quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Hoje fui "a Croma" de serviço!

Quando ontem ouvia o Cromo da TSF falar sobre as aulas de substituição, não sabia que estava prestes a viver essa experiência.
Trabalho no arame: uma turma de Ciências, para mim, que sou professora de Inglês!
Meninos que não são meus alunos e que, provavelmente, não voltarei a ver mais, a não ser que a professora de Ciências volte a faltar, no mesmo dia da semana, à mesma hora.

Entre outras coisas, o Sr Secretário de Estado disse, a este respeito, o seguinte: "É preciso aumentar o tempo de contacto entre os professores e os alunos, pois em termos internacionais Portugal não está bem."
Eu pensava que era preciso aumentar o contacto com os meus alunos, para os conhecer melhor, já que são quase uma centena deles. Agora, com os outros?
Acrescentou qualquer coisa como "o nível de degradação a que chegou esta questão no sistema educativo português". E a culpa, é dos professores? Não há responsabilidades noutros sectores da sociedade, noutras estruturas que não sejam a escola? E é com a imposição de medidas não pensadas em conjunto que se vai ultrapassar a questão do "nível"?

O Sr Secretário de Estado admite que se questionem as condições. Mas para a melhoria dessas condições que passam por instalações, mobiliário, material, conforto, o que é que se faz?
E não me venham dizer que o professor resiste a tudo porque não é verdade. Não é apenas uma questão de boa ou má disposição. O professor é gente e não tem nervos de ferro. Tem um corpo que acusa o desgaste com o passar dos anos, como nas outras profissões.

Tenho quase cinquenta e quatro anos. Dou aulas a alunos de dez e onze anos, que não me permitem que me sente numa carteira e debite a matéria. Tenho de andar no meio deles. Tenho de me mexer (e muito!) para controlar o ritmo da aula. Não posso deixar a alma cá fora da sala de aula, presa aos anseios normais da minha outra vida de mulher, de mãe, de amiga, de filha...
Tenho a certeza que cumpriria melhor a minha função se me poupassem a determinados números de prestidigitação, se me continuassem a dar a liberdade que até aqui me deram de responsavelmente correr os riscos todos com os meus alunos, sendo por isso inevitavelmente avaliada, por eles e pelos Encarregados de Educação.
A escola não é um espaço de crianças silenciosas e escondidas, de modo a não incomodar os crescidos, com as brincadeiras ruidosas dos recreios. A escola, como a própria aula, pressupõe a alternância de momentos mais calmos, favoráveis à concentração e de outros, mais de acordo com a necessária libertação das energias próprias de quem tem sete, dez, quinze anos, ou mais até.
Há aqui qualquer coisa que me escapa, quando reflicto sobre os verdadeiros objectivos desta política de educação.
Mas também é verdade que eu não percebo nada de política!

Check in

A Laura propõe-nos um exercício muito interessante: uma viagem faz de conta.
Não é uma viagem qualquer! É uma viagem a um lugar que fica para muitos de nós muito distante no tempo. Vão até lá e inventem uma receita de viagem, à medida do vosso desejo de rever lugares, de ressaborear iguarias irrepetíveis noutro qualquer canto do mundo e, como é o meu caso, de ressaciar os meus olhos e o meu corpo todo de mar.
Tá-tá, que quer dizer adeus, ou talvez mais um até já.
A gente encontra-se lá!Quem sabe?
Hoje é um dia especialmente bom para esta viagem faz de conta: Maputo celebra os seus 118 anos de elevação a cidade, como acabo de saber aqui.
Roubo ao Tributo a Maputo algo mais palpável do que o sonho: uma imagem!

Cromos


Vale a pena ouvir o que diz o Cromo José Pedro Gomes

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Carta a Josefa

Estas foram sem dúvida as palavras mais belas que o Nobel deu ao mundo.
Claro que não estou a ser objectiva, mas também não me parece que seja preciso cultivar sempre a objectividade, em detrimento da emoção especial que distingue cada um de nós, em função das suas vivências.
Neste texto eu reconheço a minha avó Madalena, sobretudo nas metáforas: "trave da tua casa" e "lume da tua lareira".
Por sugestão da Formiga, aqui deixo o texto do Saramago, que eu já soube quase de cor, o que admirou um dos meus filhos numa feira do livro, quando, há vinte anos, me aproximei do autor, com o Nobel ainda longe, e lhe pedi um autógrafo.
Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.
É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.

Este texto está integralmente publicado no blog "Momentos" o que me facilitou a vida...
Ao meu lado tenho o livro de crónicas onde está esta bela homenagem e a que se segue uma outra, não menos bela, ao avô. É uma terceira edição e data de Setembro de 1986. O tempo amareleceu as páginas o que me enternece mais ainda.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

"First Lady of the World"

Empenhada na defesa dos direitos humanos, Eleonor Roosevelt foi uma das operárias da construção d'A Declaração Universal dos Direitos Humanos.
"No one can make you feel inferior without your consent."- she said!
Eleonor Roosevelt morreu a 7 de Novembro de 1962!

A gratidão aparece até em forma de um selo de correio!

O gato Pinóquio

Em casa da minha avó havia um gato.
Não se mexia, era enorme e estava sempre sentado, com o ar altivo que os gatos têm.
Não era um bibelot. Era uma instituição.
Ninguém se aproximava muito do Pinóquio - era assim que ele se chamava - não fosse acontecer alguma coisa.
(Que eu nem sei bem o que é que podia acontecer a um gato parado, como era aquele.)
Um dia, não sei a que propósito, disseram-me que o gato tinha dezoito anos. Estava explicado o comportamento misteriosamente cerimonioso à volta de um gato parado! Repito: um gato parado!
Era o respeito pela idade avançada. Aqueles dezoito anos comparados com os meus seis eram uma eternidade! Era ainda mais velho que o meu primo mais velho.
Soube depois que em gato, ou outro qualquer animal, a idade ainda se agravava. Mas isso eu já ficava muito para lá do meu entendimento.
O Pinóquio era amarelo, de um amarelo desmaiado e tinha umas vagas listras esbranquiçadas ou acinzentadas, ou de uma cor algures por aí!
Era velho, descolorado, parado e triste! Mas pairava uma afeição respeitosa que todos entendíamos e respeitávamos.
Já não me lembro como é que o gato desapareceu das nossas vidas, mas tenho uma ideia de que foi uma tristeza grande para os meus avós.
Este é o único animal da minha infância, já que as galinhas não contam nestas coisas de estimação.
Infelizmente, o único animal da minha infância não me suscita outras memórias para além desta veneração um tanto triste. Tão triste que o nome Pinóquio ficou para sempre associado a este gato.
O pobre brinquedo do Gepetto não ganhou comigo o encanto merecido, por causa do outro Pinóquio.
As memórias bem arrumadas dificilmente se movem, como o gato. E se não fosse hoje uma conversa sobre um pássaro chamado Pinóquio, o gato continuaria parado no recanto da memória doce da casa da minha avó.
Logo um pássaro! Como é que se pode chamar Pinóquio a um pássaro?
catyellow

domingo, 6 de novembro de 2005

Hippies are forever

Eu sou do tempo dos hippies, do slogan "make love, not war", da moda que não era só moda de fora, era sobretudo moda de dentro, das flores no cabelo, de um pensamento projectado num mundo melhor, mais justo, "above us only sky"!
Foi um tempo de ouro porque foi o meu e o vivi! À minha maneira, na minha condição mais de espectadora do que activista, mas estive lá, nesse tempo.
O dia de hoje está ligado a uma última representação da peça musical Hair, num teatro de Nova Iorque, em 1977. Nessa altura, eu já tinha passado para o outro lado da irreverência e já estava envolvida em sarilhos de fraldas, mesmo não sendo a outra, a Iglésias.

O filme, versão muito mais acessível a todos, só chegou aos cinemas em 1979, quando os hippies estavam quase a passar para "jeeps", jovens empresários empreendedores postugueses, tema que o MEC tão bem glosou.
Mesmo assim, o filme veio reanimar um ideal que o tempo provou que ficará sempre dentro do prazo...
Basta espreitar aqui.
Teresa, isto é contigo!
Let the sunshine in!

A vida é uma caixa de chocolates...

"Life's a box of chocolates, Forrest. You never know what you're gonna get."
Ouvir esta e outras frases, observar os gestos mais ternos e mais generosos da mãe de um miúdo que tem de usar aparelho nas pernas, entre outras dificuldades, foi sem dúvida um dos momentos de cinema em que eu mais me emocionei. Senti uma ternura imensa por esta mãe, uma admiração tão grande que quase me esqueci que aquilo era "fita" e até chorei. Sally Field é a mãe desse miúdo e é ela que lhe dá a força necessária para ultrapassar todos os obstáculos.

Pensando melhor, são muitos os filmes que eu vi com Sally Field e, em muitos ela desempenha o papel de mãe, naquelas situações em que esta espécie de amor sem condições é posto à prova, com os problemas dos filhos.
(Porque os filhos nasceram para serem perfeitos e terem vidas perfeitas! Mas isso, nem nos filmes!)

Sally Field faz hoje cinquenta e nove anos!
Norma Rae deu-lhe o primeiro reconhecimento da Academia, vulgo Óscar!
Quanto a caixas de chocolates com garantia, só as que vêm de Bruxelas...

sábado, 5 de novembro de 2005

Estará por aqui alguém conhecido?

publicoalegre
Podem deixar as vossas respostas na caixa de comentários. Ou então pode contar-se ao Sócrates que o PS respondeu a outra chamada!

A língua universal

Novembro (latine, November) estas la dekunua monato de la Gregoria kalendaro. Ĝi enhavas 30 tagojn. Ĝia nomo devenas de la fakto ke ĝi estis la naŭa monato de la romia kalendaro dum marto estis la unua, antaŭ la aldono de januaro kaj februaro.

Novembro estas monato de la aŭtuno en la Norda Hemisfero kaj de la printempo en la Suda Hemisfero. La signoj de la Zodiako en novembro estas Skorpio kaj Sagitario (arkpafisto).

Novembro venas post oktobro kaj antaŭ decembro.

Novembro komenciĝas en la sama semajntago kiel marto en ĉiu jaro, kaj kiel februaro en superjaro.

A explicação do mês de Novembro, em esperanto!!!
Cá, é mais castanhas e frio!
Os dias são lindos, de um modo geral.

Pergunto ao vento que passa

“Poça, como eu gostava de ser poeta.” diz o carteiro de Neruda, guiado pela inspiração de Skármeta.
Poça, como eu gostava de ver um poeta num lugar que eu cá sei! - digo eu.
alegre
Apetece dizer uma palavra misteriosa
apetece dizer uma palavra
pode ser a incognoscível palavra rosa
ou a terrível palavra abacadabra
apetece dizer uma palavra lavra lavra.
Pode ser a palavra pa
pode ser a palavra pala
pode ser
pode ser apenas a palavra.

Manuel Alegre
Atenção que a poesia pode ser contagiosa.
No caminho para casa, ouvi na TSF que o Hotel Altis "ocolhe" esta candidatura.
Deve ser acolher com os olhos, após transformação poética!

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

É dos nossos!

É dos nossos, apesar de ter vivido grande parte da sua vida longe, como acontece com tantos dos nossos valores.

Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919.
Engenheiro de profissão, é como homem das letras que integra o património cultural da nossa língua pátria. Nem o longe quebrou os laços deste "ex-marinheiro Traído pelo mar e forçado à terra"!
Na procura de um poema, encontrei algo que me é familiar. Já me tinha vindo parar aos olhos há muito tempo.Reli com os olhos que tenho agora, mais velhos e mais fracos, à luz de um tempo pouco favorável à reflexão, ao pensamento.
Releio e faz sentido...
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.

Jorge de Sena morreu nos Estado Unidos, ao lado da mulher, Mécia, mãe dos seus nove filhos.
Foi certamente um homem amado!

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

"Contra o cultivo da insensibilidade"

Proximidade!
Próximo!
Aproximar!

A Berta é tão linda! O próximo sorriso dela vai torná-la ainda mais bonita!
Obrigada, Eufigénio e JPT pela dica!

" A regra de ouro é que não há regras de ouro!"

Disse George Bernard Shaw que nasceu em Dublin em 1856 e morreu em Inglaterra a 2 de Novembro de 1950.
Dramaturgo, por excelência, escreveu também ensaios e escritos políticos, tendo-se também distinguido como jornalista.
Em 1935 recebeu o Nobel da Literatura.
Do seu testamento constava um herdeiro: a língua inglesa. Pretendia que se inventasse um novo alfabeto inglês, cuja base fosse a Fonética.
A peça que quase todos conhecem, graças às adaptações ao teatro e ao cinema, trata esse seu desejo: Pigmalião.
Tudo começa numa noite cheia de chuva, depois de uma saída do teatro, perto de Covent Garden.
Uma florista tenta vender os seus raminhos às pessoas chiques, que se abrigam da chuva súbita e tentam apanhar um táxi. A florista fala como sabe. Ninguém lhe ensinou mais, nem melhor. De repente, assustada, descobre que um cavalheiro aponta o que ela diz. A sua imaginação sem pecado conclui que se trata de um polícia e brada aos céus a sua inocência. Grita cada vez mais, à medida que o tal cavalheiro lhe vai revelando, com segurança, pormenores da sua origem. E não só! Outros, por ali, vêem escancarada a sua proveniência, as suas terras, os seus bairros e até as suas ruas.
Este cavalheiro é o Professor Higgins, dono de uma sabedoria tão insuportável como o seu mau feitio, a sua arrogância.
"She's so deliciously low. So horribly dirty." Frases como esta revelam-nos a falta de humanidade de Henry Higgins.
Talvez Bernard Shaw tenha exorcizado neste professor as suas angústias linguísticas!

"Here, you be careful. There's a bloke there behind the pillar taking down every blessed word you're saying."
Imagem e fala daqui.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Lidar com a falta de fim...

inacabado
O que é a vida senão uma sequência de projectos?!
Veremos alguns acabados e serão alento para novos projectos e para a aceitação da vida, com as suas ordens e desordens próprias.
Outros ficarão, para além de nós, incompletos, inacabados, mas cheios de alma, repletos do desejo que não se cumpriu, ainda muito bem fornecidos de sonho.
Com essas obras continuaremos a dialogar, de vivo para vivo...
Na imagem: tela que o meu pai começou.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Maningue slainte!

Têm mais ou menos uma hora para cumprirem a obrigação cívica de cumprimentar a Chuinga, no dia do seu primeiro aniversário!
Chuinga é um blog interhemisférico, incerto nos temas, sempre movido por uma energia certa feita de palavras e de tudo o que elas dizem ou querem dizer para lá dos tempos em que são ditas. Remexendo pretéritos perfeitos e imperfeitos, o Chuinga conjuga-se no presente e no futuro.
Segue, se preciso for, uma petição para os Presidentes da República do mundo, já que é à escala mundial que o Chuinga se desenrola, numa capacidade incrível de pegar no mundo numa ponta, desenhá-lo de palavras e ir a correr pegar noutro canto e fazer o mesmo, enquanto o diabo esfrega um olho!
Slainte!

Imagem daqui

Que mais m'irá m'acontecer?

Quem, no passado, consumia televisão a metro (ou será quilómetro?), como eu, lembrar-se-á, certamente, de "Moita-Carrasco", uma sátira à telenovela brasileira, em que o protagonista dizia constantemente a frase "Que mais m'irá m'acontecer?", com aquele ar trágico que os portugueses trazem nos olhos e que lhes modifica, inclusivamente, o contorno, tornando-os ligeiramente descaídos, tipo pós-plástica, fase muito recente!
Apesar disso apetece-nos imenso a felicidade!
E andamos nisto: vamos de rastos até à próxima paragem do caminho da felicidade!
Mas nunca perdemos de vista o objectivo feliz, na sua melhor versão, que até pode nem ter nada a ver com a nossa realidade, com os nossos mundos, nem tão pouco com os nossos genes.
Não nos contentamos com qualquer felicidadezinha!
Acabo de descobrir, inspirada pelo post da Ti que a culpa é da televisão! Aliás, da comunicação social, de um modo geral, mas a televisão é aquela que nos entra com mais facilidade pela casa adentro!
É que, "insatisfeitos" com os furacões, as secas, as celebrações do terramoto e a gripe das aves, acena-nos agora uma bactéria nos hambúrgueres congelados, da marca Chantegrill!
(Chantegrill é uma palavra bonita. Bactéria é uma palavra feia.)
Lá vamos nós hesitar outra vez entre o ar normal de pessoa normal que persegue uma felicidade anormal e o ar normal de pessoa normal que teme a desgraça anormal.
É a vida!- dizia, o Guterres.
Dizia ou pelo menos disseram que ele dizia.
(Onde ele já vai e as saudades que eu tenho do tempo em que os Pê Ésses eram bonzinhos para as pessoas e se preocupavam cristãmente com o próximo!)
Depois da bactéria do Chantegrill, qual será a pandemia que se segue, cujo efeito anestésico tão bem se conhece.
É o efeito FMI que o Zé Mário Branco cantou, in illo tempore.
(Este é, supostamente, um post provocador e insupervisionável!)

domingo, 30 de outubro de 2005

Adivinhem quem foi almoçar?

Bem... Pois... reticências... mais reticências...
Foi um almoço muito bom, que nem os do Murcon!
Tudo começou com a doçura da Pitucha que, em boa hora, trocou Bruxelas por estes momentos. Obrigada, Pitucha!
doce bruxelas
E para saber mais é só ir aos sítios certos: aqui ou aqui.
vista de rio
Para além da vista de rio, o luxo foi mesmo sentir-me bem na companhia real da Laura, da Pitucha, da Ti, da Formiga, do Ideafix, do Espumante, e dos maridos que não blogam, o da Ti e o meu, que não bloga mas fala...
Foi um prazer! E nem vale a pena perder um segundo a duvidar, pois "se maior fosse o dia, maior era a romaria". A proximidade da noite e do Sporting-Boavista ditaram o fim.
Fim feliz, sem dúvida!
Para quem tinha em casa uma aniversariante à espera, um beijinho especial!

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Lisboa com eléctrico e tudo

Ontem vi uma Lisboa com alma, mesmo banhada e batida pela chuva forte.
Era manhã e há bairros onde a vida segue sempre sobre os mesmos carris, chova o que chova, ferva que calor ferver.
E isso sente-se no rolar seguro do velho eléctrico...
ELÉCTRICO
Este surpreendeu-me pela cor vermelha. Eu que estou sempre a pensar no amarelo da carris que os fados cantam.
Tão bonito! Resolvi dar-lhe uma demão das tintas virtuais...
Espero ter feito bem!
Ah, foi junto à Praça de São Paulo que vi o belo exemplar do transporte mítico da Lisboa das colinas!
lisbaixa
E sobre Lisboa, o dom do verso de Álvaro de Campos, uma pessoa que dividiu a existência com o próprio Pessoa, entre outros...
Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

do poema "Acordar"

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Há dias assim!

Se bem me lembro...
Não passou na RTP-Memória, mas anda por aí, nos manuais de Língua Portuguesa, um texto da autoria deste comunicador de memórias, Vitorino Nemésio.
É a história de dois amigos. Um quer vencer na vida com a força das letras, ter um canudo e ser doutor. O outro, "pedaço de mariola", "cabeça de boga" quer viver e ser feliz.
(Ser feliz é argumento de peso, mas quando a toca a nós mesmos ou a pedaços de nós mesmos, achamos que afinal, umas letritas até vêm a calhar para sossegar os nossos medos de futuro...)
Voltemos aos dois amigos: fizeram juntos o exame da quarta classe.
(Eu também!)
O Mateus passou com distinção; o Abílio, com um humilhado suficiente. Os meninos ficaram os dois felizes. Um, porque podia assim prosseguir os estudos; o outro estava duplamente feliz: por si próprio, porque os podia largar de vez e pelo outro, pois sabia a importância destas coisas para o amigo.
(-Ó Mateus, ainda bem!
E foi nos olhos dele que eu me senti distinto.)

Noutras voltas da vida a distinção mudaria de dono!
(A mim parecia-me, porém, que uma coisa qualquer estava a tornar agora o nosso Abílio distinto e a mim suficiente...)
Esta história sempre bailou no meu espírito como história orientadora de vida, porque me ensinou que para muitas crianças "há mais vida, para além dos livros", como agora se diz, modernamente, Alegremente...
Quando a "minha encomendinha" , na terceira classe, disse um dia que não era preciso estudar e que guardava os livros para o futuro, devia ter percebido logo que estava perante um caso destes, de distinção na vida.
Percebendo ou não, percebendo umas vezes melhor outras menos bem,lá fui insistindo, tendo fé, esperando, acreditando. Sobretudo acreditando que estava a fazer o melhor que sabia, já que o Freud me mandou dizer pela Ana que "fizesse como fizesse, de qualquer maneira estava mal", o que me tranquilizou bastante.
(Errar à vontade é um luxo que só o Freud podia inventar!)
Mas o "dia" chegou: missão cumprida!
Obrigada, filho!
As tuas "distinções" na vida é que te vão ajudar. Essas é que são as tuas competências. Essas é que nenhuma escola, nenhuma universidade te pode dar e muito menos tirar. É dessas que eu me orgulho.
O resto... foi o meu papel!

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

E agora José(s)?

1998, 26 de Outubro!
Morre, em Lisboa, o escritor português José Cardoso Pires. É vasta a obra que deixa. As últimas páginas que escreveu falam da memória. Não daquela memória que o perpetuará no tempo. São reflexões sobre o armazém do nosso conhecimento, dançadas na pena do escritor que veste a pele frágil de homem e, sobre essa pele, o traje riscado do pijama rodeado das paredes brancas das enfermarias!

1933, 26 de Outubro!
Morre em Figueiró dos Vinhos (ou será das Vinhas?) o pintor português José Malhoa.
Ele pintou o fado e o vinho, isto é, pintou a alma de um povo como ela é.

Medley "em estrangeiro"

Há precisamente um século, a Noruega via aprovada a sua independência do reino vizinho, a Suécia, quatro meses depois da apresentação do pedido formal.
A Noruega é o país dos fiordes que eu quero um dia visitar!
Este desejo confunde-se com o desejo de encontrar, de ver, de visitar um espaço que reflicta paz, não uma paz qualquer, mas uma sensação de harmonia cósmica. E foi tudo por causa de fotografias como esta que o meu filho Rafael tirou, a bordo do Danae e de tudo o que ele contou, sobre estas paragens do planeta que me parecem únicas e mágicas.
rafa5
(Eu tive muitas saudades! Até a lembrança da saudade ainda dói! Foram cinco meses a bordo do navio, que representaram para cada um de nós uma experiência única! Eu fiquei a conhecer muito mais o mundo!)
Cinquenta anos mais tarde estreia o filme “Juventude Transviada” (Rebel without a Cause) que viria a valer a Natalie Wood a primeira nomeação para o Oscar da Academia.

O argumento aborda comportamentos dos jovens, predominantemente provenientes da classe média, com sentimentos que, de forma insidiosa, se vão instalando lentamente, à margem das convenções, dos preconceitos e dos laços familiares. Judy (Natalie Wood) e Jim (James Dean) conhecem-se num posto policial, depois de terem sido detidos por razões diferentes: ele, por embriaguez; ela, por ter sido tomada por prostituta. Proclamam-se filhos não amados pelos pais, explicando assim aqueles comportamentos desviados, sobretudo para Judy, já que as meninas de então se conformavam com facilidade e pareciam donas de uma eterna doçura. Os diálogos irreverentemente sinceros, antecipam o violento conflito de gerações que marcou os anos sessenta. Os filhos não pretendiam receber dos pais apenas autoridade, queriam ser amados e aceites como realmente eram.
Dez anos depois, em 1965, também neste dia, os Beatles recebiam das mãos da Rainha de Inglaterra o reconhecimento oficial do valor do seu papel na sociedade.

Já na altura, os comportamentos dos jovens cabeludos revelavam um grau de irreverência impensável até então, que fascinava sobretudo os mais jovens que viam, nestes músicos, o padrão da liberdade sem limites!
Mesmo antes do tempo e da História tratarem o fenómeno, a Rainha consagrou deste modo a mudança das mentalidades. Dentro das paredes do palácio real, outros elementos da nobre família vibravam de entusiasmo com o grupo, nomeadamente a irmã da Rainha, a Princesa Margarida!
She loves you, yeh, yeh, yeh...

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Baú

educar
Nos tempos que correm, necessito cada vez mais de livros, de filmes, de conversas boas, daquelas que enchem a alma, de palavras.
Ao arrumar o meu baú, tropecei na frase de Spielberg "A resposta ao ódio é a educação".
No dia de hoje, faz muito sentido!

Lisboa

Lisboa
Lisboa é uma cidade tão de todos!
Eu gosto de Lisboa, embora não me apeteça viver em Lisboa. Apetece-me, sim, ter Lisboa muito ao pé e muito à mão.
Não é especialmente pelas zonas históricas que eu gosto de Lisboa! Não é sequer pelos espaços mais modernos, mais abertos e mais livres como a zona Oriental tão bem recuperada aquando da Expo 98!
aaa
É por um conjunto de traços que resistem ao tempo e às modas que, tornando-se aparentemente irreconhecíveis, se reconhecem, numa moldura de pedra teimosa como o Aqueduto das Águas Livres, que permite o crescimento dos prédios, mais arrojados, menos arrojados, em termos arquitectónicos, claro! Imune às modas ou aos estilos, contempla, o Senhor Aqueduto, pois, do alto dos seus sessenta e mais metros de altura, o frenesim dos viadutos, dos Eixos Norte-Sul, estradas que passam por cima e por baixo uma das outras, vias que anseiam a sabedoria das veias do corpo humano!

Foi esta Lisboa (que eu amo) que foi conquistada aos Mouros, a 25 de Outubro de 1147!
É deles que vem a minha pele morena, a pele morena da minha mãe, da minha avó e por aí história fora, até chegar ao mouro, ou à moura que me pertence na milésima parte do meu mapa genético.
Provavelmente, nada disto faz sentido, mas eu gosto, por razões de estética da raça humana, de pensar que tenho sangue mouro algures num cabelo que já foi negro!

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Burton buys Liz a diamond


Uma edição Choraquelogobebes, com o apoio inspiracional da revista Caras.
Há sempre duas maneiras, pelo menos duas, de ver as coisas.
Para uns este acontecimento cheira a mofo: já passaram trinta e seis anos sobre este dia!
Para outros, este acontecimento merece o embelezamento que a patine do tempo normalmente confere.
Tanto Burton como Liz tiveram fãs muito fanáticos, nos tempos em que eles mesmos brilhavam mais do que este anel que custou, na altura, uma fortuna: um milhão e meio de dólares! Este anel alimentou o blá-blá costumeiro destes mundos.
Em muitos casos, e parece que Liz Taylor é disto um exemplo, a volúpia extrema atinge valores materiais, para além do moralmente aceitável.
Coisas de estrelas!!!!

domingo, 23 de outubro de 2005

A importância de uma gaveta

Tenho de encerrar o assunto escola, ou corro o risco de me tornar doentia ou mais doentia do que já é a burocracia, em geral.
Ponto final parágrafo, como nos ditados.
Os meus fígados avisaram-me este fim de semana da urgência urgente de arrumar tudo numa gaveta, na minha pobre cabecita, para não doer mais do que doeu ontem, todo o dia.
Assim será!
Vou voltar à leitura do Adrian Mole que regressa com mais vinte anos de frustrações e problemas, que afinal é o que todos também juntamos, ao longo dos anos. A diferença é que não damos a "volta ao texto", como dizia o júri da Cornélia, de modo a criar um maravilhoso feito de ridículo!

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Noite

Está a chover! Oiço, com gosto, a chuva a cair...
Presumo que sejam as goteiras dos terraços que contribuem para este ruído de fundo que acompanha o meu pensamento totalmente dominado por uma reunião de três horas e quinze minutos...
Temo que estas reuniões não sejam mais do que a tradução da expressão "chover no molhado".
São trinta anos de escola que eu sinto naufragar à mercê dos ventos da burocracia!
É um sinal dos tempos!
Podia ser tudo tão diferente!

Imagem daqui
Continua nos comentários! Obrigada!

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Receita de poeta

Será preciso nascer no meio do vendaval?
Será preciso trazer, nos genes, a poesia?
Será que é de tanto interrogar a vida que o poema aparece trazendo respostas que serão de novo perguntas, como acontece com os ciclos da água?
Será que basta olhar uma garota em Ipanema e dizer assim: "Olha que coisa mais linda..." para fazer cantigas eternas?
Vinicius de Moraes, poeta da língua portuguesa no seu jeito mais balançado e feliz, nasceu a 19 de Outubro de 1913.
Casou muito. Aliás, Vinicius foi muito em tudo. Quem sabe se esse "muito" não foi o motor da poesia?
Outro poeta, Carlos Drummond de Andrade disse que Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão.
"Quer dizer, da poesia em estado natural", acrescentou.
Quando Vinicius nasceu, desafiou o vendaval da madrugada no Rio!
E porque este espaço também carece de coisas simples que alguns apreciam, tais como a , aí vai uma receita culinária...
Feijoada à Minha Moda

Amiga Helena Sangirardi
Conforme um dia prometi
Onde, confesso que esqueci
E embora — perdoe — tão tarde


(Melhor do que nunca!) este poeta
Segundo manda a boa ética
Envia-lhe a receita (poética)
De sua feijoada completa.


Em atenção ao adiantado
Da hora em que abrimos o olho
O feijão deve, já catado
Nos esperar, feliz, de molho


E a cozinheira, por respeito
À nossa mestria na arte
Já deve ter tacado peito
E preparado e posto à parte


Os elementos componentes
De um saboroso refogado
Tais: cebolas, tomates, dentes
De alho — e o que mais for azado


Tudo picado desde cedo
De feição a sempre evitar
Qualquer contato mais... vulgar
Às nossas nobres mãos de aedo.


Enquanto nós, a dar uns toques
No que não nos seja a contento
Vigiaremos o cozimento
Tomando o nosso uísque on the rocks


Uma vez cozido o feijão
(Umas quatro horas, fogo médio)
Nós, bocejando o nosso tédio
Nos chegaremos ao fogão


E em elegante curvatura:
Um pé adiante e o braço às costas
Provaremos a rica negrura
Por onde devem boiar postas


De carne-seca suculenta
Gordos paios, nédio toucinho
(Nunca orelhas de bacorinho
Que a tornam em excesso opulenta!)


E — atenção! — segredo modesto
Mas meu, no tocante à feijoada:
Uma língua fresca pelada
Posta a cozer com todo o resto.


Feito o quê, retire-se o caroço
Bastante, que bem amassado
Junta-se ao belo refogado
De modo a ter-se um molho grosso


Que vai de volta ao caldeirão
No qual o poeta, em bom agouro
Deve esparzir folhas de louro
Com um gesto clássico e pagão.

Inútil dizer que, entrementes
Em chama à parte desta liça
Devem fritar, todas contentes
Lindas rodelas de lingüiça


Enquanto ao lado, em fogo brando
Dismilingüindo-se de gozo
Deve também se estar fritando
O torresminho delicioso

Em cuja gordura, de resto
(Melhor gordura nunca houve!)
Deve depois frigir a couve
Picada, em fogo alegre e presto.


Uma farofa? — tem seus dias...
Porém que seja na manteiga!
A laranja gelada, em fatias
(Seleta ou da Bahia) — e chega


Só na última cozedura
Para levar à mesa, deixa-se
Cair um pouco da gordura
Da lingüiça na iguaria — e mexa-se.


Que prazer mais um corpo pede
Após comido um tal feijão?
— Evidentemente uma rede
E um gato para passar a mão...


Dever cumprido. Nunca é vã
A palavra de um poeta...— jamais!
Abraça-a, em Brillat-Savarin
O seu Vinicius de Moraes

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Liberdades quase poéticas

No caminho para o (a)Zul ouvi uma entrevista do Carlos Magno.
Pensando bem, talvez fosse uma conversa!
Pensando bem, talvez até nem fosse muito interessante...
Contudo salvou-se pela referência a Moçambique com z e com cedilha.
O z de mundo! A cedilha de Portugal...
cedilha
Gostei!

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

azul, azul, azul, sempre azul


De regresso já, mas sem inspiração!
Até porque hoje uma das coisas que me faltou foi mesmo o azul.
Agradeço, pela minha mãe, os parabéns.
Penso que se tivesse nascido uns anos mais tarde seria uma utilizadora exímia destas comunicações. Ela é do tempo do telex e da estenografia. Nunca entendi bem esta arte, mas penso que para secretariar com eficiência era necessário dominá-la!
E como são oitenta e um anos muito atinados, penso que ainda é capaz de me dar uma explicaçãozita um dia destes!
Talvez ainda "estenografe" um post...
Quem sabe?
mamã e eu
Através desta foto, tirada na entrada principal da catedral, num dia qualquer de casamento, posso concluir que nunca gostei muito de me sentir espartilhada em determinadas vestes ditas de cerimónia!

sábado, 15 de outubro de 2005

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

And the Nobel goes to

"There are no hard distinctions between what is real and what is unreal, nor between what is true and what is false. A thing is not necessarily either true or false; it can be both true and false."
Disse ele, Harold Pinter, Nobel da Literatura 2005, hoje revelado ao mundo, pela Academia Sueca.
Esta frase, destacada do seu contexto e, por alguma razão destacada, data de 1958.
Todos pensamos hoje que os mundos atravessam crises de valores. Parece-me que desta citação, sobressai precisamente uma ideia talvez premonitória daquilo que é muito evidente para nós hoje em dia: esbatem-se as fronteiras da verdade!
Li também (graças ao mail da Ana!) que ele é o guionista de um filme que confirmou o talento de Meryl Streep em personagens muito trabalhadas: A Amante do Tenente Francês.

Imagem daqui
Na mesma notícia li ainda que Harold Pinter também é actor!
So... the Nobel goes to...

Mês de Outubro


Não esquecer que o mês de Outubro é o mês dedicado à prevenção do cancro da mama.
O quadro é da Ana Sousa e já cá esteve, em exposição, há um ano, aquando do lançamento do seu livro "Diário de uma Terapia".

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Até vós, estrelas!...

Eu considero-me fanática da sorte. Acho que a sorte é mesmo o que decide tudo o que escapa ao cuidado das pessoas, cuidado esse que se baseia na previsibilidade das coisas, dos acontecimentos.
E todos nós já experimentámos, com certeza, a surpresa.
Eu não gosto de surpresas, porque temo precisamente não conseguir gerir, acautelar, prevenir, dominar tanto os acontecimentos em si, como as pessoas envolvidas.
Mas há sempre uma surpresa desconhecida que espera por si. Para me desangustiar, eu penso então que a haver uma surpresa, será boa porque creio, com base em alguma situações que funcionam como prova, que tenho uma estrelinha da sorte.
Hoje, ao abrir o Público, a Pública, para ser mais precisa, resolvi espreitar o horóscopo. Claro que todos sabemos que a elaboração de um destino diário, semanal ou de outro período do tempo é muito difícil para um astrólogo de nomeada: ele há solteiros e casados, ele há empregados e desempregados, ele há doentes e outros que ainda não são...
Todos esperam uma coisa da vida: que ela melhore em todos os sectores.
Ora, os astros não podem impedir a evolução natural das situações. Nenhuma estrela me pode trazer de volta os cabelos pretos, mas também não me pode retirar "o saber de experiências feito" dos cabelos brancos!
Mesmo assim, de vez em quando, apetece-me consultar os astros.
E eis que me deparo com o seguinte cenário para a semana que, por sinal, já vai a meio.
CAPRICÓRNIO 22 de Dezembro a 20 de Janeiro XVII A ESTRELA
Carta a marcar uma conjuntura muito benéfica e privilegiada. A Estrela é a carta da esperança que leva a novas criações e a uma ajuda, tanto espiritual como material. É uma aurora. Inspiração e harmonia. No plano afectivo possibilidades de renovação sentimental, através de um amor súbito e promissor. Para os casados; período feliz. A vida sentimental desenvolve-se de forma favorável. No plano material momento favorável a aquisições patrimoniais. Possibilidade de modificações positivas na vida profissional. Terá independência e capacidade de decisão. Não poderá contudo, contar com todos os apoios que previa. Saúde estável.

Não percebo nada de cartas, mas A Estrela deve ser uma boa carta!!! Aliás, o texto explicita esse bom augúrio.
Mas o que me faz confusão é a possibilidade de modificações positivas na vida profissional, agravada pela independência e capacidade de decisão.
Ó Estrela, até tu te enganaste! Ó Estrela, até tu foste enganada pela Ministra da Educação. Esta semana entra em vigor o meu horário multiusos!
Agora a sério: não sei bem o que vai sobrar de mim no final deste ano lectivo!
Já perdi esta batalha contra o exercício do poder a todo o custo!

Já não há estrelas no céu...

Outubro


Também eu tenho de pegar neste conselho...

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Desalento

Se o país que na esperança exercitámos
For num desvão de Abril apunhalado
Onde a vida reclama a plenitude
É que o poeta é febre é raiva é dardo.
Natália Correia

À quoi ça sert l'amour ?

O que se conta de Piaf é o que Piaf canta...
A frágil figurinha magra, pálida e triste, a vida levou.
A voz, essa resiste e reside na memória dos franceses e de todos os que nela sentem pulsar ainda a vida...

imagem daqui
Se o Amor, aquele amor que os poetas em vão tentaram definir, não tendo ido além da própria indefinição, se esse Amor tivesse voz, seria, sem dúvida, a voz de Piaf.
Para além de cantar, a vida daquele minúsculo corpo fez-se de “amar”...
“Ame” dizia, em jeito de conselho, a um homem, uma mulher ou uma criança. Dizia, talvez, por ter conhecido a falta desse mesmo amor, logo na primeira infância, cujas histórias se esboroam na sordidez de pormenores, que preferíamos todos pertencerem ao imaginário das lendas, cuja fronteira toca a verdade da vida da mais lendária cantora da França.

imagem daqui
Em Outubro de 1963, Edith Piaf morreu, reeditando a duplicidade do seu nascimento. Uns dizem que morreu no dia dez, outros no dia a seguir: o tempo que o corpo, já sem vida, terá levado a percorrer o caminho até ao lugar onde desejava morrer e ser enterrada, junto às memórias dos corpos amados...
A voz, essa continua a cantar uma vida em tons de amor!

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

As fragilidades da inocência...

...ou os pesados meandros da culpa.
Sempre tive muito respeito por estas questões de culpas e inocências, sobretudo quando os casos envolvem honras ou vidas, sobretudo vidas, e, mais ainda, quando se trata de crianças.
É o caso do rapto do fiho do aviador Charles Lindbergh que acabou da maneira mais trágica, apesar do envolvimento de personalidades influentes e das quantias avultadas que o jovem aviador estava disposto a pagar, para receber o filho vivo e ileso, o que não aconteceu, como todos sabemos.
Esta história com contornos de horror macabro leva-nos, no entanto, a outra história marcada pelo amor e pela fidelidade: Anna Hauptmann, mulher de Bruno Hauptmann, condenado à morte por homicídio do pequenino Lindbergh, consumiu o resto dos seus dias a tentar provar a inocência do marido. E esse resto foram mais de sessenta anos.
Ao longo desses sessenta e dois anos, Anne Hauptmann nunca contou outra história que não fosse a que podia ter servido como prova de inocência a Hauptmann que foi executado, na cadeira eléctrica, a 3 de Abril de 1936.
Anna Hauptmann morreu a 10 de Outubro de 1994, fiel à convicção que deu sentido à sua vida quase toda!

domingo, 9 de outubro de 2005

See-saw


Este "brinquedo" é muito comum nos parques infantis. Não requer muita tecnologia e deve ser muito simples de instalar, com segurança e imaginação.
(A imaginação entra na parte em que os miúdos se seguram para não caírem no sobe e desce deste brinquedo. Chamo-lhe brinquedo porque, sinceramente não sei como se chama em português e, no dicionário Inglês-Português, para "see-saw" só encontro balanço e gangorra e nem um nem outro me soam a Português de Portugal. No Brasil, provavelmente, chama-se assim!)
Sempre simpatizei com o "see-saw", talvez porque o ache muito pedagógico em termos de "vida", "tal como ela é", como diz o novo slogan dos telemóveis.
Eu hoje estou no lado do saw, que é, presumo, o lado que fica com o "rabo" colado ao chão, enquanto o "outro" do lado de lá, do lado do see, vê tudo muito bem e muito acima dos outros que brincam no mesmo parque infantil. Esse tem uma ilusão de superioridade que provoca uma sensação de felicidade, daquela felicidade que se sabe bem o que se fazer com ela, pois há uma consciência plena do seu carácter passageiro...
E estou assim, down, em baixo, por causa de certos resultados que eu, e muitos outros como eu, nunca acreditaram serem possíveis. Entendo o desejo punidor! Eu também o exerci, embora ninguém o sinta senão eu, no recanto aconchegado da minha consciência alcatifado de valores que já não se usam, pelos vistos!
Pelos vistos, outros valores mais altos se "alevantam" (assim mesmo, que é como vem nos Lusíadas!)e fazem descer o meu see-saw durante algum tempo.
Agora já não brinco! Estou amuada!

You may say that I'm a dreamer

but I'm not the only one...
On this day, in 1990, Radio stations around world play "Imagine" honoring John Lennon.
We should have done the same!
We can do it today!
Imagine
Imagine... nothing to kill or die for!

Imagem daqui

sábado, 8 de outubro de 2005

Uma teoria com a patente Crocodile Dundee

Em causa estão dois estilos de vida: um, naturalmente simples; outro naturalmente civilizado.
Não deve ser muito fácil seguir o caminho dito do bem, aquele que obviamente é mais favorável às emoções boas, o simples. Se fosse fácil, todos o teriam feito!
Para o nosso Eça, a civilização era Paris e à roda desta ideia, desta dicotomia, desenvolveu o seu último romance: A cidade e as serras.Pigmaleão não precisava sequer de sair de Londres para encontrar os dois estilos, as duas vias para a ambicionada felicidade. Bem se arrependeu o pobre Doolittle de ter emitido tão doutas opiniões, perante homens como Higgins, que se apressam a divulgá-las, tornando um pobre diabo num homem carregado de responsabildades.
O princípio do Crocodile Dundee é o mesmo: onde é que o homem é mais feliz? Nos recantos mais longínquos, rodeado da natureza na sua forma mais agreste? Ou numa cidade onde aparência de felicidade é uma ditadura imposta por um modelo de civilização e progresso?
Para Mick existe um único estilo de vida: o da sua aldeia.
Lá, quando alguém tem um problema, vai até à taberna, conta ao Wally, Wally conta a toda a gente da aldeia e o problema passa. Mick tem o seu amigo Wally. Sue tem um psi. Qual deles cumpre melhor a sua função?
Paul Hogan, o actor e autor do guião, faz hoje 66 anos!

(Hoje já consegui contornar o problema do PC... Um dia de cada vez... Quem sabe, amanhã talvez consiga também...)

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Tinóni....


Não sei qual será a razão da subida da temperatura e o melhor é mesmo levá-lo a alguém que saiba o que fazer nestas circunstâncias...
Espero que não demorem a encontrar a razão e que o ponham fresco outra vez, e rapidamente, pois vai fazer-me muita falta...
Aí vou eu...
ambulance_9
Talvez parasite um computador alheio para umas espreitadelas...

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

“She´s got Bette Davis eyes”

"Olhos enormes, imensos. Foram sempre, ao longo da vida. Parecem saltar das telas e do papel para um lugar para além de qualquer horizonte real. Sempre enormes, imensos, enigmáticos, profundos, albergando infinitos."
bette davis eyes
Foram estes olhos que Kim Carnes imortalizou na sua canção "She's got Bette Davis eyes".
Bette Davis morreu a 6 de Outubro de 1989.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Dia do Professor

Quando Sebastião da Gama dizia "O que eu quero principalmente é que sejam felizes" ninguém podia prever que ensinar o caminho da felicidade fosse outra coisa que não poesia!!!
Coitado, esse era poeta! Imagino que, para muitos, o professor deveria ensinar a escrever sem erros e a fazer contas de cabeça. Isso de ser "apenas o camarada mais velho" foi, sem dúvida, uma ideia vanguardista que só não foi mais vilipendiada pelos austeros defensores de um modelo de educação rígido e severo porque, além de ser poeta, Sebastião da Gama morreu cedo.
(E a morte ainda impõe muito respeitinho!)
Alguém se lembra de uma chamada oral?
Para nota? Quando os alunos lhe perguntavam se era para nota, ele respondia:“Não. É para aprender.” E no seu pensamento prosseguia “para eu aprender, para o aluno aprender; para estarmos mais perto um do outro”.
E a rejeição do vermelho, para emendar! Ele emendava a azul ou a lápis, consoante o trabalho do aluno fosse a lápis ou a azul. E não riscava os trabalhos dos alunos, porque pressupunham dedicação e esforço, que não se devem riscar.
O professor definia-se como um saloio por dentro, a propósito de ter sido criticado pela linguagem que usava, aquando da sua prova de admissão ao estágio.
Afinal, cinquenta e tal anos depois, as coisas estão na mesma: as pessoas precisam de palavrões, em vez de palavras, para avaliarem a sabedoria de alguém.
Problema de entendimento!
Falta de educação!
Falta de poesia!
É este o professor que eu gostaria de recordar hoje aqui!