terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um dia na História

"Sabes o que é um castelo?
Um castelo é uma construção muito forte, feita com pedras muito grossas, com muros e com tôrres, que serviam para os homens daquele tempo defenderem as terras que ficavam em redór e que tambem serviam de habitação às pessoas mais importantes."
António Gedeão, As Origens de Portugal, História contada a uma criançaEm 1147, D. Afonso Henriques, ajudado por cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, enceta um cerco ao Castelo de Lisboa, com o intuito de conquistar esta fortificação aos mouros. Durante uma das investidas, concretizada a 21 de Outubro de 1147, teria existido um tal Martim Moniz que se deixou entalar numa das portas do castelo para permitir a entrada dos sitiantes. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência. Citam-na, no entanto, como figura lendária da História de Portugal.
Fonte-Leme

domingo, 19 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de reportagem

Foi bonito, simples e muito feito a partir da espontaneidade de quem interveio.
Primeiro a apresentadora, que falou das duas pintoras, sobretudo do seu conhecimento das pessoas, enriquecendo com um toque de afectividade o pré-debate.
(Lá fora tinha chovido granizo. Nada melhor para esquecer a tempestade do que remeter os sentidos para a realidade que resulta da criação.)
Depois a moderadora referiu-se com a convicção da solenidade necessária ao trabalho das duas pintoras: A Ana (Nini, a minha irmã de coração!) e a Cecília.
Depois falaram elas, as pintoras. Primeiro a Cecília. Eu que até nem percebo destas artes, entendi perfeitamente o processo criativo: primeiro o traço, depois pode continuar a ser o traço e o traço, até que o traço siga o seu caminho... As paisagens que não são senão paisagens de si mesma. A cor dominante. O auto-retrato!
Depois falou a Nini, do seu percurso, dos seus mestres, do seu processo criativo, diferente do da Cecília, dos seus temas, da magia de transformar a dor em cor, digo eu, que eu sei.
(Lá fora tinha chovido granizo. O caos estava instalado na cidade. Mas, das portas da Bulhosa para dentro, a ordem estabeleceu-se, naturalmente eivada de emoções, que vêm à tona também naturalmente, porque a arte é a emoção feita qualquer coisa. Neste caso pintura!)
Pego no folheto da Bulhosa e vem-me, à flor da saudade, um nome, uma memória muito viva: Lindley Cintra. Foi o meu primeiro professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Ensinou-me a Linguística, o Ideal e a Coragem. Tenho a certeza que não é por acaso que a Escola se chama Lindley Cintra. É uma inspiração e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de um compromisso com a Verdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Toca a limpar!


Há "graffitis" e "graffitis". Alguns parecem ter evidente intenção artística. Outros só existem para sujar. Arte ou Não-Arte, o "graffiti" é sempre uma irreverência e funciona, ou seja, atrai invariavelmente a atenção de quem passa.
O problema é que há paredes que não aguentam mais marcas, mais gritos. É preciso devolver a alguns muros esse espaço do grito.
Agora é no Bairro Alto, por ordem de um conjunto de entidades.
Quem for apanhado a "graffitar", tratando-se de um "crime" diferente, dificilmente catalogável, também a sanção deve ser também uma sanção diferente, no caso de o infractor ser levado a tribunal. Um serviço comunitário, é o exemplo dado na notícia.
Pode nem servir de nada, mas vale a pena tentar!
Fotografia-Elevador do Lavra,124 anos de idade, na Rua de São José, Lisboa, a Linda!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Olha o sol a trazer o dia a Lisboa!

Há dias em que até para o sol parece difícil romper o frio da manhã sobre o rio e trazer a luz do dia à cidade, que começa aqui, quando a água acaba e se encosta às rochas da margens, em amena conversa com as gaivotas, os barcos... De que falarão, gaivotas, barcos e rio, ao fim destes tantos anos?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Inauguração

O Meu Banco abriu hoje!
Não, não é a minha contribuição para a resolução da crise. Também não é um banco de jardim ou de uma praça.
(Desde que começou este falatório da crise que não penso em mais nada senão em bancos, não nos bancos do dinheiro mas naqueles em que depositamos, ao fim de um dia de trabalho, o cansaço das nossas pernas, ou, quando a vida já vai avançada, o que nos resta de ilusão, coragem, esperança... A minha atenção vê bancos em todo o lado!)
Mas o Meu Banco também não é desses!
É um repositório de imagens, daquelas em que tropeço e que me apetece guardar. Vão ficar aqui.
E por falar em outros blogs, guardei no meu baú a Entrevista do Escritor Lobo Antunes, publicada na Pública de domingo. É a humanidade do Escritor a responder às perguntas! É ele a contar e a provar como o cancro o mudou.

É o Outono a chegar a Lisboa!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Onde pára o professor?

Preparação das aulas trocada pelas avaliações
Este título diz muito sobre a aflição dos professores que vêem o seu tempo sugado pelas sucessivas reuniões, Conselhos Pedagógicos e outros, por causa da Avaliação de Desempenho, processo que os professores procuram tornar viável e justo, embatendo sempre na essência desta avaliação toda ela feita de papel, sucesso escolar fácil, burocraticamente perfeito, administrativamente inatacável, de aplicação difícil, com consequências ainda não calculadas, provavelmente desastrosas, nas práticas dos professores esgotados de tempo e de esperança.
Imagem

domingo, 5 de outubro de 2008

Bom Dia, Professor!

World Teachers’ Day reminds governments and the general public of the role of teachers and of the need to improve their status and working conditions. Above all, it is an opportunity to show appreciation for their work in preparing the next generation to function efficiently in a changing world.
Felizmente este texto tem idade suficiente (dez anos) para evitar conclusões fáceis daqueles que procuram ridicularizar e menorizar a luta dos professores por melhores condições de trabalho.
Os professores têm em mãos uma "Avaliação de Desempenho" e tentam viabilizar de forma justa o que é na sua essência injusto: avaliar os professores pelos resultados escolares, passando por cima do princípio da identidade individual do aluno e do professor, esquecendo que o verdadeiro sucesso escolar e educativo depende de muito mais do que uma simples nota atribuída no final do ano.
O sucesso é, na minha perspectiva, um resultado equilibrado e harmonioso, feito de conhecimentos adquiridos (quanto mais, melhor!) e valores, que ao longo da vida, se tornam preciosos para o sucesso pessoal. Mas, na sociedade moderna, o que manda é o número, o que nos governa é o papel, um papel desalmado, desumanizado que fornece os elementos necessários para a invenção da máquina burocrática que reduz os meninos e os professores a números e pouco mais. Deixa cá ver este se está a estragar a taxa de abandono. E vai de deitar para o papel o abandono do verdadeiro papel da escola que é, ou devia ser, integrar sem mentiras.
E "vai-se-a-ver" isto é tudo mentira!!!
Ao longo destes trinta e três anos de serviço, eu tenho a certeza que fui avaliada pelos pais dos meus alunos, e pelos alunos, pelos colegas e pela comunidade em geral, de modo informal, "despapelado", mas fui. Fomos todos. Nenhum Encarregado de educação ousava bater-nos, mesmo que os maus resultados dos filhos lhes causasse tanta dor na estima de pais que lhes apetecesse espancar o filho e tudo o que à volta contribuísse para esta dor. Havia então uma cultura de não-violência que urge trazer à escola de novo. Quem sai da escola hoje, sai minado de violência, por dentro, por fora, por palavras, gestos, comportamentos e até pensamentos.
É isso que é preciso combater.
É tão bom ser professor! Corrijo: é tão bom ter sido professora nos anos setenta e oitenta! Tenho reencontrado alunos desse tempo e, ironicamente, nos lugares onde a minha fragilidade se escancara e logo perante eles, ou melhor, no caso concreto, elas. O facto de me reconhecerem já de si é muito gratificante. Mas o melhor é o carinho que põem nos cuidados de que sou alvo por circunstâncias que não vêm ao caso.
São memórias destas que eu vou guardar no meu "portfólio" da minha carreira, onde vou destacar, como os artistas, os momentos de ouro. A partir daí, Senhores Ministros, Presidentes dos Conselhos Todos, avaliem-me como quiserem. Eu não vou mudar por dentro, mesmo que tenha de mudar por fora. A minha satisfação profissional está incrustada na minha alma e já não sai.
A todos os professores, eu desejo, um Bom Dia! A todos os que não são professores eu desejo o mesmo Bom Dia! Foto: encontro com a escritora Alice Vieira, sem papel passado de objectivos e conteúdos. Eu sou quase do tempo do Sebastião da Gama, em que a aula de Português acontecia!

sábado, 4 de outubro de 2008

Bye, Dennis!

"Antigamente, eram os barcos. Brancos, azuis e furta-cores, com lanternas penduradas nos cintos dos homens que passavam nas cobertas. E aquém dos barcos: as ondas tinham outra maneira de quebrar, o quebrar de antigamente, se é que sabe ao que me estou a referir. Depois, os homens falavam alto e as mulheres ficavam grávidas, as gaivotas rasavam o cais, alisando a pedra, subindo subitamente, enquanto o Norberto afiava os mastros, virados para o céu, com a navalha que um dia se lhe cravaria na garganta. A navalha era do Norberto, até tinha as suas inicias no cabo, mas foi atraída, por obscuros motivos hipnóticos, para a mão do Toledo das Rondas."
in Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez
E agora, Dennis, quem é que nos vai explicar esta Lisboa.
Que as ondas quebrem hoje à moda de antigamente, que até está vento e é mais fácil para elas chorarem-te às escondidas. Só as gaivotas tuas conhecidas saberão o porquê. Talvez também o saiba o "homem vestido de preto, com chapéu musical, sapatos poéticos, lama nos colarinhos, uma harpa ao ombro e um colete que seria laranja, se trouxesse colete"... Ilustração de Fátima Vaz

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Let's be champions!

Tudo isto é fado?

Aqui há......qualquer coisa que não bate certo!
O Leme, no seu espaço dedicado às efemérides, que eu consulto quase diariamente, publica hoje o seguinte excerto de um dos emblemáticos jornais de há meio século.
O Diário Popular de 2 de Outubro de 1946 anuncia que a Câmara Municipal de Lisboa foi autorizada a contratar, na Caixa Geral de Depósitos, empréstimos até ao montante de 25 mil contos, a amortizar em vinte e cinco anos e destinados à construção de casas para alojamento de famílias pobres.
O que escapa ao meu entendimento é o preço de 25 mil contos por uma casa em Lisboa, ainda por cima para famílias pobres?
Tenho por referência o valor da minha casa de Odivelas, quinhentos e cinquenta contos, em 1980 e parece-me que a distância geográfica, nem mesmo a famigerada barreira que constituía a Calçada de Carriche no acesso a Lisboa, justificariam uma diferença tão imensa, tendo ainda em conta a data de 1946.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em rosa

À semelhança do Metro, o Chora veste-se de rosa, a cor do combate ao cancro da mama, a que o mês de Outubro é dedicado.

Comparações

«Em todo o país reabriram hoje os liceus e escolas técnicas. Voltam a animar-se as salas de aula e os corredores que se quedavam desertos e tristemente silenciosos, durante os meses de férias grandes […] Hoje, porém, não haverá aulas. Espreitaram-se as salas - aqui é a minha turma - e passeou-se nos corredores. […] Em Lisboa, na maioria dos liceus, houve sessões solenes a assinalar a inauguração do ano lectivo, presididas pelos respectivos reitores. […] Quanto às escolas primárias e superiores […] os seus alunos ainda têm uns dias de liberdade. As primeiras reabrem no dia 7 e as segundas lá para meados do corrente mês.»
In Diário Popular de 01-10-1952.
Fonte- Leme
Cinquenta e seis anos depois, regressa o desânimo de haver ainda escolas sem cadeiras e sem carteiras:
Escola de Música do Conservatório Nacional está a ensinar música em regime integrado, como prevê a reforma em curso no ensino artístico, mas a falta de dinheiro faz com que estes alunos assistam às aulas sentados no chão.
"O ano lectivo está para já a decorrer sem carteiras e sem cadeiras, com os meninos sentados literalmente no chão", disse à Agência Lusa a professora Ana Mafalda, vice-presidente da Escola de Música do Conservatório de Lisboa.
Fonte- Jornal Público de 01-10-2008

(...)

E lá nasceu o mês de Outubro!
A luz ainda promete algum calor daqueles que, como qualquer bem, quando rareia sabe muito melhor, dá mais prazer. O calor de Outubro não queima. O calor de Outubro aquece. O calor de Outubro conforta e aconchega. O calor de Outubro recorda-nos um calor que já foi e um calor que há-de vir.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Banco


Parece que de repente perdi a noção de que a palavra banco tem outros significados, ou melhor, outros referentes, para além dos que fazem correr muita tinta e gastar muita luz na Comunicação Social.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Coisas das coisas


Eu só conheço uma Esperança. A Boa, precisamente! Mas para tanto sublinharem a particularidade desta ser Boa é porque há outras que não o são.
A Boa Esperança leva-nos ao mar. Nos, nós: os pescadores, os marinheiros, todos os que estão dispostos a vencer a dificuldade por monstruosa que possa parecer. A mim, os Lusíadas, eles mesmos uns versos adamastores, ensinaram-me a pensar e a duvidar das primeiras impressões. É que, à primeira vista, o guardião do Cabo, onde hei-de ir antes de morrer, de acordo com a elaboração recente da minha Bucket List, o guardião dos mares revoltos e perigosos era um mostrengo. E, "na volta" ele era um castigado, um condenado à dor da saudade e do amor por pertencer.
A Boa Esperança faz-nos falta, nos dias que correm para enfrentar as tormentas que os telejornais anunciam a toda a hora!

domingo, 28 de setembro de 2008

Someone up there likes me

"You know, I've been lucky. Somebody up there likes me." Rocky Graziano

Paul Newman morreu e tudo o que há a dizer sobre a perda para a Humanidade tem sido dito. Mas, para além da tristeza universal, há mais. Há o luto de uma geração e há a tristeza de todos os que se "embrenharam" com os olhos mais azuis do cinema, mesmo quando as fitas eram a preto e branco, como é o caso da biografia de um pugilista que ensina que uns bons socos na adversidade podem mudar o rumo de uma vida. Penso que essa geração acreditava muito mais nas capacidades humanas e pessoais de construir um futuro diferente e, por muito romântica ou ultrapassada que possa parecer esta ideia, essa atitude podia dar resultados. Esta convicção chegou até aos tempos de hoje e, embora seja transmitida modernamente de modo diferente, a base da convicção é a mesma. E foi a geração de Paul Newman que nos ensinou a dar voz e corpo e alma às causas, usando a pele de estrelas para chegar mais longe, mais fundo ao coração do mundo.
Felizmente a memória das estrelas não se apaga.
Like you Paul Rocky Newman Graziano I could also say that I'm lucky for someone up there likes me!
Imagem daqui

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Paga e não....

Todos os momentos, todas as horas podem ter uma magia associada, mas a meia-noite deve ser aquela que mais carrega esse simbolismo. À meia noite muda o dia, a hora, o ano. O século e o milénio... mas isso já é mais raro.
Foi à meia noite que o encanto que transformou a Gata Borralheira se quebrou. O seu vestido voltou a ser o do borralho, os seus ratos deixaram de ser cavalos e até a carruagem se retransformou na abóbora que talvez tenha acabado na sopa da avó.
Ontem e anteontem só ouvimos falar do Magalhães! Ele foi magalhães em Matosinhos e no resto do país. E à borla! O Magalhães entrou nas escolas pela porta grande e pela mão do Primeiro Ministro. O Primeiro Ministro estava generoso e pródigo naquele sorriso rasgado que tão bem lhe fica, embora não chegue para cair na tentação de votar nele outra vez.
Mas hoje, à meia-noite, o encanto vai quebrar-se como aconteceu com a desgraçada da Gata Borralheira. O Magalhães vai chegar ao mercado, a pagar. Os mercadores de sonhos podem ir gozar as suas merecidas férias para um lado qualquer. O produto pegou. Não há-de haver estudante do 1º ciclo ou do 2º que não peça um até ao Natal. É indispensável. Tem de fazer parte da mochila tecnológica de qualquer criança: calculadora, telemóvel e Magalhães. Ah, é verdade, também há a Playstation! E o MP3. Os pais pagam e não bufam.
Eu também vou a correr comprar a mãe do Magalhães: maiorzinho, com mais autonomia, mais funções e desbloqueado do controlo conjugal! Senão, um dia destes, sou a única na sala de aula sem portátil!

Imagem do Público