quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O efeito de Sophia

"A nossa vida é como um vestido que não cresceu connosco."
Este é o último verso do poema "No Quarto" da (nossa) Sophia, publicado pela Caminho, no Livro "Geografia".
Pus-me a pensar: na vida; nos vestidos; e em crescer.
Para além da dimensão "tempo", que se mede objectivamente em anos, meses, minutos, a Vida é mesmo um mistério para mim. Em termos da dimensão "espaço", a Vida situa-se normalmente no Planeta Terra, apesar de alguns já terem tido experiências fora da bolinha azul. Tomamos o tempo e o espaço e tentamos algo que valha a pena. Só respirar, não chega! Só comer, também não! Só dormir... ainda menos. Então o que é Viver?
Quanto ao vestido: recordo que eu ainda sou do tempo APV (Antes do Pronto a Vestir).
Os meus vestidos eram rigorosamente planeados em função da necessidade de andar bem vestidinha para não deixar envergonhada a minha família. Procurava-se o tecido, o modelo, comprava-se tudo a metro no John Orr ou na Casa Coimbra, mais os aviamentos, tirava-se as medidas. Depois vinham as provas e finalmente o vestido chegava a casa, saído das mãos de uma talentosa costureira, com requintes de obra de arte. E era!
Só que esses vestidos não cresceram comigo e na Era PV já nem me lembro bem deles, a não ser dos cuidados mil que me inspiravam, porque um rasgão era um acidente grave para um vestido de modista!
(Deve ser por isso que eu hoje só me visto em Zaras e outras que tais, onde há mil vestidos iguais. Vestido único? Não obrigada!)
Mas a minha vida tinha então o tamanho desses vestidos. E o valor também. Só que eu não sabia.
Quanto ao crescer? Será isso viver?Depois tinha de ir ao fotógrafo, para hoje recordar!

Recado à aluna!


Querida Aluna!
Obrigada por me teres trocado pela Farmacologia. Vou tentar merecer a tua escolha!!
Falas em conhecer-me melhor e eu quero dizer-te que me conhecias bem, no contexto escola/ professor/ aluno. As relações devem ser sempre verdadeiras e só não são iguais porque os contextos em que as estabelecemos são diferentes. O que aqui lês também é parte de mim, isto é, uma parte de mim, verdadeira. Mas há também uma parte de mim que não está aqui, porque este meio tem os seus quês. Há medos que não contornamos na totalidade e, por isso, não podemos expor-nos como eu gosto de me expor ao sol, no Verão!!!! Mas este meio tem também a grande vantagem de só revelar de nós aquela parte mais importante: o miolo de nós, sem medidas, sem rugas, sem vaidades físicas. E assim torna-se possível uma comunicação ao nível do pensamento quase puro. Digo quase porque há sempre a possibilidade de nos (re)conhecermos pessoalmente! Além disso na escola tenho uma responsabilidade funcional, que eu esqueço com frequência, felizmente. Os anos deram-me essa capacidade!
A vida que vais ter vai dar-te inúmeras alegrias, inúmeras compensações. Vais ver!
Vais perder a conta aos "seres" que te vão abraçar com a força do reconhecimento e da gratidão!
Tenho também os meus erros de relação numa caixa tipo cofre. Só eu sei o código. E acredita que gostava de poder pedir perdão aos alunos em quem infligi algum desgosto, sem querer.
Um dia, levianamente, quando faltava muito para o ano dois mil, combinei com os alunos: quem estivesse vivo devia comparecer, num determinado local, no primeiro dia desse ano. Quando o dia chegou, lembrei-me, mas desencorajei o meu desejo de passar pelo sítio combinado com aquela desculpa tola: quem é que se vai lembrar da velha professora?
Mas houve um aluno que se lembrou e esteve lá. Chorou a desilusão e foi-se embora magoado e sozinho. Uns anos mais tarde, cinco, para ser mais precisa, encontrou-me e mostrou-me a mágoa. Aquela mágoa valeu-me uma condenação não redimível em penitências.
Outras mágoas terei provocado e por elas eu gostava de pedir desculpa.
Como vês, provocas muito mais reacções do que podias prever.
(Se me vires por aqui, o que é fácil, diz-me: olá eu sou a ic! Combinado?)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Obrigada!

Memória conferida! Fui tua professora há dez anos! Fiquei muito feliz com o teu comentário. Se a recordação dos teus anos de estudante/menino(a) desencadeou essa saudade, imagina a alegria que explodiu cá dentro da minha memória de uma vida inteira de alunos, de relações intensas porque cada um é uma pessoa. Cada um é mesmo um! Claro que temos de guardar todos os "cada um" nas tais gavetinhas cerebrais, concebidas para o efeito. Mas guardamo-los, com cuidado. Muito cuidado, acredita!
Obrigada,ic!

domingo, 3 de agosto de 2008

Criação

Às vezes parece-me que o Alentejo é um mar loiro! São ondas de trigo e a espuma é de espigas a prometer o pão, tanto quanto o mar promete o peixe. A mesma promessa. A mesma fartura. A mesma imensidão...

sábado, 2 de agosto de 2008

Zeca!

Se há Homens de muitos Tempos, o Zeca é sem dúvida esse Homem! É também o Homem de muitos lugares. Ele é de cá e de lá. Ele é de Passados mais distantes. Ele é o Homem de Hoje e Agora. Continuaremos Sempre a encontrar nas suas cantigas tudo o que faz de um ser um Homem Livre. E cada um de nós nasceu com este destino: Ser Livre!
Obrigada, Zeca.
Comecei a aprender a tua liberdade no Liceu António Enes.
Zeca Afonso nasceu a 2 de Agosto de de 1929.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Verdade do dia!

Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida!
Por mais batida que seja a frase, ela é a verdade do dia e a verdade de todos os dias.
Não sei se há certezas num copo de vinho, mas há certamente alguma alegria que nos sobe à cabeça e depois anda para ali a vaguear entre a razão e os sentidos. Não sei se dou a volta ao medo! Nem a volta ao mundo. Não sei mesmo qual é mais fácil.
"entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que leva a peito"
E a vida leva-se assim: cansado, refeito;cansado,refeito;cansado,refeito....
Não há outra maneira de lutar. Não há outra maneira de ganhar.
De maré em maré, até ao fim do poema.
E sempre com a frase batida: hoje é o(um) primeiro dia do resto da tua (minha) vida!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Do dia!

"Mas eu conheço bem a solidão. Três anos de deserto deram-me a conhecer bem o seu gosto. Não é a juventude a gastar-se no meio de uma paisagem mineral que nos assusta;o que ali se manifesta é o que é o mundo inteiro que envelhece longe de nós. As árvores criaram os seus frutos, a terra deitou o seu trigo, as mulheres tornaram-se belas. A estação avança, era preciso apressarmo-nos a voltar a casa... Mas a estação avança e estamos prisioneiros longe... E os bens da Terra deslizam-nos por entre os dedos como a fina areia das dunas." Saint-Exupéry, Terre des Hommes.
Tradução de Artur Parreira

Presumo que a mensagem do autor do Principezinho seja a ideia de que a solidão é um deserto dentro dos homens. No entanto, cada um "enfeita" como pode, como quer e como sabe o seu deserto. Cá por mim, acredito que o deserto nos habita com a sua plenitude de beleza indizível, com a sua lonjura, com a sua infinitude irreal. Não busco muitos enfeites pois estes chegam-me. Buscamos, ao longo de nós, um ou outro oásis que dê sentido ao próprio deserto....
Antoine de Saint-Exupéry desapareceu a 31 de Julho de 1944. Durante sessenta anos foi absolutamente desconhecida a causa do seu desaparecimento, bem como do avião que pilotava. Há quatro anos foram identificados os destroços do aparelho, perto de Marselha. Mas do amigo do Principezinho nada mais se soube...O deserto visto pela pele do meu amigo Tó Luís.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Parabéns, Dona Eunice!

Eu gosto da maneira como a Dona Eunice fala. Fala sempre como se estivesse a representar, mesmo quando não está. E fala sempre como se não estivesse a representar, quando está.
A sua voz é calma, madura, soa a sabedoria acumulada. Não há desperdícios de palavras nas suas intervenções. O olhar e toda a expressão do rosto, acompanha e segue o sentido das suas palavras. Depois há as pausas: como que uma espera pelo entendimento dos que estão a falar com ela, ou a ouvi-la.
A Dona Eunice tem uma vida vivida em todos os pequenos detalhes de si.
Foi com a Dona Eunice que eu aprendi algo sobre o modo como avançar nos caminhos (nas vias rápidas!) da idade, sem dramas desnecessários.
Parabéns, Dona Eunice, pelo seu aniversário. A Senhora é uma verdadeira homenagem à Vida!imagem:daqui

terça-feira, 29 de julho de 2008

Dia de Santa Marta

Gosto do nome Marta! De algum modo pode haver uma explicação para este gostar: algures na História de Dois Mil Anos, Marta e Madalena tinham em comum a amizade de Cristo. Marta era irmã de Lázaro, o amigo doente, milagrosamente levantado para a vida, e Madalena, uma pecadora arrependida e chorona. Daí o chorar que nem uma Madalena. Nem o estigma do pecado, nem o da choraminguice me diminuem o gosto e orgulho do nome que me calhou em sorte. Há ainda alguns estudiosos que afirmam que Marta e Madalena eram irmãs, baseando-se em nomes das terras e outros de ordem etimológica.
Seja como for: hoje é dia de Santa Marta e o património de Lisboa conta com um Convento dedicado à Santa, edifício que, hoje em dia, é muito mais conhecido pelos doentes do coração que ali acorrem em busca de uma solução para os seus padecimentos. Mas, atenção, o mal tem de ser mesmo físico, das aortas ou de outras artérias. Outros males de coração, ali, não se atendem! Isso é mais do foro do Santo António.Podemos encontrar aqui uma interessante informação sobre o Convento onde hoje as ciências médicas e a arte se misturam em harmonia. Entre a mini-esplanada do bar e a entrada para o Museu Mc Bride está exposta uma peça com muito tempo e valor.
Os espaços dos claustros, refrescados por um jardim e "animados" por uma fonte são dignos de um passeio desconstrangido das aflições que normalmente pairam sobre os lugares onde também habita a doença.Atenção aos lindíssimos azulejos que não "falham" ao longo de todo o passeio pelo convento.
Com a construção de um novo hospital, esperemos que a Cultura faça alguma coisa por este importante património, agora entregue a outras causas.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Aqui está a notícia que me interessa!

Aqui está a notícia que eu vou escolher para ler, ler, ler, continuar a ler...
Podia fazer-se um telejornal inteirinho com esta notícia:Lobo Antunes recebeu Prémio Camões nos Jerónimos.
Cada vez que os senhores das TVs tivessem uma daquelas notícias do vizinho que matou a mulher, ou vice-versa, fazendo disso leitmotiv da vida nacional, deviam era amachucá-la e atirá-la para dentro do cesto do lixo e pegar neste acontecimento.
(Será que andamos todos a matar, por aí? Será que isso passa assim tantas vezes pelas cabeças das pessoas? Talvez não e até é melhor manterem-se esses pensamentos exilados nos confins, ou senfins, onde acontecem.)
Fale-se de um escritor a propósito de um livro, de uma obra, de um prémio! Fale-se deste escritor que, entre outros, está a construir património cultural! Que muda o rumo e os contornos aqui e ali, coisa que só ele pode fazer. Mais ninguém!
Ainda por cima, do nosso tempo! Que júbilo! Que regozijo!
E que a notícia, que vale a pena ser notícia, fazer telejornal, jornal, revista, tudo, dissolva "outros assuntos", que não trazem felicidade, nem orgulho, nem qualquer espécie de boa emoção.
Senhores Jornalistas, se quiserem prolongar o tempo da notícia, juntem-lhe o espaço, outro orgulho nosso. E, se mesmo assim acharem que ainda é pouco, peçam socorro às musas que inspiraram o poeta maior, ou às Pessoas que se juntaram no outro Pessoa que também nos enche os versos dos nossos mares.
Senhores Jornalistas, agarrem a boa notícia. Façam esse favor a todos os que procuram nos dias uma razão de continuar a não desconfiar do vizinho e do tio e do primo, porque algumas peças noticiosas servem apenas para criar o medo.
Nada mais inútil.
Se ainda tiverem tempo, dêem um passeio pelos Claustros, onde a notícia boa aconteceu!Tanto ruído no interior deste silêncio: são as vozes dos outros a falarem em mim, pessoas de quem gostei, pessoas que perdi, gente que tenho ainda António Lobo Antunes, Revista Visão

terça-feira, 22 de julho de 2008

...but I prefer chocolate!

Vou tentar escrever um post interessante. Sem ironias. O Professor Ramiro Marques publicou no seu blog Profavaliação umas dicas e eu vou tentar pôr em prática os ensinamentos. Até porque o sitemeter diz que os meus leitores diminuíram... snif snif. Fico logo com complexo de Calimero!
O problema é que a matéria-prima do post interessante não é por si mesma interessante. Trata-se mesmo de mais uma das medidas impulsivas do Ministério da Educação que chocam e magoam quem "anda na faina". Fora de todos os tempos. Uma medida saída do nada, que faz eco na Comunicação Social, jornais, televisão, como se de alguma solução para os problemas dos alunos daí adviesse.
De acordo com o documento, publicado em Diário da República, cada professor deve leccionar à mesma turma mais do que uma disciplina, assegurando o ensino das áreas associadas ao seu grupo de recrutamento como Matemática e Ciências da Natureza ou Português e História, por exemplo."
Senhoras e Senhoras, isto já se faz! Não por conta do decreto ontem publicado, mas por conta do bom senso da distribuição do serviço lectivo e em casos em que se considera ser proveitoso para o sucesso dos alunos.
Além das disciplinas associadas à sua área de formação, ao director de turma caberá ainda dar Formação Cívica e, se possível, uma outra área curricular não disciplinar, como o Estudo Acompanhado e a Área de Projecto.
No ano passado eu, Directora de Turma de um quinto ano, leccionava Inglês, "dava" Formação Cívica e Área de Projecto. (Tinha escrito "leccionava", mas senti falta de verdade na palavra. "dava" também não é a palavra exacta. Talvez tomasse conta das crianças e me propusesse a reflectir com eles sobre umas quantas coisas da vida!!!!)E não havia decreto!
Para que serve então um Decreto?
Em tempos que já lá vão, às equipas de elaboração de horários era dada formação para que objectivamente os horários dos alunos e dos professores assegurassem todas as condições preconizadas pelos especialistas em ensino/aprendizagem. Tais como: intervalos de refeição, distribuição de aulas mais teóricas e menos teóricas, aulas em que há esforço físico, etc.
Mas isso era dantes, quando uma hora na escola era de 50 minutos de aula e dez de intervalo. Quando havia cinco horas de Língua Portuguesa, quatro de Matemática, quatro de Inglês e havia tempo para programar e sonhar brincadeiras que ajudam a crescer e ensinam coisas que também é preciso saber para além do dois mais dois ou do abecedário...
Afinal a propalada autonomia das escolas é cada vez menos autónoma e cada vez mais possível de existir por decreto.
Não sei porquê, mas fiquei triste. Não devia ter pensado nestas coisas e muito menos devia tê-las escrito.
Mas está dito, está dito.
Parece fácil demais falar do bem-estar das crianças através de um decreto.
E o leite escolar no segundo ciclo? Que é dele? E os auxílios económicos? E as necessidades educativas especiais? E as turmas sobrelotadas? E as salas com calor ou frio insuportáveis? E as máquinas das gulodices a engolir moedas? E a falta de pessoal auxiliar?Desenho de um aluno. Ilustração da situação de uma peça de teatro:um aluno que não gosta da escola, mas adora chocolates. Não nos soa nada mal, pois não?

domingo, 20 de julho de 2008

Fim de semana! Uf, que trabalheira!


A trabalheira é a de procurar algo que valha a pena contemplar, durante uma viagem que mais parece uma ida ou um regresso do trabalho; numa estrada que mais parece a Segunda Circular em hora de ponta; para lá dos "stops" e outras luzes dos carros da frente e dos faróis do carro de trás, que se metem pelos olhos dentro; para lá de uns vidros sujos...
Para lá de tudo isto, aparece-nos um pôr-do-sol no retrovisor! O astro dito rei despede-se dos seus súbditos, enviando-lhes os tons majestosamente dourados, forrando a ouro o tecto do mundo!
A Lua gorducha e muito mais humilde aparecerá logo a seguir, para cumprir o seu horário de ama-seca das estrelas bebés!

Happy birthday to you and to you, too


To You, Mandela! Tu não és mais de uma raça, de uma idade. És o património da verdade de um mundo inteiro e representas todos os tempos. Obrigada, Mandela!
And to You, Marlene, cuja homenagem eu junto com prazer em jeito de prenda.
Viva o dia 18 de Julho!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Aqui mora a fantasia!


Eis alguns números com cinquenta e um anos de idade que revelam bem a visão de Walt Disney!
17 de Julho de 1955.
Disneyland abre as suas portas a 28154 visitantes. 90 milhões assistem pela televisão ABC.

Atracções:
Main Street, U.S.A.:

Bank of America,
Bekins Van Lines Locker Area,
Camera Center,
Carnation Ice Cream Parlor
City Hall
Emporium,
Fine Tobacco,
Fire Wagon [Hose and Chemical Wagon],
Gibson Greeting Cards,
Grandma's Baby Shop,
Horse-Drawn Streetcars,
Horse-Drawn Surreys,
Main Street Cinema,
Main Street Shooting Gallery,
Market House,
Penny Arcade,
Plaza Pavilion,
Red Wagon Inn,
Refreshment Corner,
Ruggles China and Glass House,
Santa Fe & Disneyland Railroad,
Story Book Shop,
Upjohn Pharmacy,
Wurlitzer Music Hall

Adventureland:
Adventureland Bazaar,
Jungle Cruise,
Plaza Pavilion

Frontierland:
Chicken Plantation Restaurant,
Davy Crockett Arcade,
Frontier Trading Post,
Golden Horseshoe Revue,
Mark Twain Riverboat,
Mule Pack,
Stage Coach

Fantasyland:
Canal Boats of the World,
King Arthur Carrousel,
Mad Tea Party,
Merlin's Magic Shop,
Mr. Toad's Wild Ride,
Peter Pan's Flight,
Sleeping Beauty Castle,
Snow White's Adventures

Tomorrowland:
Autopia,
Circarama, U.S.A. (playing "A Tour of the West")
Clock of the World,
Monsanto Hall of Chemistry,
Space Station X-1

Os Porquinhos celebram esta data com especial carinho, como devem calcular. A Fantasia foi sempre o pano de fundo da vida do meu pai, pois aí se reconhece a verdadeira existência de uma fonte de energia mais do que nuclear.Se, movidos a essa energia que se designa por "fantasia", os sonhos estão garantidos, o Futuro também
Viva Tomorrowland!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A noite

A noite é uma ausência nua
Tão pura, tão profunda, tão solene,
(...)
Vergílio Ferreira, Diário Inédito

Nem sempre a noite é ausência. Nem sempre a noite é nua. A paleta de luzes e sombras de que traja os pensamentos mais pobres fá-los parecer majestosos, tão luminosos que o seu brilho se perpetua em distâncias não mensuráveis pelo lado concreto das coisas.

domingo, 13 de julho de 2008

O que é que há de novo por aí?

A silly season continua a fazer jus ao epíteto!
O mal é que a classe política não vai a banhos, como soía, não deixa o país, pelo menos durante algumas semanas, em autogestão, o que seria mesmo muito melhor.
Liga-se a televisão e é sempre o mesmo. Chamam-lhe debate da nação. De que ano é este debate? Que nação é esta?
Deviam ter pelo menos mais respeitinho pela palavra nação. A Nação também é minha. E vejo-a tomada como se tratasse de património exclusivo dessa classe política.
Se calhar, eu não tenho nação. Querem lá ver que eu não tenho nação?
A minha nação não é a deles.
Tenho, sim! É evidente que tenho! A minha nação começa na minha casa, segue pela minha rua e, de um lado, vai dar à escola e aos barcos; do outro vai dar às rotundas que nunca mais acabam e depois é que decidimos se a nação segue para o norte, ou para o Sul.
Quando a nação segue para o norte, o que nos aparece em primeiro lugar é a cidade de Lisboa.
Mas antes há o rio, claro, bem coladinho à pele da cidade! Um rio abundante de águas que ora descansam em calmarias que contagiam, ora se revoltam em zangas com os ventos que as visitam.
Quando a nação segue para o sul, o Alentejo visita o nosso desejo de paz e convida-nos a entrar nessa mística de planuras com árvores raras de sombras pequenas. O resto é sol e solo ardente, que de vez em quando se eleva em alturas muito suaves.
A minha nação faz-se de paisagem e de homens bons com visto e passaporte que ateste a condição de gente!

terça-feira, 8 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Dizer o que tem de ser dito

Só há duas explicações para o programa de Português: ou esta gente é doida ou pretende humilhar os professores. Maria Filomena Mónica, crónica do Público, a propósito do nível de facilidade dos Exames de Português.Claro que eu queria ter a mesma capacidade de dizer estas coisas e a mesma possibilidade de ser levada a sério. Mas não, isso não acontece, porém eu regozijo-me de haver quem o faça.
Eu acho que esta gente não é doida, mas sinto na pele a humilhação de que fala a MFM. Está mesmo em curso um processo de humilhação permanente, do qual são sinais evidentes as sovas dos pais a alguns professores, as histórias dos telemóveis e outras.
Às vezes, nem é preciso sovar literalmente para humilhar, ou para tentar humilhar. Numa das últimas reuniões de Encarregados de Educação, um dos pais acusava o Conselho de Turma de ser ineficiente por ser essencialmente constituído por mulheres. Na sua opinião, faltava ali elemento masculino, mão de homem, para encenar a autoridade que não existia, na sua opinião, repito, como o Pai repetiu, por prevalecer o sexo feminino. O gosto de ensinar, o facto de a profissão configurar um ideal, não interessa nada. "Se tem uma pedra no sapato, anda com ela o tempo todo até fazer uma ferida ou livra-se da pedra?", metaforizava o senhor referindo-se a alunos muito difíceis. Tentei explicar-lhe que um aluno e uma pedra não são comparáveis. Pareceu-me, porém, que a sua capacidade de me entender e compreender estava sabotada por razões que eu não podia avaliar em duas horas de reunião. Era a primeira vez que tinha contacto com este Encarregado de Educação que deitava assim a perder todos os esforços feitos até aí, em conjunto com os outros professores/as e Pais/Mães, de recuperar o respeito perdido.
Valeu-me o meu padrão de consciência pessoal e profissional que não se deixa implodir com facilidade. Mas como nada na vida tem garantia eterna, não tenho tanta certeza quanto aos danos pessoais que, no futuro, certas humilhações possam causar.
É que esta que eu acabei de contar, não vinha de cima, directamente, mas o clima propicia e promete.Mas, até lá, ainda há-de correr muita água debaixo da ponte...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Resiliência


A resiliência é um termo oriundo da física. Trata-se da capacidade dos materiais de resistirem aos choques. Esse termo passou por um deslizamento em direcção às ciências humanas e hoje representa a capacidade de um ser humano de sobreviver a um trauma, a resistência do indivíduo face às adversidades, não somente guiada por uma resistência física, mas pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do stress, das contrições sociais, que influenciam negativamente para seu retorno à vida. Assim, um dos factores de resiliência é a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos. Professora Sandra Maia Farias Vasconcelos, Dr.
Não foi há muito tempo que comecei a ouvir falar de resiliência. Comecei a ouvir e a entender o seu significado e a ligar a palavra aos exemplos da História: Thomas More; aos exemplos da História do Nosso Tempo: Nelson Mandela. E agora o exemplo da História que as notícias de ontem nos deram conta:Ingrid Betancourt.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Tanto tempo depois

Um dos meus maiores martírios enquanto aluna foi a Geografia.
Para mim, todos os montes eram uma abstracção. Montes mesmo só os Libombos, triste paisagem da janela do frio dormitório do colégio da Namaacha.
Rios, só mesmo o que passa em Marracuene, carregadinho de hipopótamos a mascar ervas, com olhares alucinados.
À Serra da Arrábida, eu continuo a chamar Serra de Palmela. Quando se desenha cheia de beleza no horizonte cheio de tons de pôr-do-sol, quando venho do sul, sei que estou a chegar a casa.
Em contrapartida, compreendia o que me parece hoje ser a abstracção maior: a divisão do mundo em fatias, os fusos e fazia todos os problemas num instante. Diziam que eu era espertinha mas pouco esforçada, estigma que me ficou para a vida.
Há pouco mais de um ano, tanto tempo depois, dou de caras com o Rio Sabor, ele mesmo, ao vivo e a cores.
E agora persegue-me nas páginas dos jornais, em forma de dissabor, a relembrar-me o meu "chumbo" a Geografia, no quinto ano.

domingo, 29 de junho de 2008

O dia em que eu encontrei o "Inoque"

Este título tem uma nítida influência "agualusiana". Pelo menos, a mim, parece-me. Não faz mal. Ninguém me vai acusar de plágio e os envolvidos muito menos.
A primeira vez que eu encontrei o Inoque, foi num dos Manuais de Português, dos anos oitenta, altura em que eu era o que sonhava vir a ser para sempre: Professora de Português. Eu estava mais apaixonada pela Língua Portuguesa do que o próprio Pessoa. (Não te irrites, Poeta, esta frase é uma hipérbole!)A minha pátria da altura era sem qualquer margem de dúvida, a Língua Portuguesa.
Ontem, avisada que estava para uma reedição das obras de Virgílio Ferreira, num daqueles passeios de sábado ao fim do dia, na Fnac da Guia, não foi difícil encontrar os Contos. Apesar de estar às voltas com outras páginas, as novidades são sempre muito irresistíveis.
E por ali fui andando, página a página, encantada com as narrativas que "cantam" e contam sobretudo a simplicidade das gentes, simplicidade que corre o risco de morrer assassinada pelos costumes de hoje que não permitem que ela nasça, quanto mais que cresça, dê flores e frutos.
(Nas lojas de moda, as coisas simples, chamam-se "básicas", o que conota logo as ditas coisas simples com a noção de incompleto, imperfeito, pouco.)
E eis que chego à Palavra Mágica. E eis que dou de caras com o Inoque.
Inoque foi o que o Silvestre ouviu como insulto. Mas o que o outro contendor disse não foi inoque, foi inócuo. Contudo, de boca em boca, de rixa em rixa, como tão bem se narra naquelas linhas, a palavra assumiu todos as intenções insultuosas, das mais inocentes às mais nefandas.
Até que chegou ao juiz, que resolveu o imbróglio, para desgosto de todos que viram morrer tão ingloriamente a poderosa palavra que feria mais do que cem espadas.
O dia em que eu reencontrei o Inoque foi o dia a seguir a este pôr-do-sol, que deliciaria o Principezinho, como me deliciou a mim.Parece que o sol se aconchega com pressas de desejos à terra e ao rio, deixando o céu por conta das estrelas... Elas guardam as noites!
E, se me é possível o atrevimento, dedico este pôr-do-sol à minha terra distante que festejou, no dia 25 anos, 33 anos!
E ao irmão do Principezinho, pois nele são evidentes o traço do ideal, Nelson Mandela, que festejou ontem uma idade qualquer... Este é um dos raros seres humanos para quem o tempo só vale se for todo, inteiro, como ele mesmo! A Mandela, agradeço ainda o exemplo!

terça-feira, 24 de junho de 2008

A velha questão de Shakespeare

Hoje a Matemática sai no jornal, por maus motivos, por descontentamento daqueles a quem o assunto diz directamente respeito, daqueles que fazem contas à vida, não para hoje mas para muitos amanhãs: os alunos.
Há um sentimento generalizado de frustração, que talvez comece agora a notar-se mais do que até aqui, que se vai generalizando, tal como vai acontecendo com outros sectores.
Esperemos que seja dada atenção a este sinal, que não se subestime esta sociedade que há-de vir, marcada pelos erros de hoje, cometidos por nós, que os estamos a preparar para a vida.
Quando digo nós, também me incluo, claro! Posso não contribuir com uma certa negligência, mas de algum modo vou baixando o nível da minha exigência para acompanhar os tempos. E esta é a prova dos nove. Este é o caso sério, a versão verdadeira da anedota que circula nas nossas caixas do correio e que põe em evidência o facilitismo crescente, imposto por "cima", com taxas de sucesso obrigatórias, com fantasmas de avaliações negativas para os professores que não promoverem o sucesso das pautas.
(E o sucesso pessoal e educativo, quem é que promove Senhores Ministros?)
Mas, atenção, já não são os professores que vêm pôr em causa o ensino em Portugal. São os próprios alunos que se sentem enganados.
Será que não conseguimos arranjar um meio termo entre a competitividade doentia e o sucesso da preguiça e da esperteza saloia?
Há momentos de avaliação, há momentos do percurso e há alunos em que é absolutamente necessário atenuar os graus de dificuldade. Mas um exame nacional, crê-se que tem por objectivo aferir a média dos conhecimentos dos alunos alvo e, em conjunto com a nota de frequência, no caso do exame final do Ensino Secundário, estabelecer uma ordem para o acesso ao Ensino Superior.
E por que é que não se abrem as portas das Universidades a todos os alunos, independentemente deste exame? Era mais justo, parece-me!

domingo, 22 de junho de 2008

Eu vim de longe

Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar.
José Mário Branco

Foi o que eu senti hoje, quando abri o Tesouro da Ana,
E deixei também o que senti. Abri a minha bagagem. Descosi as cordas do tempo e, de repente, fiquei ali, eu perante mim, com décadas de distância a aproximarem-nos.
Assim:
Uma grande fatia da minha infância cor-de-rosa (às vezes toldada de outros tons menos inocentes!) está aqui. No parque infantil, guardado pela Dona Isaura, nos meninos e meninas com quem brinquei e com quem escorreguei nos enormes escorregas e nas trombas dos elefantes; na piscina pequena e na piscina grande onde não aprendi a nadar por causa do medo que as pranchas me faziam; na biblioteca onde aprendi a gostar da ideia de namorar e etc; do Posto Médico e do bondoso Dr Seiça Neto, amigo do meu pai que esteve várias vezes à minha cabeceira e até um dia me levou uma imagem de Nossa Senhora com o Menino.... São muitas memórias. Se calhar é por isso, por causa desse gesto, que ainda cá ando. Fui abençoada por essa bondade dos que antecipadamente se santificam praticando o bem, a tolerância, a generosidade e, como calha à profissão, curam sem alardes de fama e glória. Está no Céu, com certeza, com o meu pai e eu espero que hoje (tempo presente) eles me protejam!
Desculpa, Ana, o comentário ser tão longo!
Muitos beijinhos

VC treze anos

Vamos a ver

O rio está para a cidade, como o céu está para as gaivotas.
Era esta a mensagem dos fados e cantigas de antigamente, que o meu pai trauteava com paixão, paixão essa que se confundia com outras, com toda a certeza. Nomeadamente a paixão da sua juventude, dos seus anos verdes em que tudo lhe parecia fácil.
Cresci geograficamente longe deste rio, deste céu, destas gaivotas, mas a cidade de Lisboa entrou-me nas veias, no coração e no cérebro, antes, muito antes, do dia em que o meu avião da Tap, se aproximou do rio, passando rente, muito rente. Tão rente que julguei ver tudo ali naqueles segundos: a ponte, os cacilheiros, o cais das colunas, o Terreiro do Paço, as ruas do Ouro e a Augusta. O meu enlace com a cidade deu-se por procuração e não sei se me apaixonei por uma Lisboa real, se pela Lisboa dos fados. Aquela que "tem o Tejo aos seus pés, a morrer de amores por ela."
"Se uma gaivota viesse, trazer-me o céu de Lisboa..."
Lisboa merece! Lisboa é uma linda cidade! Lisboa é um dos meus orgulhos!
"A ver vamos", se se cumprem as promessas que gemem que nem fados nas vielas.
Lisboa, qual é afinal o teu fado?

sábado, 21 de junho de 2008

I'm practically perfect

I'm practically perfect in every respect.
I haven't a flaw you could ever detect.
As soon as you know me I'm sure you'll agree
there's no one around who's as perfect as me.

I'm handsome and rich, with a generous heart.
I'm funny, and charming, and totally smart.
At school, in my classes, I only get A's.
I'm also athletic in so many ways.

My clothes are expensive. My hair is just right.
My teeth are all straight, and they're shiny and white.
I'm practically perfect. I'm sure you could tell.
And, oh, did I mention? I'm humble as well.

Kenn Nesbitt

(Não é por nada, mas tenho a sensação que este rapaz deve ter ido para a política!!!
Tão perfeito e ainda por cima humilde, seria difíil alguém sugerir-lhe outro caminho. Deixa cá ver.... Se calhar até está no governo?! Mas não, estou a passar em revista outras bancadas, que não "centrais", que essas foram abaixo ontem, e... Está li alguém que também deve ter dado uma ajudazita na inspiração deste poema!)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hoje acordei...

...com complexo de Principezinho.
A conferir:
-uma enorme vontade de fazer desenhos de jibóias com elefantes na barriga;
-um desejo também grande de encontrar no meu deserto alguém que me entendesse e conseguisse decifrar os meus desenhos, em vez de rir, troçar e achar que era/sou um caso perdido;
-um estranho impulso de arranjar um animal de estimação, que não fosse necessariamente um cão ou gato. Pensei em ovelhas, claro! e em vacas, daquelas dos anúncios aos chocolates com manchas pretas, ou brancas, muito bem desenhadinhas no lombo;
-a constatação de que eu sou duas pessoas em uma e que a pessoa crescida que há em mim é muito aborrecida (para não dizer “chata”, como dizem os ....);
- uma ânsia de pôr-do-sol;
- a certeza de ser responsável por todos aqueles que ao longo da vida cativei, o que nem sempre sai bem;
- a intenção de aprender a olhar para as estrelas, descobrir e reconhecer aquela que olha para mim e agradecer-lhe por isso;
Para a mentira parecer verdade, como dizia o poeta Aleixo, tenho de aprender a varrer ervas daninhas que se podem vir a transformar em gigantescos embondeiros; tenho de saber cuidar de uma rosa; tenho de aprofundar o significado de algumas palavras como “efémero” e “cativar”, para melhor a explicar ao principezinho.
Não vá eu encontrá-lo por aí!Os desenhos já fiz. Só falta o resto!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

No, Minister...

Quando leio notícias destas, sinto uma enorme vontade de chorar. E isto é mesmo verdade: sinto imensa vontade de chorar, eu que nem sequer sou "muito dada" a choros, apesar do nome, ao abrigo de qual decreto-lei número tal barra qualquer coisa ano um nove cinco dois!!!
(Já me está a passar a vontade de chorar! Concentra-te, Madalena, no que estás a falar sobre!)
Primeiro é a história de "ver no terreno", como se o terreno se revelasse em meia dúzia de minutos. Para além disso, as condições do dito terreno são alteradas pela presença física do Sr Primeiro Ministro. (Está-me a dar a ideia de levar sempre um boneco do tamanho do nosso Primeiro, parecido com alguém que eu cá sei, para moderar alguns comportamentos.)
Vai uma aposta que nenhum menino vai atirar a mochila pelo ar, não vai tocar nenhum telemóvel, não vão andar à chapada dentro da aula, não vão dizer palavras "feias"?!
Outra coisa: vamos ser todos mais felizes com o cartão electrónico, não é verdade?
Os meus alunos do quinto ano já sabem trocar as cadernetas para iludir a vigilância do portão e sair quem não tem autorização. Agora imaginem o cartão. Vai ser "superhipermegafácil".
Qualquer dia chega a moda da impressão digital: põe o dedo e entra! Ou põe o dedo e sai. E dá mais trabalho roubar um dedo a alguém ou pedir emprestado um dedo para sair da escola no intervalo do almoço.
Lá vai o correio electrónico de cada um ser inundado com mails, com assuntos do género "Atenção: fraude...."
Mas vai ser tudo muito bonito, não vai Portuguesas e Portugueses?
Os kits tecnológicos vão erradicar a violência, a indisciplina, o insucesso?
No, Minister!montagem com fotografias do site da série "Yes, Minister".

sábado, 14 de junho de 2008

Chamava-se Ernesto.

Chama-se Che. Nasceu há oitenta anos.
O ideal matou-o. O ideal imortalizou-o. Há um Che Guevara dentro de todos os que sonham um mundo melhor.
"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera.", disse.
Manuel Alegre dedica-lhe uma obra poética inteira.

Talvez o Che tenha sido o primeiro a compreender
que não se pode mudar o mundo
sem mudar o ritmo da relação com ele.

Por isso quando lhe disseram que a mãe tinha morrido
(andava ele no Congo
naquele ano em que esteve em parte nenhuma)
pediu um mate sem açúcar
falou da infância
e depois afastou-se lentamente
para cantar sozinho os tangos argentinos
que eram por certo os ritmos do seu sangue.

Ele sabia que era preciso o inesperado. O efeito
surpresa. Ataque e fuga.
Por exemplo: quebrar a rotina. Despedir-se.
Desaparecer.
Criar um foco algures dentro de nós.
Partir de um centro para uma espécie de irradiação.

"Navegar é preciso..."

"Quando nasceu a geração a que pertenço, encontrou o mundo desprovido de apoios para quem tivesse cérebro e ao mesmo tempo coração. O trabalho destrutivo das gerações anteriores fizera que o mundo , para o qual nascemos, não tivesse segurança para nos dar na ordem religiosa, esteio para nos dar na ordem normal, tranquilidade para nos dar na ordem política. Nascemos já em plena angústia metafísica, em plena angústia moral, em pleno desassossego político."
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Autobiografia- Diário, Edições Alma Azul
Bem-vindo à Internet, Fernando Álvaro Alberto Bernardo Campos Caeiro Soares Eu Tu Ele Nós Vós Eles Pessoa!
Gostava de te perguntar por que é que "viver não é preciso"?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O Grande Entrevistado

Tenho a certeza que não fui a única a sentir-me esmagada pela coragem do Salvador Vaz da Silva, até hoje desconhecido para mim.
É uma lição de coragem e de esperança. É a prova de que é possível falar de esperança e de coragem, mesmo depois de se ter passado "além da dor". É mais um testemunho de que a qualidade humana dos seres que sofrem de esta ou outra doença não tem de ficar comprometida. Pelo contrário, pode até melhorar.
É também sinal de grande coragem abrir a intimidade dos seus dias difíceis. Ele sabe sem dúvida que valeu e vale a pena! Afinal é de muitos mais frágeis e debilitados que se recebe esta espécie de transfusão que revigora o pensamento e regenera a vontade!
Obrigada, Salvador!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

a viagem

Hoje, num determinado serviço público, alguém me dizia que não há revoluções sem derramamento de sangue. O que é, para mim e para muitos, um motivo de orgulho, é, pareceu-me, para outros, uma falha técnica. Não há pois luta que se preze sem sangue, de acordo com esta opinião que me magoou, devo confessar.
Como não podemos separar o povo que somos em dois ou mais, há que aceitar!
Eu também tive um sonho: que os rapazes da bola se dirigissem aos governantes e lhes pedissem para envidarem todos os esforços na solução de um problema que cada dia se torna mais difícil de resolver, sem sangue e sem lágrimas.
Por razões relacionadas com o momento que vivemos, não fui de carro para Lisboa. Levei o radiozinho de orelha para ouvir notícias relacionadas com a aflição do momento. Qual quê? Nada!
Futebol. Futebol. Futebol.
Fui de barco e, claro, vim de barco. De repente, começo a ouvir "é golo!" e a expressão alastrou-se, "cresceu" e quase todo o barco se levantou e gritou GOOOOOOOOOOOOOlO! Senti-me traidora dos ideais pátrios, mas não gritei gooooolo.
No entanto, fiquei feliz com felicidade dos meus companheiros de viagem!
Quase logo a seguir, o meu telemóvel tocou. Olhei desconfiadamente para o visor. Será alguém a querer comemorar comigo o golo? Pouco provável.
Mas era mesmo para comemorar! Era uma notícia feliz: "Madalena, o meu neto nasceu quando o Ronaldo meteu o golo!!!!!", gritava radiante a minha amiga Benvinda, do lado de lá de não-sei-quê-que-não-são-fios.
Aí eu gritei GOLO, mas foi baixinho. Mas apetecia-me gritar alto, como os outros.
Entretanto chegámos. Nesta curta travessia, Portugal consolidou a vitória e o mundo ganhou mais um ser. "Benvindo" sejas Tiago!!!! Bem-vindo sejas Tiago!!!!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Pirilampos

Haver uma nova espécie de pirilampos em Portugal até pode ser uma notícia interessante. Mas, cuidado, os pirilampos alimentam-se de caracóis e de lesmas. Se estes comerem só as lesmas, tudo bem, mas os caracóis...
Eu cá por mim, o Pirilampo que eu prefiro é mesmo o Pirilampo Mágico.O Pirilampo e a Pirilampa vestidos a rigor para o Dia de Camões. Só falta mesmo o cachecol! Ah! Não? isso é amanhã, pois....

domingo, 8 de junho de 2008

O dia em que nasceu Yourcenar

“Não me queixo de que as coisas, os seres, os corações sejam perecíveis, porquanto parte da sua beleza é feita desse infortúnio. O que me aflige é que sejam únicos.” In “A salvação de Wang Fô e outros contos orientais”, de Marguerite Yourcenar.
São palavras do Príncipe Genghi, reflectindo sobre o valor da vida, num eremitério, para onde se exilou, voluntariamente, para aí viver os últimos anos de vida.
Marguerite Antoinette Jeanne Marie Ghislane nasceu a 8 de Junho de 1903, em Bruxelas, e a mãe, Fernande Cartier de Marchienne, belga, morreu dez dias depois. O bebé, aparentemente igual a muitos outros bebés, ficou entregue aos cuidados do pai: francês, com mais de cinquenta anos, presente e condescendente, abastado, boémio, Michel Cleenwerck de Crayencour. (Yourcenar é um anagrama do seu último nome.)
Em criança aprendeu a lidar com a solidão, educando assim uma força interior e uma coragem quase inabaláveis. Tinha oitenta e três anos quando escreveu pela primeira vez a palavra "choro", aquando da morte de Jerry Wilson, quarenta anos mais novo e seu companheiro de então.
A sua vida não se regulou pelos paradigmas sociais, mas a qualidade literária da sua escrita valeu-lhe a honra do reconhecimento pela Academia Francesa. Pode ler-se aqui o seu discurso na Sessão Pública que se realizou a 22 de Janeiro de 1981.

Parabéns, Pitucha!

Querida Pitucha, vê tu o tempo que eu levei para fazer esta distância, Montijo- Bruxelas.
Tanto trânsito! Vi logo que era uma multidão de admiradores que não queriam deixar de te cantar os parabéns e de desejar as maiores felicidades!
Para a querida sobrinha, uma salva de palmas!
Os parabéns estão atrasados mas os desejos de felicidades estão muito actualizados!!!! Muitas flores para ti!

sábado, 7 de junho de 2008

Efeito L.A.

"Chovem-me lembranças antigas."
E a chuva começa sempre no mesmo sítio, uma espécie de paraíso à moda antiga, onde não há máquinas de rega, nem máquinas nenhumas, nem de lavar ou passar a ferro a roupa de uma família numerosa. E a chuva cai sempre em espaços que não têm fim, sobretudo na minha memória deles.
A chuva rejuvenesce as imagens dos meus e enquanto chovem os dias passados, eles recuperam o andar e a voz clara que o tempo leva. Ouço-lhes os risos.
Enquanto chove, o cheiro das batatas fritas em azeite torna-se real. A chuva lava as cores das alfaces do quintal e os grandes limões amarelos, temperados com sal grosso, sabem ao mais opíparo manjar divino.
Chovem-me as noites frias da Namaacha e a água gelada dos lavatórios...

"Dêem-nos um pouco mais..."

"Numa cidade em que a maior parte da margem continua interdita ao peão, cada nova aproximação ao rio é uma festa. Dêem-nos um pouco mais de Tejo, com porto e tudo. Deixem-nos circular a pé até à margem, ao longo dela ou até, de barco, pelo rio. Entendam-se as entidades, abram-se os percursos, deixem-nos passear pelo porto, não criem mais barreiras físicas e visuais para chegarmos ao rio." Helena Roseta, 21 de Maio de 2008, Público.Direi ainda: num país em que o futebol domina a atenção de todos, dêem-nos um pouco mais do resto que não é futebol.
Dêem-nos um pouco menos de futebol!
Conversemo-nos", por exemplo!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O dia mais longo

"Normandy is marked by the landings. It is inscribed in people's hearts, in memories, in stone, in rebuilding, in memorial plaques, in street names, everywhere." the Rev. Rene-Denis Lemaigre, priest of Lisieux.
Fica para sempre inscrito também na memória de quem visita a Normandia.

Decididamente,

cada vez percebo menos de política.
Juntaram-se três homens da política, da televisão, da rádio, dos jornais, de todos os lados, pois não há em Portugal quem não queira saber como pensam as cabeças deles, juntaram-se, dizia, e bateram "forte e feio" em Manuel Alegre.
O Pacheco Pereira diz que a festa de terça à noite foi uma manifestação contra o governo PS. (Haja alguém, Doutor Pacheco Pereira, que possa manifestar-se contra estas políticas que nos governam, ser temer ser despedido, afastado, processado...)
Lopo Xavier diz que Manuel Alegre não concretiza alternativas. Diz palavras muito bonitas, mas não concretiza, não diz o que se deve fazer em vez de. Pegar na pobreza e mostrá-la a quem não a quer ver não me parece nada abstracto, Dr Xavier!
António Costa, elegante e educado, apresentou a teoria: a natureza do poeta é ser do contra, é dizer não. O PS é todo muito feliz, em termos colectivos, quando está na oposição.
E calam-se as consciências quando um partido sobe ao poder?
Pois é....Isso até acontece a todos!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma coisa de "pessoas"...

Diz Manuel Alegre a propósito da celebração desta noite no Teatro da Trindade.
Está lançada ao mar a semente da poesia!

Quinto Poema do Pescador

Eu não sei de oração senão perguntas
ou silêncios ou gestos ou ficar
de noite frente ao mar não de mãos juntas
mas a pescar.

Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber se Deus
é sim ou não.

Manuel Alegre, Senhora das Tempestades, Lisboa, 9.12.96

domingo, 1 de junho de 2008

... ao jeito de antigamente...

Antigamente, ligava-se mais a alguns aspectos do calendário. O próprio clima era mais respeitador dos hábitos e costumes das pessoas.
Um dos pontos altos do calendário era sem dúvida a abertura da praia. Abria a praia e pronto! Estava aberta para o bom e para o mau e mesmo que alguém tivesse de levar casacos e abafos nos primeiros dias, a felicidade era estar na praia. Havia de chegar o sol! Haviam de se banhar nas ondas os fervorosos banhistas que incluíam a praia nas suas vidas porque fazia bem aos grandes e sobretudo aos pequenos. Não havia cá essa coisa o bronze. O bronze era um efeito secundário. O que valia mesmo era o prazer dos banhos, para uns, dos castelos de areia para outros. O que valia mesmo era viver o verão!
Viva o sol! Viva o mar!
Hoje fui espreitar a praia. Não vi ninguém entusiasmado. Fiquei também um bocadinho triste.
Um dia, daqui a alguns anos, neste mesmo dia primeiro de Junho, hei-de ir com os meus netos à praia e hei-de ensiná-los a gostar do mar e da areia e das ondas e de andar na areia molhada...
É que há coisas que nunca esquecem e outras que nunca mudam e o mar é desses!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Imaginação- Precisa-se

Preciso mesmo de muita imaginação para entender a ligação entre o Tony Carreira e a Selecção! Eu pensava que eram artistas separados, mas, pelo que tenho visto, ouvido e lido, anda tudo ligado.
Aceito explicações!
Foto- Ferragudo, passado não muito distante. Pelo estado avançado de abandono, tudo leva a crer que esta carrinha já serviu outras imaginações, outras selecções, outros campeonatos!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

(...)

O Ministro Lino disse em alto e bom som, para quem o quis ouvir. E eu quis. E eu ouvi.
«O PS e o governo não estão a dormir, à espera que Mário Soares faça um aviso».
Recordo, a propósito da pobreza que devia afligir e envergonhar os nossos governantes, um Conto Exemplar de Sophia de Mello Breyner, "O Retrato de Mónica".
Mónica é uma mulher com muito sucesso. Sucesso social, entenda-se. Para esse sucesso, Mónica teve de renunciar à poesia, ao amor e à santidade. É a versão feminina de Fausto de Goethe.
Para citar o mais importante do conto, seria preciso transcrever o texto todo. Mas para se perceber o que Mónica representa, bastam duas frases:
"Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome."

terça-feira, 27 de maio de 2008

Out of Africa, Pollack, inesquecível

If I know a song of Africa, of the giraffe and the African new moon lying on her back, of the plows in the fields and the sweaty faces of the coffee pickers, does Africa know a song of me? Karen Blixen

segunda-feira, 26 de maio de 2008

"feridinhas de caracacá"

Quando leio o L.A. na Visão, fico a remoer essas tais "feridinhas de caracacá", como ele chama às memórias esfoladas que traz da infância.
Não fico a remoer as dele, mas as minhas, claro! Como todas as dores, as de caracacá também só doem ao próprio.
A feridinha mais de caracacá que me vem à lembrança sempre, e sempre enquadrada na memória do tal paraíso perdido que era o quintal da casa da minha avó, é o rabo de cavalo que as minhas primas usavam e eu não, que se agitava em movimentos melodiosos quando corriam, para a esquerda e para a direita, ou quando saltavam, para cima e para baixo, chegando a ousar misturar-se com as franjas e com as pestanas, em verdadeira orgia.
Passada a fase dos odiados laçarotes, os meus cabelos eram sempre higienicamente cortados, quase à rapaz, não fosse algum tímido piolho fazer o ninho numa madeixa mais atrevidamente compridita.
E assim fiquei eu com a infância estragada pelos cabelos!É que nem em dias de festa me deixavam os cabelos à vontade: eram enfiados em mini-barretes cheios de brilhos e brilhinhos...
Era uma das razões por que eu queria muito crescer e ser dona da minha vontade e dos meus cabelos!!!!

sábado, 24 de maio de 2008

"May you grow up to be true! "

1941, 24 de Maio. Nasce Bob Dylan, aliás Robert Zimmerman.
Um símbolo da minha geração, somando música e ideal numa toada de intervenção inesquecível.
Inventou o vento trazendo respostas. (The answer my friend is blowing in the wind!)
Inventou escadas para subir às estrelas.(May you build a ladder to the stars.)
Cantou um mundo melhor!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Estudos superiores

Ontem fui tomar café com o Miguel.
O Miguel é um sobrinho de coração que faz amanhã onze meses. É que eu preciso imenso de lições de vida com conteúdos como: alegria, futuro, esperança, cores, muitas cores, risos, gargalhadas, palavras novas, felicidade em estado puro, etc.
Tivemos tudo isso nesta primeira lição.
O Miguel recebeu-me informalmente, como se recebem os amigos, sentado no tapete no meio de uma sala cheia de luz. Disse "dá-dá" o que eu interpretei como sendo uma expressão de boas vindas. Abriu o seu sorriso maravilhoso e olhou para mim, como que a convidar-me a sentar-me ao pé dele.
Assim fiz. Há tanto tempo que não me sentava no chão, sem ser por recurso, por falta de cadeiras cá em casa!
O Miguel estava muito ocupado com dois brinquedos muito coloridos. Pôs a tocar as teclas de um telefone bem mais giro do que aqueles que há cá em casa. Este até imitava o som dos animais.
Conversámos perto de uma hora os dois sobre as coisas verdadeiramente importantes da vida: os primeiros passos, por exemplo. Ele confidenciou-me que está a pensar começar a andar sozinho daqui a um mês. Projecto sério! Eu limitei-me a dizer-lhe que continuasse a andar de gatas mais uns tempinhos, pois, assim que o apanharem a andar começam logo a exigir-lhe novo desempenho de outras competências. É que os grande são uns chatos de uns exigentes, lembrei-lhe eu. Ele concordou com um sorriso doce e uns olhos muito meigos.
O João Pestana andava por perto e o Miguel teve de dar por terminada a lição.
Obrigada, Miguel, por me teres ensinado a sentar-me no chão e a brincar.
Um dia destes eu volto, para me ensinares mais palavras, mais maneiras de rir, mais razões para acreditar que o futuro passa por nós mais do que uma vez na vida.

terça-feira, 20 de maio de 2008

They say...

"In three words I can sum up everything I've learned about life. It goes on.” Robert Frost
It, one. Goes, two. On, three.
It's right!

domingo, 18 de maio de 2008

Ciao, Zélia!

Para a vida ter sentido, temos de "fazer por isso".
O nosso medo da morte prende-se com o medo do esquecimento, do desaparecimento nas profundas águas do Rio Letes. Camões falou disso e tu, Zélia, falaste disso também, valorizando a dimensão dos valores humanos, da simples bondade, mais do que a dimensão das grandes obras, as tais "valerosas" que nos "vão da lei da morte libertando."
"Aos oitenta e três anos, dona de imensa experiência de vida, de alegrias e tristezas, sucessos e decepções, chego a uma conclusão: só morrem, desaparecem de vez, as pessoas que não foram amadas, pessoas que, por terem sido más, não deixaram saudades na terra, não são lembradas. Dessas, mesmo em vida, esqueço os seus nomes."
Foi o que tu escreveste em Conclusão, na tua autobiografia "Città di Roma",nome do navio que trouxe os Gattai de Génova. Porque eu acredito nesta verdade, tomo-a para mim e proclamo-a também, pedindo-te emprestadas as tuas palavras.
E aproveito também para corrigir a notícia do jornais: A Zélia não morreu, porque os seus netos amados (até de nome eles são Amados!) sabem que a avó teve de comparecer ao encontro com "Seu Jorge", Seu de Senhor e Seu possessivo, Amado de apelido e de verdade.
Ciao, Zélia!
Goza bem a eternidade que mereces!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Hoje também é festa


Hoje a festa é da Chuinguita!
O que tu mereces mesmo é uma longa-metragem, mas o meu dia voou (sem fumo, lol!) e o tempo só deu para esta curta-metragem.
Enorme é mesmo o meu desejo de celebrar a vida como tu a vives e como tu a ensinas.
Hoje li uma frase que me fez lembrar, uma vez mais, a tua generosidade.
"If you want to be happy for an hour, watch TV. If you want to be happy for a day, go to an amusement park. If you want to be happy for a lifetime, help someone."
Parabéns!!!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Não sei sobre o que hei-de escrever...

Tudo cansa! Cansa a graça e a desgraça.
(Já ninguém consegue ter graça a brincar com a maneira como vamos sendo governados. Ou desgovernados, para melhor dizer!)
Cansa o lamento.
Cansa o aumento
do leite, do arroz, da gasolina...
(Eles "esmifram-se", "esgatanham-se" mas não se "desenrascam" a dar uma explicação de jeito!)
"Dói-me o peito", diz o José Fanha, num poema corrido de outras eras:
Dr.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito do caminho
de ida e volta
do meu quarto
à oficina
sem parar
sempre a andar
dói-me o peito
destes anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos

E eu diria: também eu! Ou a mim também!
Que é o que se ouve mais quando se solta o mote do poema maior da dor menor.
(Porque há outras dores que não saltam para a primeira página do jornal, nem para os primeiros minutos dos notíciários.
Não são ridículas, como as cartas de amor.
Mas como as cartas de amor, também,
quem as não tem?)
E o caso triste do ministro a fumar no avião?
São produtos de marketing que nos governam, não é verdade?
Bons hábitos, boa forma física, bom aspecto...
Continuando com o poema de Fanha:
Dr.
Já estou farto
de não ser
mais do que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como mosto pisado
como um pássaro insultado
de não mais poder voar.

E pronto! Cansa o desabafo, mas alivia o peito!
Vamos voar!
Todos na mesma direcção.
E para a pieguice ser completa, vamos seguir os passos da Maria do Olhos Grandes e do Zé Pimpão.
Vamos para o tal lugar onde:
"Se não há jardins para todos
vou dividir os canteiros
se os canteiros não chegarem
uma flor para cada um
e se as flores forem poucas
há pétalas
enfim há cheiro
mas todos terão igual."
(de Canuto Jorge Glória)
Cansa a graça e a desgraça?
Há uma Graça que não cansa: a de Lisboa!!!!

domingo, 11 de maio de 2008

Festa é Festa

O "Chora" faz quatro anos.
Todas as frases, feitas ou não, são permitidas. Não há fórmulas nem formas melhores do que outras para festejar ou parabenizar. Quatro anos de tempo de vida virtual é, certamente, mais do que uma idade adulta. É uma idade avançada.
Felizmente, (ou não?!), neste modelo de admirável mundo novo, a idade avançada não tem os reumáticos nem as mazelas de uma real idade avançada. Tem outros, não menos patéticos, quem sabe?
Há dias em que o "Chora" tem de recorrer a uma bengala para percorrer algum caminho com a dignidade que aprendeu com que o seu padroeiro, o Pai dos Porquinhos.
Tem dias em que o Chora chora, porque a vida faz chorar. Tem dias em que o Chora ri, porque a vida também faz rir. Às vezes, para não chorar, diz-se.
Seja como for, ou melhor, tenha sido como tem sido (???), o Chora chegou até aqui e, como acontece na vida real, é preciso celebrar.
E, para "selar" esta data, todos os que aqui passarem levem, por favor, a gratidão pela companhia que fizeram aos porquinhos, ao longo destes quatro anos.
O Selo da Amizade passeia-se pela Blogo-esfera e já chegou até mim, com a indicação de o atribuir a cinco outros donos de blogs. Os Porquinhos trangrediram e alegam o aniversário, em defesa dessa transgressão. Todos têm direito ao Selo da Amizade que, para mim, veio daqui.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Recado

"-Ó rapaz, acaba-me lá com essa ladainha do possível! Fala-me do impossível. Do impossível triunfo do teu clube. Da impossível moderação alcoólica do teu pai, da impossível atenção oficial às legítimas aspirações desta tua cidade natal. Vê se olhas de uma vez para sempre sem muros à volta da imaginação." Miguel Torga, Diário XVI.
Desta vez o Torga amargo deixou-se ultrapassar pelo Torga doce. Se não for para ajudar a construir uma outra realidade mais compatível com a nosso legítimo desejo e não menos legítimo sonho, então, perguntamo-nos, para que serve a imaginação?
Mas o impossível de cada um é sempre tão íntimo que não é possível escancará-lo em praça pública. Fiquemo-nos pelo possível triunfo do clube que é a manifestação possível dos impossíveis de muitos milhares.
O meu impossível revelável é uma escola onde não se aprenda nem se ensine por decreto! É um grande muro que vai abaixo!A minha inépcia nas artes fotográficas não me deixou cumprir o meu objectivo. Ficámos pelo objectivo da objectiva. O "muro" dizia assim: Abaixo os muros. Viva o céu!
Nem o bolor do tempo nem o do "mau tempo" apagarão este incitamento!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Where have all the blue skies of May gone?


Where have the warm winds of Spring gone? It seems to me that this May isn't a true May!
Pete Seeger, o autor desta emblemática canção dos "loucos" sixties, tem agora 89 anos. Não sei porquê, mas a nostalgia do antigo calor de Maio trouxe-me à tona das lembranças a frase "Where have all the flowers gone" que se pode parafrasear a propósito de quase tudo.

sábado, 3 de maio de 2008

Explicar Abril, mesmo em Maio

Querido filho, Perguntas-me o que foi o Maio de 68. Desta vez, confesso, apanhaste-me de surpresa. Não é de repente que se fala dele.
Vale a pena ler e vale a pena seguir o exemplo e explicar Abril aos nossos filhos. Com o passar do tempo, o ideal dilui-se nas lamas dos dias preenchidos de outras preocupações... É preciso recuperá-lo! Para activar a memória, basta desamarrotar umas quaisquer palavas de ordem que, por muito ridículas que pareçam, é como as cartas de amor de Pessoa: só é ridículo quem nunca acreditou num mundo melhor, mais justo, mais fraterno, mais solidário!
Espero deixar, pelo menos, essa memória de Abril, aos meus filhos!
E aos meus netos, ousa o meu desejo acreditar...
Ou talvez uns versos de uma canção de Abril produzam o mesmo efeito:
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.
Uma gaivota voava, voava...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O milésimo quingentésimo post...

...vai abrir em flor!E vai ser feito de flores!Só flores!Apenas flores!Daquelas flores... ...que merecem e valem a honra simbólica desta celebração redondinha!Orquídea final parágrafo!

É Maio!


Dont ask me why, but time has passed us by...


Os Bee Gees deixaram-nos este Hino à Infância!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Fins de Abril

Vejam só: um dos meus porquinhos traz um cravo para que Abril não se apague ao mudar a folha do calendário!

domingo, 27 de abril de 2008

A corrente

A Theo desafiou-me para esta corrente. Como ela também diz de quem a desafiou, não aceitar seria uma tremenda falta de educação, de respeito e de amizade. A ética que, de algum modo, se foi instalando no relacionamento entre os blogs requer ser cultivada e este tipo de actividades inter-blogs reforça e explicita certas regras dessa ética.
Eis pois o desafio: seis "coisas" que não me "importam". Era mais fácil as coisas que me importam, mas vá lá...
Em primeiro lugar, não me importo que se refiram constantemente à minha condição de mãe-galinha como defeito, mesmo que acrescentem que eu sou a mais chata do planeta.
Em segundo lugar e já agora, para ser verdadeira, a minha condição de mulher ciumenta também não me incomoda que seja comentada, nas minhas costas ou não. Essa condição assim clarificada até impõe algum respeito... lol
Aliás e, em jeito de terceiro lugar, não me incomoda nada que aqueles de quem eu não gosto propalem os meus defeitos e me considerem "horrorosa"...
Em quarto lugar: a minha desarrumação e a minha desorganização. (Versus as dos outros, claro! Essa incomoda-me imenso!)
Em quinto lugar: o conhecimento geral dos meus todos cabelos brancos, desde que haja tintas no mercado para os continuar a pintar.
Em último lugar: não me importo nada com o futebol, com os clubes, com as virtudes e defeitos de todos os que pertencem a esse mundo, com os resultados, os golos, etc, embora viva numa jaula!!!
E, como diz a Theo, o mesmo desafio vai para: a Ana, a Teresa, a Isabel, o Bruno, o João e o Alexandre.
Bom domingo!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Efeito L.A. para aniversariar...

Aguenta-te!
É bem "nosso", masculinamente falando, apelar à coragem, em caso de qualquer dor, mas principalmente da dor misturada da doença. "Aguenta-te" é coisa de homem para homem. As mulheres têm outras fórmulas, tais como: tens de ser forte, por exemplo!Como se a força não fosse já uma realidade.... Eu, por mim, prefiro o "aguenta-te" e, depois de ler a habitual crónica da Visão, ainda "prefiro" mais!
O Escritor evoca os avós como eu também faço. (Que vaidade, ou melhor, que pretensão,ser parecida com o Escritor!!!!) Não sei se é só orgulho. Será talvez também um arrependimento de não lhes ter dado atenção, mais atenção, não lhes ter feito mais companhia no fim das vidas. O verde dos olhos da minha avó dá-me o perdão todas as manhãs e todas as noites. Dá-me o perdão e dá-me a bênção. Eu sei. Eu sinto. O retrato do meu avô é mais silencioso. Talvez tenha alguém a dizer-lhe também: aguenta-te!
O avô do L.A. não "se aguentava" com as trovoadas e punha-se deslumbrado à janela a olhar os relâmpagos a estilhaçarem os céus. O meu avô era a bola que não lhe permitia aguentar-se. Olhava para a telefonia como quem está a ver o jogo. Não desviava os olhos do aparelho de rádio como se ouvisse o relato com os olhos. E, muitas vezes , só para assistirmos ao espectáculo da emoção à solta, falávamos com ele e ele zangava-se. Levantava um pouco os braços, cerrava as mãos e estremecia ligeiramente, pedindo que o deixássemos em paz, para seguir o jogo. Era o rubro da sua indignação! Era o ponto mais alto da sua violência. Nem um bebé de colo consegue atingir tanta brandura, no auge da contrariedade!
Nem sei a que propósito vem isto tudo, para além de ter sido ontem a data do aniversário deste meu avô Gouveia, um monárquico perseguido e castigado que me deixou em herança um nariz de respeito e o gosto pela "Cidade e as Serras".