Aguenta-te!
É bem "nosso", masculinamente falando, apelar à coragem, em caso de qualquer dor, mas principalmente da dor misturada da doença. "Aguenta-te" é coisa de homem para homem. As mulheres têm outras fórmulas, tais como: tens de ser forte, por exemplo!Como se a força não fosse já uma realidade.... Eu, por mim, prefiro o "aguenta-te" e, depois de ler a habitual crónica da Visão, ainda "prefiro" mais!
O Escritor evoca os avós como eu também faço. (Que vaidade, ou melhor, que pretensão,ser parecida com o Escritor!!!!) Não sei se é só orgulho. Será talvez também um arrependimento de não lhes ter dado atenção, mais atenção, não lhes ter feito mais companhia no fim das vidas. O verde dos olhos da minha avó dá-me o perdão todas as manhãs e todas as noites. Dá-me o perdão e dá-me a bênção. Eu sei. Eu sinto. O retrato do meu avô é mais silencioso. Talvez tenha alguém a dizer-lhe também: aguenta-te!
O avô do L.A. não "se aguentava" com as trovoadas e punha-se deslumbrado à janela a olhar os relâmpagos a estilhaçarem os céus. O meu avô era a bola que não lhe permitia aguentar-se. Olhava para a telefonia como quem está a ver o jogo. Não desviava os olhos do aparelho de rádio como se ouvisse o relato com os olhos. E, muitas vezes , só para assistirmos ao espectáculo da emoção à solta, falávamos com ele e ele zangava-se. Levantava um pouco os braços, cerrava as mãos e estremecia ligeiramente, pedindo que o deixássemos em paz, para seguir o jogo. Era o rubro da sua indignação! Era o ponto mais alto da sua violência. Nem um bebé de colo consegue atingir tanta brandura, no auge da contrariedade!
Nem sei a que propósito vem isto tudo, para além de ter sido ontem a data do aniversário deste meu avô Gouveia, um monárquico perseguido e castigado que me deixou em herança um nariz de respeito e o gosto pela "Cidade e as Serras".
segunda-feira, 21 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Posso pedir um post?
A Célia pediu e eu quero fazer-lhe a vontade já, porque, a um mais novo, nunca se nega um desejo. :)
domingo, 13 de abril de 2008
Hoje disseram-me isto:
"Para o optimista todas as portas têm maçanetas e dobradiças, para o pessimista todas as portas têm trincos e fechaduras." William Arthur Ward
sábado, 12 de abril de 2008
Figuras de estilo
O paradoxo anda por aí. Anda nas páginas dos livros, nos lugares que se colam à nossa história, à nossa memória e ao nosso prazer de olhar. O sentido bélico confronta-se com o azul do rio, brumoso, mas sempre belo. Nem um nem outro se anulam. Nem o azul dispara, nem o canhão se dilui. Será eterno este confronto?
Será, pois. Até a vida tem coisas destas. Paradoxos, antíteses, tristezas e alegrias que surpreendentemente se harmonizam, em nome do bem comum.
Fotografia- Castelo de S. Jorge, 6 de Abril
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Dia da Mulher Moçambicana
O tempo não está para cravos, "dizem-me alguns com olhos lassos"
procurando nos meus olhos
"ironias e cansaços".
E quando lhes desvendo os meus regaços,
"São cravos, Senhores, são cravos",
"E" não "cruzo os braços",
nem vou por ali.
O meu caminho é feito dos meus próprios passos.
O meu poema é feito com versos emprestados
e o meu pensamento é feito com os meus cravos,
cansados, mas não vencidos.
Porque os cravos jamais serão vencidos!
Hoje pego num molho e deixo-os voar ao vento que sopra bem forte.
Voarão bem alto e longe, celebrando a memória de Josina Machel e a de todas as mulher moçambicanas!
domingo, 6 de abril de 2008
Abril, Lisboa, domingo à tarde
sábado, 5 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
I have a dream
I have a dream that one day on the red hills of Georgia, the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.
I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
I have a dream today!
Martin Luther King (assassinado a 4 de Abril de 1968)
Observação da memória - Quando eu comecei a dar aulas, em 75/76, este texto fazia parte de um manual de Inglês.
I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
I have a dream today!
Martin Luther King (assassinado a 4 de Abril de 1968)
Observação da memória - Quando eu comecei a dar aulas, em 75/76, este texto fazia parte de um manual de Inglês.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Que é feito do mês de Abril
que nos circulou pelas veias?
Que é feito das ruas cheias
quando o sol era um balão
e andava tudo ao contrário
e as estátuas vinham ao chão
e o sonho era o nosso horário?
Que é feito do mês do sonho
quando o sonho era concreto
e tinha formas de casas
portas abertas
e pão
quando o sonho que sonhávamos
era um sonho colectivo
parido pela multidão?
Foi então
num país
de repente sem fronteira
foi a feira
a desgarrada
foi o espanto dos abraços
na arquitectura sem margem
duma terra a conquistar.
Foi um país que acordou
com planícies no olhar
e a concertina a tocar
dentro do peito.
Que é feito do mês de Abril?
Soldados a quem dissemos
amigos eh! pá irmãos
operários que descobriram
um espaço para além das mãos
e as mulheres trabalhadeiras
que rasgaram seus vestidos
para as bandeiras de alegria
com que Abril foi envolvido.
Que é feito do mês de Abril?
Foi um país impaciente
que de pé se pôs em flor
foi o riso das guitarras
cansadas de choro e dor
foi a alegria fabril
foi a força da razão.
Não esqueças o mês de Abril!
Não esqueças que és multidão!
José Fanha
E o mês de Abril será sempre a homenagem a Salgueiro Maia. Foi ele o autor do mês.
Deixou-se morrer num Abril já longe!
Obrigada, Capitão!
terça-feira, 1 de abril de 2008
Este dia não é das mentiras!
Este é o dia das verdades e já disse isto, pelo menos, 33 vezes, na vida.
Ontem um aluno, um "pestinha", por sinal, perguntou-me qual tinha sido o dia mais feliz da minha vida. Respondi-lhe que tenho dois dias mais felizes. Um deles foi o dia 1 de Abril de 1975. Claro que ele quis saber a razão. E eu satisfiz-lhe mais esta curiosidade: o nascimento do meu filho mais velho.
Foste tu que nasceste mas fui eu que me senti rainha!
Parabéns, Diogo!
Se estivesse nas nossas mãos, todos os teus caminhos seriam aplanados de dificuldades. Não está nas nossas mãos mas está no nosso coração o orgulho de te vermos fazê-lo, por ti, orientado pelos mesmos "nortes" que nos mostraram também o caminho.
O teu pai costuma dizer, a propósito dos teus avós, que eles lhe ensinaram o caminho da verdade e não o do interesse. Esperemos que tenhamos sabido fazer o mesmo!
Parabéns, filho!
Ontem um aluno, um "pestinha", por sinal, perguntou-me qual tinha sido o dia mais feliz da minha vida. Respondi-lhe que tenho dois dias mais felizes. Um deles foi o dia 1 de Abril de 1975. Claro que ele quis saber a razão. E eu satisfiz-lhe mais esta curiosidade: o nascimento do meu filho mais velho.
Foste tu que nasceste mas fui eu que me senti rainha!
Parabéns, Diogo!
Se estivesse nas nossas mãos, todos os teus caminhos seriam aplanados de dificuldades. Não está nas nossas mãos mas está no nosso coração o orgulho de te vermos fazê-lo, por ti, orientado pelos mesmos "nortes" que nos mostraram também o caminho.
O teu pai costuma dizer, a propósito dos teus avós, que eles lhe ensinaram o caminho da verdade e não o do interesse. Esperemos que tenhamos sabido fazer o mesmo!
Parabéns, filho!
segunda-feira, 31 de março de 2008
Amanhã
Levamos todos nos nossos nervos a saturação do vídeo e dos comentários ao vídeo.
Ninguém fica igual depois deste episódio e do reconhecimento da sociedade em geral de que há violência nas escolas. O que íamos contando aqui e ali era interpretado como incompetência dos professores, incapacidade para disciplinar uma turma e as vozes que se levantavam eram ignoradas. Mithá Ribeiro escreveu muito sobre a indisciplina. Eu estive em duas conferências em que o ouvi falar da sua experiência e das suas ideias de combate à indisciplina. Claro que as suas ideias eram impopulares para quem não quer levantar ondas e tem medo.
E chegamos finalmente ao MEDO!
Quem é que tem medo e de que é que se tem medo?
Os órgãos das escola têm medo de não cumprir. É razoável que se sintam assim, pois nem todos temos de estar dispostos a apanhar com um processo em cima.
Depois há o medo dos professores: a imagem que passa de um professor que tem turmas indisciplinadas é a da incompetência do próprio professor. Acresce a este medo o da retaliação dos alunos e das famílias dos alunos. E há ainda o medo de confessar o medo, de admitir a fragilidade da nossa humanidade. Caramba, apetece gritar: somos professores. Não somos domadores de feras!
Amanhã levamos muitas expectativas e poucas certezas. Já muito por aí se disse que nada vai mudar. E, se não mudar nada e já amanhã, não muda nunca. Amanhã uns e outros vão medir o pulso à situação e...
Ninguém fica igual depois deste episódio e do reconhecimento da sociedade em geral de que há violência nas escolas. O que íamos contando aqui e ali era interpretado como incompetência dos professores, incapacidade para disciplinar uma turma e as vozes que se levantavam eram ignoradas. Mithá Ribeiro escreveu muito sobre a indisciplina. Eu estive em duas conferências em que o ouvi falar da sua experiência e das suas ideias de combate à indisciplina. Claro que as suas ideias eram impopulares para quem não quer levantar ondas e tem medo.
E chegamos finalmente ao MEDO!
Quem é que tem medo e de que é que se tem medo?
Os órgãos das escola têm medo de não cumprir. É razoável que se sintam assim, pois nem todos temos de estar dispostos a apanhar com um processo em cima.
Depois há o medo dos professores: a imagem que passa de um professor que tem turmas indisciplinadas é a da incompetência do próprio professor. Acresce a este medo o da retaliação dos alunos e das famílias dos alunos. E há ainda o medo de confessar o medo, de admitir a fragilidade da nossa humanidade. Caramba, apetece gritar: somos professores. Não somos domadores de feras!
Amanhã levamos muitas expectativas e poucas certezas. Já muito por aí se disse que nada vai mudar. E, se não mudar nada e já amanhã, não muda nunca. Amanhã uns e outros vão medir o pulso à situação e...
domingo, 30 de março de 2008
Se fôssemos nós a dizer isto...
"É mais um produto da enxurrada permanente de leis, normas e regras que se abate sobre as escolas e a sociedade. É um dos mais monstruosos documentos jamais produzidos pela administração pública portuguesa. Mal escrito, por vezes incompreensível, repete-se na afirmação de virtudes. Faz afirmações absolutamente disparatadas, como, por exemplo, quando considera que "a assiduidade (...) implica uma atitude de empenho intelectual e comportamental adequada..."! Cria deveres inéditos aos alunos, tais como o de se "empenhar na sua formação integral"; o de "guardar lealdade para com todos os membros da comunidade educativa"; ou o de "contribuir para a harmonia da convivência escolar". E também os obriga a conhecer e cumprir este "estatuto do aluno", naquele que deve ser o pior castigo de todos! Quanto aos direitos dos alunos, são os mais abrangentes e absurdos que se possa imaginar, incluindo os de participar na elaboração de regulamentos e na gestão e administração da escola, assim como de serem informados sobre os critérios da avaliação, os objectivos dos programas, dos cursos e das disciplinas, o modo de organização do plano de estudos, a matrícula, o abono de família e tudo o que seja possível inventar, incluindo as normas de segurança dos equipamentos e os planos de emergência!"
Mas quem disse foi António Barreto, uma autoridade em termos de pensamento e, especialmente, nas coisas da Educação, já que em tempos muito idos, o PS teve um Governo-Sombra (o nome assusta!) e António Barreto era o Ministro da Educação desse Governo-Sombra. E, como não tinha nenhuma obrigação governativa, a sua ideia da coisa prática estava muito mais próxima do bom do que daqueles que sobem às alturas da 5 de Outubro. Mesmo que não tivesse sido Ministro-Sombra, numa terra onde os fazedores de opinião são uma classe respeitável, é sempre importante que eles digam o que nós não podemos dizer, sem sermos imediatamente apelidados de palermas com pretensão a pensadores.
Este Estatuto do Aluno, de que fala AB, foi publicado em Janeiro. Com o curso normal das vidas das escolas, só podia ser aplicável um mês depois, após a apreciação pelos órgãos, nomeadamente o Conselho Pedagógico. Quando as coisas passaram para quem lida com elas na prática da realidade, os professores e os Directores de Turma, as estruturas superiores perceberam que não podiam reprovar um aluno em finais de Fevereiro com efeitos retroactivos desde Janeiro. E, no dia 29 de Fevereiro, o Estatuto do Aluno foi suspenso em todas as escolas, por obediência a uma circular emanada do ME.
E assim vai o mundo, como dizia o vozeirão dos documentários que precediam a fita principal nas tardes ou noites de cinema...
A crónica de António Barreto vai ser guardada no sítio do costume.
Mas quem disse foi António Barreto, uma autoridade em termos de pensamento e, especialmente, nas coisas da Educação, já que em tempos muito idos, o PS teve um Governo-Sombra (o nome assusta!) e António Barreto era o Ministro da Educação desse Governo-Sombra. E, como não tinha nenhuma obrigação governativa, a sua ideia da coisa prática estava muito mais próxima do bom do que daqueles que sobem às alturas da 5 de Outubro. Mesmo que não tivesse sido Ministro-Sombra, numa terra onde os fazedores de opinião são uma classe respeitável, é sempre importante que eles digam o que nós não podemos dizer, sem sermos imediatamente apelidados de palermas com pretensão a pensadores.
Este Estatuto do Aluno, de que fala AB, foi publicado em Janeiro. Com o curso normal das vidas das escolas, só podia ser aplicável um mês depois, após a apreciação pelos órgãos, nomeadamente o Conselho Pedagógico. Quando as coisas passaram para quem lida com elas na prática da realidade, os professores e os Directores de Turma, as estruturas superiores perceberam que não podiam reprovar um aluno em finais de Fevereiro com efeitos retroactivos desde Janeiro. E, no dia 29 de Fevereiro, o Estatuto do Aluno foi suspenso em todas as escolas, por obediência a uma circular emanada do ME.
E assim vai o mundo, como dizia o vozeirão dos documentários que precediam a fita principal nas tardes ou noites de cinema...
A crónica de António Barreto vai ser guardada no sítio do costume.
sábado, 29 de março de 2008
A Ponte Vasco da Gama
Chamo-lhe, normalmente, a Ponte do Meu Contentamento. Não é por acaso.Esta Ponte encurtou-me as aflições e para ser perfeita só lhe falta mesmo o respeito de alguns, em termos de velocidades inúteis e desadequadas, numa pista que é de beleza feita e de que se usufrui mais, a menos quilómetros à hora.
Quando eu vim morar para o Montijo, por razões de trabalho, a cidade era autónoma, tinha a sua vida própria e para as pessoas da terra isso era motivo de um orgulho imenso. O Montijo era uma pátria, com os seus costumes e tradições. Por isso resistiu à Ponte com alguma força. A ideia da Ponte desuniu, tendo sido postas a circular petições a favor da construção da ponte e contra a construção da ponte. Quer uns, quer outros, sabiam que a Ponte ia mudar a vida desta cidade e uns sobressaíam o lado mau e outros o bom, o da comunicação mais fácil com Lisboa.
O rio sempre foi uma maneira de combater a distância. Bela, porém de longa duração.
Os cacilheiros demoravam perto de uma hora a fazer a viagem. Mas essa hora era aproveitada ao máximo: leitura, estudo, convívio, jogos de cartas. O Cais dos Vapores tinha vida, apesar das condições do cais propriamente dito. Havia um sino que anunciava a chegada do barco em dias de nevoeiro cerrado. A espera fazia-se numa casa de rudimentar construção e minúscula. Os mais novos e saudáveis faziam a sua espera do lado de fora, à chuva, ao vento e ao sol. A própria viagem podia ser feita num convés (acho que é o termo certo), apreciando-se a beleza do rio, onde até se podia fumar.
Antes da Ponte, chegou o catamarã. O Cais dos Vapores modernizou-se. O casinhoto deu lugar a uma construção "modernaça", mas pouco confortável. Enfim, sempre cabia lá mais gente. E os barcos, ao pé dos antepassados cacilheiros, eram um luxo. O tempo ficou por metade e os prazeres da viagem também. São as facturas do tempo que passamos a vida a pagar.
Depois, a 29 de Março de 1998, nasceu a Ponte Vasco Da Gama. O mundo de Lisboa e arredores desaguou nesta margem e neste lugar e eu não consegui passar a ponte nesse dia. Só no dia seguinte, de manhãzinha.
Percorro hoje a distância da ponte com o mesmo encantamento com que percorri no primeiro dia. A viagem é sempre diferente e sempre marcada pela beleza imutável do rio.
A vida mudou. As pátrias dos de lá e dos de cá uniram-se. A cidade cresceu. Felizmente os prédios não cresceram em altura. Mantém-se a altura dos quatro andares e as excepções já estavam cá antes da ponte. O comércio tradicional respira com muita dificuldade e outras instituições também. É outro dos preços a pagar. Este é talvez o mais amargo.
sexta-feira, 28 de março de 2008
A Caixinha das Surpresas
Acordo todos os dias com um dos noticiários da TSF. É "por querer" e, por isso, não me posso queixar. Às tantas, já estou viciada na adrenalina provocada pelas surpresas de cada manhã. Mas, como estou muito ensonada e os meus neurónios também, a informação demora a chegar ao Centro de Processamento e, naquela semi-lucidez que condiz com as brumas de uma manhã que se preze, o meu entendimento vagueia à procura de uma luz, à luz da qual possa compreender o que se está a passar.Será que as surpresas da TSF são mesmo uma "táctica" para me dissuadir de enveredar por inúteis existencialismos matinais? Embalada pela não-notícia, às vezes, readormeço. Às vezes, não.
Hoje, já não sei se foi o divórcio de Menezes, se o de Sócrates, se o IVA, se a nova travessia...
Não vale a pena saber, pois ao longo do dia a notícia muda, cresce, evolui e não nos devemos prender a saudosismos provocados pelas notícias das sete, oito ou oito e tal da manhã....
quinta-feira, 27 de março de 2008
Ler, escrever e ver o mar
Tenho para mim que ler e escrever são duas terapias eficazes para combater alguns males de espírito, daqueles que se instalam traiçoeiramente em qualquer alma mais ou menos avisada. Que isto das tristezas e afins é um pouco como os males do corpo: prevenir é importante, mas não é tudo.
Além disso, dizem os sábios que os males do corpo também são muito mais facilmente combatíveis com uma boa saúde mental.Seja ou não totalmente verdadeira a ideia, faz algum sentido.
Outra das minhas vacinas contra a tristeza é a contemplação do mar. Tenho de "tomar a vacina" sem falhar nenhum reforço, senão lá se vai o efeito.
O mar, porquê? Não sei se é por ser imenso! Os sentidos todos se perdem de vista perante um mar que aparece pequenino aos nossos pés e cresce, cresce até não mais se ver, perdendo-se completamente numa linha que o separa do céu.
Hoje essa linha está desenhada em prata, mistura preciosa feita de nuvens baixas, mar azul intenso e um brilho persistente quase a rebentar em raios de sol. Ou não! Quem sabe?
Eu não! Que eu não sei nada, ou melhor, sei que nada sei.
Além disso, dizem os sábios que os males do corpo também são muito mais facilmente combatíveis com uma boa saúde mental.Seja ou não totalmente verdadeira a ideia, faz algum sentido.
Outra das minhas vacinas contra a tristeza é a contemplação do mar. Tenho de "tomar a vacina" sem falhar nenhum reforço, senão lá se vai o efeito.
O mar, porquê? Não sei se é por ser imenso! Os sentidos todos se perdem de vista perante um mar que aparece pequenino aos nossos pés e cresce, cresce até não mais se ver, perdendo-se completamente numa linha que o separa do céu.
Hoje essa linha está desenhada em prata, mistura preciosa feita de nuvens baixas, mar azul intenso e um brilho persistente quase a rebentar em raios de sol. Ou não! Quem sabe?
Eu não! Que eu não sei nada, ou melhor, sei que nada sei.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Ainda a questão do respeito
Afinal, continua a falar-se demais na professora, como se não fosse alguém com nome e rosto. E eu continuo a sentir que o respeito desapareceu dos códigos de conduta de muitos e muito dignos representantes da nossa dita classe média, intelectualizada, pensante e portadora de valores, com obrigação de os transmitir aos outros, mais novos ou não.
A Isabel deixou este comentário. Peço autorização para reproduzir aqui: (...) considero eticamente discutível a divulgação (ainda por cima até à exaustão) do vídeo pela comunicação social. A professora não é uma mera figura simbólica, tem rosto, é uma pessoa. Se lhe pediram autorização e a deu, tudo bem. Mas duvido, e, então, como se vai agora ensinar os jovens que não se deve (creio até que é proibido por lei) publicar filmes de espaços não públicos sem autorização dos filmados? Hoje são aulas, amanhã vai um garoto de telemóvel a casa de um amigo, filma uma cena familiar a que assiste e publica no YouTube ou noutro sítio qualquer, e se depois argumenta que a comunicação social também já fez divulgações dessas para todo o país, que lhes respondem os educadores?
(O caso podia ter sido descrito; usar o vídeo acho discutível. E a primeira condição para que os putos reconheçam autoridade nos adultos e os respeitem é que estes dêem o exemplo nomeadamente de respeito)
As más surpresas sobre o tratamento deste assunto vão surgindo um pouco por todo o lado. Eu já vivi, dentro da escola e dentro da sala de aula, situações muito difíceis que nunca irei contar em espaços públicos. Tenho, por isso, uma noção do respeito e da solidariedade que faz falta a esta professora e a todos nós professores.
E não pensemos que as responsabilidades se confinam às famílias, nomeadamente aos pais. Nós também lidamos com os pais e não os temos como inimigos, como adversários. Eles também se debatem com angústias e, muitas vezes, com um imenso sentimento de vergonha, que só os mais fortes conseguem ultrapassar, sem magoar ninguém pelo caminho.
É a sociedade em geral que está a não-educar para o respeito. E a abusiva transmissão do vídeo agudiza a dor da humilhação. Na pessoa desta professora, há uma humilhação colectiva.
Felizmente, posso ir à janela e apanhar a nesga de mar que me coube em sorte e, se apurar a atenção para os sons que me chegam, consigo ouvir o vento e as gaivotas.
A Isabel deixou este comentário. Peço autorização para reproduzir aqui: (...) considero eticamente discutível a divulgação (ainda por cima até à exaustão) do vídeo pela comunicação social. A professora não é uma mera figura simbólica, tem rosto, é uma pessoa. Se lhe pediram autorização e a deu, tudo bem. Mas duvido, e, então, como se vai agora ensinar os jovens que não se deve (creio até que é proibido por lei) publicar filmes de espaços não públicos sem autorização dos filmados? Hoje são aulas, amanhã vai um garoto de telemóvel a casa de um amigo, filma uma cena familiar a que assiste e publica no YouTube ou noutro sítio qualquer, e se depois argumenta que a comunicação social também já fez divulgações dessas para todo o país, que lhes respondem os educadores?
(O caso podia ter sido descrito; usar o vídeo acho discutível. E a primeira condição para que os putos reconheçam autoridade nos adultos e os respeitem é que estes dêem o exemplo nomeadamente de respeito)
As más surpresas sobre o tratamento deste assunto vão surgindo um pouco por todo o lado. Eu já vivi, dentro da escola e dentro da sala de aula, situações muito difíceis que nunca irei contar em espaços públicos. Tenho, por isso, uma noção do respeito e da solidariedade que faz falta a esta professora e a todos nós professores.
E não pensemos que as responsabilidades se confinam às famílias, nomeadamente aos pais. Nós também lidamos com os pais e não os temos como inimigos, como adversários. Eles também se debatem com angústias e, muitas vezes, com um imenso sentimento de vergonha, que só os mais fortes conseguem ultrapassar, sem magoar ninguém pelo caminho.
É a sociedade em geral que está a não-educar para o respeito. E a abusiva transmissão do vídeo agudiza a dor da humilhação. Na pessoa desta professora, há uma humilhação colectiva.
Felizmente, posso ir à janela e apanhar a nesga de mar que me coube em sorte e, se apurar a atenção para os sons que me chegam, consigo ouvir o vento e as gaivotas.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Porque é que tens um blog?
Porque é que tens um blog?, pergunta-me a Laura.
Se queres que te diga das verdadeiras razões, vais ter de me desculpar algum esquecimento que o tempo poisou sobre a minha memória, pois nestes três anos, quase quatro de Chora que Logo Bebes aconteceu tanto na minha vida, que as razões primeiras se entrelaçam em razões adquiridas e não conseguirei enumerar todas, sem perder um pouco o fio à meada.
Começa tudo num site chamado Pastilhas, criado pela imaginação avassaladoramente milionária do MEC. A metáfora básica era a de um consultório médico e a vida do site desenvolvia-se à imagem da vida de um consultório médico. Com Urgências. Mas este Serviço Nacional de saúde acabou por acabar, como tudo na vida, não tanto por ser bom, mas mais por ser isso mesmo: cheio de vida.
Era tão difícil ter um espaço na net, que o patrocinador primeiro acabou por obrigar os "doentes" a pagar uma taxa moderadora. Já se viu proceder ao pagamento de uma taxa moderadora, com alegria? Eu já vi!
Mas as coisas nem com taxa moderadora se resolveram e o consultório deixou de ter o Doutor, às terças-feiras. Depois deixou de ter Doutor e passou a regime de voluntariado. E foi acabando.
Mas à medida que acabava, nascia a Blogosfera e os pacientes com mais talento e mais assunto, abriam os seus espaços próprios e interagiam assim, não abandonado contudo o espaço Pastilhas, onde deixavam cópia dos melhores achados da Blogosfera, a que chamavam pérolas e bem.
Mantive-me espectadora durante muito tempo. Não que não tivesse vontade de participar! Mas temia envolver-me em polémicas inúteis que me desgastariam até à alma, porque, de algum modo me conheço e (confesso!) não sei aguentar uma polémica, sobretudo na vida virtual, por muita razão que sinta. Sou muito "má" nisso.(Fica o aviso!)
O tempo foi passando.
Quase todos os Pastilhas tinham o seu blog. Comecei a aventurar-me em casas alheias e o gosto pela Blogologia foi aumentando. Até que um "sobrinho" (Eu era a Super-Tia!) se prontificou a ajudar-me a construir um blog, com a minha identidade verdadeira e completamente "de verdade".
Obrigada, Pedro! Não sei se já te restabeleceste da "febre de sábado à noite" de Faro? Um beijinho para ti e para as tuas princesas. Obrigada, Eduardo, Titas, Zazie, Papoilinda, Charlotte, Renata e Renata Tangerina,JMF, Tito Casquinha...
É por isso que eu tenho um blog: para estar por aqui, com boas companhias!
Disse, Laurinha?
Se queres que te diga das verdadeiras razões, vais ter de me desculpar algum esquecimento que o tempo poisou sobre a minha memória, pois nestes três anos, quase quatro de Chora que Logo Bebes aconteceu tanto na minha vida, que as razões primeiras se entrelaçam em razões adquiridas e não conseguirei enumerar todas, sem perder um pouco o fio à meada.
Começa tudo num site chamado Pastilhas, criado pela imaginação avassaladoramente milionária do MEC. A metáfora básica era a de um consultório médico e a vida do site desenvolvia-se à imagem da vida de um consultório médico. Com Urgências. Mas este Serviço Nacional de saúde acabou por acabar, como tudo na vida, não tanto por ser bom, mas mais por ser isso mesmo: cheio de vida.
Era tão difícil ter um espaço na net, que o patrocinador primeiro acabou por obrigar os "doentes" a pagar uma taxa moderadora. Já se viu proceder ao pagamento de uma taxa moderadora, com alegria? Eu já vi!
Mas as coisas nem com taxa moderadora se resolveram e o consultório deixou de ter o Doutor, às terças-feiras. Depois deixou de ter Doutor e passou a regime de voluntariado. E foi acabando.
Mas à medida que acabava, nascia a Blogosfera e os pacientes com mais talento e mais assunto, abriam os seus espaços próprios e interagiam assim, não abandonado contudo o espaço Pastilhas, onde deixavam cópia dos melhores achados da Blogosfera, a que chamavam pérolas e bem.
Mantive-me espectadora durante muito tempo. Não que não tivesse vontade de participar! Mas temia envolver-me em polémicas inúteis que me desgastariam até à alma, porque, de algum modo me conheço e (confesso!) não sei aguentar uma polémica, sobretudo na vida virtual, por muita razão que sinta. Sou muito "má" nisso.(Fica o aviso!)
O tempo foi passando.
Quase todos os Pastilhas tinham o seu blog. Comecei a aventurar-me em casas alheias e o gosto pela Blogologia foi aumentando. Até que um "sobrinho" (Eu era a Super-Tia!) se prontificou a ajudar-me a construir um blog, com a minha identidade verdadeira e completamente "de verdade".
Obrigada, Pedro! Não sei se já te restabeleceste da "febre de sábado à noite" de Faro? Um beijinho para ti e para as tuas princesas. Obrigada, Eduardo, Titas, Zazie, Papoilinda, Charlotte, Renata e Renata Tangerina,JMF, Tito Casquinha...
É por isso que eu tenho um blog: para estar por aqui, com boas companhias!
Disse, Laurinha?
domingo, 23 de março de 2008
Uma questão de respeito
Por uma questão de respeito, e tão-somente por respeito, penso que o acontecimento da Escola devia deixar de ser aproveitado, sobretudo pela classe política, que tem, no mínimo, uma grande parte de responsabilidade sobre o que está a acontecer nas nossas instituições, sejam elas escolas ou outras.
Pelos jornais e televisões, também.
O que tinha de ser dito já foi dito. Se foi dito, com seriedade e com a preocupação inerentes a um incidente tão grave, e em momento próprio, foi bem dito.
Agora, passados que são já alguns dias sobre o acontecimento, dissecá-lo até às vísceras é, para mim, uma enorme falta de respeito para com a professora.
Quando não há já nada para dizer, as televisões passam em rodapé, nos vários noticiários, que "a professora agredida está em casa". Onde é que havia de estar?
A verdadeira compreensão e solidariedade para com a professora passam agora por uma atitude de contenção da ânsia de comentar, inutilmente, o comentado.
Pelos jornais e televisões, também.
O que tinha de ser dito já foi dito. Se foi dito, com seriedade e com a preocupação inerentes a um incidente tão grave, e em momento próprio, foi bem dito.
Agora, passados que são já alguns dias sobre o acontecimento, dissecá-lo até às vísceras é, para mim, uma enorme falta de respeito para com a professora.
Quando não há já nada para dizer, as televisões passam em rodapé, nos vários noticiários, que "a professora agredida está em casa". Onde é que havia de estar?
A verdadeira compreensão e solidariedade para com a professora passam agora por uma atitude de contenção da ânsia de comentar, inutilmente, o comentado.
sábado, 22 de março de 2008
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