quinta-feira, 29 de setembro de 2005

29 de Setembro de 1547

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!

É pelo verso de Gedeão que chego ao fim de um dia (ciberdia)!
Ao fim de um dia em que se celebra o nascimento de Miguel Cervantes o poeta máximo do país vizinho, o Camões deles, o Shakespeare deles, o Dante deles!
D. Quixote passou todas as fronteiras e chegou a todas as culturas, com a aura de um herói cuja sobrevivência é a imaginação e o sonho.
Deixemos falar quem disto sabe, Maria Amália Vaz de Carvalho:
Cervantes, ao pegar na pena para escrever esse extraordinário panfleto contra a literatura ridícula e falsa dos seus contemporâneos, ignorava absolutamente a coisa enorme, a coisa genial que ia fazer! Sem dar por isso, ele ressuscitava em si o ideal extinto da antiga pátria de Cid e metia-o da maneira mais original e mais profundamente cómica na alma do seu magro cavaleiro, criando assim um anacronismo, vivo. Fazia dele um verdadeiro herói sem meio adequado a mover-se.
Tal como Camões, também Cervantes teve uma existência atribulada. Até na existência de uma obra que os representa em circunstâncias extremas de sobrevivência eles se aproximam!
A primeira parte de D. Quixote foi publicada em Junho de 1605 e a TSF dedicou-lhe muitas e belíssimas palavras, através de um trabalho daquela boa qualidade a que Fernando Alves nos habituou!
"Só para mim nasceu D. Quixote e eu para ele: ele para praticar as acções e eu para as escrever.", explicou Cervantes no final da longa narrativa... (página 770!!!)
Viva o D.Quixote!
dquixote

Surprise!

Podia chamar-se Miguel Ângelo, podia chamar-se Leonardo da Vinci, podia chamar-se Einstein, podia até chamar-se Umberto Eco... mas faz hoje anos, não, não é Miguel de Cervantes. Chama-se Jorge Nuno e é o génio mais apreciado da família. Ele é o nosso ídolo! Ele é o maior!
Parabéns e continuação do humor mais divertido que sempre teve!
(Adivinha, Jorge Nuno, a autoria deste post! E ai de ti que não respondas!)
romãnini

Sonhos

Quando me acontece readormecer de manhã, os sonhos assaltam-me.
Assaltam-me, sim! Roubam-me a tranquilidade de acordar normalmente, sem sobressaltos!
Às vezes são pesadelos horríveis que eu tento esquecer logo, logo.
Outras vezes são peças cómicas que nem saídas da pena de um humorista experimentado.
Esta manhã, então, sonhei que um amigo meu, já nos seus cinquentas, tinha sido contemplado com um novo filho. O amigo em questão é alguém cujo perfeccionismo esbarra constantemente na realidade. Logo aí, um filho nesta idade, já não é perfeição nenhuma.
O meu sonho começa precisamente no momento em que ele o foi ver à maternidade.
Observou a criança, com muito cuidado e para completar essa inspecção minuciosa ao neófito, pediu um Livro de Ponto do quinto ano de escolaridade, para analisar as disciplinas e respectiva carga horária que o seu rebento viria a ter, daqui a dez anos.
Eu penso que o culpado deste sonho ridículo foi o noticiário das seis da manhã na TSF, que anunciava (tão cedo, Meu Deus!) que "Os professores de Matemática dos 3º e 4º anos vão passar a ser alvo de acompanhamento por parte de colegas do Ensino Superior com competência específica na área."
Mesmo com notícias destas, o dia amanheceu bonito...
apontedemanhã

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Para sempre, Vergílio Ferreira!

vergílio ferreira
Vergílio Ferreira nasceu há oitenta e nove anos, na Serra da Estrela.
Não conheço profundamente a sua obra, o que me leva a referir apenas a sua importância nas letras contemporâneas deste "cantinho à beira-mar plantado".
Nas não muitas páginas que li dos seus romances, senti sempre uma solidão imensa, provavelmente a sua.
Lembro-me de Vergílio Ferreira vivo, mas também tenho a ideia de que não era muito visível. Um escritor raramente é um homem mundano, por muito que para isso surjam e se forcem ocasiões mil. A própria escrita é um acto solitário, que se reproduz tanto melhor quantas as solidões o forem de facto.
Quero, mesmo confessando a minha ignorância quase absoluta, homenagear o escritor de Para Sempre, que tenho aqui ao meu lado, numa edição comemorativa dos cinquenta anos da vida literária, enriquecida com o talento de Júlio Resende.
a para sempre
É um dos tais livros que é bonito, de qualquer ponto de vista!
Recorro à Laura, a uma passagem que ela deixou na sua aconchegada sala-de-visitas beirense:
“Tenho de. O pequeno intervalo entre a minha disponibilidade e a pequena tarefa a realizar. É o meu futuro. Reduzido minúsculo. Não olhes mais longe. Agora o teu futuro é o pequeno passo que dês para fechar as janelas, para abrir as lojas. Agora a tua vida é o instante em que vives. Nada mais, nada mais, mas não te lamentes. Sê inteiro na dignidade de ti. [...]”
b para sempre
(Às vezes desenvolve-se um gosto pela solidão, por essa mesma razão: é muito mais produtiva para quem pensa e para quem escreve.)

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Muito especial!


Querida Nini, tu sabes como és especial para mim e para todos os que têm o privilégio da tua amizade. Claro que os sentimentos tornam as pessoas mais especiais. Torna-as únicas na nossa vida!
Como tu és tão única na vida de tantos!
A tua sabedoria e os teus afectos fazem-me lembrar as fadas dos contos que líamos em criança. A vantagem e a grande diferença é que és real!
Obrigada, querida Nini! Parabéns!
Hoje esbate-se nos números a nossa diferença de idade, mas dentro de pouco tempo voltarei a ser mais velha. É a minha única superioridade em relação a ti: numérica.
A minha admiração por ti é imensa, bem como o meu orgulho e a certeza de contar sempre com o teu carinho fraterno.
hapy birthday
A Nini é a Ana, co-autora deste blog!

sábado, 24 de setembro de 2005

Manuel Alegre

Inútil discutir estratégia ou táctica.
Inútil saber se entre a serra e a cidade
há ligação ou não.
O que importa é o impulso que vem de dentro
subir a uma montanha dentro de si
olhar em volta e dizer:
"Sejamos realistas
exijamos
o impossível!."

Anas, Marias e outros

alunos
Tento fixar-lhes os nomes, ver o que está para além das caras...
Não tenho dotes especiais e fazem-me falta.
Alguns nomes são mais fáceis de não esquecer: as madalenas, por exemplo.
São duas: uma delas já tenho o nome e a respectiva imagem correctamente associadas e devidamente memorizadas. Como é faladora, já me forneceu muita informação e acho que até guardei alguns dados relativos à família: número e nome dos irmãos.
A outra, da outra turma, tem o processo de memorização mais atrasado. É uma presença mais discreta e uma figura mais franzina. A própria imagem de rapariga é mais igual às outras.
É um universo de nomes: mafaldas, diogos, brunos, saras, nelsons, rubens, catarinas, com ana ou sem ana, com maria, sem maria, marias simplesmente, gonçalos... As vanessas estão a passar para os bancos da faculdade, pois já rareiam nestas carteiras de escola.
É uma fase de alguma expectativa. É uma fase de conhecimento. Às vezes é necessário corrigir algumas primeiras impressões precipitadas.
É uma fase à qual não se pode fugir e sem a qual não se constrói a tal "relação pedagógica".
Penso eu...
allunos

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Vaidosa? Eu?

sossofia
O problema é que qualquer ramo de flores, acompanhado pela ternura de um cartão, esmaga uma "gaja", por mais consciente e convicta que seja...
E o pior é que os "gajos" sabem isso!
Obrigada, querida Sofia! Fico muito feliz quando te vejo no palco, com segurança de agora, com a mesma beleza de menina e com a simplicidade dos grandes!
Vaidosa? Eu?
Muito!!!!

A Sissi dos filmes


Rosemarie Magdalena Albach nasceu em Viena, a 23 de Setembro de 1938, primeira filha de uma actriz austríaca, Magda Schneider, e de um director de cinema (dizem uns, outros referem-no também como actor), Wolf Albach-Retty. Recebeu o nome das duas avós, Rosa e Maria, tendo sido, desde criança, tratada pelo diminutivo carinhoso Romy.
O romance com Delon alimentou a habitual curiosidade dos fãs que nunca os separaram, mesmo depois da ruptura dramática.
Em 1980, quase vinte anos depois, a revista Paris Match elegeu Romy e Delon, os artistas preferidos pelo público.
Deste romance ficou uma longa carta de despedida que confessa assim:“Je t´aime. Je t´aime mein Püppchen.»
Já passaram outros vinte anos sobre a sua morte, mas a imagem da imperatriz mais bela do cinema permanece...

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Outono


Mas o que fez de Júbilo um ser diferente foi entender que o Universo comunica no seu todo.
Ele próprio saudava o Sol, pela manhã, pedindo-lhe a benção, antes de iniciar o dia de trabalho.

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Are you Santa?

A 21 de Setembro de 1897, o New York Sun publicava, no "Editorial", uma resposta a uma menina de oito anos...
A menina chamava-se Virginia e escrevera a seguinte cartinha:
"Dear Editor:
I am 8 years old.
Some of my friends say there is no Santa Claus.
Papa says "If you see it in The Sun it's so."
Please, tell me the truth, is there a Santa Claus?
Virginia O'Hanlon
115 West 95th Street"
A resposta começava assim:
"Virgina, os teus amigos estão errados. Foram afectados pelo cepticismo da idade céptica. Só acreditam no que vêem."
E continuava, afirmando que o Pai Natal existe, tal como existe o amor, ou a generosidade... E, qual precursor do pensamento de Saint Exupéry, acrescentava que as coisas mais reais são aquelas que nem os pequenos nem os grandes conseguem ver!
Eu já acreditava no Pai Natal!
Nós cá em casa já tínhamos o nosso próprio Pai Natal, nascido cinquenta anos depois desta linda confirmação da sua existência.
São indícios fortes: as barbas brancas, a barriguita, a generosidade...
(O fato é que é mais para os tons de verde!!!)

Parabéns, Jorge!

terça-feira, 20 de setembro de 2005

to reach the unreachable star

Sofia Loren faz hoje setenta e um anos. São ainda bem visíveis os principais traços de uma beleza que se afirmou nas películas dos idos anos cinquenta, sessenta e setenta.
Não sei que filmes vi com a estrela italiana. Apenas me lembro de um: O Homem da Mancha, em que contracenava com Peter O´Toole (D.Quixote), no papel de Dulcineia/Aldonza.
Um enredo dentro de outro enredo:Miguel de Cervantes, poeta, dramaturgo e actor, acusado de ofensa à Inquisição, é preso e leva à cena, no enorme calabouço para onde é transportado, a obra ainda manuscrita que pretende salvar da pilhagem ou de outro mau destino qualquer.
O tema musical é precisamente este:
To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear with unbearable sorrow
To run where the brave dare not go
To right the unrightable wrong
To love pure and chaste from afar
To try when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star
No matter how hopeless
No matter how far

To fight for the right
Without question or pause
To be willing to march into Hell
For a heavenly cause

And I know if I'll only be true
To this glorious quest
That my heart will lie peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world will be better for this
That one man, scorned and covered with scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star.


Sofia Loren emprestou toda a sua beleza e sensualidade a uma Aldonza, companheira de infortúnio do poeta, na prisão, e que por sua vez desempenhou a Dulcineia do sonho de Dom Quixote, o Cavaleiro. (Não da Triste Figura, que esses são os que não sonham!)
Na vida real, Sofia, casada com o realizador Carlo Ponti, perseguiu o sonho de ser mãe. Não foi um sonho impossível, mas difícil de tornar realidade. Para ser mãe, Sofia teve de sair de cena e permanecer em repouso absoluto durante os períodos de gravidez.
Ao lado dos filhos,Edoardo e Carlo Jr, Sofia irradia felicidade, o que a torna ainda mais bela!

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

bom dia

bom dia!bom dia! hoje estipulo que toda a gente traga nos olhos uma mão cheia de feno e nas palavras um pintassilgo.
bom dia! a renda de casa já passou e a próxima ainda vem longe: bom dia! portanto bom dia! que o tejo está mais azul há mais gaivotas a beijarem as colunas do cais e eu acordei com olhos de ver baloiços;

Eduardo Olímpio
(bom dia menina pitucha! estou aqui para empurrar o baloiço!)

domingo, 18 de setembro de 2005

Professor colocado...

...em Eton, a 18 de Setembro de 1917. Tinha vinte e três anos e viria um dia a ser muito falado pela visão de futuro que pessimisticamente inventou, numa obra a que chamou "Brave New World" e que a Editora "Livros do Brasil" publicou, com o nome de Admirável Mundo Novo.

Imagem daqui
Este professor, Aldous Huxley, teve um aluno que se notabilizou também numa ficção de futuro: Eric Blair, conhecido no mundo das letras por George Orwell, o criador da entidade Big Brother.
Eu não sabia que estes dois homens se tinham alguma vez encontrado de um modo real, ainda por cima numa relação professor-aluno, mas sempre tive para mim que as duas obras se interligavam de alguma maneira, quanto mais não fosse na falta de esperança para o futuro da humanidade.
Contudo, nem um nem outro me convenceram que o mundo podia vir a ser tão mau!
Hoje talvez já acredite menos num mundo melhor, mas sobretudo devido à falta de cuidados que temos para com o nosso planeta-lar!

sábado, 17 de setembro de 2005

A encomendinha era ele

encomendinha
Ao longo destes anos, verificou-se frequentemente a coincidência dos anos do Rafael com o primeiro dia de aulas. Hoje tal não acontece porque é sábado, mas as datas "vizinharam" (influência de Mia Couto!) mais uma vez.
Esta fotografia não foi tirada num dia de anos,com certeza,porque a indumentária é friorenta, mas recorda-me muito bem as desproporções de algumas realidades, como o tamanho dos nossos filhos e o das lancheiras...
Para além disso, esta fotografia lembrou-me sempre um texto de Aquilino Ribeiro (Se não é, corrijam-me!) que se chama precisamente a encomendinha e conta o primeiro dia de aulas do autor. Termina com a "chave": a encomendinha era eu.
Mas hoje não é dia de falar das emoções de mandar um filho à escola, pois tenho à flor da memória as emoções de receber um filho no mundo, de outro único grau de grandeza.
Há vinte e sete anos recebi o meu segundo filho com todas as surpresas inerentes à inexistência de tecnologia: outro rapaz! Passou rapidamente a "desilusão" de não ser a menina esperada, sobretudo pelos avós que já iam no quinto neto rapaz, perante a perfeição de um bebé com quase quatro quilos.
A encomendinha chegou, num dia muito quente, quarenta graus pouco comuns para a época, e muito bonito!
Parabéns, Rafael! Que os dias sejam todos quentes e bonitos para ti!
Lembras-te do que disse a Professora de Matemática, que podias não ser o melhor na matemática mas eras, com certeza, o melhor na centésima lição? Nem imaginas como desejo que mantenhas essa capacidade de extrair alegria dos lados ditos sérios da vida! Se juntarmos a outra tua bem evidente capacidade de ser solidário, perceber-se-á por que é que temos tanto orgulho na nossa encomendinha!
manosbebés

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Seiscentos

a minhaponte
Este é o seiscentésimo pedaço de quase-mim, vulgo "post"...
A arte não é minha. É mais uma interacção mágica das tecnologias ao alcance de todos! Reflecte contudo o meu desejo de pintar a minha ponte e torná-la, se possível, ainda mais linda!

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Responsavelmente

Aprender

Estudar é muito importante.
Mas pode-se estudar de tantas maneiras!
Muitas vezes estudar
não é só aprender o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livres
sem ideias tolas.

Ler um livro é muito importante,
às vezes urgente.
Mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.

É preciso aprender a escrever,
mas também a viver!
Mas também a sonhar!
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer
aprender a ESTUDAR, a conhecer os outros
A ajudar, a viver com os outros
E quem aprender a viver com os outros
Aprende sempre a viver bem consigo mesmo.

Não merecer um castigo
É ESTUDAR
Estar contente consigo
É ESTUDAR
aprender a terra
Aprender o trigo
e ter um amigo
Também é estudar

Estudar também é repartir
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado
sem ninguém nos ditar.
E se um erro nos for apontado,
é sabê-lo emendar.
É preciso em vez de um tinteiro
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois na escola da vida,
primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.

Dizer apenas música quando se ouve um pássaro
pode ser a mais bela redacção do mundo!

Estudar é muito, mas pensar...
é tudo!...

Ary dos Santos

(Poema tirado do manual "Lições de Português", 6º ano, Texto Editora, da autoria de Ana Maria Ribeiro dos Santos, Ana Peres de Sousa (co-autora deste blog) e maria de Lurdes Pinto da Fonseca.)

A educação das nossas crianças é uma responsabilidade conjunta, porque o futuro não é pertença exclusiva de ninguém e elas são o futuro!
Bom ano lectivo para todos!
Eu começo amanhã. Espero conseguir levar todos os dias para a sala de aula o espírito deste poema. É um compromisso que faço questão de honrar e se algum dia virem que isso não está a acontecer, digam-mo!

À descoberta

Como sempre, ando por aqui à descoberta.
Hoje encontrei uma autora brasileira, Lya Luft, que celebra também o seu aniversário, tal como o nosso Bocage que nasceu em Setúbal, há duzentos e quarenta anos.
(Não sei se os astros podiam dar aqui uma ajudinha na explicação da irreverência também presente no pensamento desta escritora brasileira, como se pode ler aqui.)
Muito se falará de Bocage, espero, neste dia de aniversário. A ele devemos o contributo imenso que depositou, para sempre, no nosso património e, por isso, muita gratidão! Mas gratidão é coisa que muitos não sabem sentir, porque fica para lá dos umbigos e o umbigo, como sabemos, é um tapume.
Voltarei com Bocage.
(Encontrei uma fábula mas terei de a copiar letra a letra... Valerá a pena, eu sei!)
Agora deixo aqui a Canção na Plenitude que tem muito para dizer às mulheres da minha geração e uma pista de esperança, para as que serão amanhã mulheres de meia-idade.

Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

mardeplenitude
E o mar anda sempre por aqui...

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Parece-me...

... que abriu a época do combate aos professores!
Basta ouvir os diversos programas de televisão em que os ouvintes/telespectadores podem participar, para confirmar esta ideia.
Os nossos alunos não têm sucesso escolar porque têm maus professores, "pessoas que vão para o ensino para resolver a sua situação económica",como ouvi hoje na RTPN;
(Não sei como expressar a minha indignação!)porque os professores não têm formação; não têm brio e faltam muito, até com atestados médicos.

Isto tudo foi dito, na presença do ex- Ministro da Educação, David Justino, que, diga-se em abono da verdade, tentou salvar a honra de uma classe a que ele próprio pertence.
O que as pessoas em geral se esquecem é que quando falamos em insucesso escolar e níveis de conhecimentos baixos, não estamos a falar dos meus filhos ou dos filhos de pessoas que podem, como eu, dar aos filhos essa fatia cultural da educação, porque também já lhes deram o resto que faz falta a todo o ser humano: a comidinha e o casaco para tapar o frio. O que de um modo geral é esquecido é que as nossas escolas têm uma população feita de todos os níveis sociais económicos e culturais e aqueles que normalmente contam para estas taxas de insucesso são meninos com carências a muitos níveis, com famílias muitas vezes também a precisar de muita ajuda.
Eles não sabem, nem sonham, o que é frio, calor ou fome e outras tristezas que todos trazemos de casas onde todos ralham e ninguém tem razão.
Eles não sabem, nem sonham, que os professores também são feitos da mesma carne e do mesmo osso que eles e que também têm direito a serem tratados com respeito por todos os que ficam aquém do portão, a ver os seus filhos aprender a viver com os outros, a conviver com a diferença e a aprender também o respeito para além das fracções e dos verbos.
Abriu a época de combate ao professor? Esperemos que não! Esperemos que isto seja só uma má impressão que me ficou destes programas da televisão!

Imagem daqui

A vergonha


Esta notícia do Público causa-me um sentimento de vergonha imensa. É uma realidade que todos os dias esquecemos, muitas vezes mergulhados em problemas nossos sim, mas sem dimensão de tragédia que lhes conferimos.
Este é o retrato da tragédia! Um neto chora com fome no colo da avó. A avó tem a pele seca de fome e sede acumuladas. Será que a humanidade pode continuar "a dobrar o jornal aliviada"?
Ikuam Ekal, de um ano, chora de fome no colo da avó, no distrito de Kalapata, no norte do Quénia. As agências da ONU lançaram ontem um apelo aos países mais ricos: são precisos 29 milhões de dólares para dar assistência a 1,2 milhões de quenianos que se debatem com falta de alimentos e água potável. Foto: Stephen Morrison/EPA