sábado, 10 de dezembro de 2005

Direitos Humanos, o Nobel da Paz e Nobel, o homem

Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Este é o documento que consagra o reconhecimento universal pelo respeito do ser humano, seja ele quem for, nasça onde nascer, tenha a cor que tiver, pense o que quiser pensar, creia no que escolher crer!
Pergunto-me, até que ponto, contribuo ou não, para que estes princípios passem para lá do papel?
O Documento que alguns dizem ser o mais traduzido de todo o mundo (mais de trezentas línguas), foi solene e oficialmente aprovado pela ONU, a 10 de Dezembro de 1948.

Neste dia 10 de Dezembro, várias personalidades foram distinguidas com o Prémio Nobel da Paz, entregue pela primeira vez, em 1901, a Jean Henri Dunant e a Frédéric Passy.

Este prémio pode distinguir também instituições. Tal aconteceu já com a UNICEF e a AMI.

Alfred Nobel morreu a 10 de Dezembro de 1896, vítima de hemorragia cerebral.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

O meu lado saloio...

... puxa-me para estas coisas, tipo: iluminações, árvores gigantes, etc...
arvoredenatal
Isto com muitos espanhóis à mistura!
-Se ilumina?- Perguntou uma espanholita, muito espantada com a confusão de gente na Praça do Comércio.

“A mais triste de todas as mulheres”

“A mais triste de todas as mulheres” deu voz à feminina alma poética lusitana!
Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, em 1894 e foi baptizada com os nomes Flor e Bela, com o apelido Lobo, a 20 de Junho do ano seguinte. O pai, “incógnito” no registo, foi sapateiro, antiquário e sedutor reconhecido: João Maria Espanca. A mãe, uma mulher bela e desejada, de condição modesta, foi escolhida por João Espanca para lhe dar o filho, que a mulher Mariana não dava. Pretexto ou não, com desejo ou sem desejo, reza a história que houve consentimento de Mariana nesta solução para a sua infertilidade e frustração do marido. Consta ainda que Antónia Lobo permaneceu escondida dos olhares do mundo, durante a gestação desta Flor Bela, que parece ter nascido apenas para disfarçar tristezas ou para embelezar imperfeições de uma natureza que se presume perfeita e fértil!
rosa amarela
Um flor bela para Florbela no dia em que nasceu e morreu: 8 de Dezembro.

O supremo ideal

Os versos de Lennon, os que se tornaram hino, são isso mesmo: a definição de um ideal, imaterializado como só um ideal pode ser, sem limites como é o céu, aquele azul que nos separa dos outros universos possíveis.
Porque a nossa capacidade de imaginar não conhece obstáculos!
Pronto, está bem: "You may say I'm a dreamer".
E acrescento: "But I'm not the only one!"
florparalennon
Flores para Lennon!
Áudio daqui

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

(...)

artponte
A mesma ponte, o mesmo rio, o mesmo "só estou bem onde não estou", mas em azul!

pontes, combóio e outros

ponte25deabril
Eu sou do tempo em que apenas esta ponte ligava as duas margens, num afã responsável de todos os que, como eu, não são de lá, nem de cá e passam a vida de cá para lá e de lá para cá, a matar saudades que nem sequer há. Ou se há não se matam. A saudade não se mata.
Hoje acordei ao som de números de TGV.
Recordei o tempo em que a minha ponte, a outra, levantava polémica e discussão, por causa dos custos. Mas eu só queria era que a construíssem.
Hoje não sei se sinto o mesmo em relação ao TGV. Mas devia sentir, acho eu, em consciência.
Hoje são outros que anseiam pelo encurtar das distâncias.
Tenho de respeitar essas saudades!
ESta imagem também é desse tempo, em que só esta ponte ligava o rio.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Blog com vela de aniversário

O meu filho Diogo já tem um blog, há um ano!!!
O pior não é isso! O pior é pensar que ainda me lembro, "como se fosse ontem", de andar com eles, com os meus filhos, agarrados às minhas saias. (Ou às minhas jeans, pois já nem sequer é preciso ser muito jovem, nem muito moderno, para fazer esta afirmação!)
Parabéns, Diogo!

E aí vai um desejo que eu sei que te é muito muito caro: que o teu clube some vitórias!!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Quem não gosta de "jeans"?

Claro que há quem não goste e há quem não use. Atrevo-me a dizer que há excepções!
As "jeans" são eternas, por mais buracos ou brilhantes que lhes inventem, que lhes costurem ou descosturem, elas estarão sempre no centro da moda.
jeans de pernas para o ar
(Mesmo de pernas para o ar, muito tempo antes das torres de Tróia terem sido alvo do primeiro teste do socrático plano tecnológico!)
As primeiras "jeans" foram desenhadas por Levi Strauss em 1880, dizem.
A 5 de Dezembro, diz-se!

domingo, 4 de dezembro de 2005

Erros meus

"O erro de construção de um dos que com predicado no singular (ocorrente em Fernão Lopes, Frei Luís de Sousa, João de Barros, Bernardes, Vieira, Garrett, Herculano, Camilo, etc.) explica-se por atracção de um."
O Ciberdúvidas passará a incluir-me a mim, pelo post sobre o Fernando Alves.
(Isso queria eu, figurar entre tão ilustres nomes!!!)
Vale a pena ler, na íntegra, o esclarecimento!

Camões, esse não errou! Ou melhor: errou no amor, como explica no soneto.

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!


E ainda há a Joana que errou de João, "a mulata triste que errou na dose, errou no amor". Chico Buarque, claro!

sábado, 3 de dezembro de 2005

TSF, às cinco para as nove

A voz da rádio que mais me encanta é a de Fernando Alves. Ninguém como ele combina as palavras que diz com a "fala" com que as diz. Língua e fala são velhos conceitos para mim, ensinados pelo Professor Lindley Cintra. Acho que encontro todos os dias na TSF a combinação perfeita da língua e da fala.
Em qualquer assunto, o autor/locutor põe beleza, quase poesia.
Pode ser futebol, que ele é dos que gosta; pode ser dicionários, como foi o caso desta que não resisti a trazer para aqui.
Fernando Corripio desapareceu mais discretamente que um navio no horizonte, e o seu desaparecimento ganha, neste contexto, uma espécie de carga ficcional, como se ele se tivesse perdido no labirinto da sinonímia. Imaginamos, diante da esconsa nota fúnebre finalmente encontrada, o início de um romance negro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Callas, A Divina

“Tem que servir a música.” disse Callas, “Tens que pegar na tua voz e parti-la em mil pedaços, para que ela te sirva a ti.”

Há nas palavras da Divina, como ficou para a história da música e dos homens, o sentido do dever, que a orientou nos palcos mais distantes do mundo.
Distantes eram também as suas pátrias: concebida na terra de que se diz terem tido os deuses morada próxima, na Grécia, foi na longínqua América, em Nova Iorque, que nasceu Maria Anne Sophie Cecília Kalogeropoulos, a 2 de Dezembro de 1923. Os pais, George e Evangelia Kalogeropoulos, tinham chegado à terra dos sonhos em Agosto, em busca de boa sorte e uma vida melhor. A pequenina Maria ali viveu os primeiros anos, em Manhattan, num bairro onde os habitantes eram predominantemente oriundos da Grécia. A família mudou o apelido para Callas e, aos nove anos, Maria recebe as suas primeiras lições de piano.
Depois...

Sem anestesia

Pedi anestesia. Riram. Não me levaram a sério!
Preparam-me para a cruel operação, enquanto ao mesmo tempo, num recipiente trazido até à sala principal, se preparava algo que cheirava aos ingredientes do costume.
Depois, sem anestesia nenhuma, nem geral, nem parcial, cruelmente me foram afastando as madeixas e pincelando o "chão da minha cabeça" com o líquido milagroso.
(Temo sempre que estas invasões atinjam o interior da minha pobre cabecita.)
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Depois foi a espera: meia hora de "gossip", com volume elevado, para compensar o ruído próprio das máquinas normais neste tipo de intervenções.
Ao fim de umas horas, tive alta.
O problema é que estas coisas recidivam, em cem por cento dos casos, em curto período de tempo.
Espero que amanhã não apareça já a raiz branca que me dá a noção da vida que já vivi e, pela qual, devo sentir-me agradecida.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Reconhecimento

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Li hoje um desabafo de um professor, um igual, claro!, que dizia que já não sabia de que terra era, ou é, desrespeitando a regra gramatical do discurso indirecto, mas respeitando o tempo "presente, muito presente" que sobressai do desabafo.
Vinha a tal frase a propósito do mobiliário das escolas e da sua influência no sucesso dos alunos. Eu por acaso penso que tem influência, mas parece-me que é o próprio ME que não leva isso em linha de conta. Aliás para bons exemplos dos maus exemplos basta fazerem-me uma visitazita "real", em horas de "expediente"!
O ano passado despejaram nas salas do segundo ciclo o mobiliário velho do primeiro ciclo, totalmente desajustado em tamanho aos nossos alunos! Claro que "a gente habitua-se"! É como tudo: a gente habitua-se sempre.Sempre!
Mas o que a frase do professor despertou em mim foi um orgulho muito grande de saber de que terra sou!
É por isso que está cá a palmeira maquilhada, bonita e aperaltada, a juntar os tons de festa aos tons das horas de fim de dia.
Eu sei de que terra sou. Sou de Mocuba, uma das cidades que aderiu em 2005 ao Movimento Cities for Life, que celebra a primeira abolição de pena de morte e clama por essa abolição, no mundo inteiro.
Bruxelas (Olá, Pitucha!)e outras capitais como Roma, Madrid, Paris, Viena também aderiram. São trinta as capitais. São trezentas as cidades.
Entre as trezentas cidades, está a terra onde nasci: Mocuba!
Infelizmente não está a terra onde também nasci, daqueles nascimentos que a gente vai nascendo pela vida fora: Lisboa!
Hoje, especialmente hoje, sei de que terra sou.
E agora tenho de me ir embora, "curtir aquela cena do mobilário para sub-dez!!!"

terça-feira, 29 de novembro de 2005

(...)

Parei o carro. Olhei para o rio. Tinha uma palmeira de permeio. Olhei melhor e gostei.
Deitei a mão à mala e tirei a cybershot. Felizmente, estava lá!
Abri o vidro do lado do pendura e disparei.
Guardei os tons do sol, já em tempo de despedida do dia.
palmeira

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

O azul do Pacífico

Fernão de Magalhães chega ao Oceano Pacífico, nesta data, há quase quinhentos anos, em 1520.
oceano
Como é que estes acontecimentos e o seu conhecimento navegam o tempo e aportam ao nosso próprio conhecimento, hoje?
Finalmente avistam o imenso Mar do Sul. O grande Oceano Pacífico, como lhe chamará Fernão. Talvez lágrimas a escorrer pelo seu rosto...
Gosto deste nome: Oceano Pacífico. Faz-me lembrar o destino do herói dos Condenados de Shawshank.
"I hope the Pacific is as blue as it has been in my dreams. I hope."

(...)

luzvence
Há sempre sinais de que é possível a luz romper a barreira da escuridão, a força prevalecer sobre a fraqueza, a certeza esmagar a dúvida, a coragem soerguer-se por entre os destroços do medo!

domingo, 27 de novembro de 2005

(...)

"If God hadn't rested on Sunday, He would have had time to finish the world."
Gabriel Garcia Marquez
sunday
Eu acho que onde se sente mais esta falta de acabamento é na natureza dos homens!
A árvores, o sol, a luz, o mar não foram deixados ao acaso!
Essa Natureza é perfeita!

Imagem- Fim de tarde de domingo. Verão. Estrada Nacional na proximidade de Vendas Novas. Imagem "passada" pelo Art.com.

sábado, 26 de novembro de 2005

Peanuts

4 de Outubro de 1950
Foi este o primeiro dia em que o cão, que todos conhecemos com o nome de Snoopy, apareceu nas páginas de um jornal. O seu autor, Charles Monroe Schulz, tinha então vinte e sete anos, tinha passado por uma guerra mundial, tinha combatido, tinha perdido a mãe e, sobretudo por causa da experiência de guerra, tinha aprendido tudo sobre a solidão, conforme ecreveu, mais tarde, já em tempo de paz.

Dez anos mais tarde o Snoopy e os outros Peanuts (nome genérico dos vários "bonecos" que constituem este grupo) já davam traço e cor a cartões de amizade e simpatia.
Não há dúvida que os bonecos de Schulz são inspiradores de bons sentimentos!
Sempre que alguém baptiza um cão com o nome Snoopy, está a prestar uma homenagem aos homens que usaram a fantasia e o talento na defesa de modelos de vida eivados de bem.
Há muitos Snoopy(s, logo há muitos que aspiram ao bem.
Todos os homens bons imaginam um mundo bom.
Charles Monroe Schultz nasceu a 26 de Novembro de 1922.

(...)

azuldealbufeira
Agora que vou para a "idade", como diziam os meus avós, gostava de ter os dias ainda mais azuis. Gostava de poder ver sempre o mar de uma janela. Gostava de sentir que o mundo há-de continuar bonito porque um dia, quem sabe quando?, vão estar cá os meus netos.
Gostava de os ver crescer, brincar e aprender!
Há ambições assim, em fundo azul brilhante!

Esclarecendo sobre a imagem: fotografia modificada pelos efeitos gentilmente concedidos pelo site Art.Com. Ao alcance de todos. Pelo menos, a fotografia foi tirada por mim! E pode ser vista aqui.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Carta ao Candidato

Caro Candidato
Foi com alegria que aderi à ideia da sua candidatura. Foi com alegria que me desloquei ao Altis, para o ver formalizar esssa vontade de todos nós. Foi com muita alegria e com muita esperança que o ouvi referir-se aos professores, cuja dedicação é agora vilipendiada por uma opinião pública que encontrou no sector da educação o bode expiatório dos maus momentos que vivemos.
Foi, por contraste, com grande tristeza que li a crónica do Senhor Doutor Eduardo Prado Coelho sobre as aulas de substituição, da qual o próprio jornal aproveitou a passagem mais apetecível para atiçar mais ainda a opinião pública contra os professores.
Mas qualquer professor que não seja um debilóide sabe estabelecer uma relação com turmas de alunos que não conhece e conversar descontraidamente sobre aspectos genéricos das disciplinas e as suas correlações (nada é estanque), sobre os modos de tirar notas na aula, sobre a procura de um livro ou de um artigo na biblioteca, sobre o uso produtivo da Internet e outras questões metodológicas.
Do Jornal, 0 Público, de 23 de Novembro

Caro Candidato, eu sei que não lhe posso imputar culpas de palavras que não escreveu, mas, pelo menos gostava de deixar aqui o meu desgosto para que faça dele o que bem entender.
Entenda-me com a mesma admiração por si, mas com reservas em relação a alguns sectores dos seus apoiantes que beliscam a minha honra profissional,
Madalena Mendonça Santos
Professora do Ensino Básico, 2º ciclo
"Carta enviada para a Candidatura de Manuel Alegre"

Acreditar, é preciso

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Vale a Pena Acreditar

What weekends are for...

aa weekend
The rhythm of the weekend, with its birth, its planned gaieties, and its announced end, followed the rhythm of life and was a substitute for it.
F. Scott Fitzgerald

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Ele sabia

Ele sabia que "o sonho é uma constante da vida" e que até "comanda a vida".
É a actualidade do conhecimento da vida e da natureza humana que nem todos conseguem agarrar, ou mesmo tocar. Os versos do homem das letras e das Físicas e das Químicas tornaram-se farol desta amostra de humanidade à beira Atlântico nascida.
António Gedeão, para uns, Rómulo de Carvalho, para outros, nasceu a 24 de Novembro de 1906 em Lisboa, a capital do Reino.
Os seus versos são também versos de alguém que olha a vida com olhos de ver barcos a baloiçarem no Tejo, para lá e para cá.

Vou-me até à Outra Banda
no barquinho da carreira.
Faz que anda mas não anda;
parece de brincadeira.
Planta-se o homem no leme.
Tudo ginga, range e treme.
Bufa o vapor na caldeira.
Um menino solta um grito;
assustou-se com o apito
do barquinho da carreira.
Todo ancho, tremelica
como um boneco de corda.
Nem sei se vai ou se fica.
Só se vê que tremelica
e oscila de borda a borda.

(continua aqui)
Os seus versos são versos de alguém que sabe ver pessoas, para lá da cor da pele e outros sinais exteriores de humanidade que o mundo injustiça. Isto é: outra espécie de humanidade rejeita e ignora. Às vezes, pior!

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Agua (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão foi poeta e professor do Ensino Secundário. Há uma escola com o seu nome de poeta. Há livros de poesia de António Gedeão e há manuais escolares de Físico-Química de Rómulo de Carvalho.

Eles não sabem...

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

(...)

aosolsepor
The true purpose of education is to teach a man to carry himself triumphant to the sunset.
Liberty Hyde Bailey

Ao que nós chegámos!

A FRASE (Destaque do jornal Público)
"Qualquer professor que não seja um debilóide sabe estabelecer uma relação com turmas de alunos que não conhece e conversar descontraidamente sobre aspectos genéricos das disciplinas e as suas correlações (nada é estanque), sobre os modos de tirar notas na aula, sobre a procura de um livro na biblioteca, sobre o uso produtivo da Internet e outras questões metodológicas."
Eduardo Prado Coelho, PÚBLICO, 23-11-2005
Quando a falta de respeito pelos professores vem dos próprios professores!
Eu hoje tive muita pena do tempo que gastei a assitir caladinha às suas aulas, convencida que era burrinha, ou debilóide, por não perceber o que o senhor dizia nas aulas práticas de Introdução aos Estudos Linguísticos.
O mais estranho é que as aulas teóricas, leccionadas no anfiteatro da Faculdade de Letras, pelo Professor Lindley Cintra, proprocionavam-me um gosto tão grande por aprender, que não desisti. Aí eu entendia tudo! Tudinho!
É preciso não ter mínimos de sensibilidade e respeito pelos outros para escrever o que escreveu hoje no Público, Senhor Doutor.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

A carta

Esta carta vem hoje publicada no jornal O Público. Não tinha sequer tropeçado nela e se não fosse a minha amiga Ana não a teria lido. Ela recomendou-ma e disse-me: Lê e põe no blog. Como eu gostava de ter escrito esta carta!, acrescentou.
Aqui está!

Por que fiz greve

Sou professor do ensino secundário há 16 anos e aderi à greve de dia 18. Já não me lembro quando foi a última vez, antes desta, em que o fiz. Não tendo ligações a partidos políticos ou a sindicatos e tendo mesmo, nas últimas eleições legislativas, votado no partido que nos governa, posso dizer que não fiz greve por seguidismo político ou sindical ou por ser, simplesmente, do contra. Também não fiz greve por causa do congelamento das progressões na carreira, do aumento da idade da reforma ou em protesto contra as aulas de substituição. Claro que, sendo filho de boa gente (muito boa, mesmo), eu sinto tudo isso, mas, em certa medida, sou capaz de compreender: já são vários anos de aumentos abaixo da inflação, e mesmo de congelamento de vencimentos e, agora, de progressões, mas a crise persiste e é preciso apertar o cinto; é um facto feliz que hoje se vive mais tempo, pelo que é natural a necessidade de trabalhar mais anos (embora isto tenha efeitos negativos de que pouco ou nada tenho ouvido falar, nomeadamente, hipotecando a modernização e o aumento da produtividade do sector público e reduzindo as oportunidades de emprego para os jovens. Não era necessário assistir aos recentes acontecimentos verificados em França para perceber que, ao tentar resolver um problema, se estarão, talvez, a criar outros idênticos ou piores); sou capaz de concordar que, em determinadas circunstâncias, as aulas de substituição podem fazer sentido.
Não foi, portanto, de ânimo leve que aderi à greve. Fi-lo, porque me sinto cansado. Cansado de ser apontado como o culpado das crises, a crise do insucesso escolar e a crise financeira do país. Neste particular, parece que a qualquer momento se irá transformar um velho ditado em qualquer coisa como "em casa onde não há pão, todos ralham e só os funcionários públicos não têm razão", parece que qualquer dia o facto de eu ter um salário ainda vai ser considerado uma obscenidade, parece que será de bom tom que eu me sinta envergonhado por ser pago com o dinheiro dos impostos.
Fiz greve, porque sou solidário com os meus colegas, e candidatos a colegas, mais jovens, a quem sucessivos governos de adeptos de boas estatísticas abriram sucessivas portas de entrada na profissão para, agora, dizerem: "Quem vos mandou vir? Agora não precisamos de mais ninguém." Fiz greve, porque sou solidário com os colegas mais velhos que viram, literalmente, e de um dia para o outro, a sua vida profissional transformar-se num verdadeiro pesadelo. Fiz greve, porque não trabalho em qualquer linha de montagem. A alguém que exerça essas funções talvez se exija, essencialmente, concentração e competência técnica. A mim, no entanto, exige-se tudo isso e, principalmente, alguma paciência e muito entusiasmo. Quase tudo o que se tem feito na educação (e não é só de agora) nos faz perder a paciência e nos reduz o entusiasmo.
Fiz greve, porque estou cansado de ver sucessivos governos, mais uma vez adeptos de boas estatísticas, a não vislumbrarem o quanto é óbvio o facto de os principais problemas da educação no nosso país não residirem na escola, mas sim fora dela. Fiz greve, porque estou farto de ver despejar cada vez mais e mais variadas responsabilidades em cima dos ombros da escola e respectivos professores, sem que os restantes agentes educativos (ou seja, toda a comunidade) sejam também responsabilizados pela parte que lhes compete e sem que se perceba que é impossível a escola resistir a tanta expectativa e a tantas missões ao mesmo tempo. Fiz greve, porque estou farto de ver aumentar a carga e a variedade curricular a que são submetidos os pobres dos alunos, sem que se perceba que isso só lhes provoca uma excessiva dispersão, uma ainda maior incapacidade de concentração e falta de tempo para o essencial, e que é o trabalho de estudo individual.
Fiz greve, porque estou cansado de ver uma ministra que não percebe que, ao tratar os professores como se eles não tivessem nada que dizer, mas apenas que fazer "mais" e "melhor", está, mais uma vez, a fazer passar para os jovens a mensagem de que o esforço para obter sucesso não tem que ser deles também, mas apenas dos professores. Fiz greve, porque ouvi questionar a senhora ministra da Educação sobre uma coisa tão simples como seja a de saber que sentido faz pôr um professor de Filosofia a substituir um outro de Educação Visual e a não resposta me fez pensar que talvez se esteja, novamente, a assistir à aplicação do princípio do barro e da parede: "Vamos lá atirar com mais este barro àquela parede. Se colar, óptimo, se não colar, podemos sempre dizer que as escolas não quiseram ou não souberam como agarrar a ideia. Quando se avaliarem os resultados, se tudo estiver igual ou pior, os culpados estarão identificados."
Fiz greve, porque sou pai de dois jovens estudantes que não quero ver transformados em puros tecnocratas ou infelizes excluídos. Fiz greve, enfim, por razões que eu diria corporativas, para protestar em nome de um maltratado corpo formado por professores e alunos que precisa de viver saudável e em harmonia para poder crescer como todos desejamos.
César Coelho
Penafiel

Debater o debate

Não querendo furtar-me a uma opinião, não quero deixar de encaminhar quem aqui me e-lê, como diria a Chuinga, para outras opiniões, provavelmente muito mais desapaixonadas do que as minhas.
O Miguel Pinto diz que se sentiu "caminhar num deserto". Eu também!
Diz ainda que "A profissão professor não passa sem uma profunda reconversão. Não uma reconversão qualquer no sentido da desqualificação funcional. O que faltou frisar? Uma pequena adenda: faltou dizer que a profissão professor reconfigurada exige uma escola metamorfoseada. Isto para não dizer que uma transformação profissional exige uma nova escola.
Haja vontade e acuidade dos próprios assim como é requerida uma capacidade de entender [ver longe] os problemas educativos daqueles que nos (des)governam."

Ou ainda a opinião de alguém que tem dado o seu contributo valioso em questões de educação: Maria Emília Brederode dos Santos.
"Dum modo geral - e sobretudo nas intervenções do ex-Ministro David Justino - senti uma falta de noção quer da substância das coisas, quer da realidade. Que dizer da sua convicção sobre a distância entre o que idealizou e o que concretizou atribuida sempre a uma falha qualquer da realidade e não aos erros de uma concepção que não teve em conta essa realidade ? Que dizer da "confissão" de a tão defendida "profissionalização da gestão das escolas" não passar pela contratação de gestores profissionais por "não haver dinheiro para isso"(Ah, afinal os professores sempre são um recurso barato...) ? Que dizer da sua convicção de ser um bom gestor por ter tido cargos de gestão na Universidade ?

Que dizer também da admissão, por parte da Sra. Ministra, de que a rapidez de execução das suas medidas teve mais a ver com a duração do mandato governamental do que com o tempo necessário às escolas para se organizarem ?

Que dizer da forma como a moderadora opina superficialmente sobre as despesas educativas ?"


Eu só vi e ouvi falar da aulas de substituição, como se fosse esse o único problema da imposição do ministério para este ano lectivo. Não entendo que os sindicatos tenham deixado passar esta oportunidade para falar da falta de condições que todos temos, alunos e professores, nas nossas escolas. Além disso a componente não lectiva não se resume às aulas de substituição. Parece que não convinha a quase ninguém explicitar o acordo que a FNE assinou. O conteúdo desse acordo, por muito que fique aquém do desejado, é bem explícito, relativamente à falta de condições, reconhecida pelo ME, que os professores têm para passar mais tempo nas escolas, começando logo pelas instalações sanitárias. É bem visível o excesso de horas de componente não lectiva de marcação obrigatória. Ninguém falou na contradição das ordens do ME: em Setembro as aulas de substituição eram uma coisa, não eram de frequência obrigatória, por parte dos alunos, não eram para sumariar e só deviam ser dadas por professores da mesma disciplina. Depois mudou tudo: são sumariadas e entram no cômputo das aulas dadas pelo professor curricular. Os pais e o ME têm divergências profundas neste assunto.
Etc, que ninguém vai ler... fartos estão todos de ouvir falar disto!

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

seiscentos e setenta

Em 1877, a 21 de Novembro Edison revelou a sua primeira grande invenção: o fonógrafo.
A prova de que entre a ciência e a ternura pode não haver grandes distâncias é que a primeira gravação que Edison realizou foi a de uma cantiga para crianças que conta a história de uma menina, a Mary, que tinha um cordeirinho que a seguia para todo o lado, até para a escola!

Mary had a little lamb
E nem o professor, ou a professora, conseguiu afastar o cordeirinho para longe da dona.
O seu laboratório ficava num sítio chamado Menlo Park e, a partir daí, começaram a chamar-lhe o Feiticeiro de Menlo Park.
Não sei bem se isto é um post! Pode ser que sim e com este vão já seiscentos e setenta!
Menlo Park é também o nome de uma banda.

domingo, 20 de novembro de 2005

Missão Possível

A 14 de Dezembro de 1954, as Nações Unidas recomendaram que fosse instituído um dia para ser assinalado como dia de fraternidade e compreensão entre as crianças de todo o mundo. 20 de Novembro é esse dia por ter sido nesta data que foi reconhecida a Declaração dos Direitos da Criança, em 1959, bem como a Convenção dos Direitos da Criança, em 1989.
menina
Esta declaração consagra os mais elementares direitos.
Todos os dias nos confrontamos com a ignorância destes direitos!
Há muitas iniciativas para ajudar as crianças, principalmente as que se encontram em situação de sofrimento. Ajudar é uma Missão Possível. Um brinquedo, mesmo que não seja novo, pode trazer um sorriso lindo à cara de uma criança!
E um sorriso de uma criança é a maior promessa de vida. É uma promessa de futuro!
Para saber mais, telefone à Rita (914741793) ou à Inês (919134188).

sábado, 19 de novembro de 2005

Ao canto do Outono,

à esquina do Inverno,
homem das castanhas
o homem das castanhas é eterno.
Ary dos Santos

Bartolomeu de Gusmão de Saramago

De acordo com a fonte onde vou buscar algum conhecimento com que preencho estes espaços, o Padre Bartolomeu de Gusmão nasceu num dia 19 de Novembro.
Até ao Memorial do Convento, o Padre Bartolomeu de Gusmão era uma figura da história, ligada à epopeia dos ares através da sua invenção voadora: a passarola!

Imagem daqui
Depois do Memorial do Convento, este mesmo nome ganhou, para mim, a dimensão humana que Saramago lhe deu. No romance, o padre é um homem que está próximo de Blimunda e Baltasar, muito próximo. Tanto, que é com eles que divide o sonho e a experiência de voar.
Tão próximo que ficou muitas horas junto de Blimunda, quando ela caiu doente, quando ela quase morreu. Roía as unhas, murmurava palavras que Baltasar não entendia. Talvez rezasse! É junto a essa Blimunda quase morta que o Padre tece considerações belíssimas sobre o pecado e o perdão que reflectem um pensamento verdadeiramente superior.(Será do padre ou de Saramago?)
Um pensamento que pensa Deus misericordioso, Deus que vê directamente nos corações. “...e se os pecados forem tão graves que não devam passar sem castigo, este virá pelo caminho mais curto (....)se entretanto as boas acções não compensarem por si mesmas as más....”
(Quando Blimunda sai daquele torpor, a máquina de voar está pronta.
E voam. Voam naquele céu de que o povo tanto espera, mas para o qual pouco olha. Acompanha-os um milhafre. A máquina cai, mas os três estão sãos e salvos.)

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Isto sim, é dor!

Militar português morto numa explosão em Cabul.

Milhões de mentiras

O Ministério da Educação escolheu o dia de hoje para divulgar números que têm por objectivo atiçar a opinião pública contra os professores. Nem era preciso dar-se a esse trabalho! Mas o facto de o fazer, pode ser um sinal. Quem sabe? Quem não deve não teme!
Alunos perdem em média três aulas por semana
São três as aulas que cada aluno em média perde por semana, revela um estudo dos serviços de estatística do Ministério da Educação, ainda não terminado. Num universo de 104 mil professores houve 7,5 milhões de aulas que não foram dadas.

noticiou a TSF, logo de manhã.
Acrescenta-se: Neste estudo, o Ministério pretende apurar as faltas imprevisíveis, embora legais, excluindo as licenças de parto, maternidade, bem como licenças sem vencimento e de curta duração para efeitos de formação profissional.
As licenças de parto? Os professores são substituídos. Não pela escola, mas na "fonte", na DGRHE. A que propósito é que são referidas como fatia a excluir? E já foram excluídas? Ou ainda se encontram nestes sete milhões e meio?
Na minha escola, no meu grupo, há um docente destacado há mais de quinze anos, algures no Parlamento Europeu. Presumo que também já tenham descontado essas faltas, uma vez que, todos os anos lectivos, há uma colocação de um professor contratado para esse horário.
Descontando ainda as licenças sem vencimento e a formação, nestes sete milhões e meio, bem como os artigos cento e dois, presumo, que também não podem estar contabilizados, pois dizem respeito ao direito ao gozo de férias, resta-nos a doença e o luto!
Os números são uma atracção fatal.
A partir da próxima semana as aulas de substituição vão passar a ser numeradas e as faltas aos alunos passarão a ser marcadas, como se de uma aula curricular, dada pelo professor curricular se tratasse...
Quanto a condições... nem vale a pena falar!

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

O Regresso da Croma: a aula de superstição


Tinha de ser! Mais uma aula de substituição.
Desta vez a aula era de Matemática e os alunos eram muitos: vinte e oito.
Sem saber de que aula se tratava, muni-me de folhas brancas, com uma ideia: saber a opinião dos próprios alunos sobre estas aulas de "superstição", como um deles disse, não sei se por erro ou com intenção.
Pelo menos, pensei, há a garantia da sinceridade transparente dos dez anos!
De um modo geral, todos vêem nestas aulas aspectos positivos, como fazer os trabalhos de casa, conhecer "storas" novas, conversar e fazer alguns jogos.
Mas também não se esquecem de assinalar o aspecto negativo: não ficar a brincar no recreio, nem haver Game Boy ou Play Station dentro da sala de aula. De todos os "depoimentos" destaco um que lamentou não haver, nestas aulas, "acção como nos filmes" ou "crimes para resolver"!
Esperemos que não haja nunca!!!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Mafra e Saramago

Será Mafra ainda o destino saloio dos Lisboetas, ao domingo à tarde?
Até lá chegarmos há moinhos na paisagem e as trouxas na Malveira. Bem perto, a Olaria do Zé Franco! E o velho oleiro? Será que ainda ali está, moldando as suas figuras, oferecendo um copo de vinho e perguntando, com simpatia, se gostamos daquele lugar?
Em Mafra, terra propriamente dita, todos os caminhos vão dar aos sinos do famoso carrilhão do Convento. Ouvem-se num raio de quinze quilómetros. Os duzentos e vinte metros de comprimento tornam este monumento uma verdadeira omnipresença naqueles lugares, que recendem uma respeitável tranquilidade histórica.

José Saramago conta, na sua obra máxima, a construção deste convento e de pessoas que ao lugar e ao tempo ficaram para sempre ligadas.
Baltasar, o Sete-Sóis, ex-soldado. Perdeu a mão, tem agora para seu lugar um monte de ferros guardados. Pedinte em Évora. Na primavera, dirige-se a Lisboa. Pernoita em Aldegalega. ”Passou a noite em paz.” De manhã cedo, a maré é boa, paga a passagem e atravessa o rio. ”Na outra margem, assente sobre a água, ainda longe, Lisboa derramava-se para fora das muralhas.” Há-de seguir para Mafra, para abraçar a mãe, Marta Maria, que não sabe se o filho é vivo ou morto, por isso o julga morto ou vivo.
A mulher, Blimunda, filha de Sebastiana Maria de Jesus. Tal como a mãe, ela tem poderes: vê dentro das pessoas. Para que isso não aconteça, logo de manhã, deve quebrar o jejum, antes de abrir os olhos. Mas promete a Baltasar nunca o ver por dentro.
O Padre, Bartolomeu Lourenço, mais tarde, Gusmão, depois de ser Doutor da Igreja. Fala a Baltasar dos seus projectos de voar. Por isso, lhe chamam o Voador. Afirma-lhe que já voou, ao que o pobre replica que só pássaros e anjos voam. Ou os homens quando sonham. “...mas em sonhos não há firmeza.” Mas o Padre contrapõe: “O homem primeiro tropeça, depois anda, depois corre, um dia voará...” Mostra a Baltasar um desenho do seu engenho voador. Baltasar vê o desenho de um pássaro e acredita que o homem pode voar.

Imagem daqui
José Saramago nasceu a 16 de Novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga, Ribatejo. Teve numerosos empregos e diversas profissões: foi serralheiro mecânico, editor, jornalista... A sua primeira obra data de 1947, Terra de Pecado tendo-se seguido um longo período sem qualquer publicação.
Em 1993, já autor consagrado, retirou-se para Lanzarote, onde vive desde então, com a sua mulher Pilar.
Em 1998, a mais alta distinção literária surpreende o escritor em pleno aeroporto de regresso a casa. Vinha da Feira Anual de Frankfurt. E regressou à Feira, onde o esperavam as primeiras emoções e as primeiras rosas. As primeiríssimas, viveu-as sozinho, segundo conta, nos intermináveis corredores do aeroporto, depois de ter sido chamado ao telefone, para lhe comunicarem a razão pela qual não devia embarcar.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Amigas do Peito

amigas gif 2
Este é o cantinho a "construir" pelas Amigas do Peito para todas as amigas do peito!
Porque no peito nasce a coragem!
Porque no peito cresce o amor!
Porque esse outro peito nos representa!

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Monet

Claude Monet nasceu em Paris, a 14 de Novembro de 1840.
"J'étais un indiscipliné de naissance..."

La gare de Saint Lazare, 1877

Lugares com música

ilha do pessegueiro
Há lugares que falam, ou melhor, que cantam e que embalam os sentidos.
Havia um pessegueiro na ilha...
Mesmo que não haja nenhuma máquina que ponha a tocar a canção de Rui Veloso, a memória encarrega-se de o fazer.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Hoje fui "a Croma" de serviço!

Quando ontem ouvia o Cromo da TSF falar sobre as aulas de substituição, não sabia que estava prestes a viver essa experiência.
Trabalho no arame: uma turma de Ciências, para mim, que sou professora de Inglês!
Meninos que não são meus alunos e que, provavelmente, não voltarei a ver mais, a não ser que a professora de Ciências volte a faltar, no mesmo dia da semana, à mesma hora.

Entre outras coisas, o Sr Secretário de Estado disse, a este respeito, o seguinte: "É preciso aumentar o tempo de contacto entre os professores e os alunos, pois em termos internacionais Portugal não está bem."
Eu pensava que era preciso aumentar o contacto com os meus alunos, para os conhecer melhor, já que são quase uma centena deles. Agora, com os outros?
Acrescentou qualquer coisa como "o nível de degradação a que chegou esta questão no sistema educativo português". E a culpa, é dos professores? Não há responsabilidades noutros sectores da sociedade, noutras estruturas que não sejam a escola? E é com a imposição de medidas não pensadas em conjunto que se vai ultrapassar a questão do "nível"?

O Sr Secretário de Estado admite que se questionem as condições. Mas para a melhoria dessas condições que passam por instalações, mobiliário, material, conforto, o que é que se faz?
E não me venham dizer que o professor resiste a tudo porque não é verdade. Não é apenas uma questão de boa ou má disposição. O professor é gente e não tem nervos de ferro. Tem um corpo que acusa o desgaste com o passar dos anos, como nas outras profissões.

Tenho quase cinquenta e quatro anos. Dou aulas a alunos de dez e onze anos, que não me permitem que me sente numa carteira e debite a matéria. Tenho de andar no meio deles. Tenho de me mexer (e muito!) para controlar o ritmo da aula. Não posso deixar a alma cá fora da sala de aula, presa aos anseios normais da minha outra vida de mulher, de mãe, de amiga, de filha...
Tenho a certeza que cumpriria melhor a minha função se me poupassem a determinados números de prestidigitação, se me continuassem a dar a liberdade que até aqui me deram de responsavelmente correr os riscos todos com os meus alunos, sendo por isso inevitavelmente avaliada, por eles e pelos Encarregados de Educação.
A escola não é um espaço de crianças silenciosas e escondidas, de modo a não incomodar os crescidos, com as brincadeiras ruidosas dos recreios. A escola, como a própria aula, pressupõe a alternância de momentos mais calmos, favoráveis à concentração e de outros, mais de acordo com a necessária libertação das energias próprias de quem tem sete, dez, quinze anos, ou mais até.
Há aqui qualquer coisa que me escapa, quando reflicto sobre os verdadeiros objectivos desta política de educação.
Mas também é verdade que eu não percebo nada de política!

Check in

A Laura propõe-nos um exercício muito interessante: uma viagem faz de conta.
Não é uma viagem qualquer! É uma viagem a um lugar que fica para muitos de nós muito distante no tempo. Vão até lá e inventem uma receita de viagem, à medida do vosso desejo de rever lugares, de ressaborear iguarias irrepetíveis noutro qualquer canto do mundo e, como é o meu caso, de ressaciar os meus olhos e o meu corpo todo de mar.
Tá-tá, que quer dizer adeus, ou talvez mais um até já.
A gente encontra-se lá!Quem sabe?
Hoje é um dia especialmente bom para esta viagem faz de conta: Maputo celebra os seus 118 anos de elevação a cidade, como acabo de saber aqui.
Roubo ao Tributo a Maputo algo mais palpável do que o sonho: uma imagem!

Cromos


Vale a pena ouvir o que diz o Cromo José Pedro Gomes

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Carta a Josefa

Estas foram sem dúvida as palavras mais belas que o Nobel deu ao mundo.
Claro que não estou a ser objectiva, mas também não me parece que seja preciso cultivar sempre a objectividade, em detrimento da emoção especial que distingue cada um de nós, em função das suas vivências.
Neste texto eu reconheço a minha avó Madalena, sobretudo nas metáforas: "trave da tua casa" e "lume da tua lareira".
Por sugestão da Formiga, aqui deixo o texto do Saramago, que eu já soube quase de cor, o que admirou um dos meus filhos numa feira do livro, quando, há vinte anos, me aproximei do autor, com o Nobel ainda longe, e lhe pedi um autógrafo.
Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.
É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.

Este texto está integralmente publicado no blog "Momentos" o que me facilitou a vida...
Ao meu lado tenho o livro de crónicas onde está esta bela homenagem e a que se segue uma outra, não menos bela, ao avô. É uma terceira edição e data de Setembro de 1986. O tempo amareleceu as páginas o que me enternece mais ainda.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

"First Lady of the World"

Empenhada na defesa dos direitos humanos, Eleonor Roosevelt foi uma das operárias da construção d'A Declaração Universal dos Direitos Humanos.
"No one can make you feel inferior without your consent."- she said!
Eleonor Roosevelt morreu a 7 de Novembro de 1962!

A gratidão aparece até em forma de um selo de correio!

O gato Pinóquio

Em casa da minha avó havia um gato.
Não se mexia, era enorme e estava sempre sentado, com o ar altivo que os gatos têm.
Não era um bibelot. Era uma instituição.
Ninguém se aproximava muito do Pinóquio - era assim que ele se chamava - não fosse acontecer alguma coisa.
(Que eu nem sei bem o que é que podia acontecer a um gato parado, como era aquele.)
Um dia, não sei a que propósito, disseram-me que o gato tinha dezoito anos. Estava explicado o comportamento misteriosamente cerimonioso à volta de um gato parado! Repito: um gato parado!
Era o respeito pela idade avançada. Aqueles dezoito anos comparados com os meus seis eram uma eternidade! Era ainda mais velho que o meu primo mais velho.
Soube depois que em gato, ou outro qualquer animal, a idade ainda se agravava. Mas isso eu já ficava muito para lá do meu entendimento.
O Pinóquio era amarelo, de um amarelo desmaiado e tinha umas vagas listras esbranquiçadas ou acinzentadas, ou de uma cor algures por aí!
Era velho, descolorado, parado e triste! Mas pairava uma afeição respeitosa que todos entendíamos e respeitávamos.
Já não me lembro como é que o gato desapareceu das nossas vidas, mas tenho uma ideia de que foi uma tristeza grande para os meus avós.
Este é o único animal da minha infância, já que as galinhas não contam nestas coisas de estimação.
Infelizmente, o único animal da minha infância não me suscita outras memórias para além desta veneração um tanto triste. Tão triste que o nome Pinóquio ficou para sempre associado a este gato.
O pobre brinquedo do Gepetto não ganhou comigo o encanto merecido, por causa do outro Pinóquio.
As memórias bem arrumadas dificilmente se movem, como o gato. E se não fosse hoje uma conversa sobre um pássaro chamado Pinóquio, o gato continuaria parado no recanto da memória doce da casa da minha avó.
Logo um pássaro! Como é que se pode chamar Pinóquio a um pássaro?
catyellow

domingo, 6 de novembro de 2005

Hippies are forever

Eu sou do tempo dos hippies, do slogan "make love, not war", da moda que não era só moda de fora, era sobretudo moda de dentro, das flores no cabelo, de um pensamento projectado num mundo melhor, mais justo, "above us only sky"!
Foi um tempo de ouro porque foi o meu e o vivi! À minha maneira, na minha condição mais de espectadora do que activista, mas estive lá, nesse tempo.
O dia de hoje está ligado a uma última representação da peça musical Hair, num teatro de Nova Iorque, em 1977. Nessa altura, eu já tinha passado para o outro lado da irreverência e já estava envolvida em sarilhos de fraldas, mesmo não sendo a outra, a Iglésias.

O filme, versão muito mais acessível a todos, só chegou aos cinemas em 1979, quando os hippies estavam quase a passar para "jeeps", jovens empresários empreendedores postugueses, tema que o MEC tão bem glosou.
Mesmo assim, o filme veio reanimar um ideal que o tempo provou que ficará sempre dentro do prazo...
Basta espreitar aqui.
Teresa, isto é contigo!
Let the sunshine in!

A vida é uma caixa de chocolates...

"Life's a box of chocolates, Forrest. You never know what you're gonna get."
Ouvir esta e outras frases, observar os gestos mais ternos e mais generosos da mãe de um miúdo que tem de usar aparelho nas pernas, entre outras dificuldades, foi sem dúvida um dos momentos de cinema em que eu mais me emocionei. Senti uma ternura imensa por esta mãe, uma admiração tão grande que quase me esqueci que aquilo era "fita" e até chorei. Sally Field é a mãe desse miúdo e é ela que lhe dá a força necessária para ultrapassar todos os obstáculos.

Pensando melhor, são muitos os filmes que eu vi com Sally Field e, em muitos ela desempenha o papel de mãe, naquelas situações em que esta espécie de amor sem condições é posto à prova, com os problemas dos filhos.
(Porque os filhos nasceram para serem perfeitos e terem vidas perfeitas! Mas isso, nem nos filmes!)

Sally Field faz hoje cinquenta e nove anos!
Norma Rae deu-lhe o primeiro reconhecimento da Academia, vulgo Óscar!
Quanto a caixas de chocolates com garantia, só as que vêm de Bruxelas...

sábado, 5 de novembro de 2005

Estará por aqui alguém conhecido?

publicoalegre
Podem deixar as vossas respostas na caixa de comentários. Ou então pode contar-se ao Sócrates que o PS respondeu a outra chamada!

A língua universal

Novembro (latine, November) estas la dekunua monato de la Gregoria kalendaro. Ĝi enhavas 30 tagojn. Ĝia nomo devenas de la fakto ke ĝi estis la naŭa monato de la romia kalendaro dum marto estis la unua, antaŭ la aldono de januaro kaj februaro.

Novembro estas monato de la aŭtuno en la Norda Hemisfero kaj de la printempo en la Suda Hemisfero. La signoj de la Zodiako en novembro estas Skorpio kaj Sagitario (arkpafisto).

Novembro venas post oktobro kaj antaŭ decembro.

Novembro komenciĝas en la sama semajntago kiel marto en ĉiu jaro, kaj kiel februaro en superjaro.

A explicação do mês de Novembro, em esperanto!!!
Cá, é mais castanhas e frio!
Os dias são lindos, de um modo geral.

Pergunto ao vento que passa

“Poça, como eu gostava de ser poeta.” diz o carteiro de Neruda, guiado pela inspiração de Skármeta.
Poça, como eu gostava de ver um poeta num lugar que eu cá sei! - digo eu.
alegre
Apetece dizer uma palavra misteriosa
apetece dizer uma palavra
pode ser a incognoscível palavra rosa
ou a terrível palavra abacadabra
apetece dizer uma palavra lavra lavra.
Pode ser a palavra pa
pode ser a palavra pala
pode ser
pode ser apenas a palavra.

Manuel Alegre
Atenção que a poesia pode ser contagiosa.
No caminho para casa, ouvi na TSF que o Hotel Altis "ocolhe" esta candidatura.
Deve ser acolher com os olhos, após transformação poética!

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

É dos nossos!

É dos nossos, apesar de ter vivido grande parte da sua vida longe, como acontece com tantos dos nossos valores.

Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919.
Engenheiro de profissão, é como homem das letras que integra o património cultural da nossa língua pátria. Nem o longe quebrou os laços deste "ex-marinheiro Traído pelo mar e forçado à terra"!
Na procura de um poema, encontrei algo que me é familiar. Já me tinha vindo parar aos olhos há muito tempo.Reli com os olhos que tenho agora, mais velhos e mais fracos, à luz de um tempo pouco favorável à reflexão, ao pensamento.
Releio e faz sentido...
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.

Jorge de Sena morreu nos Estado Unidos, ao lado da mulher, Mécia, mãe dos seus nove filhos.
Foi certamente um homem amado!

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

"Contra o cultivo da insensibilidade"

Proximidade!
Próximo!
Aproximar!

A Berta é tão linda! O próximo sorriso dela vai torná-la ainda mais bonita!
Obrigada, Eufigénio e JPT pela dica!

" A regra de ouro é que não há regras de ouro!"

Disse George Bernard Shaw que nasceu em Dublin em 1856 e morreu em Inglaterra a 2 de Novembro de 1950.
Dramaturgo, por excelência, escreveu também ensaios e escritos políticos, tendo-se também distinguido como jornalista.
Em 1935 recebeu o Nobel da Literatura.
Do seu testamento constava um herdeiro: a língua inglesa. Pretendia que se inventasse um novo alfabeto inglês, cuja base fosse a Fonética.
A peça que quase todos conhecem, graças às adaptações ao teatro e ao cinema, trata esse seu desejo: Pigmalião.
Tudo começa numa noite cheia de chuva, depois de uma saída do teatro, perto de Covent Garden.
Uma florista tenta vender os seus raminhos às pessoas chiques, que se abrigam da chuva súbita e tentam apanhar um táxi. A florista fala como sabe. Ninguém lhe ensinou mais, nem melhor. De repente, assustada, descobre que um cavalheiro aponta o que ela diz. A sua imaginação sem pecado conclui que se trata de um polícia e brada aos céus a sua inocência. Grita cada vez mais, à medida que o tal cavalheiro lhe vai revelando, com segurança, pormenores da sua origem. E não só! Outros, por ali, vêem escancarada a sua proveniência, as suas terras, os seus bairros e até as suas ruas.
Este cavalheiro é o Professor Higgins, dono de uma sabedoria tão insuportável como o seu mau feitio, a sua arrogância.
"She's so deliciously low. So horribly dirty." Frases como esta revelam-nos a falta de humanidade de Henry Higgins.
Talvez Bernard Shaw tenha exorcizado neste professor as suas angústias linguísticas!

"Here, you be careful. There's a bloke there behind the pillar taking down every blessed word you're saying."
Imagem e fala daqui.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Lidar com a falta de fim...

inacabado
O que é a vida senão uma sequência de projectos?!
Veremos alguns acabados e serão alento para novos projectos e para a aceitação da vida, com as suas ordens e desordens próprias.
Outros ficarão, para além de nós, incompletos, inacabados, mas cheios de alma, repletos do desejo que não se cumpriu, ainda muito bem fornecidos de sonho.
Com essas obras continuaremos a dialogar, de vivo para vivo...
Na imagem: tela que o meu pai começou.