domingo, 30 de abril de 2006

A fama ao serviço do humanitarismo

Clooney é a fama, é o sucesso, é a perfeição. Clooney é uma estrela e hoje as estrelas têm também a incumbência de obrigar uma certa humanidade, do lado de cá da fome, a pensar noutra certa humanidade, quase do lado de lá da vida.
Acompanhado pelo pai, Clooney visitou os campos de refugiados que, de acordo com o que disse e viu, nem campos de refugiados são.
«não podemos virar a cabeça e olhar para o lado esperando que de uma maneira ou de outra tudo isso vá desaparecer, porque se o fizermos, é o que vai acontecer-lhes. Eles vão desaparecer».
(...)
«toda uma geração já não estará lá e só ficará a História para nos julgar».

E podemos dormir descansados?

sábado, 29 de abril de 2006

Hitchcock, o Mestre

O medo e o sofrimento são sem dúvida aspectos da vida com que lidamos mal. São adamastores sempre preparados para encalhar os caminhos que traçámos e que nos deveriam fazer chegar às boas esperanças.
A imagem serve talvez perfeitamente.
Todos empreendemos os nossos imensos percursos; todos os preenchemos de mil cabos bojadores, ou outros; todos sonhamos índias recheadas de especiarias que nos ensinarão outros sabores e outros cheiros; vencemos ou não vencemos os gigantes que nos atrapalham os sonhos? Eis a questão!
Os filmes de terror funcionam nos tempos modernos como laboratórios de emoções! Já Aristóteles tinha as suas teorias sobre o terror e a piedade, na tragédia grega.
Sir Alfred Hitchcock disse que o público deve sofrer o mais possível! Alertava também para o alívio, a que chamou prazer, que o público também sente por saber que não é verdade, que aquilo é só uma "fita".
Ele próprio aparecia no ecrã para o dizer.
itsonlyamovie4
O seu negócio era este: brincar ao medo!!!
Hitchcock morreu a 29 de Abril de 1980.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

A explicação que faltava

Graças a alguém que estima este reduto de afectos - em que as pessoas ainda se tratam bem, onde dispensam, na maioria dos casos, a agressividade dos dias normais - dizia eu que, graças a alguém, chegou ao meu conhecimento a tal explicação científica! Obrigada, Chuinga Swing.
Chora Que Logo Bebes ou Chora-Que-Logo-Bebes é o nome da aldeia onde nasceu João sem Medo, protagonista das Aventuras de João sem Medo de José Gomes Ferreira. A aldeia, onde se gela e os homens ganham verdete, é habitada por pessoas tristonhas e chorosas.
O nome desta povoação fictícia corresponde, possivelmente, a uma alteração do provérbio, ou expressão popular, canta que logo bebes. O sentido que se dá a este provérbio em algumas aldeias transmontanas está associado à possibilidade de todo o esforço ser recompensado.
A alteração feita, transformando o verbo cantar em chorar, assenta nas cara(c)terísticas inusitadas da aldeia. Se, cantando, a garganta pode secar e beber poder ser considerado uma recompensa, chorando tal não acontece e beber torna-se desnecessário. Desta forma, o próprio nome da aldeia contribui para a construção de um mundo às avessas como é o de Chora-Que-Logo-Bebes, aldeia habitada por gente infeliz e que está separada da Floresta Branca, onde moram os sonhos e os mitos, por um muro no qual está escrito o seguinte aviso: É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir. É esse muro que João sem Medo vai saltar para viver um conjunto de aventuras e regressar convencido de que vai conseguir mudar a sua aldeia, mas acaba enriquecendo a produzir e vender lenços de papel!
Embora concebida para crianças, a obra é interpretada como sendo uma alegoria ao Portugal do salazarismo.
Refira-se ainda que existe uma página na Internet, que tem como título o nome da terra natal de João sem Medo: chora-que-logo-bebes.blogspot.com/" TARGET="_blank">chora-que-logo-bebes.

Edite Prada , no Ciberdúvidas, de Outubro de 2004
Eu dei,no primeiro dia, a minha explicação.
Mas já lá vão quase dois anos.
Isto quer dizer que tenho de começar a pensar na festa de aniversário do Chora, como é conhecido entre os "íntimos" :))!

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Inesquecível Guernica

Passei em Guernica e já não vi nada, porque já passaram também em Guernica muitos anos, depois do bombardeamento a 26 de Abril de 1937, assim descrito pelo Times, no dia seguinte:
"Guernica, a mais antiga cidade das províncias bascas e o centro da sua tradição cultural foi ontem completamente destruída por um ataque aéreo dos rebeldes. O bombardeamento da cidade desprotegida, situada muito atrás da linha de combate, durou exactamente três quartos de hora. Durante este lapso de tempo uma forte esquadrilha de aparelhos de origem alemã - aviões de bombardeamento Junkers e Heinkel, assim como caças Heinkel- lançou ininterruptamente bombas com 500 kilogramas, sobre a cidade. Simultaneamente aviões de caça em voo picado rasante atiravam com metralhadoras sobre a população que tinha fugido para os campos. Num curto espaço de tempo toda a cidade estava em chamas."
Era dia de feira na pequena cidade e vinham pessoas das redondezas para vender e comprar. Neste dia vieram para vender a vida e comprar o sofrimento. O número de mortos e feridos ter-se-ia diluído na História se Picasso não tivesse pegado nesta dor e não a tivesse pintado com os tons escuros da sua própria dor. A pintura "é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo." disse Picasso.
Guernica imortalizou-se na Exposição de Paris e só regressou a Espanha, muitos anos depois da morte de Franco, condição exigida pelo próprio Picasso que assim mantém viva a consciência da guerra, mesmo quando são os pequenos. os alvos de uma fúria sangrenta e sem sentido.
esboço
O Museu do Prado prepara a comemoração da chegada de Guernica a Madrid.
Imagem e texto da notícia, da publicação Taschen, dedicada a Picasso.

terça-feira, 25 de abril de 2006

domingo, 23 de abril de 2006

Celebrando Shakespeare e o Amor!

Um dos testemunhos mais belos do amor vem do dramaturgo inglês Shakespeare: Romeu e Julieta. Dois adolescentes tragicamente apaixonados dão, para sempre e ao mundo inteiro, o exemplo do amor inevitável e irreversível. Por isso, forte.
Duas famílias rivais que estendem os seus ódios aos servos habitam a mesma cidade: Verona, cujas ruas se mancham constantemente de sangue, derramado em violentas rixas, entre partidários de Montéquio ou Capuleto*.
Numa noite de festa, o único filho dos Montéquio, Romeu, entra no palácio dos Capuleto, em busca de uns momentos com a sua amada Rosalina. Romeu não conhecia Julieta que estava já prometida a Páris, apesar da idade menina: catorze anos. Mas o destino tece estas malhas e Romeu apaixona-se por Julieta, assim que a vê. “Oh! Ela ensina as luzes a arderem com esplendor.” A bela menina não lhe resiste, pelo contrário, entrega-se a um amor que ela sabe condenado pelas famílias de ambos. “Renega o teu pai, muda de nome; se não queres fazer isto, jura amar-me e deixo eu de ser Capulet.”
Há uma ama dedicada, cúmplice deste amor, não para contrariar os ricos amos nem para ganhar favores através da jovem Julieta. É o testemunho da dedicação das velhas amas, dos tempos dos castelos e palácios. Ela conhecia a sua menina melhor o que a própria mãe. Dá conselhos sábios, tentando proteger os jovens amantes. “Que Deus do céu vos abençoe.”
Um outro cúmplice é o Frade Lourenço, alquimista e clérigo de coração enorme, que os casa em segredo.”Queira Deus que os sorrisos do céu baixem favoravelmente sobre este santo acto...”
Mas...numa rixa de rua, Tibaldo, primo de Julieta, morre às mãos de Romeu, depois de ter ferido de morte o seu melhor amigo, Mercúcio. Não tivesse Tibaldo provocado Romeu e sido ele próprio o assassino de Mercúcio, a pena de Romeu podia ser outra. Assim, tendo em conta atenuante da provocação, o jovem e apaixonado marido é simplesmente exilado para Mântua.
O frade desenvolve então um plano. Julieta deverá tomar uma poção que a deixará aparentemente sem sinais de vida, durante quarenta e duas horas. Entretanto, o frade enviará um mensageiro a avisar Romeu de que se trata apenas de uma estratégia para unir as famílias desavindas. Confiante no bom senso de ambos os senhores, acredita o frade que as famílias aceitarão aquele amor.
Mas, mais uma vez o destino tece as malhas da desgraça e Baltasar, servo dedicado de Romeu, ignorando que a morte de Julieta é um fingimento, uma morte aparente, dirige-se a Mântua, para lhe dar a infeliz notícia. Imediatamente Romeu regressa a Verona. Romeu e o mensageiro, Frei João, não se chegam a encontrar.
Chegando ao túmulo de Julieta, Romeu é surpreendido por Páris. Brigam e Romeu mata Páris. Depois declara a Julieta novamente o seu amor e despede-se dela. Toma então a poção letal que trazia consigo, caindo sem vida ao lado da amada. Quando Julieta acorda e se apercebe de tudo o que aconteceu, nada mais tem a fazer senão espetar o punhal de Romeu no seu coração. As famílias reconciliam-se finalmente, tal como o Frade havia previsto, mas demasiado tarde para os dois jovens.
Shakespeare imortalizou este amor, este par apaixonado e esta cidade italiana, Verona.
varjul
A casa de Julieta pode ser visitada, mesmo sem haver qualquer certeza de ter pertencido a Julieta ou à família Capuleto, família essa que existiu realmente, tal como a família Montéquio. É um lugar muito visitado pelos turistas que acreditam estar nos mesmos lugares desse belo e grande amor. Uma estátua de Julieta, no pátio e a varanda, por onde Romeu terá aventureiramente entrado em casa da Julieta, completam o cenário do amor.varaeu
Shakespeare nasceu a 23 de Abril de 1564 e morreu a 23 de Abril de 1616.
Nesse mesmo dia morreu Cervantes.
Deve ter sido um dia muito complicado para entrar no Céu!
* Optei pelo aportuguesamento dos nomes italianos da peça de Shakespeare.

sábado, 22 de abril de 2006

Casamento


Com ou sem casamento, a chave é esta, sem dúvida!
Em todos os sectores da vida, a chave é esta, sem dúvida!
Esta manhã, a minha sobrinha Ana e o Hugo deram o nó. Resolveram estender a emoção ao dia seguinte. Amanhã é a festa!
Hoje foi a cerimónia civil, sóbria e muito molhada pela chuva que, segundo o ditado, abençoa os noivos. Surpresa: já não é preciso assinar nada. Basta os presentes testemunharem o acto e a expressão clara da vontade espontânea de casar- aí a Senhora Conservadora não admitiu um sim qualquer!- e já está.
Casaram!
Que se cumpra o resto das histórias encantadas e sejam felizes!

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Parabéns, Tia!

A vida real também tem glamour.
Olho para trás, visito o tempo em que fui menina e lá está o glamour na imagem da minha mãe e da minha tia, mulheres reconhecidamente bonitas e que sabiam pôr a sua beleza ao serviço do bom-gosto.
Tive outras tias, mas aquela a quem hoje me refiro, preenche a minha memória mais antiga: o dia do meu baptizado. Há um "flash" em que me vejo a sair de um carro para o colo da minha tia, junto à Sé de Lourenço Marques. Tinha pouco mais de dois anos.

E para quem não acredita nestas coisas das pessoas se lembrarem até tão longe, localizo este momento junto a um edifício que é hoje, presumo, um Hotel: o Hotel Rovuma!
imagem daqui
Para além de bonita, a minha tia era, e é, especialmente meiga e doce. Nunca, mas mesmo nunca a vi zangada. Triste, sim! As dores dos outros passavam por ela, como se fossem suas. Mas zangada, nunca! Coube-lhe sempre o papel de moderadora de conflitos, por isso mesmo.
Ter uma tia é de facto uma benção. É uma relação muito especial, cheia de ternuras e cumplicidades em que as altas responsabilidades da educação dos pais não interferem. É no colo de uma tia que se choram as incompreensões de que julgamos ser alvo por parte dos tais seres que nos deram a vida. E é do coração de uma tia que vêm as certezas absolutas que precisamos em momentos de insegurança. O afecto de uma tia não exige retribuição. O afecto das tias é generoso e basta-se a si próprio.
A tia, que tanto me adoçou os dias, faz hoje anos.
Parabéns, Tia Odete!

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Sinais

Fernando Alves falava hoje, nos seus sinais, das doenças profissionais desta gente que vive da escrita, "o reumatismo e as cãibras do ofício".
Penso que já me ocorreu a incapacidade de escrever. Sobretudo, pensando na ginástica dos dedos, na coordenação motora, na escrita à mão. Confesso que nunca me lembrei de incapacidades nestes escritores de hoje, que se socorrem do teclado tão útil, tão prático e tão legível para todos, o que já não são as caligrafias, com muitos quilómetros de escrita.
Confesso que penso pouco em doenças profissionais e nas incapacidades que provocam.
Ou melhor: pensava pouco. Hoje, penso mais.
Hoje, 19 de Abril, penso mesmo muito, porque me doem os braços, as pernas, o joelho arde e está escalavrado de um "espalho" que dei à porta da escola.
Até aqui, até ontem, eu corria em cima do som da campainha e nunca me acontecia nada. Ontem corri e espalhei-me. Nada de grave. Levantei-me e veio-me à ideia o orgulho dos velhos que não querem ajuda para subir ou descer escadas, que batalham para sentir a autonomia percorrer-lhes os músculos à velocidade do pensamento.
Sorte a minha: apenas uma espectadora, que solicitamente se prontificava a ajudar-me. Quase morri de vergonha, o que me fez esquecer algum estrago maior.
Lavei as mãos e fui para a aula. Não sei se tinha alguma marca visível. Eu achava que não, pois felizmente a ganga resistiu às areias que me esfolaram o joelho. Resistiu e protegeu. Não sei se tinha alguma marca visível, mas os miúdos portaram-se muito bem, criando-me a dúvida de terem assistido e poderem estar acometidos de bons sentimentos que afinal ainda existem.
E as incapacidades também. Umas mais físicas, outras menos físicas. Mas existem!

terça-feira, 18 de abril de 2006

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Os manuais escolares

Andam em grande confusão editores, autores, livreiros e ministros, por causa dos manuais escolares. Nem vou entrar nessa discussão! Não quero!
Aqui, neste espaço, só me quero divertir, acrescentando à minha vida perfeitamente normal uma dose de pecado, isto é de prazer...
E o que eu me ri quando descobri este texto do meu livro da terceira classe..
Está nele a marca de um tempo e por isso me dou ao trabalho de o transcrever.
Chama-se: A felicidade pelo estudo
Desde pequenina, a Maria de Fátima gostava de ter os vestidos arrumado e limpos.
De vez em quando, lá deixava algum brinquedo fora do seu lugar; mas bastava uma pequena advertência da mãe para pôr tudo como devia.
Na escola, desde a primeira classe que tem merecido a simpatia da sua professora pela pontualidade com que todos os dias comparece, pela prontidão com que faz os exercícios, pela boa vontade com que escuta os seus conselhos e pelo arranjo e asseio dos livros e dos cadernos.
Não é muito inteligente, mas é das que mais sabem. E o seu amor ao estudo tem-lhe conquistado a amizade e o respeito das condiscípulas.
Os pais julgam-se felizes por terem uma filha assim.
Que prazer eles não terão quando ela fizer o exame da terceira classe!...

domingo, 16 de abril de 2006

Boa Páscoa, boa mesa!

bolochoc
Claro que o bolo de chocolate tem a dedicatória do próprio João Carlos Silva que é:
"Faça o favor de ser feliz!"
O livro já tenho. A dedicatória também. Só falta mesmo o chocolate de S.Tomé!

Happy birthday, Sir!


"I'm sorry, but I don't want to be an emperor. That's not my business. I don't want to rule or conquer anyone. I should like to help everyone if possible; Jew, Gentile, black man, white. We all want to help one another. Human beings are like that. We want to live by each other's happiness, not by each other's misery. We don't want to hate and despise one another. In this world there is room for everyone, and the good earth is rich and can provide for everyone. The way of life can be free and beautiful, but we have lost the way."
Não sei se foram estas as palavras (do barbeiro judeu) que suscitaram um longo aplauso do público que assistia à exibição do filme "O grande ditador". Se não foram estas podiam ter sido, pois todo o filme é a apologia da liberdade e da solidariedade que devia reger as vidas dos homens, qualquer que seja a sua pele, o seu pensamento ou a sua crença.
Só a sua própria crença nos valores da humanidade o poderiam levar a assumir inteira responsabilidade neste filme.
Thank you, Sir!De acordo com as suas próprias memórias, Charles Spencer Chaplin nasceu " a 16 de Abril de 1889, às oito horas da noite, na East Lane, em Walworth."

sábado, 15 de abril de 2006

Esplendor eterno

Foi este um dos filmes da Natalie Wood que mais me marcou: Esplendor na Relva.
Vi-o em Lisboa, no Monumental, no antigo Monumental, numa daquelas sessões clássicas.
Ficou-me o filme colado ao poema de William Wordsworth, que já ouvira, na faculdade:
Though nothing can bring back the hour
Of splendor in the grass, of glory in the flower
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;

Está a dar na RTP 2!

sexta-feira, 14 de abril de 2006

A esperança

A esperança é uma virtude. A esperança tem virtude. A esperança é uma força e dá força. É da família do verbo esperar e sugere felicidade.
Muitos depositam a sua esperança na descoberta da cura de certas doenças e essa esperança tornou-se mais intensa com o anúncio de estudos que podiam decifrar geneticamente a dor e afastá-la, talvez para sempre...
Há três anos, foi anunciada noventa e nove por cento dessa esperança.

Imagem daqui

Eu, pecadora...

Há a ideia generalizada de que a virtude e o prazer não podem coexistir no mesmo plano de consciência. Ou um. Ou outro. Os dois, é que não!
Por isso, quando o prazer ataca o sentido, seja ele qual for, a virtude não assoma aos olhos de ninguém. Quando a virtude acena, o prazer normalmente ausenta-se...
Um dia, ouvi um padre, meu colega de Moral, dizer que o que é bom ou é pecado ou faz mal ao fígado. Pelos vistos, a originalidade do pensamento só a mim me apanhou desprevenida.
Fiquei, desde essa altura, de sobreaviso...
Já estava, assim, à espera que, mais dia, menos dia, viesse à tona mais uma remessa de pecados.
Se isto é bom e dá prazer, só pode ser pecado.
Espero, pelo menos, que não seja pecado mortal!
albvaranda
Voltei.
Deslumbrei-me, como sempre, com o azul do mar que avisto ao longe, com o azul do céu que me perdoará todos estes pecados!
E esta luz? Torga diz que "é uma indolência universal, despida".
Se até a luz se compraz na ausência da virtude, como poderemos nós resistir a tanta tentação?!

domingo, 9 de abril de 2006

TeVer

Quanto tempo vou ficar (tele)dependente do Dr House?
Não sei, mas, se me conheço bem, isto não dura muito.
Em abono da verdade devo dizer que o Dr House foi para mim uma surpresa, sobretudo pela personagem construída "muito à base" da vilania, muito mais próximo do anti-herói do que é habitual neste tipo de séries televisivas. Mas isso nem é novidade e, cansados que estamos de heróis que não nos resolvem problemas nenhuns, exactamente por serem ficção da mais pura, o anti-herói vence a nossa indiferença e eventual repulsa televisiva, pois apenas contorna algumas limitações do real. Torna-se mais verosímil, logo mais próximo, logo mais desejável, para bom consumo, em dias de muita descrença...
E há ainda o actor Hugh Laurie: muito britânico no seu inglês e muito britânico no seu porte altivo e algo arrogante, que se confunde com a construção da personagem, mas que a mim me parece muito próprio de uma certa camada social e cultural*! Nascimento mais de acordo com esta personificação do Englishman não podia haver: Oxford! Percurso escolar totalmente a condizer: Eton, Cambridge! Até o desporto diz desta sua condição: remo.

O que eu não consigo mesmo entender é a vida sentimental do Dr House. É que a Fox não passa os episódios de acordo com a ordem cronológica. É "ao calhas"!!!
Eu acho que ele devia ficar com a Dra Cameron. Ela está caidinha por ele e, como diz a Dra Cuddy, é capaz de ser a única capaz de suportar o mau feitio do Dr House. Por outro lado, ele ainda tem um "fraquinho muito forte" pela ex-mulher, que entretanto o trocou por um homem mais afável, mais simpático. Não sei se ela lucrou com a troca, já que confidenciou ao próprio Dr House que ele é que é o tal, "the guy", disse ela.
Ora, a Dra Cuddy já participou ao Dr House, cujo baixo rendimento - ou produtividade, como agora se diz - anda na mira do benemérito presidente do Conselho de Administração, dizia, a Dra Cuddy já participou ao Dr House que a ex-mulher vai trabalhar para lá. Mas tem de haver a anuência do ex-marido. "Complicated!" Ainda por cima, "ao calhas", nem sei o que acontece primeiro e o que acontece depois.
E depois como é que posso retribuir, nas conversas acaloradas sobre a Margarida Rebelo Pinto? Assim não dá! Até porque não há coincidências!
* I refer to British people, of course!!!!

sábado, 8 de abril de 2006

E foi-se a Liberdade!

Ainda não, ainda não! Mas está quase!

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Fiz a avenida rasgada, comprida,
qual estrada florida
num hino à claridade!

Imagem daqui.
O poema que Villaret diz, fala de Rosa Araújo um "popular e benemérito presidente da Câmara Municipal de Lisboa" que projectou a Avenida da Liberdade, o que na altura deve ter causado engulhos a alguns. Porque engulhos há sempre! O Portal da História dá-nos conta da protecção que foi preciso fazer aos trabalhadores para evitar agressões dos mais exaltados defensores do Passeio Público de então.
"O próprio Presidente teve de ir para casa escoltado pela cavalaria."
Vale a pena aprofundar o conhecimento deste homem que teve fama e o respectivo desproveito de uma imensa generosidade.
Morreu no princípio de 1893, com cinquenta e dois anos apenas. O seu enterro foi o primeiro a passar pela Avenida. Foram imensas as merecidas honras que lhe prestaram nesse dia e até crianças dos Asilos do Campo Grande e da Ajuda estiveram presentes.
Quanto ao Metropolitano: foi inaugurado a 29 de Dezembro de 1959 e este texto não deve andar longe da idade do primeiro troço.
No fim de tudo, cavaram, furaram, para abrir um canudo e foi-se a Liberdade!

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Almada Negreiros


"(...) quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa - salvar a humanidade."
(A Invenção do Dia Claro)
Posso procurar muito e encontrar muito sobre Almada, mas nada me causa a emoção do "Cágado".
Guardei-o aqui, neste baú.
Almada, o do "Morra Dantas! Morra Pim!", que a minha amiga Angélica tanto citava, nasceu a 7 de Abril de 1893, em S. Tomé. De lá trouxe, ainda muito pequeno os olhos imensos "para ver o mundo", sabendo que o mundo que lhe ofereciam não lhe chegava, tal como o tempo não seria o suficiente, feitas as contas, para ler tudo o que queria ler, tudo o que havia para ler.
Uma arte, um talento não lhe chegavam também. Foi escritor e artista plástico.
Poeta também, capaz de uma ternura universal:
"Mãe, quando tu passas a mão pela minha cabeça é tudo tão verdade!"