domingo, 1 de junho de 2008

... ao jeito de antigamente...

Antigamente, ligava-se mais a alguns aspectos do calendário. O próprio clima era mais respeitador dos hábitos e costumes das pessoas.
Um dos pontos altos do calendário era sem dúvida a abertura da praia. Abria a praia e pronto! Estava aberta para o bom e para o mau e mesmo que alguém tivesse de levar casacos e abafos nos primeiros dias, a felicidade era estar na praia. Havia de chegar o sol! Haviam de se banhar nas ondas os fervorosos banhistas que incluíam a praia nas suas vidas porque fazia bem aos grandes e sobretudo aos pequenos. Não havia cá essa coisa o bronze. O bronze era um efeito secundário. O que valia mesmo era o prazer dos banhos, para uns, dos castelos de areia para outros. O que valia mesmo era viver o verão!
Viva o sol! Viva o mar!
Hoje fui espreitar a praia. Não vi ninguém entusiasmado. Fiquei também um bocadinho triste.
Um dia, daqui a alguns anos, neste mesmo dia primeiro de Junho, hei-de ir com os meus netos à praia e hei-de ensiná-los a gostar do mar e da areia e das ondas e de andar na areia molhada...
É que há coisas que nunca esquecem e outras que nunca mudam e o mar é desses!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Imaginação- Precisa-se

Preciso mesmo de muita imaginação para entender a ligação entre o Tony Carreira e a Selecção! Eu pensava que eram artistas separados, mas, pelo que tenho visto, ouvido e lido, anda tudo ligado.
Aceito explicações!
Foto- Ferragudo, passado não muito distante. Pelo estado avançado de abandono, tudo leva a crer que esta carrinha já serviu outras imaginações, outras selecções, outros campeonatos!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

(...)

O Ministro Lino disse em alto e bom som, para quem o quis ouvir. E eu quis. E eu ouvi.
«O PS e o governo não estão a dormir, à espera que Mário Soares faça um aviso».
Recordo, a propósito da pobreza que devia afligir e envergonhar os nossos governantes, um Conto Exemplar de Sophia de Mello Breyner, "O Retrato de Mónica".
Mónica é uma mulher com muito sucesso. Sucesso social, entenda-se. Para esse sucesso, Mónica teve de renunciar à poesia, ao amor e à santidade. É a versão feminina de Fausto de Goethe.
Para citar o mais importante do conto, seria preciso transcrever o texto todo. Mas para se perceber o que Mónica representa, bastam duas frases:
"Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome."

terça-feira, 27 de maio de 2008

Out of Africa, Pollack, inesquecível

If I know a song of Africa, of the giraffe and the African new moon lying on her back, of the plows in the fields and the sweaty faces of the coffee pickers, does Africa know a song of me? Karen Blixen

segunda-feira, 26 de maio de 2008

"feridinhas de caracacá"

Quando leio o L.A. na Visão, fico a remoer essas tais "feridinhas de caracacá", como ele chama às memórias esfoladas que traz da infância.
Não fico a remoer as dele, mas as minhas, claro! Como todas as dores, as de caracacá também só doem ao próprio.
A feridinha mais de caracacá que me vem à lembrança sempre, e sempre enquadrada na memória do tal paraíso perdido que era o quintal da casa da minha avó, é o rabo de cavalo que as minhas primas usavam e eu não, que se agitava em movimentos melodiosos quando corriam, para a esquerda e para a direita, ou quando saltavam, para cima e para baixo, chegando a ousar misturar-se com as franjas e com as pestanas, em verdadeira orgia.
Passada a fase dos odiados laçarotes, os meus cabelos eram sempre higienicamente cortados, quase à rapaz, não fosse algum tímido piolho fazer o ninho numa madeixa mais atrevidamente compridita.
E assim fiquei eu com a infância estragada pelos cabelos!É que nem em dias de festa me deixavam os cabelos à vontade: eram enfiados em mini-barretes cheios de brilhos e brilhinhos...
Era uma das razões por que eu queria muito crescer e ser dona da minha vontade e dos meus cabelos!!!!

sábado, 24 de maio de 2008

"May you grow up to be true! "

1941, 24 de Maio. Nasce Bob Dylan, aliás Robert Zimmerman.
Um símbolo da minha geração, somando música e ideal numa toada de intervenção inesquecível.
Inventou o vento trazendo respostas. (The answer my friend is blowing in the wind!)
Inventou escadas para subir às estrelas.(May you build a ladder to the stars.)
Cantou um mundo melhor!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Estudos superiores

Ontem fui tomar café com o Miguel.
O Miguel é um sobrinho de coração que faz amanhã onze meses. É que eu preciso imenso de lições de vida com conteúdos como: alegria, futuro, esperança, cores, muitas cores, risos, gargalhadas, palavras novas, felicidade em estado puro, etc.
Tivemos tudo isso nesta primeira lição.
O Miguel recebeu-me informalmente, como se recebem os amigos, sentado no tapete no meio de uma sala cheia de luz. Disse "dá-dá" o que eu interpretei como sendo uma expressão de boas vindas. Abriu o seu sorriso maravilhoso e olhou para mim, como que a convidar-me a sentar-me ao pé dele.
Assim fiz. Há tanto tempo que não me sentava no chão, sem ser por recurso, por falta de cadeiras cá em casa!
O Miguel estava muito ocupado com dois brinquedos muito coloridos. Pôs a tocar as teclas de um telefone bem mais giro do que aqueles que há cá em casa. Este até imitava o som dos animais.
Conversámos perto de uma hora os dois sobre as coisas verdadeiramente importantes da vida: os primeiros passos, por exemplo. Ele confidenciou-me que está a pensar começar a andar sozinho daqui a um mês. Projecto sério! Eu limitei-me a dizer-lhe que continuasse a andar de gatas mais uns tempinhos, pois, assim que o apanharem a andar começam logo a exigir-lhe novo desempenho de outras competências. É que os grande são uns chatos de uns exigentes, lembrei-lhe eu. Ele concordou com um sorriso doce e uns olhos muito meigos.
O João Pestana andava por perto e o Miguel teve de dar por terminada a lição.
Obrigada, Miguel, por me teres ensinado a sentar-me no chão e a brincar.
Um dia destes eu volto, para me ensinares mais palavras, mais maneiras de rir, mais razões para acreditar que o futuro passa por nós mais do que uma vez na vida.

terça-feira, 20 de maio de 2008

They say...

"In three words I can sum up everything I've learned about life. It goes on.” Robert Frost
It, one. Goes, two. On, three.
It's right!

domingo, 18 de maio de 2008

Ciao, Zélia!

Para a vida ter sentido, temos de "fazer por isso".
O nosso medo da morte prende-se com o medo do esquecimento, do desaparecimento nas profundas águas do Rio Letes. Camões falou disso e tu, Zélia, falaste disso também, valorizando a dimensão dos valores humanos, da simples bondade, mais do que a dimensão das grandes obras, as tais "valerosas" que nos "vão da lei da morte libertando."
"Aos oitenta e três anos, dona de imensa experiência de vida, de alegrias e tristezas, sucessos e decepções, chego a uma conclusão: só morrem, desaparecem de vez, as pessoas que não foram amadas, pessoas que, por terem sido más, não deixaram saudades na terra, não são lembradas. Dessas, mesmo em vida, esqueço os seus nomes."
Foi o que tu escreveste em Conclusão, na tua autobiografia "Città di Roma",nome do navio que trouxe os Gattai de Génova. Porque eu acredito nesta verdade, tomo-a para mim e proclamo-a também, pedindo-te emprestadas as tuas palavras.
E aproveito também para corrigir a notícia do jornais: A Zélia não morreu, porque os seus netos amados (até de nome eles são Amados!) sabem que a avó teve de comparecer ao encontro com "Seu Jorge", Seu de Senhor e Seu possessivo, Amado de apelido e de verdade.
Ciao, Zélia!
Goza bem a eternidade que mereces!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Hoje também é festa


Hoje a festa é da Chuinguita!
O que tu mereces mesmo é uma longa-metragem, mas o meu dia voou (sem fumo, lol!) e o tempo só deu para esta curta-metragem.
Enorme é mesmo o meu desejo de celebrar a vida como tu a vives e como tu a ensinas.
Hoje li uma frase que me fez lembrar, uma vez mais, a tua generosidade.
"If you want to be happy for an hour, watch TV. If you want to be happy for a day, go to an amusement park. If you want to be happy for a lifetime, help someone."
Parabéns!!!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Não sei sobre o que hei-de escrever...

Tudo cansa! Cansa a graça e a desgraça.
(Já ninguém consegue ter graça a brincar com a maneira como vamos sendo governados. Ou desgovernados, para melhor dizer!)
Cansa o lamento.
Cansa o aumento
do leite, do arroz, da gasolina...
(Eles "esmifram-se", "esgatanham-se" mas não se "desenrascam" a dar uma explicação de jeito!)
"Dói-me o peito", diz o José Fanha, num poema corrido de outras eras:
Dr.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito do caminho
de ida e volta
do meu quarto
à oficina
sem parar
sempre a andar
dói-me o peito
destes anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos

E eu diria: também eu! Ou a mim também!
Que é o que se ouve mais quando se solta o mote do poema maior da dor menor.
(Porque há outras dores que não saltam para a primeira página do jornal, nem para os primeiros minutos dos notíciários.
Não são ridículas, como as cartas de amor.
Mas como as cartas de amor, também,
quem as não tem?)
E o caso triste do ministro a fumar no avião?
São produtos de marketing que nos governam, não é verdade?
Bons hábitos, boa forma física, bom aspecto...
Continuando com o poema de Fanha:
Dr.
Já estou farto
de não ser
mais do que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como mosto pisado
como um pássaro insultado
de não mais poder voar.

E pronto! Cansa o desabafo, mas alivia o peito!
Vamos voar!
Todos na mesma direcção.
E para a pieguice ser completa, vamos seguir os passos da Maria do Olhos Grandes e do Zé Pimpão.
Vamos para o tal lugar onde:
"Se não há jardins para todos
vou dividir os canteiros
se os canteiros não chegarem
uma flor para cada um
e se as flores forem poucas
há pétalas
enfim há cheiro
mas todos terão igual."
(de Canuto Jorge Glória)
Cansa a graça e a desgraça?
Há uma Graça que não cansa: a de Lisboa!!!!

domingo, 11 de maio de 2008

Festa é Festa

O "Chora" faz quatro anos.
Todas as frases, feitas ou não, são permitidas. Não há fórmulas nem formas melhores do que outras para festejar ou parabenizar. Quatro anos de tempo de vida virtual é, certamente, mais do que uma idade adulta. É uma idade avançada.
Felizmente, (ou não?!), neste modelo de admirável mundo novo, a idade avançada não tem os reumáticos nem as mazelas de uma real idade avançada. Tem outros, não menos patéticos, quem sabe?
Há dias em que o "Chora" tem de recorrer a uma bengala para percorrer algum caminho com a dignidade que aprendeu com que o seu padroeiro, o Pai dos Porquinhos.
Tem dias em que o Chora chora, porque a vida faz chorar. Tem dias em que o Chora ri, porque a vida também faz rir. Às vezes, para não chorar, diz-se.
Seja como for, ou melhor, tenha sido como tem sido (???), o Chora chegou até aqui e, como acontece na vida real, é preciso celebrar.
E, para "selar" esta data, todos os que aqui passarem levem, por favor, a gratidão pela companhia que fizeram aos porquinhos, ao longo destes quatro anos.
O Selo da Amizade passeia-se pela Blogo-esfera e já chegou até mim, com a indicação de o atribuir a cinco outros donos de blogs. Os Porquinhos trangrediram e alegam o aniversário, em defesa dessa transgressão. Todos têm direito ao Selo da Amizade que, para mim, veio daqui.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Recado

"-Ó rapaz, acaba-me lá com essa ladainha do possível! Fala-me do impossível. Do impossível triunfo do teu clube. Da impossível moderação alcoólica do teu pai, da impossível atenção oficial às legítimas aspirações desta tua cidade natal. Vê se olhas de uma vez para sempre sem muros à volta da imaginação." Miguel Torga, Diário XVI.
Desta vez o Torga amargo deixou-se ultrapassar pelo Torga doce. Se não for para ajudar a construir uma outra realidade mais compatível com a nosso legítimo desejo e não menos legítimo sonho, então, perguntamo-nos, para que serve a imaginação?
Mas o impossível de cada um é sempre tão íntimo que não é possível escancará-lo em praça pública. Fiquemo-nos pelo possível triunfo do clube que é a manifestação possível dos impossíveis de muitos milhares.
O meu impossível revelável é uma escola onde não se aprenda nem se ensine por decreto! É um grande muro que vai abaixo!A minha inépcia nas artes fotográficas não me deixou cumprir o meu objectivo. Ficámos pelo objectivo da objectiva. O "muro" dizia assim: Abaixo os muros. Viva o céu!
Nem o bolor do tempo nem o do "mau tempo" apagarão este incitamento!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Where have all the blue skies of May gone?


Where have the warm winds of Spring gone? It seems to me that this May isn't a true May!
Pete Seeger, o autor desta emblemática canção dos "loucos" sixties, tem agora 89 anos. Não sei porquê, mas a nostalgia do antigo calor de Maio trouxe-me à tona das lembranças a frase "Where have all the flowers gone" que se pode parafrasear a propósito de quase tudo.

sábado, 3 de maio de 2008

Explicar Abril, mesmo em Maio

Querido filho, Perguntas-me o que foi o Maio de 68. Desta vez, confesso, apanhaste-me de surpresa. Não é de repente que se fala dele.
Vale a pena ler e vale a pena seguir o exemplo e explicar Abril aos nossos filhos. Com o passar do tempo, o ideal dilui-se nas lamas dos dias preenchidos de outras preocupações... É preciso recuperá-lo! Para activar a memória, basta desamarrotar umas quaisquer palavas de ordem que, por muito ridículas que pareçam, é como as cartas de amor de Pessoa: só é ridículo quem nunca acreditou num mundo melhor, mais justo, mais fraterno, mais solidário!
Espero deixar, pelo menos, essa memória de Abril, aos meus filhos!
E aos meus netos, ousa o meu desejo acreditar...
Ou talvez uns versos de uma canção de Abril produzam o mesmo efeito:
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.
Uma gaivota voava, voava...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O milésimo quingentésimo post...

...vai abrir em flor!E vai ser feito de flores!Só flores!Apenas flores!Daquelas flores... ...que merecem e valem a honra simbólica desta celebração redondinha!Orquídea final parágrafo!

É Maio!


Dont ask me why, but time has passed us by...


Os Bee Gees deixaram-nos este Hino à Infância!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Fins de Abril

Vejam só: um dos meus porquinhos traz um cravo para que Abril não se apague ao mudar a folha do calendário!

domingo, 27 de abril de 2008

A corrente

A Theo desafiou-me para esta corrente. Como ela também diz de quem a desafiou, não aceitar seria uma tremenda falta de educação, de respeito e de amizade. A ética que, de algum modo, se foi instalando no relacionamento entre os blogs requer ser cultivada e este tipo de actividades inter-blogs reforça e explicita certas regras dessa ética.
Eis pois o desafio: seis "coisas" que não me "importam". Era mais fácil as coisas que me importam, mas vá lá...
Em primeiro lugar, não me importo que se refiram constantemente à minha condição de mãe-galinha como defeito, mesmo que acrescentem que eu sou a mais chata do planeta.
Em segundo lugar e já agora, para ser verdadeira, a minha condição de mulher ciumenta também não me incomoda que seja comentada, nas minhas costas ou não. Essa condição assim clarificada até impõe algum respeito... lol
Aliás e, em jeito de terceiro lugar, não me incomoda nada que aqueles de quem eu não gosto propalem os meus defeitos e me considerem "horrorosa"...
Em quarto lugar: a minha desarrumação e a minha desorganização. (Versus as dos outros, claro! Essa incomoda-me imenso!)
Em quinto lugar: o conhecimento geral dos meus todos cabelos brancos, desde que haja tintas no mercado para os continuar a pintar.
Em último lugar: não me importo nada com o futebol, com os clubes, com as virtudes e defeitos de todos os que pertencem a esse mundo, com os resultados, os golos, etc, embora viva numa jaula!!!
E, como diz a Theo, o mesmo desafio vai para: a Ana, a Teresa, a Isabel, o Bruno, o João e o Alexandre.
Bom domingo!