segunda-feira, 9 de julho de 2007

Altos e baixos

Para além de termos o nosso bocado de médico e a nossa dose de loucura,(Que faríamos sem ela?), somos também um bocadinho de filósofos de feira popular.
Não tivemos já todos, ou quase todos, a tentação de comparar a vida a uma montanha russa, que nos leva até uma altura de onde se cai vertiginosamente, para, graças ao engenheiro que engenhou aquele engenho, tornarmos a subir e a descer, e a subir e a descer, e a subir e a descer, até ao fim da viagem?!
Descendo ainda mais no nível filosófico, baixando mesmo até ao cordel, diria que a vida é como as limpezas de verão: descobrimos o que queremos e o que não queremos, encontramos tudo o que anda perdido nas nossas casas que guardam tantos anos de tantas vidas traduzidos em recordações, souvenirs de viagens que jamais (mas aqui é jamais mesmo!) viajaremos. Tudo misturado com pó que nos suja a nossa reputação de limpeza absoluta. Depois, ainda há aquela teoria de que as casas impecavelmente limpas e arrumadas são museus sem vida e nós, seguinores dessas balelas, acabamos por também contribuir com a nossa santa preguiça domingueira, ou de outro dia qualquer, para que as casas tenham este ar de feira da ladra.
Mas o dia da limpeza chega sempre e as tais descobertas também.
Hoje foi o dia de descobrir os meus desenhos do quinto ano do Liceu com uma assinatura que me faz arrepiar de ternura e de admiração: a do Professor João Paulo, ilustre pintor moçambicano. Não é como ilustre pintor que eu o recordo. quando o recordo, quando penso nele vem-me sempre à lembrança um homem muito intranquilo.
Com ou sem razão todos os homens de talento são inquietos.
Mas a sua agitação não era de modo algum incompatível com a condição de professor, com a disponibilidade de professor de pôr ao serviço dos alunos o seu saber.
Recordo-o com ternura e admiração, mesmo com o oito que trouxe até este "espaço".
Fui a exame com 10, 10, 9. Lá, no exame, no Liceu Dona Ana da Costa Portugal, a desenhar uma cadeira ou uma peça de barro em cima de uma cadeira, ou lá o que foi, ganhei um doze. Esse doze era a prova de que o Professor João Paulo foi o meu Pigmalião da cor e do traço: treinou-me no essencial, para que não me saísse mal na prova final.
Obrigada, Professor!
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O desenho á vista. Este não tem nota, mas tem assinatura.
A eis o oito!
o meu 8
E o "oito" mesmo!
o oito
Nem me lembrava do oito, nem dos desenhos. Lembrava-me sim das aulas e do tal homem tão humanamente desassossegado!
São estes os tais souvenirs que nos guardam as nossas memórias de viagem. Guardamo-los em sítio tão seguro que só são encontrados quarenta anos mais tarde!
Finalmente a assinatura do professor: um autógrafo muito real!
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sábado, 7 de julho de 2007

As novas maravilhas

A primeira nova maravilha, anunciada por um homem que maravilhou a minha geração: Neil Armstrong.
A Grande Muralha da China!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Em verde e sombra

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O tempo aqueceu e, como sempre, o nosso corpo reclama!
Se quer sentir-se melhor, procure um Hyde Park perto de si.
Há sempre um Hyde Park desconhecido à sua espera.
Este é aqui, no meio do deserto. Não tem é Speakers' Corner.
Aliás, é até proibida a circulação de qualquer "arado com rodas", pois pode estragar-se o ramalhete, como estas hortenses tão belas e tão protegidas dos raios perigosos emitidos a partir do astro-rei.
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A cor violeta das flores não deve ser compatível com os raios do mesmo nome!
Os verdes por aqui estão muito apetecíveis mas eu acho que vou procurar os tons de azul para outras paragens mais afastadas de uns desertos e mais próximas de outros.
Até já!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

(...)

"I can look pretty damn good for my age. But my God, that's not the whole story. I'm a much better actress, I'm a mature woman and I have so much more to offer."
Raquel Welch
Pois é, Raquel, eu também detesto quando me dizem que eu estou muito bem para a minha idade... Quer dizer que a idade se nota mesmo bem e os efeitos, não me venham com "tretas", não são nada fáceis de aceitar.
Imagem daqui.
Frase tirada do sítio da Oprah!

Ser ou não ser

Ser ou não ser fã da Oprah é o meu novo dilema.
É novo pois eu nem sabia quem era a Oprah e muito menos imaginava que fosse autora de um programa de TV, um talkshow. Quando soube fiquei de pé atrás. Tenho deste mundo da TV uma ideia que não é assim tão boa, sobretudo quando os programas elevam determinadas pessoas às alturas de um estrelato, para o qual não estão sequer preparadas, e assistir ao sobe e desce destes mitos não me desperta nenhum interesse especial.
Como nem sabia que já tinha Sic Mulher, passei muito tempo sem poder participar nas animadíssimas conversas sobre a Oprah.
Mas eis que a pobreza televisiva dos nossos canais principais me levou a tentar perceber o mundo da Oprah.
E estou a gostar!
Ontem, dois convidados e duas causas deixaram o meu coração mais macio, com vontade de acreditar num futuro melhor: a causa dos pijamas e a causa dos livros.
O projecto de Oprah passa também pela escola, pela educação, sobretudo das raparigas.
Está aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

É a vida!

Curioso, o "Chora", numa tentativa provavelmente pouco conseguida de chegar aos calcanhares da Revista Caras, espiolhou e encontrou uma história de vida e de morte que ilustra o dia, o já tão célebre dia, 4 de Julho!
Não interessa nada a não ser como ilustração da não menos célebre questão quase existencial: há ou não há coincidências.
(A MRP diz que não!!!! Mas eu não li o que ela diz sobre o assunto, para além do título!)
(Com ou sem coincidências, são imensas as situações da vida que fogem à nossa capacidade de determinar. E todos um dia recebemos uma transfusão de humildade que nos repõe os níveis de humanidade. Pelo menos, durante algum tempo.)
O sítio da História conta então que dois ex-presidentes do Estados Unidos, rivais e diferentes, morreram no mesmo dia, com cinco horas de diferença.
São eles Thomas Jefferson e John Adams!Conta o mesmo sítio da História que, passadas as rivalidades inerentes à vida política activa, mantiveram durante os últimos catorze anos de vida uma correspondência amigável.
Adams, diz o sítio, no seu leito de morte, na sua lucidez de resistente, terá pensado em Jefferson, dizendo que este lhe sobrevivia. Enganava-se. A morte tinha passado cinco horas antes por Monticello, para levar Jefferson.
Monticello vale a visita e, como todas as casas, pode dar-nos a conhecer melhor o seu proprietário.
E como a História é às vezes mais surpreendente do que uma novela mexicana e admite todas as coincidências, outra pesquisa mostrou-me que foi um bisneto de um português de Idanha-a-Nova, quem reconheceu o valor, a riqueza de Monticello e lançou mão à obra de um projecto de recuperação.
Se continuasse a pesquisar muito mais iria encontrar, certamente!
Resta saber se chegaria a alguma conclusão acerca de haver ou não coincidências!!!

Imagem daqui

terça-feira, 3 de julho de 2007

Não sei porquê mas...

Mas este dia de Verão faz-me lembrar a cantiga que o Carlos Mendes levou ao festival da Eurovisão: o Verão já terminou. Foi um sonho que findou...
Foi em 1968.
Sejamos positivos: vamos acreditar que a vida ainda nos presenteia com uma Festa um dia destes!
Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam pendas de alegria
E a festa dure até ser dia...
É sem dúvida um belo poema do José Niza e o Carlos Mendes cantou-o bem.
Recordo que foi o nosso melhor êxito no Festival, isto é, o nosso melhor lugar.
Dá gosto recordar!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O S. Pedro também já se acabou!

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Agora é o desfazer da festa.
Primeiro são os feirantes que arrumam aquela mercadoria toda e aí vão eles para outras festas. Depois são as atracções que dão à zona das festas um ar de Luna Park, que me atiram para esse tal tempo em que o Luna Park tinha o seu quê de magia, no carrocel, que passava logo a prova de coragem na montanha russa e no chicote.
Há algodão doce, que sabe ainda a infância e pipocas que, pelo menos para mim, perderam conotações mais felizes.
Essas maquinetas e seus barulhentos motores desandam com facilidade, graças às pequenas dimensões.
As farturas são definitivamente a atracção máxima das feiras. Chega-se lá pelo faro. Sem farturas, as feiras seriam definitivamente uma "maçada".
Finalmente o último "despreparativo": desmontar os enfeites, levá-los e guardá-los.
E os lugares voltam à monotonia de todos os dias, com mais ou menos sol, mas todos os dias iguais.

domingo, 1 de julho de 2007

O Nome do Cravo

O Cravo chama-se Salgueiro Maia. Chamar-se-á pelos tempos, implodindo o esquecimento dos dias da liberdade, dos dias dos cravos vermelhos que floresceram, naquele Abril, no Largo do Carmo, nas armas e nos cantos, nas palavras e nas mãos dos soldados, dos homens e das mulheres.
Em nome desses dias, obrigada Capitão!Imagem daqui.
(1 de Julho de 1944, Castelo de Vide - 4 de Abril de 1992, Santarém)

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Nunca pensei...

... poder produzir um post de uma sala de espera de um dentista.
Ás vezes até penso que estou em casa, dada a semelhança dos barulhos que me ocupam a concentração, ou desconcentração, que preciso para estar aqui.
É que há ruídos de brocas, como no segundo andar do prédio onde moro.
Também há marteladas.
Por enquanto ainda não vi sair ninguém com ar de ter sido submetido a obras de remodelação muito profundas que justifiquem a existência da banda sonora das obras.
Eu, hoje, não sou paciente. Quer dizer, sou paciente, não sou é doente...
Sou acompanhante.
Vá lá que têm este computador na sala de espera. Bem pensado!
Estou aqui!
Há métodos e métodos...

Imagem daqui.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Dignidade, pede-se!

Ontem, na Ordem dos Economistas, mais uma vez, um elemento deste governo socialista errou!
Pensando melhor, pecou, no sentido moral que a palavra tem: para compor bem a sua ironia, recorreu aos pobres, dizendo que a estes podiam ser dados os medicamentos fora de prazo. Não ouvi mal. Foi o que o Senhor Ministro disse e o que a TSF passou, nos noticiários da uma e das duas da manhã.
Em debate estava o desperdício de medicamentos e consequente desperdício de dinheiro. Alguém, da plateia, levava um saco de medicamentos fora de prazo cujo valor em dinheiro perfazia mil e setecentos Euros. Não percebo de determinados assuntos e nem sei como se pode evitar tamanha aberração, mas não é certamente com a resposta que o Senhor Ministro deu, como já disse, recorrendo aos pobres, para melhor compor a sua figura de estilo: a ironia.
Falou de uma Associação que eu presumo esteja relacionada com as Farmácias e, para agravar mais esta insensibilidade, o Senhor Ministro falou de pobres da quinta e da sexta...
A jornalista terminava a peça dizendo que se falou "francês". Mas a mim parece-me que está em causa mais do que uma "gaffe". Está em causa a dignidade da condição humana.
Pensei então no Partido Socialista, nos seus princípios ideológicos, nesse partido onde me inscrevi em 1975, consciente de que esta era mais do que uma opção partidária: era o lado da humanidade onde eu queria estar. Era o lado dos mais fracos e eu acreditava que podia defendê-los, quanto mais não fosse pelo exemplo, pela palavra, pela solidariedade.
Mas os pobres estão cada vez mais pobres e até os que o não são em termos materiais se sentem empobrecidos em valores e em ideal!
Que país terá a geração que se segue?

terça-feira, 26 de junho de 2007

And the winners are....

A Azulinha, para além de ter dado à luz e ao mundo duas meninas e um menino, "parturiou" a ideia de uma distinção mais brilhante do que as distinções de Hollywood, pois vamos falar de princípios de princípios.
No princípio era o verbo, diz a Bíblia.
Logo a seguir, deve vir o ovário.
O ovário é um orgão recatado que se aninha num colo de mulher, logo assim que ela nasce, no colo de outra mulher, como se nem sequer existisse, para, alguns anos mais tarde, começar a fazer sentir a sua influência-rainha.
E assim será por todo o tempo do tempo.
Primeiro, a puberdade. A menina está mal-disposta e a culpa é do ovário.
Depois, vêm ou não vêm bebés, e a culpa é do ovário.
Quando finalmente ele resolve retirar-se, é o fim: o corpo não sabe o que fazer sem aquela presença a marcar desde sempre o ritmo da vida.
É calor! É frio!
É pau! É pedra! É o fim do caminho!
Não... esta é a Elis Regina!
(...são as águas de março fechando o verão...)
Estás a ver o que arranjaste Azulinha?
Então vamos lá desembaraçar os trabalhos e falar de hormonas feitas em blogs!A primeira nomeação é a primeira que me veio à pele, quando percebi que estamos a falar de coragem, entre outras coisas: Amigas do Peito.
É tempo de voltar, de abrir o coração e acreditar.
E, às fadas e aos duendes que guardaram o jardim dos nossos
Sonhos, oferecemos as mais lindas cores do arco-íris.

Lendo a Ana,a minha irmã de coração!, percebemos que só a coragem e a esperança nos podem salvar a vida.
Falar abertamente dos nossos medos é o desafio que elas nos lançam, sobretudo tratando-se de um medo que mora junto ao coração. Para grandes medos, grandes mulheres, ditará a sabedoria para o futuro das nossas filhas.
Passamos claro para a Azulinha, ela mesma. Pois é! Tenho muita pena mas não posso deixar de a nomear, pelas razões que outros a nomearam. Basta ler como ela participou ao mundo que tinha "o rei na barriga"! Esse Miguel, que nos deixou a todos com o coração apertadinho, durante tantos dias.
Mas a razão principal é a garra com que ela agarra o seu Azulão: sem medos. Contra as "top models", marchar, marchar!
A Teresa também é chamada para esta cerimónia, na categoria de "ovários com causa". Se eu estivesse no lugar dela acharia que esta nomeação era peanuts, comparando com as distinções que já foram atribuídas à Escola pelo seu trabalho. Mas eu acho que ela vai gostar deste prémio pois sabe que eu reconheço a verdade do seu empenhamento na causa do Ambiente.
A Teresa ensina-nos a cuidar do planeta desde os gestos mais elementares. Obrigada, em nome dos meus filhos e dos meus netos!
Seguem-se a Laura, a Pitucha, a Chuinga e a Ti.
Já excedi? Não faz mal. Isto aqui é a sério, não é como na Função Pública.
Brincamos, não?!
Elas são as minhas leituras muito obrigatórias e é muito para elas que eu escrevo. (Porque a minha família não me passa cartão, quanto mais prémio!)
Os homens também vão ficar de fora. Já expliquei que isto é a sério que não é, salvo seja!, um partido político!
Mas ainda não acabei: há um prémio muito muito especial.Ddaquelas coisas que a gente diz que é para o futuro e este é mesmo. A Thita! Thita, à tua saúde, à tua vida, ao teu futuro! Que a vida te abensonhe, para usar as palavras do poeta da minha terra que tem um não sei quê de ovário na sua escrita e no seu nome.
Foi um enorme prazer compor este ramelhete!
Façam o mesmo, por favor!
Imagem daqui.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Viva Moçambique!

Só provei o sabor das raízes, quando o longe intransponível mo deu a provar.
O tempo cozinhou uma alma que deseja em tempo inteiro o que não está, o que não é. Mas, presumo que isso seja um cozinhado normal de almas, em qualquer canto do mundo, levado a cabo por um cozinheiro de conhecimento e saber universais.
O tempero das tais raízes tem uma intensidade que ciclicamente se acentua e não se apaga nunca. Ferve! Pica. Quase dói, mas apetece!
(Não se trata de saudosismo barato, pois estou bem onde estou. Esta é a terra dos meus filhos e essa é a minha fortíssima raiz saloia.)
Mas gosto de recordar as ruas das minhas primeiras idades e sonho, um dia, repassear esses espaços, ao som de um tempo que se chama agora e, em nome do qual, estamos hoje aqui a dizer em uníssona esperança: Viva Moçambique!
LM by Luí Boléo
Fotografia do meu cunhado.

sábado, 23 de junho de 2007

In and out!!!

We have broken all the blackboards
so the teachers cannot write.
We have painted all the toilets black
and all the lockers white.

We have torn up all the math books
and we've locked the school's front door.
There won't be school no more.

Glory, glory hallelujah!
School is closed now, what's it to ya?
There won't be no more homework
and there won't be no more tests.
There won't be school no more.
by Bruce Lansky
Este tal Bruce será aluno?(Imagem daqui)
Ou será professor, com alma em estado de sítio?
Não sei porquê mas inclino-me bastante para a segunda possibilidade.
Embora, às vezes tenhamos surpresas. E surpresas absolutas. As tais que se costumam rotular assim: as coisas vêm de onde menos se esperam e quando menos se esperam.
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E são estas contradições que nos ensinam a viver!

Futurologia

alc
Talvez um dia os barcos e os aviões se confundam na mesma paisagem de céu e de rio!
Ou talvez não!
Quem sabe?
(Fotografia - Alcochete, 22 de Junho, anoitecer)

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Isto é um rio!

incomati-marracuene
Este é o Rio Incomáti e não Marracuene, como eu, um dia, disse. A certeza de que há sempre alguém por perto que me corrige qualquer incorrecção (Obrigada, Espumante!) é reconfortante podem crer!
incomati-marracuene3
Este foi o único rio que eu conheci, até aos dezoito anos. Para mim, na minha ignorância da Geografia do livro azulado, um rio era sempre um Marracuene, pejadinho de criaturas lindíssimas e aparentemente bem dispostas, pois estavam, sempre de boca aberta, provavelmente a sorrir, com umas ervinhas entre os dentes... O mar era a Baía do Espirito Santo e o relevo, no meu fraco conhecimento, não se elevava além dos Libombos, na Namaacha.
namaacha-cascata6
Onde havia uma lindíssima cascata.
Na grandiosidade do continente africano, também há recantos. É o que é!
As fotos tem um autor, o meu cunhado, e podem ser vistas aqui.
A data é muito lá para trás: 1968.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Diz que é uma espécie de corrente...

(Adoro a palavra corrente! Não quando ela significa ou refere "grilhão, cadeia de metal". Gosto da outra corrente, a que tem água e segue em direcção ao rio.)
Richard Bach, o dos livros e das gaivotas, dizia num dos seus livros que nos devemos sempre deixar levar pela corrente. Não fiquemos agarrados a um galho de árvore com medo do destino da corrente. Pelo menos não vamos morrer de tédio! Diz ele e eu acho que faz sentido.
Então de que corrente se trata, agora? Traduzindo para uma linguagem também ela corrente, poder-se-ia dizer: Então, como vai isso de livros?
Cá para mim, vai assim: pouca leitura de lazer e prazer.
Mas enfim, ainda se arranja um título ou dois para fazer boa figura.
(Eu não sou o professor Marcelo!)
Eco- A passo de Caranguejo

Descobri tarde este Eco que gosto tanto de ler e que me põe a pensar as coisas certas. Todo o mundo moderno está nesta colectânea de crónicas, onde se desmontam mitos, onde se espalham ideias brilhantes sem carga de assunto sério, pesado, mesmo que o assunto seja sério e pesado!
Entretanto a visão de um livro de Fernando Namora, volume da época, Europa-América, deu-me uma certa saudade da escrita do Domingo à Tarde e outros retalhos. Na Feira do Livro, por dois euros e noventa e nove, não valia a pena resistir à tentação. Para além de um "divertimento" bem baptizado de resposta a Matilde, trouxe um "Jornal Sem Data" que não lê de fio a pavio, mas se vai lendo, como se fosse um blog, dia a dia, enovelado noutras leituras...
(???)
( Apeteceu-me dizer isto assim!)
"Nada a fazer: é sempre de nós que falamos."
Página 156.
E só falta mesmo agradecer ao Luís a incumbência e nomear as próximas vítimas.
Como estou quase a chegar à Cidade Proibida, por sugestão da IO, fica-lhe entregue a missão de fazer andar a corrente.
E ainda: Laura, Pitucha, Espumante e Ti.
De ti também não me esqueço, Teresa!
Estás nomeada também!

domingo, 17 de junho de 2007

A hora do recreio

O recreio é obrigatório. Todos guardamos dos nossos tempos de alunos a recordação do recreio.
Normalmente coincide com o lanche a meio da manhã ou da tarde.
(Seria óptimo se pudéssemos voltar ao pão de escudo e vinte, com queijo fresco e banana que a minha mãe me arranjava para levar para o colégio. Era uma dose para três e eu comia também com satisfação tripla: era bom, era muito e, na altura, eu não engordava. Agora há as máquinas e os meninos e meninas só comem plásticos que também satisfazem plasticamente e, ainda por cima, engordam!)
Depois há as brincadeiras.
(No meu tempo, havia um jogo que consistia em desenhar um conjunto de quadrados e rectângulos no chão, atirar uma pedrinha e ir até ao sítio da pedrinha, a saltar com um pé só! Ao pé coxinho, como dizíamos. Havia também " a mamã dá licença". Agora também há jogos como o do elástico e também há berlindes. Não há é terra para fazer as covinhas para atirar o berlinde. Em termos de jogos, não me parece que estejam pior. A imaginação dá um jeito e eles inventam regras novas para jogos velhos e o prazer do recreio permanece.)
Hoje, doem-me as pernas, os joelhos, canso-me e até tenho dor de cotovelos... Literalmente: dor de cotovelo. Agora, o recreio, como eu o desejo e imagino, é uma miragem.
Miragem?
Miragem- deserto!
Deserto?
Ordem do dia. Melhor: ordem dos dias.
E foi assim que eu cheguei ao que queria, que era publicar uma foto do deserto.
Mas um deserto à séria e uma foto feita por alguém que merece a minha admiração.
Que é para isso que também servem os blogs: para expressar a nossa admiração, a nossa amizade.
Agora os recreios são assim: blá-blá, blá-blá e manifestações de afecto.

Aqui, há mais belas fotos, tiradas pelo meu amigo, bom amigo e "desertista" militante.

sábado, 16 de junho de 2007

David, o gigante

(Será Junho o mês escolhido pelos poetas para partir?)
Hoje, procurando nos locais habituais, encontro mais um gigante: David Mourão Ferreira.
É do nosso tempo. É do meu tempo. Dele, guardo a memória linda do homem que fez barreira contra a polícia de choque, a proteger os estudantes da Faculdade de Letras. Era uma estudantada. Era um molho de gente jovem que, provavelmente, na sua maioria não sabia muito de política, nem estava à espera daquela "visita" e, muito menos, da sua entrada pela "janela dos fundos".
Hoje sorrio ao medo de então e pergunto-me onde andará a minha colega grávida, com quem fugi para uma das casas de banho? Terá sido menino? Terá já nascido depois de Abril? É que Abril já andava muito próximo e era por isso que os gorilas tinham passado a presenças permanentes na Faculdade.
E o gigante David Mourão Ferreira ali estava, empunhando as suas armas: as suas ideias e o seu cachimbo, inseparável desta imagem que ficará para sempre gravada a doce na minha recordação de quase menina, cheia de medo de perder ali os sonhos.
Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?

Ali, no meio do medo, o poeta era o Gigante, o homem que crescia cada vez mais, perante o perigo e a ameaça.

imagem daqui

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Viva Almada!

PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
Todos os dias são dias de celebrar o pensamento!
O de Almada permanece actual. O sentido do belo não se perde na acutilância das palavras que traduzem o pensamento do homem de todas as belas artes. Almada atravessou o mar e o tempo. Participou num programa de televisão: o Zip Zip. Morreu a 15 de Junho de 1970. Um moderno, em tudo e em suma!
Viva Almada!

quinta-feira, 14 de junho de 2007

de Borges

Sei pouco! O meu conhecimento é tão limitado! Chegar-me-á o tempo para aprender, ou melhor, para apreender o conhecimento que, por minha culpa, minha culpa, minha única culpa, negligenciei no passado? E o conhecimento, hoje, chega até mim, como a outro sujeito qualquer, da mais variada forma, no mais variado suporte. É essa a minha esperança. Esperança? Rebatível. Esta esperança é uma resposta dos nossos sentidos matreiros à tendência-pecado original de continuar a cultivar a preguiça, pequena que seja, mas preguiça ponto final.
E isto porque nada sei de Borges, de quem tanto se fala nos sítios de quem sabe da poda!
Procurei aqui e ali e encontrei um brilhozinho para o meu orgulho "saloió-lusitano": um bisavô português, de Trás-os-Montes, de Torre de Moncorvo.
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De Borges, deixo então "Uma Oração" (daqui) título que me aconchega um dia marcado por mais um adeus. Foi mais um tio. É uma geração que nos deixa a braços com outra ou nos braços de outra, ou outras gerações, mas, mesmo assim, tão mais sós.
Uma oração
Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de Julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afecta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.
Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.

Jorge Luís Borges morreu a 14 de Junho de 1986.

O que são mil cuidados?

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Os passarinhos fazem os ninhos com mil cuidados, diz o poeta.
Acho que acrescenta: "tão engraçados".
O que são mil cuidados?

quarta-feira, 13 de junho de 2007

(...)

Enquanto o movimento de aviões não se faz sentir, podemos ouvir o vento e escutar as respostas às perguntas do "velho" Bob Dylan.
Ele, pelo menos, garante que as respostas são sopradas pelo vento!
"The answer my friend is blowing in the wind".
É para mim um dos mais belos poemas, em cantiga ou não!
As perguntas são as que o poeta cantor formulou há mais de quarenta anos!
De resto, palavras, leva-as o vento!
O que o vento não levou foi o prémio que os vizinhos deram ao poeta-cantor:Prémio Príncipe de Astúrias!

Imagem daqui.
Á laia do poema de Eugénio de Andrade: eu fico com a cantiga, com as perguntas-património de uma geração!
E talvez de outras gerações que agora agarram a vida com a mesma pergunta, com os mesmos: até quando? até onde? até quanto?
E todos vamos ficando cada vez mais "até já"!

Lisboa

Lisboa-Feriado
Feriado-Santos
Santos-Santo António
Santo António-Casamenteiro
Casamenteiro-Casamento
Casamento-Ana e André!!!!
Viva!Viva!Viva!
cerejas
Santo António-manjerico!
mangerico
Mangjerico-Versinhos
tipo amor a rimar com amor:
A rigor a rigor, há o amor!
O resto é conversa. Muita conversa mesmo.
Mesmo sobre nada
que nada também é assunto
que interessa muito,
quando tudo interessa muito,
mesmo muito.
Há também estar aqui,
Anita, ao pé de ti,
e André, ao pé de ti,
e celebrar o vosso amor,
Com o jeito e o rigor que quiserem pôr.
Que vocês quiserem pôr.
Mas com amor!
Com muito amor!
De uma tia, um tio e primos, sempre ao dispor.

domingo, 10 de junho de 2007

Bons conselhos

Os bons conselhos vêm dos sábios. Mas nem sempre os sábios são os mais letrados, os mais doutorados, os mais licenciados...
Os sábios são os homens bons, os que procuram viver sem magoar, sem ferir.
Alguém me disse um dia, perante uma turma de alunos muito bons de aproveitamento, que o mundo estava a precisar de pessoas muito boas de coração.
Por isso tomo o conselho do poeta aqui do Algarve, onde vim carregar as baterias de azul...

Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes
.
António Aleixo

sábado, 9 de junho de 2007

Não se fazem esperar...

Ou como diziam os antigos, mais antigos do que eu, não perderam pela demora.
Está a decorrer o concurso dos professores titulares.
Brilhante! É um concurso de nada. Para já, pelo menos! A categoria de professores titulares é uma "invenção" de um novo patamar a que alguns ascendem automaticamente, como eu. As vagas que iremos ocupar são vagas a extinguir quando desaparecermos da escola, por isso não vale a pena deitarem-nos mau olhado nem quebranto.
Para além de ocuparmos as vagas, vamos, dizem alguns "com olhos lassos", olhos vagos de "ironias e cansaços"...
(Foi um momento de poesia! Foi o meu momento de ironia! É o meu momento de cansaço!)
Então vejamos: era previsível um certo mal-estar entre os professores, entre novos e velhos, entre décimos escalões e nonos e oitavos e por aí fora.
Mas tão cedo, não!
Tão cedo, quero dizer: antes de acabar o prazo a candidatura, antes de resultados, antes de efeitos, ou seja, no grau zero das coisas.
Mas, eis que chega, de forma bem visível, numa crónica do jornal Público, da passada quinta-feira.
Titulares de quê?
20070607
Os critérios de avaliação dos professores para passagem a professores titulares não contemplam a participação voluntária. Incidem sobretudo nos cargos que tiveram, muitas vezes (a maior parte) obtidos por uma questão de preenchimento de horários. Privilegia-se muito a experiência e pouco a formação. Os critérios de avaliação dos professores para passagem a professores titulares não contemplam a participação voluntária. Sabe-se que os professores mais novos têm muito mais formação, a todos os níveis, que os mais velhos. E sabe-se também que só por si a experiência não chega. Aliás, os professores mais velhos não tiveram formação específica para exercer a profissão (tirando a "anedota" da profissionalização em serviço). Os professores do 10.º escalão (os mais velhos) só não passam a titulares se não concorrerem (na grande maioria dos casos). Dever-se-ia sobrevalorizar os cargos que não tiveram qualquer redução de horário, ou seja, sobrevalorizar a participação voluntária. Dever-se-ia valorizar a participação no Plano Anual de Actividades (também esta voluntária), ou seja, a participação na operacionalização do Projecto Educativo de Escola (PEE), uma vez que este documento é considerado a "bíblia" da escola, e não ser completamente excluída com estes actuais critérios. Acabaram de vez com a importância que a legislação e os pedagogos românticos têm vindo a atribuir ao "grande" PEE. Fica também excluída a avaliação da verdadeira função do professor, que é instruir (reconheço que seria difícil criar critérios justos para este efeito, mas a verdade é que fica excluída). Conclusão: os titulares do título "titular" nem de perto nem de longe são os melhores, mas, agora sim, vão ter de trabalhar.
Luís F. F. Ricardo
Moncorvo

Eu acho que todos devemos publicamente expor os nossos pontos de vista. É um direito e talvez até seja um dever. O debate de ideias em torno desta coisa complicada que é a progressão nas carreiras é louvável. Agora, não há da minha parte qualquer ironia, mas tão somente o desejo de, pelo meu lado, expor também um ponto de vista que, no caso, contradiz a opinião do colega Luís Ricardo.
A maioria dos colegas mais velhos teve formação específica para exercer a profissão, a não ser que se entenda por Ciências Pedagógicas algo que não tenha a ver com o ensino. Se por acaso subsistirem dúvidas quanto à formação específica, é de ler o Diário de Sebastião da Gama para se perceber que já se formam professores há muito tempo. Não é uma modernice.
E não foram esses professores que deram formação aos mais novos? Aos todos tanto valorizamos, não só pela formação como pela energia que o sangue novo sempre promete. Também esses foram formados, desde as primeiras letras e das primeiras contas, nas escolas dos mais velhos.
A ideia veiculada relativamente à participação voluntária nos Planos de Actividades, por parte dos mais velhos, deixou-me triste e perplexa. Onde é que fica essa escola onde a gente não entra nos Natais, nas Páscoas, no Dia dos Namorados, no Dia das Bruxas, nos teatros, nas corridas, nas eco-feiras, nas hortas pedagógicas, nos Clubes disto e daquilo. É um pouco como a nossa sociedade, na minha modesta opinião. É muito de muito e o efeito, a curto prazo, será o tédio generalizado. Como o Príncipe de Tormes, um dia, muito brevemente, sofreremos "de fartura".
Na minha opinião, o que faz ainda falta nas escolas é uma verdadeira educação para a cidadania que não passe quase exclusivamente pelo lúdico, pelo prazer. Urge uma retoma de valores. Pode começar-se pela "oralidade do recreio" onde há muita "patologia" para sarar. Aí, a era da prevenção já era...
Eu depois conto para que serve o professor titular!
"Eu amo o Longe e a Miragem"
Linha!
Siga para a Poesia!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Parabéns!

Depois de muito pensar no "presente virtual", cheguei à conclusão que só pela originalidade podia sentir-me satisfeita e pensar de mim para mim: ela vai gostar!
Para alguém que não teme os distantes destinos, que ousa percorrer distâncias, nada melhor do que uma "caleche" que aconchegue os caminhos mais curtos, carregadinha de flores que chegarão de todos os lados do mundo.
Mil beijinhos de parabéns, querida Pitucha!
(Com esta coisa dos blogs, fiquei a ganhar na dimensão dos afectos.)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Dia dos anos


Andas por aqui, não é papá?
Os teus quadros, a memória das tuas ideias, as tuas frases "célebres"...
Até a tua gargalhada irreverente ecoa ainda nos nossos ouvidos.
É por isso que não se morre assim, de um dia para o outro.
Se calhar nem se morre nunca...

sábado, 2 de junho de 2007

O tal horoscópio de que fala o FMI

Se isto é horóscopo que se apresente!
Não tem ponta por onde se lhe pegue. Já nem os adivinhos levam as coisas a sério e permitem-se banalidades como "irritar a paciência de Vénus"!
Ontem, os meus alunos do quinto ano pregaram-me uma partida: trouxeram dois caranguejos semi-vivos e puseram nas minhas redondezas na sala de aula. Um deles mesmo em cima da cadeira, na qual me sento muito de vez em quando. Qual Vénus irritada! Quem se irritou fui eu. Mas divirti-me imenso a ler os relatórios da ocorrência elaborados pelos alunos. "Sou inossente!" afirmam muitos, com aquele medo legítimo que todos temos perante o mais pequeno assomo de autoridade. Quebram-se todas as forças e o gozo cai por terra. E a mim, passou-me a irritação. Vénus, segue o meu conselho: não te irrites que não vale a pena. A vida é curta.
Outra coisa que me irrita é o horóscopo dizer que "profissionalmente, terá (terei, pois!) de ultrapassar várias etapas antes de conseguir atingir os seus (meus) objectivos." Eu sei que os astrólogos sabem tudo. Até sabem que abriu a caça ao professor titular. Mas cá para mim, o horóscopo também vem de carrinho, que eu sou 340 e tenho vaga garantida. Tenho pontos para dar e vender. E até tenho outros pontos, da Galp e do Modelo e da Fnac, não vá ser preciso, para chegar ao topo da carreira, como dizia uma amiga minha, apresentar uma prova de assinatura da Revista Máxima!
Mas o que me irritou mesmo foi a previsão das finanças: direi que não tenho um chavo. Quanto vale um chavo? Preciso urgentemente de saber a cotação do chavo.
Saúde boa, diz a Máxima. Então e estas dores todas? As artroses? As dores de cabeça? As indigestões? Isto é boa saúde? É capaz de ser. Estou viva!
É uma "espécie de horóscopo, certamente"! Ou então o astrólogo é Gémeos que é o signo da irreverência, digo eu, que tenho pretensões a dar palpites sobre tudo!
E agora, tenho de ir. Vou a uma festa de casamento e vou-me divertir, porque os casamentos são ocasiões para se ser feliz por ma vida inteira. Quando for o dos meus filhos, estoiro de felicidade.
Aí vai o horóscopo da Máxima de mês de Junho!

Imagem daqui.
CAPRICÓRNIO-21 DEZ / 19 JAN
Os nativos do primeiro decano, à força de procurarem uma alma gémea, irritarão a paciência de Vénus. Os do segundo andarão com a cabeça na Lua, o corpo em brasa e, com falas quentes e mansas, numa expectativa amorosa constante. Os outros, menos incendiados, estarão em paz consigo próprios e com os astros. Profissionalmente, terá de ultrapassar várias etapas antes de conseguir atingir os seus objectivos. Finanças: dirá que não tem um chavo, mas será visto nos melhores restaurantes. Saúde boa.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Viva a República!


Olhando para este retrato que, presumo, deve figurar nas paredes do Palácio de Belém consegue perscrutar-se uma infância triste marcada pela falta da mãe, aos três anos. Tão tenra idade!
Se é verdade que a ocasião faz o ladrão, a dor deve fazer o poeta.
Aos quinze anos, conforme pode ler-se aqui,entra para uma oficina de tipógrafo para poder imprimir o seu primeiro livro de versas(...)
Era a tipografia do jornal "A Ilha" de Ponta Delgada e o livro de poemas intitulava-se "Folhas Verdes".
É, sobretudo, dizem, um homem de letras e de pensamento. No entanto foi, durante dois meses e alguns dias, Presidente de uma República muito jovem, com cinco anos apenas, a Portuguesa.
Foi eleito a 29 de maio de 1915.
Não lhe ia bem o cargo, pelo menos à luz do "glamour" e das mordomias com que muitos dos nossos políticos actuais encharcam a missão de servir.
Diz a mesma fonte:
Mesmo enquanto Presidente, qualquer lisboeta o podia ver proletariamente a andar de eléctrico, com o guarda-chuva no braço ou de bengala já sem ponteira.
Viva a República!, apetece gritar, perante o despojo.
Imagem-Retrato de Teófilo Braga, daqui.

domingo, 27 de maio de 2007

Dedicado

DSC04832
Entradas de leão...
leo
Saídas de leão...
Foi sofrida a vitória. Os leões estão felizes e isso é que interessa.
Parabéns "às pessoas com blogue" (parece que se usa este tipo de etiqueta) que me visitam regularmente que sabem, há muito tempo, que eu moro numa jaula.
(Não, desta vez não vou falar de deserto, senão teria de usar a expressão da Clara Ferreira Alves que, por sua vez, usava uma expressão queirosiana: "Que calças! Que talento!", referindo-se aos ministros que são uma espécie de gatos mas sem jeito.)
Então, como ia dizendo, dedico este post a:
(Parece a cerimónia do Óscares, não parece?)
À Isabella, a Chuinga!
À Laura, das Beiras.
À Pitucha, o sol de Bruxelas
Ao Espumante, engenheiro a sério
À Passada, mamã full-time
À Tété, do Oeste
À Azulinha, de 125
E agora? Não sei se a Luh e a Ti são do Sporting?! Se forem, é só dizerem e aparecerem, para segurar a taça!
Não posso esquecer o sítio onde apanhei o bicho dos blogues: Ma-schamba! e o pai de família, o simpatiquíssimo Eufigénio que, aposto!, foi ao Jamor, com os seus Diogo e Francisco.
Claro que os meus leões, "pessoas (ainda)sem blogue" são os que me importam mais, porque "vai-se-a-ver" e se o Sporting perde, a mim é que me dói aquele desgosto todo estampado nos olhos, nos rostos e, quem sabe?, no coração.
E, para terminar, eu acho que lá do céu, o meu sogro empurrou o Liedson. Não acredito que não tenha assistido. E isto não é tentativa de fazer literatura. Isto é coração. Isto é a falta que nos fazem as pessoas que se desencaixam dos nossos dias...
Parabéns a todos os Sportinguistas!

sábado, 26 de maio de 2007

Coisas de Sábado

"Middle age is when you're sitting at home on a Saturday night and the telephone rings and you hope it isn't for you.” Ogden Nash
E só nos sabe bem um pôr do sol no deserto!É nos desertos que aparecem as criaturas fantásticas, como o Principezinho, que nos fazem pensar na beleza do pôr do sol e nas raposas que nos cativam, nos campos loiros de trigo...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Directamente do Deserto de Jah Meh

Quem sempre quis experimentar o deserto tem agora a "oportunidade-rainha" de o fazer a custo muito baixo, percorrendo a curta distância de vinte quilómetros, a partir da grande e desenvolvida capital.
Isto se optar pela Ponte Vasco da Gama, pois se escolher a velhinha Ponte 25 de Abril, terá de percorrer apenas dois ou três quilómetros. E o deserto está ali, logo ali, à beirinha da água que corre abundante para o mar.
Deve ser este o único deserto no mundo banhado por um rio, cantado por poetas como Camões e Vasco de Lima Couto.
E para completar a informação aos interessados seguem-se imagens de um aglomerado populacional, outrora chamado Aldeia Galega do Ribatejo.
aflitos-1
deserto jamé
Claro que estas imagens, depois da elevação da cidade à categoria de Deserto, têm um significado muito maior. É património e tradição que são coisas que há no deserto aos montes, ou melhor, às dunas!
Há também lugares onde o deserto entra rio adentro. Aqui por exemplo.
ponte
Do lado de lá, é o caminho para a Ota, onde está o desenvolvimento, os hotéis, a população, pelo menos 40% da população está ali, do lado de lá, escolas e hospitais. Estes, então nem se fala!!!
sesimbra
E cá temos as tão célebres palmeiras que todos os desertos têm de ter.
Boa noite! Venham visitar o Deserto antes que se acabe.
Lá diz o povo:"Não há bem que se não acabem, nem mal que sempre dure."
Deposito toda a minha esperança neste provérbio!

A tristeza que veio daqui

Um dos mais difíceis combates é o combate à tristeza. Há que usar muitas armas e conhecer bem o inimigo. É fundamental saber que ataca ao entardecer, quer dos dias, quer da vida.
Não se pode olhar a gastos: todas as ajudas são preciosas, todos os sorrisos contam.
É preciso erradicar a tristeza como se tenta erradicar a raiva.
Convém saber que o mar ajuda a dissolver certos estados de alma que podem ser aliados da tristeza e há cantigas que actuam como soporífero.
Uma conversa de alma com alguém que ande perto é normalmente muito eficaz: destrói totalmente o inimigo.
Abaixo a tristeza! Viva a Azulita!
sad people

terça-feira, 22 de maio de 2007

(...)

Não mexe! Não fala! Não respira!
A liberdade está doente. Muito doente.
Anedotas, só mesmo fora do horário de expediente!Tira do DN
Autor: Bandeira.

domingo, 20 de maio de 2007

Sobre o tempo

E outros sonhos.
Einstein deve ter sonhado. Tal como dizia T.E. Lawrence: "Todos os homens sonham."
Einstein é um homem. Einstein sonha. Silogismo, se a memória da Filosofia que aprendi no Liceu não me trai.
Alan Lightman imaginou os sonhos do génio. Organizou-os cronologicamente e datou-os.
A 20 de Maio de 1905, Einstein sonhou com homens sem memória que, no fim do dia, à hora de regressarem a casa, abriam o livrinho onde tinham anotado a morada.
Este livro é o Livro da Vida que vai espessando cada vez mais tornando-se insuportável de peso da própria vida. Há então que optar e viver cada dia, como se o Livro da Vida não existisse.
"Também há os que pura e simplesmente deixaram de ler. São os que abandonaram o passado, os que decidiram que pouco lhes importa se ontem eram ricos ou pobres, cultos ou ignorantes, orgulhosos ou humildes, apaixonados ou de corações vazios- Tal como pouco lhes importa saber como é que a brisa sopra por entre os seus cabelos. São pessoas que nos olham directamente nos olhos e têm firme o aperto de mão. São pessoas que caminham com a agilidade da juventude. Que aprenderam a viver num mundo sem memória."

sábado, 19 de maio de 2007

Todos os homens sonham!

"Todos os homens sonham, mas não da mesma maneira. Aqueles que sonham de noite nos recantos poeirentos das suas mentes acordam, de dia, para descobrir que era tudo vão; mas os que sonham de dia são homens perigosos, pois podem realizar os seus sonhos de olhos abertos, para os tornar possíveis. Foi o que eu fiz."
Thamas Edward lawrence, em Os Sete Pilares da Sabedoria.
"Peço que a considerem uma narrativa pessoal, extraída da memória." São palavras do autor, consciente da sua responsabilidade ao escrever sobre acontecimentos em que tomou parte que alteraram o rumo da História e o pensamento dos homens.
Consultei a obra para alinhavar esta data. Há, em momentos-chave desta leitura, a preocupação de salientar a importância da memória colectiva, em jeito de homenagem, porque há muitos que ficam para sempre sepultados no esquecimento e que perpetraram actos tão ou mais heróicos do que aqueles que têm o talento e a sorte de os poder recordar, através da escrita, que, essa sim, é eterna.Este é o Lawrence da Arábia o herói, arqueólogo de formação, a que Peter O' Toole deu corpo, no filme que se baseou nestes "Sete Pilares da Sabedoria".
Lawrence morreu aos 46 anos, vítima de um acidente de mota, em 1935, num 19 de Maio.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

E o post de hoje...

...vai para:
Michel Polnareff
Quem anda por esta meia idade recorda bem o lancinante pedido em Inglês, Love me please love me, seguido de uma confissão em francês, je suis fou de vous...
E como eu também já confessei, a propósito de outros românticos, isto fazia sentido nas nossas incertezas adolescentes.
A gente cresce e outras incertezas nascem. As mais antigas vão ficando cada vez mais douradas e sabe sempre bem "tocar-lhes".
Hoje, no meu passeio pelos jornais, encontrei-o. Irreconhecível, claro! Mesmo assim, não deixo de o recordar com a memória a tremelicar, tipo gelatina, que também não faltava nas mesas de aniversário ou outros bailaricos.Mais uma vez o Malhanga ajuda à festa!!!
Imagem daqui.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Edição Especial do Chora!


A esta hora ela já abriu a garrafa para festejar mais esta vitória.
50 Cestos!!!!
(Desculpa Chuinguita, eu quero fazer-te um presente personalizado, mas a minha ignorãncia, em termos de cesto, é muito grande...)
Mas segue daqui um cesto de flores, flores das acácias que te enfeitaram outros aniversários; um cesto de frutos daqueles que te fizeram crescer saudável para voares leve e feliz até ao cesto da tabela; um cesto de outros frutos do mar em que aprendeste a nadar; e mais um cesto a transbordar de afectos. Este cesto eu vou pôr ali à porta do Chora, com um letreiro: Deixe aqui o seu afecto para a Chuinguita. A encomenda será entregue assim que possível.
E um beijinho para ti!

domingo, 13 de maio de 2007

Mais um....

...efeito LA, isto é, Lobo Antunes.
Aliás, os efeitos desta leitura são múltiplos, pois a última crónica da Visão fala de tudo o que há de mais importante na vida, sobretudo esta sensação estranhíssima a que chamamos, ou podemos chamar pelo título de Kundera: a "insustentável leveza do ser". De leve não tem muito, mas há falta de palavras nos dicionários para chamar nomes às coisas e muito menos aos estados de alma.
O primeiro efeito tem a ver com o pai que morreu há 3 anos. (O dele. O meu morreu há dois e o outro que ficou a fazer as vezes morreu há um mês.) O efeito é de apaziguamento com os defeitos dos que morreram, devido, talvez, à eliminação física e material desses defeitos. Ao contrário do pai dele, o meu era doce e simpático e até bonito. Também sonhei com ele uma vez e o sonho era igual: ele estava bem, radiante e feliz.
A crónica também não é infeliz, nem antipática. Também não é radiante. Mas o pensamento irrompe realidade adentro com memórias que sustentam a amargura dos dias: as pêras de Nelas, a infância a atenuar a dor das feridas...
Todos somos assim, provavelmente.
(As minhas sensações tomam mais o rasto das goiabas e da goiabeira que havia no centro do jardim da casa da minha avó!)