, diz-se." Disse a Chuinga, num seu comentário!
Fico toda encantada com esta assessoria e até já tenho medo de me esquecer de alguma efeméride. Obrigada, Chuinga!
Só um pequeno detalhe: acho que a canção faz quarenta anos e não cinquenta. Aliás, o nosso belíssimo Paul não deve ter começado a escrever canções aos dez anos?!
Lá vou eu, então, à procura!
Encontrei, sim, a indicação da gravação nos lendários Estúdios de Abbey Road no dia 14 de Junho.

Os estúdios ficam nesta rua e todos conhecemos esta capa há muito muito tempo!
Ainda de acordo com o que li, a canção figura no Guiness Book, pelo número de vezes que foi interpretada e cantada no século vinte.
Quanto ao Algarve, ele também entra na história, de facto.
"Diz-se" que os últimos retoques são algarvios e foram inspiração de Sir Paul Mc Cartney!
Yesterday foi lançado nos Estados Unidos, em Setembro de 1965 e, só onze anos mais tarde, no Reino Unido.
Did I say anything wrong?
Yesterday all my troubles seemed so far away...

Magic Places

Há um lugar mágico, onde os miúdos brincam com as palavras, em Inglês e tudo!!!

Tão mágico que até os animais falam!!!

Happy Weblogger's Day!


(Everybody needs a hug!)
Se querem deixar uma mensagem vão até aqui!

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Como na vida, o blog repete-se!

É a vida!
A vida é assim!
Há dias que são de uma tristeza de morte! Mas mesmo nesses dias, a vida agarra-se à vida, como uma lapa.
Eis-nos a chorar, com ou sem lágrimas, mas a chorar, a sério, por dentro,ou de modo mais visível, a morte de pessoas que, não sendo nossas enquanto pessoas de carne e osso, eram nossas no domínio das ideias, do pensamento,
Ao lado dos carros funerários, passa a marcha popular!
É assim a vida: há tristeza e alegria! Há choro e cantigas!
Há música para uma situação e para outra situação! Há morte e há vida, lado a lado.
É a vida!

Há um ano já que morreu Sousa Franco! Há um ano já que morreu Lino de Carvalho!

É pra amanhã!

variações
António Variações despareceu há 21 anos, também num 13 de Junho. Chamava-se António mas não tinha nascido no feriado de Lisboa. Ficou, pela morte, ligado ao dia e à cidade.
Quem conheceu o António Variações não esquece facilmente a figura excêntrica que primeiro chocou e, logo a seguir, encantou. Era uma presença diferente em palco , era uma maneira de interpretar diferente, eram cantigas diferentes, mas com "vida" dentro.
Via e escrevia a vida nas canções de uma maneira que todos entendemos, porque se trata da nossa própria maneira de ver a vida! Isto, quando aceitamos, com humildade, a nossa simples existência como simples.
(Vemos depois, com alguma vaidade, as nossas verdades consagradas na sabedoria universal.)
Quando a cabeça não tem juízo
Quando te esforças mais do que é preciso
O corpo é que paga
O corpo é que paga
Deixa-o pagar, deixa-o pagar
Se estás a gostar

Ou:
É pra amanhã
Bem podias fazer hoje
Porque amanhã
Sei que voltas a adiar
E tu bem sabes
Como o tempo foge
Mas nada fazes para o agarrar

O António Variações aos doze anos sabia que o que queria da vida era muito mais do que a terra onde nascera lhe podia dar. A arte estava-lhe nas mãos, na voz, no pensamento.
E houve um dia em que todos lhe reconheceram mérito.
A vida interrompeu-se mas o valor dessa vida não!
O António mudou de vida mas não mudou de nós.
(Bela homenagem esta! Obrigada!)
Tenho bem gravado na memória o azul transparente dos olhos que olhavam tudo o que estava à sua volta, com muita atenção. Era nas pessoas que conhecia, na vida dita normal, que ele recolhia a matéria para as suas canções.
(Tive a sorte de o conhecer, por intermédio de um amigo comum.)
Muda de vida se não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Um dia, vi o amigo comum muito triste. O António está a morrer, disse!
Uns dias depois, chegou a notícia.
Era um treze de Junho também. Foi com uma Lisboa cheia de arraiais que o António mudou de vida!
Parece ser um dia reservado, um dia especial para morrer quem é especial, diferente...

Referências


Partiu o corpo, fica o pensamento e a obra!
Um dos mais belos testemunhos, para mim, veio da sensibilidade da Odete Santos, que recordou Cunhal, para além do PCP. Lembrou o homem afável e cordial, lembrou o intelectual e disse: "Até sempre, Camarada!"

" Da lei da morte libertando"

nenúfar
Adeus ao poeta, pelas suas próprias palavras!

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Produto natural

praia
Este é o produto natural que me acalma os sentidos.
Pena é que, para lhe chegar perto, tenha de percorrer caminhos de pressas.

sábado, 11 de junho de 2005

Feira do Livro

feira do livro
Terminou ontem e, desta vez, não a visitei. Foi sempre um roteiro obrigatório, não tanto pelas novidades das prateleiras, mas sim pelo ambiente que só ali se vive. Foi lá que encontrei o Saramago e lhe pedi um autógrafo, muitos anos antes do Nobel!
Hoje, ao "desfolhar" o Público,deparei com a notícia de uma exposição de um fotógrafo, Joshua Benoliel: o mesmo que fotografou estes "meninos", há quase quarenta anos.
O tempo passa, as fotografias ficam e a Feira do Livro também!
Joshua Benoliel
LisboaPhoto
LISBOA Cordoaria Nacional, Rua da Junqueira
Comissariada por Emília Tavares
Terça a domingo das 14h00 às 20h00 (encerra aos feriados)
Até 21 de Agosto de 2005.

O texto do Público, assinado por Margarida Medeiros, tem como título: O fotógrafo vergado pelo peso da história.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Blog Parabéns

Somewhere over the rainbow
A ideia de que os sonhos têm um tempo e um espaço para se tornarem realidade mora, às vezes quase clandestinamente, dentro de todos nós. A voz de Judy Garland imortalizou essa ideia, cantando-a. “Somewhere over the rainbow skies are blue… And the dreams that you dare to dream really do come true.” A ousadia é sonhar!
O resto, está no baú, ali ao lado!

Se eu não celebrasse o dia de Camões...

... fazia mal e caía o Carmo, a Trindade e talvez o próprio Chiado se agitasse em murmúrios de justa reprovação!
Os Lusíadas! Meu Deus, esse é que era o nosso Cabo das Tormentas!
Dividir as orações, que às vezes continuavam em estrofes diferentes! Sujeito, predicado, orações coordenadas e subordinadas... Rimas, divisão em partes, métrica...
Mas como dizia o outro poeta "valeu a pena"!
Mais tarde redescobri os Lusíadas.
E então valeu mesmo a pena! Peguei neles com outros olhos, outra alma, outras mãos e outro desejo.
Foi então que deixei de ver um Adamastor "horrendo" e passei a ver um apaixonado agrilhoado a uma forma, por vontade dos deuses, em sofrimento permanente.
Uma história de amor que nunca me tinham contado!

Desde aí, alimento outro desejo: o de ir até essa lonjura ver esse mar!

Prós e Contras


Parece que este assunto não é consensual!!!
Mas isso é assunto dos leões cá de casa!

Rir é mesmo o melhor remédio


Da Revista Visão, como já devem ter percebido!

quinta-feira, 9 de junho de 2005

Uma onda grande e boa

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Laura, conheces este título? É do Carlos Pinhão! É lindo, sobretudoo para ser lido às crianças!
Obrigada, por teres lembrado o mar. Esta onda, este mar que "bate na areia e desmaia porque se sente feliz", é para ti!

Psiu, ó palavras, vinde cá...

Tenho o desejo de ser de todos os tempos, de todos os espaços, de todas as almas, de todas as emoções e de todos os sentimentos.
Álvaro de Campos, 1926
(em resposta a um inquérito do jornal 'A informação')

Afinal sentimos o mesmo que os grandes! Isto é, os grandes também sentem o mesmo que nós. Ousam dizê-lo e sabem usar as palavras. Afinal, palavras iguais às que carregamos na bagagem dos nossos "dias-a-dias". Pensamos que são pequenas, insignificantes e usamo-las com uma sem-delicadeza que nos devia envergonhar.

Álvaro de Campos, mural de Almada Negreiro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1958)

terça-feira, 7 de junho de 2005

Poema com as nossas medidas

É este. Descobri-o e agarrei-o logo. Este já ninguém me tira. É para mim.
Fala-nos das contipações que nos deixam zangados com a vida.
Quando olhei para a "etiqueta" e vi a "marca", não hesitei. Um Álvaro de Campos à nossa medida. Não é todos os dias!
Preciso mesmo de "verdade" e uma "aspirina"!


Tenho

Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.


Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina.

Álvaro de Campos

Os Veinte anos de Patxi Andion

O CSA relembrou Patxi Andion e eu relembrei Patxi, como sempre, através da canção que ouvi sem cansar, há trinta e alguns anos. É um poema lindíssimo, cantado de uma forma quase dita, que atinge alguns sentidos adormecidos na memória. Até porque não se pode viver sempre bem, com todos os sentidos acordados e agitados.
«Só se pode viver em ruptura constante. Se alguém ganha alguma coisa de novo, perde outra».

Veinte anos de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores, perfumes
para mi...!Algunos libros!

No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido,
! ya sabes cosas de viejos!
!Requemor de no haber sido!

Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.

Hoy
En esta noche fría
casi como ignorando el sabor
de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los ninos.
Y ya ves solo palabras,
sobre notas me han salido.

Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción.

...Qué helaba está esta casa.
...Será que está cerca del Rio.
...O es que entramos en invierno.
...Y están llegando...
...Están llegando los fríos.


( El Arbujuelo , Soria, y a los 15 días del mes de Noviembre de 1970)
Mas há outras referências cantadas por Patxi:
Una dos y tres

segunda-feira, 6 de junho de 2005

O dia mais longo

Quando o dia nasceu, já dezoito mil pára-quedistas americanos e ingleses estavam no chão. Não literalmente no chão, pois um ficou com o pára-quedas preso na torre de uma Igreja, em Ste-Mère-Eglise. Foi esta a primeira vila francesa a ser libertada no dia 6 de Junho de 1944.
Na Praça 6 de Junho, na torre desta igreja que data do século onze, a homenagem a este e a todos os heróis do Dia D: um "boneco" está pendurado, a recordar a insólita tragédia de John Steele. Durante duas horas tentou desembaraçar-se e descer, lutando contra um inimigo imprevisto: o ensurdecedor toque dos sinos.
Não sei bem o que lhe aconteceu depois. Já li que foi atingido pelos alemães. Mas eu quero acreditar que tenha sobrevivido, como também ouvi, ou percebi, lá mesmo, em Ste-Mère-Eglise.
O meu coração agradece aos heróis de seis de Junho!

domingo, 5 de junho de 2005

Para ti, meu Planeta!


Dedico este post, simples mas sincero, à Teresa, como reconhecimento igualmente simples e sincero da sua dedicação à causa ecológica.

sábado, 4 de junho de 2005

O dia quatro de Junho

Aquele senhor que desde a infância me conhece
Com que direito se enternece
Quando me vê?
In Poemas, de Reinaldo Ferreira

Registo de saudade em dia de aniversário!
4 de junho
O meu pai, esse “senhor que desde a infância me conhece”. E “com que direito se enternece/ quando me vê”! Foi em conversa com o meu pai que levei a cabo a habitual pesquisa, para elaborar uma pequena nota biográfica do autor (Reinaldo Ferreira). Há poucos dias. Pedi-lhe que me dissesse tudo o que sabia. Falou-me do grupo de amigos, em Lourenço Marques, das tertúlias dos café Scala, Continental, da letra da Casa Portuguesa, escrita num guardanapo de papel, no Girassol, da letra de um fado que trouxe da Metrópole (dessa Alfama que me chama/ trago a chama que se chama/ sentimento e emoção) da doença, cancro do pulmão, que aos trinta e sete anos o levou, e da obra que no ano seguinte foi publicada. Referiu Eugénio Lisboa e o Dr Fernando Ferreira, amigos que trataram de “dar” o poeta ao mundo. Falou, inevitavelmente, no pai, outro Reinaldo Ferreira, o Repórter X. E disse versos. “Mínimo sou/ Mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade/ O Nada é só o resto”
Só faltam as datas: nascimento em Barcelona, a 20 de Março de 1922 e morte a 30 de Junho de 1959, em Lourenço Marques.

Este é um excerto de uma crónica publicada no jornal do Montijo, A Nova Gazeta, há quatro anos.
Recordo a conversa sobre o Reinaldo Ferreira, os três sentados, a lanchar, na mesa da cozinha...

sexta-feira, 3 de junho de 2005

True colours


“Crayon-Box”, o ícone mágico que pode e deve colocar na barra lateral, é para quem acredita, como o Incompetente (e como eu) que racismo é ignorância. O único objectivo é, através do simples gesto de colocar o seu nome numa lista e um dos ícones no seu blogue, manifestar que pertence ao grupo de Seres Humanos que acreditam na igualdade racial, no direito à diferença, na unicidade de cada indivíduo...

“People are like crayons. It’s not the colour they are; it’s the picture they make!
There are many types of people living on this vast island of our solar system, which we affectionately call Earth. There are people of different religions, ethnicities, races, sexual orientations, opinions, experiences, classes, backgrounds, etc. There are literally billions of people on this planet – billions of people and no two alike. You are who you are, and I am who I am. I am an individual. I am unique. I am worthy of your respect, and you are worthy of mine…”
É só clicar aqui:

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Compromisso Publicitário

nat
Texto do DN
Algures no planeta, uma montanha é habitada por seres especiais os Lupis. Um dia, a descoberta de água lilás na montanha, uma preciosidade, origina discussões e põe fim à harmonia entre os três grupos da comunidade: os Cambitas (que são os mais emotivos, até distraídos), os Lupões (muito ligados ao dinheiro) e os Jacalupis (os mais preguiçosos e egocêntricos).

A Montanha da Água Lilás, do escritor angolano Pepetela (2000), chega ao teatro pelas mãos do Teatro Meridional. Natália Luíza descobriu este livro na primeira aula de sociologia do Mestrado em Estudos Africanos que está a frequentar e percebeu logo que queria transformá-lo numa peça. "O teatro faz-se sempre de qualquer urgência", explica a encenadora. "Este texto tem a ver com a liberalização da economia e levanta esta questão de uma forma muito subtil. É uma fábula e, como todas as fábulas, é uma metáfora da nossa sociedade." Como é que a economia (a propriedade, a riqueza e, em última análise, o poder) influenciam as relações entre as pessoas?

Natália Luíza aproveitou a "liberdade total" que lhe tinha sido concedida pelo autor para transformar o discurso narrativo em teatro. Cortando umas partes, acrescentando novas personagens, mas mantendo a ideia original e a poesia de Pepetela, a encenadora criou um espectáculo que acredita ser para todas as idades "É um espectáculo com diferentes níveis de leituras mas que é acessível a todos porque trata questões que atravessam a nossa vida".

Seis actores - Carla Chambel, Carla Galvão, Carla Maciel, Martinho Silva, Romeu Costa e Sérgio Gomes - desdobram-se em onze personagens. Com assistência artística e desenho de luz de Miguel Seabra, espaço cénico e figurinos de Marta Carrreiras, música original e espaço sonoro de Fernando Mota, o espectáculo A Montanha da Água Lilás fica em cena de quarta a sábado até 3 de Julho no Espaço da Mitra (Rua do Açucar, Poço do Bispo, em Lisboa).

A Natália Luiza morava ao meu lado, em Moçambique. Brinquei muito com a mana mais velha na tal Rua dos Velhos Colonos. A Natália estava no berço. ìamos agora dar confiança a bebés de berço...
Um beijinho, Natália! Espero que gostes!

Johnny Tarzan Weissmuller


A casa de Tarzan: a selva!
Obrigada casal Tarzan, por me terem recebido sempre bem na vossa casa. É preciso é saber interpretar o grito. Poucas falas, muita acção e muito amor!
No cinema, há personagens que ganham vida na vida dos actores que lhes vestem a pele.
Johnny Weissmuller emprestou a sua olímpica forma física, a altura, a musculatura, o grito, ao herói de Edgar Rice Burroughs, Tarzan.
Peter Jonas Weissmuller nasceu a 2 de Junho de 1904, na Roménia.
Ganhou cinco medalhas de ouro no Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 e foi considerado o melhor nadador da primeira metade do século vinte.
Depois veio então o tal Tarzan, cuja história contém os ingredientes todos do sucesso e que confundiu para sempre, na versão da tela, o herói e o actor.
Tarzan sobrevive nos quadradinhos, onde é eternamente feliz ao lado da sua Jane.
Weissmuller morreu em a 20 de Janeiro de 1984.
tarzan
Fico à espera dos comentários, para aprender mais sobre o Tarzan...

quarta-feira, 1 de junho de 2005

O menino Exupéry


"Todas as pessoas crescidas começaram por ser crianças"

Nós e eles, todos crianças!

Compete-nos a nós, gente crescida, pensar sobre as coisas da gente miúda.
Temos que aprender com eles a sonhar e partir à procura dos arquitectos e dos engenheiros desses sonhos.

Se esta rua, se esta rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante,
Para o meu, para o meu amor passar

Dia Internacional do Putos, Pois é!

Há um “puto”, desses do Altino do Tojal, que nunca esqueci, desde o dia em que o encontrei, se não me engano, nas páginas de um manual escolar: o miúdo que juntava chapinhas para partir para a terra dos “maricanos”, no comboio das vinte e duas.
“Tinha cabelos ruivos e olhos azuis” e todas as noites ia até à estação dos Caminhos de Ferro.
putos
Assim que o comboio chegava, tirava o gorro e lá ia pedindo a quem passava uma moedinha para o pãozinho.
Um dia, ou melhor, uma noite, o narrador e o garoto chegaram à fala.
Foi assim que ele explicou entre muitos “Pois é!”, que o dinheiro, ou seja, as chapinhas iam um dia levá-lo até à América do Norte, para onde tinha partido o pai, naquele mesmo comboio. O das vinte e duas, confirmou: “Pois é. No que saiu agorinha mesmo...” O narrador quis saber mais, averiguou o facto da mãe não trabalhar. A resposta foi simples. Ela não trabalhava porque tinha morrido.
E resposta a resposta, todas curtas e simples, lá vamos ficando a saber a vida do miúdo. Vive em casa do Quico, um rapaz que ele lá sabe, e de dia trabalha para a mãe do Quico. Mas só de dia. De noite, trabalha para ele. O contrato de trabalho está bem definido, pelos vistos, e a contabilidade está bem feita: faltam oitenta e quatro chapinhas das brancas para embarcar. Quem lhe disse? O Senhor Vilaça, o homem dos bilhetes, que tal como o narrador não tem coragem de acordar o Mingos do sonho da viagem à terra dos “maricanos”, no mesmo comboio em que o pai embarcou, há catorze anos.
O Mingos tem sete e confia nas contas da mãe.

Os Putos

São os putos deste povo
a aprenderem a ser homens.
Ary dos Santos
- A palavra puto vem do latim «putu-» que significa menino, rapazinho. Em Portugal, puto é garoto; miúdo; catraio. Em sentido vulgar, é indivíduo desprezível.
In Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

Houve um dia em que, despudoradamente, entre vírgulas e entre aspas, um poeta e um escritor resolveram intitular as suas obras com uma palavra que, até ali, pertencia a outro reino, o da gíria e do calão. “Os Putos”.
O poeta não escandalizou ninguém. Já todos se tinham habituado à irreverência de José Carlos Ary dos Santos. Carlos do Carmo deu ainda mais talento ao talento das palavras e cantou-se o fado.
A letra fala de miúdos da rua, de crianças que vivem na rua e, das coisas que encontram, constroem brinquedos de sonho. Em qualquer charco, navega o mais belo navio, na imaginação e no sonho de um puto. Uma dúzia de caricas dá um jogo de futebol. Uma carica é o Figo, outra o Ricardo e está ganho o jogo. Para eles não há Playstations nem Gameboys.
Provavelmente este parágrafo devia ser todo redigido no passado, porque a realidade dos putos da rua, hoje, é diferente e pior.
A que o fado canta tem já mais de vinte anos.

Desde o momento em que nasce, toda criança se torna cidadã. E por isso, criança também tem direitos. Não é porque são pessoas pequenas que as crianças são menos importantes. Pelo contrário: elas devem receber atenção especial, pois a infância é a fase mais importante da vida.
Para que todos tenham uma infância legal, a ONU (Organização das Nações Unidas) criou um conjunto de direitos para as crianças. É a Declaração Universal dos Direitos da Criança, escrita em 1959.
Essa declaração assegura que todas as crianças tenham direitos iguais. Elas não podem sofrer distinção ou discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição.

Sobre a Declaração, pode ler-se aqui.