domingo, 26 de agosto de 2007

E agora, Senhores Ministros?

Como é que é?
Aterramos ou não nestas paragens anteriormente classificadas como desérticas?
Parece que os senhores que estudam e percebem destas coisas já deram o seu parecer favorável à construção do novo aeroporto na margem sul!
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(Imagem - salinas, Samouco)

Foi mesmo giro ter o mini!

A jornalista Isabel Ramos, do Correio da Manhã, descobriu o nosso mini a percorrer alegremente os caminhos desta aldeia.
"Vai daí", mandou-me um mail. "Vai daí", eu mandei-lhe outras fotos e contei-lhe histórias. E eis o Mini a saltar das minhas memórias para as páginas do Correio de Domingo.
E eu, vaidosa, a contar aqui como o mini chegou à Suécia, com um berço improvisado no banco de trás!
Não há dúvida que a juventude simplifica muito as coisas.
Hoje eu não faria essas viagens, porque os medos assaltar-me-iam para me roubar os planos e os projectos...
Foi mesmo giro ter um mini. Obrigada, Isabel, pela viagem da memória que esta reportagem proporcionou!
adenda- Esta talvez seja a minha foto preferida. O Mini chegava às alturas!!!

sábado, 25 de agosto de 2007

Memória viva de EPC

"A paixão é sobretudo uma morada do paraíso", disse, ou melhor, escreveu Eduardo Prado Coelho, numa das suas crónicas do Público.
O EPC vai fazer falta a este panorama intelectual português, sobretudo porque a idade e o estatuto lhe permitiam já a liberdade que todos sonhamos de dizer o que apetece, sem receios de outras avaliações que não sejam as das pessoas que realmente importam, que realmente valem, como os amigos.
A minha memória mais viva de EPC reporta-se aos tempos da Faculdade. Foi meu professor das aulas práticas Introdução aos Estudos Linguísticos. Eu sentia-me ignorante e ínfima, perante o universo de conhecimento daquele professor, apenas ligeiramente mais velho do que eu. Pela vida fora, não me fez mal nenhum esse sentimento, pois ajudou-me sempre a dosear a alegria de saber mais, sem entrar em vaidades vãs. Por isso até agradeço ao professor, que, sem querer, me ensinou a humildade. Ao longo dos tempos, achei que EPC tinha abandonado o estilo de falar ou escrever difícil e se tinha tornado cada vez mais acessível, não só na linguagem, como dos temas.
A idade parecia ter-lhe feito bem, o que normalmente acontece a todos.
Mas a idade também faz mal a todos, pois aproxima-nos inexoravelmente do fim, do tal "paraíso" que existe na literatura e nas sensações.
A última vez que o vi ao vivo foi na candidatura de Manuel Alegre. Gostei de o ver ali, pois, nas minhas convicções, aquele era o sítio certo. Estava emagrecido e não parecia o mesmo EPC dos tempos da faculdade. Soube posteriormente que a sua saúde era frágil.
Assinalo a sua partida com a tristeza normal de quem vê partir os que estão quase na mesma fila da vida.
Por cá ficam as suas letras! E essas serão sempre uma garantia de vida para além do fim!

Bom trabalho!

Sobre o Grande Hotel, da Beira, na RTPN.Estejamos atentos. Pode ser que repita.
Entretanto, no site da RTP, pode ver-se uma amostra.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Mar, de Borges

El Mar

Antes que el sueño (o el terror) tejiera
mitologías y cosmogonías,
antes que el tiempo se acuñara en días,
el mar, el siempre mar, ya estaba y era.

¿Quién es el mar? ¿Quién es aquel violento
y antiguo ser que roe los pilares
de la tierra y es uno y muchos mares
y abismo y resplandor y azar y viento?

Quien lo mira lo ve por vez primera,
siempre. Con el asombro que las cosas
elementales dejan, las hermosas

tardes, la luna, el fuego de una hoguera.
¿Quién es el mar, quién soy? Lo sabré el día
ulterior que sucede a la agonía.

De "El otro, el mismo"

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Jorge Luís Borges nasceu a 24 de Agosto de 1899, na Argentina.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Happy birthday

Parabéns, Luh!


E uma rosa algarvia, do "meu" jardim!!!!
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Receita para um post

Pega-se num caso, muito fresco, da época.
Pode ser da política, mas também pode ser do futebol. São dois mercados de abastecimento muito bons, onde se pode encontrar sempre o tal produto fresco que interessa a todos, em geral, e ao mundo, em particular!
Aquece-se ou arrefece-se o caso, de acordo com o caso em si, dependendo também do caso do blog. Há os que servem pratos escaldantes e há os que se limitam a mini-pratos semi-quentes (ou semi-frios, tanto dá!).
Os acabamentos são "a gosto". Há sempre umas salsas ou uns coentros que ficam bem. Saltam à vista. E uma boa imagem vale mais do que mil palavras, dizem os sábios. Se for o caso, do "caso" ir ao forno, para "desencruar" (Ele há palavras que eu cá sei!) pode polvilhar-se com queijo ralado. Também fica bem na fotografia.
Na ausência de produto fresco, há o recurso às arcas congeladoras, tipo Leme ou Wikipédia. O produto ultra- congelado pode ser usado com segurança.
O produto de hoje é o caso Fernando Santos. Ou Camacho. É o iberismo a funcionar. Há ainda o caso do plágio que não é plágio. É um sucedâneo do plágio que também se pode utilizar nesta receita.
Estes produtos são leves, não fazem mal à saúde de ninguém!
Serve-se o post à temperatura ambiente!
Só as vinganças é que se servem frias.
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Agora a sério: se se falasse apenas de coisas importantes e sérias, de modo também sério, não era tudo muito melhor?
(A reflexão também pode acompanhar o post! É como a fruta: ajuda a digestão!)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Um vento chamado Dean

Baptizam-se os ventos e as tempestades com belos nomes. Dean não é nome de furacão. Dean é nome de deus.
Será sinal de respeito?
Percebo o cuidado com os turistas, mas aflige-me sobretudo a sorte das populações locais.
Ninguém pede para nascer em sítios do globo que os deuses castigam mais do que outros! Todos desejariam viver com um sentimento de segurança, sem o qual não vale a pena pensar em espécie nenhuma de felicidade.«O vento cala a desgraça." diz o poeta.
Neste caso, não!
Imagem do Público

domingo, 19 de agosto de 2007

eu tonto, tu tontas...

Tá tudo tonto!
Até o poeta (e não só: dramaturgo e outros!) Garcia Lorca escreveu um poema tonto.

Canción tonta

Mamá,
yo quiero ser de plata.
Hijo,
tendrás mucho frío.
Mamá.
Yo quiero ser de agua.
Hijo,
tendrás mucho frío.
Mamá.
Bórdarme en tu almohada.
¡Eso sí!
¡Ahora mismo!


(As mães são mesmo uma categoria extra e reforçada de tontos. E Lorca sabia, como se pode sentir nesta Canção Tonta.)
Garcia Lorca morreu aqui ao lado, em Granada, há setenta e um anos.
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Fotografia de 1974.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Corrente de fitas

Estas fitas também me ensinaram a vida como ela é. Sabe-me bem recordá-las e por isso fiquei feliz quando li no Chuinga que tinha sido eleita para falar das fitas da minha vida.
Obrigada, IO!
Quanto aos cineastas... é melhor irem agarrados aos filmes. Sempre dá para disfarçar a minha pouca atenção ao nome dos cineastas, sobretudo em filmes de muito antigamente.
E para que ninguém se espante de existir, a abrir a lista e é mesmo a abrir a lista, o Cinema Paraíso, de Giuseppe Tornatore.
Life isn't like in the movies. Life... is much harder.
A partir daqui a ordem é a que a minha memória ditar.
A fita que se segue é velhinha: Goodbye Mr Chips, de Sam Wood!
I don't see how you could ever get old in a world that's always young.
E a maré dos professores parece que vai inundar esta corrente: O Clube dos Poetas Mortos,de Peter Weir. Este filme modificou certamente muitos comportamentos, tanto de pais como de professores.
We read and write poetry because we are members of the human race.
Isto dos filmes traz-me à ideia as salas de cinema, o ritual social e cultural da ida ao cinema, as "matinés" do Gil Vicente, do Scala..
Foi no Scala que eu vi, pela primeira vez, claro!, My Fair Lady, de George Cukor. Foi uma espécie de presente de passagem. Coisa pouca para hoje, coisa muita para esse tempo. Não se fazia culto de acumular recompensas. Mas a ocasião requeria alguma solenidade o filme em si pedia solenidade. E houve essa solenidade!
The difference between a lady and a flower girl is not how she behaves, but how she is treated.
Bravo, Eliza!
Finalmente um filme e um cineasta: E.T., Spielberg.
Only little kids can see him. O E.T. é o Petit Prince do Cinema, com o mesmo apelo ao uso dos olhos do coração. Há, certamente, dentro de nós, lunetas de criança, que estarão sempre à mão, para nos ajudarem a ver o que apenas as crianças conseguem ver.
Dos "loucos anos sessenta", chega-me à lembrança o cinema francês, de que nem todos gostavam. Pouca acção diziam alguns, já viciados na turbulência dos filmes americanos. Mas as opiniões contra acalmaram com "Um Homem e uma Mulher" e o célebre ba da ba da da ba da ba da em tema de fundo. Lelouch, claro!
Nos anos setenta, o "Vietnam" assolou naturalmente a literatura e o cinema.
O Regresso dos Heróis (Coming Home), de Hal Ashby é um filme simples que ensina os efeitos da guerra nas pessoas, que ensina a esperança de vencer alguns efeitos, induzindo uma reflexão que ainda hoje faz sentido. I have killed for my country, or whatever, and I don't feel good about it.
E continuando "no Vietnam" e na década de setenta, "aparece-me" o som de Hair. Foi filme, "cassete" e agora DVD.
Milos Forman.
Give me a head with hair, long beautiful hair, shining gleaming steaming flaxen waxen. Give me it down to there, hair, shoulder length or longer, here, baby, there, mamma, everywhere, daddy daddy hair! Flow it, show it, long as God can grow it, my hair!
Um filme pode tornar-se um dos filmes da nossa vida por razões muito diversas. Uma dessas razões pode chamar-se Meryl Streep. "Out of Africa" e Sidney Pollack. Passei a conhecer Karen Blixen.
In the day-time you felt that you had got high up; near to the sun, but the early mornings and evenings were limpid and restful, and the nights were cold.
(Outra razão pode chamar-se Robert Redford!)
Por fim, sem ser em último, A Passagem para a Índia, de David Lean.
My dear, life rarely gives us what we want at the moment we consider appropriate.
filmes da vida
E por fim e por último, as dez vítimas que devem alimentar esta corrente:
Pitucha, Laura, Teresa, Nini, João, Alexandre, Ti, Isabel, Eduardo e Pedro!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Verão que...

praia
...ainda vai chegar o Verão, o tal, o verdadeiro.
Isto ainda é só a fingir. É o aperitivo.
Como diz o JMF numa crónica do Caderno 2 do Público, o que interessa não é partir de férias, mas ficar de férias. Eu também penso assim e tenho-me dado mal com isso...
Boas férias para os que vão, os que ficam e os que estão. Bom regresso para quem volta de uns dias de outra rotina, outro stress.
Tal como O JMF, já cozinhei esparguete à chuva. Era desconforto, sem dúvida. Mas havia o outro lado do desconforto que era a presença dos miúdos, as cantigas do Zé Barata Moura, o futuro.
Claro que valeu a pena!
Agora, há mar! Ainda há mar!

domingo, 12 de agosto de 2007

Trás-os-Tempos

O melhor que Torga nos deixou foi tudo: o seu exemplo de cidadão (relembrado pelo colega de poesia, Manuel Alegre!, foi a poesia e foi a prosa.
O poeta e o homem fizeram-se nas paisagens imensas de pedra cinzenta. A obra humana ainda inacabada foi retocada pelo cinzel da distância, em terras do lado de lá do mar.
Há almas que são tocadas pelo belo em estado bruto.
É o caso de Torga que esculpe a sensualidade e a maternidade em mulheres como Isabel, a contrabandista, e Mariana, a pedinte.
A poesia estende-se aos novos, aos corpos que ardem de desejo de outros corpos e às imaginações que ardem de outros desejos de fantasia e magia, como é o caso de Rodrigo.
Todos os "pecados" são santificados pela poesia de Torga, à luz da terra que atrai o seu espírito inquieto e insatisfeito.
A terra de Trás-os-Montes percorrerá os tempos nas páginas de Miguel Torga.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Allbanhos

Pois é, desta vez os porquinhos pediram-me autorização para uma ida a banhos!
Coisa de pouco tempo, espero eu, porque o banho também é de multidão.
Imagem modificada a partir daqui.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Os provérbios, as mães e os pais têm sempre razão!

A minha mãe costuma dizer que há ganhos que se transformam em prejuízos. Foi o que me aconteceu ontem.
Tanto andei, tanto andei, que descobri uma oficina pequena que me fez um orçamento simpático, para reparar a embaladeira vítima de um murozito atrevido que nasceu onde não devia.
(O que eu percebo destas coisas! É fantástico! Até sei o que é uma embaladeira! Uma avó, por exemplo, é uma embaladeira! Uma tia é uma embaladeira! Eu, por exemplo, tenho vocação para embaladeira!)(Agora é a sério!)
Passei, alegremente, da ideia de pagar 695 Euros, para a ideia de pagar apenas 120, ficar com o caso arrumado e esquecer, de uma vez por todas, a mazela do carro, o meu sentimento de culpa, a humilhação à vista, a preparação psicológica permanente para reagir às "bocas do costume", do tipo, "Dão cartas às mulheres!",etc...
Passei, menos alegremente, para uma despesa muito maior, até ao momento desconhecida, ao dirigir-me à tal oficina baratinha, com "meu motorista privadíssimo" que seguia atrás de mim com o carro a ser emprestado, durante a curta passagem do outro pela operação plástica.
Num determinado sítio, depois de um cruzamento, passei e a minha tendência para conduzir sempre um bocadinho pelo lado esquerdo, devido a problemas de lateralidade, origens ou simples incumprimento de algumas regras muito básicas, livraram-me do embate. Tive, no entanto, a perfeita noção do perigo causado por uma camioneta mal estacionada e o sol das oito da manhã a bater em cheio nos olhos de quem chegava àquela curva. Abrandei e, a medo, segui, sempre com os olhos postos no carro que vinha atrás. A baixa velocidade contribuiu para que não houvesse praticamente violência no embate. Os estragos até são muitos para o embate que foi: um vidro (pára-brisas, acho que se chama assim!), um capô (ou lá como é que isso se diz ou escreve! aquela porta que abre apenas para os olhos dos entendidos em motores e coisas assim!), uma óptica, que antigamente se chamava farol e tudo o que é chapa ou plástico nos arredores da lesão.
Mas, como dizia o meu pai, podia ser muito pior. E teria sido se alguém se tivesse magoado.
Foi assim que voltei para casa com o mesmo carro e a mesma embaladeira amachucada...
Mais valia ter ido ao outro e dispor-me a pagar os 695 Euros!!!
Acho que o provérbio era mesmo assim: adeus ganho que se vai em perca!
A minha mãe tinha razão e o meu pai também.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Coisas (A Gosto)

Uma fotografia é um segredo sobre um segredo. Quanto mais nos diz menos ficamos
a saber.
Diane Arbus (fotógrafa norte-americana - 1923-1971)
Do Público de hoje.
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O segredo, quando é verdadeiro, tem que se lhe diga. Cria-se. Cresce. Metamorfoseia-se, como alguns seres na natureza. Borboleteia, mas não voa, não desaparece, nem morre.
Acho eu...

terça-feira, 31 de julho de 2007

The End (Part One and Part Two)

"No art passes our conscience in the way film does, and goes directly to our feelings, deep down into the dark rooms of our souls." Ingmar Bergman
"I am neither a sociologist nor a politician. All I can do is imagine for myself what the future will be like." Michelangelo Antonioni

Efeito Verão

"Tudo começa meses antes com a chamada preparação. Não há revista, noticiário radiofónico ou televisivo, jornal ou pasquim que não ordene às mulheres que se ponham capazes para o Verão. As proteínas, calorias e medidas de cintura ocupam agora o espaço que antigamente se dedicava ao pecado. E, como acontecia com o pecado, não falta sequer quem nos alerte para o perigo das más companhias - "A obesidade também pode ser contagiosa... através dos amigos e da família", informava, solícito, o PÚBLICO na passada semana. Não deve faltar muito para que se comece a ouvir nas casas portuguesas: "Não saias com essa, que é muito gorda. E isso pega-se!"
O problema é que o pecado, antigamente, trazia brinde: a ideia de uma mistura gulosa de culpa e prazer. Aqui, Meu Deus!, só há culpa e inferno.
gordito

(...)

É no que dá a ideia de se ter tempo, muito tempo...
Resultado: faz-se pouco, muito pouco.
Ou mesmo nada!
Foi o meu terceiro dia de férias!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

42

Seis da tarde. 42 graus. Só há uma solução: o mar.
O mar gelado de Sesimbra, por exemplo! Sesimbra é lindíssima. Mas, lá diz o ditado: para grandes calores, grandes gelos!!!
sesimbra2

sábado, 28 de julho de 2007

Mar Lindo - Salão de Chá

Fui hoje ver o mar, no seu esplendor atlântico, intenso e forte e imensamente belo. Azul. Muito azul a desfazer-se em branco contra as rochas.Fui visitar a memória que eu tinha da Praia de Santa Cruz, com menos cimento do que as praias do sul e com velhos traços de "belle époque" que aparentava Biarritz. Foi difícil descobrir esses vestígios. Mas permanecem. Requintadamente retocados, eles estão lá.Não foi o meu terceiro dia de férias, porque o sábado não conta!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Segundo dia de férias...

Não fiz nada, nada que valha a pena ser mencionado.
Gastei o dia e, pior do que isso, gastei a vida.
Nos outros dias também gasto a vida, mas não se nota tanto. Hoje, gastei-a, desperdicei-a.
Quis sentir o mar, mas os meus sentidos hoje não funcionaram.
Penso que em parte este desfuncionamento se deveu a uma insónia e a insónia se deveu a uma série que dá, a altas horas, no primeiro canal: a Anatomia de Grey. Prefiro o Doctor House. Tanto uma série como a outra são, penso eu, teses do tratamento das emoções das pessoas que lidam com os limites da vida. Entre a brutalidade de House e a fina sensibilidade de Izzy quantos comportamentos possíveis há, no palco da tragédia, quando a vida e a morte se digladiam impiedosamente, inesteticamente?Vou passar a ver o Jay Leno. Não tem piada nenhuma, mas, pelo menos, não me tira o sono.
Agora sentei-me aqui a gastar o resto das horas deste dia.
Ao lado do computador, está há vários dias, uma revista antiga resgatada do lixo das arrumações de Verão. Pelo preço, deve ser uma antiguidade. Cinco escudos. Façam a conversão para Euros e espantem-se.
Folheio.
Letras. Letras de cantigas. Letras de cantigas são poemas.
Algumas fazem mais sentido agora. Agora que já não há escudos. Já não nada a este preço. Há Euros e a vida está pela hora da morte. Caríssima, dizem! Caríssima, digo. Já não há revistas a menos de dois Euros e meio, quanto mais a dois cêntimos e qualquer coisa.
"We'll grow oold, we'll take care of each other."
Espero bem que sim.
Mas o pior ainda está para vir: anúncios.
Cinquenta pessoas, homens, mulheres, rapazes, raparigas, pedem correspondentes.
Querem trocar ideias sobre uns assuntos. Alguns exigem fotografia na primeira carta. Malandrice!!!! Aqui há marosca com certeza. O que ele quer é uma namorada e não tem jeito ou maneira de arranjar.
(Estou-me a sentir António Barreto a fazer o retrato social.)
Uns querem trocar amizades. Trocar? O que é que dão em troca?
Marosca também!!!!
O Vitoriano, que morava na Moita, nem diz ao que vem. Só diz quem é, onde mora, a idade e ponto final. Adivinha-se: quer namorar... Há marosca. Ah, pois há!
E finalmente um anúncio de uma coisa que se vende: um gira-discos, em bom estado, por três mil e quinhentos escudos.
Ainda tenho alguns minutos deste segundo dia de férias.Estou quase a mergulhar no terceiro dia!

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Primeiro dia de férias

"Ao longe, insinuando-se entre duas montanhas, à esquerda da bola de fogo que puxava o dia para o fundo da terra, havia uma mancha tremeluzente. Era o Lago Niassa."
Leitura de Niassa, de Francisco Camacho.
Recomendo. Recomendo. Recomendo.

Imagem (gentilmente) retirada daqui

Mais um "Tem Dias"

Da série Tem Dias de tudo!
Hoje, no Brasil, comemora-se o Dia dos Avós!
Gostei tanto dos meus avós que estou ansiosa por ser uma avozinha também, mesmo que isso implique uma mantinha aos quadrados, em cima dos joelhos, um carrapito, uns óculos na ponta do nariz (Já tenho!), um ar bondoso e feliz e uma paciência do tamanho de um arranha-céus.
(Esta é uma versão de avozinha do Capuchinho Vermelho!Mas sem lobos!)
Ou será que serei (será que serei? Ena, tanto futuro!) uma avozinha de jeans, cintura descaidíssima, muitas lantejoulas e pulseiras a dar-a-dar?
Não sei. Não me vejo aí. Mas já fiz o anúncio solene que vou ser avó.
Daqui a cinco anos, talvez.
Até lá, vou sonhando e é bem bom porque o sonho é perfeito. No meu sonho, os meus netos são perfeitos. São como os bonecos que eu tinha quando era pequena: não choram, não gritam, não ficam doentes, não precisam de aprender a ler, nem a escrever.
Para além disso são lindos, lindos, lindos. Mais lindos do que os Princípes das Astúrias.
Os netos reais crescem, pensam, aprendem a escrever e a ler e até dizem coisas fantásticas como diz esta Angela, neta, de catorze anos, provavelmente americana.
My grandmother can say more in a sentence than a college professor can say in an hour and a half.
Para todas as avós que eu conheço, a minha admiração!

Junte-se este documento que regulamenta a condição de avó:
Definição de Avó - Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo.
"Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem "Despacha-te!". Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam histórias, nunca faltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de correrem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver televisão".
(Recebido por e-mail!)

terça-feira, 24 de julho de 2007

A minha cidade

No mais fundo de mim, eu sei que te traí, minha cidade!
É no verso de Eugénio de Andrade que vou encontrar a explicação deste remorso que me dói.
O meu pensamento apaixonou-se pela ideia de uma metrópole cheia de chique e de classe, onde, pensava eu, nascia a cultura, a filosofia, o conhecimento...
Enfim tudo aquilo que eu achava que preencheria a minha ignorância e me tornaria, finalmente, uma pessoa feliz.
Durante um ano esmaguei a saudade.
Ao fim de dois anos, voltei, num 24 de Julho também, e a minha cidade estranhou-me e eu estranhei-a a ela.
Já não éramos as mesmas: nem ela, nem eu!
Passaram trinta e cinco anos. As magias do mundo moderno trouxeram-me de volta a minha cidade.
E o desejo de um dia tornar a encontrar-me com a minha cidade.
E esse dia há-de chegar, para um reencontro feliz com o passado. Será um tempo de sarar feridas, de me reconciliar com as origens, de reconhecer a minha cidade. De lhe tocar com os sentidos todos. Levo comigo os trinta e cinco anos de mim.

A avenida que celebra a data.
Fotografia daqui.E, para acabar como comecei, parasitando a inspiração do poeta:
"Eu vou com as acácias!"

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O medo maior

Fui educada, como quase todas as pessoas do mundo, do mundo que eu conheço, para procurar legitimamente o bem-estar e a felicidade. Os meus pais, como quase todos os pais, mais pelo exemplo do que pelas palavras, transmitiram-me valores que me aproximam da maioria das pessoas que considero amigas, outras com quem simplesmente convivo, valores que tentei transmitir aos meus filhos, o que também me parece normal, comum.
Não sou e não me considero melhor ou pior do que ninguém. Não sou nem pretendo ser ou parecer mais sensível do que todos os outros e mais uma vez constatei isso, agora, quando a notícia do jornal passou do papel para as palavras das pessoas com quem convivo, ou melhor, vivo, diariamente, na escola, e que conheciam a Joana. Não é possível alguém permanecer indiferente ao conhecimento e à proximidade de uma tragédia tão sem-nome. Senti o choque da incompreensão. Esses tais valores foram violentamente derrotados, quando tomei conhecimento "directo" com a notícia, uma notícia igual a muitas que aparecem no jornal, mas não passam daí, do papel, do ecrã, não beliscam a nossa vida de pessoas comuns com casa, emprego, colegas e amigos, família.
Esta, sim!
A Joana não é uma personagem. A Joana é uma menina da nossa escola, com retrato no livro de ponto, como os outros alunos da escola e todos os papéis inerentes à nova matrícula no próximo ano lectivo. As pautas com os resultados escolares ainda estão expostas nas janelas do "Polivalente". A Joana é uma aluna brilhante.
Pela escola, fala-se muito da Joana, mas cala-se muito toda esta tragédia que até nos envergonha como seres humanos, pois, pelo que dizem os vizinhos e pessoas que conheciam a família nada podia fazer prever um acto tão cruel da parte de um pai que procurava dar às filhas o que é normal os pais quererem dar às filhas: conforto, segurança, educação.
Estas linhas têm já dois dias de amadurecimento. Gostava de ser capaz de lembrar esta menina sem produzir nova onda de choque, mas acho que isso é impossível. Nem sei se estas são as palavras certas para uma homenagem à Joana. Será sempre da minha parte uma homenagem mínima, pois a Joana não era minha aluna. Os seus professores, esses acompanharam-na e traziam bem marcados nos olhos os traços da violência dos funerais.
Para os que não conheceream a Joana a dor desta incompreensão vai-se dissolvendo. Mas neste momento pergunto-me: o que é que nos separa, a nós que nos julgamos normais, dos outros?
O que é que nos pode tornar, de um momento para o outro, capazes de perpetrar a violência máxima?
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Olá, Amigo!

Eu sei que tu és o pai, isto é, sei quem és, o pai do blogger e sei quem é o blogger. Não sou nenhum Poirot, nem nenhuma Miss Marple, mas ainda vou tirando umas coisas pelas outras...
As pistas foram: os temas, o Sporting, o 23, o nome e o also known as Zé. Finalmente o poema. Acho que já o li, aí, em vossa casa. Acho que na altura o poema que li me soube a Zeca Afonso e este, ou o que está publicado no Terminal, soaram-me a Sérgio Godinho.
Além disso, há o Ferrari e a própria imagem do terminal não me é de todo desconhecida. Seixalinho, claro! Ou não?
A imagem do arqueólogo, que vem da Faculdade de Letras e se mete pelos terrenos das Ciências, é que eu não consegui decifrar, ou melhor, ver bem, ver nitidamente, ver "claramente visto" como diz o poeta maior!
Agora a sério: fiquei feliz, com esta nova companhia.
E claro que há muita qualidade no que já lá está: qualidade literária e divulgação rigorosa. É uma boa pedagogia!
E como eu gosto muito, muito do poema, vou deixá-lo aqui.
É uma bela porta de entrada para o Terminal 23!
NADA A DIZER
A não ser...
Dos gordos de boca aberta,
Da vizinha chica esperta
E o cão que só ladra ao serão,
(já agora dos outros que cagam o chão),
Da insónia de chuva
No dia de Verão,
Do azar da bicha
(E essa outra de televisão),
Do vinho a garrafão
que não se sabe vir da uva,
Do adepto da frente, refilão,
Da obrigatória ficha
Para doente do coração,
Do polícia que contesta
O carro em segunda-mão;
Da inspecção,
Dos fartos capachinhos,
Dos que usam terceira pessoa,
Para falar com os filhinhos,
Dos doutores antes do nome,
Da cigana que apregoa,
Dos tios das marcas de feira,
Da casa ao pé da lixeira,
Da funcionária do lar
Que bate no velho a comer,
Do sotaque do padre beirão
(mas principalmente do sermão),
Dos “tunning’s” a acelerar,
Dos que roubam sem se saber,
Dos que dizem prometer,
Do Ferrari do porqueiro
Da Famel do carteiro,
Dos que cantam mal no chuveiro...
...E do que falta acontecer...

...Não tenho nada a dizer.


Felicidades para ti, João!
Podias brindar-nos ainda com mais um dos teus talentos: uma cantiga cantada por ti.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Sinais dos tempos

A 16 de Julho de 1966, «numa iniciativa que constituiu um êxito» e que se ficou a dever ao Clube das Donas de Casa, foi eleita, no decorrer de um jantar realizado no Restaurante Folclore, a Mulher Ideal Portuguesa. A feliz contemplada foi Magda Carol Rodrigues de Paralta Bastos Guimarães Abreu, de 25 anos, casada e mãe de uma filha. Concorrerá, em Agosto, na Itália, ao título de Mulher Ideal Europeia.
Será que aos vinte e cinco anos já a Magda tinha conseguido provar ao país e ao mundo que os seus dotes eram os certos para a função nobilíssima de ser dona de casa?
Cá para mim, ser dona de casa é acordar já com ementas na cabeça e uma lista de compras muito urgente: peixe, carne, alfaces, couves, repolhos... É fazer logo a cama, quase antes de acordarmos e, se acaso nos vamos ausentar, nem que seja por breves momentos, deixar a casa com uma aparência de arrumação e limpeza. A casa da dona de casa não tem um milímetro de pó! A casa da dona de casa tem de estar sempre apresentável: os sanitários devem reluzir, os "inoxes" idem, e o que não brilha tem de se fazer brilhar.
Em toda a minha vida só conheci duas donas de casa exemplares e complementares: a minha avó e a minha tia. Viviam na mesma casa e, sem ajuda de quaisquer criados, faziam as tarefas todas, de modo a que os mais pequenos vivessem felizes os seus dias azuis da infância e os homens encontrassem em casa a recompensa de um árduo dia de trabalho. Como se o trabalho de casa não fosse árduo também!
Felizmente, as coisas mudaram e agora as donas de casa são mais do género desesperado. Eu incluo-me no género, claro!imagens daqui

domingo, 15 de julho de 2007

Outras eras!

Ainda se lembra de como era a vida antes dos telemóveis?, pergunta o Jornal Sol.
Claro que me lembro e só não digo que era mais feliz pois, na minha modestíssima opinião, os parâmetros da dita felicidade estão muito mais relacionados com factores que não têm nada a ver com os telemóveis ou com a tecnologia em geral.
Devo ao meu computador a facilidade e a simplicidade de organizar os meus rabiscos, sejam eles de conteúdo mais profissional ou simplesmente pessoal. Tenho uma, duas, três caixas de correio electrónico e guardo o que quero. O que não quero deito fora, sem ninguém dar por isso. As minhas fotos e imagens também estão muito mais facilmente guardadas. E até as fotografias da minha idade, a preto e branco, amarelecidas do tempo, "voam" por artes que dizem ser da tecnologia (que eu não entendo mas utilizo), voam dizia, para dentro deste quadrado.
É tudo assim, como dizem por aí, à distância de um clique! E estes cliques têm-me trazido coisas boas: restabeleceram-me comunicações, facilitaram-me e facilitam-me a vida.
Mas eu tinha uma vida antes da tecnologia. Era melhor, claro que era, porque eu tinha ainda muitos cabelos pretos, não tinha de olhar para cima para falar com os meus filhos e parecia que a vida era mesmo eterna.
Mas eu ainda vou mais longe do que a pergunta do Sol: eu ainda me lembro da vida sem telefones e sem televisão.
Não havia telefones em casa (eu não tinha!), mas havia nos CTT e havia selos e cartas e palavras.
E até havia "rádio-telefonia" para sabermos que como ia o mundo.
E para ouvir o romance Tide. O Tide resistiu ao tempo, mas o romance radiofónico não. Sucumbiu à tecnologia.
Talvez houvesse mais tempo e pouca necessidade de superar tudo a toda a hora, a todo o minuto, a todo o segundo. Havia talvez mais noção de definitivo, porque a linha do horizonte estava muito mais ao alcance da nossa imaginação. Agora está sempre além, nem que seja em fracções de segundo que só são mensuráveis graças a esta mesma tecnologia.
Toca o telefone a toda a hora, toca, toca...
Dizia a cantiga da moda há quarenta anos.
Agora é a mesma coisa, mas em pequeno e sem fios
Toca o telemóvel. A sério. É a minha mãe.
Sem telemóvel, estaríamos muito mais longe.
Assim, a voz da minha mãe dá-me os bons dias e as boas noites, todos os dias, todas as noites. E isso melhora os dias dela e os meus. As noites dela e as minhas.O Sol, hoje, é que não apareceu por aqui.
Se eu soubesse o número dele, ligava-lhe a perguntar-lhe onde anda o vadio, em pleno mês de Julho?
Enganou-se no hemisfério, ou quê? Ou foi a votos?
Eu, por mim, voto no Sol!
Quando eu era criança, não havia SMS, mas havia uma lengalenga: Nossa Senhora da Conceição, faça sol e chuva não!!!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Afinal...

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... nem todas as árvores morrem de pé.
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... a ferida escancarada, sedutoramente oferecida aos olhares gulosos de dor alheia, é sempre indecorosa, mesmo quando se trata de uma "simples" árvore...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Altos e baixos

Para além de termos o nosso bocado de médico e a nossa dose de loucura,(Que faríamos sem ela?), somos também um bocadinho de filósofos de feira popular.
Não tivemos já todos, ou quase todos, a tentação de comparar a vida a uma montanha russa, que nos leva até uma altura de onde se cai vertiginosamente, para, graças ao engenheiro que engenhou aquele engenho, tornarmos a subir e a descer, e a subir e a descer, e a subir e a descer, até ao fim da viagem?!
Descendo ainda mais no nível filosófico, baixando mesmo até ao cordel, diria que a vida é como as limpezas de verão: descobrimos o que queremos e o que não queremos, encontramos tudo o que anda perdido nas nossas casas que guardam tantos anos de tantas vidas traduzidos em recordações, souvenirs de viagens que jamais (mas aqui é jamais mesmo!) viajaremos. Tudo misturado com pó que nos suja a nossa reputação de limpeza absoluta. Depois, ainda há aquela teoria de que as casas impecavelmente limpas e arrumadas são museus sem vida e nós, seguinores dessas balelas, acabamos por também contribuir com a nossa santa preguiça domingueira, ou de outro dia qualquer, para que as casas tenham este ar de feira da ladra.
Mas o dia da limpeza chega sempre e as tais descobertas também.
Hoje foi o dia de descobrir os meus desenhos do quinto ano do Liceu com uma assinatura que me faz arrepiar de ternura e de admiração: a do Professor João Paulo, ilustre pintor moçambicano. Não é como ilustre pintor que eu o recordo. quando o recordo, quando penso nele vem-me sempre à lembrança um homem muito intranquilo.
Com ou sem razão todos os homens de talento são inquietos.
Mas a sua agitação não era de modo algum incompatível com a condição de professor, com a disponibilidade de professor de pôr ao serviço dos alunos o seu saber.
Recordo-o com ternura e admiração, mesmo com o oito que trouxe até este "espaço".
Fui a exame com 10, 10, 9. Lá, no exame, no Liceu Dona Ana da Costa Portugal, a desenhar uma cadeira ou uma peça de barro em cima de uma cadeira, ou lá o que foi, ganhei um doze. Esse doze era a prova de que o Professor João Paulo foi o meu Pigmalião da cor e do traço: treinou-me no essencial, para que não me saísse mal na prova final.
Obrigada, Professor!
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O desenho á vista. Este não tem nota, mas tem assinatura.
A eis o oito!
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E o "oito" mesmo!
o oito
Nem me lembrava do oito, nem dos desenhos. Lembrava-me sim das aulas e do tal homem tão humanamente desassossegado!
São estes os tais souvenirs que nos guardam as nossas memórias de viagem. Guardamo-los em sítio tão seguro que só são encontrados quarenta anos mais tarde!
Finalmente a assinatura do professor: um autógrafo muito real!
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sábado, 7 de julho de 2007

As novas maravilhas

A primeira nova maravilha, anunciada por um homem que maravilhou a minha geração: Neil Armstrong.
A Grande Muralha da China!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Em verde e sombra

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O tempo aqueceu e, como sempre, o nosso corpo reclama!
Se quer sentir-se melhor, procure um Hyde Park perto de si.
Há sempre um Hyde Park desconhecido à sua espera.
Este é aqui, no meio do deserto. Não tem é Speakers' Corner.
Aliás, é até proibida a circulação de qualquer "arado com rodas", pois pode estragar-se o ramalhete, como estas hortenses tão belas e tão protegidas dos raios perigosos emitidos a partir do astro-rei.
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A cor violeta das flores não deve ser compatível com os raios do mesmo nome!
Os verdes por aqui estão muito apetecíveis mas eu acho que vou procurar os tons de azul para outras paragens mais afastadas de uns desertos e mais próximas de outros.
Até já!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

(...)

"I can look pretty damn good for my age. But my God, that's not the whole story. I'm a much better actress, I'm a mature woman and I have so much more to offer."
Raquel Welch
Pois é, Raquel, eu também detesto quando me dizem que eu estou muito bem para a minha idade... Quer dizer que a idade se nota mesmo bem e os efeitos, não me venham com "tretas", não são nada fáceis de aceitar.
Imagem daqui.
Frase tirada do sítio da Oprah!

Ser ou não ser

Ser ou não ser fã da Oprah é o meu novo dilema.
É novo pois eu nem sabia quem era a Oprah e muito menos imaginava que fosse autora de um programa de TV, um talkshow. Quando soube fiquei de pé atrás. Tenho deste mundo da TV uma ideia que não é assim tão boa, sobretudo quando os programas elevam determinadas pessoas às alturas de um estrelato, para o qual não estão sequer preparadas, e assistir ao sobe e desce destes mitos não me desperta nenhum interesse especial.
Como nem sabia que já tinha Sic Mulher, passei muito tempo sem poder participar nas animadíssimas conversas sobre a Oprah.
Mas eis que a pobreza televisiva dos nossos canais principais me levou a tentar perceber o mundo da Oprah.
E estou a gostar!
Ontem, dois convidados e duas causas deixaram o meu coração mais macio, com vontade de acreditar num futuro melhor: a causa dos pijamas e a causa dos livros.
O projecto de Oprah passa também pela escola, pela educação, sobretudo das raparigas.
Está aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

É a vida!

Curioso, o "Chora", numa tentativa provavelmente pouco conseguida de chegar aos calcanhares da Revista Caras, espiolhou e encontrou uma história de vida e de morte que ilustra o dia, o já tão célebre dia, 4 de Julho!
Não interessa nada a não ser como ilustração da não menos célebre questão quase existencial: há ou não há coincidências.
(A MRP diz que não!!!! Mas eu não li o que ela diz sobre o assunto, para além do título!)
(Com ou sem coincidências, são imensas as situações da vida que fogem à nossa capacidade de determinar. E todos um dia recebemos uma transfusão de humildade que nos repõe os níveis de humanidade. Pelo menos, durante algum tempo.)
O sítio da História conta então que dois ex-presidentes do Estados Unidos, rivais e diferentes, morreram no mesmo dia, com cinco horas de diferença.
São eles Thomas Jefferson e John Adams!Conta o mesmo sítio da História que, passadas as rivalidades inerentes à vida política activa, mantiveram durante os últimos catorze anos de vida uma correspondência amigável.
Adams, diz o sítio, no seu leito de morte, na sua lucidez de resistente, terá pensado em Jefferson, dizendo que este lhe sobrevivia. Enganava-se. A morte tinha passado cinco horas antes por Monticello, para levar Jefferson.
Monticello vale a visita e, como todas as casas, pode dar-nos a conhecer melhor o seu proprietário.
E como a História é às vezes mais surpreendente do que uma novela mexicana e admite todas as coincidências, outra pesquisa mostrou-me que foi um bisneto de um português de Idanha-a-Nova, quem reconheceu o valor, a riqueza de Monticello e lançou mão à obra de um projecto de recuperação.
Se continuasse a pesquisar muito mais iria encontrar, certamente!
Resta saber se chegaria a alguma conclusão acerca de haver ou não coincidências!!!

Imagem daqui

terça-feira, 3 de julho de 2007

Não sei porquê mas...

Mas este dia de Verão faz-me lembrar a cantiga que o Carlos Mendes levou ao festival da Eurovisão: o Verão já terminou. Foi um sonho que findou...
Foi em 1968.
Sejamos positivos: vamos acreditar que a vida ainda nos presenteia com uma Festa um dia destes!
Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam pendas de alegria
E a festa dure até ser dia...
É sem dúvida um belo poema do José Niza e o Carlos Mendes cantou-o bem.
Recordo que foi o nosso melhor êxito no Festival, isto é, o nosso melhor lugar.
Dá gosto recordar!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O S. Pedro também já se acabou!

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Agora é o desfazer da festa.
Primeiro são os feirantes que arrumam aquela mercadoria toda e aí vão eles para outras festas. Depois são as atracções que dão à zona das festas um ar de Luna Park, que me atiram para esse tal tempo em que o Luna Park tinha o seu quê de magia, no carrocel, que passava logo a prova de coragem na montanha russa e no chicote.
Há algodão doce, que sabe ainda a infância e pipocas que, pelo menos para mim, perderam conotações mais felizes.
Essas maquinetas e seus barulhentos motores desandam com facilidade, graças às pequenas dimensões.
As farturas são definitivamente a atracção máxima das feiras. Chega-se lá pelo faro. Sem farturas, as feiras seriam definitivamente uma "maçada".
Finalmente o último "despreparativo": desmontar os enfeites, levá-los e guardá-los.
E os lugares voltam à monotonia de todos os dias, com mais ou menos sol, mas todos os dias iguais.

domingo, 1 de julho de 2007

O Nome do Cravo

O Cravo chama-se Salgueiro Maia. Chamar-se-á pelos tempos, implodindo o esquecimento dos dias da liberdade, dos dias dos cravos vermelhos que floresceram, naquele Abril, no Largo do Carmo, nas armas e nos cantos, nas palavras e nas mãos dos soldados, dos homens e das mulheres.
Em nome desses dias, obrigada Capitão!Imagem daqui.
(1 de Julho de 1944, Castelo de Vide - 4 de Abril de 1992, Santarém)

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Nunca pensei...

... poder produzir um post de uma sala de espera de um dentista.
Ás vezes até penso que estou em casa, dada a semelhança dos barulhos que me ocupam a concentração, ou desconcentração, que preciso para estar aqui.
É que há ruídos de brocas, como no segundo andar do prédio onde moro.
Também há marteladas.
Por enquanto ainda não vi sair ninguém com ar de ter sido submetido a obras de remodelação muito profundas que justifiquem a existência da banda sonora das obras.
Eu, hoje, não sou paciente. Quer dizer, sou paciente, não sou é doente...
Sou acompanhante.
Vá lá que têm este computador na sala de espera. Bem pensado!
Estou aqui!
Há métodos e métodos...

Imagem daqui.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Dignidade, pede-se!

Ontem, na Ordem dos Economistas, mais uma vez, um elemento deste governo socialista errou!
Pensando melhor, pecou, no sentido moral que a palavra tem: para compor bem a sua ironia, recorreu aos pobres, dizendo que a estes podiam ser dados os medicamentos fora de prazo. Não ouvi mal. Foi o que o Senhor Ministro disse e o que a TSF passou, nos noticiários da uma e das duas da manhã.
Em debate estava o desperdício de medicamentos e consequente desperdício de dinheiro. Alguém, da plateia, levava um saco de medicamentos fora de prazo cujo valor em dinheiro perfazia mil e setecentos Euros. Não percebo de determinados assuntos e nem sei como se pode evitar tamanha aberração, mas não é certamente com a resposta que o Senhor Ministro deu, como já disse, recorrendo aos pobres, para melhor compor a sua figura de estilo: a ironia.
Falou de uma Associação que eu presumo esteja relacionada com as Farmácias e, para agravar mais esta insensibilidade, o Senhor Ministro falou de pobres da quinta e da sexta...
A jornalista terminava a peça dizendo que se falou "francês". Mas a mim parece-me que está em causa mais do que uma "gaffe". Está em causa a dignidade da condição humana.
Pensei então no Partido Socialista, nos seus princípios ideológicos, nesse partido onde me inscrevi em 1975, consciente de que esta era mais do que uma opção partidária: era o lado da humanidade onde eu queria estar. Era o lado dos mais fracos e eu acreditava que podia defendê-los, quanto mais não fosse pelo exemplo, pela palavra, pela solidariedade.
Mas os pobres estão cada vez mais pobres e até os que o não são em termos materiais se sentem empobrecidos em valores e em ideal!
Que país terá a geração que se segue?

terça-feira, 26 de junho de 2007

And the winners are....

A Azulinha, para além de ter dado à luz e ao mundo duas meninas e um menino, "parturiou" a ideia de uma distinção mais brilhante do que as distinções de Hollywood, pois vamos falar de princípios de princípios.
No princípio era o verbo, diz a Bíblia.
Logo a seguir, deve vir o ovário.
O ovário é um orgão recatado que se aninha num colo de mulher, logo assim que ela nasce, no colo de outra mulher, como se nem sequer existisse, para, alguns anos mais tarde, começar a fazer sentir a sua influência-rainha.
E assim será por todo o tempo do tempo.
Primeiro, a puberdade. A menina está mal-disposta e a culpa é do ovário.
Depois, vêm ou não vêm bebés, e a culpa é do ovário.
Quando finalmente ele resolve retirar-se, é o fim: o corpo não sabe o que fazer sem aquela presença a marcar desde sempre o ritmo da vida.
É calor! É frio!
É pau! É pedra! É o fim do caminho!
Não... esta é a Elis Regina!
(...são as águas de março fechando o verão...)
Estás a ver o que arranjaste Azulinha?
Então vamos lá desembaraçar os trabalhos e falar de hormonas feitas em blogs!A primeira nomeação é a primeira que me veio à pele, quando percebi que estamos a falar de coragem, entre outras coisas: Amigas do Peito.
É tempo de voltar, de abrir o coração e acreditar.
E, às fadas e aos duendes que guardaram o jardim dos nossos
Sonhos, oferecemos as mais lindas cores do arco-íris.

Lendo a Ana,a minha irmã de coração!, percebemos que só a coragem e a esperança nos podem salvar a vida.
Falar abertamente dos nossos medos é o desafio que elas nos lançam, sobretudo tratando-se de um medo que mora junto ao coração. Para grandes medos, grandes mulheres, ditará a sabedoria para o futuro das nossas filhas.
Passamos claro para a Azulinha, ela mesma. Pois é! Tenho muita pena mas não posso deixar de a nomear, pelas razões que outros a nomearam. Basta ler como ela participou ao mundo que tinha "o rei na barriga"! Esse Miguel, que nos deixou a todos com o coração apertadinho, durante tantos dias.
Mas a razão principal é a garra com que ela agarra o seu Azulão: sem medos. Contra as "top models", marchar, marchar!
A Teresa também é chamada para esta cerimónia, na categoria de "ovários com causa". Se eu estivesse no lugar dela acharia que esta nomeação era peanuts, comparando com as distinções que já foram atribuídas à Escola pelo seu trabalho. Mas eu acho que ela vai gostar deste prémio pois sabe que eu reconheço a verdade do seu empenhamento na causa do Ambiente.
A Teresa ensina-nos a cuidar do planeta desde os gestos mais elementares. Obrigada, em nome dos meus filhos e dos meus netos!
Seguem-se a Laura, a Pitucha, a Chuinga e a Ti.
Já excedi? Não faz mal. Isto aqui é a sério, não é como na Função Pública.
Brincamos, não?!
Elas são as minhas leituras muito obrigatórias e é muito para elas que eu escrevo. (Porque a minha família não me passa cartão, quanto mais prémio!)
Os homens também vão ficar de fora. Já expliquei que isto é a sério que não é, salvo seja!, um partido político!
Mas ainda não acabei: há um prémio muito muito especial.Ddaquelas coisas que a gente diz que é para o futuro e este é mesmo. A Thita! Thita, à tua saúde, à tua vida, ao teu futuro! Que a vida te abensonhe, para usar as palavras do poeta da minha terra que tem um não sei quê de ovário na sua escrita e no seu nome.
Foi um enorme prazer compor este ramelhete!
Façam o mesmo, por favor!
Imagem daqui.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Viva Moçambique!

Só provei o sabor das raízes, quando o longe intransponível mo deu a provar.
O tempo cozinhou uma alma que deseja em tempo inteiro o que não está, o que não é. Mas, presumo que isso seja um cozinhado normal de almas, em qualquer canto do mundo, levado a cabo por um cozinheiro de conhecimento e saber universais.
O tempero das tais raízes tem uma intensidade que ciclicamente se acentua e não se apaga nunca. Ferve! Pica. Quase dói, mas apetece!
(Não se trata de saudosismo barato, pois estou bem onde estou. Esta é a terra dos meus filhos e essa é a minha fortíssima raiz saloia.)
Mas gosto de recordar as ruas das minhas primeiras idades e sonho, um dia, repassear esses espaços, ao som de um tempo que se chama agora e, em nome do qual, estamos hoje aqui a dizer em uníssona esperança: Viva Moçambique!
LM by Luí Boléo
Fotografia do meu cunhado.

sábado, 23 de junho de 2007

In and out!!!

We have broken all the blackboards
so the teachers cannot write.
We have painted all the toilets black
and all the lockers white.

We have torn up all the math books
and we've locked the school's front door.
There won't be school no more.

Glory, glory hallelujah!
School is closed now, what's it to ya?
There won't be no more homework
and there won't be no more tests.
There won't be school no more.
by Bruce Lansky
Este tal Bruce será aluno?(Imagem daqui)
Ou será professor, com alma em estado de sítio?
Não sei porquê mas inclino-me bastante para a segunda possibilidade.
Embora, às vezes tenhamos surpresas. E surpresas absolutas. As tais que se costumam rotular assim: as coisas vêm de onde menos se esperam e quando menos se esperam.
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E são estas contradições que nos ensinam a viver!