quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hoje acordei...

...com complexo de Principezinho.
A conferir:
-uma enorme vontade de fazer desenhos de jibóias com elefantes na barriga;
-um desejo também grande de encontrar no meu deserto alguém que me entendesse e conseguisse decifrar os meus desenhos, em vez de rir, troçar e achar que era/sou um caso perdido;
-um estranho impulso de arranjar um animal de estimação, que não fosse necessariamente um cão ou gato. Pensei em ovelhas, claro! e em vacas, daquelas dos anúncios aos chocolates com manchas pretas, ou brancas, muito bem desenhadinhas no lombo;
-a constatação de que eu sou duas pessoas em uma e que a pessoa crescida que há em mim é muito aborrecida (para não dizer “chata”, como dizem os ....);
- uma ânsia de pôr-do-sol;
- a certeza de ser responsável por todos aqueles que ao longo da vida cativei, o que nem sempre sai bem;
- a intenção de aprender a olhar para as estrelas, descobrir e reconhecer aquela que olha para mim e agradecer-lhe por isso;
Para a mentira parecer verdade, como dizia o poeta Aleixo, tenho de aprender a varrer ervas daninhas que se podem vir a transformar em gigantescos embondeiros; tenho de saber cuidar de uma rosa; tenho de aprofundar o significado de algumas palavras como “efémero” e “cativar”, para melhor a explicar ao principezinho.
Não vá eu encontrá-lo por aí!Os desenhos já fiz. Só falta o resto!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

No, Minister...

Quando leio notícias destas, sinto uma enorme vontade de chorar. E isto é mesmo verdade: sinto imensa vontade de chorar, eu que nem sequer sou "muito dada" a choros, apesar do nome, ao abrigo de qual decreto-lei número tal barra qualquer coisa ano um nove cinco dois!!!
(Já me está a passar a vontade de chorar! Concentra-te, Madalena, no que estás a falar sobre!)
Primeiro é a história de "ver no terreno", como se o terreno se revelasse em meia dúzia de minutos. Para além disso, as condições do dito terreno são alteradas pela presença física do Sr Primeiro Ministro. (Está-me a dar a ideia de levar sempre um boneco do tamanho do nosso Primeiro, parecido com alguém que eu cá sei, para moderar alguns comportamentos.)
Vai uma aposta que nenhum menino vai atirar a mochila pelo ar, não vai tocar nenhum telemóvel, não vão andar à chapada dentro da aula, não vão dizer palavras "feias"?!
Outra coisa: vamos ser todos mais felizes com o cartão electrónico, não é verdade?
Os meus alunos do quinto ano já sabem trocar as cadernetas para iludir a vigilância do portão e sair quem não tem autorização. Agora imaginem o cartão. Vai ser "superhipermegafácil".
Qualquer dia chega a moda da impressão digital: põe o dedo e entra! Ou põe o dedo e sai. E dá mais trabalho roubar um dedo a alguém ou pedir emprestado um dedo para sair da escola no intervalo do almoço.
Lá vai o correio electrónico de cada um ser inundado com mails, com assuntos do género "Atenção: fraude...."
Mas vai ser tudo muito bonito, não vai Portuguesas e Portugueses?
Os kits tecnológicos vão erradicar a violência, a indisciplina, o insucesso?
No, Minister!montagem com fotografias do site da série "Yes, Minister".

sábado, 14 de junho de 2008

Chamava-se Ernesto.

Chama-se Che. Nasceu há oitenta anos.
O ideal matou-o. O ideal imortalizou-o. Há um Che Guevara dentro de todos os que sonham um mundo melhor.
"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera.", disse.
Manuel Alegre dedica-lhe uma obra poética inteira.

Talvez o Che tenha sido o primeiro a compreender
que não se pode mudar o mundo
sem mudar o ritmo da relação com ele.

Por isso quando lhe disseram que a mãe tinha morrido
(andava ele no Congo
naquele ano em que esteve em parte nenhuma)
pediu um mate sem açúcar
falou da infância
e depois afastou-se lentamente
para cantar sozinho os tangos argentinos
que eram por certo os ritmos do seu sangue.

Ele sabia que era preciso o inesperado. O efeito
surpresa. Ataque e fuga.
Por exemplo: quebrar a rotina. Despedir-se.
Desaparecer.
Criar um foco algures dentro de nós.
Partir de um centro para uma espécie de irradiação.

"Navegar é preciso..."

"Quando nasceu a geração a que pertenço, encontrou o mundo desprovido de apoios para quem tivesse cérebro e ao mesmo tempo coração. O trabalho destrutivo das gerações anteriores fizera que o mundo , para o qual nascemos, não tivesse segurança para nos dar na ordem religiosa, esteio para nos dar na ordem normal, tranquilidade para nos dar na ordem política. Nascemos já em plena angústia metafísica, em plena angústia moral, em pleno desassossego político."
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Autobiografia- Diário, Edições Alma Azul
Bem-vindo à Internet, Fernando Álvaro Alberto Bernardo Campos Caeiro Soares Eu Tu Ele Nós Vós Eles Pessoa!
Gostava de te perguntar por que é que "viver não é preciso"?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O Grande Entrevistado

Tenho a certeza que não fui a única a sentir-me esmagada pela coragem do Salvador Vaz da Silva, até hoje desconhecido para mim.
É uma lição de coragem e de esperança. É a prova de que é possível falar de esperança e de coragem, mesmo depois de se ter passado "além da dor". É mais um testemunho de que a qualidade humana dos seres que sofrem de esta ou outra doença não tem de ficar comprometida. Pelo contrário, pode até melhorar.
É também sinal de grande coragem abrir a intimidade dos seus dias difíceis. Ele sabe sem dúvida que valeu e vale a pena! Afinal é de muitos mais frágeis e debilitados que se recebe esta espécie de transfusão que revigora o pensamento e regenera a vontade!
Obrigada, Salvador!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

a viagem

Hoje, num determinado serviço público, alguém me dizia que não há revoluções sem derramamento de sangue. O que é, para mim e para muitos, um motivo de orgulho, é, pareceu-me, para outros, uma falha técnica. Não há pois luta que se preze sem sangue, de acordo com esta opinião que me magoou, devo confessar.
Como não podemos separar o povo que somos em dois ou mais, há que aceitar!
Eu também tive um sonho: que os rapazes da bola se dirigissem aos governantes e lhes pedissem para envidarem todos os esforços na solução de um problema que cada dia se torna mais difícil de resolver, sem sangue e sem lágrimas.
Por razões relacionadas com o momento que vivemos, não fui de carro para Lisboa. Levei o radiozinho de orelha para ouvir notícias relacionadas com a aflição do momento. Qual quê? Nada!
Futebol. Futebol. Futebol.
Fui de barco e, claro, vim de barco. De repente, começo a ouvir "é golo!" e a expressão alastrou-se, "cresceu" e quase todo o barco se levantou e gritou GOOOOOOOOOOOOOlO! Senti-me traidora dos ideais pátrios, mas não gritei gooooolo.
No entanto, fiquei feliz com felicidade dos meus companheiros de viagem!
Quase logo a seguir, o meu telemóvel tocou. Olhei desconfiadamente para o visor. Será alguém a querer comemorar comigo o golo? Pouco provável.
Mas era mesmo para comemorar! Era uma notícia feliz: "Madalena, o meu neto nasceu quando o Ronaldo meteu o golo!!!!!", gritava radiante a minha amiga Benvinda, do lado de lá de não-sei-quê-que-não-são-fios.
Aí eu gritei GOLO, mas foi baixinho. Mas apetecia-me gritar alto, como os outros.
Entretanto chegámos. Nesta curta travessia, Portugal consolidou a vitória e o mundo ganhou mais um ser. "Benvindo" sejas Tiago!!!! Bem-vindo sejas Tiago!!!!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Pirilampos

Haver uma nova espécie de pirilampos em Portugal até pode ser uma notícia interessante. Mas, cuidado, os pirilampos alimentam-se de caracóis e de lesmas. Se estes comerem só as lesmas, tudo bem, mas os caracóis...
Eu cá por mim, o Pirilampo que eu prefiro é mesmo o Pirilampo Mágico.O Pirilampo e a Pirilampa vestidos a rigor para o Dia de Camões. Só falta mesmo o cachecol! Ah! Não? isso é amanhã, pois....

domingo, 8 de junho de 2008

O dia em que nasceu Yourcenar

“Não me queixo de que as coisas, os seres, os corações sejam perecíveis, porquanto parte da sua beleza é feita desse infortúnio. O que me aflige é que sejam únicos.” In “A salvação de Wang Fô e outros contos orientais”, de Marguerite Yourcenar.
São palavras do Príncipe Genghi, reflectindo sobre o valor da vida, num eremitério, para onde se exilou, voluntariamente, para aí viver os últimos anos de vida.
Marguerite Antoinette Jeanne Marie Ghislane nasceu a 8 de Junho de 1903, em Bruxelas, e a mãe, Fernande Cartier de Marchienne, belga, morreu dez dias depois. O bebé, aparentemente igual a muitos outros bebés, ficou entregue aos cuidados do pai: francês, com mais de cinquenta anos, presente e condescendente, abastado, boémio, Michel Cleenwerck de Crayencour. (Yourcenar é um anagrama do seu último nome.)
Em criança aprendeu a lidar com a solidão, educando assim uma força interior e uma coragem quase inabaláveis. Tinha oitenta e três anos quando escreveu pela primeira vez a palavra "choro", aquando da morte de Jerry Wilson, quarenta anos mais novo e seu companheiro de então.
A sua vida não se regulou pelos paradigmas sociais, mas a qualidade literária da sua escrita valeu-lhe a honra do reconhecimento pela Academia Francesa. Pode ler-se aqui o seu discurso na Sessão Pública que se realizou a 22 de Janeiro de 1981.

Parabéns, Pitucha!

Querida Pitucha, vê tu o tempo que eu levei para fazer esta distância, Montijo- Bruxelas.
Tanto trânsito! Vi logo que era uma multidão de admiradores que não queriam deixar de te cantar os parabéns e de desejar as maiores felicidades!
Para a querida sobrinha, uma salva de palmas!
Os parabéns estão atrasados mas os desejos de felicidades estão muito actualizados!!!! Muitas flores para ti!

sábado, 7 de junho de 2008

Efeito L.A.

"Chovem-me lembranças antigas."
E a chuva começa sempre no mesmo sítio, uma espécie de paraíso à moda antiga, onde não há máquinas de rega, nem máquinas nenhumas, nem de lavar ou passar a ferro a roupa de uma família numerosa. E a chuva cai sempre em espaços que não têm fim, sobretudo na minha memória deles.
A chuva rejuvenesce as imagens dos meus e enquanto chovem os dias passados, eles recuperam o andar e a voz clara que o tempo leva. Ouço-lhes os risos.
Enquanto chove, o cheiro das batatas fritas em azeite torna-se real. A chuva lava as cores das alfaces do quintal e os grandes limões amarelos, temperados com sal grosso, sabem ao mais opíparo manjar divino.
Chovem-me as noites frias da Namaacha e a água gelada dos lavatórios...

"Dêem-nos um pouco mais..."

"Numa cidade em que a maior parte da margem continua interdita ao peão, cada nova aproximação ao rio é uma festa. Dêem-nos um pouco mais de Tejo, com porto e tudo. Deixem-nos circular a pé até à margem, ao longo dela ou até, de barco, pelo rio. Entendam-se as entidades, abram-se os percursos, deixem-nos passear pelo porto, não criem mais barreiras físicas e visuais para chegarmos ao rio." Helena Roseta, 21 de Maio de 2008, Público.Direi ainda: num país em que o futebol domina a atenção de todos, dêem-nos um pouco mais do resto que não é futebol.
Dêem-nos um pouco menos de futebol!
Conversemo-nos", por exemplo!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O dia mais longo

"Normandy is marked by the landings. It is inscribed in people's hearts, in memories, in stone, in rebuilding, in memorial plaques, in street names, everywhere." the Rev. Rene-Denis Lemaigre, priest of Lisieux.
Fica para sempre inscrito também na memória de quem visita a Normandia.

Decididamente,

cada vez percebo menos de política.
Juntaram-se três homens da política, da televisão, da rádio, dos jornais, de todos os lados, pois não há em Portugal quem não queira saber como pensam as cabeças deles, juntaram-se, dizia, e bateram "forte e feio" em Manuel Alegre.
O Pacheco Pereira diz que a festa de terça à noite foi uma manifestação contra o governo PS. (Haja alguém, Doutor Pacheco Pereira, que possa manifestar-se contra estas políticas que nos governam, ser temer ser despedido, afastado, processado...)
Lopo Xavier diz que Manuel Alegre não concretiza alternativas. Diz palavras muito bonitas, mas não concretiza, não diz o que se deve fazer em vez de. Pegar na pobreza e mostrá-la a quem não a quer ver não me parece nada abstracto, Dr Xavier!
António Costa, elegante e educado, apresentou a teoria: a natureza do poeta é ser do contra, é dizer não. O PS é todo muito feliz, em termos colectivos, quando está na oposição.
E calam-se as consciências quando um partido sobe ao poder?
Pois é....Isso até acontece a todos!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma coisa de "pessoas"...

Diz Manuel Alegre a propósito da celebração desta noite no Teatro da Trindade.
Está lançada ao mar a semente da poesia!

Quinto Poema do Pescador

Eu não sei de oração senão perguntas
ou silêncios ou gestos ou ficar
de noite frente ao mar não de mãos juntas
mas a pescar.

Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber se Deus
é sim ou não.

Manuel Alegre, Senhora das Tempestades, Lisboa, 9.12.96

domingo, 1 de junho de 2008

... ao jeito de antigamente...

Antigamente, ligava-se mais a alguns aspectos do calendário. O próprio clima era mais respeitador dos hábitos e costumes das pessoas.
Um dos pontos altos do calendário era sem dúvida a abertura da praia. Abria a praia e pronto! Estava aberta para o bom e para o mau e mesmo que alguém tivesse de levar casacos e abafos nos primeiros dias, a felicidade era estar na praia. Havia de chegar o sol! Haviam de se banhar nas ondas os fervorosos banhistas que incluíam a praia nas suas vidas porque fazia bem aos grandes e sobretudo aos pequenos. Não havia cá essa coisa o bronze. O bronze era um efeito secundário. O que valia mesmo era o prazer dos banhos, para uns, dos castelos de areia para outros. O que valia mesmo era viver o verão!
Viva o sol! Viva o mar!
Hoje fui espreitar a praia. Não vi ninguém entusiasmado. Fiquei também um bocadinho triste.
Um dia, daqui a alguns anos, neste mesmo dia primeiro de Junho, hei-de ir com os meus netos à praia e hei-de ensiná-los a gostar do mar e da areia e das ondas e de andar na areia molhada...
É que há coisas que nunca esquecem e outras que nunca mudam e o mar é desses!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Imaginação- Precisa-se

Preciso mesmo de muita imaginação para entender a ligação entre o Tony Carreira e a Selecção! Eu pensava que eram artistas separados, mas, pelo que tenho visto, ouvido e lido, anda tudo ligado.
Aceito explicações!
Foto- Ferragudo, passado não muito distante. Pelo estado avançado de abandono, tudo leva a crer que esta carrinha já serviu outras imaginações, outras selecções, outros campeonatos!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

(...)

O Ministro Lino disse em alto e bom som, para quem o quis ouvir. E eu quis. E eu ouvi.
«O PS e o governo não estão a dormir, à espera que Mário Soares faça um aviso».
Recordo, a propósito da pobreza que devia afligir e envergonhar os nossos governantes, um Conto Exemplar de Sophia de Mello Breyner, "O Retrato de Mónica".
Mónica é uma mulher com muito sucesso. Sucesso social, entenda-se. Para esse sucesso, Mónica teve de renunciar à poesia, ao amor e à santidade. É a versão feminina de Fausto de Goethe.
Para citar o mais importante do conto, seria preciso transcrever o texto todo. Mas para se perceber o que Mónica representa, bastam duas frases:
"Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome."

terça-feira, 27 de maio de 2008

Out of Africa, Pollack, inesquecível

If I know a song of Africa, of the giraffe and the African new moon lying on her back, of the plows in the fields and the sweaty faces of the coffee pickers, does Africa know a song of me? Karen Blixen

segunda-feira, 26 de maio de 2008

"feridinhas de caracacá"

Quando leio o L.A. na Visão, fico a remoer essas tais "feridinhas de caracacá", como ele chama às memórias esfoladas que traz da infância.
Não fico a remoer as dele, mas as minhas, claro! Como todas as dores, as de caracacá também só doem ao próprio.
A feridinha mais de caracacá que me vem à lembrança sempre, e sempre enquadrada na memória do tal paraíso perdido que era o quintal da casa da minha avó, é o rabo de cavalo que as minhas primas usavam e eu não, que se agitava em movimentos melodiosos quando corriam, para a esquerda e para a direita, ou quando saltavam, para cima e para baixo, chegando a ousar misturar-se com as franjas e com as pestanas, em verdadeira orgia.
Passada a fase dos odiados laçarotes, os meus cabelos eram sempre higienicamente cortados, quase à rapaz, não fosse algum tímido piolho fazer o ninho numa madeixa mais atrevidamente compridita.
E assim fiquei eu com a infância estragada pelos cabelos!É que nem em dias de festa me deixavam os cabelos à vontade: eram enfiados em mini-barretes cheios de brilhos e brilhinhos...
Era uma das razões por que eu queria muito crescer e ser dona da minha vontade e dos meus cabelos!!!!

sábado, 24 de maio de 2008

"May you grow up to be true! "

1941, 24 de Maio. Nasce Bob Dylan, aliás Robert Zimmerman.
Um símbolo da minha geração, somando música e ideal numa toada de intervenção inesquecível.
Inventou o vento trazendo respostas. (The answer my friend is blowing in the wind!)
Inventou escadas para subir às estrelas.(May you build a ladder to the stars.)
Cantou um mundo melhor!