«Em todo o país reabriram hoje os liceus e escolas técnicas. Voltam a animar-se as salas de aula e os corredores que se quedavam desertos e tristemente silenciosos, durante os meses de férias grandes […] Hoje, porém, não haverá aulas. Espreitaram-se as salas - aqui é a minha turma - e passeou-se nos corredores. […] Em Lisboa, na maioria dos liceus, houve sessões solenes a assinalar a inauguração do ano lectivo, presididas pelos respectivos reitores. […] Quanto às escolas primárias e superiores […] os seus alunos ainda têm uns dias de liberdade. As primeiras reabrem no dia 7 e as segundas lá para meados do corrente mês.»
In Diário Popular de 01-10-1952.
Fonte- Leme
Cinquenta e seis anos depois, regressa o desânimo de haver ainda escolas sem cadeiras e sem carteiras:
Escola de Música do Conservatório Nacional está a ensinar música em regime integrado, como prevê a reforma em curso no ensino artístico, mas a falta de dinheiro faz com que estes alunos assistam às aulas sentados no chão.
"O ano lectivo está para já a decorrer sem carteiras e sem cadeiras, com os meninos sentados literalmente no chão", disse à Agência Lusa a professora Ana Mafalda, vice-presidente da Escola de Música do Conservatório de Lisboa.
Fonte- Jornal Público de 01-10-2008
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
(...)
E lá nasceu o mês de Outubro!A luz ainda promete algum calor daqueles que, como qualquer bem, quando rareia sabe muito melhor, dá mais prazer. O calor de Outubro não queima. O calor de Outubro aquece. O calor de Outubro conforta e aconchega. O calor de Outubro recorda-nos um calor que já foi e um calor que há-de vir.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
O Banco
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Coisas das coisas

Eu só conheço uma Esperança. A Boa, precisamente! Mas para tanto sublinharem a particularidade desta ser Boa é porque há outras que não o são.
A Boa Esperança leva-nos ao mar. Nos, nós: os pescadores, os marinheiros, todos os que estão dispostos a vencer a dificuldade por monstruosa que possa parecer. A mim, os Lusíadas, eles mesmos uns versos adamastores, ensinaram-me a pensar e a duvidar das primeiras impressões. É que, à primeira vista, o guardião do Cabo, onde hei-de ir antes de morrer, de acordo com a elaboração recente da minha Bucket List, o guardião dos mares revoltos e perigosos era um mostrengo. E, "na volta" ele era um castigado, um condenado à dor da saudade e do amor por pertencer.
A Boa Esperança faz-nos falta, nos dias que correm para enfrentar as tormentas que os telejornais anunciam a toda a hora!
domingo, 28 de setembro de 2008
Someone up there likes me
"You know, I've been lucky. Somebody up there likes me." Rocky Graziano
Paul Newman morreu e tudo o que há a dizer sobre a perda para a Humanidade tem sido dito. Mas, para além da tristeza universal, há mais. Há o luto de uma geração e há a tristeza de todos os que se "embrenharam" com os olhos mais azuis do cinema, mesmo quando as fitas eram a preto e branco, como é o caso da biografia de um pugilista que ensina que uns bons socos na adversidade podem mudar o rumo de uma vida. Penso que essa geração acreditava muito mais nas capacidades humanas e pessoais de construir um futuro diferente e, por muito romântica ou ultrapassada que possa parecer esta ideia, essa atitude podia dar resultados. Esta convicção chegou até aos tempos de hoje e, embora seja transmitida modernamente de modo diferente, a base da convicção é a mesma. E foi a geração de Paul Newman que nos ensinou a dar voz e corpo e alma às causas, usando a pele de estrelas para chegar mais longe, mais fundo ao coração do mundo.
Felizmente a memória das estrelas não se apaga.
Like you Paul Rocky Newman Graziano I could also say that I'm lucky for someone up there likes me!
Imagem daqui
Paul Newman morreu e tudo o que há a dizer sobre a perda para a Humanidade tem sido dito. Mas, para além da tristeza universal, há mais. Há o luto de uma geração e há a tristeza de todos os que se "embrenharam" com os olhos mais azuis do cinema, mesmo quando as fitas eram a preto e branco, como é o caso da biografia de um pugilista que ensina que uns bons socos na adversidade podem mudar o rumo de uma vida. Penso que essa geração acreditava muito mais nas capacidades humanas e pessoais de construir um futuro diferente e, por muito romântica ou ultrapassada que possa parecer esta ideia, essa atitude podia dar resultados. Esta convicção chegou até aos tempos de hoje e, embora seja transmitida modernamente de modo diferente, a base da convicção é a mesma. E foi a geração de Paul Newman que nos ensinou a dar voz e corpo e alma às causas, usando a pele de estrelas para chegar mais longe, mais fundo ao coração do mundo.Felizmente a memória das estrelas não se apaga.
Like you Paul Rocky Newman Graziano I could also say that I'm lucky for someone up there likes me!
Imagem daqui
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Paga e não....
Todos os momentos, todas as horas podem ter uma magia associada, mas a meia-noite deve ser aquela que mais carrega esse simbolismo. À meia noite muda o dia, a hora, o ano. O século e o milénio... mas isso já é mais raro.
Foi à meia noite que o encanto que transformou a Gata Borralheira se quebrou. O seu vestido voltou a ser o do borralho, os seus ratos deixaram de ser cavalos e até a carruagem se retransformou na abóbora que talvez tenha acabado na sopa da avó.
Ontem e anteontem só ouvimos falar do Magalhães! Ele foi magalhães em Matosinhos e no resto do país. E à borla! O Magalhães entrou nas escolas pela porta grande e pela mão do Primeiro Ministro. O Primeiro Ministro estava generoso e pródigo naquele sorriso rasgado que tão bem lhe fica, embora não chegue para cair na tentação de votar nele outra vez.
Mas hoje, à meia-noite, o encanto vai quebrar-se como aconteceu com a desgraçada da Gata Borralheira. O Magalhães vai chegar ao mercado, a pagar. Os mercadores de sonhos podem ir gozar as suas merecidas férias para um lado qualquer. O produto pegou. Não há-de haver estudante do 1º ciclo ou do 2º que não peça um até ao Natal. É indispensável. Tem de fazer parte da mochila tecnológica de qualquer criança: calculadora, telemóvel e Magalhães. Ah, é verdade, também há a Playstation! E o MP3. Os pais pagam e não bufam.
Eu também vou a correr comprar a mãe do Magalhães: maiorzinho, com mais autonomia, mais funções e desbloqueado do controlo conjugal! Senão, um dia destes, sou a única na sala de aula sem portátil!

Imagem do Público
Foi à meia noite que o encanto que transformou a Gata Borralheira se quebrou. O seu vestido voltou a ser o do borralho, os seus ratos deixaram de ser cavalos e até a carruagem se retransformou na abóbora que talvez tenha acabado na sopa da avó.
Ontem e anteontem só ouvimos falar do Magalhães! Ele foi magalhães em Matosinhos e no resto do país. E à borla! O Magalhães entrou nas escolas pela porta grande e pela mão do Primeiro Ministro. O Primeiro Ministro estava generoso e pródigo naquele sorriso rasgado que tão bem lhe fica, embora não chegue para cair na tentação de votar nele outra vez.
Mas hoje, à meia-noite, o encanto vai quebrar-se como aconteceu com a desgraçada da Gata Borralheira. O Magalhães vai chegar ao mercado, a pagar. Os mercadores de sonhos podem ir gozar as suas merecidas férias para um lado qualquer. O produto pegou. Não há-de haver estudante do 1º ciclo ou do 2º que não peça um até ao Natal. É indispensável. Tem de fazer parte da mochila tecnológica de qualquer criança: calculadora, telemóvel e Magalhães. Ah, é verdade, também há a Playstation! E o MP3. Os pais pagam e não bufam.
Eu também vou a correr comprar a mãe do Magalhães: maiorzinho, com mais autonomia, mais funções e desbloqueado do controlo conjugal! Senão, um dia destes, sou a única na sala de aula sem portátil!
Imagem do Público
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Afinal eu não sou uma autoólica!
Estive a ler as condições para as pessoas que percebem destas coisas me considerarem uma autoólica, com necessidade de intervenção terapêutica.
Está aqui tudo explicadinho!
Primeiro: Não me considero uma vítima da indústria dos transportes, muito menos seduzida pela velocidade, estatuto ou sensação de poder. A minha "viatura" não tem grande cilindrada, é um vulgar Peugeot 206 com três anos e muitas marcas dos caminhos que tem de percorrer, ao serviço do coração, mais do que outro qualquer. A minha principal escravatura é a do tempo que não me permite fazer, de outro modo, metade do que faço, usando o carro.
Já estou mais descansada. Onde é que eu ia arranjar tempo para me submeter ao tratamento?
Está aqui tudo explicadinho!
Primeiro: Não me considero uma vítima da indústria dos transportes, muito menos seduzida pela velocidade, estatuto ou sensação de poder. A minha "viatura" não tem grande cilindrada, é um vulgar Peugeot 206 com três anos e muitas marcas dos caminhos que tem de percorrer, ao serviço do coração, mais do que outro qualquer. A minha principal escravatura é a do tempo que não me permite fazer, de outro modo, metade do que faço, usando o carro.
Já estou mais descansada. Onde é que eu ia arranjar tempo para me submeter ao tratamento?
Novos problemas pessoais
Olá, o meu nome é Madalena e acabo de descobrir que sou uma "autoólica" (do inglês autoholic)!
Atento contra a saúde do planeta e ponho em causa o ar que os meus netos hão-de respirar! Sou horrível!
Mas eu prometo deixar este horrendo vício, se os senhores que mandam se preocuparem mais com mais transportes públicos. Ao sábado, o último barco de Lisboa para o Montijo é às 22.35; aos domingos e feriados, ainda mais cedo, uma hora. Viver em Lisboa torna mais fácil combater esta tendência criminosa. Morando fora de Lisboa, é muito mais difícl e, em alguns casos, impossível!
Se a opção for ir de barco para Lisboa, tenho ainda que me confrontar com o dilema: levar o carro até ao barco, ou ir num autocarro velho, desconfortável e caro que passa longe da minha casa.
Vai ser difícil curar-me!
Atento contra a saúde do planeta e ponho em causa o ar que os meus netos hão-de respirar! Sou horrível!
Mas eu prometo deixar este horrendo vício, se os senhores que mandam se preocuparem mais com mais transportes públicos. Ao sábado, o último barco de Lisboa para o Montijo é às 22.35; aos domingos e feriados, ainda mais cedo, uma hora. Viver em Lisboa torna mais fácil combater esta tendência criminosa. Morando fora de Lisboa, é muito mais difícl e, em alguns casos, impossível!
Se a opção for ir de barco para Lisboa, tenho ainda que me confrontar com o dilema: levar o carro até ao barco, ou ir num autocarro velho, desconfortável e caro que passa longe da minha casa.
Vai ser difícil curar-me!
domingo, 21 de setembro de 2008
Parabéns, Jorge, Tó Luís e Cª!
O dia 21 de Setembro é assim: Triplicam-se os parabéns! É bom. Hoje foi o dia de se juntar aos aniversários mais um registo: um baptizado. Do António e da "Malalena". Óbidos. O sol a aparecer no tempo certo. O calor a aquecer as emoções. Os amigos. Um "delete" na saudade. Os amigos dos amigos. Um "up-grade" das memórias, sobretudo da memória visual. A ginjinha na volta da igreja. A constatação da infinita paciência da Avó que desenhou e pintou, um por um, os bichos que desciam do tecto sobre as mesas. O telefone sempre a tocar... Ao fim da tarde, o regresso a casa e jantar com os miúdos!
sábado, 20 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
(...)
Deve valer ainda mais, muitos mais. E a Chuinguita deve saber que esta vida de blogue dá cabo das pernas, agrava o reumático, provoca aumento de peso e outros que também se sentem na idade real. Deve ter sido por isso que a Chuinguita equipou o novo espaço com um banco. O banco descansa as pernas. O mar descansa os olhos. A leitura descansa o pensamento. Obrigada, Chuinguita! Ainda tentei "arrancar" o banco irlandês e trazê-lo aqui para a aldeia mas não consegui. Assim, fui ao Algarve e trouxe este, com vista de mar também.
By the way...
E é tudo, por hoje!
Não é tudo não: passem pela casa das formigas e vejam a remodelação. É um convite, claro!
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Parabéns Rafael!
Mais um filho a dobrar os trinta.
Claro que tenho saudades de um tempo em que parecia ser possível a eternidade preencher-se com as tuas primeiras palavras, os teus primeiros passos, (ou ao contrário, pois primeiro andar e depois é que é falar)as tuas manifestações de vontade (vulgo, birras!), os teus caracóis que depois deixaram de ser caracóis, as tuas cantigas (Ai que "peixeras" que "peixeras" dos sovacos, as meias rotas e os sapatos descascados... Lembras-te?), o cavalo que tinha as orelhas "pompidas"...
Mas mesmo tendo saudades, prefiro esta certeza do dia de hoje: és um homem de trinta anos que nos enche de orgulho, pois reconhecemos em ti um conjunto de valores que são traços dos homens de bem.
Parabéns, filho!
Claro que tenho saudades de um tempo em que parecia ser possível a eternidade preencher-se com as tuas primeiras palavras, os teus primeiros passos, (ou ao contrário, pois primeiro andar e depois é que é falar)as tuas manifestações de vontade (vulgo, birras!), os teus caracóis que depois deixaram de ser caracóis, as tuas cantigas (Ai que "peixeras" que "peixeras" dos sovacos, as meias rotas e os sapatos descascados... Lembras-te?), o cavalo que tinha as orelhas "pompidas"...
Mas mesmo tendo saudades, prefiro esta certeza do dia de hoje: és um homem de trinta anos que nos enche de orgulho, pois reconhecemos em ti um conjunto de valores que são traços dos homens de bem.
Parabéns, filho!
domingo, 14 de setembro de 2008
Reverência
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Lisboa
Pobre Terreiro do Paço! Até quando o entulho separará o Tejo da sua cidade noiva?Até quando terão as gaivotas de suportar o roncar das máquinas, som assassino das suas conversas?
Quando poderá o Tejo trazer os seus peixes a visitar a Cidade?
(Hoje vi um grupinho de peixes no Cais do Sodré!)
Poderá Santo António, vizinho próximo, vir até este belo lugar redizer o seu sermão? Poderão os nossos olhos contemplar o rio, a partir de Lisboa, ou Lisboa a partir do rio, sem intromissões no longe que a vista alcança?
Aceitam-se respostas. Dá-se preferência à verdade!
domingo, 7 de setembro de 2008
Desafio Rentrée
Pega num livro que andes a ler. Ou que tenhas lido. Ou que venhas a ler ainda. Qualquer um serve. O que interessa é que tenha um título sobre o qual te apeteça escrever. Não importa a forma nem o género literário. Tem é que haver uma relação lógica entre o título do livro e o que tu vais escrever. Não sei se é possível mas apeteceu-me propor este desafio a todos os que constam da lista ao lado. E para dar o exemplo, aí vai a minha contribuição para o desafio!
Identificação da obra: Os da minha rua. Autor: Ondjaki
A rua era até há pouco tempo um reduto de liberdade para mais pequenos, um espaço perfeito para conhecer outros e aprender a vida. É que com a rua, a que chamamos nossa/minha, estabelecemos uma ligação especial. A minha rua é a continuação da minha casa e é pena que os problemas de segurança tornem cada vez mais difícil esta facilidade de ensaiar a vida para lá dos nossos muros, na nossa rua. A rua mais minha que tive, foi a rua dos meus onze anos. Tão minha que a recordo como se fosse uma fotografia ou um filme.
Por exemplo, nunca me esqueci de uma senhora que lavava furiosamente as janelas todos os dias. A minha mãe dizia que ela tinha a mania das limpezas. Não sei já se cheguei realmente a saber o que é que lhe aconteceu, como é que envelheceu, como é que sobreviveu, sem forças (presumo) para continuar a lavar as janelas. Lembro-me de haver muito mistério à volta da mania das limpezas da Dona Manuela (acho que se chamava assim!) e "constava" que era infeliz. Parece-me hoje uma explicação, uma relação lógica.
Do outro lado da rua, vivia uma família composta por pai, mãe e cinco filhos rapazes. O pai andava sempre vestido de branco e passava, na rua, calado, direito, com passo certo. Os filhos eram todos altos e bonitos. Pelo menos eu via-os assim, do "alto" dos meus onze anos, acabados de fazer. A mãe tinha a mesma postura. Só os dois filhos mais novos é que falavam e brincavam na rua, deles e nossa. Um dia fui parar ao hospital, cá em Lisboa e pelo nome na bata de um dos médicos com quem me cruzei, cheguei à conclusão que se tratava de um dos filhos, apesar de já não ser nem alto nem bonito. Percebi que a vida tinha continuado ali o pai: adivinhei o mesmo silêncio tímido, não sei porquê.
Um pouco mais longe do prédio onde eu morava, havia uma casa grande e branca onde só moravam pessoas felizes. Pelo menos, davam muitas festas e, se davam muitas festas, é porque eram felizes, pensava eu das profundezas dos meus onze anos acabados de fazer. A mãe jogava ténis e quando saia para ir jogar parecia uma actriz de cinema, com a roupa branca e muito bem engomada, os sapatos de ténis brancos, as meias brancas,a "raquete"... O filho era muito parecido com a mãe. Tinha uma bicicleta o que o ajudava muitíssimo nos dotes de sedutor. No figurino de sedutor não cabe a falta de um veículo e, para a idade, para além do triciclo, só podia ter uma bicicleta.
Depois, mudei de casa, mudei de rua, mudei de vida. Nunca mais tive onze anos, mas voltei a ter rua! E um dia até encontrei uma rua com o meu nome!
Identificação da obra: Os da minha rua. Autor: Ondjaki
A rua era até há pouco tempo um reduto de liberdade para mais pequenos, um espaço perfeito para conhecer outros e aprender a vida. É que com a rua, a que chamamos nossa/minha, estabelecemos uma ligação especial. A minha rua é a continuação da minha casa e é pena que os problemas de segurança tornem cada vez mais difícil esta facilidade de ensaiar a vida para lá dos nossos muros, na nossa rua. A rua mais minha que tive, foi a rua dos meus onze anos. Tão minha que a recordo como se fosse uma fotografia ou um filme.
Por exemplo, nunca me esqueci de uma senhora que lavava furiosamente as janelas todos os dias. A minha mãe dizia que ela tinha a mania das limpezas. Não sei já se cheguei realmente a saber o que é que lhe aconteceu, como é que envelheceu, como é que sobreviveu, sem forças (presumo) para continuar a lavar as janelas. Lembro-me de haver muito mistério à volta da mania das limpezas da Dona Manuela (acho que se chamava assim!) e "constava" que era infeliz. Parece-me hoje uma explicação, uma relação lógica.
Do outro lado da rua, vivia uma família composta por pai, mãe e cinco filhos rapazes. O pai andava sempre vestido de branco e passava, na rua, calado, direito, com passo certo. Os filhos eram todos altos e bonitos. Pelo menos eu via-os assim, do "alto" dos meus onze anos, acabados de fazer. A mãe tinha a mesma postura. Só os dois filhos mais novos é que falavam e brincavam na rua, deles e nossa. Um dia fui parar ao hospital, cá em Lisboa e pelo nome na bata de um dos médicos com quem me cruzei, cheguei à conclusão que se tratava de um dos filhos, apesar de já não ser nem alto nem bonito. Percebi que a vida tinha continuado ali o pai: adivinhei o mesmo silêncio tímido, não sei porquê.
Um pouco mais longe do prédio onde eu morava, havia uma casa grande e branca onde só moravam pessoas felizes. Pelo menos, davam muitas festas e, se davam muitas festas, é porque eram felizes, pensava eu das profundezas dos meus onze anos acabados de fazer. A mãe jogava ténis e quando saia para ir jogar parecia uma actriz de cinema, com a roupa branca e muito bem engomada, os sapatos de ténis brancos, as meias brancas,a "raquete"... O filho era muito parecido com a mãe. Tinha uma bicicleta o que o ajudava muitíssimo nos dotes de sedutor. No figurino de sedutor não cabe a falta de um veículo e, para a idade, para além do triciclo, só podia ter uma bicicleta.
Depois, mudei de casa, mudei de rua, mudei de vida. Nunca mais tive onze anos, mas voltei a ter rua! E um dia até encontrei uma rua com o meu nome!
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Feliz!
Obrigada, Isabel! Fico feliz por ter vindo de ti! Um beijinho para ti.Sinto-me a viver um desses momentos que vemos no pequeno e no grande ecrã. A emoção deve ser a mesma, certamente! E também me apetece agradecer a todos os que vêm e lêem o que aqui vou deixando. Uns são "bloguistas militantes". Outros, não! Uns deixam comentários. Outros não. Mas são todos responsáveis pela "vida" deste espaço que tem servido de palco aos momentos mais alegres e a alguns dos tristes também. Uma coisa é certa: aqui, a alegria não se esgota. Se chego feliz, continuo feliz.
E aí vão os meus nomeados, que poderão passar por aqui e receber este prémio, à hora que quiserem, quando quiserem. Serão sempre bem-vindos!
Isabel, desculpa, mas, inevitavelmente, fazes parte da lista!
E aí vão os sete magníficos!
Ao Buba entrego este prémio com uma enorme vénia. É um prazer imenso poder dizer-te o quanto te admiro! Sempre!
À Pitucha, porque descinzenta Bruxelas, só com palavras, palavras, palavras. Para medir a beleza das palavras da Pitucha, tive de arranjar um lindómetro.
Para a Laura, na Senda de todas as Beiras, um espaço que prima pela tranquilidade, pelo bom gosto, onde nos apetece ficar a ouvir as suas Histórias Inventadas!
Para o Espumante, pelo enciclopédico saber, a prova provada que o saber ocupa lugar. E porque a amizade também ocupa lugar!
Claro que o moçambicanismo é um laço forte, mas a querida Chuinguita fechou o tasco e não há maneira de abrir outro. Ela prometeu para Setembro, lá para meio. Já estou sentada à espera, Chuinguita!
Espero, Chuinguita! Este tinha de ter uma referência especial, mas como se apagou não conta.
E ainda no âmbito do moçambicanismo, entrego este prémio ao Zê Pê. A Laterna Acesa ilumina qualquer tipo de assunto, qualquer afecto, qualquer passado, qualquer presente. Até ilumina o futuro, eu creio.
Ser professor é mais do que uma profissão. É uma condição. Por isso, a Memória de Prof faz parte da minha escolha. Reconheço na Isabel uma honestidade intelectual, um rigor, uma exigência, que me dá orgulho pela escolha ter também recaído em mim.
E ainda falando em Profs, a Hindy leva também o prémio, pela perfeição com que concretiza a sua inspiração. O Hindy e a Hindy são uma unidade de pensamento e matéria em perfeita sintonia.
Tenho ainda mais casos especiais, que não posso deixar de referir. O All Together é nosso, dos professores de Inglês da nossa escola. É uma experiência linda que confirma que se pode partir para esta aventura com outros. Especialmente para a Célia, a minha alegria e a minha gratidão. Caso especial é também o Blogueio da Luh. É que a Luh voa e chega muito rapidinho aos corações. Obrigada Luh, pelas tuas visitas especiais e pelos recados que me vens dando!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
(...)
"A great secret of success is to go through life as a man who never gets used up."
Albert Schweitzer, Nobel Peace Prize, 1952
Albert Schweitzer, Nobel Peace Prize, 1952
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Quando é que acaba o efeito?
Eu gostava de saber quanto tempo demora a passar o efeito da silly season!
Assinada pela directora do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, evidenciando que a gravidade do assunto chegou ao “staff” do próprio primeiro - ministro, fica determinado que as placas devem ser presas às paredes “através de parafusos de aço inox em cada canto, com oito milímetros de diâmetro e 90 mm de comprimento” e não, como anteriormente determinava a ignóbil portaria de Junho, num erro lapso inconsciente que punha em causa talvez não a segurança de pessoas e bens, mas certamente a segurança das placas, com parafusos de apenas 60 mm de comprimento.
Se aconteceu, não veio nos jornais. Será que caiu algum parafuso no “staff”
da Presidência do Conselho de Ministros? José Júdice, em coluna do jornal "O Metro" de 3 de Setembro.
Vale a pena ler todo o texto. É um momento de lucidez, a que se seguirá, inevitavelmente, a continuação do estado (não sei adjectivar o dito estado! Talvez delirante?!) em que andamos todos, directa ou indirectamente influenciados por quem, directa ou indirectamente, "sofreu" a silly season até ao âmago do limite do parafuso que sustenta as placas nas paredes.
Não há certamente assunto mais importante do que os 30 mmm de parafuso que separam as duas portarias!
Como dizia o Parafuso, o Verdadeiro: Cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente!
E enquanto as cabeças pensantes decidem os milímetros do parafuso, assim que se chega a Lisboa, de barco, à Estação do Cais do Sodré, percebe-se logo a imensa importância que o assunto em questão tem. O que é que interessa termos que atravessar o caos que separa a estação da cidade? São só uns metros! Pois... Nos milímetros é que está a grande diferença das coisas...
Assinada pela directora do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, evidenciando que a gravidade do assunto chegou ao “staff” do próprio primeiro - ministro, fica determinado que as placas devem ser presas às paredes “através de parafusos de aço inox em cada canto, com oito milímetros de diâmetro e 90 mm de comprimento” e não, como anteriormente determinava a ignóbil portaria de Junho, num erro lapso inconsciente que punha em causa talvez não a segurança de pessoas e bens, mas certamente a segurança das placas, com parafusos de apenas 60 mm de comprimento.
Se aconteceu, não veio nos jornais. Será que caiu algum parafuso no “staff”
da Presidência do Conselho de Ministros? José Júdice, em coluna do jornal "O Metro" de 3 de Setembro.
Vale a pena ler todo o texto. É um momento de lucidez, a que se seguirá, inevitavelmente, a continuação do estado (não sei adjectivar o dito estado! Talvez delirante?!) em que andamos todos, directa ou indirectamente influenciados por quem, directa ou indirectamente, "sofreu" a silly season até ao âmago do limite do parafuso que sustenta as placas nas paredes.
Não há certamente assunto mais importante do que os 30 mmm de parafuso que separam as duas portarias!
Como dizia o Parafuso, o Verdadeiro: Cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente!
E enquanto as cabeças pensantes decidem os milímetros do parafuso, assim que se chega a Lisboa, de barco, à Estação do Cais do Sodré, percebe-se logo a imensa importância que o assunto em questão tem. O que é que interessa termos que atravessar o caos que separa a estação da cidade? São só uns metros! Pois... Nos milímetros é que está a grande diferença das coisas...
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Regresso à escola
A teoria sempre é um começo. Pelo menos serve para dar forma a uma determinada organização de ideias que, postas em prática, poderão dar bons resultados.
Fui à procura e encontrei aqui um conjunto de "dicas" para iniciar bem um ano lectivo.
Fala da importância do primeiro dia de aulas. A minha experiência de professora, mãe e até aluna leva-me a concordar. No entanto, não devemos ceder a mais uma ditadura de pensamento. Se o primeiro dia não correr tão bem como seria desejável, há que tentar o segundo e os que vêm a seguir. Não podemos ficar reféns de um momento! As empatias gerem-se,e geram-se!; mas não de modo instantâneo e rápido. E mais vale demorar um pouco mais do que compromoter o sucesso num contra-relógio.
No meu entender, a "dica" mais importante é a que se refere à Regras da Sala de Aula. Há situações que devem ser explicitadas logo no primeiro momento, nomeadamente as que se prendem com atitudes que vão sempre ter ao respeito pelo "outro". É uma questão de cidadania e um dos deveres da Escola é, sem dúvida, formar em cada aluno a consciência de Cidadão!
Fui à procura e encontrei aqui um conjunto de "dicas" para iniciar bem um ano lectivo.
Fala da importância do primeiro dia de aulas. A minha experiência de professora, mãe e até aluna leva-me a concordar. No entanto, não devemos ceder a mais uma ditadura de pensamento. Se o primeiro dia não correr tão bem como seria desejável, há que tentar o segundo e os que vêm a seguir. Não podemos ficar reféns de um momento! As empatias gerem-se,e geram-se!; mas não de modo instantâneo e rápido. E mais vale demorar um pouco mais do que compromoter o sucesso num contra-relógio.
No meu entender, a "dica" mais importante é a que se refere à Regras da Sala de Aula. Há situações que devem ser explicitadas logo no primeiro momento, nomeadamente as que se prendem com atitudes que vão sempre ter ao respeito pelo "outro". É uma questão de cidadania e um dos deveres da Escola é, sem dúvida, formar em cada aluno a consciência de Cidadão!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

