terça-feira, 22 de julho de 2008

...but I prefer chocolate!

Vou tentar escrever um post interessante. Sem ironias. O Professor Ramiro Marques publicou no seu blog Profavaliação umas dicas e eu vou tentar pôr em prática os ensinamentos. Até porque o sitemeter diz que os meus leitores diminuíram... snif snif. Fico logo com complexo de Calimero!
O problema é que a matéria-prima do post interessante não é por si mesma interessante. Trata-se mesmo de mais uma das medidas impulsivas do Ministério da Educação que chocam e magoam quem "anda na faina". Fora de todos os tempos. Uma medida saída do nada, que faz eco na Comunicação Social, jornais, televisão, como se de alguma solução para os problemas dos alunos daí adviesse.
De acordo com o documento, publicado em Diário da República, cada professor deve leccionar à mesma turma mais do que uma disciplina, assegurando o ensino das áreas associadas ao seu grupo de recrutamento como Matemática e Ciências da Natureza ou Português e História, por exemplo."
Senhoras e Senhoras, isto já se faz! Não por conta do decreto ontem publicado, mas por conta do bom senso da distribuição do serviço lectivo e em casos em que se considera ser proveitoso para o sucesso dos alunos.
Além das disciplinas associadas à sua área de formação, ao director de turma caberá ainda dar Formação Cívica e, se possível, uma outra área curricular não disciplinar, como o Estudo Acompanhado e a Área de Projecto.
No ano passado eu, Directora de Turma de um quinto ano, leccionava Inglês, "dava" Formação Cívica e Área de Projecto. (Tinha escrito "leccionava", mas senti falta de verdade na palavra. "dava" também não é a palavra exacta. Talvez tomasse conta das crianças e me propusesse a reflectir com eles sobre umas quantas coisas da vida!!!!)E não havia decreto!
Para que serve então um Decreto?
Em tempos que já lá vão, às equipas de elaboração de horários era dada formação para que objectivamente os horários dos alunos e dos professores assegurassem todas as condições preconizadas pelos especialistas em ensino/aprendizagem. Tais como: intervalos de refeição, distribuição de aulas mais teóricas e menos teóricas, aulas em que há esforço físico, etc.
Mas isso era dantes, quando uma hora na escola era de 50 minutos de aula e dez de intervalo. Quando havia cinco horas de Língua Portuguesa, quatro de Matemática, quatro de Inglês e havia tempo para programar e sonhar brincadeiras que ajudam a crescer e ensinam coisas que também é preciso saber para além do dois mais dois ou do abecedário...
Afinal a propalada autonomia das escolas é cada vez menos autónoma e cada vez mais possível de existir por decreto.
Não sei porquê, mas fiquei triste. Não devia ter pensado nestas coisas e muito menos devia tê-las escrito.
Mas está dito, está dito.
Parece fácil demais falar do bem-estar das crianças através de um decreto.
E o leite escolar no segundo ciclo? Que é dele? E os auxílios económicos? E as necessidades educativas especiais? E as turmas sobrelotadas? E as salas com calor ou frio insuportáveis? E as máquinas das gulodices a engolir moedas? E a falta de pessoal auxiliar?Desenho de um aluno. Ilustração da situação de uma peça de teatro:um aluno que não gosta da escola, mas adora chocolates. Não nos soa nada mal, pois não?

domingo, 20 de julho de 2008

Fim de semana! Uf, que trabalheira!


A trabalheira é a de procurar algo que valha a pena contemplar, durante uma viagem que mais parece uma ida ou um regresso do trabalho; numa estrada que mais parece a Segunda Circular em hora de ponta; para lá dos "stops" e outras luzes dos carros da frente e dos faróis do carro de trás, que se metem pelos olhos dentro; para lá de uns vidros sujos...
Para lá de tudo isto, aparece-nos um pôr-do-sol no retrovisor! O astro dito rei despede-se dos seus súbditos, enviando-lhes os tons majestosamente dourados, forrando a ouro o tecto do mundo!
A Lua gorducha e muito mais humilde aparecerá logo a seguir, para cumprir o seu horário de ama-seca das estrelas bebés!

Happy birthday to you and to you, too


To You, Mandela! Tu não és mais de uma raça, de uma idade. És o património da verdade de um mundo inteiro e representas todos os tempos. Obrigada, Mandela!
And to You, Marlene, cuja homenagem eu junto com prazer em jeito de prenda.
Viva o dia 18 de Julho!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Aqui mora a fantasia!


Eis alguns números com cinquenta e um anos de idade que revelam bem a visão de Walt Disney!
17 de Julho de 1955.
Disneyland abre as suas portas a 28154 visitantes. 90 milhões assistem pela televisão ABC.

Atracções:
Main Street, U.S.A.:

Bank of America,
Bekins Van Lines Locker Area,
Camera Center,
Carnation Ice Cream Parlor
City Hall
Emporium,
Fine Tobacco,
Fire Wagon [Hose and Chemical Wagon],
Gibson Greeting Cards,
Grandma's Baby Shop,
Horse-Drawn Streetcars,
Horse-Drawn Surreys,
Main Street Cinema,
Main Street Shooting Gallery,
Market House,
Penny Arcade,
Plaza Pavilion,
Red Wagon Inn,
Refreshment Corner,
Ruggles China and Glass House,
Santa Fe & Disneyland Railroad,
Story Book Shop,
Upjohn Pharmacy,
Wurlitzer Music Hall

Adventureland:
Adventureland Bazaar,
Jungle Cruise,
Plaza Pavilion

Frontierland:
Chicken Plantation Restaurant,
Davy Crockett Arcade,
Frontier Trading Post,
Golden Horseshoe Revue,
Mark Twain Riverboat,
Mule Pack,
Stage Coach

Fantasyland:
Canal Boats of the World,
King Arthur Carrousel,
Mad Tea Party,
Merlin's Magic Shop,
Mr. Toad's Wild Ride,
Peter Pan's Flight,
Sleeping Beauty Castle,
Snow White's Adventures

Tomorrowland:
Autopia,
Circarama, U.S.A. (playing "A Tour of the West")
Clock of the World,
Monsanto Hall of Chemistry,
Space Station X-1

Os Porquinhos celebram esta data com especial carinho, como devem calcular. A Fantasia foi sempre o pano de fundo da vida do meu pai, pois aí se reconhece a verdadeira existência de uma fonte de energia mais do que nuclear.Se, movidos a essa energia que se designa por "fantasia", os sonhos estão garantidos, o Futuro também
Viva Tomorrowland!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A noite

A noite é uma ausência nua
Tão pura, tão profunda, tão solene,
(...)
Vergílio Ferreira, Diário Inédito

Nem sempre a noite é ausência. Nem sempre a noite é nua. A paleta de luzes e sombras de que traja os pensamentos mais pobres fá-los parecer majestosos, tão luminosos que o seu brilho se perpetua em distâncias não mensuráveis pelo lado concreto das coisas.

domingo, 13 de julho de 2008

O que é que há de novo por aí?

A silly season continua a fazer jus ao epíteto!
O mal é que a classe política não vai a banhos, como soía, não deixa o país, pelo menos durante algumas semanas, em autogestão, o que seria mesmo muito melhor.
Liga-se a televisão e é sempre o mesmo. Chamam-lhe debate da nação. De que ano é este debate? Que nação é esta?
Deviam ter pelo menos mais respeitinho pela palavra nação. A Nação também é minha. E vejo-a tomada como se tratasse de património exclusivo dessa classe política.
Se calhar, eu não tenho nação. Querem lá ver que eu não tenho nação?
A minha nação não é a deles.
Tenho, sim! É evidente que tenho! A minha nação começa na minha casa, segue pela minha rua e, de um lado, vai dar à escola e aos barcos; do outro vai dar às rotundas que nunca mais acabam e depois é que decidimos se a nação segue para o norte, ou para o Sul.
Quando a nação segue para o norte, o que nos aparece em primeiro lugar é a cidade de Lisboa.
Mas antes há o rio, claro, bem coladinho à pele da cidade! Um rio abundante de águas que ora descansam em calmarias que contagiam, ora se revoltam em zangas com os ventos que as visitam.
Quando a nação segue para o sul, o Alentejo visita o nosso desejo de paz e convida-nos a entrar nessa mística de planuras com árvores raras de sombras pequenas. O resto é sol e solo ardente, que de vez em quando se eleva em alturas muito suaves.
A minha nação faz-se de paisagem e de homens bons com visto e passaporte que ateste a condição de gente!

terça-feira, 8 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Dizer o que tem de ser dito

Só há duas explicações para o programa de Português: ou esta gente é doida ou pretende humilhar os professores. Maria Filomena Mónica, crónica do Público, a propósito do nível de facilidade dos Exames de Português.Claro que eu queria ter a mesma capacidade de dizer estas coisas e a mesma possibilidade de ser levada a sério. Mas não, isso não acontece, porém eu regozijo-me de haver quem o faça.
Eu acho que esta gente não é doida, mas sinto na pele a humilhação de que fala a MFM. Está mesmo em curso um processo de humilhação permanente, do qual são sinais evidentes as sovas dos pais a alguns professores, as histórias dos telemóveis e outras.
Às vezes, nem é preciso sovar literalmente para humilhar, ou para tentar humilhar. Numa das últimas reuniões de Encarregados de Educação, um dos pais acusava o Conselho de Turma de ser ineficiente por ser essencialmente constituído por mulheres. Na sua opinião, faltava ali elemento masculino, mão de homem, para encenar a autoridade que não existia, na sua opinião, repito, como o Pai repetiu, por prevalecer o sexo feminino. O gosto de ensinar, o facto de a profissão configurar um ideal, não interessa nada. "Se tem uma pedra no sapato, anda com ela o tempo todo até fazer uma ferida ou livra-se da pedra?", metaforizava o senhor referindo-se a alunos muito difíceis. Tentei explicar-lhe que um aluno e uma pedra não são comparáveis. Pareceu-me, porém, que a sua capacidade de me entender e compreender estava sabotada por razões que eu não podia avaliar em duas horas de reunião. Era a primeira vez que tinha contacto com este Encarregado de Educação que deitava assim a perder todos os esforços feitos até aí, em conjunto com os outros professores/as e Pais/Mães, de recuperar o respeito perdido.
Valeu-me o meu padrão de consciência pessoal e profissional que não se deixa implodir com facilidade. Mas como nada na vida tem garantia eterna, não tenho tanta certeza quanto aos danos pessoais que, no futuro, certas humilhações possam causar.
É que esta que eu acabei de contar, não vinha de cima, directamente, mas o clima propicia e promete.Mas, até lá, ainda há-de correr muita água debaixo da ponte...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Resiliência


A resiliência é um termo oriundo da física. Trata-se da capacidade dos materiais de resistirem aos choques. Esse termo passou por um deslizamento em direcção às ciências humanas e hoje representa a capacidade de um ser humano de sobreviver a um trauma, a resistência do indivíduo face às adversidades, não somente guiada por uma resistência física, mas pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do stress, das contrições sociais, que influenciam negativamente para seu retorno à vida. Assim, um dos factores de resiliência é a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos. Professora Sandra Maia Farias Vasconcelos, Dr.
Não foi há muito tempo que comecei a ouvir falar de resiliência. Comecei a ouvir e a entender o seu significado e a ligar a palavra aos exemplos da História: Thomas More; aos exemplos da História do Nosso Tempo: Nelson Mandela. E agora o exemplo da História que as notícias de ontem nos deram conta:Ingrid Betancourt.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Tanto tempo depois

Um dos meus maiores martírios enquanto aluna foi a Geografia.
Para mim, todos os montes eram uma abstracção. Montes mesmo só os Libombos, triste paisagem da janela do frio dormitório do colégio da Namaacha.
Rios, só mesmo o que passa em Marracuene, carregadinho de hipopótamos a mascar ervas, com olhares alucinados.
À Serra da Arrábida, eu continuo a chamar Serra de Palmela. Quando se desenha cheia de beleza no horizonte cheio de tons de pôr-do-sol, quando venho do sul, sei que estou a chegar a casa.
Em contrapartida, compreendia o que me parece hoje ser a abstracção maior: a divisão do mundo em fatias, os fusos e fazia todos os problemas num instante. Diziam que eu era espertinha mas pouco esforçada, estigma que me ficou para a vida.
Há pouco mais de um ano, tanto tempo depois, dou de caras com o Rio Sabor, ele mesmo, ao vivo e a cores.
E agora persegue-me nas páginas dos jornais, em forma de dissabor, a relembrar-me o meu "chumbo" a Geografia, no quinto ano.

domingo, 29 de junho de 2008

O dia em que eu encontrei o "Inoque"

Este título tem uma nítida influência "agualusiana". Pelo menos, a mim, parece-me. Não faz mal. Ninguém me vai acusar de plágio e os envolvidos muito menos.
A primeira vez que eu encontrei o Inoque, foi num dos Manuais de Português, dos anos oitenta, altura em que eu era o que sonhava vir a ser para sempre: Professora de Português. Eu estava mais apaixonada pela Língua Portuguesa do que o próprio Pessoa. (Não te irrites, Poeta, esta frase é uma hipérbole!)A minha pátria da altura era sem qualquer margem de dúvida, a Língua Portuguesa.
Ontem, avisada que estava para uma reedição das obras de Virgílio Ferreira, num daqueles passeios de sábado ao fim do dia, na Fnac da Guia, não foi difícil encontrar os Contos. Apesar de estar às voltas com outras páginas, as novidades são sempre muito irresistíveis.
E por ali fui andando, página a página, encantada com as narrativas que "cantam" e contam sobretudo a simplicidade das gentes, simplicidade que corre o risco de morrer assassinada pelos costumes de hoje que não permitem que ela nasça, quanto mais que cresça, dê flores e frutos.
(Nas lojas de moda, as coisas simples, chamam-se "básicas", o que conota logo as ditas coisas simples com a noção de incompleto, imperfeito, pouco.)
E eis que chego à Palavra Mágica. E eis que dou de caras com o Inoque.
Inoque foi o que o Silvestre ouviu como insulto. Mas o que o outro contendor disse não foi inoque, foi inócuo. Contudo, de boca em boca, de rixa em rixa, como tão bem se narra naquelas linhas, a palavra assumiu todos as intenções insultuosas, das mais inocentes às mais nefandas.
Até que chegou ao juiz, que resolveu o imbróglio, para desgosto de todos que viram morrer tão ingloriamente a poderosa palavra que feria mais do que cem espadas.
O dia em que eu reencontrei o Inoque foi o dia a seguir a este pôr-do-sol, que deliciaria o Principezinho, como me deliciou a mim.Parece que o sol se aconchega com pressas de desejos à terra e ao rio, deixando o céu por conta das estrelas... Elas guardam as noites!
E, se me é possível o atrevimento, dedico este pôr-do-sol à minha terra distante que festejou, no dia 25 anos, 33 anos!
E ao irmão do Principezinho, pois nele são evidentes o traço do ideal, Nelson Mandela, que festejou ontem uma idade qualquer... Este é um dos raros seres humanos para quem o tempo só vale se for todo, inteiro, como ele mesmo! A Mandela, agradeço ainda o exemplo!

terça-feira, 24 de junho de 2008

A velha questão de Shakespeare

Hoje a Matemática sai no jornal, por maus motivos, por descontentamento daqueles a quem o assunto diz directamente respeito, daqueles que fazem contas à vida, não para hoje mas para muitos amanhãs: os alunos.
Há um sentimento generalizado de frustração, que talvez comece agora a notar-se mais do que até aqui, que se vai generalizando, tal como vai acontecendo com outros sectores.
Esperemos que seja dada atenção a este sinal, que não se subestime esta sociedade que há-de vir, marcada pelos erros de hoje, cometidos por nós, que os estamos a preparar para a vida.
Quando digo nós, também me incluo, claro! Posso não contribuir com uma certa negligência, mas de algum modo vou baixando o nível da minha exigência para acompanhar os tempos. E esta é a prova dos nove. Este é o caso sério, a versão verdadeira da anedota que circula nas nossas caixas do correio e que põe em evidência o facilitismo crescente, imposto por "cima", com taxas de sucesso obrigatórias, com fantasmas de avaliações negativas para os professores que não promoverem o sucesso das pautas.
(E o sucesso pessoal e educativo, quem é que promove Senhores Ministros?)
Mas, atenção, já não são os professores que vêm pôr em causa o ensino em Portugal. São os próprios alunos que se sentem enganados.
Será que não conseguimos arranjar um meio termo entre a competitividade doentia e o sucesso da preguiça e da esperteza saloia?
Há momentos de avaliação, há momentos do percurso e há alunos em que é absolutamente necessário atenuar os graus de dificuldade. Mas um exame nacional, crê-se que tem por objectivo aferir a média dos conhecimentos dos alunos alvo e, em conjunto com a nota de frequência, no caso do exame final do Ensino Secundário, estabelecer uma ordem para o acesso ao Ensino Superior.
E por que é que não se abrem as portas das Universidades a todos os alunos, independentemente deste exame? Era mais justo, parece-me!

domingo, 22 de junho de 2008

Eu vim de longe

Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar.
José Mário Branco

Foi o que eu senti hoje, quando abri o Tesouro da Ana,
E deixei também o que senti. Abri a minha bagagem. Descosi as cordas do tempo e, de repente, fiquei ali, eu perante mim, com décadas de distância a aproximarem-nos.
Assim:
Uma grande fatia da minha infância cor-de-rosa (às vezes toldada de outros tons menos inocentes!) está aqui. No parque infantil, guardado pela Dona Isaura, nos meninos e meninas com quem brinquei e com quem escorreguei nos enormes escorregas e nas trombas dos elefantes; na piscina pequena e na piscina grande onde não aprendi a nadar por causa do medo que as pranchas me faziam; na biblioteca onde aprendi a gostar da ideia de namorar e etc; do Posto Médico e do bondoso Dr Seiça Neto, amigo do meu pai que esteve várias vezes à minha cabeceira e até um dia me levou uma imagem de Nossa Senhora com o Menino.... São muitas memórias. Se calhar é por isso, por causa desse gesto, que ainda cá ando. Fui abençoada por essa bondade dos que antecipadamente se santificam praticando o bem, a tolerância, a generosidade e, como calha à profissão, curam sem alardes de fama e glória. Está no Céu, com certeza, com o meu pai e eu espero que hoje (tempo presente) eles me protejam!
Desculpa, Ana, o comentário ser tão longo!
Muitos beijinhos

VC treze anos

Vamos a ver

O rio está para a cidade, como o céu está para as gaivotas.
Era esta a mensagem dos fados e cantigas de antigamente, que o meu pai trauteava com paixão, paixão essa que se confundia com outras, com toda a certeza. Nomeadamente a paixão da sua juventude, dos seus anos verdes em que tudo lhe parecia fácil.
Cresci geograficamente longe deste rio, deste céu, destas gaivotas, mas a cidade de Lisboa entrou-me nas veias, no coração e no cérebro, antes, muito antes, do dia em que o meu avião da Tap, se aproximou do rio, passando rente, muito rente. Tão rente que julguei ver tudo ali naqueles segundos: a ponte, os cacilheiros, o cais das colunas, o Terreiro do Paço, as ruas do Ouro e a Augusta. O meu enlace com a cidade deu-se por procuração e não sei se me apaixonei por uma Lisboa real, se pela Lisboa dos fados. Aquela que "tem o Tejo aos seus pés, a morrer de amores por ela."
"Se uma gaivota viesse, trazer-me o céu de Lisboa..."
Lisboa merece! Lisboa é uma linda cidade! Lisboa é um dos meus orgulhos!
"A ver vamos", se se cumprem as promessas que gemem que nem fados nas vielas.
Lisboa, qual é afinal o teu fado?

sábado, 21 de junho de 2008

I'm practically perfect

I'm practically perfect in every respect.
I haven't a flaw you could ever detect.
As soon as you know me I'm sure you'll agree
there's no one around who's as perfect as me.

I'm handsome and rich, with a generous heart.
I'm funny, and charming, and totally smart.
At school, in my classes, I only get A's.
I'm also athletic in so many ways.

My clothes are expensive. My hair is just right.
My teeth are all straight, and they're shiny and white.
I'm practically perfect. I'm sure you could tell.
And, oh, did I mention? I'm humble as well.

Kenn Nesbitt

(Não é por nada, mas tenho a sensação que este rapaz deve ter ido para a política!!!
Tão perfeito e ainda por cima humilde, seria difíil alguém sugerir-lhe outro caminho. Deixa cá ver.... Se calhar até está no governo?! Mas não, estou a passar em revista outras bancadas, que não "centrais", que essas foram abaixo ontem, e... Está li alguém que também deve ter dado uma ajudazita na inspiração deste poema!)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hoje acordei...

...com complexo de Principezinho.
A conferir:
-uma enorme vontade de fazer desenhos de jibóias com elefantes na barriga;
-um desejo também grande de encontrar no meu deserto alguém que me entendesse e conseguisse decifrar os meus desenhos, em vez de rir, troçar e achar que era/sou um caso perdido;
-um estranho impulso de arranjar um animal de estimação, que não fosse necessariamente um cão ou gato. Pensei em ovelhas, claro! e em vacas, daquelas dos anúncios aos chocolates com manchas pretas, ou brancas, muito bem desenhadinhas no lombo;
-a constatação de que eu sou duas pessoas em uma e que a pessoa crescida que há em mim é muito aborrecida (para não dizer “chata”, como dizem os ....);
- uma ânsia de pôr-do-sol;
- a certeza de ser responsável por todos aqueles que ao longo da vida cativei, o que nem sempre sai bem;
- a intenção de aprender a olhar para as estrelas, descobrir e reconhecer aquela que olha para mim e agradecer-lhe por isso;
Para a mentira parecer verdade, como dizia o poeta Aleixo, tenho de aprender a varrer ervas daninhas que se podem vir a transformar em gigantescos embondeiros; tenho de saber cuidar de uma rosa; tenho de aprofundar o significado de algumas palavras como “efémero” e “cativar”, para melhor a explicar ao principezinho.
Não vá eu encontrá-lo por aí!Os desenhos já fiz. Só falta o resto!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

No, Minister...

Quando leio notícias destas, sinto uma enorme vontade de chorar. E isto é mesmo verdade: sinto imensa vontade de chorar, eu que nem sequer sou "muito dada" a choros, apesar do nome, ao abrigo de qual decreto-lei número tal barra qualquer coisa ano um nove cinco dois!!!
(Já me está a passar a vontade de chorar! Concentra-te, Madalena, no que estás a falar sobre!)
Primeiro é a história de "ver no terreno", como se o terreno se revelasse em meia dúzia de minutos. Para além disso, as condições do dito terreno são alteradas pela presença física do Sr Primeiro Ministro. (Está-me a dar a ideia de levar sempre um boneco do tamanho do nosso Primeiro, parecido com alguém que eu cá sei, para moderar alguns comportamentos.)
Vai uma aposta que nenhum menino vai atirar a mochila pelo ar, não vai tocar nenhum telemóvel, não vão andar à chapada dentro da aula, não vão dizer palavras "feias"?!
Outra coisa: vamos ser todos mais felizes com o cartão electrónico, não é verdade?
Os meus alunos do quinto ano já sabem trocar as cadernetas para iludir a vigilância do portão e sair quem não tem autorização. Agora imaginem o cartão. Vai ser "superhipermegafácil".
Qualquer dia chega a moda da impressão digital: põe o dedo e entra! Ou põe o dedo e sai. E dá mais trabalho roubar um dedo a alguém ou pedir emprestado um dedo para sair da escola no intervalo do almoço.
Lá vai o correio electrónico de cada um ser inundado com mails, com assuntos do género "Atenção: fraude...."
Mas vai ser tudo muito bonito, não vai Portuguesas e Portugueses?
Os kits tecnológicos vão erradicar a violência, a indisciplina, o insucesso?
No, Minister!montagem com fotografias do site da série "Yes, Minister".

sábado, 14 de junho de 2008

Chamava-se Ernesto.

Chama-se Che. Nasceu há oitenta anos.
O ideal matou-o. O ideal imortalizou-o. Há um Che Guevara dentro de todos os que sonham um mundo melhor.
"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera.", disse.
Manuel Alegre dedica-lhe uma obra poética inteira.

Talvez o Che tenha sido o primeiro a compreender
que não se pode mudar o mundo
sem mudar o ritmo da relação com ele.

Por isso quando lhe disseram que a mãe tinha morrido
(andava ele no Congo
naquele ano em que esteve em parte nenhuma)
pediu um mate sem açúcar
falou da infância
e depois afastou-se lentamente
para cantar sozinho os tangos argentinos
que eram por certo os ritmos do seu sangue.

Ele sabia que era preciso o inesperado. O efeito
surpresa. Ataque e fuga.
Por exemplo: quebrar a rotina. Despedir-se.
Desaparecer.
Criar um foco algures dentro de nós.
Partir de um centro para uma espécie de irradiação.

"Navegar é preciso..."

"Quando nasceu a geração a que pertenço, encontrou o mundo desprovido de apoios para quem tivesse cérebro e ao mesmo tempo coração. O trabalho destrutivo das gerações anteriores fizera que o mundo , para o qual nascemos, não tivesse segurança para nos dar na ordem religiosa, esteio para nos dar na ordem normal, tranquilidade para nos dar na ordem política. Nascemos já em plena angústia metafísica, em plena angústia moral, em pleno desassossego político."
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Autobiografia- Diário, Edições Alma Azul
Bem-vindo à Internet, Fernando Álvaro Alberto Bernardo Campos Caeiro Soares Eu Tu Ele Nós Vós Eles Pessoa!
Gostava de te perguntar por que é que "viver não é preciso"?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O Grande Entrevistado

Tenho a certeza que não fui a única a sentir-me esmagada pela coragem do Salvador Vaz da Silva, até hoje desconhecido para mim.
É uma lição de coragem e de esperança. É a prova de que é possível falar de esperança e de coragem, mesmo depois de se ter passado "além da dor". É mais um testemunho de que a qualidade humana dos seres que sofrem de esta ou outra doença não tem de ficar comprometida. Pelo contrário, pode até melhorar.
É também sinal de grande coragem abrir a intimidade dos seus dias difíceis. Ele sabe sem dúvida que valeu e vale a pena! Afinal é de muitos mais frágeis e debilitados que se recebe esta espécie de transfusão que revigora o pensamento e regenera a vontade!
Obrigada, Salvador!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

a viagem

Hoje, num determinado serviço público, alguém me dizia que não há revoluções sem derramamento de sangue. O que é, para mim e para muitos, um motivo de orgulho, é, pareceu-me, para outros, uma falha técnica. Não há pois luta que se preze sem sangue, de acordo com esta opinião que me magoou, devo confessar.
Como não podemos separar o povo que somos em dois ou mais, há que aceitar!
Eu também tive um sonho: que os rapazes da bola se dirigissem aos governantes e lhes pedissem para envidarem todos os esforços na solução de um problema que cada dia se torna mais difícil de resolver, sem sangue e sem lágrimas.
Por razões relacionadas com o momento que vivemos, não fui de carro para Lisboa. Levei o radiozinho de orelha para ouvir notícias relacionadas com a aflição do momento. Qual quê? Nada!
Futebol. Futebol. Futebol.
Fui de barco e, claro, vim de barco. De repente, começo a ouvir "é golo!" e a expressão alastrou-se, "cresceu" e quase todo o barco se levantou e gritou GOOOOOOOOOOOOOlO! Senti-me traidora dos ideais pátrios, mas não gritei gooooolo.
No entanto, fiquei feliz com felicidade dos meus companheiros de viagem!
Quase logo a seguir, o meu telemóvel tocou. Olhei desconfiadamente para o visor. Será alguém a querer comemorar comigo o golo? Pouco provável.
Mas era mesmo para comemorar! Era uma notícia feliz: "Madalena, o meu neto nasceu quando o Ronaldo meteu o golo!!!!!", gritava radiante a minha amiga Benvinda, do lado de lá de não-sei-quê-que-não-são-fios.
Aí eu gritei GOLO, mas foi baixinho. Mas apetecia-me gritar alto, como os outros.
Entretanto chegámos. Nesta curta travessia, Portugal consolidou a vitória e o mundo ganhou mais um ser. "Benvindo" sejas Tiago!!!! Bem-vindo sejas Tiago!!!!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Pirilampos

Haver uma nova espécie de pirilampos em Portugal até pode ser uma notícia interessante. Mas, cuidado, os pirilampos alimentam-se de caracóis e de lesmas. Se estes comerem só as lesmas, tudo bem, mas os caracóis...
Eu cá por mim, o Pirilampo que eu prefiro é mesmo o Pirilampo Mágico.O Pirilampo e a Pirilampa vestidos a rigor para o Dia de Camões. Só falta mesmo o cachecol! Ah! Não? isso é amanhã, pois....

domingo, 8 de junho de 2008

O dia em que nasceu Yourcenar

“Não me queixo de que as coisas, os seres, os corações sejam perecíveis, porquanto parte da sua beleza é feita desse infortúnio. O que me aflige é que sejam únicos.” In “A salvação de Wang Fô e outros contos orientais”, de Marguerite Yourcenar.
São palavras do Príncipe Genghi, reflectindo sobre o valor da vida, num eremitério, para onde se exilou, voluntariamente, para aí viver os últimos anos de vida.
Marguerite Antoinette Jeanne Marie Ghislane nasceu a 8 de Junho de 1903, em Bruxelas, e a mãe, Fernande Cartier de Marchienne, belga, morreu dez dias depois. O bebé, aparentemente igual a muitos outros bebés, ficou entregue aos cuidados do pai: francês, com mais de cinquenta anos, presente e condescendente, abastado, boémio, Michel Cleenwerck de Crayencour. (Yourcenar é um anagrama do seu último nome.)
Em criança aprendeu a lidar com a solidão, educando assim uma força interior e uma coragem quase inabaláveis. Tinha oitenta e três anos quando escreveu pela primeira vez a palavra "choro", aquando da morte de Jerry Wilson, quarenta anos mais novo e seu companheiro de então.
A sua vida não se regulou pelos paradigmas sociais, mas a qualidade literária da sua escrita valeu-lhe a honra do reconhecimento pela Academia Francesa. Pode ler-se aqui o seu discurso na Sessão Pública que se realizou a 22 de Janeiro de 1981.

Parabéns, Pitucha!

Querida Pitucha, vê tu o tempo que eu levei para fazer esta distância, Montijo- Bruxelas.
Tanto trânsito! Vi logo que era uma multidão de admiradores que não queriam deixar de te cantar os parabéns e de desejar as maiores felicidades!
Para a querida sobrinha, uma salva de palmas!
Os parabéns estão atrasados mas os desejos de felicidades estão muito actualizados!!!! Muitas flores para ti!

sábado, 7 de junho de 2008

Efeito L.A.

"Chovem-me lembranças antigas."
E a chuva começa sempre no mesmo sítio, uma espécie de paraíso à moda antiga, onde não há máquinas de rega, nem máquinas nenhumas, nem de lavar ou passar a ferro a roupa de uma família numerosa. E a chuva cai sempre em espaços que não têm fim, sobretudo na minha memória deles.
A chuva rejuvenesce as imagens dos meus e enquanto chovem os dias passados, eles recuperam o andar e a voz clara que o tempo leva. Ouço-lhes os risos.
Enquanto chove, o cheiro das batatas fritas em azeite torna-se real. A chuva lava as cores das alfaces do quintal e os grandes limões amarelos, temperados com sal grosso, sabem ao mais opíparo manjar divino.
Chovem-me as noites frias da Namaacha e a água gelada dos lavatórios...

"Dêem-nos um pouco mais..."

"Numa cidade em que a maior parte da margem continua interdita ao peão, cada nova aproximação ao rio é uma festa. Dêem-nos um pouco mais de Tejo, com porto e tudo. Deixem-nos circular a pé até à margem, ao longo dela ou até, de barco, pelo rio. Entendam-se as entidades, abram-se os percursos, deixem-nos passear pelo porto, não criem mais barreiras físicas e visuais para chegarmos ao rio." Helena Roseta, 21 de Maio de 2008, Público.Direi ainda: num país em que o futebol domina a atenção de todos, dêem-nos um pouco mais do resto que não é futebol.
Dêem-nos um pouco menos de futebol!
Conversemo-nos", por exemplo!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O dia mais longo

"Normandy is marked by the landings. It is inscribed in people's hearts, in memories, in stone, in rebuilding, in memorial plaques, in street names, everywhere." the Rev. Rene-Denis Lemaigre, priest of Lisieux.
Fica para sempre inscrito também na memória de quem visita a Normandia.

Decididamente,

cada vez percebo menos de política.
Juntaram-se três homens da política, da televisão, da rádio, dos jornais, de todos os lados, pois não há em Portugal quem não queira saber como pensam as cabeças deles, juntaram-se, dizia, e bateram "forte e feio" em Manuel Alegre.
O Pacheco Pereira diz que a festa de terça à noite foi uma manifestação contra o governo PS. (Haja alguém, Doutor Pacheco Pereira, que possa manifestar-se contra estas políticas que nos governam, ser temer ser despedido, afastado, processado...)
Lopo Xavier diz que Manuel Alegre não concretiza alternativas. Diz palavras muito bonitas, mas não concretiza, não diz o que se deve fazer em vez de. Pegar na pobreza e mostrá-la a quem não a quer ver não me parece nada abstracto, Dr Xavier!
António Costa, elegante e educado, apresentou a teoria: a natureza do poeta é ser do contra, é dizer não. O PS é todo muito feliz, em termos colectivos, quando está na oposição.
E calam-se as consciências quando um partido sobe ao poder?
Pois é....Isso até acontece a todos!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma coisa de "pessoas"...

Diz Manuel Alegre a propósito da celebração desta noite no Teatro da Trindade.
Está lançada ao mar a semente da poesia!

Quinto Poema do Pescador

Eu não sei de oração senão perguntas
ou silêncios ou gestos ou ficar
de noite frente ao mar não de mãos juntas
mas a pescar.

Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber se Deus
é sim ou não.

Manuel Alegre, Senhora das Tempestades, Lisboa, 9.12.96

domingo, 1 de junho de 2008

... ao jeito de antigamente...

Antigamente, ligava-se mais a alguns aspectos do calendário. O próprio clima era mais respeitador dos hábitos e costumes das pessoas.
Um dos pontos altos do calendário era sem dúvida a abertura da praia. Abria a praia e pronto! Estava aberta para o bom e para o mau e mesmo que alguém tivesse de levar casacos e abafos nos primeiros dias, a felicidade era estar na praia. Havia de chegar o sol! Haviam de se banhar nas ondas os fervorosos banhistas que incluíam a praia nas suas vidas porque fazia bem aos grandes e sobretudo aos pequenos. Não havia cá essa coisa o bronze. O bronze era um efeito secundário. O que valia mesmo era o prazer dos banhos, para uns, dos castelos de areia para outros. O que valia mesmo era viver o verão!
Viva o sol! Viva o mar!
Hoje fui espreitar a praia. Não vi ninguém entusiasmado. Fiquei também um bocadinho triste.
Um dia, daqui a alguns anos, neste mesmo dia primeiro de Junho, hei-de ir com os meus netos à praia e hei-de ensiná-los a gostar do mar e da areia e das ondas e de andar na areia molhada...
É que há coisas que nunca esquecem e outras que nunca mudam e o mar é desses!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Imaginação- Precisa-se

Preciso mesmo de muita imaginação para entender a ligação entre o Tony Carreira e a Selecção! Eu pensava que eram artistas separados, mas, pelo que tenho visto, ouvido e lido, anda tudo ligado.
Aceito explicações!
Foto- Ferragudo, passado não muito distante. Pelo estado avançado de abandono, tudo leva a crer que esta carrinha já serviu outras imaginações, outras selecções, outros campeonatos!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

(...)

O Ministro Lino disse em alto e bom som, para quem o quis ouvir. E eu quis. E eu ouvi.
«O PS e o governo não estão a dormir, à espera que Mário Soares faça um aviso».
Recordo, a propósito da pobreza que devia afligir e envergonhar os nossos governantes, um Conto Exemplar de Sophia de Mello Breyner, "O Retrato de Mónica".
Mónica é uma mulher com muito sucesso. Sucesso social, entenda-se. Para esse sucesso, Mónica teve de renunciar à poesia, ao amor e à santidade. É a versão feminina de Fausto de Goethe.
Para citar o mais importante do conto, seria preciso transcrever o texto todo. Mas para se perceber o que Mónica representa, bastam duas frases:
"Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome."

terça-feira, 27 de maio de 2008

Out of Africa, Pollack, inesquecível

If I know a song of Africa, of the giraffe and the African new moon lying on her back, of the plows in the fields and the sweaty faces of the coffee pickers, does Africa know a song of me? Karen Blixen

segunda-feira, 26 de maio de 2008

"feridinhas de caracacá"

Quando leio o L.A. na Visão, fico a remoer essas tais "feridinhas de caracacá", como ele chama às memórias esfoladas que traz da infância.
Não fico a remoer as dele, mas as minhas, claro! Como todas as dores, as de caracacá também só doem ao próprio.
A feridinha mais de caracacá que me vem à lembrança sempre, e sempre enquadrada na memória do tal paraíso perdido que era o quintal da casa da minha avó, é o rabo de cavalo que as minhas primas usavam e eu não, que se agitava em movimentos melodiosos quando corriam, para a esquerda e para a direita, ou quando saltavam, para cima e para baixo, chegando a ousar misturar-se com as franjas e com as pestanas, em verdadeira orgia.
Passada a fase dos odiados laçarotes, os meus cabelos eram sempre higienicamente cortados, quase à rapaz, não fosse algum tímido piolho fazer o ninho numa madeixa mais atrevidamente compridita.
E assim fiquei eu com a infância estragada pelos cabelos!É que nem em dias de festa me deixavam os cabelos à vontade: eram enfiados em mini-barretes cheios de brilhos e brilhinhos...
Era uma das razões por que eu queria muito crescer e ser dona da minha vontade e dos meus cabelos!!!!

sábado, 24 de maio de 2008

"May you grow up to be true! "

1941, 24 de Maio. Nasce Bob Dylan, aliás Robert Zimmerman.
Um símbolo da minha geração, somando música e ideal numa toada de intervenção inesquecível.
Inventou o vento trazendo respostas. (The answer my friend is blowing in the wind!)
Inventou escadas para subir às estrelas.(May you build a ladder to the stars.)
Cantou um mundo melhor!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Estudos superiores

Ontem fui tomar café com o Miguel.
O Miguel é um sobrinho de coração que faz amanhã onze meses. É que eu preciso imenso de lições de vida com conteúdos como: alegria, futuro, esperança, cores, muitas cores, risos, gargalhadas, palavras novas, felicidade em estado puro, etc.
Tivemos tudo isso nesta primeira lição.
O Miguel recebeu-me informalmente, como se recebem os amigos, sentado no tapete no meio de uma sala cheia de luz. Disse "dá-dá" o que eu interpretei como sendo uma expressão de boas vindas. Abriu o seu sorriso maravilhoso e olhou para mim, como que a convidar-me a sentar-me ao pé dele.
Assim fiz. Há tanto tempo que não me sentava no chão, sem ser por recurso, por falta de cadeiras cá em casa!
O Miguel estava muito ocupado com dois brinquedos muito coloridos. Pôs a tocar as teclas de um telefone bem mais giro do que aqueles que há cá em casa. Este até imitava o som dos animais.
Conversámos perto de uma hora os dois sobre as coisas verdadeiramente importantes da vida: os primeiros passos, por exemplo. Ele confidenciou-me que está a pensar começar a andar sozinho daqui a um mês. Projecto sério! Eu limitei-me a dizer-lhe que continuasse a andar de gatas mais uns tempinhos, pois, assim que o apanharem a andar começam logo a exigir-lhe novo desempenho de outras competências. É que os grande são uns chatos de uns exigentes, lembrei-lhe eu. Ele concordou com um sorriso doce e uns olhos muito meigos.
O João Pestana andava por perto e o Miguel teve de dar por terminada a lição.
Obrigada, Miguel, por me teres ensinado a sentar-me no chão e a brincar.
Um dia destes eu volto, para me ensinares mais palavras, mais maneiras de rir, mais razões para acreditar que o futuro passa por nós mais do que uma vez na vida.

terça-feira, 20 de maio de 2008

They say...

"In three words I can sum up everything I've learned about life. It goes on.” Robert Frost
It, one. Goes, two. On, three.
It's right!

domingo, 18 de maio de 2008

Ciao, Zélia!

Para a vida ter sentido, temos de "fazer por isso".
O nosso medo da morte prende-se com o medo do esquecimento, do desaparecimento nas profundas águas do Rio Letes. Camões falou disso e tu, Zélia, falaste disso também, valorizando a dimensão dos valores humanos, da simples bondade, mais do que a dimensão das grandes obras, as tais "valerosas" que nos "vão da lei da morte libertando."
"Aos oitenta e três anos, dona de imensa experiência de vida, de alegrias e tristezas, sucessos e decepções, chego a uma conclusão: só morrem, desaparecem de vez, as pessoas que não foram amadas, pessoas que, por terem sido más, não deixaram saudades na terra, não são lembradas. Dessas, mesmo em vida, esqueço os seus nomes."
Foi o que tu escreveste em Conclusão, na tua autobiografia "Città di Roma",nome do navio que trouxe os Gattai de Génova. Porque eu acredito nesta verdade, tomo-a para mim e proclamo-a também, pedindo-te emprestadas as tuas palavras.
E aproveito também para corrigir a notícia do jornais: A Zélia não morreu, porque os seus netos amados (até de nome eles são Amados!) sabem que a avó teve de comparecer ao encontro com "Seu Jorge", Seu de Senhor e Seu possessivo, Amado de apelido e de verdade.
Ciao, Zélia!
Goza bem a eternidade que mereces!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Hoje também é festa


Hoje a festa é da Chuinguita!
O que tu mereces mesmo é uma longa-metragem, mas o meu dia voou (sem fumo, lol!) e o tempo só deu para esta curta-metragem.
Enorme é mesmo o meu desejo de celebrar a vida como tu a vives e como tu a ensinas.
Hoje li uma frase que me fez lembrar, uma vez mais, a tua generosidade.
"If you want to be happy for an hour, watch TV. If you want to be happy for a day, go to an amusement park. If you want to be happy for a lifetime, help someone."
Parabéns!!!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Não sei sobre o que hei-de escrever...

Tudo cansa! Cansa a graça e a desgraça.
(Já ninguém consegue ter graça a brincar com a maneira como vamos sendo governados. Ou desgovernados, para melhor dizer!)
Cansa o lamento.
Cansa o aumento
do leite, do arroz, da gasolina...
(Eles "esmifram-se", "esgatanham-se" mas não se "desenrascam" a dar uma explicação de jeito!)
"Dói-me o peito", diz o José Fanha, num poema corrido de outras eras:
Dr.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito do caminho
de ida e volta
do meu quarto
à oficina
sem parar
sempre a andar
dói-me o peito
destes anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos

E eu diria: também eu! Ou a mim também!
Que é o que se ouve mais quando se solta o mote do poema maior da dor menor.
(Porque há outras dores que não saltam para a primeira página do jornal, nem para os primeiros minutos dos notíciários.
Não são ridículas, como as cartas de amor.
Mas como as cartas de amor, também,
quem as não tem?)
E o caso triste do ministro a fumar no avião?
São produtos de marketing que nos governam, não é verdade?
Bons hábitos, boa forma física, bom aspecto...
Continuando com o poema de Fanha:
Dr.
Já estou farto
de não ser
mais do que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como mosto pisado
como um pássaro insultado
de não mais poder voar.

E pronto! Cansa o desabafo, mas alivia o peito!
Vamos voar!
Todos na mesma direcção.
E para a pieguice ser completa, vamos seguir os passos da Maria do Olhos Grandes e do Zé Pimpão.
Vamos para o tal lugar onde:
"Se não há jardins para todos
vou dividir os canteiros
se os canteiros não chegarem
uma flor para cada um
e se as flores forem poucas
há pétalas
enfim há cheiro
mas todos terão igual."
(de Canuto Jorge Glória)
Cansa a graça e a desgraça?
Há uma Graça que não cansa: a de Lisboa!!!!

domingo, 11 de maio de 2008

Festa é Festa

O "Chora" faz quatro anos.
Todas as frases, feitas ou não, são permitidas. Não há fórmulas nem formas melhores do que outras para festejar ou parabenizar. Quatro anos de tempo de vida virtual é, certamente, mais do que uma idade adulta. É uma idade avançada.
Felizmente, (ou não?!), neste modelo de admirável mundo novo, a idade avançada não tem os reumáticos nem as mazelas de uma real idade avançada. Tem outros, não menos patéticos, quem sabe?
Há dias em que o "Chora" tem de recorrer a uma bengala para percorrer algum caminho com a dignidade que aprendeu com que o seu padroeiro, o Pai dos Porquinhos.
Tem dias em que o Chora chora, porque a vida faz chorar. Tem dias em que o Chora ri, porque a vida também faz rir. Às vezes, para não chorar, diz-se.
Seja como for, ou melhor, tenha sido como tem sido (???), o Chora chegou até aqui e, como acontece na vida real, é preciso celebrar.
E, para "selar" esta data, todos os que aqui passarem levem, por favor, a gratidão pela companhia que fizeram aos porquinhos, ao longo destes quatro anos.
O Selo da Amizade passeia-se pela Blogo-esfera e já chegou até mim, com a indicação de o atribuir a cinco outros donos de blogs. Os Porquinhos trangrediram e alegam o aniversário, em defesa dessa transgressão. Todos têm direito ao Selo da Amizade que, para mim, veio daqui.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Recado

"-Ó rapaz, acaba-me lá com essa ladainha do possível! Fala-me do impossível. Do impossível triunfo do teu clube. Da impossível moderação alcoólica do teu pai, da impossível atenção oficial às legítimas aspirações desta tua cidade natal. Vê se olhas de uma vez para sempre sem muros à volta da imaginação." Miguel Torga, Diário XVI.
Desta vez o Torga amargo deixou-se ultrapassar pelo Torga doce. Se não for para ajudar a construir uma outra realidade mais compatível com a nosso legítimo desejo e não menos legítimo sonho, então, perguntamo-nos, para que serve a imaginação?
Mas o impossível de cada um é sempre tão íntimo que não é possível escancará-lo em praça pública. Fiquemo-nos pelo possível triunfo do clube que é a manifestação possível dos impossíveis de muitos milhares.
O meu impossível revelável é uma escola onde não se aprenda nem se ensine por decreto! É um grande muro que vai abaixo!A minha inépcia nas artes fotográficas não me deixou cumprir o meu objectivo. Ficámos pelo objectivo da objectiva. O "muro" dizia assim: Abaixo os muros. Viva o céu!
Nem o bolor do tempo nem o do "mau tempo" apagarão este incitamento!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Where have all the blue skies of May gone?


Where have the warm winds of Spring gone? It seems to me that this May isn't a true May!
Pete Seeger, o autor desta emblemática canção dos "loucos" sixties, tem agora 89 anos. Não sei porquê, mas a nostalgia do antigo calor de Maio trouxe-me à tona das lembranças a frase "Where have all the flowers gone" que se pode parafrasear a propósito de quase tudo.

sábado, 3 de maio de 2008

Explicar Abril, mesmo em Maio

Querido filho, Perguntas-me o que foi o Maio de 68. Desta vez, confesso, apanhaste-me de surpresa. Não é de repente que se fala dele.
Vale a pena ler e vale a pena seguir o exemplo e explicar Abril aos nossos filhos. Com o passar do tempo, o ideal dilui-se nas lamas dos dias preenchidos de outras preocupações... É preciso recuperá-lo! Para activar a memória, basta desamarrotar umas quaisquer palavas de ordem que, por muito ridículas que pareçam, é como as cartas de amor de Pessoa: só é ridículo quem nunca acreditou num mundo melhor, mais justo, mais fraterno, mais solidário!
Espero deixar, pelo menos, essa memória de Abril, aos meus filhos!
E aos meus netos, ousa o meu desejo acreditar...
Ou talvez uns versos de uma canção de Abril produzam o mesmo efeito:
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.
Uma gaivota voava, voava...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O milésimo quingentésimo post...

...vai abrir em flor!E vai ser feito de flores!Só flores!Apenas flores!Daquelas flores... ...que merecem e valem a honra simbólica desta celebração redondinha!Orquídea final parágrafo!

É Maio!


Dont ask me why, but time has passed us by...


Os Bee Gees deixaram-nos este Hino à Infância!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Fins de Abril

Vejam só: um dos meus porquinhos traz um cravo para que Abril não se apague ao mudar a folha do calendário!

domingo, 27 de abril de 2008

A corrente

A Theo desafiou-me para esta corrente. Como ela também diz de quem a desafiou, não aceitar seria uma tremenda falta de educação, de respeito e de amizade. A ética que, de algum modo, se foi instalando no relacionamento entre os blogs requer ser cultivada e este tipo de actividades inter-blogs reforça e explicita certas regras dessa ética.
Eis pois o desafio: seis "coisas" que não me "importam". Era mais fácil as coisas que me importam, mas vá lá...
Em primeiro lugar, não me importo que se refiram constantemente à minha condição de mãe-galinha como defeito, mesmo que acrescentem que eu sou a mais chata do planeta.
Em segundo lugar e já agora, para ser verdadeira, a minha condição de mulher ciumenta também não me incomoda que seja comentada, nas minhas costas ou não. Essa condição assim clarificada até impõe algum respeito... lol
Aliás e, em jeito de terceiro lugar, não me incomoda nada que aqueles de quem eu não gosto propalem os meus defeitos e me considerem "horrorosa"...
Em quarto lugar: a minha desarrumação e a minha desorganização. (Versus as dos outros, claro! Essa incomoda-me imenso!)
Em quinto lugar: o conhecimento geral dos meus todos cabelos brancos, desde que haja tintas no mercado para os continuar a pintar.
Em último lugar: não me importo nada com o futebol, com os clubes, com as virtudes e defeitos de todos os que pertencem a esse mundo, com os resultados, os golos, etc, embora viva numa jaula!!!
E, como diz a Theo, o mesmo desafio vai para: a Ana, a Teresa, a Isabel, o Bruno, o João e o Alexandre.
Bom domingo!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Efeito L.A. para aniversariar...

Aguenta-te!
É bem "nosso", masculinamente falando, apelar à coragem, em caso de qualquer dor, mas principalmente da dor misturada da doença. "Aguenta-te" é coisa de homem para homem. As mulheres têm outras fórmulas, tais como: tens de ser forte, por exemplo!Como se a força não fosse já uma realidade.... Eu, por mim, prefiro o "aguenta-te" e, depois de ler a habitual crónica da Visão, ainda "prefiro" mais!
O Escritor evoca os avós como eu também faço. (Que vaidade, ou melhor, que pretensão,ser parecida com o Escritor!!!!) Não sei se é só orgulho. Será talvez também um arrependimento de não lhes ter dado atenção, mais atenção, não lhes ter feito mais companhia no fim das vidas. O verde dos olhos da minha avó dá-me o perdão todas as manhãs e todas as noites. Dá-me o perdão e dá-me a bênção. Eu sei. Eu sinto. O retrato do meu avô é mais silencioso. Talvez tenha alguém a dizer-lhe também: aguenta-te!
O avô do L.A. não "se aguentava" com as trovoadas e punha-se deslumbrado à janela a olhar os relâmpagos a estilhaçarem os céus. O meu avô era a bola que não lhe permitia aguentar-se. Olhava para a telefonia como quem está a ver o jogo. Não desviava os olhos do aparelho de rádio como se ouvisse o relato com os olhos. E, muitas vezes , só para assistirmos ao espectáculo da emoção à solta, falávamos com ele e ele zangava-se. Levantava um pouco os braços, cerrava as mãos e estremecia ligeiramente, pedindo que o deixássemos em paz, para seguir o jogo. Era o rubro da sua indignação! Era o ponto mais alto da sua violência. Nem um bebé de colo consegue atingir tanta brandura, no auge da contrariedade!
Nem sei a que propósito vem isto tudo, para além de ter sido ontem a data do aniversário deste meu avô Gouveia, um monárquico perseguido e castigado que me deixou em herança um nariz de respeito e o gosto pela "Cidade e as Serras".

quarta-feira, 16 de abril de 2008

domingo, 13 de abril de 2008

Hoje disseram-me isto:

"Para o optimista todas as portas têm maçanetas e dobradiças, para o pessimista todas as portas têm trincos e fechaduras." William Arthur Ward

U Akordo!

É urgente uma versão para telemóveis. Ké k axam?

imagem daqui

sábado, 12 de abril de 2008

Figuras de estilo

O paradoxo anda por aí. Anda nas páginas dos livros, nos lugares que se colam à nossa história, à nossa memória e ao nosso prazer de olhar. O sentido bélico confronta-se com o azul do rio, brumoso, mas sempre belo. Nem um nem outro se anulam. Nem o azul dispara, nem o canhão se dilui.
Será eterno este confronto?
Será, pois. Até a vida tem coisas destas. Paradoxos, antíteses, tristezas e alegrias que surpreendentemente se harmonizam, em nome do bem comum.
Fotografia- Castelo de S. Jorge, 6 de Abril

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Dia da Mulher Moçambicana

O tempo não está para cravos,
"dizem-me alguns com olhos lassos"
procurando nos meus olhos
"ironias e cansaços".
E quando lhes desvendo os meus regaços,
"São cravos, Senhores, são cravos",
"E" não "cruzo os braços",
nem vou por ali.
O meu caminho é feito dos meus próprios passos.
O meu poema é feito com versos emprestados
e o meu pensamento é feito com os meus cravos,
cansados, mas não vencidos.
Porque os cravos jamais serão vencidos!

Hoje pego num molho e deixo-os voar ao vento que sopra bem forte.
Voarão bem alto e longe, celebrando a memória de Josina Machel e a de todas as mulher moçambicanas!

domingo, 6 de abril de 2008

Abril, Lisboa, domingo à tarde

A perfeição é momentânea. Fazer perdurar a ideia para lá do momento requer vontade. Para que a vontade se possa ausentar para outros capítulos da vida, quem sabe? mais importantes, existem os registos fotográficos e outros. A marca lá diz: para mais tarde recordar.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

I have a dream

I have a dream that one day on the red hills of Georgia, the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

I have a dream today!
Martin Luther King (assassinado a 4 de Abril de 1968)
Observação da memória - Quando eu comecei a dar aulas, em 75/76, este texto fazia parte de um manual de Inglês.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Que é feito do mês de Abril

Que é feito do mês de Abril
que nos circulou pelas veias?
Que é feito das ruas cheias
quando o sol era um balão
e andava tudo ao contrário
e as estátuas vinham ao chão
e o sonho era o nosso horário?

Que é feito do mês do sonho
quando o sonho era concreto
e tinha formas de casas
portas abertas
e pão
quando o sonho que sonhávamos
era um sonho colectivo
parido pela multidão?

Foi então
num país
de repente sem fronteira
foi a feira
a desgarrada
foi o espanto dos abraços
na arquitectura sem margem
duma terra a conquistar.
Foi um país que acordou
com planícies no olhar
e a concertina a tocar
dentro do peito.
Que é feito do mês de Abril?

Soldados a quem dissemos
amigos eh! pá irmãos
operários que descobriram
um espaço para além das mãos
e as mulheres trabalhadeiras
que rasgaram seus vestidos
para as bandeiras de alegria
com que Abril foi envolvido.
Que é feito do mês de Abril?

Foi um país impaciente
que de pé se pôs em flor
foi o riso das guitarras
cansadas de choro e dor
foi a alegria fabril
foi a força da razão.
Não esqueças o mês de Abril!
Não esqueças que és multidão!
José Fanha

E o mês de Abril será sempre a homenagem a Salgueiro Maia. Foi ele o autor do mês.
Deixou-se morrer num Abril já longe!
Obrigada, Capitão!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Este dia não é das mentiras!

Este é o dia das verdades e já disse isto, pelo menos, 33 vezes, na vida.
Ontem um aluno, um "pestinha", por sinal, perguntou-me qual tinha sido o dia mais feliz da minha vida. Respondi-lhe que tenho dois dias mais felizes. Um deles foi o dia 1 de Abril de 1975. Claro que ele quis saber a razão. E eu satisfiz-lhe mais esta curiosidade: o nascimento do meu filho mais velho.
Foste tu que nasceste mas fui eu que me senti rainha!
Parabéns, Diogo!
Se estivesse nas nossas mãos, todos os teus caminhos seriam aplanados de dificuldades. Não está nas nossas mãos mas está no nosso coração o orgulho de te vermos fazê-lo, por ti, orientado pelos mesmos "nortes" que nos mostraram também o caminho.
O teu pai costuma dizer, a propósito dos teus avós, que eles lhe ensinaram o caminho da verdade e não o do interesse. Esperemos que tenhamos sabido fazer o mesmo!
Parabéns, filho!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Amanhã

Levamos todos nos nossos nervos a saturação do vídeo e dos comentários ao vídeo.
Ninguém fica igual depois deste episódio e do reconhecimento da sociedade em geral de que há violência nas escolas. O que íamos contando aqui e ali era interpretado como incompetência dos professores, incapacidade para disciplinar uma turma e as vozes que se levantavam eram ignoradas. Mithá Ribeiro escreveu muito sobre a indisciplina. Eu estive em duas conferências em que o ouvi falar da sua experiência e das suas ideias de combate à indisciplina. Claro que as suas ideias eram impopulares para quem não quer levantar ondas e tem medo.
E chegamos finalmente ao MEDO!
Quem é que tem medo e de que é que se tem medo?
Os órgãos das escola têm medo de não cumprir. É razoável que se sintam assim, pois nem todos temos de estar dispostos a apanhar com um processo em cima.
Depois há o medo dos professores: a imagem que passa de um professor que tem turmas indisciplinadas é a da incompetência do próprio professor. Acresce a este medo o da retaliação dos alunos e das famílias dos alunos. E há ainda o medo de confessar o medo, de admitir a fragilidade da nossa humanidade. Caramba, apetece gritar: somos professores. Não somos domadores de feras!
Amanhã levamos muitas expectativas e poucas certezas. Já muito por aí se disse que nada vai mudar. E, se não mudar nada e já amanhã, não muda nunca. Amanhã uns e outros vão medir o pulso à situação e...

domingo, 30 de março de 2008

Se fôssemos nós a dizer isto...

"É mais um produto da enxurrada permanente de leis, normas e regras que se abate sobre as escolas e a sociedade. É um dos mais monstruosos documentos jamais produzidos pela administração pública portuguesa. Mal escrito, por vezes incompreensível, repete-se na afirmação de virtudes. Faz afirmações absolutamente disparatadas, como, por exemplo, quando considera que "a assiduidade (...) implica uma atitude de empenho intelectual e comportamental adequada..."! Cria deveres inéditos aos alunos, tais como o de se "empenhar na sua formação integral"; o de "guardar lealdade para com todos os membros da comunidade educativa"; ou o de "contribuir para a harmonia da convivência escolar". E também os obriga a conhecer e cumprir este "estatuto do aluno", naquele que deve ser o pior castigo de todos! Quanto aos direitos dos alunos, são os mais abrangentes e absurdos que se possa imaginar, incluindo os de participar na elaboração de regulamentos e na gestão e administração da escola, assim como de serem informados sobre os critérios da avaliação, os objectivos dos programas, dos cursos e das disciplinas, o modo de organização do plano de estudos, a matrícula, o abono de família e tudo o que seja possível inventar, incluindo as normas de segurança dos equipamentos e os planos de emergência!"
Mas quem disse foi António Barreto, uma autoridade em termos de pensamento e, especialmente, nas coisas da Educação, já que em tempos muito idos, o PS teve um Governo-Sombra (o nome assusta!) e António Barreto era o Ministro da Educação desse Governo-Sombra. E, como não tinha nenhuma obrigação governativa, a sua ideia da coisa prática estava muito mais próxima do bom do que daqueles que sobem às alturas da 5 de Outubro. Mesmo que não tivesse sido Ministro-Sombra, numa terra onde os fazedores de opinião são uma classe respeitável, é sempre importante que eles digam o que nós não podemos dizer, sem sermos imediatamente apelidados de palermas com pretensão a pensadores.
Este Estatuto do Aluno, de que fala AB, foi publicado em Janeiro. Com o curso normal das vidas das escolas, só podia ser aplicável um mês depois, após a apreciação pelos órgãos, nomeadamente o Conselho Pedagógico. Quando as coisas passaram para quem lida com elas na prática da realidade, os professores e os Directores de Turma, as estruturas superiores perceberam que não podiam reprovar um aluno em finais de Fevereiro com efeitos retroactivos desde Janeiro. E, no dia 29 de Fevereiro, o Estatuto do Aluno foi suspenso em todas as escolas, por obediência a uma circular emanada do ME.
E assim vai o mundo, como dizia o vozeirão dos documentários que precediam a fita principal nas tardes ou noites de cinema...
A crónica de António Barreto vai ser guardada no sítio do costume.

sábado, 29 de março de 2008

A Ponte Vasco da Gama

Chamo-lhe, normalmente, a Ponte do Meu Contentamento. Não é por acaso.
Esta Ponte encurtou-me as aflições e para ser perfeita só lhe falta mesmo o respeito de alguns, em termos de velocidades inúteis e desadequadas, numa pista que é de beleza feita e de que se usufrui mais, a menos quilómetros à hora.
Quando eu vim morar para o Montijo, por razões de trabalho, a cidade era autónoma, tinha a sua vida própria e para as pessoas da terra isso era motivo de um orgulho imenso. O Montijo era uma pátria, com os seus costumes e tradições. Por isso resistiu à Ponte com alguma força. A ideia da Ponte desuniu, tendo sido postas a circular petições a favor da construção da ponte e contra a construção da ponte. Quer uns, quer outros, sabiam que a Ponte ia mudar a vida desta cidade e uns sobressaíam o lado mau e outros o bom, o da comunicação mais fácil com Lisboa.
O rio sempre foi uma maneira de combater a distância. Bela, porém de longa duração.
Os cacilheiros demoravam perto de uma hora a fazer a viagem. Mas essa hora era aproveitada ao máximo: leitura, estudo, convívio, jogos de cartas. O Cais dos Vapores tinha vida, apesar das condições do cais propriamente dito. Havia um sino que anunciava a chegada do barco em dias de nevoeiro cerrado. A espera fazia-se numa casa de rudimentar construção e minúscula. Os mais novos e saudáveis faziam a sua espera do lado de fora, à chuva, ao vento e ao sol. A própria viagem podia ser feita num convés (acho que é o termo certo), apreciando-se a beleza do rio, onde até se podia fumar.
Antes da Ponte, chegou o catamarã. O Cais dos Vapores modernizou-se. O casinhoto deu lugar a uma construção "modernaça", mas pouco confortável. Enfim, sempre cabia lá mais gente. E os barcos, ao pé dos antepassados cacilheiros, eram um luxo. O tempo ficou por metade e os prazeres da viagem também. São as facturas do tempo que passamos a vida a pagar.
Depois, a 29 de Março de 1998, nasceu a Ponte Vasco Da Gama. O mundo de Lisboa e arredores desaguou nesta margem e neste lugar e eu não consegui passar a ponte nesse dia. Só no dia seguinte, de manhãzinha.
Percorro hoje a distância da ponte com o mesmo encantamento com que percorri no primeiro dia. A viagem é sempre diferente e sempre marcada pela beleza imutável do rio.
A vida mudou. As pátrias dos de lá e dos de cá uniram-se. A cidade cresceu. Felizmente os prédios não cresceram em altura. Mantém-se a altura dos quatro andares e as excepções já estavam cá antes da ponte. O comércio tradicional respira com muita dificuldade e outras instituições também. É outro dos preços a pagar. Este é talvez o mais amargo.

sexta-feira, 28 de março de 2008

A Caixinha das Surpresas

Acordo todos os dias com um dos noticiários da TSF. É "por querer" e, por isso, não me posso queixar. Às tantas, já estou viciada na adrenalina provocada pelas surpresas de cada manhã. Mas, como estou muito ensonada e os meus neurónios também, a informação demora a chegar ao Centro de Processamento e, naquela semi-lucidez que condiz com as brumas de uma manhã que se preze, o meu entendimento vagueia à procura de uma luz, à luz da qual possa compreender o que se está a passar.
Será que as surpresas da TSF são mesmo uma "táctica" para me dissuadir de enveredar por inúteis existencialismos matinais? Embalada pela não-notícia, às vezes, readormeço. Às vezes, não.
Hoje, já não sei se foi o divórcio de Menezes, se o de Sócrates, se o IVA, se a nova travessia...
Não vale a pena saber, pois ao longo do dia a notícia muda, cresce, evolui e não nos devemos prender a saudosismos provocados pelas notícias das sete, oito ou oito e tal da manhã....

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ler, escrever e ver o mar

Tenho para mim que ler e escrever são duas terapias eficazes para combater alguns males de espírito, daqueles que se instalam traiçoeiramente em qualquer alma mais ou menos avisada. Que isto das tristezas e afins é um pouco como os males do corpo: prevenir é importante, mas não é tudo.
Além disso, dizem os sábios que os males do corpo também são muito mais facilmente combatíveis com uma boa saúde mental.Seja ou não totalmente verdadeira a ideia, faz algum sentido.
Outra das minhas vacinas contra a tristeza é a contemplação do mar. Tenho de "tomar a vacina" sem falhar nenhum reforço, senão lá se vai o efeito.
O mar, porquê? Não sei se é por ser imenso! Os sentidos todos se perdem de vista perante um mar que aparece pequenino aos nossos pés e cresce, cresce até não mais se ver, perdendo-se completamente numa linha que o separa do céu.
Hoje essa linha está desenhada em prata, mistura preciosa feita de nuvens baixas, mar azul intenso e um brilho persistente quase a rebentar em raios de sol. Ou não! Quem sabe?
Eu não! Que eu não sei nada, ou melhor, sei que nada sei.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Ainda a questão do respeito

Afinal, continua a falar-se demais na professora, como se não fosse alguém com nome e rosto. E eu continuo a sentir que o respeito desapareceu dos códigos de conduta de muitos e muito dignos representantes da nossa dita classe média, intelectualizada, pensante e portadora de valores, com obrigação de os transmitir aos outros, mais novos ou não.
A Isabel deixou este comentário. Peço autorização para reproduzir aqui: (...) considero eticamente discutível a divulgação (ainda por cima até à exaustão) do vídeo pela comunicação social. A professora não é uma mera figura simbólica, tem rosto, é uma pessoa. Se lhe pediram autorização e a deu, tudo bem. Mas duvido, e, então, como se vai agora ensinar os jovens que não se deve (creio até que é proibido por lei) publicar filmes de espaços não públicos sem autorização dos filmados? Hoje são aulas, amanhã vai um garoto de telemóvel a casa de um amigo, filma uma cena familiar a que assiste e publica no YouTube ou noutro sítio qualquer, e se depois argumenta que a comunicação social também já fez divulgações dessas para todo o país, que lhes respondem os educadores?
(O caso podia ter sido descrito; usar o vídeo acho discutível. E a primeira condição para que os putos reconheçam autoridade nos adultos e os respeitem é que estes dêem o exemplo nomeadamente de respeito)

As más surpresas sobre o tratamento deste assunto vão surgindo um pouco por todo o lado. Eu já vivi, dentro da escola e dentro da sala de aula, situações muito difíceis que nunca irei contar em espaços públicos. Tenho, por isso, uma noção do respeito e da solidariedade que faz falta a esta professora e a todos nós professores.
E não pensemos que as responsabilidades se confinam às famílias, nomeadamente aos pais. Nós também lidamos com os pais e não os temos como inimigos, como adversários. Eles também se debatem com angústias e, muitas vezes, com um imenso sentimento de vergonha, que só os mais fortes conseguem ultrapassar, sem magoar ninguém pelo caminho.
É a sociedade em geral que está a não-educar para o respeito. E a abusiva transmissão do vídeo agudiza a dor da humilhação. Na pessoa desta professora, há uma humilhação colectiva.
Felizmente, posso ir à janela e apanhar a nesga de mar que me coube em sorte e, se apurar a atenção para os sons que me chegam, consigo ouvir o vento e as gaivotas.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Porque é que tens um blog?

Porque é que tens um blog?, pergunta-me a Laura.
Se queres que te diga das verdadeiras razões, vais ter de me desculpar algum esquecimento que o tempo poisou sobre a minha memória, pois nestes três anos, quase quatro de Chora que Logo Bebes aconteceu tanto na minha vida, que as razões primeiras se entrelaçam em razões adquiridas e não conseguirei enumerar todas, sem perder um pouco o fio à meada.
Começa tudo num site chamado Pastilhas, criado pela imaginação avassaladoramente milionária do MEC. A metáfora básica era a de um consultório médico e a vida do site desenvolvia-se à imagem da vida de um consultório médico. Com Urgências. Mas este Serviço Nacional de saúde acabou por acabar, como tudo na vida, não tanto por ser bom, mas mais por ser isso mesmo: cheio de vida.
Era tão difícil ter um espaço na net, que o patrocinador primeiro acabou por obrigar os "doentes" a pagar uma taxa moderadora. Já se viu proceder ao pagamento de uma taxa moderadora, com alegria? Eu já vi!
Mas as coisas nem com taxa moderadora se resolveram e o consultório deixou de ter o Doutor, às terças-feiras. Depois deixou de ter Doutor e passou a regime de voluntariado. E foi acabando.
Mas à medida que acabava, nascia a Blogosfera e os pacientes com mais talento e mais assunto, abriam os seus espaços próprios e interagiam assim, não abandonado contudo o espaço Pastilhas, onde deixavam cópia dos melhores achados da Blogosfera, a que chamavam pérolas e bem.
Mantive-me espectadora durante muito tempo. Não que não tivesse vontade de participar! Mas temia envolver-me em polémicas inúteis que me desgastariam até à alma, porque, de algum modo me conheço e (confesso!) não sei aguentar uma polémica, sobretudo na vida virtual, por muita razão que sinta. Sou muito "má" nisso.(Fica o aviso!)
O tempo foi passando.
Quase todos os Pastilhas tinham o seu blog. Comecei a aventurar-me em casas alheias e o gosto pela Blogologia foi aumentando. Até que um "sobrinho" (Eu era a Super-Tia!) se prontificou a ajudar-me a construir um blog, com a minha identidade verdadeira e completamente "de verdade".
Obrigada, Pedro! Não sei se já te restabeleceste da "febre de sábado à noite" de Faro? Um beijinho para ti e para as tuas princesas. Obrigada, Eduardo, Titas, Zazie, Papoilinda, Charlotte, Renata e Renata Tangerina,JMF, Tito Casquinha...
É por isso que eu tenho um blog: para estar por aqui, com boas companhias!
Disse, Laurinha?

domingo, 23 de março de 2008

Uma questão de respeito

Por uma questão de respeito, e tão-somente por respeito, penso que o acontecimento da Escola devia deixar de ser aproveitado, sobretudo pela classe política, que tem, no mínimo, uma grande parte de responsabilidade sobre o que está a acontecer nas nossas instituições, sejam elas escolas ou outras.
Pelos jornais e televisões, também.
O que tinha de ser dito já foi dito. Se foi dito, com seriedade e com a preocupação inerentes a um incidente tão grave, e em momento próprio, foi bem dito.
Agora, passados que são já alguns dias sobre o acontecimento, dissecá-lo até às vísceras é, para mim, uma enorme falta de respeito para com a professora.
Quando não há já nada para dizer, as televisões passam em rodapé, nos vários noticiários, que "a professora agredida está em casa". Onde é que havia de estar?
A verdadeira compreensão e solidariedade para com a professora passam agora por uma atitude de contenção da ânsia de comentar, inutilmente, o comentado.