quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Mês de Outubro


Não esquecer que o mês de Outubro é o mês dedicado à prevenção do cancro da mama.
O quadro é da Ana Sousa e já cá esteve, em exposição, há um ano, aquando do lançamento do seu livro "Diário de uma Terapia".

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Até vós, estrelas!...

Eu considero-me fanática da sorte. Acho que a sorte é mesmo o que decide tudo o que escapa ao cuidado das pessoas, cuidado esse que se baseia na previsibilidade das coisas, dos acontecimentos.
E todos nós já experimentámos, com certeza, a surpresa.
Eu não gosto de surpresas, porque temo precisamente não conseguir gerir, acautelar, prevenir, dominar tanto os acontecimentos em si, como as pessoas envolvidas.
Mas há sempre uma surpresa desconhecida que espera por si. Para me desangustiar, eu penso então que a haver uma surpresa, será boa porque creio, com base em alguma situações que funcionam como prova, que tenho uma estrelinha da sorte.
Hoje, ao abrir o Público, a Pública, para ser mais precisa, resolvi espreitar o horóscopo. Claro que todos sabemos que a elaboração de um destino diário, semanal ou de outro período do tempo é muito difícil para um astrólogo de nomeada: ele há solteiros e casados, ele há empregados e desempregados, ele há doentes e outros que ainda não são...
Todos esperam uma coisa da vida: que ela melhore em todos os sectores.
Ora, os astros não podem impedir a evolução natural das situações. Nenhuma estrela me pode trazer de volta os cabelos pretos, mas também não me pode retirar "o saber de experiências feito" dos cabelos brancos!
Mesmo assim, de vez em quando, apetece-me consultar os astros.
E eis que me deparo com o seguinte cenário para a semana que, por sinal, já vai a meio.
CAPRICÓRNIO 22 de Dezembro a 20 de Janeiro XVII A ESTRELA
Carta a marcar uma conjuntura muito benéfica e privilegiada. A Estrela é a carta da esperança que leva a novas criações e a uma ajuda, tanto espiritual como material. É uma aurora. Inspiração e harmonia. No plano afectivo possibilidades de renovação sentimental, através de um amor súbito e promissor. Para os casados; período feliz. A vida sentimental desenvolve-se de forma favorável. No plano material momento favorável a aquisições patrimoniais. Possibilidade de modificações positivas na vida profissional. Terá independência e capacidade de decisão. Não poderá contudo, contar com todos os apoios que previa. Saúde estável.

Não percebo nada de cartas, mas A Estrela deve ser uma boa carta!!! Aliás, o texto explicita esse bom augúrio.
Mas o que me faz confusão é a possibilidade de modificações positivas na vida profissional, agravada pela independência e capacidade de decisão.
Ó Estrela, até tu te enganaste! Ó Estrela, até tu foste enganada pela Ministra da Educação. Esta semana entra em vigor o meu horário multiusos!
Agora a sério: não sei bem o que vai sobrar de mim no final deste ano lectivo!
Já perdi esta batalha contra o exercício do poder a todo o custo!

Já não há estrelas no céu...

Outubro


Também eu tenho de pegar neste conselho...

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Desalento

Se o país que na esperança exercitámos
For num desvão de Abril apunhalado
Onde a vida reclama a plenitude
É que o poeta é febre é raiva é dardo.
Natália Correia

À quoi ça sert l'amour ?

O que se conta de Piaf é o que Piaf canta...
A frágil figurinha magra, pálida e triste, a vida levou.
A voz, essa resiste e reside na memória dos franceses e de todos os que nela sentem pulsar ainda a vida...

imagem daqui
Se o Amor, aquele amor que os poetas em vão tentaram definir, não tendo ido além da própria indefinição, se esse Amor tivesse voz, seria, sem dúvida, a voz de Piaf.
Para além de cantar, a vida daquele minúsculo corpo fez-se de “amar”...
“Ame” dizia, em jeito de conselho, a um homem, uma mulher ou uma criança. Dizia, talvez, por ter conhecido a falta desse mesmo amor, logo na primeira infância, cujas histórias se esboroam na sordidez de pormenores, que preferíamos todos pertencerem ao imaginário das lendas, cuja fronteira toca a verdade da vida da mais lendária cantora da França.

imagem daqui
Em Outubro de 1963, Edith Piaf morreu, reeditando a duplicidade do seu nascimento. Uns dizem que morreu no dia dez, outros no dia a seguir: o tempo que o corpo, já sem vida, terá levado a percorrer o caminho até ao lugar onde desejava morrer e ser enterrada, junto às memórias dos corpos amados...
A voz, essa continua a cantar uma vida em tons de amor!

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

As fragilidades da inocência...

...ou os pesados meandros da culpa.
Sempre tive muito respeito por estas questões de culpas e inocências, sobretudo quando os casos envolvem honras ou vidas, sobretudo vidas, e, mais ainda, quando se trata de crianças.
É o caso do rapto do fiho do aviador Charles Lindbergh que acabou da maneira mais trágica, apesar do envolvimento de personalidades influentes e das quantias avultadas que o jovem aviador estava disposto a pagar, para receber o filho vivo e ileso, o que não aconteceu, como todos sabemos.
Esta história com contornos de horror macabro leva-nos, no entanto, a outra história marcada pelo amor e pela fidelidade: Anna Hauptmann, mulher de Bruno Hauptmann, condenado à morte por homicídio do pequenino Lindbergh, consumiu o resto dos seus dias a tentar provar a inocência do marido. E esse resto foram mais de sessenta anos.
Ao longo desses sessenta e dois anos, Anne Hauptmann nunca contou outra história que não fosse a que podia ter servido como prova de inocência a Hauptmann que foi executado, na cadeira eléctrica, a 3 de Abril de 1936.
Anna Hauptmann morreu a 10 de Outubro de 1994, fiel à convicção que deu sentido à sua vida quase toda!

domingo, 9 de outubro de 2005

See-saw


Este "brinquedo" é muito comum nos parques infantis. Não requer muita tecnologia e deve ser muito simples de instalar, com segurança e imaginação.
(A imaginação entra na parte em que os miúdos se seguram para não caírem no sobe e desce deste brinquedo. Chamo-lhe brinquedo porque, sinceramente não sei como se chama em português e, no dicionário Inglês-Português, para "see-saw" só encontro balanço e gangorra e nem um nem outro me soam a Português de Portugal. No Brasil, provavelmente, chama-se assim!)
Sempre simpatizei com o "see-saw", talvez porque o ache muito pedagógico em termos de "vida", "tal como ela é", como diz o novo slogan dos telemóveis.
Eu hoje estou no lado do saw, que é, presumo, o lado que fica com o "rabo" colado ao chão, enquanto o "outro" do lado de lá, do lado do see, vê tudo muito bem e muito acima dos outros que brincam no mesmo parque infantil. Esse tem uma ilusão de superioridade que provoca uma sensação de felicidade, daquela felicidade que se sabe bem o que se fazer com ela, pois há uma consciência plena do seu carácter passageiro...
E estou assim, down, em baixo, por causa de certos resultados que eu, e muitos outros como eu, nunca acreditaram serem possíveis. Entendo o desejo punidor! Eu também o exerci, embora ninguém o sinta senão eu, no recanto aconchegado da minha consciência alcatifado de valores que já não se usam, pelos vistos!
Pelos vistos, outros valores mais altos se "alevantam" (assim mesmo, que é como vem nos Lusíadas!)e fazem descer o meu see-saw durante algum tempo.
Agora já não brinco! Estou amuada!

You may say that I'm a dreamer

but I'm not the only one...
On this day, in 1990, Radio stations around world play "Imagine" honoring John Lennon.
We should have done the same!
We can do it today!
Imagine
Imagine... nothing to kill or die for!

Imagem daqui

sábado, 8 de outubro de 2005

Uma teoria com a patente Crocodile Dundee

Em causa estão dois estilos de vida: um, naturalmente simples; outro naturalmente civilizado.
Não deve ser muito fácil seguir o caminho dito do bem, aquele que obviamente é mais favorável às emoções boas, o simples. Se fosse fácil, todos o teriam feito!
Para o nosso Eça, a civilização era Paris e à roda desta ideia, desta dicotomia, desenvolveu o seu último romance: A cidade e as serras.Pigmaleão não precisava sequer de sair de Londres para encontrar os dois estilos, as duas vias para a ambicionada felicidade. Bem se arrependeu o pobre Doolittle de ter emitido tão doutas opiniões, perante homens como Higgins, que se apressam a divulgá-las, tornando um pobre diabo num homem carregado de responsabildades.
O princípio do Crocodile Dundee é o mesmo: onde é que o homem é mais feliz? Nos recantos mais longínquos, rodeado da natureza na sua forma mais agreste? Ou numa cidade onde aparência de felicidade é uma ditadura imposta por um modelo de civilização e progresso?
Para Mick existe um único estilo de vida: o da sua aldeia.
Lá, quando alguém tem um problema, vai até à taberna, conta ao Wally, Wally conta a toda a gente da aldeia e o problema passa. Mick tem o seu amigo Wally. Sue tem um psi. Qual deles cumpre melhor a sua função?
Paul Hogan, o actor e autor do guião, faz hoje 66 anos!

(Hoje já consegui contornar o problema do PC... Um dia de cada vez... Quem sabe, amanhã talvez consiga também...)

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Tinóni....


Não sei qual será a razão da subida da temperatura e o melhor é mesmo levá-lo a alguém que saiba o que fazer nestas circunstâncias...
Espero que não demorem a encontrar a razão e que o ponham fresco outra vez, e rapidamente, pois vai fazer-me muita falta...
Aí vou eu...
ambulance_9
Talvez parasite um computador alheio para umas espreitadelas...

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

“She´s got Bette Davis eyes”

"Olhos enormes, imensos. Foram sempre, ao longo da vida. Parecem saltar das telas e do papel para um lugar para além de qualquer horizonte real. Sempre enormes, imensos, enigmáticos, profundos, albergando infinitos."
bette davis eyes
Foram estes olhos que Kim Carnes imortalizou na sua canção "She's got Bette Davis eyes".
Bette Davis morreu a 6 de Outubro de 1989.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Dia do Professor

Quando Sebastião da Gama dizia "O que eu quero principalmente é que sejam felizes" ninguém podia prever que ensinar o caminho da felicidade fosse outra coisa que não poesia!!!
Coitado, esse era poeta! Imagino que, para muitos, o professor deveria ensinar a escrever sem erros e a fazer contas de cabeça. Isso de ser "apenas o camarada mais velho" foi, sem dúvida, uma ideia vanguardista que só não foi mais vilipendiada pelos austeros defensores de um modelo de educação rígido e severo porque, além de ser poeta, Sebastião da Gama morreu cedo.
(E a morte ainda impõe muito respeitinho!)
Alguém se lembra de uma chamada oral?
Para nota? Quando os alunos lhe perguntavam se era para nota, ele respondia:“Não. É para aprender.” E no seu pensamento prosseguia “para eu aprender, para o aluno aprender; para estarmos mais perto um do outro”.
E a rejeição do vermelho, para emendar! Ele emendava a azul ou a lápis, consoante o trabalho do aluno fosse a lápis ou a azul. E não riscava os trabalhos dos alunos, porque pressupunham dedicação e esforço, que não se devem riscar.
O professor definia-se como um saloio por dentro, a propósito de ter sido criticado pela linguagem que usava, aquando da sua prova de admissão ao estágio.
Afinal, cinquenta e tal anos depois, as coisas estão na mesma: as pessoas precisam de palavrões, em vez de palavras, para avaliarem a sabedoria de alguém.
Problema de entendimento!
Falta de educação!
Falta de poesia!
É este o professor que eu gostaria de recordar hoje aqui!

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

29 de Setembro de 1547

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!

É pelo verso de Gedeão que chego ao fim de um dia (ciberdia)!
Ao fim de um dia em que se celebra o nascimento de Miguel Cervantes o poeta máximo do país vizinho, o Camões deles, o Shakespeare deles, o Dante deles!
D. Quixote passou todas as fronteiras e chegou a todas as culturas, com a aura de um herói cuja sobrevivência é a imaginação e o sonho.
Deixemos falar quem disto sabe, Maria Amália Vaz de Carvalho:
Cervantes, ao pegar na pena para escrever esse extraordinário panfleto contra a literatura ridícula e falsa dos seus contemporâneos, ignorava absolutamente a coisa enorme, a coisa genial que ia fazer! Sem dar por isso, ele ressuscitava em si o ideal extinto da antiga pátria de Cid e metia-o da maneira mais original e mais profundamente cómica na alma do seu magro cavaleiro, criando assim um anacronismo, vivo. Fazia dele um verdadeiro herói sem meio adequado a mover-se.
Tal como Camões, também Cervantes teve uma existência atribulada. Até na existência de uma obra que os representa em circunstâncias extremas de sobrevivência eles se aproximam!
A primeira parte de D. Quixote foi publicada em Junho de 1605 e a TSF dedicou-lhe muitas e belíssimas palavras, através de um trabalho daquela boa qualidade a que Fernando Alves nos habituou!
"Só para mim nasceu D. Quixote e eu para ele: ele para praticar as acções e eu para as escrever.", explicou Cervantes no final da longa narrativa... (página 770!!!)
Viva o D.Quixote!
dquixote

Surprise!

Podia chamar-se Miguel Ângelo, podia chamar-se Leonardo da Vinci, podia chamar-se Einstein, podia até chamar-se Umberto Eco... mas faz hoje anos, não, não é Miguel de Cervantes. Chama-se Jorge Nuno e é o génio mais apreciado da família. Ele é o nosso ídolo! Ele é o maior!
Parabéns e continuação do humor mais divertido que sempre teve!
(Adivinha, Jorge Nuno, a autoria deste post! E ai de ti que não respondas!)
romãnini

Sonhos

Quando me acontece readormecer de manhã, os sonhos assaltam-me.
Assaltam-me, sim! Roubam-me a tranquilidade de acordar normalmente, sem sobressaltos!
Às vezes são pesadelos horríveis que eu tento esquecer logo, logo.
Outras vezes são peças cómicas que nem saídas da pena de um humorista experimentado.
Esta manhã, então, sonhei que um amigo meu, já nos seus cinquentas, tinha sido contemplado com um novo filho. O amigo em questão é alguém cujo perfeccionismo esbarra constantemente na realidade. Logo aí, um filho nesta idade, já não é perfeição nenhuma.
O meu sonho começa precisamente no momento em que ele o foi ver à maternidade.
Observou a criança, com muito cuidado e para completar essa inspecção minuciosa ao neófito, pediu um Livro de Ponto do quinto ano de escolaridade, para analisar as disciplinas e respectiva carga horária que o seu rebento viria a ter, daqui a dez anos.
Eu penso que o culpado deste sonho ridículo foi o noticiário das seis da manhã na TSF, que anunciava (tão cedo, Meu Deus!) que "Os professores de Matemática dos 3º e 4º anos vão passar a ser alvo de acompanhamento por parte de colegas do Ensino Superior com competência específica na área."
Mesmo com notícias destas, o dia amanheceu bonito...
apontedemanhã

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Para sempre, Vergílio Ferreira!

vergílio ferreira
Vergílio Ferreira nasceu há oitenta e nove anos, na Serra da Estrela.
Não conheço profundamente a sua obra, o que me leva a referir apenas a sua importância nas letras contemporâneas deste "cantinho à beira-mar plantado".
Nas não muitas páginas que li dos seus romances, senti sempre uma solidão imensa, provavelmente a sua.
Lembro-me de Vergílio Ferreira vivo, mas também tenho a ideia de que não era muito visível. Um escritor raramente é um homem mundano, por muito que para isso surjam e se forcem ocasiões mil. A própria escrita é um acto solitário, que se reproduz tanto melhor quantas as solidões o forem de facto.
Quero, mesmo confessando a minha ignorância quase absoluta, homenagear o escritor de Para Sempre, que tenho aqui ao meu lado, numa edição comemorativa dos cinquenta anos da vida literária, enriquecida com o talento de Júlio Resende.
a para sempre
É um dos tais livros que é bonito, de qualquer ponto de vista!
Recorro à Laura, a uma passagem que ela deixou na sua aconchegada sala-de-visitas beirense:
“Tenho de. O pequeno intervalo entre a minha disponibilidade e a pequena tarefa a realizar. É o meu futuro. Reduzido minúsculo. Não olhes mais longe. Agora o teu futuro é o pequeno passo que dês para fechar as janelas, para abrir as lojas. Agora a tua vida é o instante em que vives. Nada mais, nada mais, mas não te lamentes. Sê inteiro na dignidade de ti. [...]”
b para sempre
(Às vezes desenvolve-se um gosto pela solidão, por essa mesma razão: é muito mais produtiva para quem pensa e para quem escreve.)

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Muito especial!


Querida Nini, tu sabes como és especial para mim e para todos os que têm o privilégio da tua amizade. Claro que os sentimentos tornam as pessoas mais especiais. Torna-as únicas na nossa vida!
Como tu és tão única na vida de tantos!
A tua sabedoria e os teus afectos fazem-me lembrar as fadas dos contos que líamos em criança. A vantagem e a grande diferença é que és real!
Obrigada, querida Nini! Parabéns!
Hoje esbate-se nos números a nossa diferença de idade, mas dentro de pouco tempo voltarei a ser mais velha. É a minha única superioridade em relação a ti: numérica.
A minha admiração por ti é imensa, bem como o meu orgulho e a certeza de contar sempre com o teu carinho fraterno.
hapy birthday
A Nini é a Ana, co-autora deste blog!

sábado, 24 de setembro de 2005

Manuel Alegre

Inútil discutir estratégia ou táctica.
Inútil saber se entre a serra e a cidade
há ligação ou não.
O que importa é o impulso que vem de dentro
subir a uma montanha dentro de si
olhar em volta e dizer:
"Sejamos realistas
exijamos
o impossível!."

Anas, Marias e outros

alunos
Tento fixar-lhes os nomes, ver o que está para além das caras...
Não tenho dotes especiais e fazem-me falta.
Alguns nomes são mais fáceis de não esquecer: as madalenas, por exemplo.
São duas: uma delas já tenho o nome e a respectiva imagem correctamente associadas e devidamente memorizadas. Como é faladora, já me forneceu muita informação e acho que até guardei alguns dados relativos à família: número e nome dos irmãos.
A outra, da outra turma, tem o processo de memorização mais atrasado. É uma presença mais discreta e uma figura mais franzina. A própria imagem de rapariga é mais igual às outras.
É um universo de nomes: mafaldas, diogos, brunos, saras, nelsons, rubens, catarinas, com ana ou sem ana, com maria, sem maria, marias simplesmente, gonçalos... As vanessas estão a passar para os bancos da faculdade, pois já rareiam nestas carteiras de escola.
É uma fase de alguma expectativa. É uma fase de conhecimento. Às vezes é necessário corrigir algumas primeiras impressões precipitadas.
É uma fase à qual não se pode fugir e sem a qual não se constrói a tal "relação pedagógica".
Penso eu...
allunos

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Vaidosa? Eu?

sossofia
O problema é que qualquer ramo de flores, acompanhado pela ternura de um cartão, esmaga uma "gaja", por mais consciente e convicta que seja...
E o pior é que os "gajos" sabem isso!
Obrigada, querida Sofia! Fico muito feliz quando te vejo no palco, com segurança de agora, com a mesma beleza de menina e com a simplicidade dos grandes!
Vaidosa? Eu?
Muito!!!!

A Sissi dos filmes


Rosemarie Magdalena Albach nasceu em Viena, a 23 de Setembro de 1938, primeira filha de uma actriz austríaca, Magda Schneider, e de um director de cinema (dizem uns, outros referem-no também como actor), Wolf Albach-Retty. Recebeu o nome das duas avós, Rosa e Maria, tendo sido, desde criança, tratada pelo diminutivo carinhoso Romy.
O romance com Delon alimentou a habitual curiosidade dos fãs que nunca os separaram, mesmo depois da ruptura dramática.
Em 1980, quase vinte anos depois, a revista Paris Match elegeu Romy e Delon, os artistas preferidos pelo público.
Deste romance ficou uma longa carta de despedida que confessa assim:“Je t´aime. Je t´aime mein Püppchen.»
Já passaram outros vinte anos sobre a sua morte, mas a imagem da imperatriz mais bela do cinema permanece...

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Outono


Mas o que fez de Júbilo um ser diferente foi entender que o Universo comunica no seu todo.
Ele próprio saudava o Sol, pela manhã, pedindo-lhe a benção, antes de iniciar o dia de trabalho.

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Are you Santa?

A 21 de Setembro de 1897, o New York Sun publicava, no "Editorial", uma resposta a uma menina de oito anos...
A menina chamava-se Virginia e escrevera a seguinte cartinha:
"Dear Editor:
I am 8 years old.
Some of my friends say there is no Santa Claus.
Papa says "If you see it in The Sun it's so."
Please, tell me the truth, is there a Santa Claus?
Virginia O'Hanlon
115 West 95th Street"
A resposta começava assim:
"Virgina, os teus amigos estão errados. Foram afectados pelo cepticismo da idade céptica. Só acreditam no que vêem."
E continuava, afirmando que o Pai Natal existe, tal como existe o amor, ou a generosidade... E, qual precursor do pensamento de Saint Exupéry, acrescentava que as coisas mais reais são aquelas que nem os pequenos nem os grandes conseguem ver!
Eu já acreditava no Pai Natal!
Nós cá em casa já tínhamos o nosso próprio Pai Natal, nascido cinquenta anos depois desta linda confirmação da sua existência.
São indícios fortes: as barbas brancas, a barriguita, a generosidade...
(O fato é que é mais para os tons de verde!!!)

Parabéns, Jorge!

terça-feira, 20 de setembro de 2005

to reach the unreachable star

Sofia Loren faz hoje setenta e um anos. São ainda bem visíveis os principais traços de uma beleza que se afirmou nas películas dos idos anos cinquenta, sessenta e setenta.
Não sei que filmes vi com a estrela italiana. Apenas me lembro de um: O Homem da Mancha, em que contracenava com Peter O´Toole (D.Quixote), no papel de Dulcineia/Aldonza.
Um enredo dentro de outro enredo:Miguel de Cervantes, poeta, dramaturgo e actor, acusado de ofensa à Inquisição, é preso e leva à cena, no enorme calabouço para onde é transportado, a obra ainda manuscrita que pretende salvar da pilhagem ou de outro mau destino qualquer.
O tema musical é precisamente este:
To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear with unbearable sorrow
To run where the brave dare not go
To right the unrightable wrong
To love pure and chaste from afar
To try when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star
No matter how hopeless
No matter how far

To fight for the right
Without question or pause
To be willing to march into Hell
For a heavenly cause

And I know if I'll only be true
To this glorious quest
That my heart will lie peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world will be better for this
That one man, scorned and covered with scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star.


Sofia Loren emprestou toda a sua beleza e sensualidade a uma Aldonza, companheira de infortúnio do poeta, na prisão, e que por sua vez desempenhou a Dulcineia do sonho de Dom Quixote, o Cavaleiro. (Não da Triste Figura, que esses são os que não sonham!)
Na vida real, Sofia, casada com o realizador Carlo Ponti, perseguiu o sonho de ser mãe. Não foi um sonho impossível, mas difícil de tornar realidade. Para ser mãe, Sofia teve de sair de cena e permanecer em repouso absoluto durante os períodos de gravidez.
Ao lado dos filhos,Edoardo e Carlo Jr, Sofia irradia felicidade, o que a torna ainda mais bela!

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

bom dia

bom dia!bom dia! hoje estipulo que toda a gente traga nos olhos uma mão cheia de feno e nas palavras um pintassilgo.
bom dia! a renda de casa já passou e a próxima ainda vem longe: bom dia! portanto bom dia! que o tejo está mais azul há mais gaivotas a beijarem as colunas do cais e eu acordei com olhos de ver baloiços;

Eduardo Olímpio
(bom dia menina pitucha! estou aqui para empurrar o baloiço!)

domingo, 18 de setembro de 2005

Professor colocado...

...em Eton, a 18 de Setembro de 1917. Tinha vinte e três anos e viria um dia a ser muito falado pela visão de futuro que pessimisticamente inventou, numa obra a que chamou "Brave New World" e que a Editora "Livros do Brasil" publicou, com o nome de Admirável Mundo Novo.

Imagem daqui
Este professor, Aldous Huxley, teve um aluno que se notabilizou também numa ficção de futuro: Eric Blair, conhecido no mundo das letras por George Orwell, o criador da entidade Big Brother.
Eu não sabia que estes dois homens se tinham alguma vez encontrado de um modo real, ainda por cima numa relação professor-aluno, mas sempre tive para mim que as duas obras se interligavam de alguma maneira, quanto mais não fosse na falta de esperança para o futuro da humanidade.
Contudo, nem um nem outro me convenceram que o mundo podia vir a ser tão mau!
Hoje talvez já acredite menos num mundo melhor, mas sobretudo devido à falta de cuidados que temos para com o nosso planeta-lar!

sábado, 17 de setembro de 2005

A encomendinha era ele

encomendinha
Ao longo destes anos, verificou-se frequentemente a coincidência dos anos do Rafael com o primeiro dia de aulas. Hoje tal não acontece porque é sábado, mas as datas "vizinharam" (influência de Mia Couto!) mais uma vez.
Esta fotografia não foi tirada num dia de anos,com certeza,porque a indumentária é friorenta, mas recorda-me muito bem as desproporções de algumas realidades, como o tamanho dos nossos filhos e o das lancheiras...
Para além disso, esta fotografia lembrou-me sempre um texto de Aquilino Ribeiro (Se não é, corrijam-me!) que se chama precisamente a encomendinha e conta o primeiro dia de aulas do autor. Termina com a "chave": a encomendinha era eu.
Mas hoje não é dia de falar das emoções de mandar um filho à escola, pois tenho à flor da memória as emoções de receber um filho no mundo, de outro único grau de grandeza.
Há vinte e sete anos recebi o meu segundo filho com todas as surpresas inerentes à inexistência de tecnologia: outro rapaz! Passou rapidamente a "desilusão" de não ser a menina esperada, sobretudo pelos avós que já iam no quinto neto rapaz, perante a perfeição de um bebé com quase quatro quilos.
A encomendinha chegou, num dia muito quente, quarenta graus pouco comuns para a época, e muito bonito!
Parabéns, Rafael! Que os dias sejam todos quentes e bonitos para ti!
Lembras-te do que disse a Professora de Matemática, que podias não ser o melhor na matemática mas eras, com certeza, o melhor na centésima lição? Nem imaginas como desejo que mantenhas essa capacidade de extrair alegria dos lados ditos sérios da vida! Se juntarmos a outra tua bem evidente capacidade de ser solidário, perceber-se-á por que é que temos tanto orgulho na nossa encomendinha!
manosbebés

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Seiscentos

a minhaponte
Este é o seiscentésimo pedaço de quase-mim, vulgo "post"...
A arte não é minha. É mais uma interacção mágica das tecnologias ao alcance de todos! Reflecte contudo o meu desejo de pintar a minha ponte e torná-la, se possível, ainda mais linda!

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Responsavelmente

Aprender

Estudar é muito importante.
Mas pode-se estudar de tantas maneiras!
Muitas vezes estudar
não é só aprender o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livres
sem ideias tolas.

Ler um livro é muito importante,
às vezes urgente.
Mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.

É preciso aprender a escrever,
mas também a viver!
Mas também a sonhar!
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer
aprender a ESTUDAR, a conhecer os outros
A ajudar, a viver com os outros
E quem aprender a viver com os outros
Aprende sempre a viver bem consigo mesmo.

Não merecer um castigo
É ESTUDAR
Estar contente consigo
É ESTUDAR
aprender a terra
Aprender o trigo
e ter um amigo
Também é estudar

Estudar também é repartir
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado
sem ninguém nos ditar.
E se um erro nos for apontado,
é sabê-lo emendar.
É preciso em vez de um tinteiro
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois na escola da vida,
primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.

Dizer apenas música quando se ouve um pássaro
pode ser a mais bela redacção do mundo!

Estudar é muito, mas pensar...
é tudo!...

Ary dos Santos

(Poema tirado do manual "Lições de Português", 6º ano, Texto Editora, da autoria de Ana Maria Ribeiro dos Santos, Ana Peres de Sousa (co-autora deste blog) e maria de Lurdes Pinto da Fonseca.)

A educação das nossas crianças é uma responsabilidade conjunta, porque o futuro não é pertença exclusiva de ninguém e elas são o futuro!
Bom ano lectivo para todos!
Eu começo amanhã. Espero conseguir levar todos os dias para a sala de aula o espírito deste poema. É um compromisso que faço questão de honrar e se algum dia virem que isso não está a acontecer, digam-mo!

À descoberta

Como sempre, ando por aqui à descoberta.
Hoje encontrei uma autora brasileira, Lya Luft, que celebra também o seu aniversário, tal como o nosso Bocage que nasceu em Setúbal, há duzentos e quarenta anos.
(Não sei se os astros podiam dar aqui uma ajudinha na explicação da irreverência também presente no pensamento desta escritora brasileira, como se pode ler aqui.)
Muito se falará de Bocage, espero, neste dia de aniversário. A ele devemos o contributo imenso que depositou, para sempre, no nosso património e, por isso, muita gratidão! Mas gratidão é coisa que muitos não sabem sentir, porque fica para lá dos umbigos e o umbigo, como sabemos, é um tapume.
Voltarei com Bocage.
(Encontrei uma fábula mas terei de a copiar letra a letra... Valerá a pena, eu sei!)
Agora deixo aqui a Canção na Plenitude que tem muito para dizer às mulheres da minha geração e uma pista de esperança, para as que serão amanhã mulheres de meia-idade.

Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

mardeplenitude
E o mar anda sempre por aqui...

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Parece-me...

... que abriu a época do combate aos professores!
Basta ouvir os diversos programas de televisão em que os ouvintes/telespectadores podem participar, para confirmar esta ideia.
Os nossos alunos não têm sucesso escolar porque têm maus professores, "pessoas que vão para o ensino para resolver a sua situação económica",como ouvi hoje na RTPN;
(Não sei como expressar a minha indignação!)porque os professores não têm formação; não têm brio e faltam muito, até com atestados médicos.

Isto tudo foi dito, na presença do ex- Ministro da Educação, David Justino, que, diga-se em abono da verdade, tentou salvar a honra de uma classe a que ele próprio pertence.
O que as pessoas em geral se esquecem é que quando falamos em insucesso escolar e níveis de conhecimentos baixos, não estamos a falar dos meus filhos ou dos filhos de pessoas que podem, como eu, dar aos filhos essa fatia cultural da educação, porque também já lhes deram o resto que faz falta a todo o ser humano: a comidinha e o casaco para tapar o frio. O que de um modo geral é esquecido é que as nossas escolas têm uma população feita de todos os níveis sociais económicos e culturais e aqueles que normalmente contam para estas taxas de insucesso são meninos com carências a muitos níveis, com famílias muitas vezes também a precisar de muita ajuda.
Eles não sabem, nem sonham, o que é frio, calor ou fome e outras tristezas que todos trazemos de casas onde todos ralham e ninguém tem razão.
Eles não sabem, nem sonham, que os professores também são feitos da mesma carne e do mesmo osso que eles e que também têm direito a serem tratados com respeito por todos os que ficam aquém do portão, a ver os seus filhos aprender a viver com os outros, a conviver com a diferença e a aprender também o respeito para além das fracções e dos verbos.
Abriu a época de combate ao professor? Esperemos que não! Esperemos que isto seja só uma má impressão que me ficou destes programas da televisão!

Imagem daqui

A vergonha


Esta notícia do Público causa-me um sentimento de vergonha imensa. É uma realidade que todos os dias esquecemos, muitas vezes mergulhados em problemas nossos sim, mas sem dimensão de tragédia que lhes conferimos.
Este é o retrato da tragédia! Um neto chora com fome no colo da avó. A avó tem a pele seca de fome e sede acumuladas. Será que a humanidade pode continuar "a dobrar o jornal aliviada"?
Ikuam Ekal, de um ano, chora de fome no colo da avó, no distrito de Kalapata, no norte do Quénia. As agências da ONU lançaram ontem um apelo aos países mais ricos: são precisos 29 milhões de dólares para dar assistência a 1,2 milhões de quenianos que se debatem com falta de alimentos e água potável. Foto: Stephen Morrison/EPA

A essência do movimento dos corpos

Isadora Duncan é uma das muitas figuras lendárias que povoam as memórias do nosso imaginário: a expressão do movimento todo-harmonioso, que se pode repetir vezes sem fim, sem que se perca a sensação primeira da perfeição do gesto que arrasta todo o corpo para o lugar certo, para a posição ideal, em que este pobre corpo, incontornavelmente efémero e feito de matéria, possa encontrar-se com as sensações transcendentes de bem-estar.

Isadora foi a dança na sua essência de movimento e beleza. Nada a fazia parar, nem as tragédias pessoais mais pungentes, mais dolorosas. Ela dançava ainda mais, guiada pelo espírito rebelde e sensível.
Dançou até ao dia em que um dos seus véus, écharpes, ou lenços, como lhe queiram chamar, se prendeu numa roda do Bugatti onde viajava, numa estrada da Riviera francesa, onde a beleza natural se conjuga com as belezas das bailarinas ou das princesas. Isadora Duncan morreu, assim, vítima de um acessório de moda e de um carro de luxo, no dia 14 de Setembro de 1927.
Mas o espírito da dança que Isadora dançou pela primeira vez não morre nunca. Haverá sempre outros corpos que se deixarão orientar pelo mesmo espírito libertador que Isadora espalhou pelos mundos onde viveu, pelos palcos onde dançou, indo buscar aos antigos, ao lugar dos antigos, a chama desse ideal.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Efeméride verde com quase dez horas de atraso

Vai agradar muito a muitos e vai desagradar a alguns... Paciência! Não se pode agradar a todos, a Gregos e Troianos, lá diz o ditado. Estes gregos e troianos podiam ser substituídos por milhares de pares de rivais, nomeadamente benfiquistas e sportinguistas.
Chega de "conversa mole para boi dormir" e vamos ao que interessa! Em busca das efemérides, descobri uma que vai agradar muito aos leões cá de casa: o dia 12 de Setembro é Dia de Goleadores, para os verdes.
Dos três jogadores aqui recordados só me lembro de Yazalde, cuja vida é mais uma história de sonhos tecidos por um qualquer destino, que lhe trocaria a venda das bananas, que garantiam o sustento da família pobre, pelos verdes relvados de uma glória que acabou cedo!
Aos cinquenta e um anos o coração de Yazalde parou.
Estava cumprido o sonho do menino que queria ser médico.
Curou muitas feridas,com certeza!
yazalde
Foto do Jornal Record

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Olha a arrufada moçambicana!

(A quinhenta cada! Duas quinhentas dá para duas arrufadas! Diz a Chuinga que é boa nas contas!)
O que é doce nunca amargou! É bem verdade!
Nem quando os tempos correm tão amargos, que já duvidamos que alguém tenha dentro de si um reduto de doçura que reserve para os seus... Quanto mais para os outros!
De surpresa, o doce tem ainda mais poder sobre o fel dos dias!
Há pouco, bateram-me à porta.Era um amigo que vinha trazer arrufadas que lhe tinham dito serem feitas à moda de Moçambique!!!
Eu pensava que todas as arrufadas eram iguais e confesso que já me tinha habituado à nomenclatura, já me tinha habituado a tratar estes pãezinhos redondos e doces por pão de Deus ou brioche (Francesismos que persistem!), consoante a existência do coco ou não. Confesso que já me tinha esquecido das arrufadas das minhas merendas, iguais a estas, generosamente borrifadas de açúcar.
Ei-las!
arrufadas 2
E porque não custa mesmo nada saber onde se podem encontrar, aqui fica a caixa, imaginada bem ao gosto da tradição!
caixa de arrufadas

I'd love to wear a rainbow every day

Como diz o Joe Dalton, às vezes, a internet faz-nos mal.
Há pessoas que são tão eternas que o facto de terem morrido já nem conta. Para quê lembrar a única falha técnica do homem que se perpetua pela palavra e pelo pensamento?
Hoje, ao consultar a enciclopédia onde procuro os factos que marcaram determinadas datas, encontrei a morte de Johnny Cash, em 2003.
O que me encantou bem mais foi a vida, sobretudo os valores em que acreditava, que eram, ao fim e ao cabo, os valores de toda uma geração que viveu em pleno os acontecimentos do mundo.
Li também que a sua canção "Man in Black" é autobiográfica.
Todos temos um lado de esperança que nos atrai para as cores do arco-íris.
Mas todos temos também um lado do medo e da dor, pessoal, às vezes, universal, também!

Well, you wonder why I always dress in black,
Why you never see bright colors on my back,
And why does my appearance seem to have a somber tone.
Well, there's a reason for the things that I have on.

I wear the black for the poor and the beaten down,
Livin' in the hopeless, hungry side of town,
I wear it for the prisoner who has long paid for his crime,
But is there because he's a victim of the times.

I wear the black for those who never read,
Or listened to the words that Jesus said,
About the road to happiness through love and charity,
Why, you'd think He's talking straight to you and me.

Well, we're doin' mighty fine, I do suppose,
In our streak of lightnin' cars and fancy clothes,
But just so we're reminded of the ones who are held back,
Up front there ought 'a be a Man In Black.

I wear it for the sick and lonely old,
For the reckless ones whose bad trip left them cold,
I wear the black in mournin' for the lives that could have been,
Each week we lose a hundred fine young men.

And, I wear it for the thousands who have died,
Believen' that the Lord was on their side,
I wear it for another hundred thousand who have died,
Believen' that we all were on their side.

Well, there's things that never will be right I know,
And things need changin' everywhere you go,
But 'til we start to make a move to make a few things right,
You'll never see me wear a suit of white.

Ah, I'd love to wear a rainbow every day,
And tell the world that everything's OK,
But I'll try to carry off a little darkness on my back,
'Till things are brighter, I'm the Man In Black


Imagem daqui

Definições

"Um blog é um diário pessoal, divulgado pela internet. Os blogs são geralmente escritos por adolescentes que gostam de expor seus cotidianos, acompanhados de poemetos e citações. A palavra vem de “weblog”."

domingo, 11 de setembro de 2005

Love, love me do...


Este love me do que tanto ouvi quando a minha idade ainda tinha muito futuro e eu tinha muita pressa para chegar ao futuro, como todos os adolescentes...
Este love me do foi gravado três vezes nos míticos estúdios de Abbey Road.
À terceira foi de vez, a onze de Setembro de 1962!
Espero que Joe Dalton enriqueça este post com um dos seus comentários!
Até lá, podemos ouvir!

Para que servem os blogs? Para mandar recados!

Madalena Santos rima com Vila Franca?! E com Pastilhas?!Se rimar, então eu rimo com joe dalton ou jmf.
Claro que rima!
(Um bocadinho do lado de lá do rio, mas rima...)
Jota, como é que me encontraste?
Que bom!
Aquele comentário é mesmo teu! Inconfundível!!!
Se procurares bem ainda vais encontrar a letra da cantiga do Patxi que me mandaste há cinco anos, para aí...
Cinco anos na Netlândia é uma eternidade! Espero é conseguir ler-te, Mr Joe Dalton JMF. Podes dizer-me onde? Já divinhaste por que é que este recado vai a verde? Parabéns!)
Um beijinho para ti!
Só peço é que voltes!

sábado, 10 de setembro de 2005

Fragilidades

Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
Não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil


Todos temos fragilidades, mas nem nós próprios as aceitamos, quanto mais os outros!
Escondemo-las e pensamos conseguir fugir-lhes uma vida inteira.
Engano! Puro engano!
Ontem, enquanto procurava um bom programa de televisão para me adormecer, encontrei um que me despertou: uma entrevista de Jorge Palma, uma das conversas da Ana Sousa Dias.
Pensei que ia acabar logo e que iam falar só do percurso musical. Mas enganei-me e fiquei por ali, bem acordada, a seguir, com muito interesse, a história de vida pouco comum, que eu já conhecia, mas com conclusões que eu não suspeitava na "pele" do Jorge Palma.
Recusando ser sisudo, temendo mesmo tornar-se sisudo, Jorge Palma apareceu ali ( e noutros lugares que eu ainda não vi) a dar a cara (neste caso, a cara, o corpo e a voz), por um estilo de vida mais consentâneo com a saúde física porque, segundo disse, a vida é valiosa. Deduzi que demasiado valiosa para a deitarmos fora!
Preciosa foi o adjectivo.
Falou sem ostentações inúteis de um percurso de substâncias que o enjoaram.
Menos o álcool!
Foi dele que se livrou com a consciência de que o corpo não é um embrulho que aguente tudo.
Às vezes, até é conveniente que se escreva, em letras bem grandes, a palavra "FRÁGIL", tal como a recomendação do lado que deve ficar para cima...
Gostei!
Imagem daqui

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Ele há modas...

ant_teryleneela_72
...para todos os gostos, para todas as épocas e para todas as pessoas de todos os tempos.
Difícil, difícil é definir a moda!
De que moda estamos a falar quando falamos de um tempo em que os bebés não eram alimentados com leite da mãe, amamentados portanto, porque a moda era a libertação da mulher e os leites artificiais precisavam muito de alimentar essa ideia, para que essa ideia alimentasse o seu sucesso!
A moda tinha virado a verdade do avesso! Felizmente, o jogo não terminou por ali e o leite materno acabou por ganhar esse campeonato com grande vantagem!
O terylene também se aproveitou desta legítima aspiração da mulher, prometendo o fim da escravatura da goma e do ferro. Entretanto o algodão e o linho acordaram, quais príncipes adormecidos com a picada de um fuso e na maioria dos casos, como em determinadas roupas interiores ou de cama, o cliente exigente procura uma etiqueta que garanta a presença do algodão, por inteiro, a cem por cento.
Efeito moda também? Receio...

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Ficções com o mar perto

A paisagem cinzenta que os envolvia era céu e era mar, que se confundiam até um incerto longe, como são longe todas as incertezas.
Porém, perto, mesmo muito perto, as ondas explodiam em branco que subia, tapando esse longe, caindo de seguida e espalhando-se, já calmas, sem pressa e sem força, pela areia que encontravam...
Falaram. Trocaram as suas vidas por palavras. Encontraram-se algumas vezes com as mãos, estendidas sobre a mesa. Encontraram-se muitas vezes com as almas que se tocavam, misturando-se numa orgia de sensações, que os fazia flutuar para além do longe das incertezas.
Quando ela confessou o seu estonteamento, ele apressou-se a atribuir a responsabilidade ao vinho. Mas ambos sabiam que não. Não tinha sido o vinho que os tinha transportado para os lugares onde reside o êxtase.
Outra química que não a do álcool.
O êxtase parecia eternizar-se, como se eternizava o longe. E as sensações geravam sensações. E a almas pareciam sair dos corpos, para se desancorarem e libertarem de todas as amarras e se deixarem levar.
Terminaram o almoço. A tarde estava fria. A humidade do ar do mar acentuava o frio, que lhes arrefecia as mãos, a cara, tornando-os conscientes da realidade. Deram as mãos e deram dois ou três passos em direcção ao mar. Ela levantou a cabeça e olhou- o. Gostou de ver uma expressão de felicidade tranquila. Arrebatou-a e devolveu-lha. Encostou a cabeça ao ombro largo e a mão dele acariciou-lhe o cabelo.
Parecia que, como sempre, nunca nada lhes tinha acontecido de tão maravilhosamente grande.
espuma do mar

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

O desafio

Aproveitando introdução do , que fala de coerência e incoerência, eu passo a responder com provável coerência a algumas perguntas que pedem mesmo uma resposta incoerente...
CINCO COISAS DE QUE NÃO GOSTO
Eu gostava de dizer "dinheiro", mas acho que ninguém vai acreditar...
Eu gosto de muitas coisas que o dinheiro me pode proporcionar, mas do "vil metal" não gosto mesmo!
(Por isso, uso cartão multibanco.)
Há palavras que não gosto; há gestos que eu não gosto; há modas que eu não gosto.
Não gosto de coisas postiças ou falsas, tais como pestanas, unhas ou flores de plástico!
Não gosto de imposições, de leis, de decretos e muito menos do código da estrada, sobretudo porque ele é usado para apanhar infractores como eu, que não põem em risco nada nem ninguém, mas têm o azar de encontrar um polícia cheio de vontade de passar a multa. Pode passar, mas primeiro vai-me ouvir...
CINCO COISAS DE QUE GOSTO BASTANTE
Uma coisa grande: a minha casa! Uma coisa ainda maior: a Ponte Vasco da Gama.
Gosto normalmente das coisas que me pertencem e porque me pertencem.
Gosto de fotografias antigas.
Gosto de ver as coisas um pouco desarrumadas, porque entendo que não há lugares fixos nem cativos, a não ser nos estádios de futebol.
Gosto de computadores e telemóveis, claro, senão não estaria aqui a responder a este interrogatório.
5 ÁLBUNS
Esta é difícil, que eu não sou versada na área da cultura musical, mas com um álbum do Rui Veloso, outro dos Trovante, um do Chico Buarque e outro da Maria Betânia, junta-se os Beatles e está dada a resposta!
UMA MÃO CHEIA DE MÚSICAS
Algumas que me marcaram a vida: as francesas da minha adolescência, sobretudo.
Tous les garçons et les filles de mon age, por exemplo!
PASSO O TESTEMUNHO A:
À Teresa, que vai dar respostas bem mais interessantes do que as minhas, tenho a certeza.
À Ti, à Laura, à Renata e à Cokas.

O melhor dos blogs

Os comentários são o melhor dos blogs!
Leiam o que escreveram os comentadores no post do nevoeiro e digam se tenho razão ou não.
(Se tenho razão ou não?! Expressão ambígua esta!)
Obrigada, a todos, por terem enriquecido esta salinha de conversa com as vossas palavras!

terça-feira, 6 de setembro de 2005

O Coliseu dos Recrelos

É assim que aparece noticiado, num site de fans, o espaço destinado à actuação dos Beach Boys, em Lisboa: Coliseu dos Recrelos.
Outras notícias, cá dos nossos jornais, explicam alguma coisa mais, sobre a vida destes Rapazes da Praia, que nos deixaram as "boas vibrações" para sempre!

A imagem pode ser vista aqui, onde também se podem ler bonitas e sentidas palavras, dirigidas a Carl Wilson, uma das vozes dos Beach Boys Primeiros.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Cada um com o seu nevoeiro

fog
E cada um à espera do seu D. Sebastião!
Nas páginas quase finais da Cidade e as Serras, Eça ilustrou, como só ele sabe fazer, o sebastianismo intrínseco que já nos caracteriza, provavelmente, desde tempos muito anteriores ao próprio D. Sebastião.
Passeando pela Quinta de Tormes, onde encontrou finalmente a paz de espírito que a Civilização lhe negara, o Príncipe Jacinto toma conhecimento dos rumores que correm por aquelas terras: D. Sebastião voltou na pessoa deste Jacinto, resgatado à podre civilização pelo amor de uma moçoila, a Joaninha. É João Torrado, um homem tido como profeta, que badala essa ideia.
(D. Sebastião só fica bem, embrulhado em nevoeiro!)
Zé Fernandes explica a Jacinto que, em Portugal, todos somos sebastianistas e até a Lotaria da Misericórdia é uma forma de sebastianismo.
Nada mais verdadeiro para falar dos tempos que correm.
O Euromilhões faz a parte da lotaria. Não aparece é nenhum Jacinto que, do seu bolso, ou do bolso comum, reponha a justiça social perdida.
Isto tudo porque a Chuinga falou de D. Sebastião e me vieram à cabeça as palavras do mestre do nosso "ser português" no seu pior e no seu melhor também, como é o caso desta obra que presta tributo à amizade e à lealdade.
"Todos o somos, Jacinto amigo, em Portugal!"
(Nota - Não encontrei o livro do Eça. Se a memória não me ajudou como devia, digam qualquer coisinha! Estou a pedir, quase disfarçadamente, quase descaradamente, que deixem um comentário...)

domingo, 4 de setembro de 2005

A falta- artigo 112

Quando falto à escola, tenho de entregar um papelinho estúpido, onde escrevinho a razão que me vem à cabeça, de modo a ser aceitável o meu pedido, no sentido da falta ser considerada justificada.
(Parece que existe um rol de razões e um rol de não-razões. Uma vez escrevi "motivo pessoal e tive de apresentar outro motivo porque aquele não era válido!!! A partir daí, percebi que o papel não era para levar a sério, por muito sério que fosse o motivo que me leva a não estar onde devo estar, quando devo estar, que é para isso que me pagam!)
Nunca lá pude escrever uma razão verdadeira, do género: recuperação de um pensamento em ruínas!
A burocracia sabe lá o que isso: pensamento!
O número do artigo (cento e dois) é que se aproxima mais da verdade.
(É quase cento e doze)
Da verdade da urgência de recuperar um pensamento em ruínas, ou mesmo recuperar as ruínas de um pensamento.
(As ruínas têm normalmente algum valor.)
marsetembro
Aqui deixo a minha justificação: hoje, não estive cá.
Fui dar banho à alma, que é a única parte de mim que volta fortificada e reconstruída de uma ida ao Algarve!
Só assim posso recuperar desta síndrome de Paradise Lost que se apodera de mim todas as manhãs, ajudado pelo som da TSF, agravado pelas imagens da televisão e pela leitura dos jornais....
O corpo queixa-se, mas eu não lhe vou dar ouvidos... Tivesse tido cuidado quando era novo...

sábado, 3 de setembro de 2005

A efeméride possível

O futebol não é exactamente a minha área do saber, nem tão pouco do desejo.
Contudo, depois de tanto e tão íntimo convívio com "leões", daqueles que são verdes até na mais recôndita célula da alma, já sei algumas coisas.
São conhecimentos muito elementares, reconheço, mas são alguns.
Por exemplo: o jogo tem a duração de noventa minutos, divididos em duas partes de quarenta e cinco; há duas balizas, duas equipas, dois guarda-redes e uma bola.
Sei ainda que tudo no futebol custa caro, seja o bilhete para ir à bola, o Figo com letra grande! Pouco mais sei!!!
Mas descobri, nas minhas procuras, uma informação que vai preencher o vazio de outras efemérides e "cair no goto" dos cá de casa:
football day
A equipa da casa ganhou 12-0! Como foi há cento e vinte anos não sei, não me lembro se havia árbitros ou se os apitos eram (alegadamente) prateados...
Claro que este futebol deve ser do outro: do americano!
Desse ainda sei menos!

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Em busca de Tempos Perfeitos

Não são os tempos dos verbos, mas os tempos das vidas das pessoas: dos mais novos e dos mais velhos.
Os crimes cometidos contra a infância afligem-nos mais, talvez por sabermos que atingem a esperança e o futuro.
O Futuro é esse tempo que ainda reservamos para Tempo Perfeito, mesmo que tenhamos que lhes juntar um "talvez" ou um "quase". Futuro Talvez Perfeito! Futuro Quase Perfeito!
Isto tudo porque a Thita visitou o Choraquelogobebes e trouxe um ramo de esperança para nos oferecer, com a promessa de "dar uma ajuda para melhorar o mundo um bocadinho."
Muito obrigada, querida Thita!
Deixo a todos, mais novos e mais velhos,uma sugestão. Ou melhor: um cabaz de sugestões para salvar o mundo. Podemos começar por salvar o planeta, para criar condições, não acham?