domingo, 6 de janeiro de 2008

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cheios de sorte

Um dia é Natal, no outro é Fim de Ano, Reveillon mais ou menos, e, logo a seguir, Dia de Ano Novo. No dia seguinte, já há outra coisa para entreter o nosso pensamento: o famoso "Paris-Dakar", que já vai em "Lisboa-Dakar" e já foi "Portimão-Dakar".
(A malta tem sorte, pá!)
E com o patrocínio do Euromilhões, jogo da Casa da Misericórdia.
(Já não se chama Santa Casa, pois não?)
"Entretém-te", diz o Zé Mário Branco, no FMI. O que é preciso é estarmos todos muito entretidos, enquanto se fecham hospitais, enquanto se decide acerca de um problema maior para as nossas vidas, o problema do nome dos santos nas instituições e, daqui a pouco, nas freguesias e outros lugares, enquanto a esperança, que devíamos respirar a plenos pulmões, vai murchando, em cada fim de dia....
Siga o Rally, para gozo de muitos! Sem acidentes, claro!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Efeito BB

A crónica é de hoje, do DN de hoje, e chama-se "Talvez ternura!" e está assinada por Baptista Bastos.
Ao contrário do quase habitual registo de amargura, perpassa nas palavras do escritor o desejo do bem, o anseio das coisas boas, daquelas que criam boas emoções às pessoas, as fazem felizes, as torna melhores, lhes dá (ou devolve!) a capacidade de sonhar e a possibilidade de se enternecer, que é o que acontece quando os nossos sentidos desmaiam de felicidade súbita e inexplicável.
Sinto-me às vezes ré na culpa do desaparecimento dos desejos e dos sonhos. É pena máxima viver sem sonhos. Mas, nos dias de hoje, só os loucos reclamam os seus sonhos perdidos. Os sensatos passam ao lado, equipados de realidade, imunes e ilesos. Sobrevivem e mandam no planeta. Que chatice!
Obrigada, BB, pelo assomo de ternura!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Faço minhas....

... as palavras dele!
Malaposta,1 de Janeiro de 1988 - "Começo bem o ano. Na firme disposição de o merecer custe o que custar."
Miguel Torga, Diário XV
Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades. O contrário só acontece aos poetas!Continuaremos a caminhar, deixando as marcas e as sombras junto ao mar, que levará e lavará os cansaços destes passos!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Hoje é o dia em que a expectativa toma conta de nós. Eu (e quem sabe? todos nós!) queria que a vida fosse simples e que a mudança do calendário correspondesse a uma correcção mágica de algumas imperfeições dos nossos dias. Vale a pena desejar, quanto mais não seja pelas forças do bem que os bons desejos libertam, desagrilhoando-as da mesquinhez, das vaidades vãs e outras.
Brindemos pois a um ano bom!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Nomes e coisas assim

"Disse-lhe que certos povos, em África, acreditam que o nome guarda a essência do indivíduo, o seu futuro, o seu passado. Por isso têm um nome público e outro secreto, o verdadeiro, utilizando apenas em cerimónias secretas." José Eduardo Agualusa, in Fronteiras Perdidas
O problema dos nomes veio-me à ideia, a propósito do jantar de bloggers. Quase todos têm um nome blogosférico que, de algum modo, preserva de algum dissabor, ameaça, ataque quer da vida real quer da outra, da virtual, da second.
(E eu sei que há casos desses, embora a mim nunca nada do género me tenha acontecido, a não ser na vida real, ela própria.)
A opção do nick não significa distâncias de personalidade, neste caso. O que é visível nos bloggers, à "primeira vista", é mesmo o pensamento, o miolo, o que vai cá dentro. Bom, mau, pior ou melhor. É esse que sobressai. Haverá talvez na construção do blogger uma dose de desejo que o mundo cá fora não dá atenção e que neste mundo aparece como o nosso fato principal, o uniforme de gala.
(Quando os mais próximos (da vida real) me apontam certos defeitos, acusando-me de os esconder, ou não exibir na comunidade virtual, eu argumento com o desejo de ser melhor, que, ultimamente tomou conta de quase todos os meus outros desejos. A idade, isto é, a velhice, adoçou o meu pai, adoçou a minha mãe e eu espero que me adoce a mim também.)
Parafraseando o vendedor da banha da cobra: não estou aqui para enganar ninguém, nem para me enganar a mim mesma, por isso, optei pelo meu nome real, que herdei da minha avó, para além de um resto de verde nos olhos.
Continuando a paráfrase, não estou aqui para criticar ninguém e gosto tanto dos nicks que não consigo deixar de os usar, para lá da blog.
Aconteceu isso com a Chuinguita, com a Tangerina (Olá Renata!), com a Bette Davis, com o Molin e vai acontecer com a Azulinha e com os outros meninos e meninas que foram ao jantar. Não é por mal, sim?
Como eu expliquei à Aenima, eu também já tive um nick, no tempo do Pastilhas, do MEC. Era Supertia, por sugestão do meu sobrinho Pedro, sobrinho verdadeiro. Hoje quase me envergonho do nick que na altura me pareceu sugestivo e com enorme carga de gozo. Pensava que me ia divertir imenso e assumir uma supertia com dupla personalidade, resguardando a minha própria. Enganei-me de algum modo e fui ultrapassada pelo boneco. De repente, senti-me tia de verdade de uma série de sobrinhos de verdade. Afeiçoei-me à ideia e a aos sobrinhos que ainda hoje contam nos meus afectos. Entretanto, já na blogosfera, ganhei sobrinhos: a Pitucha, a Ti.
É que eu gosto mesmo de ser tia. Talvez por ter tido as melhores tias do mundo!
Elas gostaram de mim incondicionalmente e, mesmo nos piores momentos, quando eu dei uma dentada na minha prima, não senti que o castigo dado tivesse a ver com falta de afecto. Apesar de eu ser feiosa, elas enfeitavam-me, como se enfeita uma princesa, com bordados e laçarotes. Elas fadaram-me para ser feliz e, na medida em que consegui, a elas o devo. Obrigada, tias!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Completamente azul!

Ontem, o dia começou e acabou em tons de azul.
De manhã, o mar...
Estava assim:O azul devia estar a cem...(por cento, presumo!)
À noite, estava a cento e vinte e cinco, vezes duas, que dá (deixa cá ver se eu ainda sei fazer contas!) duzentos e cinquenta azul.
Foi giro! Foi divertido! Foi animado! Foi bom!
(O nosso PM teria dito: porreiro, pá!)
Foi discutido!
(Aquela cena dos professores e os amores da ministra dá sempre confusão. Devia abolir-se o tema de qualquer convívio!)
Foi verde!
(Até o marido da Chiqui que é americano de gema está perdido de amores pelo Sporting!)
Foi doce!
(Muito chocolate, muito chocolate, muito chocolate!)
Foi bilingue!
(A Azulinha média falou Inglês o tempo todo, revelando-se uma anfitriã 400 estrelas!)
Foi simpático!
(Tirando a parte da discussão dos professores, mas isso já nem conta!)
Foi picante!
(Mes eu não apanhei o picante, pois preferi conhecer melhor a Aenima e acho que a minha escolha foi muito boa. A Calamiti juntou-se a nós e trocámos ali meia dúzia de ideias. É preciso aprender com os mais novos. Obrigada, meninas!)
Foi bom conhecer uns e rever outros, ou melhor, outro!
Espero que a parte da dança tenha sabido bem à Calamiti que estava danadinha para dar ao pé!!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Alice

Alice!
Chamar-te-ei Alice, por analogia com a outra Alice que, tal como tu, ultrapasou as fronteiras de um mundo que não contribui para a felicidade dos homens. Nem tão pouco dos bichos, quanto mais dos homens ou da mulheres! Felizes os que sabem sonhar sonhos libertadores, sonhos verdadeiros, sem precisar de recorrer a qualquer artifício provocador de sensações.
Ali estás tu, Alice, em conversa serena e feliz com a mulher que te devolve o sorriso, que te acaricia o cabelo, passando-te os dedos, com vagar, sobre as madeixas brancas que te aconchegam as têmporas. Nada acorda sequer o teu tacto, também envolvido na ilusão.
Que segredos lhe contas, Alice, horas a fio, sem que as tuas pernas se cansem de ficar ali, em pé, no meio do imenso e nervoso corredor? Nem o ruidoso elevador para cima e para baixo, constantemente, estupidamente, com visitas, comidas, pessoal e acessórios de limpeza, te interrompe essas conversas longas.
O espelho e tu fazem-se companhia. Tenho a certeza que o espelho só reflecte mesmo a tua imagem. Nada mais! Serve apenas a tua fantasia e a tua vontade de ser feliz, passe por perto a adversidade que passar.
O teu cabelo brilha e compõe-se naturalmente, nunca se desgrelhando em poses inestéticas ou infelizes. Só os cabelos dos loucos se eriçam, lutando também eles contra a ameaça da normalidade. Os teus, não. Os teus convivem com a tua normalidade que é o que interessa! Cada um tem a sua normalidade, não é, Alice? E a tua é esta que vislumbras para lá do espelho e para a qual sorris o teu melhor sorriso, belo e verdadeiro. A tua pele também brilha, o que não acontece com a pele da maioria das mulheres da tua idade. E mesmo de outras, mais novas! Falta-lhes ilusão.
Estou certa que tu e ela falam de tempos distantes em que tu, Ou ela, quem sabe?, eras levada nos braços de príncipes, ao som de melodias inesquecíveis que ainda hoje podes ouvir naquela telefonia antiga que está do outro lado do corredor. Ou mesmo num posto de rádio nostálgico que passa essas cantigas, precisamente por serem inesquecíveis. E tu recordas o brilho desses salões e quase danças, quando percorres o imenso corredor e cumprimentas estes e aqueles, como se estivessem, como tu, numa grande festa da vida.
(Como tu estás enganada, Alice! Mas Deus te guarde e te conserve essa ilusão!)
Quando passo por ti e pelo teu espelho, não ouso olhar. Finjo-me distraída para não interromper o teu convívio com a outra Alice, do lado de lá do espelho.
Mas, um dia, havemos de falar e hás-de contar-me tudo sobre o teus sonhos. Quando os nosssos próprios sonhos nos não alimentam mais, há que recorrer aos dos outros.
De vez em quando, vejo-te lançar um sorriso para o lado de cá, para um dos jovens do teu tempo dos muitos que vagueiam e habitam o teu corredor. Eles não te retribuem a doçura do teu gesto, não entendem que és uma Rainha a dizer adeus aos Valetes de todos os naipes, porque a tua delicadeza está muito para além dos separatismos que a existência de vários naipes pressupõe.
O teu espelho é um trunfo que jogas para ganhar esta partida e talvez o jogo!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Males que vêm por mal...

...ou coisa que o valha!
Gripe aviária: oito mil perdizes vão ser abatidas até amanhã
Ao ler este título de notícia, o meu coração bateu acelerado: é desta que a gripe das aves chega a Portugal, para dar cumprimento a profecias de cenários catastróficos que nem o tremor de terra de 1755 teria causado, se já tivesse sido inaugurado no Terreiro do Paço a mais famosa estação de Metro que há no mundo. Mais famosa, sim, porque a mais cara e a que demorou mais tempo a fazer. Deve ter entrado para o Guiness que é uma coisa muito importante para os portugueses!
Com a perspectiva da gripe, já nem me importa que a minha escola seja presidida por um director ou gestor, que suba ou desça a taxa de juro indexada à prestação da minha casa, que o aumento de ordenado seja outra vez igual a zero, que o aeroporto seja em Alcochete ou na Ota, que fechem as maternidades, etc
Notícias destas fazem muito "estrago" no descontentamento do povo o que dá muito jeito a quem manda.
A gente já não se descontenta tanto e o governo agradece!

Imagem e notíca do Público

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Inglês Técnico

diss iss de uei mai setudents raite. uot quén Ai du? Ai mei prei end ásque for a miraquêl.
Santa is camin sun. If iu mit Santa, plize tel rrim abaut diss.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O que custa mesmo é não saber viver

Saber viver é vender a alma ao diabo
Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
((Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?»)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.

Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.

Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»

(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)

Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...

Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?

Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!

Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.

Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!

E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...

Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer?

Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!

Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...

Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!

*

Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...

Alexandre O' Neill, o poeta que rimou sempre os versos do inconformismo, temperando as palavras de uma irreverência que jamais lhe destruiu a poesia!
Que falta faz o homem neste país, dolorosamente convertido à ideologia da imagem, do parecer bem, do ter sempre cada vez mais, daquilo que se vê e dá nas vistas, mesmo que para tal se tire ao que dá no estomâgo!
Mas isto é fácil de dizer, para uns quantos como eu a quem a fome não bate à porta.
E quem diz fome de pão, pode dizer também fome de sonho!
Este poema traz-me uma lembrança antiga, muito antiga e que, por alguma razão, sobreviveu ao naufrágio de outras recordações: era uma senhora de muito boas famílias que tinha perdido o tino e sabem quem preenchia os seus sonhos (seriam devaneios?) amorosos? O Pai Natal! E trazia sempre consigo uma grande mala de viagem. Seria de cartão, certamente! A ela isso não lhe interessava nada. Aquela era a sua bagagem. Ali estava o que precisava para "juntar os trapinhos" com o o Pai Natal.
Precisamos de alguns elogios da loucura como a deste poema, para levar a cabo a desintoxicação provocada pela vã elegância dos senhores que mandam no mundo.
Obrigada, Poeta!
Alexandre O'Neill nasceu a 19 de Dezembro de 1924.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Happy Birthday, Spielberg!

"Everything wanna be loved. Us sing and dance, and holla just wanting to be loved. Look at them trees. Notice how the trees do everything people do to get attention... except walk?" Spielberg é um homem de esperança na humanidade. A rejeição tê-lo-á ensinado a lutar pela compreensão entre os diferentes. O seu ET é um Principezinho da era do cinema de efeitos especiais. A fantasia é sempre um trunfo nestas questões de humanidade!
Parabéns, Spielberg!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Dos dias

Falta alguém? perguntei, como sempre, apesar de ter já notado a ausência daquele volume de caracóis desalinhados e pretos, libertados, daqueles olhos também encaracolados de mimo e doçura, tanto, tanto, que até dá para semicerrar as pestanas e avançar em direcção a mais um abraço que o espere, tropeçando em quem empatar esse caminho.
Acabada a pergunta, bateram à porta. É o João, gritaram os outros. Abri a porta, à espera do sorriso doce. Não! Enganara-me. Não sorriu, não se moveu, não falou. Os olhos quase rebentavam num brilho estranho. Até os caracóis negros embaciaram.
- O que foi?
Nada. Nem resposta. Nem razão. Nem choro. Nada.
Insisti. Outra vez: nada!
De repente um choro convulsivo e muito molhado rasgou-me o entendimento: doem-me os pés.
Uns minutos depois veio a explicação:
- Há um ano fui operado aos pés. Eu não tinha aquela curva que vocês têm. E agora, às vezes, tenho muitas dores e nem consigo andar.
(Meu Deus, não foi para isto que eu "fui para professora"! Andei o resto do dia, vou ficar muitos dias com o desenho daquelas dores injustas nuns pés de dez anos. Eu que pensava que só aos mais velhos é que as dores acontecem!)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Desencontros

Há crianças que sofrem a máxima violação ao seu direito de crescer: a fome. E há gente grande que usufrui do fausto máximo, em palcos de abundância indecorosa. Chocantemente indecorosa, sobretudo quando passam, no pano de fundo da nossa consciência de cidadania, os olhos tristes dessas crianças.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Convite

A Editora Contra Margem e a Biblioteca Orlando Ribeiro têm o prazer de o/a convidar a a assistir ao lançamento do livro ÁGUA E TÂMARAS de Ana Sousa.
A obra será apresentada por Maria de Lourdes Osório, na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, Lisboa, no dia 6 de Dezembro, pelas 18 horas.
Prometo deixar aqui a reportagem das emoções que vão desfilar ao longo da noite.
Que orgulho, Nini!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ele há sorrisos, também!

Que nascem nos olhos dos meninos a quem a vida ofereceu um coração a sério, em vez de brinquedos e outros bens que não se comem, mas alimentam os sentidos e ajudam a crescer. Como os livros, também.
Esse sorriso activa-se directamente no coração, oferecendo ao dono do coração um brinquedo, um livro ou uma peça de roupa.
É muito simples: dá-se aqui, numa escola, e o sorriso vai nascer em Timor, na carinha de um menino ou de uma menina. Isso é que é mais difícil saber! Ainda não há ecografias para ver a cor deste sorriso em Timor, no dia 24 ou 25, ou seja, no dia de Natal. Seja azul ou cor de rosa, tem laivos verdes de esperança e laivos brancos de paz.
Acende já neste sorriso!

(O sorriso acende-se através de uma escola.)

Ele há sorrisos!

Estudo conclui que maioria das pessoas desconfia dos sorrisos dos políticos
Nem era preciso altos estudos para chegar a esta conclusão.
De qualquer modo, é bom que a hipocrisia da maioria dos políticos seja cientificamente confirmada e a sondagem pode ser um instrumento de medição desta hipocrisia!
Como não podia deixar de ser, quando abro um ficheiro na minha memória, ela dispara outros, tipo mediaplayer...
Smile an everlasting smile, a smile can bring you near to me...
Bee Gees, claro!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Vozes

Também se pode mandar calar as gaivotas?
Sei que o seu grasnar dista do habitual modelo de melodia que a maioria dos ouvidos dos homens diz configurar o seu gosto, sobretudo porque configura a convenção.
Mas esse grasnar desordenado e desordeiro remete-me para um conceito de liberdade ideal que nunca atingirei num mundo dominado por modelos e convenções.
Recordo-me do dia, da manhã cedo, em que quase atropelei uma gaivota: depois do susto da surpresa, veio à tona do meu pensamento que aquela gaivota podia ser Fernão Capelo com asas cansadas do tempo, da idade...
Hoje, programei os meus sentidos para acordar com as gaivotas, mas elas continuam em silêncio.
Não me digam que também se pode mandar calar as gaivotas?!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Efeito Darwin

"Segundo o autor(Andrew Keen), a Internet do YouTube, da Wikipedia e do Facebook tornou-se num espaço lúdico de amadores desocupados, reflectindo a ignorância, a mediocridade e a superficialidade desta macacada humana.", do Jornal Público, do Suplemento Digital.
É razão para auto-despedimento com justa causa. Ou não?
Chamam-me macaca ignorante, medíocre e superficial e eu não reajo?O jornalista Norberto Nuno de Andrade respondeu bem ao Senhor Keen: "(...) a Internet não é, nem tem de ser, uma ferramenta para profissionais e sobredotados, mas um meio de criação e expressão aberto a todos, através do qual qualquer um de nós pode imaginar, experimentar e inventar."
Posso, porém, reagir bem a esta comparação, perante a ternura desta macaca com o filho ao colo. Ternura que os dois, mãe e filho, conjugam no plural das duas vidas e no singular da relação única, sejamos nós primatas de outros tempos ou destes tempos.
Tenho dito, Sr Keen!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Dos Jornais


É que agora, cada vez mais, a escola é para todos. Ninguém está preparado para isso, nem a escola, nem a sociedade. Tirem-se conclusões, sim, mas, acima de tudo, procurem-se soluções que não passem por um sucesso administrativo imposto pelo medo.
É claro que as mudanças de ciclo são as partes mais visíveis do insucesso: não há legislação específica para a retenção nos outros anos, especialmente no primeiro ciclo. E há a escolaridade obrigatória que também ainda coincide com um fim de ciclo.
Tudo isto existe, tudo isto é triste e convém que não nos resignemos ao resto da cantiga que diz que tudo isto é fado. Peguemos todos no fado e mudemo-lo!

sábado, 24 de novembro de 2007

Pompa e Circunstância

- Mamã! Mamã! Acorda mamã!
A mamã Flamingo desembrulhou a perna, pousando-a no rio mais depressa do que habitualmente, assustada com os gritos aflitos do bebé flamingo.
- O que foi? – Perguntou a mãe Flamingo, dirigindo-se para o sítio onde o Flamingo Zé gritava impacientemente.
- São barcos, mamã, com muitas bandeiras. Estão a chegar muitos homens. O que é que vai acontecer, mamã?
A Catarina Flamingo tentou então explicar ao filho que os homens não iam chegar perto deles e ninguém lhes ia fazer mal.
- Como é que sabes, mamã?
- Ouço as conversas das gaivotas que vão, como sabes, muitas vezes, a terra e trazem notícias frescas.
-Os homens estão felizes, filhote Zé, porque nós construímos aqui a nossa Flamingolândia.
Reparou então que o Flamingo Zé nem tido tomado o pequeno almoço. Estavam ali as algas todas que tinha preparado umas horas antes, ainda todo o rio dormia. Ficou preocupada e explicou-lhe que precisava de comer as algas para ter, mais tarde, quando crescesse, a cor rosada de que tanto se orgulha a espécie.
Entretanto chegou a Gaivota Fernão e explicou a razão de todo o burburinho: havia uma inauguração. Vinha a Pompa e a Circunstância!
- Quem são esses? - Perguntou o Flamingo Zé, muito atento que estava àquela conversa de aves crescidas.
A Gaivota Fernão não sabia, mas chamou o avô Capelo, conhecido naquela zona ribeirinha, pela sua sabedoria. Ele era do tempo em que os pescadores ali se juntavam para a faina e aprendera muito com as conversas que ouvira.
- Não te preocupes, Flamingo Zé, a Pompa e a Circunstância não vão demorar e têm tanto que fazer pelo país fora que nunca mais aparecem por cá. São os tais importantes que se mostram para as fotografias e câmaras de televisão.
- Logo à tarde, já teremos outra vez vida normal, garantiu a Gaivota Capelo.
O Flamingo Zé começou então a comer as algas, com o apetite devorador das crianças felizes!Esta é uma história que eu vou guardar para os meus netos, quando passear com eles à beira-rio, deslumbrando-nos com a comunidade de flamingos que se mudou para estes lugares!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Este foi o dia...

...em que o marinheiro e o mar se encontraram, não para se derrubarem, mas para escreverem juntos mais uma página salgada da História dos homens e dos mundos.
O marinheiro: Vasco da Gama.
O mar: Adamastor.
22 de Novembro de 1497
olhar o mar
É a olhar o mar que o mar se aprende!

domingo, 18 de novembro de 2007

Efeito C. D. S.

Efeito C de Crónica, D de Daniel e S de Sampaio
As mudanças sociais tendem a atribuir à escola um novo conjunto de funções, nem sempre bem definidas: além de instruir, os professores são chamados a apoiar, socializar ou encaminhar para outros contextos alunos com histórias de vida, expectativas e capacidades muito diferentes.
Os professores sabem-no!
Era uma vez uma professora de Português! Na pele estava a origem distante das terras descobertas por Diogo Cão ou outros famosos do nosso passado não menos distante. Já a cor dos olhos, janelas da alma, diz o povo, deixava lugar à dúvida, porque o mar português tinha ali pousado, no verde e na imensidão, na coragem de ir à luta, fosse qual fosse o Adamastor que tivesse de enfrentar.
Era professora de Português e amava a Língua Portuguesa. Era professora de professores de Português e amava a sua função junto dos professores mais jovens. Era moderna pela idade e pelas ideias que, na altura, não tinham ainda chegado à tona das discussões sobre o ensino, o papel social da escola, e todos os eteceteras que enchem os nossos dias de professores, educadores e afins.
Com o ar sereno de tempestades acabadas, dizia-nos que não valia a pena ensinar Francês ou Inglês a alunos que nunca iriam sequer à Costa da Caparica, muito menos a França ou a Inglaterra. Era preciso ensinar-lhes a língua materna, por ser esta a ferramenta essencial às vidas todas destes meninos, viessem eles a ser doutores, pescadores, electricistas, advogados... Não se falava ainda de informáticos!
A crónica do Professor Daniel Sampaio obrigou-me a falar de ti, Angélica. E como eu queria falar de ti! Há muito tempo já, aflita que ando, afogada em papéis, que todos já conhecem pela sigla,(tipo PCT e outros), sem conseguir respirar a vontade de ensinar qualquer coisinha, pequena e pouca que seja, aos meus alunos. Penso muito em tudo o que me ensinaste. Penso em tudo o que dirias se aqui estivesses! Não te limitarias a assistir. A tua intervenção far-se-ia sentir e dar-nos-ia, a muitos, força, para combater o estado das coisas que não ajuda nem alunos nem professores.Felizmente encontro nesta crónica a verdade, esta verdade que me aflige e na qual ninguém acredita.
Os professores de hoje perdem-se entre circulares, despachos normativos, portarias e decretos, num tempo precioso para outras actividades.
Hoje, acordei com a conversa das gaivotas,o mar ao lado e o céu azul a "bater-me" no sono!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Para os que vão passando por aqui!

UM AMIGO...

Ajuda-te

Valoriza-te

Respeita-te

Acredita em ti

Nunca te goza

Compreende-te

Nunca se ri de ti

Aceita-te como és

Eleva o teu espírito

Caminha a teu lado

Perdoa os teus erros

Admira-te no teu todo

Acalma os teus medos

Oferece-te o seu apoio

Ajuda-te a levantares-te

Diz coisas lindas sobre ti

Ama-te por aquilo que és

Explica-te o que não entendes

Diz-te tudo sobre o teu coração

Entrega-se-te incondicionalmente

Diz-te a verdade, quando precisas ouvi-la

Grita-te, se necessário, quando não queres "ver" a realidade!Acho que hoje se celebrou o Dia da Bondade! Pelo menos, lá na escola, houve bolos, muitos bolos e doces, flores com etiquetas a recomendar coisas do bem.
E eu recebi este email de um amigo!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Missing You

Foram os nossos Beatles, os nossos Shadows, os Beach Boys, foram os nossos bailes de sábado à tarde (alguns nos Velhos Colonos!) foram a banda sonora de namoros adolescentes mais ou menos felizes.Ei-los, outra vez, por aí, a embalar esta ou aquela saudade! Têm cabelos brancos e engordaram, mas são eles!
Agora estão no São Luiz.
Podemos ir até lá, ou ficar por aqui, a ouvi-los...

domingo, 11 de novembro de 2007

S. Martinho

Mas há outras tradições. Pois há!
Quentes e boas, com um copinho do novo vinho que se prova nestes dias!O pintor José Malhoa celebrou assim a tradição. Esta é uma gravura, com muito valor afectivo, comemorativa de uma data que já não consigo ler, de tal modo lhe deu o sol e o tempo!

Verão

Verão aeroportos por aqui, comboios de alta velocidade também?
Verão. Ou não!
Certeza é mesmo o Verão de S. Martinho.
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O dia de hoje faz jus à lenda e à tradição.
Os flamingos também fazem jus à tradição. Podem crer que os verão por aqui, sempre, nesta barriga do rio que os cria e os abriga.
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sábado, 10 de novembro de 2007

Promoção de fim de semana

Deixe um abraço. Leve um abraço!
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Um abraço apetece quando está frio, cá dentro. Um abraço apetece quando está frio, lá fora.
Não se aceitam devoluções! Nem reclamações!

Maputo

Hoje celebras o teu novo nome, o teu outro nome, o nome que é inscrito com raízes de sol, numa terra que será sempre noiva prometida dos sonhos dos homens simples, pois são esses os sonhos que valem à luz da vida!
Parabéns, Cidade minha! Qualquer que seja o teu nome, serás sempre o palco da recordação dos dias de ser criança"Fotografia do meu cunhado

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

"Novas Oportunidades"

Estas é que são as notícias que vale a pena ler nos nossos jornais.
Ler, digo eu, porque acho que as televisões não gastam o seu caríssimo tempo a transmitir o que há de mais parecido com a felicidade que é a imitação da felicidade.
"Amigos de Internet, hoy cumplo 95 años. Me llamo María Amelia y nací en Muxía (A Coruña) el 23 de Diciembre de 1911. Hoy es mi cumpleaños y mi nieto como es muy cutre me regalo un blog. Espero poder escribir mucho y contaros las vivencias de una señora de mi edad."Desta vez, parece me que a atenção dada a Maria Amélia é feita de admiração pura, despida de paternalismo ou, pior ainda, pena. É a vitória da lucidez sobre as artroses e outras dores.
A avó de Saramago contemplava o céu, pelo qual nunca viajaria, escreve o neto, e dizia: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer."
"Tenho 95 anos e tantos amigos, e agora é que vou morrer”, diz a "blogger" de Muxia que venceu preconceitos e e esmurrou a tristeza dos dias de ser velho.
(Valeu a pena procurar uma notícia feliz no meio da dor que hoje fazia manchete em todos os jornais!)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"Uma vista de olhos"

Vamos ajudar o ministro a dar a vista de olhos prometida ao estudo da CIP.
A gente ajuda, porque a gente gosta de ajudar ministros, que merecem ser ajudados. Tanto que se preocupam com o nosso bem-estar!
Por exemplo, o que está aqui a ver, numa primeira vista de olhos pode não parecer, mas é a morada das musas, as tais que inspiraram o nosso Luís Vaz..."Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene."
O Febo e o Hipocrene é gente muito antiga. Veja só a importância destas águas. Merecem mais do que uma vista de olhos. E só não lhe digo que mergulhe, pois as vistas e os olhos não melhorariam muito por isso. A beleza destas águas imensas merecem mesmo é um olhar fotografado de cima, do alto dos aviões que irão poisar perto.E as salinas do Samouco, Senhor Ministro? Aquilo é água descansada, serena, a produzir o bom sabor das nossas comidas. Em tempos salgava-se lá o bacalhau, sabia?E se acaso a sua vista tropeçar nas palmeiras, não pense que chegou ao deserto. Não se inscreva em nenhum Rally que não é aqui.
Se quiser banhar os olhos, metaforicamente falando claro!, em mais beleza, eu volto.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

"por os vistos"

E, "por os vistos", disse Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo, vamos pelo caminho certo, a propósito do Novo Estatuto do Aluno.
Uns dizem que sim, outros dizem que não. Ou outros dizem que sim e os uns é que dizem que não.
Baralhei-me.
Em que é que ficamos?
Deixem-me adivinhar! Não. Não consigo adivinhar. Tenho de ir à bruxa: é mais papel. É só mais papel, revelou-me a Bruxa, em primeira mão.Por os vistos, a Bruxa deve ter razão.
É que ela acabou de chegar do Hallowe'en. Andou, por aí, a fazer a volta das escolas e está informada. Por os vistos, até está!

"Eu apanho o avião daqui a dois dias."

É esta a frase da quinta linha, da página cento e sessenta e um, do livro que está à espera de ser lido, já que o que estou a ler não tem a página mágica...
Parece que estou a entrar naquelas barraquinhas dos astrólogos e tarólogos, que agora há muito por aí, sobretudo em Centros Comerciais. Parece que estou à procura de um sinal do destino.
(Quantas vezes eu não esperei um sinal? Quantas vezes eu não pedi um sinal?
Acho que já contei aqui uma vez que quando eu era criança achava que a imortalidade era uma justiça a desejar. Eu e mais uns milhares, certamente! Pedia então sinais de imortalidade, viessem eles de onde viessem. Era uma preocupação que eu queria resolver, arrumar. Uns centímetros acima da altura que eu tinha então, descobri que afinal não queria ser eterna, ou imortal, como eu dizia, na inocência que os meus laçarotes me impunham.)
Ler esta frase foi como se estivesse a consultar o horóscopo. Foi como se uma cigana me lesse na palma da mão a sina de uma viagem, para breve!
Ainda por cima o título do livro ajuda à festa: A Alma Trocada, da Rosa Lobato Faria.
Será que tenho de ir "destrocar" a alma a umas paragens distantes que eu cá sei!
Pitucha, fiz a minha parte!
Há para aí almas generosas que queiram continuar a corrente?
Aviões fazem-me lembrar a Luh. Os aviões voam nos céus, e estes são azuis. Azulinha, pois! Viagens, ténis. Ténis, Chuinga, pois claro! Tem tudo a ver!E para não dizerem que isto é coisa de mulheres, peço ao Eduardo e ao Espumante que componham esta corrente!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Há festa na aldeia!

Os Choraquelogobebenses preparam-se para um festejo especial!
Vestem a sua melhor fatiota, aparam os cabelos, os bigodes e as barbas, calçam o seu melhor sapato, de verniz, claro que agora usa-se, escolhem as mais farfalhudas gravatas, porque a festa pede "glamour", aquele "glamour" verdadeiro que há nas aldeias!
E eis que se ouvem os primeiros sons de festa: milhares de balões de "chuinga" rebentam; o povo da aldeia, com o João Sem Medo à frente, ele mesmo, o original, o tal que enriqueceu à custa da fábrica de lenços, devidamente escoltado por uns famosos porquinhos, dirige-se para o largo, entoando alegres "Vivas"!!!
Senhoras e senhores, é a festa, pá!
Viva o "Chuinga"! Viva a dona do "Chuinga"!!!!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

(...)

"É talvez esta imagem do alvorecer da minha infância que me leva a desejar, não apenas com os lábios, mas com o coração, bom dia a quem passa."Ricardo Alberty

Imagem cedida, ou melhor, "gentilmente", "muito gentilmente mesmo" roubada ao Espumante!

domingo, 28 de outubro de 2007

"O mundo é cada vez mais deles."

Diz um artigo do Público, a propósito do Dia Mundial da Terceira Idade que hoje se comemora. São muitos, os velhos, em Portugal. Oitocentos mil.
(A jornalista usa a palavra idosos, mas eu não gosto. Prefiro velhos. Idosos nem sequer é um eufemismo: é uma etiqueta. É uma palavra sem afecto, sem valor para além do que significa, nua e cruamente, uma pessoa com "bastante idade". São, sim, pessoas que já têm muita vida e não muita idade.
Sei isto por experiência própria: eu estou "quase lá", por um lado, por outro, "vivo" o envelhecimento dos meus, especialmente dos mais próximos. E como me custa ver a saúde a fugir-lhes das vidas, lentamente ou não, para sempre...)
O Público pôs alguns destes muitos milhares a falar de um sonho possível e quase todas as respostas vão dar à dor, ou antes, a uma dor: à solidão, à doença, à falta de dinheiro para enfrentar os altos custos da idade, à fragilidade. Alguns, ainda têm força para sonhar um sonho realizável, como fazer uma viagem.
(Abençoado seja esse sonho que dá a esse homem ou a essa mulher mais esperança, mais tempo, mais vida...)
E a este propósito recordo Agostinho da Silva que se salvou da rótulo "Idoso" e da inevitável marginalização, por milagre da sapiência. (E de alguma irreverência, de que nunca abriu mão, eu acho!)
"Jornalista- Creio que o Professor Agostinho da Silva tem oitenta anos, não é?
A. da S.- Eu também creio.
J.- Oitenta anos é muita vida, são muitas vidas. Quais foram as fase mais marcantes da sua vida?
A. da S.- Todas. Todas foram extremamente interessantes para mim.(...)"
A jornalista é Antónia de Sousa e a entrevista chama-se, em livro, "O Império acabou. E agora?"Fotografias: Barca de Alva, berço de Agostinho da Silva.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

"Aniversariamente": Cardoso Pires

"Está escrito pelos gregos antigos que quem se olha cega e quem muito se ouve perde a voz. A lição tem mais de mil anos e parece que é de agora. Mas, vê tu, os próprios gregos que a escreveram em forma de fábulas e lendas, não a souberam seguir. Eles, que eram sábios e avisados, morreram sob o peso dos mitos que inventaram. E por mitos quero eu dizer as imagens com que tentaram explicar-se para a eternidade. Fui claro, Ritinha?"
José Cardoso Pires, in Dinossauro Excelentíssimo.
As datas repetem-se. Todos os anos, há mais um dia tal que lembra alguém "aniversariamente", como diz um poema de Pessoa.
Hoje é dia de recordar Cardoso Pires, o escritor e o homem que é dos nossos ideais, das nossas lutas, das nossas esperanças, dos nossos medos, dos nossos sonhos, do nosso tempo.
Continuaremos a recordar-te, José! Difícil seria apagar-te e perder por aí a bonomia que o teu olhar exala.
Desculpa recorrer à paráfrase, mas está mesmo a pedi-la: Não, não te deixaremos morrer, José!!
E com esta me despeço, adeus até outro dia, e que a terra nos seja leve por muitos anos e bons neste lugar e nesta companhia.Imagens daqui e daqui

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Retrato do intervalo

Hoje, na escola, na minha escola, na confusão
1-do intervalo maior da manhã;
2- das trocas de livros de ponto;
3- das crianças pequeninas (10 anos) roubadas (sessenta cêntimos) pelas crianças grandes (11 anos);
4- dos "setores" atrás dos funcionários da reprografia, a pedir o milagre da multiplicação dos testes em meio-prazo (porque o prazo inteiro já foi!);
5- dos telefones que repenicam na secretária da funcionária e nos vários "postos" onde D.T.(s) esperam e desesperam as comunicações desejadas, em vez de "o número que marcou não se encontra atribuído";
6- dos narizes esborrachados nos vidros que embaciam com a respiração e obriga a mais esborrachamento de narizes, tudo para espreitar o miúdo que se magoou porque lhe correu mal o número de equilibrismo na estátua do D. Pedro Varela, o tal senhor de pedra que "parou" ali, no meio do recreio;
7- da ambulância "tinoni" que entra para levar o miúdo para o Hospital;
8- da avó que vem trazer o dinheiro à "minha Rita", que "depois como é que ela compra a senha?";
9- dos computadores que a TMN veio entregar, os tais de cento e cinquenta euros, "Deixa cá ver se são a sério que eu também pedi um!";
10- dos fornecedores do bar que pararam ao lado da ambulância para esvaziar a mercadoria..
11- do miúdo que afinal se levanta e anda e vai pelo seu pé para a ambulância, provocando um movimento quase sísmico dos narizes esborrachados;
Na confusão do intervalo, entre as cem caras que constituem a população que habita a pequena entrada da escola, uma olha para mim, sorri e pergunta se a reconheço. Foi minha professora! Ah, claro, aqui na escola, no Montijo! Não! Em Odivelas, há muitos anos. No Externato? Sim. Lembro-me que tinha um bebé...
Como é possível? Era a probabilidade igual à do Euromilhões... ali, na confusão
do intervalo maior da manhã, das trocas de livros de ponto...
Trinta anos não me apagaram completamente das memórias dos outros o que me reconcilia com as minhas marcas de vida e de tempo e me obriga a prometer solenemente não pôr botox nos próximos trinta!
Foi mais uma lição para eu aprender a não andar por aí a lamentar o caruncho!
Este intervalo não dava um filme. Este intervalo vale muita vida! Se vale!
Adenda-Estava à espera da fotografia do tal Senhor que ficou ali, no meio do reccreio... Chegou agora mesmo. Ei-la:Fotografia do Prof-mestre-nestas-artes: Francisco Grilo!
Obrigada!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

domingo, 21 de outubro de 2007

Fixe!

"Não me chateies que eu agora estou na lua
e em breve vou chegar ao céu..."
Acabo de ler no Público umas declarações mais fantásticas do que aquelas que são anunciadas pelas meninas da TV Cabo, de minuto a minuto.
Há coisas fantásticas, não há?
Olhem só!
O CDS/PP quer responsabilizar os pais dos alunos que faltam muito às aulas, disse hoje o líder parlamentar centrista, Diogo Feio, ao defender um conjunto de alterações de natureza disciplinar no estatuto do aluno.
Ás vezes os pais não existem, Sr Feio!
(Diogo é um dos nomes masculinos mais lindos do mundo e custa-me vê-lo assim desperdiçado...)
Por isso mesmo é que, na maioria dos casos, os meninos não vão às aulas. E mesmo quando os pais existem, de papel e corpo, não é fácil activar mecanismos para os contactar. Nem mesmo as Comissões especializadas conseguem.
Quanto aos pais "escolherem livremente", como sabe, as bolsas de cada um é que ditam as liberdade de escolha. Todos gostariam de ter os filhos nas melhores escolas, nos melhores colégios, mas isso já mete cifrões a mais e pão a menos, para a boca de cada um dos filhos.
Isto não vai lá com dinheiro. Isto vai lá com valores. Talvez lá vá com tempo e com ideias corajosas sobre Educação.Vá por mim Sr Feio, que eu já ando na escola há muito tempo. Há "bué", como dizem os miúdos! Há cinquenta anos!(Mas só 32 que contam para a Reforma. It's an injustice! Yes, it is!- dizia um boneco animado que eu agora não sei qual é.)
Foto: Escola de Torga, S. Martinho de Anta

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Podia-óóóó....chamá-lo?

Não podia passar o dia sem erguer a taça a alguém que nos tem tratado da saúde, vezes sem conta, com uma terapia única e a única verdadeiramente eficaz: a risoterapia ou alegroterapia, como dizia o Vasco Santana, na Canção de Lisboa.
É Solnado, sim senhores. Solnado. O som do nome aproxima-se da palavra Soldado. Mas só se for da não violência.
E Solnado é o Senhor do Zip que se vê repetidamente sem que se gaste o efeito do humor, mesmo que o objecto do humor se tenha já diluído nas tais "brumas da memória". Não é o factor surpresa, pois há mil anos que rimos com os "sketches" do Solnado, com os mesmos "sketches", sem tirar nem pôr. E a gente ri e torna a rir, com o mesmo gosto, com a mesma vontade.
O Zip despertou consciências e os seus ecos atravessavam os mares e chegavam até nós que comprávamos as Plateias e as Flamas e ouvíamos o Solnado na telefonia.
Obrigada, Senhor Raúl Solnado!

Porreiro, pá!

Disse Sócrates (Ai que ainda se me salta aí a GNR!) a Durão Barroso!
Mas porreiro , porreiro, era os vinte e sete olharem bem para o património que envolve o Tratado de Lisboa: ele é rio! Ele é Ponte Vasco da Gama! Ele é Estação do Oriente...Porreiro, pá!
Do Público.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Amarga ironia adoçada com esperança

O abandono escolar faz-me lembrar certas produções radiofónicas: a Escola passa o aluno ao Director de Turma, que não pode ficar com o aluno mais tempo e passa à Comissão de Protecção. A CP passa o aluno de novo ao Director de Turma que, não vendo mais ninguém em campo, devolve à CP. Eis que aparece o Tribunal e passa-se o aluno ao tribunal.
Bom, bom era o miúdo apanhar uma bola e marcar o GOOOOOOOOOOOOOOOLO!

Imagem daqui. Miúdos da minha terra!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Trova que passa...

...por dentro das nossas vidas, quando as nossas vidas transbordavam de ideal e não conhecíamos cansaços.
Hoje mesmo, o mesmo dia em que o Secretário Geral da Onu recorda que "a fome é inaceitável num mundo de abundância".
A saudade é irmã da fome, uma irmã mais rica, mas mesmo assim irmã: ligada pela consanguinidade do desejo do que não há.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007