quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Diz que é uma espécie...

...de objectivos individuais.
Eu prometo
Ser forte, tão forte que ninguém consiga perturbar a minha paz de espírito.
Falar, com os outros, apenas sobre saúde, felicidade e prosperidade.
Fazer sentir a todos os meus amigos que valem a pena.
Olhar para o lado brilhante de todas as coisas e fazer do meu optimismo uma realidade.
Pensar só o melhor, trabalhar para o melhor e esperar apenas o melhor.
Sentir tanto entusiasmo com o sucesso dos outros como com o meu próprio sucesso.
Esquecer os erros do passado e agarrar o futuro.
"Usar" uma cara alegre todos os dias e sorrir a todos os seres vivos que encontrar no meu caminho.(Mesmo que seja uma árvore, digo eu!)
Investir o meu tempo inteirinho melhorando-me a mim própria, de modo a que nada reste para criticar os outros.
Erguer-me muito acima das preocupações, sentir-me nobre demais para a raiva, forte demais para o medo e demasiado feliz para permitir a presença dos problemas.
Pensar bem de mim mesma e procamá-lo ao mundo, não em voz muito alta, mas através de um comportamento elevado.
Viver na convicção de que o mundo inteiro está a meu favor, enquanto eu for verdadeira em relação ao melhor que há em mim!
Tradução mais ou menos livre de um texto de Christian D. Larson, The Optimists Creed.
O que eu quero mesmo é ser forte, como o mar, e manter-me com a dignidade das árvores, que erguem aos céus os ramos secos, sem receios inúteis, sem vergonhas desnecessárias. Em qualquer altura do caule podem renascer folhas verdíssimas de esperança.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ó pra mim tão vaidosa!

A Casa dos Porquinhos foi novamente aconchegada com um mimo. Mais um da Isabel.. Como eu já expliquei à Isabel, estes prémios têm muito valor para mim, porque vêm de quem vêm. Num comentário que lá deixei, recordei um belo texto de Vitorino Nemésio em que o Escritor conta o seu exame da quarta classe e como se sentiu verdadeiramente distinto, nos olhos do amigo, mais do que na classificação da pauta. É dos que nos conhecem que esperamos o incentivo e a motivação e estes prémios são esse incentivo à continuação. Obrigada, Isabel!
Eu retribuo o prémio à Isabel, porque as suas memórias são feitas de verdade, rigor e honestidade. O blog da Isabel é límpido. Claro como a água, como se costuma dizer.
Nomeio desta vez o blog do meu filho Rafael, porque já que estou em maré de vaidades...
Nomeio também a Calamity Jane porque sabe contar coisas dos minis Calamitosos que me emocionam e comovem, a ponto de quase trazerem a doce lagriminha ao canto do olho.
Nomeio a Pitucha e a Laura porque sim! Nomeação sem elas não é nomeação! A companhia que nos fazemos nesta coisa de blogs conta e, além disso, há muita qualidade no que por ali se escreve.
Claro que a mais nova edição da Chuinga também não pode ficar esquecida. Desta vez ela até trouxe um banco para nos sentarmos em frente ao mar.
E a claque da Chuinguita entra também nesta festa de Óscares (mas em bom!) porque partindo daquela ideia de que os amigos dos meus amigos meus amigos são, comecei a lê-los e fiquei a admirá-los, de modo a já não passar sem eles nestas voltas da vida blogosférica! Zê Pê e Miguel, claro!
Bruno, há pouco estive a ler o teu poema. Como sempre, adorei. Toma o teu prémio! É muito merecido!
João... andaste um pouco afastado destas coisas de blogs. Mas voltaste. Ainda bem. Guardei também um prémio para ti.
Obrigada a todos os que escrevem coisas que nos fazem bem cá dentro!
Querido Buba, quero convidar-te para vires a esta modesta casinha receber a minha admiração. Vens de muito longe nas minhas preferências. Contigo rio, choro, aprendo! Obrigada, Buba!

Os meus objectivos individuais

Tenciono provar que o Magalhães é resistente aos líquidos, como disse o Sr. Primeiro Ministro na Cimeira Ibero-Americana!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Coisas tristes que estão a acontecer na Escola

Esta é apenas uma, eventualmente a mais gritante, das vertentes que asfixiam os docentes em burocracia e afastam a escola da sua missão principal: ensinar. Os portugueses não percepcionam quanto o sistema de ensino está à beira do abismo. Os professores sufocam com tarefas administrativas e reuniões. Há reuniões de todo o tipo: de coordenação de ano, para conceber testes conjuntos, para desenhar grelhas, para analisar resultados, de conselho pedagógico, com encarregados de educação, com alunos, para preparar as actividades de estudo acompanhado, de formação cívica, da área de projecto, de tutoria, de apoio educativo, de recuperação de resultados, de superação de necessidades educativas especiais, etc., etc.
Excerto da crónica de santana castilho, publicada hoje no jornal Público e que pode ler-se na íntegra, aqui.

domingo, 26 de outubro de 2008

Encontros de Cardoso Pires

"Sempre que o quero ver, encontro-o, muito modesto da sua pessoa, à porta da Velha Faculdade de Medicina com as vestes de Doutor. Doutor em Ciência, não de Igreja. Como tal é que a Pátria o reconheceu e como tal está exposto em estátua, frente à escola onde foi mestre dos mestres.
Campo de Santana, é lá que o temos." Lisboa Diário de Bordo

Cardoso Pires

"Ninguém como ele contribuíra para transformar o português literário, arcaico, rural e afectado, ou populista, académico e pseudo-lírico, numa língua moderna. " Vasco Pulido Valente, no Jornal Público de ontem. Texto inteiro, homenagem viva após os dez anos de saudade de Cardoso Pires.
Lawrence Ferlinghetti, meses depois do incêndio, subindo o elevador de Santa Justa que ele julgava ter sido projectado por Eiffel... Lisboa Livro de Bordo

sábado, 25 de outubro de 2008

Cardoso Pires, mais do que aniversariamente

"E aqui tens por que é que eu, nesta vista tirada do castelo de São Jorge, me sinto assim distante, quase alheado. Talvez porque daqui não te ouço, cidade. Porque não te respiro os intentos nem te cheiro. Porque não te apanho os gestos do olhar. Numa palavra, porque me falta a cumplicidade, e sem cumplicidade com a imagem, com os saberes, os gostos e os defeitos de um mundo tão privado como o teu ninguém aprende a vivê-lo. Eu, melhor ou pior, cá vou tentando. Para chegar a esse entendimento já recapitulei infâncias de bairro, já revisitei lugares; já te disse e contradisse, Lisboa, e sempre em amor sofrido." José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo E agora, José? Como diz o poeta do outro lado do mar. Fazes-nos falta, muita falta, para pensares connosco esta Lisboa e não só. Para pensares connosco a vida!
Passaram dez anos José, mas não passaram dez anos. Só o pensamento vence a morte, derrota o esquecimento.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Schtroumpfando os cinquenta!

Na pequena comunidade, cada personagem desempenha um papel original e coerente. Assim, à volta do Grande Schtroumpf, reconhecível pelas longas barbas brancas e pelas roupas vermelhas, gravitam o Schtroumpf Guloso, o Schtroumpf Preguiçoso, o Schtroumpf Sábio, o Schtroumpf "Bricoleur", o Schtroumpf Irritado, o Schtroumpf Falador, a "Schtroumpfette" e os bebés.
São tranquilos e pacíficos e resistem às ameaças permanentes do infame Gargamel, que sonha fazer uma poção mágica perfeita, à base de "schtroumpfs".O gato Azraël é a má companhia desta péssima criatura.
Quanto aos Schtroumpfs, por muito que envelheça o corpinho azul, mantêm as suas faculdades intelectuais intactas.
E os "schtroumpfs" schtroumpfarão felizes, para sempre!
Hoje somos nós, que crescemos mais azuis e mais felizes por culpa deles, que lhes vamos estrumpfar uma celebração merecida pelo seu aniversário.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

É desta...

...que me fazem a folha! (Procurei a origem da expressão aqui.)
Ou desisto de ser eu, ou desisto de ser professora.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um dia na História

"Sabes o que é um castelo?
Um castelo é uma construção muito forte, feita com pedras muito grossas, com muros e com tôrres, que serviam para os homens daquele tempo defenderem as terras que ficavam em redór e que tambem serviam de habitação às pessoas mais importantes."
António Gedeão, As Origens de Portugal, História contada a uma criançaEm 1147, D. Afonso Henriques, ajudado por cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, enceta um cerco ao Castelo de Lisboa, com o intuito de conquistar esta fortificação aos mouros. Durante uma das investidas, concretizada a 21 de Outubro de 1147, teria existido um tal Martim Moniz que se deixou entalar numa das portas do castelo para permitir a entrada dos sitiantes. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência. Citam-na, no entanto, como figura lendária da História de Portugal.
Fonte-Leme

domingo, 19 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de reportagem

Foi bonito, simples e muito feito a partir da espontaneidade de quem interveio.
Primeiro a apresentadora, que falou das duas pintoras, sobretudo do seu conhecimento das pessoas, enriquecendo com um toque de afectividade o pré-debate.
(Lá fora tinha chovido granizo. Nada melhor para esquecer a tempestade do que remeter os sentidos para a realidade que resulta da criação.)
Depois a moderadora referiu-se com a convicção da solenidade necessária ao trabalho das duas pintoras: A Ana (Nini, a minha irmã de coração!) e a Cecília.
Depois falaram elas, as pintoras. Primeiro a Cecília. Eu que até nem percebo destas artes, entendi perfeitamente o processo criativo: primeiro o traço, depois pode continuar a ser o traço e o traço, até que o traço siga o seu caminho... As paisagens que não são senão paisagens de si mesma. A cor dominante. O auto-retrato!
Depois falou a Nini, do seu percurso, dos seus mestres, do seu processo criativo, diferente do da Cecília, dos seus temas, da magia de transformar a dor em cor, digo eu, que eu sei.
(Lá fora tinha chovido granizo. O caos estava instalado na cidade. Mas, das portas da Bulhosa para dentro, a ordem estabeleceu-se, naturalmente eivada de emoções, que vêm à tona também naturalmente, porque a arte é a emoção feita qualquer coisa. Neste caso pintura!)
Pego no folheto da Bulhosa e vem-me, à flor da saudade, um nome, uma memória muito viva: Lindley Cintra. Foi o meu primeiro professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Ensinou-me a Linguística, o Ideal e a Coragem. Tenho a certeza que não é por acaso que a Escola se chama Lindley Cintra. É uma inspiração e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de um compromisso com a Verdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Toca a limpar!


Há "graffitis" e "graffitis". Alguns parecem ter evidente intenção artística. Outros só existem para sujar. Arte ou Não-Arte, o "graffiti" é sempre uma irreverência e funciona, ou seja, atrai invariavelmente a atenção de quem passa.
O problema é que há paredes que não aguentam mais marcas, mais gritos. É preciso devolver a alguns muros esse espaço do grito.
Agora é no Bairro Alto, por ordem de um conjunto de entidades.
Quem for apanhado a "graffitar", tratando-se de um "crime" diferente, dificilmente catalogável, também a sanção deve ser também uma sanção diferente, no caso de o infractor ser levado a tribunal. Um serviço comunitário, é o exemplo dado na notícia.
Pode nem servir de nada, mas vale a pena tentar!
Fotografia-Elevador do Lavra,124 anos de idade, na Rua de São José, Lisboa, a Linda!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Olha o sol a trazer o dia a Lisboa!

Há dias em que até para o sol parece difícil romper o frio da manhã sobre o rio e trazer a luz do dia à cidade, que começa aqui, quando a água acaba e se encosta às rochas da margens, em amena conversa com as gaivotas, os barcos... De que falarão, gaivotas, barcos e rio, ao fim destes tantos anos?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Inauguração

O Meu Banco abriu hoje!
Não, não é a minha contribuição para a resolução da crise. Também não é um banco de jardim ou de uma praça.
(Desde que começou este falatório da crise que não penso em mais nada senão em bancos, não nos bancos do dinheiro mas naqueles em que depositamos, ao fim de um dia de trabalho, o cansaço das nossas pernas, ou, quando a vida já vai avançada, o que nos resta de ilusão, coragem, esperança... A minha atenção vê bancos em todo o lado!)
Mas o Meu Banco também não é desses!
É um repositório de imagens, daquelas em que tropeço e que me apetece guardar. Vão ficar aqui.
E por falar em outros blogs, guardei no meu baú a Entrevista do Escritor Lobo Antunes, publicada na Pública de domingo. É a humanidade do Escritor a responder às perguntas! É ele a contar e a provar como o cancro o mudou.

É o Outono a chegar a Lisboa!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Onde pára o professor?

Preparação das aulas trocada pelas avaliações
Este título diz muito sobre a aflição dos professores que vêem o seu tempo sugado pelas sucessivas reuniões, Conselhos Pedagógicos e outros, por causa da Avaliação de Desempenho, processo que os professores procuram tornar viável e justo, embatendo sempre na essência desta avaliação toda ela feita de papel, sucesso escolar fácil, burocraticamente perfeito, administrativamente inatacável, de aplicação difícil, com consequências ainda não calculadas, provavelmente desastrosas, nas práticas dos professores esgotados de tempo e de esperança.
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domingo, 5 de outubro de 2008

Bom Dia, Professor!

World Teachers’ Day reminds governments and the general public of the role of teachers and of the need to improve their status and working conditions. Above all, it is an opportunity to show appreciation for their work in preparing the next generation to function efficiently in a changing world.
Felizmente este texto tem idade suficiente (dez anos) para evitar conclusões fáceis daqueles que procuram ridicularizar e menorizar a luta dos professores por melhores condições de trabalho.
Os professores têm em mãos uma "Avaliação de Desempenho" e tentam viabilizar de forma justa o que é na sua essência injusto: avaliar os professores pelos resultados escolares, passando por cima do princípio da identidade individual do aluno e do professor, esquecendo que o verdadeiro sucesso escolar e educativo depende de muito mais do que uma simples nota atribuída no final do ano.
O sucesso é, na minha perspectiva, um resultado equilibrado e harmonioso, feito de conhecimentos adquiridos (quanto mais, melhor!) e valores, que ao longo da vida, se tornam preciosos para o sucesso pessoal. Mas, na sociedade moderna, o que manda é o número, o que nos governa é o papel, um papel desalmado, desumanizado que fornece os elementos necessários para a invenção da máquina burocrática que reduz os meninos e os professores a números e pouco mais. Deixa cá ver este se está a estragar a taxa de abandono. E vai de deitar para o papel o abandono do verdadeiro papel da escola que é, ou devia ser, integrar sem mentiras.
E "vai-se-a-ver" isto é tudo mentira!!!
Ao longo destes trinta e três anos de serviço, eu tenho a certeza que fui avaliada pelos pais dos meus alunos, e pelos alunos, pelos colegas e pela comunidade em geral, de modo informal, "despapelado", mas fui. Fomos todos. Nenhum Encarregado de educação ousava bater-nos, mesmo que os maus resultados dos filhos lhes causasse tanta dor na estima de pais que lhes apetecesse espancar o filho e tudo o que à volta contribuísse para esta dor. Havia então uma cultura de não-violência que urge trazer à escola de novo. Quem sai da escola hoje, sai minado de violência, por dentro, por fora, por palavras, gestos, comportamentos e até pensamentos.
É isso que é preciso combater.
É tão bom ser professor! Corrijo: é tão bom ter sido professora nos anos setenta e oitenta! Tenho reencontrado alunos desse tempo e, ironicamente, nos lugares onde a minha fragilidade se escancara e logo perante eles, ou melhor, no caso concreto, elas. O facto de me reconhecerem já de si é muito gratificante. Mas o melhor é o carinho que põem nos cuidados de que sou alvo por circunstâncias que não vêm ao caso.
São memórias destas que eu vou guardar no meu "portfólio" da minha carreira, onde vou destacar, como os artistas, os momentos de ouro. A partir daí, Senhores Ministros, Presidentes dos Conselhos Todos, avaliem-me como quiserem. Eu não vou mudar por dentro, mesmo que tenha de mudar por fora. A minha satisfação profissional está incrustada na minha alma e já não sai.
A todos os professores, eu desejo, um Bom Dia! A todos os que não são professores eu desejo o mesmo Bom Dia! Foto: encontro com a escritora Alice Vieira, sem papel passado de objectivos e conteúdos. Eu sou quase do tempo do Sebastião da Gama, em que a aula de Português acontecia!