terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

(...)

Quem quiser ver os flamingos, pode vir de catamarã até ao Montijo.
Mesmo ali, em pleno Cais do Seixalinho, paredes meias com a Base Aérea, eles gozam a sua natureza, numa elegante e calma indiferença a tudo o que os rodeia.
Belas lições as que a Natureza nos dá!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

yesterday, when I was young....

Aznavour não foi exactamente o meu cantor embalador de sonhos. Quando ele era Rei e a música francesa Rainha, eu tinha a minha cabeça preenchida com o romantismo da Susaninha e achava as canções de Aznavour mais velhas do que eu. Gostava do som, mas as letras não me remetiam para a realidade dos doze anos.
Dói ouvir "La mamma".
On la réchauffe de baisers
On lui remonte ses oreillers
Elle va mourir, la mamma!

Il faut savoir fazia-me pensar e remetia-me para o desgosto, a separação, uma aparente inevitabilidade de todas as relações amorosas.
Hoje, entendo que a minha relação com a vida é uma relação amorosa e, hoje, tenho de aprender a lição:Il faut savoir, coûte que coûte, garder toute sa dignité,
Et, malgré ce qu'il nous en coute, s'en aller sans se retourner...

Agora, já ultrapassada a idade que o meu pai tinha na altura em que eu alimentava os meus sonhos com Cliff e Beatles e ele aprendia a vida com Aznavour, agora, eu compreendo as canções de Aznavour.
Yesterday, when I was young... The thousand dreams I dreamed, the splendid things I planned.....

Et mois je ne sais pas.
Pieguice domingueira, ponto final!
Aznavour tem a coragem de cantar em palco aos 83 anos. Bravo!!!!
Mais uma lição para aprender.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

He always understood

Oh, my papa, to me he was so wonderful
Oh, my papa, to me he was so good
No one could be, so gentle and so lovable
Oh, my papa, he always understood.

Gone are the days
when he could take me on his knee
And with a smile
he'd change my tears to laughter

Oh, my papa, so funny, so adorable
Always the clown so funny in his way

Oh, my papa, to me he was so wonderful
Deep in my heart I miss him so today.

Passaram três anos!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Para que conste

Não temo a avaliação, pelos motivos que podem pensar alguns. Temo porque temo mesmo que, ao fim de 32 anos de ofício me venham dizer que eu faço isto e aquilo mal e me envergonhem à frente dos meus alunos, ou dos pais dos meus alunos, com quem, sinceramente até simpatizo.
("Converso" longas conversas com os pais dos meus alunos, na condição de DT, na pele de professora e na sub-pele de mãe/Encarregada de Educação que fui durante muito tempo. Sei que é difícil ser pai e ser mãe. Mais do que ser professor ou professora.)
Ninguém me ensinou a fazer melhor e o que até agora fiz não está de todo provado que tenha sido assim tão mau. Passados alguns anos sobre o convívio de sala de aula, após a tal relação pedagógica que está na moda "dizer sobre", muitos falam-me efusivamente, outros fingem que não me conhecem. É normal. Não podemos agradar a todos e isto é uma tarefa tão, tão delicada, que qualquer arranhãozito pode deixar cicatriz indelével.
Quando comecei a dar aulas tinha a juventude do meu lado e percebia-se que entre mim e os alunos não ia grande distância de vida. Só na responsabilidade dessa mesma vida e que havia diferenças evidentes. "Cresci" e eles continuaram da mesma idade, pois todos os anos há nova fornada. Eu continuei a crescer e eles continuaram pequenos. Mas nunca foram intransponíveis, o que eu receio, as distâncias, porque o nosso papel está bem definido: o meu é ensinar, vencendo as resistências de aprender matérias chatas que só vão ter utilidade daqui a vinte anos. O deles é resistir. Sobretudo resistir. E nem sempre a sintonia se consegue. Nem sempre se vencem as barreiras todas.
É massa humana que está em jogo, de um lado e do outro.
Não vou contar aqui histórias que vivo, todos os dias, com os meus alunos e com os pais, porque tenho pudor por eles, pais e alunos. Mas talvez seja por isso é que ninguém pode compreender que a avaliação vai matar o que existe de espontâneo e natural. Daqui para a frente vamos estudar muito bem o papel, para termos pelo menos Bom. Vamos ter os papelinhos todos em ordem, para o Senhor Avaliador (Soa a Seguros, Banca...) nos elogiar. Com tantos anos disto, não vamos correr grandes riscos em matéria de “correcção científica e didáctica”.
Os Senhores do ME vão gostar muito de muitos de nós. Mas os alunos e os pais? Não sei. Acho que não.
E eu não vou gostar muito de mim, quando vier embora e tomar consciência que nos últimos anos da minha carreira perdi os sonhos, larguei-os da mão como se diz por aí... Larguei-os do coração, mais exactamente!!!!
Para que conste, já que li hoje por aí, coisas bem feias a respeito do professores!
E não são do ME. Fará se fossem!!!

Não queria nada apresentar-me assim perante uma turma. Nem no Hallowe'en!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Só encontrei os versos...

São de Vinicius e falam do Quotidiano, ou Cotidiano, como se escreve do lado de lá do mar...
Hay dias que no se lo que me pasa
Eu abro meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol
Mas não tem nada não, tenho o meu violão
Acordo de manhã, pão com manteiga
E muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego achar Herodes natural
Mas não tem nada não, tenho o meu violão
Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe o nosso dia vai chegar
E rio porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar
Mas não tem nada não, tenho o meu violão
Aos sábados, em casa tomo um porre
E sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais
Mas não tem nada não, tenho o meu violão
Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus, escute amigo
Se foi pra desfazer, porque é que fez?
Mas não tem nada não, tenho o meu violão

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Jamais!

Sócrates mantém política educativa e diz que não governa para obter simpatias
E assim vai o mundo! Cada um tem os calos que merece, Sr Primeiro Ministro e este tipo de atitude é muito semelhante às atitudes dos meus alunos. Ele também não andam nas escola pelos meus lindos olhos. Ai não, não!
As suas palavras e a sua atitude para com os professores fazem-me doer os calos, aqueles que eu ganho todos os dias!
Por sinal, até tenho gosto em fazer o que faço. Mas há coisas que eu não entendo, mesmo com estes calos todos na alma.Por exemplo: os senhores dizem, isto é, mandam, mandam dizer que eu devo preocupar-me mais em enviar cartas a um Encarregado de Educação que eu não conheço, por causa de um aluno que eu também não conheço, que há anos que não põe o pé na escola e até sempre-a-mesma-fotografia-ou-fotocópia-da- fotografia já deve saber ler e escrever... dizia eu, preocupar-me com esses que já lá não estão, em vez de tratar dos que lá estão efectivamente, para estudar ou não, mas estão.
É que não se vê fim ao papel que é preciso gastar para fazer acontecer qualquer coisa.
Não foi o senhor (Já nem sei se devo escrever senhor com letra grande?!)que inventou o Simplex? Mas ainda não mandou para as escolas, pois não?
Já todos percebemos que anda zangado com o mundo, mas não se vingue nas crianças.
Já percebeu que é impossível aumentar o sucesso educativo sem ser à custa de um empurrãozito na nota. E haver quem seja capaz de defender um percurso de ignorância para os filhos dos outros é muito triste!
(Um dia perguntei a um médico, por sinal meu amigo, se estava muito preocupado com a saúde de um dos meus filhos. Ele explicou-me que se tratava do meu filho, por isso a minha preocupação era necessariamente diferente e maior do que a dele.)
Para os nossos filhos queremos professores dedicados, conscientes, competentes e felizes. Não está certo querermos uma coisa para nós e para os nossos e outra coisa para os outros e para os filhos dos outros. Esse é que seria um bom critério para aferir a grandeza das suas medidas e até a sua compatibilidade com a dignidade do ser humano! Não me interessa muito que seja simpático. Quero apenas que seja justo e que a dignidade não se afaste dos nossos meios, por muito estonteantes que sejam os fins.
Ah, é verdade!, há uma outra coisa que eu não entendo. Se era para acabar o Ensino Especial por que é que foi criando um grupo de docência só de Ensino Especial, no ano passado ou há dois anos, no máximo?
Por hoje, daqui, do Deserto de Jameh, é tudo!E não receie que não há muita gente a querer granjear a sua simpatia!

E porque hoje é domingo, dia de estar cansado...

Porque hoje é domingo, é dia de aludir ao cansaço, ao legítimo cansaço, tão legítimo, que foi Criado o Dia do Descanso. Ora o Dia do Descanso só faz sentido, se houver cansaço.
Mas o cansaço é normalmente expresso com um enfado que não o dignifica. E o nosso cansaço, resultando de um trabalho qualquer, merece ser dignificado e ser classificado como direito. O Direito de estar cansado. Com enfado, o cansaço não passa de um reles tédio.
Há quem esteja cansado de nada fazer e esse cansaço é doença, é maleita.
Há o cansaço de quem espera em vão. Esse cansaço também é um mau cansaço.
Vamos "ouvir" o que tem Álvaro de Campos a dizer sobre o cansaço, o dele, em tudo diferente do nosso, claro!
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Já em tempos recordei aqui os domingos da minha adolescência e esses, sim, eram o repouso do guerreiro: praia, caril e matiné!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Liberdades

"São apreendidos, em Lisboa, os jornais "A Paródia", "Novidades" e "O Liberal", por criticas ao Governo."
Não foi agora... Foi há cento e dois anos, neste dia, em que também se comemora uma tal Convenção de Badajoz que nos entregou o Algarve para sempre. (Há grandes pechinchas em Badajoz!). Este 16 de Fevereiro é de 1267. Doze anos mais tarde, o Rei Afonso III, o mesmo que foi a Badajoz "negociar" o Algarve, morria, no mesmo dia 16 de Fevereiro.Sobre a Paródia encontrei isto:
"Os portuguezes são essencialmente conservadores. Por muito que esta opinião possa surprehender o nosso collega Magalhães Lima, não é menos certo que se nós mudamos com frequencia de fato, nos recusamos obstinadamente a mudar de idéias, o que faz com que em Portugal a fortuna sorria aos alfayates como o Sr. Amieiro do que aos evangelistas como o Sr. Theophilo Braga.
Se somos inquestionavelmente um paiz de janotas, estamos longe de ser um paiz de reformadores. Assim, o nosso primeiro embaraço ao emprehender esta publicação é familiarisar o publico com a idéa de que já não se chama o António Maria o jornal que tem agora na mão, por que o publico, conservador e rotineiro, quereria ver perpetuado no tempo e na galhofa, aquelle titulo que ficou pertencendo a uma epocha que desapareceu e que por isso fez o seu tempo.
Porquê - o que era o António Maria? O António Maria, meus senhores, foi a regeneração, o Fontes e a sua Agua Circassiana, o Avila e o seu cachenez, o Sampaio e os seus pamphletos, o Arrobas e os seus editaes, o Passeio Publico e o lyrismo do Sr. Florencio Ferreira, a Srª Emilia das Neves, a «judia» e os Recreios Whitoyne, mundo findo, mundo morto, de sombras, espectros, mumias, onde só poderiamos estar á vontade sob a condição de termos desapparecido com elle, o que não é evidentemente um facto.
Ficarmos dentro do António Maria seria ficar dentro de um museu, na situação de um velho guarda mostrando á curiosidade do seu tempo os despojos de uma epocha passada. A parodia é outra coisa, como o tempo é outro. O António Maria foi um homem. Quando muito, foi uma família. A Parodia - dizemol-o sem receio de ser immodestos - somos nós todos.
A Parodia é a caricatura ao serviço da grande tristeza pública. E' a Dança da Bica no cemitério dos Prazeres."

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A dúzia e mais duas...

São doze, isto é, uma dúzia...
Diz-se que à dúzia é mais barato, mas todos sabemos que o barato sai caro, logo, à dúzia é necessariamente tudo mais caro.
Não são provérbios, nem laranjas, nem ovos... São palavras. Doze palavras é o desafio.
Quais são então as palavras que me dão a tal margem para o sonho, de que fala um autor português?
(Eu depois digo o autor!)
E porque tudo começa nos sentidos, é das que me acertam no alvo dos sentidos que eu vou escolher.
A palavra azul e a palavra verde porque me preenchem paisagens, com mar e céu, com montanhas e árvores. Ponho uma onda no mar e o vento a soprar e a vida mexe-se, movimenta-se.... E depois chega o sol e chega a água e o prazer demora-se na pele...
Quem diz mar, diz rio e adúzia está aviada!
Foi a Pitucha que me desafiou, porque ela sabe que eu gosto de desafios, mesmo quando fico com a sensação de ter ficado aquém e não além do expectado... E vão mais duas palavras que eu também gosto, mas já não cabem na bagagem!
Obrigada, Pitucha!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Lisboa à tona da luz do Tejo

Serve o presente para trazer a lume a cidade que recebe todos os anos mais olhares, vindos de longe para repousar as dúvidas no brilho do Tejo. Esta cidade é linda a valer!
Serve também para trazer não um, mas dois mestres da palavra que prestaram o seu tributo a Lisboa. Um, Cardoso Pires, que cita um outro, Fernando Assis Pacheco.
Passo eu a citar também!
"Ah, sim. "se fosse Deus parava o sol sobre Lisboa", escreveu Fernando Assis Pacheco num poema tonto de luz (a tão citada luz sempre imprevista). De acordo, mas uma cidade de caprichos como esta nunca o sol pode iluminar por igual. Tem de se lhe afeiçoar aos contornos e aos instintos desordenados, à sua placidez aqui, ao burburinho dos velhos bairros acolá, e é com esses desvelos que ele lhe dá cor singular."
Lisboa, Livro de Bordo, José Cardoso Pires, página 41.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Políticas

Eu não percebo nada de política. E não digo isto para fingir ou para me contraporem com aqueles argumentos habituais de que tudo é político e coisa assim. Eu não percebo mesmo nada.
Presumo que a política seja um cozinhado universal de interesses económicos, sociais e culturais. Mas, vai daí e vejo que cada um olha para o seu umbigo e a universalidade que reclamamos e quando a reclamamos é só também porque ela nos serve em termos individuais.
Isto sou eu a pensar...
É que pensar todos pensamos e temos referências de pensamento que vêm dos recônditos da História. Uns mais antigos e outros mais recentes, porque eu própria já assisti e vivi a História.
Dos tempos da Faculdade, dos estudos propriamente ditos, trouxe uma referência muito importante: Thomas More. Não pela Utopia, mas pelo exemplo de uma só palavra. Sem desafios, sem exaltações, apenas a coerência que lhe custou a vida.
Dos tempos mais modernos temos também exemplos: Gandhi, cujas magras vestes deram corpo à Alma Grande; Mandela e o exemplo de que o homem é realmente livre por dentro e não há ódio nem ressentimento que possam corromper a sua liberdade, quando é genuína, verdadeira.
E, cá dentro, também vou alimentando a esperança de dias melhores para os meus filhos e para os meus netos, com a memória permanente de alguns, como Salgueiro Maia, por exemplo que, desinteressadamente, contribuíram para o sonho do "dia mais claro" que a poetisa Sophia cantou nos seus versos, ela própria o exemplo da dignidade como sentido único de vida.
E, aproximando-se os dias das eleições americanas, inevitavelmente, o meu instinto segue o pensamento de Obama e só quero dizer aqui o quanto me repugnou um senhor candidato que usou a palavra "Change" para ridicularizar o seu rival e levantar suspeitas sobre o seu verdadeiro intento de Mudança.
Será isso Política?
Pelo menos, em Portugal, ainda deixamos essa tarefa aos humoristas!
Repito que o que eu quero mesmo é um mundo melhor para os meus netos. Eles ainda não chegaram. Estão à espera, tenho a certeza, numa estação espacial. Espero que apanhem a carreira 2008 e que a indicação do destino seja "Mundo Melhor" (via Portugal).
Devem ter depois de apanhar um táxi para o castelo de S. Jorge ou o catamarã para o Montijo. Mas se combinarmos bem, talvez se arranje uma boleia!

Pensando melhor, há também a possibilidade de apanhar o Camelo para o Deserto de Jameh!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Violenta interrupção

"Sentei-me para escrever um texto saudoso e álacre sobre a Ava Gardner."
Desde a Pedra Filosofal que não ouvia ou lia a palavra "álacre"! E faz-me falta ouvir estas palavras que cristalinamente resistem à moda e ao tempo e não se transformam em "porreiro" ou palavras do género.
Dizia eu que comecei a ler o BB com o entusiasmo do costume, pois a certeza é sempre a de me deliciar com as palavras e com o pensamento. Sobre a Ava Gardner, ainda por cima, uma das divas que escapou às minhas mini-biografias no jornal da terra.

O escritor diz que se preparava pois para se comover, escrevendo; e eu preparava-me para me comover, lendo.
Mas fomos interrompidos: ele, em directo e eu em diferido, mas mesmo assim não menos violentamente "pelo eco do oco".
Haja quem mantenha a coragem de dizer o que deve ser dito, quem ouse chamar as coisas pelos nomes! Obrigada, B.B.!

Surpreendências!

São obras, Senhor, são escombros, ruínas, andaimes, demolições...Mas todos os lugares são lugares para uma declaração de amor.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A cultura, para temperar...

Mais de cem trabalhos da pintora portuguesa Paula Rego vão estar em exposição a partir de sexta-feira no Museu Nacional das Mulheres nas Artes em Washington.

"A native of Portugal who lives in London, Rego uses her art to explore the precariousness of human emotions and the complexity of life’s experiences."

A curto prazo

Todos estaremos assim, como os versos deste poema de António Ramos Rosa, que li aqui.
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço

Caminhamos a passos de gigante para este cansaço da jornada vã, dos dias cheios de nada que valha a pena, quando a felicidade de ser pessoa é um objectivo da vida, ainda por cima quando se sabe que a prática diária pura e simples do exercício da nossa profissão nos traz à rede momentos quase perfeitos. Que mais poderíamos desejar?
Eu não quero mesmo ir sentar-me nas aulas dos meus colegas mais novos, se não for para reaprender com eles sonhos que eu já gastei. Não renego cegamente a avaliação, mas rejeito este modelo que se baseia uma vez mais numa burocracia gigantesca que vai parir uma máquina demolidora de entusiasmo verdadeiro, que vai triturar as relações pessoais.
Muitos são os que estão tão cansados de funcionar que não aguentam mais nada e vão embora. Desistem, em nome de mínimos de dignidade e sentido de vida que querem preservar. Não desistiriam se pudessem ser ouvidos com atenção que lhes merecem os mais de trinta anos de sala de aula, de quadro de ardósia e giz, de livros e cadernos...
Basta ler (ou reler) o Diário de Sebastião da Gama, para realmente perceber o que é ser professor e o quanto se afastam estes senhores que nos governam dos momentos perfeitos de humanidade contados nos Diário.
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?
Porque este não é o cansaço bom do trabalho que nasce na nossa mente e passa para as nossas mãos! (Professora daqui)

domingo, 27 de janeiro de 2008

E a gente acorde finalmente em Portugal

Foi este verso de Manuel Alegre que me acordou dos reles pesadelos que adamastores de trazer por casa nos infligem, estragando-nos não só as noites ou os dias, mas sim a capacidade de sonhar sempre sempre um Mundo Melhor. Eu não quero deixar de sonhar um mundo mais justo, mais fraterno, mais solidário, mais azul ou mais verde... Enfim, com mais cor! Seja ela qual for a cor do nosso contentamento. Eu quero sonhar!
E o poeta, que nos empresta o sonho nas suas palavras, para nos dar força de seguir em frente, ganhou um prémio.
(E eu, tão distraída que ando, nem percebi. Só ouvi o que não devo ouvir: desgraças!)
De agora em diante vou virar os meus sentidos para a poesia. Redentora e salvadora. Sim. É isso que eu sinto e ainda posso dizê-lo! E ainda posso dizê-lo com ganas de liberdade.
E leio...

Trago em mim uma nau S. Gabriel.
De verso em verso vai e não sossega
sobre os dias navega à flor da pele
trago em mim uma nau que nunca chega.

E um súbito acordar é um rumor
um ficar distraído e partir para
os teus olhos que ficam além da cor.
Trago em mim uma nau que nunca pára.

Trago em mim uma nau que me carrega
como se eu próprio fosse o Oriente
trago em mim uma nau que não sossega.

Ela só deixa um rastro no papel
e o que ela busca é sempre o que é ausente.
Trago em mim uma nau S. Gabriel.


Imagem daqui

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Poderes

É estranho. Continuo a gostar de ser professora! Está tudo contra, mas eu sinto que aquela é a minha pele. Gosto de estar na escola, mesmo quando me esgoto e me canso com Pedagógicos que se estendem até às nove da noite, ou outras reuniões cujo proveito é sempre de pôr em causa.
Gosto, pronto!
Mas há uma coisa que me irrita, enerva e desmotiva: o poder do papel. Vivo no reino do papel e o seu poder é absolutíssimo.
Por exemplo: o plano de recuperação é um papel. Assinado pelos pais e pelo director de turma, mas não deixa de ser um papel. O papel defende os professores todos, caso o aluno venha a reprovar, ou a ficar retido, como preferirem. O papel tem o poder de evitar a maior "chatice" do mundo. O papel tem poder e isso sim é que me desgosta. A minha intenção, o meu desejo, a minha vontade e até a minha acção não valem nada ao pé do papel. O papel vale sempre mais do que eu!
Este é talvez um passo em direcção à desumanização de uma instituição que devia ser, quase que por definição apenas, o oposto.
Como será o futuro destes meninos e meninas educados sob o signo do papel?
O papel sobreviver-me-á e isso é incontornável. Será por isso que o papel vale mais do que a minha palavra?Imagem daqui

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Faltas justificadas

Acertou: ainda estou a comer Bolo-Rei... Aliás, o bolo que eu compro na Pastelaria Anjo Doce (Com se os anjos pudessem ser outra coisa senão doces?), chama-se Bolo-Rainha e é irresistível.
Está difícil arrumar o Natal cá em casa: ele é árvore, ele é prendas, ele é bolos...
"Ele foi" uma pequena avaria no coração verde do Leão Grande que já passou!
Uff, não ganhei para o susto! Mas agora temos o Coração de Leão outra vez cheio de energia para discutir futebol, política e outras emoções de terceiro grau.
Obrigada a todos pelo cuidado que foram manifestando ao longo da ausência!

domingo, 6 de janeiro de 2008

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cheios de sorte

Um dia é Natal, no outro é Fim de Ano, Reveillon mais ou menos, e, logo a seguir, Dia de Ano Novo. No dia seguinte, já há outra coisa para entreter o nosso pensamento: o famoso "Paris-Dakar", que já vai em "Lisboa-Dakar" e já foi "Portimão-Dakar".
(A malta tem sorte, pá!)
E com o patrocínio do Euromilhões, jogo da Casa da Misericórdia.
(Já não se chama Santa Casa, pois não?)
"Entretém-te", diz o Zé Mário Branco, no FMI. O que é preciso é estarmos todos muito entretidos, enquanto se fecham hospitais, enquanto se decide acerca de um problema maior para as nossas vidas, o problema do nome dos santos nas instituições e, daqui a pouco, nas freguesias e outros lugares, enquanto a esperança, que devíamos respirar a plenos pulmões, vai murchando, em cada fim de dia....
Siga o Rally, para gozo de muitos! Sem acidentes, claro!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Efeito BB

A crónica é de hoje, do DN de hoje, e chama-se "Talvez ternura!" e está assinada por Baptista Bastos.
Ao contrário do quase habitual registo de amargura, perpassa nas palavras do escritor o desejo do bem, o anseio das coisas boas, daquelas que criam boas emoções às pessoas, as fazem felizes, as torna melhores, lhes dá (ou devolve!) a capacidade de sonhar e a possibilidade de se enternecer, que é o que acontece quando os nossos sentidos desmaiam de felicidade súbita e inexplicável.
Sinto-me às vezes ré na culpa do desaparecimento dos desejos e dos sonhos. É pena máxima viver sem sonhos. Mas, nos dias de hoje, só os loucos reclamam os seus sonhos perdidos. Os sensatos passam ao lado, equipados de realidade, imunes e ilesos. Sobrevivem e mandam no planeta. Que chatice!
Obrigada, BB, pelo assomo de ternura!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Faço minhas....

... as palavras dele!
Malaposta,1 de Janeiro de 1988 - "Começo bem o ano. Na firme disposição de o merecer custe o que custar."
Miguel Torga, Diário XV
Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades. O contrário só acontece aos poetas!Continuaremos a caminhar, deixando as marcas e as sombras junto ao mar, que levará e lavará os cansaços destes passos!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Hoje é o dia em que a expectativa toma conta de nós. Eu (e quem sabe? todos nós!) queria que a vida fosse simples e que a mudança do calendário correspondesse a uma correcção mágica de algumas imperfeições dos nossos dias. Vale a pena desejar, quanto mais não seja pelas forças do bem que os bons desejos libertam, desagrilhoando-as da mesquinhez, das vaidades vãs e outras.
Brindemos pois a um ano bom!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Nomes e coisas assim

"Disse-lhe que certos povos, em África, acreditam que o nome guarda a essência do indivíduo, o seu futuro, o seu passado. Por isso têm um nome público e outro secreto, o verdadeiro, utilizando apenas em cerimónias secretas." José Eduardo Agualusa, in Fronteiras Perdidas
O problema dos nomes veio-me à ideia, a propósito do jantar de bloggers. Quase todos têm um nome blogosférico que, de algum modo, preserva de algum dissabor, ameaça, ataque quer da vida real quer da outra, da virtual, da second.
(E eu sei que há casos desses, embora a mim nunca nada do género me tenha acontecido, a não ser na vida real, ela própria.)
A opção do nick não significa distâncias de personalidade, neste caso. O que é visível nos bloggers, à "primeira vista", é mesmo o pensamento, o miolo, o que vai cá dentro. Bom, mau, pior ou melhor. É esse que sobressai. Haverá talvez na construção do blogger uma dose de desejo que o mundo cá fora não dá atenção e que neste mundo aparece como o nosso fato principal, o uniforme de gala.
(Quando os mais próximos (da vida real) me apontam certos defeitos, acusando-me de os esconder, ou não exibir na comunidade virtual, eu argumento com o desejo de ser melhor, que, ultimamente tomou conta de quase todos os meus outros desejos. A idade, isto é, a velhice, adoçou o meu pai, adoçou a minha mãe e eu espero que me adoce a mim também.)
Parafraseando o vendedor da banha da cobra: não estou aqui para enganar ninguém, nem para me enganar a mim mesma, por isso, optei pelo meu nome real, que herdei da minha avó, para além de um resto de verde nos olhos.
Continuando a paráfrase, não estou aqui para criticar ninguém e gosto tanto dos nicks que não consigo deixar de os usar, para lá da blog.
Aconteceu isso com a Chuinguita, com a Tangerina (Olá Renata!), com a Bette Davis, com o Molin e vai acontecer com a Azulinha e com os outros meninos e meninas que foram ao jantar. Não é por mal, sim?
Como eu expliquei à Aenima, eu também já tive um nick, no tempo do Pastilhas, do MEC. Era Supertia, por sugestão do meu sobrinho Pedro, sobrinho verdadeiro. Hoje quase me envergonho do nick que na altura me pareceu sugestivo e com enorme carga de gozo. Pensava que me ia divertir imenso e assumir uma supertia com dupla personalidade, resguardando a minha própria. Enganei-me de algum modo e fui ultrapassada pelo boneco. De repente, senti-me tia de verdade de uma série de sobrinhos de verdade. Afeiçoei-me à ideia e a aos sobrinhos que ainda hoje contam nos meus afectos. Entretanto, já na blogosfera, ganhei sobrinhos: a Pitucha, a Ti.
É que eu gosto mesmo de ser tia. Talvez por ter tido as melhores tias do mundo!
Elas gostaram de mim incondicionalmente e, mesmo nos piores momentos, quando eu dei uma dentada na minha prima, não senti que o castigo dado tivesse a ver com falta de afecto. Apesar de eu ser feiosa, elas enfeitavam-me, como se enfeita uma princesa, com bordados e laçarotes. Elas fadaram-me para ser feliz e, na medida em que consegui, a elas o devo. Obrigada, tias!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Completamente azul!

Ontem, o dia começou e acabou em tons de azul.
De manhã, o mar...
Estava assim:O azul devia estar a cem...(por cento, presumo!)
À noite, estava a cento e vinte e cinco, vezes duas, que dá (deixa cá ver se eu ainda sei fazer contas!) duzentos e cinquenta azul.
Foi giro! Foi divertido! Foi animado! Foi bom!
(O nosso PM teria dito: porreiro, pá!)
Foi discutido!
(Aquela cena dos professores e os amores da ministra dá sempre confusão. Devia abolir-se o tema de qualquer convívio!)
Foi verde!
(Até o marido da Chiqui que é americano de gema está perdido de amores pelo Sporting!)
Foi doce!
(Muito chocolate, muito chocolate, muito chocolate!)
Foi bilingue!
(A Azulinha média falou Inglês o tempo todo, revelando-se uma anfitriã 400 estrelas!)
Foi simpático!
(Tirando a parte da discussão dos professores, mas isso já nem conta!)
Foi picante!
(Mes eu não apanhei o picante, pois preferi conhecer melhor a Aenima e acho que a minha escolha foi muito boa. A Calamiti juntou-se a nós e trocámos ali meia dúzia de ideias. É preciso aprender com os mais novos. Obrigada, meninas!)
Foi bom conhecer uns e rever outros, ou melhor, outro!
Espero que a parte da dança tenha sabido bem à Calamiti que estava danadinha para dar ao pé!!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Alice

Alice!
Chamar-te-ei Alice, por analogia com a outra Alice que, tal como tu, ultrapasou as fronteiras de um mundo que não contribui para a felicidade dos homens. Nem tão pouco dos bichos, quanto mais dos homens ou da mulheres! Felizes os que sabem sonhar sonhos libertadores, sonhos verdadeiros, sem precisar de recorrer a qualquer artifício provocador de sensações.
Ali estás tu, Alice, em conversa serena e feliz com a mulher que te devolve o sorriso, que te acaricia o cabelo, passando-te os dedos, com vagar, sobre as madeixas brancas que te aconchegam as têmporas. Nada acorda sequer o teu tacto, também envolvido na ilusão.
Que segredos lhe contas, Alice, horas a fio, sem que as tuas pernas se cansem de ficar ali, em pé, no meio do imenso e nervoso corredor? Nem o ruidoso elevador para cima e para baixo, constantemente, estupidamente, com visitas, comidas, pessoal e acessórios de limpeza, te interrompe essas conversas longas.
O espelho e tu fazem-se companhia. Tenho a certeza que o espelho só reflecte mesmo a tua imagem. Nada mais! Serve apenas a tua fantasia e a tua vontade de ser feliz, passe por perto a adversidade que passar.
O teu cabelo brilha e compõe-se naturalmente, nunca se desgrelhando em poses inestéticas ou infelizes. Só os cabelos dos loucos se eriçam, lutando também eles contra a ameaça da normalidade. Os teus, não. Os teus convivem com a tua normalidade que é o que interessa! Cada um tem a sua normalidade, não é, Alice? E a tua é esta que vislumbras para lá do espelho e para a qual sorris o teu melhor sorriso, belo e verdadeiro. A tua pele também brilha, o que não acontece com a pele da maioria das mulheres da tua idade. E mesmo de outras, mais novas! Falta-lhes ilusão.
Estou certa que tu e ela falam de tempos distantes em que tu, Ou ela, quem sabe?, eras levada nos braços de príncipes, ao som de melodias inesquecíveis que ainda hoje podes ouvir naquela telefonia antiga que está do outro lado do corredor. Ou mesmo num posto de rádio nostálgico que passa essas cantigas, precisamente por serem inesquecíveis. E tu recordas o brilho desses salões e quase danças, quando percorres o imenso corredor e cumprimentas estes e aqueles, como se estivessem, como tu, numa grande festa da vida.
(Como tu estás enganada, Alice! Mas Deus te guarde e te conserve essa ilusão!)
Quando passo por ti e pelo teu espelho, não ouso olhar. Finjo-me distraída para não interromper o teu convívio com a outra Alice, do lado de lá do espelho.
Mas, um dia, havemos de falar e hás-de contar-me tudo sobre o teus sonhos. Quando os nosssos próprios sonhos nos não alimentam mais, há que recorrer aos dos outros.
De vez em quando, vejo-te lançar um sorriso para o lado de cá, para um dos jovens do teu tempo dos muitos que vagueiam e habitam o teu corredor. Eles não te retribuem a doçura do teu gesto, não entendem que és uma Rainha a dizer adeus aos Valetes de todos os naipes, porque a tua delicadeza está muito para além dos separatismos que a existência de vários naipes pressupõe.
O teu espelho é um trunfo que jogas para ganhar esta partida e talvez o jogo!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Males que vêm por mal...

...ou coisa que o valha!
Gripe aviária: oito mil perdizes vão ser abatidas até amanhã
Ao ler este título de notícia, o meu coração bateu acelerado: é desta que a gripe das aves chega a Portugal, para dar cumprimento a profecias de cenários catastróficos que nem o tremor de terra de 1755 teria causado, se já tivesse sido inaugurado no Terreiro do Paço a mais famosa estação de Metro que há no mundo. Mais famosa, sim, porque a mais cara e a que demorou mais tempo a fazer. Deve ter entrado para o Guiness que é uma coisa muito importante para os portugueses!
Com a perspectiva da gripe, já nem me importa que a minha escola seja presidida por um director ou gestor, que suba ou desça a taxa de juro indexada à prestação da minha casa, que o aumento de ordenado seja outra vez igual a zero, que o aeroporto seja em Alcochete ou na Ota, que fechem as maternidades, etc
Notícias destas fazem muito "estrago" no descontentamento do povo o que dá muito jeito a quem manda.
A gente já não se descontenta tanto e o governo agradece!

Imagem e notíca do Público

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Inglês Técnico

diss iss de uei mai setudents raite. uot quén Ai du? Ai mei prei end ásque for a miraquêl.
Santa is camin sun. If iu mit Santa, plize tel rrim abaut diss.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O que custa mesmo é não saber viver

Saber viver é vender a alma ao diabo
Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
((Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?»)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.

Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.

Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»

(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)

Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...

Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?

Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!

Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.

Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!

E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...

Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer?

Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!

Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...

Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!

*

Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...

Alexandre O' Neill, o poeta que rimou sempre os versos do inconformismo, temperando as palavras de uma irreverência que jamais lhe destruiu a poesia!
Que falta faz o homem neste país, dolorosamente convertido à ideologia da imagem, do parecer bem, do ter sempre cada vez mais, daquilo que se vê e dá nas vistas, mesmo que para tal se tire ao que dá no estomâgo!
Mas isto é fácil de dizer, para uns quantos como eu a quem a fome não bate à porta.
E quem diz fome de pão, pode dizer também fome de sonho!
Este poema traz-me uma lembrança antiga, muito antiga e que, por alguma razão, sobreviveu ao naufrágio de outras recordações: era uma senhora de muito boas famílias que tinha perdido o tino e sabem quem preenchia os seus sonhos (seriam devaneios?) amorosos? O Pai Natal! E trazia sempre consigo uma grande mala de viagem. Seria de cartão, certamente! A ela isso não lhe interessava nada. Aquela era a sua bagagem. Ali estava o que precisava para "juntar os trapinhos" com o o Pai Natal.
Precisamos de alguns elogios da loucura como a deste poema, para levar a cabo a desintoxicação provocada pela vã elegância dos senhores que mandam no mundo.
Obrigada, Poeta!
Alexandre O'Neill nasceu a 19 de Dezembro de 1924.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Happy Birthday, Spielberg!

"Everything wanna be loved. Us sing and dance, and holla just wanting to be loved. Look at them trees. Notice how the trees do everything people do to get attention... except walk?" Spielberg é um homem de esperança na humanidade. A rejeição tê-lo-á ensinado a lutar pela compreensão entre os diferentes. O seu ET é um Principezinho da era do cinema de efeitos especiais. A fantasia é sempre um trunfo nestas questões de humanidade!
Parabéns, Spielberg!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Dos dias

Falta alguém? perguntei, como sempre, apesar de ter já notado a ausência daquele volume de caracóis desalinhados e pretos, libertados, daqueles olhos também encaracolados de mimo e doçura, tanto, tanto, que até dá para semicerrar as pestanas e avançar em direcção a mais um abraço que o espere, tropeçando em quem empatar esse caminho.
Acabada a pergunta, bateram à porta. É o João, gritaram os outros. Abri a porta, à espera do sorriso doce. Não! Enganara-me. Não sorriu, não se moveu, não falou. Os olhos quase rebentavam num brilho estranho. Até os caracóis negros embaciaram.
- O que foi?
Nada. Nem resposta. Nem razão. Nem choro. Nada.
Insisti. Outra vez: nada!
De repente um choro convulsivo e muito molhado rasgou-me o entendimento: doem-me os pés.
Uns minutos depois veio a explicação:
- Há um ano fui operado aos pés. Eu não tinha aquela curva que vocês têm. E agora, às vezes, tenho muitas dores e nem consigo andar.
(Meu Deus, não foi para isto que eu "fui para professora"! Andei o resto do dia, vou ficar muitos dias com o desenho daquelas dores injustas nuns pés de dez anos. Eu que pensava que só aos mais velhos é que as dores acontecem!)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Desencontros

Há crianças que sofrem a máxima violação ao seu direito de crescer: a fome. E há gente grande que usufrui do fausto máximo, em palcos de abundância indecorosa. Chocantemente indecorosa, sobretudo quando passam, no pano de fundo da nossa consciência de cidadania, os olhos tristes dessas crianças.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Convite

A Editora Contra Margem e a Biblioteca Orlando Ribeiro têm o prazer de o/a convidar a a assistir ao lançamento do livro ÁGUA E TÂMARAS de Ana Sousa.
A obra será apresentada por Maria de Lourdes Osório, na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, Lisboa, no dia 6 de Dezembro, pelas 18 horas.
Prometo deixar aqui a reportagem das emoções que vão desfilar ao longo da noite.
Que orgulho, Nini!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ele há sorrisos, também!

Que nascem nos olhos dos meninos a quem a vida ofereceu um coração a sério, em vez de brinquedos e outros bens que não se comem, mas alimentam os sentidos e ajudam a crescer. Como os livros, também.
Esse sorriso activa-se directamente no coração, oferecendo ao dono do coração um brinquedo, um livro ou uma peça de roupa.
É muito simples: dá-se aqui, numa escola, e o sorriso vai nascer em Timor, na carinha de um menino ou de uma menina. Isso é que é mais difícil saber! Ainda não há ecografias para ver a cor deste sorriso em Timor, no dia 24 ou 25, ou seja, no dia de Natal. Seja azul ou cor de rosa, tem laivos verdes de esperança e laivos brancos de paz.
Acende já neste sorriso!

(O sorriso acende-se através de uma escola.)

Ele há sorrisos!

Estudo conclui que maioria das pessoas desconfia dos sorrisos dos políticos
Nem era preciso altos estudos para chegar a esta conclusão.
De qualquer modo, é bom que a hipocrisia da maioria dos políticos seja cientificamente confirmada e a sondagem pode ser um instrumento de medição desta hipocrisia!
Como não podia deixar de ser, quando abro um ficheiro na minha memória, ela dispara outros, tipo mediaplayer...
Smile an everlasting smile, a smile can bring you near to me...
Bee Gees, claro!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Vozes

Também se pode mandar calar as gaivotas?
Sei que o seu grasnar dista do habitual modelo de melodia que a maioria dos ouvidos dos homens diz configurar o seu gosto, sobretudo porque configura a convenção.
Mas esse grasnar desordenado e desordeiro remete-me para um conceito de liberdade ideal que nunca atingirei num mundo dominado por modelos e convenções.
Recordo-me do dia, da manhã cedo, em que quase atropelei uma gaivota: depois do susto da surpresa, veio à tona do meu pensamento que aquela gaivota podia ser Fernão Capelo com asas cansadas do tempo, da idade...
Hoje, programei os meus sentidos para acordar com as gaivotas, mas elas continuam em silêncio.
Não me digam que também se pode mandar calar as gaivotas?!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Efeito Darwin

"Segundo o autor(Andrew Keen), a Internet do YouTube, da Wikipedia e do Facebook tornou-se num espaço lúdico de amadores desocupados, reflectindo a ignorância, a mediocridade e a superficialidade desta macacada humana.", do Jornal Público, do Suplemento Digital.
É razão para auto-despedimento com justa causa. Ou não?
Chamam-me macaca ignorante, medíocre e superficial e eu não reajo?O jornalista Norberto Nuno de Andrade respondeu bem ao Senhor Keen: "(...) a Internet não é, nem tem de ser, uma ferramenta para profissionais e sobredotados, mas um meio de criação e expressão aberto a todos, através do qual qualquer um de nós pode imaginar, experimentar e inventar."
Posso, porém, reagir bem a esta comparação, perante a ternura desta macaca com o filho ao colo. Ternura que os dois, mãe e filho, conjugam no plural das duas vidas e no singular da relação única, sejamos nós primatas de outros tempos ou destes tempos.
Tenho dito, Sr Keen!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Dos Jornais


É que agora, cada vez mais, a escola é para todos. Ninguém está preparado para isso, nem a escola, nem a sociedade. Tirem-se conclusões, sim, mas, acima de tudo, procurem-se soluções que não passem por um sucesso administrativo imposto pelo medo.
É claro que as mudanças de ciclo são as partes mais visíveis do insucesso: não há legislação específica para a retenção nos outros anos, especialmente no primeiro ciclo. E há a escolaridade obrigatória que também ainda coincide com um fim de ciclo.
Tudo isto existe, tudo isto é triste e convém que não nos resignemos ao resto da cantiga que diz que tudo isto é fado. Peguemos todos no fado e mudemo-lo!

sábado, 24 de novembro de 2007

Pompa e Circunstância

- Mamã! Mamã! Acorda mamã!
A mamã Flamingo desembrulhou a perna, pousando-a no rio mais depressa do que habitualmente, assustada com os gritos aflitos do bebé flamingo.
- O que foi? – Perguntou a mãe Flamingo, dirigindo-se para o sítio onde o Flamingo Zé gritava impacientemente.
- São barcos, mamã, com muitas bandeiras. Estão a chegar muitos homens. O que é que vai acontecer, mamã?
A Catarina Flamingo tentou então explicar ao filho que os homens não iam chegar perto deles e ninguém lhes ia fazer mal.
- Como é que sabes, mamã?
- Ouço as conversas das gaivotas que vão, como sabes, muitas vezes, a terra e trazem notícias frescas.
-Os homens estão felizes, filhote Zé, porque nós construímos aqui a nossa Flamingolândia.
Reparou então que o Flamingo Zé nem tido tomado o pequeno almoço. Estavam ali as algas todas que tinha preparado umas horas antes, ainda todo o rio dormia. Ficou preocupada e explicou-lhe que precisava de comer as algas para ter, mais tarde, quando crescesse, a cor rosada de que tanto se orgulha a espécie.
Entretanto chegou a Gaivota Fernão e explicou a razão de todo o burburinho: havia uma inauguração. Vinha a Pompa e a Circunstância!
- Quem são esses? - Perguntou o Flamingo Zé, muito atento que estava àquela conversa de aves crescidas.
A Gaivota Fernão não sabia, mas chamou o avô Capelo, conhecido naquela zona ribeirinha, pela sua sabedoria. Ele era do tempo em que os pescadores ali se juntavam para a faina e aprendera muito com as conversas que ouvira.
- Não te preocupes, Flamingo Zé, a Pompa e a Circunstância não vão demorar e têm tanto que fazer pelo país fora que nunca mais aparecem por cá. São os tais importantes que se mostram para as fotografias e câmaras de televisão.
- Logo à tarde, já teremos outra vez vida normal, garantiu a Gaivota Capelo.
O Flamingo Zé começou então a comer as algas, com o apetite devorador das crianças felizes!Esta é uma história que eu vou guardar para os meus netos, quando passear com eles à beira-rio, deslumbrando-nos com a comunidade de flamingos que se mudou para estes lugares!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Este foi o dia...

...em que o marinheiro e o mar se encontraram, não para se derrubarem, mas para escreverem juntos mais uma página salgada da História dos homens e dos mundos.
O marinheiro: Vasco da Gama.
O mar: Adamastor.
22 de Novembro de 1497
olhar o mar
É a olhar o mar que o mar se aprende!

domingo, 18 de novembro de 2007

Efeito C. D. S.

Efeito C de Crónica, D de Daniel e S de Sampaio
As mudanças sociais tendem a atribuir à escola um novo conjunto de funções, nem sempre bem definidas: além de instruir, os professores são chamados a apoiar, socializar ou encaminhar para outros contextos alunos com histórias de vida, expectativas e capacidades muito diferentes.
Os professores sabem-no!
Era uma vez uma professora de Português! Na pele estava a origem distante das terras descobertas por Diogo Cão ou outros famosos do nosso passado não menos distante. Já a cor dos olhos, janelas da alma, diz o povo, deixava lugar à dúvida, porque o mar português tinha ali pousado, no verde e na imensidão, na coragem de ir à luta, fosse qual fosse o Adamastor que tivesse de enfrentar.
Era professora de Português e amava a Língua Portuguesa. Era professora de professores de Português e amava a sua função junto dos professores mais jovens. Era moderna pela idade e pelas ideias que, na altura, não tinham ainda chegado à tona das discussões sobre o ensino, o papel social da escola, e todos os eteceteras que enchem os nossos dias de professores, educadores e afins.
Com o ar sereno de tempestades acabadas, dizia-nos que não valia a pena ensinar Francês ou Inglês a alunos que nunca iriam sequer à Costa da Caparica, muito menos a França ou a Inglaterra. Era preciso ensinar-lhes a língua materna, por ser esta a ferramenta essencial às vidas todas destes meninos, viessem eles a ser doutores, pescadores, electricistas, advogados... Não se falava ainda de informáticos!
A crónica do Professor Daniel Sampaio obrigou-me a falar de ti, Angélica. E como eu queria falar de ti! Há muito tempo já, aflita que ando, afogada em papéis, que todos já conhecem pela sigla,(tipo PCT e outros), sem conseguir respirar a vontade de ensinar qualquer coisinha, pequena e pouca que seja, aos meus alunos. Penso muito em tudo o que me ensinaste. Penso em tudo o que dirias se aqui estivesses! Não te limitarias a assistir. A tua intervenção far-se-ia sentir e dar-nos-ia, a muitos, força, para combater o estado das coisas que não ajuda nem alunos nem professores.Felizmente encontro nesta crónica a verdade, esta verdade que me aflige e na qual ninguém acredita.
Os professores de hoje perdem-se entre circulares, despachos normativos, portarias e decretos, num tempo precioso para outras actividades.
Hoje, acordei com a conversa das gaivotas,o mar ao lado e o céu azul a "bater-me" no sono!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Para os que vão passando por aqui!

UM AMIGO...

Ajuda-te

Valoriza-te

Respeita-te

Acredita em ti

Nunca te goza

Compreende-te

Nunca se ri de ti

Aceita-te como és

Eleva o teu espírito

Caminha a teu lado

Perdoa os teus erros

Admira-te no teu todo

Acalma os teus medos

Oferece-te o seu apoio

Ajuda-te a levantares-te

Diz coisas lindas sobre ti

Ama-te por aquilo que és

Explica-te o que não entendes

Diz-te tudo sobre o teu coração

Entrega-se-te incondicionalmente

Diz-te a verdade, quando precisas ouvi-la

Grita-te, se necessário, quando não queres "ver" a realidade!Acho que hoje se celebrou o Dia da Bondade! Pelo menos, lá na escola, houve bolos, muitos bolos e doces, flores com etiquetas a recomendar coisas do bem.
E eu recebi este email de um amigo!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Missing You

Foram os nossos Beatles, os nossos Shadows, os Beach Boys, foram os nossos bailes de sábado à tarde (alguns nos Velhos Colonos!) foram a banda sonora de namoros adolescentes mais ou menos felizes.Ei-los, outra vez, por aí, a embalar esta ou aquela saudade! Têm cabelos brancos e engordaram, mas são eles!
Agora estão no São Luiz.
Podemos ir até lá, ou ficar por aqui, a ouvi-los...

domingo, 11 de novembro de 2007

S. Martinho

Mas há outras tradições. Pois há!
Quentes e boas, com um copinho do novo vinho que se prova nestes dias!O pintor José Malhoa celebrou assim a tradição. Esta é uma gravura, com muito valor afectivo, comemorativa de uma data que já não consigo ler, de tal modo lhe deu o sol e o tempo!

Verão

Verão aeroportos por aqui, comboios de alta velocidade também?
Verão. Ou não!
Certeza é mesmo o Verão de S. Martinho.
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O dia de hoje faz jus à lenda e à tradição.
Os flamingos também fazem jus à tradição. Podem crer que os verão por aqui, sempre, nesta barriga do rio que os cria e os abriga.
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sábado, 10 de novembro de 2007

Promoção de fim de semana

Deixe um abraço. Leve um abraço!
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Um abraço apetece quando está frio, cá dentro. Um abraço apetece quando está frio, lá fora.
Não se aceitam devoluções! Nem reclamações!

Maputo

Hoje celebras o teu novo nome, o teu outro nome, o nome que é inscrito com raízes de sol, numa terra que será sempre noiva prometida dos sonhos dos homens simples, pois são esses os sonhos que valem à luz da vida!
Parabéns, Cidade minha! Qualquer que seja o teu nome, serás sempre o palco da recordação dos dias de ser criança"Fotografia do meu cunhado

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

"Novas Oportunidades"

Estas é que são as notícias que vale a pena ler nos nossos jornais.
Ler, digo eu, porque acho que as televisões não gastam o seu caríssimo tempo a transmitir o que há de mais parecido com a felicidade que é a imitação da felicidade.
"Amigos de Internet, hoy cumplo 95 años. Me llamo María Amelia y nací en Muxía (A Coruña) el 23 de Diciembre de 1911. Hoy es mi cumpleaños y mi nieto como es muy cutre me regalo un blog. Espero poder escribir mucho y contaros las vivencias de una señora de mi edad."Desta vez, parece me que a atenção dada a Maria Amélia é feita de admiração pura, despida de paternalismo ou, pior ainda, pena. É a vitória da lucidez sobre as artroses e outras dores.
A avó de Saramago contemplava o céu, pelo qual nunca viajaria, escreve o neto, e dizia: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer."
"Tenho 95 anos e tantos amigos, e agora é que vou morrer”, diz a "blogger" de Muxia que venceu preconceitos e e esmurrou a tristeza dos dias de ser velho.
(Valeu a pena procurar uma notícia feliz no meio da dor que hoje fazia manchete em todos os jornais!)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"Uma vista de olhos"

Vamos ajudar o ministro a dar a vista de olhos prometida ao estudo da CIP.
A gente ajuda, porque a gente gosta de ajudar ministros, que merecem ser ajudados. Tanto que se preocupam com o nosso bem-estar!
Por exemplo, o que está aqui a ver, numa primeira vista de olhos pode não parecer, mas é a morada das musas, as tais que inspiraram o nosso Luís Vaz..."Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene."
O Febo e o Hipocrene é gente muito antiga. Veja só a importância destas águas. Merecem mais do que uma vista de olhos. E só não lhe digo que mergulhe, pois as vistas e os olhos não melhorariam muito por isso. A beleza destas águas imensas merecem mesmo é um olhar fotografado de cima, do alto dos aviões que irão poisar perto.E as salinas do Samouco, Senhor Ministro? Aquilo é água descansada, serena, a produzir o bom sabor das nossas comidas. Em tempos salgava-se lá o bacalhau, sabia?E se acaso a sua vista tropeçar nas palmeiras, não pense que chegou ao deserto. Não se inscreva em nenhum Rally que não é aqui.
Se quiser banhar os olhos, metaforicamente falando claro!, em mais beleza, eu volto.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

"por os vistos"

E, "por os vistos", disse Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo, vamos pelo caminho certo, a propósito do Novo Estatuto do Aluno.
Uns dizem que sim, outros dizem que não. Ou outros dizem que sim e os uns é que dizem que não.
Baralhei-me.
Em que é que ficamos?
Deixem-me adivinhar! Não. Não consigo adivinhar. Tenho de ir à bruxa: é mais papel. É só mais papel, revelou-me a Bruxa, em primeira mão.Por os vistos, a Bruxa deve ter razão.
É que ela acabou de chegar do Hallowe'en. Andou, por aí, a fazer a volta das escolas e está informada. Por os vistos, até está!

"Eu apanho o avião daqui a dois dias."

É esta a frase da quinta linha, da página cento e sessenta e um, do livro que está à espera de ser lido, já que o que estou a ler não tem a página mágica...
Parece que estou a entrar naquelas barraquinhas dos astrólogos e tarólogos, que agora há muito por aí, sobretudo em Centros Comerciais. Parece que estou à procura de um sinal do destino.
(Quantas vezes eu não esperei um sinal? Quantas vezes eu não pedi um sinal?
Acho que já contei aqui uma vez que quando eu era criança achava que a imortalidade era uma justiça a desejar. Eu e mais uns milhares, certamente! Pedia então sinais de imortalidade, viessem eles de onde viessem. Era uma preocupação que eu queria resolver, arrumar. Uns centímetros acima da altura que eu tinha então, descobri que afinal não queria ser eterna, ou imortal, como eu dizia, na inocência que os meus laçarotes me impunham.)
Ler esta frase foi como se estivesse a consultar o horóscopo. Foi como se uma cigana me lesse na palma da mão a sina de uma viagem, para breve!
Ainda por cima o título do livro ajuda à festa: A Alma Trocada, da Rosa Lobato Faria.
Será que tenho de ir "destrocar" a alma a umas paragens distantes que eu cá sei!
Pitucha, fiz a minha parte!
Há para aí almas generosas que queiram continuar a corrente?
Aviões fazem-me lembrar a Luh. Os aviões voam nos céus, e estes são azuis. Azulinha, pois! Viagens, ténis. Ténis, Chuinga, pois claro! Tem tudo a ver!E para não dizerem que isto é coisa de mulheres, peço ao Eduardo e ao Espumante que componham esta corrente!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Há festa na aldeia!

Os Choraquelogobebenses preparam-se para um festejo especial!
Vestem a sua melhor fatiota, aparam os cabelos, os bigodes e as barbas, calçam o seu melhor sapato, de verniz, claro que agora usa-se, escolhem as mais farfalhudas gravatas, porque a festa pede "glamour", aquele "glamour" verdadeiro que há nas aldeias!
E eis que se ouvem os primeiros sons de festa: milhares de balões de "chuinga" rebentam; o povo da aldeia, com o João Sem Medo à frente, ele mesmo, o original, o tal que enriqueceu à custa da fábrica de lenços, devidamente escoltado por uns famosos porquinhos, dirige-se para o largo, entoando alegres "Vivas"!!!
Senhoras e senhores, é a festa, pá!
Viva o "Chuinga"! Viva a dona do "Chuinga"!!!!